Arquivo mensais:junho 2016

Rogerinho na Davis e no Rio 2016
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 30, 2016 às 7:01 pm

O capitão da equipe brasileira, João Zwetsch, agiu corretamente e com coerência na convocação de Rogerinho Dutra Silva para a Davis, agora em julho contra o Equador, em Belo Horizonte. É verdade que muitos gostariam de ver o Tiago Monteiro no time. Eu também, mas isso pode ficar para um futuro próximo.

Com a convocação de Rogerinho, Zwetsch já garantiu a vaga do jogador no torneio Olímpico em simples sem precisar de novas determinações. O boletim da ITF – a Federação Internacional – deixa claro na lista de inscritos para o Rio 2016, que tanto o brasileiro como vários outros jogadores dependem da participação nos jogos da Davis para estarem elegíveis à Olimpíada.

Outra forma de classificação para o Rio seria a utilização do que a ITF chama de FP “final qualification place”. Para caso de tenistas que não tenham sido convocados, embora estivessem a disposição de suas federações, ou mesmo problemas com lesões etc. Neste lugar é que André Sá entrará para a Olimpíada. Mas, cá entre nós, com todo respeito ao time do Equador, o Zwetsch bem que poderia abrir mão de Marcelo Melo ou Bruno Soares e resolver a questão da mesma forma direta como fez com Rogerinho. Mas, reconheço, isso seria demais da conta.

O bom trabalho do presidente da CBT, Jorge Lacerda, nos bastidores colocará sete tenistas brasileiros na Olimpíada do Rio. E o mais legal, com representantes em todos os cinco eventos em um total de 11 vagas. Vamos lá, com Thomas Bellucci e Rogerinho nas simples masculina; Teliana Pereira, nas simples feminina; Bruno Soares, Marcelo Melo, Bellucci e André Sá, nas duplas masculinas; Teliana e Paula Gonçalves, nas duplas femininas; e ainda mais dois lugares para as duplas mistas, com Teliana e mais um parceiro a ser determinado.

A lista da ITF garante as maiores estrelas do tênis no torneio Olímpico do Rio, bem diferente do basquete e do que, infelizmente, também anda acontecendo com o golfe. Os números 1 do mundo estarão nos Jogos, como o sérvio Novak Djokovic e a americana Serena Williams. Ela, aliás, quer participar de todos os eventos, simples, duplas com a irmã e também nas mistas.

Entre belas disputas o torneio Olímpico do Rio reserva, ao meu ver, uma atração extra: a chave de duplas mistas. Isso pela ideia de diversos astros do tênis. Roger Federer resolveu aceitar o convite para formar parceria com Martina Hingis. O espanhol Rafael Nadal seguiu pelo mesmo caminho e promete jogar com Garbine Muguruza. Espero que Djokovic faça um convite para Ana Ivanovic, seria bem legal.

Chuvas ameaçam uma tradição em Wimbledon
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 29, 2016 às 10:13 pm

Tradicionalmente não há jogos no primeiro domingo de Wimbledon. O chamado middle Sunday fica reservado para a manutenção das quadras e recuperação da grama. Este ano, com as constantes chuvas, o torneio poderá exigir uma rodada extra. Afinal, há jogadores que irão estrear apenas nesta quinta feira. Isto é se o tempo deixar.

A tradição de não se disputar rodada no primeiro domingo foi quebrada, depois de 114 anos, em 1991. Lembro bem que foi uma tremenda festa. Afinal, os ingressos foram colocados à venda para o first coming, o que provocou uma fila enorme. Teve gente que ficou 20 horas aguardando a abertura das bilheterias.

Valeu o sacrifício. Neste dia, a atmosfera da quadra central estava eletrizante. Um público diferente invadiu as arquibancadas da quadra central do All England Club. Uma festa, que lembrou os estádios de futebol. E para comprovar este clima Wimbledon viu pela primeira vez a ‘ola’ dos torcedores. Até então, ninguém tinha ousado repetir a invenção mexicana da Copa do Mundo.

É claro que naquela época não existia o tetro retrátil na quadra central. Mas nem todos têm este privilégio de ter seus jogos programados para este local. Isso cabe aos astros como Novak Djokovic e Roger Federer que já estão na terceira rodada, enquanto vários outros tenistas ainda nem sequer estrearam na competição.

Uma das medidas da organização para se evitar rodada no primeiro domingo já foi tomada. A rodada de abertura da chave de duplas será disputada em melhor de três sets e não em cinco. O problema é que a previsão do tempo deixa dúvidas se as outras quadras poderão ser utilizadas a ponto de se manter a tradição de o clube estar fechado no meio do torneio,

 

Grama… não só para as vacas… para sonhadores
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 28, 2016 às 1:34 am

A frase é folclórica. Não tem uma autoria conhecida e confirmada: “A grama é para as vacas”. Ouvi esta afirmação da boca de Guillermo Vilas, também de Arantxa Sanchez e muitos outros jogadores que tentavam desprezar a tradição de se jogar nesta superfície.  É escorregadia, traiçoeira, mas tem seu valor. Roger Federer não reclama, nem mesmo pensa em algo parecido o próximo adversário do suíço, o professor de tênis Marcus Willis, apenas o número 772 do mundo e que vive o maior sonho de sua vida.

Não fosse esta incontrolável vontade de jogar tênis, Willis jamais poderia ter esta oportunidade de estar no chamado templo sagrado do tênis, com a chance de pisar na quadra central do All England Club. É preciso antes de tudo acreditar.

Este pensamento norteou o técnico de tênis Marcelo Meyer. Certa vez caminhando em direção a Southfields, onde tanto eu como ele estávamos hospedados, ele contou-me sua tática para incentivar seus pupilos, que reclamavam do fato de não saber jogar na grama. “Ora – ele dizia – a chave tem 128 jogadores e pelo menos metade deles não sabe jogar na grama. Vamos p’ra Wimbledon e pronto”.

Acredito que a gente se arrepende mais do que deixa de fazer, do que propriamente do que se buscou. Não fosse assim, o adversário de Novak Djokovic neste primeiro dia teria fugido de quadra depois de tomar 9 a 0. Ward reagiu, foi ovacionado e cumpriu seu papel.

Com este espírito Thomaz Bellucci viveu também o seu sonho. Ganhou um jogo na grama, numa partida em que foi duramente testado diante de Ruben Bemelmans e vibrou. Legal ver o brasileiro motivado em busca de vitórias num piso em que realmente não é familiarizado.

Também Rogerinho Dutra Silva esteve perto de comemorar uma vitória. Levou para o quinto set um duelo com o espanhol Nicolas Almagro, outro, que como diria Meyer, também não sabe jogar na grama.

O mesmo pode-se dizer de Teliana Pereira. Esteve perto de ganhar o jogo em dois sets. Deixou escapar, mas o que se pode cobrar desta tenista que vem quebrando tabus e escrevendo uma linda história no tênis brasileiro. Ela vive um sonho já há um bom tempo…

 

Wimbledon: onde todos se encontram
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 22, 2016 às 8:51 pm

É claro que por se tratar de um Grand Slam, Wimbledon é ponto de encontro de todos os bons jogadores. Mas o título acima refere-se a outra característica só vista no Grand Slam inglês. Por ser disputado no subúrbio SW-19, longe do centro de Londres, um batalhão de pessoas, incluindo jogadores, costumam hospedar-se na região.

São dois pontos mais buscados. Southfields, uma vila tradicional de casas simples e boas. Era um lugar sossegado, mas nos últimos anos cresceu bastante, adquirindo vida própria. Tradicionais moradores do bairro colocam suas casas à disposição de agências para locação específica para Wimbledon. Com o dinheiro arrecadado aproveitam para viajar de férias.

Southfields é também a estação de metro, underground ou tube, mais próxima de Wimbledon. São cerca de 15 a 20 minutos de rápida caminhada até a Church Road. Quem se hospeda nas casas na vila pode cortar caminho pelo parque. Mas se voltar depois das 23 horas, terá mesmo de dar a volta, pois as portas são fechadas, uma vez que não existem mais os overnights.

O outro ponto de interesse é o Wimbledon Village. Nele, as casas são mais caras e sofisticadas. Endereço de grandes estrelas do tênis. Pete Sampras ficava numa mansão. Mas, é claro, há opções mais simples. São espécies de B&B bed & breakfast. Alguns verdadeiras casas de família. Admiro o desprendimento dos ingleses em dividir seus espaços com quase desconhecidos.

No fim do dia, o Village oferece a oportunidade de todos se conhecerem bem. O ponto de encontro passa a ser o Dog & Fox, simpático e típico pub, onde pode se ver e ser visto. De torcedores, jornalistas a jogadores a vida passa pela região. Alguns poucos e agradáveis restaurantes também proporcionam encontros imprevisíveis. Não dá para esquecer o esbarrão com Maria Sharapova na estreita entrada de um Indiano, de preços módicos e comida boa.

Enfim, detalhes simples e cotidianos, em ambiente tão milionário como Wimbledon, que pagará total de US$ 40 milhões, revelam que mesmo as maiores estrelas do tênis precisam, em algum momento, da simplicidade da vida humana.

E como escreveu um leitor em meus dias de férias… viva o tênis. E nada melhor para curtir o esporte do que um Grand Slam, seja ele qual for. O importante é termos a oportunidade de acompanharmos os jogos com generosa exposição.

Será que Djoko supera Nadal e Federer?
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 6, 2016 às 3:44 pm

Com vitórias inéditas de Garbine Muguruza e Novak Djokovic Roland Garros 2016 entra para a história. O torneio que esteve tão ameaçado de atrasos acabou terminando neste fim de semana com conquistas, ao meu ver, justas e legais para o tênis.

Gostei muito da chegada de Garbine Muguruza a consagração plena com a conquista de Roland Garros. Jogadores que ganham um Slam já passam a fazer parte de um outro patamar na história do tênis. Se a espanhola alcançar a liderança do ranking (o que pode acontecer em Wimbledon) seria uma verdadeira rainha com cetro e coroa. Não acho justo ser número um sem Slams, como Dinara Safina, Caroline Wozniacki ou Jelena Jankovic.

Além de Muguruza, o tênis feminino vem com uma bela geração de novas estrelas. E neste aspecto a modalidade só tem a ganhar. Serena ainda está um degrau acima das demais, só que seus últimos resultados deixam perspectivas para outras tenistas.

No masculino, Novak Djokovic é o 8. homem a colecionar, por pelo menos uma vez, os troféus dos quatro Grand Slams. A prateleira de sua casa, agora sim está completa. Um detalhe chama atenção no atual momento do sérvio. Sua última derrota num Major veio justamente em Roland Garros de 2015. Depois levou todos, quatro seguidos.

Esta atual soberania leva à possibilidade dele vir a superar seus principais rivais Rafael Nadal e Roger Federer em número de Slams. O espanhol tem 14 e o suíço 17. Djokovic completa o Grand Slam de sua carreira como o segundo mais velho a alcançar a façanha, atrás apenas de André Agassi.

Será que Novak Djokovic conseguirá então superar Nadal e Federer? Sem analisar a atual situação do espanhol e do suíço vale lembrar que, assim como no feminino, novos nomes estão surgindo na ATP. Pode ter pela frente uma Muguruza vestida de homem… por que não?

Mistério envolve Serena na final
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 3, 2016 às 7:07 pm

Existe uma verdade no mundo do tênis feminino, na minha modesta opinião: se Serena Williams jogar no seu melhor nível vence qualquer adversária. Mas nesta semifinal diante de Kiki Bertens, a americana esteve longe de seu auge. Assim, se existe um dia para se bater a atual número um do mundo, este aconteceu nesta sexta feira em Paris. Só que a  holandesa, a meu ver, também não estava 100% fisicamente. E num jogo repleto de traiçoeiras deixadinhas disse adeus à competição, satisfeita com a melhor campanha de sua carreira num Grand Slam.

Se jogar como fez diante de Bertens, Serena deixa a condição de imbatível. Garbine Muguruza pode então celebrar o primeiro troféu de Grand Slam de sua promissora vida no tênis.

Só que Serena tem um outro atributo. Não foram poucas as vezes em que venceu jogos, mesmo longe de seu melhor. Nada de ficar em cima do muro, mas sim as escassas informações que tenho resultam em dúvidas. Na quadra, a americana não deu pistas claras de uma falada contusão no músculo adutor. Jogou com um legging, o que esconderia qualquer tipo de proteção, e, pelo menos eu, não vi nenhuma vez ela colocar a mão na coxa em sinal de dor. Mas a sua movimentação não estava normal.

Na conferência de imprensa Serena dissimulou. O assunto em que Marion Bartoli falou que a americana estava com lesão entrou em pauta. A número um do mundo respondeu dizendo que seria melhor perguntar a própria Bartoli. Mas logo a seguir admitiu “Yeah I have had some issues, but, you know, it is what it is” sic.

Outro detalhe reportado por colegas em Paris é que após o jogo das semifinais, Serena Williams atrasou por mais de duas horas a entrevista coletiva. Tudo porque teria passado por sessão de recuperação física.

Enfim, em condições normais saio de cima do muro e, é claro, dou favoritismo a Serena Williams. Mas se a americana não puder mostrar seu melhor, Garbine Muguruza tem sim tênis para vencer o jogo. Minha torcida fica por uma boa partida… subi de novo.

Master class de Djokovic
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 2, 2016 às 9:31 pm

Na sua melhor atuação até agora em Roland Garros, Novak Djokovic deu um show em quadra. Praticamente anulou todo o perigo que representava um adversário como Tomas Berdych com uma tática bem aplicada. Fez o jogo parecer fácil.

Consistente de fundo de quadra, Novak Djokovic acrescentou ao seu já variado repertório de golpes também a deixadinha. Lembro de uma vez Rafael Nadal falar que a curtinha sempre era a sua última opção. Mas o sérvio a colocou na sua coleção. Andy Murray também usou e abusou desse toque de bola diante de Richard Gasquet. Curioso como estão apelando a este recurso em Roland Garros.

Para a semifinal desta sexta-feira, Djokovic deve entrar mais confiante. Depois de rodadas em que esteve a beira de uma explosão de nervos, agora parece mais calmo e tranquilo. Dominic Thiem representa um adversário forte. O jovem austríaco chega as semifinais de Roland Garros, repetindo o feito de outros dois compatriotas, Jurgen Melzer e Thomas Musters. Thiem tem potencial para surpreender.

A outra semifinal promete reservar fortes emoções. Tanto é que a organização do torneio a colocou na PC. A SL, que estaria vazia nesta sexta-feira, ganhou enorme interesse com Garbine Muguruza vs Samantha Stosur, além da presença do número um do lado masculino.

Por isso, Roland Garros resolveu agradar o público que sofreu tanto nestes dias de chuva em Paris. Os ingressos para as quadras secundárias irão valer para a Suzanne Lenglen. Também podem ser comprados ao preço atraente de 20 euros. A entrada no estádio será feita por ordem de chegada.

Aliás, não só Roland Garros sofre com as chuvas. Paris está com enchentes em diversos pontos. Li que restaurantes, bares às margens do Sena estão interditados. O museu do Louvre, que recebe nove milhões de visitantes anualmente está fechado. Obras de arte que estão nos andares inferiores foram retiradas, por causa da ameaça de inundação.

As quadras de saibro de Roland Garros sentem o reflexo de tanta água. Mas a expectativa é de que com super talentos em quadra, tanto do lado masculino como feminino, as semifinais reservem boas emoções.

O maior desafio de Djokovic
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 1, 2016 às 9:01 pm

Entre o tom descontraído e nervoso, Novak Djokovic vive talvez o maior desafio de sua vida nas quadras. A pressão de ganhar a primeira Taça dos Mosqueteiros, em Paris, acentuada pela ausência de Roger Federer e a desistência de Rafael Nadal parece ser o menor dos problemas. O dia a dia do número um do mundo em Roland Garros não está nada fácil. Afinal, a variação das condições de jogo mudam repentinamente e é preciso um enorme poder de adaptação e especial concentração para superar os obstáculos.

Ainda em jogo pelas oitavas de final, Djokovic viu seus sonhos quase se diluírem nas fortes chuvas de terça feira. Entrou em quadra tenso, em terreno escorregadio e perdeu o primeiro set para Roberto Bautista Agut. Sua recuperação começou no segundo set, mas só se consolidou nesta quarta feira, quando, enfim, encontrou o seu melhor jogo.

Djokovic parte agora para um duelo repleto de armadilhas… muito perigoso. Tomas Berdych não é o tipo de jogador que dá ritmo aos adversários. Vem de uma importante vitória sobre o especialista no saibro, David Ferrer, em sets seguidos. O sérvio vai precisar de muita concentração para impor o seu ritmo e confirmar o favoritismo.

Não só a vitória de Djokovic chamou a atenção. Andy Murray esteve firme e forte, como se diz, diante de Richard Gasquet. O jogo apresentou-se tenso e equilibrado, enquanto o francês aguentou. Depois de perder o segundo set no tie break, caiu de produção e o britânico encontrou o espaço que precisava para garantir um lugar nas semifinais.

Na próxima rodada Murray tem encontro marcado com o campeão do ano passado Stan Wawrinka. O suíço, ao meu ver, vem jogando para o gasto. Quando precisa imprime seu ritmo e alcança a vitória. Para mim isso é como caminhar na corda bamba. Se estiver diante de um jogador da categoria de Murray a atitude pode custar caro no seu anseio de defesa de título.