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Derrotas levam Federer a recuar ao plano original
Por Chiquinho Leite Moreira
março 25, 2018 às 2:41 pm

Bastaram duas derrotas consecutivas para Roger Federer dar-se conta e lembrar que está com 36 anos. E certo de uma verdade no esporte de alto nível, de que descansar também é treino, o tenista suíço decidiu voltar ao plano original, estabelecido no início da temporada, e poupar-se na exigente temporada europeia de quadras de saibro, que culmina com Roland Garros.

Não há como deixar de reconhecer que Federer vivia um período de euforia. Afinal, tudo estava correndo tão bem que chegou ao ponto de pedir wild card em Roterdã. Precisava de uma semifinal na Holanda para recuperar a liderança do ranking, mas saiu como campeão.

Na final de Indian Wells, a derrota não doeu tanto. É que chegou a ter três match points, diante de Juan Martin Del Potro. Mas já havia recebido um sinal dos céus durante as semifinais na Califórnia. Diante de Borna Coric sofreu bem mais do que imaginava para vencer o jogo. Mas Federer baseou-se num princípio básico dos grandes tenistas. Tem dias que dá para ganhar, mesmo não jogando bem. Só que o alarme tocou alto na estreia de Miami. Diante de Thanasi Kokkinakis começou o jogo com fôlego. Aos poucos caiu de rendimento e diante de um adversário de impressionante potencial sucumbiu no tie break do terceiro set.

O resultado o fez ver a vida de uma forma realista. A euforia de Roterdã deu lugar a um plano mais consciente. Viu que precisa de tempo não só para recuperar-se, descansar e treinar, mas também passear com a família. As crianças se tornam adultas num piscar de olhos e não há como recuperar este tempo..

Não há dúvidas de que Federer vislumbrou um bom momento para buscar o segundo Troféu dos Mosqueteiros, em Roland Garros. Ele próprio declarou esta sua vontade e possibilidade. Seu jogo andava tão bem que o sonho poderia sim tornar-se realidade. Só que agora, uma ducha de água fria o fez repensar seus planos.

Curiosamente, o diretor do torneio de Roland Garros, o ex-tenista francês Guy Forget anunciou recentemente que via sim grandes perspectivas para Federer este ano em Paris. Por isso, não seria surpresa para mim, se ele deixar guardado um wild card que seria usado como curinga. O French Open fecha as inscrições cerca de 40 dias antes do início da competição. Neste período, Federer poderia recuperar o ânimo e jogar na mais famosa terra batida do planeta.

 

 

Federer sonha com o bi em Roland Garros
Por Chiquinho Leite Moreira
março 6, 2018 às 4:48 pm

O sonho de Roger Federer em conquistar o título de Roland Garros, novamente, foi revelado numa entrevista em Mônaco, durante a entrega do Laureaus Sports Awards. O assunto não ganhou a esperada repercussão. Mas faz todo o sentido. E o tenista suíço pode disputar o segundo Grand Slam da temporada, pela primeira vez desde 2015.

Federer não foi a Paris em 2016, pois ainda recuperava-se de cirurgia. Também não jogou ano passado, para poupar-se fisicamente. Agora, porém, a situação é bem diferente. E estrategicamente importante para ele manter a liderança do ranking mundial por muito mais tempo.

Para seguir como número um, Roger Federer precisa chegar as semifinais de Indian Wells. Embora defenda o título conquistado ano passado, estará beneficiado pela desistência de Rafael Nadal para os dois próximo Masters 1000.

Este cenário pode seguir por mais algumas semanas, ou meses. Como no ano passado Federer poupou-se e não disputou a temporada europeia de quadras de saibro, tudo o que fizer neste período será lucro. Já Nadal tem muitos pontos a defender. É claro que o espanhol pode sim repetir os títulos em Monte Carlo, Madri, Barcelona e Roland Garros, mas os pontos extras somados pelo suíço podem ser decisivos.

Não vejo como provável a participação de Federer em muitos torneios da temporada europeia de saibro. Deve escolher um ou outro, apenas como preparatório para Roland Garros. Possivelmente Madri, onde as condições de jogo são mais rápidas, mas não seria surpresa se for a Monte Carlo, em clima e quadras mais parecidas com as de Paris.

Federer tem um título em Roland Garros, em 2009. Na época fez a final com Robin Soderling, jogador que eliminou Rafael Nadal da competição. E se tanto o suíço, como o espanhol se mantiverem nas atuais posições, os dois só poderiam se encontrar numa eventual final em Paris. Bem, se o Federer tem um sonho… fica este outro de uma decisão entre estes dois fenomenais tenistas.

 

Brasil Open: Capital do tênis
Por Chiquinho Leite Moreira
março 1, 2018 às 5:27 pm

O Brasil Open é o mais tradicional torneio do País. Entre momentos reunindo grandes estrelas e outros com maiores dificuldades, a competição mantém viva a alma do tênis. É uma oportunidade para os amantes deste esporte curtirem a modalidade no elevado nível de um ATP. Os mais exigentes podem não dar valor a isso, mas seguir com um torneio destes é fruto de muita luta e paixão pelo tênis.

Para os mais esquecidos, o Brasil Open nasceu gigante. Em 2001, na Costa do Sauípe, no lindo litoral baiano, desfilaram por suas quadras astros do tênis, com detalhe de também contar com uma chave feminina, em evento que teve como campeã Monica Seles. No masculino, Gustavo Kuerten caiu na primeira rodada para Flávio Saretta que foi até às quartas. Fernando Meligeni chegou a final e perdeu para o tcheco Jan Vasek.

Sob a benção dos Orixás, o Brasil Open viu o nascimento de um dos maiores fenômenos do tênis. Rafael Nadal, ainda no começo de sua carreira, com cara de menino, levantou o troféu de campeão em 2005. Ele voltaria a conquistar este torneio em 2013, mas já em São Paulo, no Ginásio do Ibirapuera.

As boas histórias do Brasil Open não param por aí. Em 2002, numa emocionante final, Guga Kuerten conquistou o primeiro de seus dois títulos da competição. Venceu na final o argentino Guillermo Coria, com grande influência da torcida na Costa do Sauípe. O tricampeão de Roland Garros viria a comemorar outro troféu, em 2004, em evento que marcou a nova data e a troca de piso. Na decisão, o brasileiro teve outro argentino pela frente, Agustin Calleri.

A quadra central da Costa do Sauípe também foi palco de um dos momentos mais emocionantes do tênis brasileiro. A despedida de Guga Kuerten comoveu a todos, num marcante episódio em que o ex-número um do mundo confessou que gostaria sim de seguir nas quadras, mas estava impossibilitado pelas limitações físicas.

Além da troca de piso, do sintético para o saibro, o Brasil Open também mudou de sede. Em 2012 veio para São Paulo, no Ginásio do Ibirapuera. E no ano seguinte contou com o maior público de todos os tempos na competição, com mais de 50 mil pessoas cruzando as bilheterias durante a semana, que culminou com título de Rafael Nadal.

Por dois anos, o torneio foi para o Esporte Clube Pinheiros, mas agora volta ao Ibirapuera, consolidando o ginásio como a capital do tênis do País.