Arquivo mensais:abril 2017

La decima de Nadal e a volta de Sharapova
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 24, 2017 às 7:57 pm

Admirável a 10a, conquista de Rafael Nadal em Monte Carlo e o 50. título no saibro. O espanhol espelha a tenacidade. Supera mais uma vez um obstáculo, como tantos outros em sua carreira. Mais uma história de superação desse jogador. Lembro que em uma de suas inúmeras paradas, ele esteve tão desanimado com o físico que chegou a cogitar a possibilidade de trocar de esporte. Disse que iria tentar o golfe, modalidade que pratica nas horas vagas e joga como destro.

O 10. troféu no Principado de Mônaco coloca Nadal naturalmente como o principal  favorito à Roland Garros. Mas, para surpresa de muitos, não vejo assim. Confesso que não sei se o espanhol passaria por David Goffin, em condições normais. O belga perdeu a cabeça e seu jogo foi embora.

Portanto, Rafael Nadal é um dos favoritos para Roland Garros, mas não o. O espanhol está jogando bem, mas não apresenta mais a superioridade de outros tempos. Enfim, essas semanas serão desgastantes na temporada europeia de saibro, com muitos detalhes a serem reveladas para o mais importante torneio da chamada terra batida.

Sharapova – Nesta quarta feira Maria Sharapova fará sua estreia no WTA de Stuttgart como wild card. Até este dia, a tenista russa cumpre a suspensão de 15 meses. E, por isso, não pode sequer entrar no local da competição. Treina fora.

Para que ela pudesse jogar na Alemanha, a organização do torneio teve de pedir uma autorização especial para a WTA permitir que só fizesse sua estreia um dia além, justamente na quarta feira. Ora, isso demonstra um aval da Associação Feminina de Tênis à sua volta. Além disso, a força da grana fala forte. Sharapova é embaixatriz da marca alemã Porsche, principal patrocinador do WTA de Stuttgart.

Sua volta ao circuito é festejada por muitos, mas sofre críticas especialmente de suas colegas. Aga Radwanska não deu boas vindas à russa. Muito pelo contrário disse que acha estranho o fato de uma jogadora punida por doping ganhar wild card. Acho curiosa essa patrulha.

Essas críticas fizeram a Federação Francesa de Tênis a tomar um comportamento discreto sobre um wild card para Roland Garros. Parece que só vai soltar a bomba mais pra frente. Atualizando: segundo a imprensa internacional Sharapova irá sim receber wild card, mas para o qualifying.

Challenger no saibro… Por que não?
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 22, 2017 às 4:14 pm

Impossível dizer se David Goffin ganharia o jogo. Mas, certamente, não teria perdido tão rápido, não fosse o terrível erro do juiz de cadeira Cedric Mourier. O episódio ainda no sexto game do primeiro set, transformou radicalmente o rumo da partida. Até então, o duelo estava equilibrado, com ambos jogadores proporcionando belas trocas de bola. Rafael Nadal foi beneficiado. Afinal, sua bola saiu sim pela linha de base e o placar iria apontar 4 a 2 para o belga. Com a determinação de se disputar o ponto novamente, o game, após muita luta, foi para o lado do espanhol: 3 a 3.

Goffin não conseguiu superar o trauma. E acabou se transformando em presa fácil para Rafael Nadal, que na realidade também não tem culpa pelo acontecido. A bola fora foi do outro lado da quadra, longe de seus olhos.

É curioso que para as tevês exista o gráfico determinando exatamente o local da bola. E pelo que foi mostrado, saiu bastante. Mas tudo poderia sim ser resolvido com uma solução já existente: o challenger.

Até hoje não se usa este recurso nas quadras de saibro, pois a marca da bola é determinante. Ao contrário do que acontece no cimento em que a marca da bolinha não fica por inteiro, portanto, não serve para determinar se foi boa ou não.

Além da marca da bola no saibro já gerar discussões, se existe ou não espaço com a linha, uma outra questão é qual marca foi deixada no último lance? Com o decorrer do jogo o saibro fica cheia delas. E, por isso, o tenista passa o pé nas bolinhas que encostaram na linha – boa – para que no futuro não venha a ser confundida com outra. E esta foi justamente o problema com Cedric Mourier. Ele apontou uma marca, quando outra é que tinha sido mandada por Nadal no ponto.

Por que não usar o challenger no saibro? O recurso é um sucesso, dá um novo tom ao jogo, e o tenista acaba se conformando com o gráfico, embora exista sim possibilidade de erro. Mas não lembro de nenhum jogador que tenha se irritado com isso a ponto de perder a concentração, como aconteceu com David Goffin.

Nadal: o sobrevivente
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 21, 2017 às 7:49 pm

Motivado pelo deca campeonato em Monte Carlo, Rafael Nadal sobreviveu a ‘station de sorcières à Monaco”, como diria a maioria dos monegascos ao se referirem que as bruxas andaram soltas no Principado. Ele é o único dos grandes favoritos que permanecem na competição. E não sem motivo. Afinal, o tenista espanhol tem nesta competição um desafio e tanto: o de conquistar o primeiro título da temporada e anunciar ao mundo do tênis que está pronto para chegar a Paris e também buscar o 10a. Copa dos Mosqueteiros.

Seu caminho até agora foi traçado por uma de suas marcas registradas: a tenacidade. Diante de Diego Schwartzman por pouco não experimentou de seu próprio veneno. O tenista argentino esteve duro, regular e proporcionando trocas de bolas de alto nível. Mas nos momentos decisivos, Nadal mostrou o motivo pelo qual já venceu nove vezes em Monte Carlo.

Agora, nas semifinais, outro duelo e tanto. David Goffin vem em excelente fase. E derrotou Novak Djokovic merecidamente. Aliás, o tenista sérvio vive uma fase instável. O seu recorde de vitórias e derrotas dos últimos anos deixa clara esta situação. Em 2015 ganhou 30 jogos e perdeu dois, de janeiro a abril. No mesmo período em 2016 foram 28 a 2 e agora 14 a 4 Nadal viu assim um obstáculo caído com a derrota de Djokovic. Mas terá certamente muito trabalho à frente diante de Goffin.

A outra semifinal em Monte Carlo por pouco não repetiu a do Brasil Open. Pablo Cuevas esteve a um game de enfrentar Albert Ramos Vinolas, assim como aconteceu em São Paulo. O espanhol, porém,  irá duelar com o francês Lucas Pouille.

É de certa forma compreensível o número de surpresas em Monte Carlo. É muito difícil jogar no Principado, especialmente para as grandes estrelas. Em alguns momentos as arquibancadas estão praticamente vazias. A luz solar também interfere em diversos aspectos. Sinceramente faço o testemunho de quem já esteve neste torneio por diversos anos. Não o vejo como um Masters 1000, mas Mônaco tem dessas coisas e, por isso, mantém também uma etapa da Fórmula-1. Um detalhe, porém, chamou atenção. O jogo de Nadal e Schwartzman terminou com luz artificial. Será que isso não seria uma boa para Roland Garros, enquanto o Grand Slam francês não cobre a quadra central?

O mundo encantado de Nadal
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 20, 2017 às 6:19 pm

Alguns lugares são mágicos especiais para diversos jogadores. Fico imaginando o que não passa pela cabeça de Gustavo Kuerten toda vez que cruza os portões da Avenida Gordon Bennet, em Paris, e caminha para Roland Garros. Vejo que o ‘mundo encantado’ de Rafael Nadal está em Monte Carlo. Ele mesmo declarou esta semana sua paixão pelo torneio, que marcou uma de suas primeiras grandes conquistas. Agora, em 2017 segue com esperanças de realizar uma verdadeira façanha para celebrar o 10. troféu no Principado de Mônaco.

Estes lugares são tão especiais que podem exercer uma força maior no espírito do jogador. Monte Carlo e Roland Garros – também Barcelona –  provavelmente fazem Rafael Nadal chegar a superação. É fato que o espanhol não está no seu melhor. Longe ainda do seu mais alto nível de seu tênis. Mas, enquanto outros favoritos escorregaram na terra batida de Monte Carlo, ele passou, sem problemas, por um adversário difícil como Alexander Zverev. Foram dois sets por 6 a 1, quando em outros dois encontros o tenista espanhol chegou até mesmo a salvar match point em um deles.

É claro que as condições de Monte Carlo são favoráveis ao espanhol. Saibro pesado, nível do mar. Mas existem fatos que comprovam uma força maior. Derrotar Rafael Nadal é uma coisa, vencê-lo em torneios como Monte Carlo e Roland Garros é outra.

Salve Serena – Agora já é oficial: Serena Williams está grávida de 20 semanas e apareceu em alegre foto ao lado de Alexis Ohanian, o futuro pai. Segundo anunciou a assessora da tenista, Kelly Buch Novak, Serena está fora da temporada de 2017, mas pretende voltar às quadras em 2018.

Um detalhe chamou minha atenção. Mas antes de qualquer especulação vou plagiar o Tadeu Schmidt no “sabe o que isso quer dizer… nada”. Serena postou foto grávida no dia 19 de abril, dia de aniversário de Maria Sharapova. Aliás, a Federação Francesa de Tênis deverá anunciar no dia 15 de maio, um wild card para a tenista russa disputar o Aberto da França.

 

A caminho de Roland Garros
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 17, 2017 às 5:52 pm

É muito grande a expectativa pela campanha de Rafael Nadal no Masters de Monte Carlo. O tenista espanhol não ganhou títulos este ano, mas também não se pode dizer que esteja jogando mal. Chega agora ao seu ‘ganha pão’, ou seja, a charmosa temporada europeia de quadras de saibro que culmina em Roland Garros.

Rafa Nadal tem nove títulos de Monte Carlo, nove de Roland Garros e nove de Barcelona. Pode sim chegar ao décimo em todos. Não se deve  jamais duvidar da atuação do espanhol nas quadras da chamada terra batida.

Aliado a incontestável performance de Nadal no saibro, ainda existe dúvidas sobre o momento dos líderes do ranking. Tanto Andy Murray, como Novak Djokovic não repetem as atuações do ano passado. Ambos retornam às quadras no Principado de Mônaco sem grandes perspectivas. Porém, dois jogadores dessa categoria jogando sem pressão, tornam-se ainda mais perigosos.

O suíço Roger Federer está fora de ação. Vive um impasse. Por ele, acho que não jogaria Roland Garros. Seu foco está nas quadras de grama. Mas não jogando em Paris ficaria muito tempo longe das competições, o que poderia comprometer seus objetivos.

O terreno está preparado para Nadal. Mas não se pode descartar que o caminho ainda é longo para o espanhol. A competição reúne outros grandes talentos, que podem sim atrapalhar os planos do rei do saibro..

Enfim, a temporada mais charmosa do tênis está apenas começando. São apenas os primeiros passos no caminho até Roland Garros. A expectativa é grande para o saibro europeu, em cenários dos mais atraentes e alguns dos mais tradicionais do tênis.

Davis: sorteio ingrato
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 11, 2017 às 6:15 pm

Poxa será que o Brasil merecia um sorteio tão ingrato como este? O time brasileiro entra pelo 12. ano seguido no playoff do Grupo Mundial – passou duas vezes -, mas agora as chances são remotas. Atravessar o mundo, logo depois do alto verão nova-iorquino do US Open e enfrentar baixas temperaturas, diante de jogadores perigosos e, muito provavelmente, em quadra sintética e coberta é mesmo um temido destino.

O Japão conta com quatro jogadores entre os cem primeiros do ranking. Key Nishikori é o melhor deles. Mas não jogou na primeira rodada do Grupo Mundial deste ano, quando seu país foi derrotado pelos franceses. Conhecido pela mídia nipônica como “japonês made in USA” ele provavelmente terá bons motivos para fazer uma média com sua torcida e diminuir as críticas da imprensa local. O problema é que ele, depois do Miami Open, marcou cirurgia no joelho esquerdo e, talvez, não se recupere a tempo.

Outro jogador perigoso é Yoshihito Nishjioka, número 63 da ATP. É um tenista que vem fazendo sucesso extraordinário do tour profissional. Outros bem colocados são Taro Daniel, 96, e Yuchi Sugita, 93.

Tenho dois grandes amigos na imprensa japonesa: a simpática Naomi Yamaguchi e Kaoru Takeda. Aliás, Takeda fala muito bem o português, com sotaque de quem viveu em Portugal por um período. Ambos não hesitam em afirmar que seria muito interessante Nishikori defender seu país, jogando a Davis em casa, por uma série de motivos até mesmo os diversos patrocínios que recebe. Mas tudo vai depender de sua condição fisica por conta de cirurgia. Enfim, é possível  que o Japão esteja com sua força máxima. E mesmo sem Nishikori segue sendo um adversário perigoso.

Para o Brasil será um sacrifício enorme. Sem contar as enormes despesas para a Confederação Brasileira de Tênis. Nossos principais tenistas estarão jogando em Nova York. Mas, com exceção dos duplistas, dificilmente os outros estarão na segunda semana do US Open. Portanto, devem embarcar mesmo de Cumbica. Hotelaria e comida no Japão custam muito caro. Fica a dica para quem sonha em ir a próxima Olimpíada.

Para não dizer que tudo está perdido, a Copa Davis será às vésperas da temporada asiática, com torneios em Tóquio e na China. Mas não é assim na sequência. O consolo que nos resta é que Bruno Soares é um fanático por sushi.. Pelo menos alguém fez festa…. desculpe a ironia..

Quem pode bater Roger Federer?
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 4, 2017 às 2:38 pm

Aos 35 anos e voando em quadra, o próprio Roger Federer já respondeu a pergunta de quem pode vencê-lo. Ou seja, ele mesmo, seu corpo e as limitações impostas pelo tempo, desgaste físico e mental. Aprendi há muito tempo, com treinadores de corredores de ruas, maratonas,  etc, que descansar também é treino.

Ainda durante mais uma campanha vitoriosa em Miami, Federer anunciou que não jogaria em Monte Carlo. O Masters do Principado é jogado ao nível do mar, bola pesada, e isso tudo exigiria muito do suíço. Chegou a sugerir que poderia jogar em Madri, que é talvez o mais rápido dos eventos da temporada europeia da terra batida. Mas após o título em Miami tomou a decisão de só voltar mesmo em Roland Garros.

Se esse calendário pode sugerir vida longa ao rei, por outro lado, deixa em segundo plano a possibilidade de reassumir a liderança do ranking mundial. “Não tenho mais 24 anos”, advertiu Federer, lembrando que em outros tempos poderia sim estar em todas as competições importantes e brigar ponto a ponto pela posição de número um.

Se para alguns torneios não contar com Federer pode ser uma perda, acredito que para o mundo do tênis a presença do suíço nos Slams é bom incentivo para o tênis. Suas chances no saibro de Paris são remotas. Mas na grama de Wimbledon e se tiver uma boa dose de sessões noturnas no US Open pode sim sonhar com novos troféus.

Sinal de alerta para o Brasil na Davis – A equipe do Correios Brasil joga neste fim de semana diante do Equador pela Copa Davis. Trata-se do mesmo adversário que os brasileiros tiveram pela frente, ano passado em Belo Horizonte, com vitória suada por 3 a 1.

Na época, a escolha de uma quadra rápida, fechada, gerou discussões e, para alguns, a conclusão de que não foi a alternativa correta. O piso e as condições favoreceram aos adversários que têm formação tenística nos Estados Unidos e estão habituados a um jogo mais rápido. Mas ainda assim, o Brasil conseguiu confirmar seu favoritismo.

Mais uma vez o Brasil entra em quadra como favorito. Mas, acredito eu, só no papel. A diferença de ranking é monstruosa. Os brasileiros em simples, Thomaz Bellucci e Thiago Monteiro, estão entre os cem. E os de duplas, Marcelo Melo e Bruno Soares, entre os dez. Os principais jogadores equatorianos, como Emílio Gomez e Roberto Quiroz vivem acime dos 200 da ATP.

A escolha de uma quadra de saibro para o confronto também poderia sugerir benefícios aos brasileiros. Mas há um detalhe importante e que pode fazer toda a diferença. A cidade sede de Ambato está situada a 2.600 metros acima do nível do mar. É taquicardia para nenhum atleta botar defeito. Imagine jogos em melhor de cinco sets nesta altitude.. Os tubos de oxigênio terão de fazer parte da estrutura dos tenistas para qualquer eventualidade.

Um outro aspecto, porém, pode dar algum consolo aos brasileiros. Afinal, os tenistas equatorianos não vivem nesta cidade, mas sim nos Estados Unidos. Só que para escolherem esta sede, muito provavelmente já passaram pelo processo de adaptação na capital Quito, também nos Andes, e treinam em Ambato.

O confronto Brasil e Equador começa nesta sexta feira, com as duas primeiras partidas de simples.