Arquivo mensais:novembro 2018

Copa Davis inicia era de incertezas
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 27, 2018 às 7:59 pm

A Croácia fez história. Ao erguer a famosa “saladeira” em terras francesas encerrou uma era da mais emocionante competição por nações do planeta. A partir de agora, a Copa Davis inicia um período de incertezas, que podem abalar a centenária tradição deste evento.

Não é a primeira vez que a Copa Davis passa por reformulação. Mas nada tão radical como o proposto para o próximo ano. Por um bom tempo, a competição era jogada no “challenger round”. Ou seja, o campeão de um ano ficava a espera de quem iria enfrentá-lo na decisão do seguinte. Isso foi de 1900 a 1981.

A ideia de novas transformações veio para tentar atrair as grandes estrelas. Neste formato disputado até este ano, como disse Pete Sampras no livro “Mente de Campeão”, um jogador precisaria dedicar dois meses da temporada para defender seu país. Mas para quem busca alcançar ou manter a liderança do ranking mundial, como era o caso do americano, isso tornou-se um desafio desumano.

Para buscar a garantia de sucesso nesta nova Copa Davis, o atual presidente da ITF, o norte-americano David Haggerty associou-se a empresa do jogador de futebol Gerard Pique, Kosmos, e assegurou uma premiação milionária.

Só que são vários os aspectos que causam incertezas para o próximo ano. Uma das mais recentes ações contra esta nova Copa Davis veio de Novak Djokovic. Ele vem mandando e mail para todos os jogadores com o propósito de criar um grupo forte e exigir da ITF que não coloque a participação na competições entre nações como elegível para disputar o Torneio Olímpico de Tóquio.

Sem contar ainda com Roger Federer, que deixou clara a sua disposição de não ter de discutir assuntos do tênis com um jogador de futebol. O suíço também tem um evento concorrente, a Laver Cup. Pique reclamou esses dias que não consegue falar com o tenista. Usou até o seu agente Tony Godsick para tentar uma aproximação, mas sem sucesso.

Com duas fases bem claras, a Copa Davis reúne em fevereiro equipes para um torneio de classificação. As nações vencedoras irão para uma final em novembro, em Madri, com esperanças de manter a tradição e as emoções dos confrontos. Mas, na realidade, esta centenária competição pode sim estar perdendo sua alma.

 

O que esperar da next gen em 2019
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 19, 2018 às 7:12 pm

A turma da nova geração do tênis mundial já mandou um belo aviso neste final de temporada. Karen Khachanov, em Paris, e Alexander Zverev, em Londres, derrotaram o atual número um do ranking Novak Djokovic para ganharem títulos de suma importância. Stefano Tsitsipas fez um brilhante ano, assim como seu adversário na final do Next Gen, em Milão, Alex de Munar. Os americanos, que não contam com um número um desde os tempos de Andy Roddick, podem sonhar alto com nomes como Frances Tiafoe, Taylor Fritz, entre vários outros. E até mesmo a armada espanhola, um pouco desgastada, apesar de Rafael Nadal, está vendo surgir um novo talento como Jaume Munar. Sem contar ainda com os jogadores um pouco mais experientes como Nick Kirgios, Dominic Thiem, juntos a vários outros.

A expectativa de sucesso dessa rica nova geração fica para os Grand Slam. Esta série de torneios há muitos e muitos anos vem sendo dominada pelos consagrados Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic, Andy Murray e alguns poucos intrusos como Stan Wawrinka, Marin Cilic e Juan Martin Del Potro.

Thiem chegou a final de Roland Garros este ano. Perdeu para Rafael Nadal, mas o fato de ter alcançado a decisão, pelo menos no meu ponto de vista, abre uma perspectiva enorme de se vencer. Lembro sempre de um certo ano em Paris, quando Arantxa Sanchez decidia o título diante da super campeã Steffi Graf e meus amigos espanhóis confessavam o temor de um vexame, uma bicicleta ou coisa parecida. Mas, ao final da história, a jovem espanholinha, meio rechonchuda na época, deixou a Philippe Chatrier carregando o troféu.

Outro detalhe importante é que, além das vitórias de Khachanov e Zverev sobre Djokovic, das dez derrotas de Roger Federer na temporada, quatro vieram de jogadores deste novo grupo: Thanasi Kokkinakis, em Miami; Borna Coric, em Halle e Xangai; e mais recentemente Zverev, em Londres.

O duelo de gerações promete ser uma das grandes atrações para a próxima temporada. Afinal, Novak Djokovic, apesar do vice em Londres, está em plena forma. Rafa Nadal por diversas vezes voltou de lesões com sucesso absoluto. Roger Federer, do alto dos seus 37 de vida, revela-se muito satisfeito com sua performance em 2018. E, para justificar seu sentimento, repetiu uma frase de Pete Sampras, ou seja, não se pode considerar ruim uma temporada em que se tenha erguido um troféu de Grand Slam.

Enfim, teremos muitos candidatos aos títulos dos quatro Slams. E a aposta fica para sabermos se vamos ter um novo nome da restrita lista de vencedores desta série de torneios. A contar pelo o que aconteceu em 2018, as chances são boas…

 

Apenas um recado para Julien Benneteau
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 13, 2018 às 5:02 pm

Em meio a tantas coisas legais acontecendo nesta reta final do tênis em 2018 aparece um Julien Benneteau para tumultuar o ambiente. Suas afirmações de privilégios a Roger Federer, em entrevista a rádio francesa RMC, surgem como um contraponto ao clima de grandes atuações, duelos de gerações e toda emoção que esta temporada vem revelando.

Essas críticas de Benneteau levaram-me a entrar no túnel do tempo e lembrar de um episódio dos mais intrigantes em Roland Garros. Cansados de verem seu vizinhos (e rivais) espanhóis ganharem tudo no Aberto da França – ainda antes da era Rafael Nadal – a Federação Francesa de Tênis quis facilitar o caminho para o então número um do mundo, Pete Sampras, enfim ganhar uma Taça dos Mosqueteiros.

Conhecedores de como se construir uma quadra de “terre battu”, os organizadores do torneio ordenaram que o saibro daquele ano fosse o mais rápido possível. É claro que em dias de chuvas pesadas, nem mesmo os espertos franceses conseguem operar este milagre. Mas alcançaram sim uma superfície bem mais rápida do que em todos os outros anos.

A história vazou para media internacional. O assunto dominou os bastidores e causou revolta em muita gente. É claro que especialmente entre os tenistas espanhóis. Só que Sampras vivia momentos incríveis. A ATP, na época, chegou a colocá-lo como o melhor tenista dos últimos 25 anos, com perspectivas de se o maior de todos os tempos.

Enfim, a própria França resolveu dar privilégios a um dos maiores astros da história do tênis. Mas, nem assim, Pete Sampras ergueu uma vez sequer a cobiçada Taça dos Mosqueteiros.

É preciso entender também que os prêmios do tênis atualmente alcançam cifras milionárias em função de astros como Roger Federer. Por isso, apesar das críticas de Benneteau, o Australian Open sim colocou o suíço para jogar à noite por diversas vezes, com tratamento especial. Afinal, ele vende ingressos e ganhou por seis vezes o título em Melbourne.

O próprio Novak Djokovic perguntado a respeito das declarações de Benneteau não hesitou em defender a ideia de privilégios para um astro como Roger Federer. E isso acontece também com Rafael Nadal. Ora, quando ele esteve no Brasil é lógico que os organizadores colocaram o espanhol para jogar nos horários nobres. Nada mais justo e inteligente. Com Gustavo Kuerten sempre foi o mesmo.

Ora, Julien Benneteau às vésperas da aposentadoria perdeu uma boa chance…