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Qualidades divinas, erros infernais
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 30, 2018 às 9:18 pm

É curioso, chega a ser intrigante, o fato de alguns tenistas terem recebido qualidades divinas e não aproveitarem. Jogam tênis com arte, maestria, habilidade. São capazes de jogadas geniais, mas parecem que não sabem agradecer a Deus o dom que receberam. São frequentes as cenas demoníacas. Erros infernais de artistas rebeldes da raquete como Benoit Paire, Nick Kyrgios, Fabio Fognini, entre outros de várias épocas que não tiram proveito do que têm de melhor.

O sonho de disputar um Grand Slam invade a alma de qualquer tenista. Ter ainda a honra de enfrentar um adversário como Roger Federer deveria transformar-se em ótima oportunidade de fazer história. Benoit Paire é um desses jogadores, de uma restrita lista, que poderiam sim ameaçar a vitória do ex-número um, considerado por muitos como o melhor de todos os tempos. Mas, o tenista francês deu um outro tipo de espetáculo, ao tentar, por exemplo, bater uma bola por entre as pernas, sem a menor necessidade. Atirou várias vezes a raquete no chão e quase tomou o troco. Fez embaixadinha, reclamou com o treinador e saiu de quadra com um 3 a 0 para o suíço.

Outro desses endiabrados tenistas por pouco também não deu um espetáculo vexatório. Nick Kyrgios, dono de uma extensa lista de impropérios, parecia que não queria mais jogar reclamando de um calor de 34 graus, de um sol que também batia na cabeça do adversário. Para não ser punido por falta de combatividade, o juiz de cadeira Mohamed Lahyani assumiu o posto de conselheiro e treinador. E depois de uma longa conversa com o irrequieto Kyrgios , o tenista resolveu mostrar seu talento e avançou na competição. Será o próximo adversário de Federer.

Já o italiano Fabio Fognini parecia estar com boas intenções em Nova York. Seu uniforme – de duvidoso gosto – homenageou o star and atripes com as cores da bandeira dos Estados Unidos. Mas voltou a desperdiçar seu talento, com uma atuação bem abaixo de sua arte de empunhar uma raquete.

 

Devagar com o andor
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 13, 2018 às 5:29 pm

A nova geração do tênis é, sem dúvida, muito bem vinda. Dotados de grande talento e enorme potencial, estes jogadores prometem dar uma nova cor ao circuito profissional. Mas, como dizia minha avó “vamos devagar que o Santo é de barro”. Por isso, embora reconheça que tenha torcido para um terceiro set e novos ares, a derrota de Stefano Tsitsipas pode ter sido boa para este grupo chamado de ‘Next Gen’.

Sempre acreditei que ao chegar a final, as chances de qualquer jogador ganhar o título são boas. Neste caso, um amigo na véspera comentou que Nadal passaria por cima de Tsitsipas. Não gosto muito de entrar no mérito das opiniões dos torcedores, ainda mais quando não estou trabalhando, e costumo responder de forma simpática, mas sem dizer nada: “O jogo é jogado e o lambari é pescado”.

A verdade dos fatos, porém, coloca outras perspectivas nesta situação de uma finalíssima contando com um lado levando grande favoritismo. Sempre lembro de um episódio em Roland Garros, que aconteceu há uns bons anos. Na final feminina, Arantxa Sanches desafiaria a super campeã Steffi Graf. Na época convivia muito com vários jornalistas espanhóis, dividíamos hotéis, mesas de jantares e discussões acaloradas sobre futebol. Em momentos que antecediam a decisão feminina em Paris dava para sentir o tom de preocupação de todos. Alguns confessaram estarem como medo de um vexame, ou seja, o de Arantxa terminar o jogo de bicicleta. Mas, de repente, a espanholinha conseguiu o improvável e celebrou o seu primeiro troféu de Grand Slam.

Vivíamos um período de talentos precoces. Michael Chang, com apenas 17 anos, foi campeão de Roland Garros. Monica Seles imperava muito jovem. Boris Becker e Mats Wilander também impressionavam pela precocidade.

Recentemente tivemos uma situação diferente. Caroline Wozniacki e Simona Halep ocuparam a liderança do ranking da WTA, mas não tinham troféus de Grand Slam. Rainhas sem coroas, na minha opinião. Só que o tempo e a experiência as levou enfim as conquistas de seus primeiros títulos de majors.

Para o chamado grupo do Next Gen existe também a possibilidade de qualquer um deles conquistar um troféu de Slam. Só não sei se será ao estilo de Arantxa Sanchez e Michael Chang ou como Wozniack e Halep.