Arquivo mensais:março 2017

Federer e Nadal elevam as emoções em Miami
Por Chiquinho Leite Moreira
março 29, 2017 às 5:29 pm

Nos bastidores do mundo do tênis existe uma acirrada disputa pelo simbólico título de quinto Grand Slam. Nos últimos anos, embalado pela força da grana, Indian Wells ganhou muitos pontos. O complexo da Califórnia é digno de figurar como um dos maiores torneios do planeta. Enquanto Miami sofre até com ameaça de troca de local e instalações ainda improvisadas.

Nada, porém, é mais forte do que a emoção no tênis. E, neste aspecto, o torneio da Flórida ganhou uma força imensa na atual edição, por conta de dois ‘trintões’. Com Roger Federer e
Rafael Nadal em rota de colisão, sou capaz de apostar que praticamente ninguém mais lembra que o Miami Open não conta este ano com os dois líderes do ranking: Andy Murray e Novak Djokovic.

A rodada diurna desta terça-feira em Crandon Park foi daquelas inesquecíveis. Nadal foi o primeiro a entrar em quadra e, com altos e baixos, saiu-se vencedor diante de Nicolas Mahut.  O espanhol já se garantiu nas semifinais com bela vitória sobre Jack Sock, em dois sets. Agora terá pela frente o italiano Fabio Fognini, num encontro que promete ser dos mais interessantes.

Depois da vitória de Nadal, as emoções seguiram em alta com Federer diante de Roberto Bautista Agut. O tenista espanhol foi um adversário e tanto para o suíço. E o encontro proporcionou uma das mais belas disputas de pontos até agora na competição.

Além da emoção, a preferência por este ou aquele torneio também esbarra na sua localização. Palm Desert, onde é jogado Indian Wells, é um show de cenário. Muitos condomínios, excepcionais campos de golfe, ricos aposentados, muito luxo nos hotéis e boa comida japonesa. Tudo muito legal, mas o clima metropolitano de Miami é quente, fervoroso, agitado, americano e latino.

Enfim, eu costumo dizer que nenhum torneio do Grand Slam tem Paris como sede, além de Roland Garros. O Aberto Francês também já sofreu ameaças de mudança de local e seu espaço físico é modesto para o tamanho de sua importância. Mas ainda tem o seu charme, não é mesmo? E agora, com quem ficar: Indian Wells ou Miami?

Federer revela o segredo do bh matador
Por Chiquinho Leite Moreira
março 16, 2017 às 3:26 pm

É claro que por trás do backhand matador de Roger Federer, em seu duelo com Rafael Nadal, existe um talento enorme e incrível genialidade. Mas, após o jogo, em Indian Wells, o tenista suíço revelou muita humildade ao comentar a eficiência de sua esquerda, que nas partidas contra o espanhol era seu calcanhar de Aquiles. Ele creditou a atual eficiência à troca de raquete. Passou a usar um modelo maior e praticamente eliminou as ‘madeiradas’ de outros tempos.

O próprio Federer mostrou-se surpreso com a precisão de seu backhand. Admitiu que nunca tinha conseguido tamanha eficiência, deixando transparecer que a melhora neste golpe veio de forma natural.

Acrescido a tudo isso, existiu sim uma atitude de coragem de Federer neste jogo diante de Nadal. O suíço praticamente não usou o seu eficiente slice e partiu para a bola de forma franca e decidida. Portanto, não se pode dar – como fez Federer – todos os créditos ao equipamento pela excepcional performance do suíço.

A mudança de raquete de Federer foi quase uma novela. Fez inúmeros testes e chegou a jogar com o modelo maior. Só que os resultados não vieram a contento. E então o tenista voltou ao equipamento antigo.

Assim, o período em que ficou em recuperação de cirurgia, contou-me um jornalista suíço, foi decisivo para o ex-número um do mundo convencer-se de que poderia e deveria ter em mãos uma ferramenta com maior “forgiveness”, ou seja, que aceita pequenos erros e imprecisões no golpe.

Para alguns tenistas existe uma relação de amor com a  raquete. Em outros tempos, o norte-americano Jimmy Connors fez da T-2000  sua Excalibur. Quando o equipamento saiu de linha nos anos 80, Jimbo, como era conhecido o tenista, fez campanha mundial e ofereceu grana alta para quem tivesse uma raquete igual. Mas de nada adiantou o estoque. Connors logo passou a usar um modelo de grafite.

Não há dúvidas de que equipamentos cada vez mais sofisticados são importantes para o bom desempenho de um tenista. Mas também não são decisivos. O atual bom momento de Federer está ligado a uma série de ingredientes. Um deles é a forma solta e descontraída que vem demonstrando em quadra. Outro é como o suíço está olhando sua carreira, no alto de seus 35 anos.

Murray agora só nas duplas
Por Chiquinho Leite Moreira
março 12, 2017 às 5:47 pm

Incrível, mas Andy Murray, o tenista número um do mundo, voltou a cair diante de um voleador. Assim como já havia acontecido no jogo com Mischa Zverev, agora o escocês é eliminado na sua estreia em Indian Wells  para o canadense com nome de remédio Vasek Pospisil. Jogador ágil junto à rede, veio do qualifying e conquistou a maior vitória de sua vida no Masters 1000 da Califórnia. Talvez os voleios sejam o caminho mais rápido para acabar com a soberania de Murray. Só que entre os grandes só vejo condições em Roger Federer e Tomas Berdych em assumirem esta postura. Dificilmente Rafael Nadal, ou mesmo Novak Djokovic tenham ‘cacoete’ para jogarem desta maneira.

A derrota de Andy Murray só aguçou um tema que já tinha em mente. Com sua eliminação nas simples, ele agora só joga a chave de duplas… só isso e tudo isso, não é mesmo? Afinal, o milionário torneio de Indian Wells, com suas belíssimas instalações, conseguiu o que nenhum Grand Slam tem alcançado nos últimos anos, ou seja, levar os grandes nomes do tênis a disputarem também a chave de duplas.

Confesso que não sei como isso foi possível, mas acredito que tem muita grana rolando por aí. Há tempos não via uma arquibancada lotada para um jogo de duplas – nem mesmo em final de Grand Slam – como na partida entre Andy Murray e Daniel Evans diante dos Lopez espanhóis, Feliciano e Marc. Achei bem bacana e acredito que deu Ibope.

Com a derrota de Andy Murray a chave de simples de Indian Wells ganhou uma característica peculiar. Na parte de baixo é de um Grand Slam, na de cima de um ATP qualquer.

Neste aspecto a estratégia de investir em grandes nomes nas duplas dá uma sobrevida ao torneio. Imagine um torcedor que gostaria de ver em ação o número um do mundo e só comprou ingressos para as rodadas finais? Mesmo com a eliminação de Murray ainda terá a chance de vê-lo em ação se seguir em duplas. Ou seja: duas oportunidades de compensar o valor pago pelas entradas.

Nem só Murray entrou nessa de simples e duplas. Novak Djokovic está com Victor Troicki, Rafael Nadal com Bernard Tomic, Nick Kyrgios com Nenad Zimonjic. Aliás, estes últimos eliminaram a dupla mais vencedora da história do tênis, os irmãos Bob e Mike Bryan. Isso comprova a tese de que um simplista tem nível e potencial superior aos duplistas.

Antes que os amantes das duplas comecem a reclamar Stan Wawrinka e Grigor Dimitrov fizeram um péssimo match tie break e perderam para Treat Hyet e Max Mirnyi. Aliás, o bielo russo é um exemplo de como a dupla pode dar uma sobrevida ao tenista. Nada contra seguir trabalhando e ganhando a vida. Mirnyi, para quem não lembra, iniciou o calvário de Guga Kuerten. Em jogo do US Open, que terminou na madrugada, só perdeu para o brasileiro em cinco sets. Exigiu tanto que os problemas de quadril, até então sob controle, passaram a limitar as ações do brasileiro. Bem, o resto da história todos já estão cansados de saber e, de certa forma, só enriquece ainda mais a brilhante carreira do querido catarinense.

De volta às duplas de Indian Wells, a ideia de colocar grandes nomes na chave é elogiável e a fórmula é antiga. Djoko está com Troicki, Nadal com Tomic, e, em especial Kyrgios com Zimonijic, ou seja, um grande talento ao lado de um tenista cheio de malícias e que conhece os segredos das duplas.

Um dos times mais famosos de todos os tempos também tinha esta formação. John McEnroe jogava com Peter Fleming. McEnroe todos conhecem, Fleming, nem tanto, mas  sempre abria o caminho para o mais famoso brilhar. E assim que sol brilha na Califórnia.

Agora o desafio é em Indian Wells
Por Chiquinho Leite Moreira
março 8, 2017 às 3:25 pm

 

IWells

Os melhores jogadores do mundo têm agora encontro marcado em Indian Wells. O complexo em Palm Springs, na Califórnia, é digno de ganhar de Miami o título de 5. Grand Slam. Sua quadra central é a segunda maior do planeta, só perdendo para o Arthur Ashe, em Flushing Meadows, do US Open.

Por ironia do destino, ou até mesmo como uma atração à parte, a chave masculina terá um torneio extra. O quadrante de baixo reúne um grupo incrível de bons jogadores. Só para se ter uma ideia, Novak Djokovic para defender o título do ano passado teria um caminho árduo: R-2 Kyle Edmund ou Gastão Elias, R-3 Juan Martin Del Potro, R-4 Nick Kyrgios ou Alexander Zverev, QF Rafael Nadal ou Roger Federer, Final – Andy Murray ou Stan Wawrinka.

Claro que isso é apenas uma projeção, com muitas possibilidades de falhar. A começar pelo fato de Djokovic não estar no seu melhor. É claro que recentemente bateu Delpo. Só que o sérvio entrou naquela fase em que está saturado de tênis. Afinal não há físico e mente que resistam a tanto tempo de dedicação, empenho e domínio.

Esse torneio extra de Indian Wells pode repetir a emocionante final do Aberto da Austrália, já nas oitavas de final em Palm Springs. É neste aspecto que disse que surgiu uma atração extra na competição. Um ingresso para esta rodada pode ser mais legal do que uma final, por exemplo, com o detalhe de custar muito menos.

Indian Wells proporciona grandes emoções. O complexo é amplo, com fácil acesso. Nas quadras secundárias, assim como no US Open, dá para acompanhar jogos incríveis, muito próximo dos jogadores, também sem a necessidade de ingressos caros.

Não há muita tradição de brasileiros nesta competição. Mas vale a pena conhecer. Palm Springs reserva um cenário maravilhoso, entre montanhas, algumas ainda com pico nevado, e o deserto. Mas diferente de Miami, fica distante de grandes centros, São horas de viagem de carro desde Los Angeles. Mas, por outro lado, dá para esticar a viagem até Las Vegas.

De volta à competição é de se lamentar a ausência para Serena Williams. Fora de Indian Wells e Miami, a americana irá perder novamente a liderança para Angelike Kerber, que cá entre nós, não está muito bem.

Pelo menos, Serena, desta vez, não deixa de jogar na Califórnia pelo boicote que promoveu ao torneio por vários anos. Felizmente parece que esta fase já passou.

Ainda assim, a chave feminina também promete ser interessante, num torneio da categoria Premier, ou seja, de alta premiação.

De colherada – A decisão do Brasil Open, no clube Pinheiros ficou para uma segunda feira chuvosa em São Paulo. O título foi para o uruguaio Pablo Cuevas, que no match point sacou por baixo. Difícil interpretar até que ponto pode-se usar de todos os recursos para vencer. O campeão alegou que tinha perdido a confiança no saque. Pelo que vi, o adversário Albert Vinolas não fez reclamações ou cobrou respeito.

A colherada mais famosa do tênis aconteceu em Roland Garros. Michael Chang surpreendeu Ivan Lendl, que defendia o saque muito recuado. O chinesinho ganhou o jogo e conquistou o seu único Grand Slam. Entrou para a história.

 

Paixão pelo tênis no Brasil Open
Por Chiquinho Leite Moreira
março 3, 2017 às 5:32 pm

Muito se falou das dificuldades para realizar o Brasil Open deste ano. Não é novidade para ninguém que a crise atinge todas as áreas. Mas a paixão pelo tênis do organizador do evento fez o torneio acontecer. E longe de se notar qualquer precariedade. Pelo contrário tudo está como sempre marcou a história desta tradicional competição, que nasceu na Costa do Sauípe, passou pelo Ginásio do Ibirapuera e agora instalou-se no Clube Pinheiros, em São Paulo.

Esta mesma paixão pelo tênis ficou clara no ambiente do Brasil Open. Mesmo sem brasileiros na disputa do título de simples, as arquibancadas revelam o amor do torcedor pelo esporte. Cruzei com gente de todo Brasil. Desde cidades do Interior de São Paulo até mesmo grupos de Estados distantes como o Piauí.

Vejo que o brasileiro criou uma cultura pelo tênis. Não se trata apenas de torcer para um ídolo como nos tempos de Guga Kuerten. Ou ainda vibrar com atuações de Roger Federer, com a rivalidade com Rafael Nadal, ou admirar o jogo dos líderes Andy Murray e Novak Djokovic. O que existe hoje é o conhecimento e o gosto por um bom tênis.

As arquibancadas do Pinheiros revelam este sentimento. O público sabe reconhecer uma boa jogada, um talento e arte mesmo diante de jogadores que não estão lá na ponta da lista de classificação. Afinal, num esporte com tanta concorrência estar num ATP 250 já revela um nível invejável.

Tenho de reconhecer que muita gente reclama de um fato de difícil explicação: o de não se encontrar ingressos, mesmo em jogos em que as arquibancadas não estão lotadas. É que para se realizar uma competição como o Brasil Ope precisa-se de bons patrocinadores. E estes costumam receber cotas de entradas, nem sempre aproveitadas. Mas só assim que se consegue realizar um torneio deste nível.

Além das emoções nas quadras e a atmosfera gostosa de um torneio de tênis, o Brasil Open, através de seu organizador, encontrou uma forma de homenagear quem fez e ainda faz muito pelo esporte. Por isso, neste sábado das semifinais, um nome conhecido por muitos, o de Celso Sacomandi estará sendo lembrado, em cerimônia na quadra central.

Para quem não conhece, Celso foi um dos mais promissores jogadores brasileiros. Ganhou troféus como os de Orange Bowl, o mundial juvenil, entre muitos outros. Tem inclusive vitória sobre o ex-número um do mundo, John McEnroe, com quem cultiva amizade até os dias de hoje.

Acometido por uma doença degenerativa, Celso hoje enfrenta os desafios da limitação física. Mas nem assim deixa de fazer o que gosta. Ainda dá aulas no Bauru Tênis Clube formando novos jogadores e alimentando em muitos a paixão pelo tênis.