Arquivo mensais:junho 2018

Será que é justo o ranking da grama?
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 29, 2018 às 3:07 pm

A utilização do ranking da grama para o Torneio de Wimbledon acabou provocando algumas ironias do destino. É claro que, em teoria, pouca diferença faz quem seja o número 1 ou o número 2. Mas beneficiado pelos critérios do All England Club Roger Federer subiu ao posto mais alto do quadro. Só que o sorteio da chave trouxe dos céus adversários em tese mais difíceis para o suíço. Enquanto Rafael Nadal deverá ter um caminho mais tranquilo pela grama do aristocrático clube do subúrbio londrino, o SW-19, pelo menos na primeira semana da competição.

Como se sabe, os torneios do Grand Slam são regidos pela ITF, a Federação Internacional de Tênis, e portanto não precisam seguir a lista de classificação da ATP ou WTA. Mas seria tudo mais fácil, sem polêmicas, se seguissem os rankings masculino e feminino, sem arranjos.

Desde que foi criado este ranking da grama, ele gera discussões e até boicotes. Vários tenistas espanhóis, por exemplo, se sentindo prejudicados desistiram de jogar no All England Club. Mas foram engolidos pelo gigantismo de Wimbledon e poucos disas depois, ninguém mais lembrava que existiu uma desistência coletiva dos ibéricos.

O mais incoerente, ao meu modo de ver, é que os critérios do ranking da grama são usados apenas em alguns casos. Rafael Nadal, por exemplo, caiu nas quartas de final de Wimbledon no ano passado. E em 2016 sequer disputou o Grand Slam inglês por causa de lesão.

Vale explicar que o ranking da grama acrescenta 100% de pontos aos resultados obtidos em torneios disputados nesta superfície nos últimos 12 meses e 75% às competições do ano anterior.

No lado feminino, este ranking da grama jamais foi utilizado e não faz parte dos critérios de definição das cabeças de chave. Mas, desta vez, o All England colocou Serena Williams como 25a. Fica a pergunta: por que não 32, 15 ou 1?

Colega de profissão, Vera Zvonareva, que já foi vice-líder do ranking da WTA, disputou o qualifying e passou para ter o direito de voltar a jogar a chave principal do Torneio de Wimbledon.

Nada contra criar uma espécie de ranking protegido para as tenistas que tiveram filhos. Apenas seria coerente estabelecer uma regra. É o que está pensando a toda poderosa associação de tênis dos Estados Unidos, a USTA, como já adiantou a presidente Katrina Adams.

Enfim, agora com a chave definida, os jogos marcados, o melhor é recorrer mesmo a aquela velha máxima e “que vença o melhor”.

 

Rafael Nadal: uma lição de vida
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 11, 2018 às 3:01 pm

Se ao acordar numa segunda feira pela manhã e sentir que está precisando de uma dose extra de motivação mire-se no exemplo de Rafael Nadal. Aos 32 anos, o tenista espanhol deixa uma lição: a de que não há limites para o desenvolvimento e aprendizado. Afinal, chegou ao 11. título de Roland Garros ainda melhor do que em outros anos, fruto de sua paixão pelo esporte e força para o trabalho.

A própria ATP, antes mesmo da final de Paris, divulgou uma análise sobre o desenvolvimento técnico de Nadal. Enumerou uma série de novas alternativas ao seu já repleto repertório de golpes. E não há como negar que o tenista espanhol avançou no seu jogo.

Além dessa lição do espanhol, o torneio de Roland Garros deste ano confirmou o talento da nova geração de tenistas. Não há dúvidas de que os jogadores que estão chegando irão substituir a altura nomes como Nadal, Roger Federer, Novak Djokovic, Andy Murray entre outros. Mas tudo dentro de seu tempo.

Só que o esforço para Nadal manter-se à frente desta geração, como fez na final diante de Dominic Thiem, poderá levá-lo a tomar uma decisão drástica e poupar-se na temporada de grama. Acho difícil que isso possa acontecer. Mas nada como um dia atrás do outro para o espanhol pensar melhor no assunto.

Coroação – Costumo dizer (não sem receber muitas críticas) que uma tenista alcançar a liderança do ranking mundial, sem jamais ter vencido um Grand Slam é como ter uma ‘rainha sem coroa’.

Mas este ano pudemos ver a coroação de duas tenistas. Primeiro a dinamarquesa Caroline Wozniacki, no Aberto da Austrália, e agora a romena Simona Halep, em Roland Garros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Halep brilha nas semifinais de Roland Garros
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 7, 2018 às 4:20 pm

Se repetir a atuação das semifinais diante de Garbine Muguruza, a romena Simona Halep poderá, enfim, celebrar um título de Grand Slam. Com a vitória sobre a espanhola, ela já garantiu a liderança do ranking mundial, mas, certamente, este fato passa a ser secundário, pois seu grande objetivo é erguer o troféu de campeã no sábado, em Paris.

Halep já viveu esta situação por duas vezes. Em 2014 perdeu a final para Maria Sharapova e no ano passado foi surpreendida pela letã Jelena Ostapenko. Desta vez parece estar bem preparada, especialmente, no aspecto mental para suportar a pressão e voltar a jogar bem.

Além da boa vitória sobre Mururuza, Simona Halep obteve um resultado importante nas quartas de final. Ao virar o jogo contra Angelique Kerber ganhou a confiança necessária para chegar forte a decisão de 2018.

A intensidade em quadra foi o ponto alto do jogo da romena. Soube enfrentar situações difíceis e com excelente preparo físico devolveu bolas decisivas.

Em quadra, Simona Halep vai precisar, mais uma vez, dar tudo que tem para superar a adversária deste sábado. Vai enfrentar uma campeã de Grand Slam, a vencedora do US Open do ano passado, Sloane Stephens, que teve uma vitória categórica sobre Madison Keys, na outra semifinal.

Halep até busca tirar um pouco da pressão de seus ombros ao declarar que não pensa muito no fato de jamais ter vencido um Slam. Mas não há como fugir disso e concorda que erguer o troféu de Roland Garros seria o grande sonho de sua vida.

Roland Garros chega ao momentos decisivos
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 4, 2018 às 6:56 pm

A lamentar apenas a desistência de Serena Williams. Seria um verdadeiro blockbuster  (como gostam de chamar os norte-americanos) o seu duelo com Maria Sharapova. Mas, ainda assim, Roland Garros chega a semana decisiva com a participação de grandes astros. Muito a agradecer a tradição dos Grand Slams de manter jogos em melhor de cinco sets para o masculino. Caso contrário, poderíamos estar lamentando a eliminação do cabeça de chave número 2, Alexander Zverev.

Chegam às quartas de final do French Open cinco jogadores no grupo dos top ten: Rafael Nadal, (1), Zverev (3), Marin Cilic (4), Juan Martin del Potro (6) e Dominic Thiem (8). Sem contar ainda com o ex-campeão e ex-líder do ranking Novak Djokovic. Aliás, o tenista sérvio vem justamente se reencontrando com seu melhor jogo justamente em Paris. É claro que ainda está distante dos seus bons tempos de número 1, mas vai ter um bom encontro nas quartas de final. Seu adversário é o surpreendente italiano Marco Cecchinato. Ele tem o ranking mais baixo dos jogadores que ainda estão na competição. Ocupa a 72a. colocação na lista da ATP. Um destaque também merece o argentino Diego Schawrtzman, que com a tradicional garra argentina segue em Paris.

O feminino também vai viver dias interessantes. A rodada desta terça-feira terá Sloane Stephens, de 25 anos e número dez do ranking, contra Daria Kasatkina. Em outro duelo Yulia Putitseva pode fazer história e transformar-se na primeira tenista do Cazaquistão a alcançar as semifinais de Roland Garros. Mas para isso terá de derrotar Madison Keys. O torneio ainda promete muitas emoções.