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Djokovic: ser perfeccionista não significa ser chato
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 28, 2019 às 2:24 pm

Não há nada que Rafael Nadal tenha feito nesta final, que Novak Djokovic não tenha sido melhor. Nesse tom, por incrível que seja, o tenista sérvio fez tudo parecer muito fácil nessa decisão do Aberto da Austrália. Isso é resultado de um trabalho árduo e o perfeccionismo demonstrado pelo campeão.

Sempre Djokovic busca pelo melhor. Mesmo que isso signifique alguns tropeços, desencontros e decisões longe das ideais. Não há muito tempo, o sérvio mexeu drasticamente em seu staff, até voltar a tranquilidade do trabalho com Marian Vajda. Passou por momentos difíceis e de inconformismo. Na sua volta ao circuito não conseguia jogar o seu melhor tênis. Sofreu pela falta de paciência, até chegar ao nível que demonstrou em Melbourne.

Para chegar a esse ponto, Novak Djokovic demonstrou seu lado mais exigente. E na busca da perfeição, muitos interpretam que o tenista sérvio é chato, antipático. Mas, ao meu ver, é necessário entender os critérios por ele utilizados.

A fama de um jogador antipático nos bastidores surgiu por conta do pessoal da própria ATP e até mesmo da ITF. É que dentro de seus critérios, Djokovic não se revela um bajulador e nem aceita todas as normas. E, por isso, há rumores que o atual número 1 do mundo está em briga com Chris Kermode e quer tirá-lo da presidência da associação de tenistas.

Já conhecia a fama de antipático – e até estava convencido disso, confesso – quando estive pela primeira vez em contato com Djokovic. Este encontro aconteceu na despedida de Gustavo Guga Kuerten do torneio de Miami. O sérvio tinha sido surpreendido logo na estreia da competição e aceitou o convite para a celebração do brasileiro em uma churrascaria da cidade. Djokovic foi de ônibus, ao lado de um montão de gente, e esteve na festa com simpatia, carinho com todos e simplicidade.

Certa vez, em Roland Garros, tinha uma entrevista exclusiva com Djokovic. Nesse dia, Guga tinha acompanhado o jogo do sérvio na tribuna Presidencial da Philippe Chatrier. Iniciei a conversa falando deste fato e ao perceber que se tratava de uma entrevista a brasileiro abriu um largo sorriso e confessou que Kuerten merece todo o respeito e privilégios concedidos a ele em Paris. O papo estava fluindo de forma agradável, quando entrei na parte técnica perguntando de suas perspectivas no torneio etc e tal. Neste momento o agente da ITF interrompeu e disse que meu tempo tinha acabado. Djokovic, mais uma vez não cumpriu as normas, olhou feio para o lado e deixou que eu terminasse o meu trabalho com tranquilidade.

Não satisfeito, o agente de comunicações da ITF procurou-me horas depois para dar uma bronca, que eu não poderia ter ficado tanto tempo na entrevista e coisas assim. Ao final, confessou que Djokovic o havia também repreendido. E, é claro, deixou a entender que na sua interpretação o tenista sérvio não era dos mais fáceis no tratamento.

Apesar de tantas informações em contrário, não vejo como não entender os posicionamentos de Djokovic e estou convencido, agora com opinião própria, que o sérvio não só faz muito bem ao tênis mundial, como também é simpático. E isto pode ser visto, mais uma vez, num pedaço da entrevista coletiva do campeão do Aberto da Austrália, quando faz uma ironia das mais engraçadas com o jornalista italiano Ubaldo Scanagatta. O trecho está nas mídias sociais.

 

Troca da guarda e Federer é vítima da next gen
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 20, 2019 às 1:10 pm

É curioso e até irônico que Roger Federer tenha se transformando na primeira vítima, em Grand Slam, de um digno integrante da nova geração como o grego Stefanos Tsitsipas. Justamente o maior colecionar de troféus desse peso viu o que John McEnroe definiu como “changing of the guard”, ou seja a troca da guarda.

Os avisos já haviam surgido para Roger Federer. Campeão do Aberto da Austrália ano passado, o suíço caiu nas quartas de final de Wimbledon, nas oitavas de final do US Open e volta a ficar nesta mesma fase agora no primeiro Slam da temporada.

Nada disso, porém, deve significar em aposentadoria. Afinal, já vi alguns ‘posts’ em que esta poderia ter sido a última aparição de Federer na Austrália. O fato é que apenas o “goat” – o maior de todos os tempos – sucumbiu diante de um jovem talento. Vejo o suíço ainda em plenas condições de uma bela temporada. E não há melhor combustível para um tenista do que vitórias. E elas devem acontecer com boa frequência ainda para o suíço.

Essa possível troca de guarda vem de encontro às recentes declarações do ex-número um do mundo Marat Safin. O russo disse não acreditar nesta nova geração, pois nenhum deles ainda tinha conseguido vitória significativa sobre um dos grandes. Mas parece que o mundo está mudando.

O interessante nesta opinião de Safin é que muitos do mais expressivos integrantes da chamada next gen são de origem russa. Além de Tsitsipas, estão neste grupo Denis Shapovalov, Andrey Rublev e Karen Khachanov. Este fenômeno é visto também no feminino. Algumas das mais fortes representantes da nova geração como Amanda Anisimova ou Sofia Kenin, que embora representem os Estados Unidos tem suas origens na Rússia.

Esta nova geração já teve, porém, outros resultados significativos fora dos eventos do Grand Slam. em 2018, Tsitsipas venceu Novak Djokovic na terceira rodada de Toronto; Borna Coric bateu Federer nas semis de Xangai e final de Halle; Khachanov ganhou de Nole na final do 1000 de Paris; e Alexander Zverev venceu Federer e Djokovic no Finals.

COMO FÊNIX -De acordo com a mitologia grega, Fênix ressurgia das próprias cinzas. E Rafael Nadal, apesar de todos os problemas físicos, segue firme e forte neste Aberto da Austrália. É que após alguns resultados ruins no início da temporada, o espanhol foi para Melbourne envolvido em dúvidas. Mas uma coisa e certa, quando ele entre num torneio é para ganhar, não apenas participar. Esta longe de ser um barão de Coubertin, que tinha como lema “o importante é competir”.