Arquivo mensais:janeiro 2018

Federer é o Pelé do tênis
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 30, 2018 às 9:05 pm

A 20a. conquista de um torneio do Grand Slam, no Aberto da Austrália, reforça a ideia de que Roger Federer é o melhor de todos os tempos. Merece o título de “g.o.a.t.” greatest of all time”. Até mesmo Rod Laver acha isso. E o mundo do tênis empolgado com tudo já tenta colocar o suíço como o maior esportista da história.

Na euforia dos fatos, também fui contagiado pela ideia. Mas ao refletir uma conversa entre amigos vejo que devemos deixar as coisas em seus devidos lugares e respeitar outras modalidades e paixões. Um companheiro de clube – não estou autorizado a divulgar seu nome – ex-craque do São Paulo, do Vasco da Gama, Cruzeiro, entre outros, e que também defendeu a Seleção Brasileira, confessou o que nem precisava. Disse que é um amante do futebol, mas surpreendeu ao revelar que com Federer aprendeu também a gostar de tênis. E saiu-se com a seguinte frase: Roger Federer é o Pelé do tênis. É claro que usou a referência ao maior craque do futebol como sinônimo ás, conforme alguns dicionários da língua portuguesa.

A definição praticamente deu fim a discussão de quem deveria ser o melhor esportista da história. Derrubou as argumentações dos amantes do futebol, dos apaixonados pela NBA e fez-me lembrar dos bons tempos de Tiger Woods. Era, indiscutivelmente, o melhor. Hoje existe um número cada vez maior de grandes craques em suas modalidades, que são seguidos fervorosamente pelos seus fãs.

Satisfeito em ter Roger Federer como g.o.a.t. do tênis, os amantes do esporte da bolinha amarela podem ter também o orgulho de que tenista suíço trouxe admiradores de outras modalidades para as arquibancadas das quadra. E se Federer não é uma unanimidade como o maior esportista de todas as modalidades, respeitando os que idolatram outro esporte, vamos combinar… nada mal ter o título de Pelé do tênis.

 

Nadal enfrenta mais um desafio
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 24, 2018 às 5:21 pm

Enquanto Roger Federer segue voando nas quadras de Melbourne Park, Rafael Nadal já segue viagem de volta para a Espanha para enfrentar mais um desafio. Em exame de ressonância realizado ainda na Austrália confirmou-se uma lesão na perna direita. Segundo o relato de seu assessor de imprensa, Benito Barbadillo, não se trata de nada muito grave, e, provavelmente, três semanas serão suficientes para ele voltar a ação e disputar o ATP 500 de Acapulco, no México.

Não lembro de Rafael Nadal passar um ano sequer de sua carreira, sem ser prejudicado por problemas físicos. E olha que fui vê-lo jogar pela primeira vez, quando o espanhol tinha apenas 16 anos. Isso foi no Masters 1000 de Monte Carlo. E logo depois a então jovem promessa saiu de cena para tratar de uma fratura por estresse. Só fui voltar a vê-lo em Roland Garros do outro ano, quando conquistou seu primeiro título em Paris.

Por este sacrificante histórico, Nadal já deve estar acostumado com estes problemas, mas jamais conformado. Confesso que jamais tinha visto o tenista espanhol sair de quadra tão bravo. Sempre cuidadoso em seus gestos, desta vez, atirou a munhequeira com violência no chão, revelando toda sua indignação. Afinal, ele já sabia que se tratava de uma nova lesão, mais um desafio entre tantos.

Vítima de seu estilo de jogo, de muita força física, Nadal resolveu contra atacar e criticou as autoridades do esporte por um calendário cada vez mais exigente e o grande número de competições em quadras duras. Não há como não concordar com o espanhol. Mas lembro também de outros exemplos, como o de Ivan Lendl, que certa vez fez um calendário dos mais enxutos para manter-se por mais tempo em ação. Hoje, algo muito parecido está ocorrendo com Roger Federer.

Como aprendi na escola de jornalismo: perguntar não ofende. Por que então voltar em Acapulco, torneio que recentemente deixou o saibro para servir como aquecimento às quadras duras de Indian Wells e Miami?

 

Next Gen em ação; e Sandgren mostra que universitário é um bom caminho
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 22, 2018 às 2:56 pm

É claro que Novak Djokovic não esteve no seu melhor e nem poderia estar, após tanto tempo afastado das competições. Mas não se pode dizer também que Hyeon Chung não deu show em quadra e deixou claro que a nova geração vem com muito talento. O campeão do Next Gen, disputado recentemente em Milão, na Itália, ganhou os corações de muitos torcedores, pelo seu jeito simpático, respostas simples e uma plasticidade de golpes, gostosa de ver.

Para Djokovic fica a esperança de que possa se recuperar prontamente. Sem entrar na discussão entre os torcedores, tenho a certeza de que é o sérvio é um personagem que faz bem ao tênis. Seu reconhecimento ao bom tênis apresentado pelo sul coreano é uma prova disso. E não ficou procurando desculpas pela derrota. Revelou-se até otimista, ao considerar que fez um bom torneio, disputando quatro partidas. Mas existe uma verdade no tênis de alto nível. Ninguém vence um Grand Slam sem estar 100%.

Chung fez o seu papel e de forma bem feita. Por ter Djokovic como um ídolo reconheceu que copiou alguns bons golpes do estilo do sérvio. E revelou-se num restaurador de arte de extrema habilidade. É curiosa também a sua história de que começou a jogar tênis por recomendação médica. A bolinha pequena e de cor forte, amarela, poderia ajudá-lo no problema visual. O golfe, com bolinha ainda menor e a distâncias maiores, e também útil para esse exercício visual. E, apenas lembrando, se Chung é o primeiro tenista de seu país a chegar as quartas de final de um Grand Slam, sul coreanos já ganharam Slams de golfe, tanto no masculino como no feminino.

A próxima rodada de Chung é considerada a mais imprevisível do Australian Open 2018. O sul coreano terá pela frente o norte-americano Tennys Sandgren. É um jogador um pouco mais velho. Tem 26 anos e este sucesso um pouco mais tarde tem uma explicação. Ele jogou pela Universidade do Tennessee, por dois anos. E agora está nas quartas de final de um Grand Slam. Espero que isso sirva de lição para alguns treinadores brasileiros que estudo e tênis não combinam e nem que o circuito universitário americano deixe de ser um boa opção. Os resultados podem demorar, mas o tempo não foi perdido. Cultura é uma boa bagagem.

 

Roger FedEx e as voltas de Djokovic e Stan
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 16, 2018 às 8:21 pm

Durante um certo período de sua carreira, Roger Federer carregava o apelido de “FedEx” pela rapidez com que liquidava seus adversários. Mas acredito que a então denominação estaria perfeita para os dias de hoje. Aos 36 anos, o suíço esbanja agilidade e muita agressividade na definição dos pontos. Pelo menos, em sua partida de estreia, diante de Aljaz Bedene, o atual campeão do Aberto da Austrália não hesitou em arriscar devoluções vencedoras e outras bolas definitivas. Fica claro que ele não só fará um calendário enxuto (como anunciou em coletiva) como irá procurar definir seus jogos com rapidez.

Federer esteve brilhante, inclusive numa estranha entrevista pós jogo. John McEnroe deu o microfone ao ator Will Ferrel e sou de opinião de que não dá para ser engraçado sempre. O suíço tirou de letra algumas ironias e não há dúvidas de que merece o incentivo de “Roger” “Roger durante todas suas partidas.

Sem também sofrer muito, Novak Djokovic estreou com vitória em três sets diante de Donald Young. E outro que volta aos torneios, Stan Wawrinka precisou de quatro sets para superar Ricardos Berankis. O sérvio não se mostrou confortável, nem contente com seu novo estilo, ou movimentação, do saque. O suíço reclamou que ainda sente dores, mas seguirá jogando. Vejo que para ganhar um Grand Slam é preciso estar 100% em todos os aspectos. Portanto, se Djokovic ou Wawrinka ganharem em Melbourne Park, para mim será uma surpresa.

Flawless Nadal passa fácil pela estreia do AO
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 15, 2018 às 2:04 pm

Tenho a convicção de que algumas palavras jamais deveriam ser traduzidas, pois não refletem o real significado. Isso acontece com o ‘milongueiro’, o ‘amazing’, ‘saudades’  e incluo também o ‘flawless’. E foi desta forma que vi Rafael Nadal estrear no Aberto da Austrália. E claro que o adversário, Victor Estrella Burgos, apesar de um lutador não exigiu muito, mas ainda assim o espanhol esteve bem perto do que poderia ser traduzido como perfeito, ou algo parecido.

Para mim, o AO deste ano chegou repleto de expectativas. Uma deles seria pelas condições físicas de Nadal. Aparentemente não se importunou com qualquer problema no joelho. Também saiu-se bem com a ausência do tio Tony e para evitar qualquer especulação disse que sempre se cercou de gente boa e isto seria uma das razões de seu sucesso.

Torcer para que dentro destas expectativas deste AO também Novak Djokovic jogue ao estilo “flawless”. Apesar de muita gente não gostar, acho que o sérvio faz bem ao tênis. E seria legal vê-lo em quadra recuperado, depois de abrir mão das participações em Abu Dhabi e Doha.

Apesar da volta de Djokovic e da boa estreia de Nadal, não há como não considerar o favoritismo de Roger Federer. Mas o suíço tem uma chave complicada e vai precisar de todo seu genial tênis para buscar o bicampeonato.

No lado feminino, confesso que não vi surpresa na derrota de Vênus Williams. O tênis é assim mesmo. Uma super campeã como a  tenista americana teve pela frente uma das revelações, como a suíça Belinda Bencic. Esta jogadora vem recebendo um forte apoio dentro e fora das quadras. Achei muito legal, os pais de Federer assistindo ao jogo da compatriota. Ela vem da região dos Balcãs como Djokovic e foi bem acolhida pelos suíços.

Aliás, a chave feminina, sem Serena, nem precisaria comentar, fica bastante aberta. A briga promete e as emoções também irão tomar conta dos amantes do tênis nestas duas semanas.