Arquivo mensais:março 2016

A enrascada de Djokovic
Por Chiquinho Leite Moreira
março 23, 2016 às 4:03 pm

Amado por muitos, odiado por outros, Novak Djokovic acabou se metendo numa tremenda enrascada. Contagiado pelo falastrão diretor do torneio de Indian Wells, Raymond Moore, o atual número um do mundo tocou num ponto polêmico, sem necessidade. Disse que a distribuição dos prêmios deveria sim ser melhor e mais justa. E que o masculino atrai maior atenção e vende mais ingressos. Foi o suficiente para uma enxurrada de mensagens de repúdio. A ponto de o jogador vir a público para pedir desculpas, dizendo que não queria provocar uma ‘guerra dos sexos’.

O caso já provocou a demissão sumária do diretor do torneio de Indian Wells. Recolocou em pauta uma polêmica histórica do tênis. Mas, o fato é que Novak Djokovic poderia ter deixado passar esta, num momento tão sublime de sua carreira. Afinal, ou se coloca em campanha, ou fica calado.

O mundo do tênis passou a dar prêmios iguais para homens e mulheres com campanha iniciada por Billie Jean King. No mercado tradicional de trabalho, a briga continua sem prazo para terminar.

Respeito a de todos, mas sou de opinião que se tem alguém que pague a conta não há muito o que se contestar. Não reclamo de colegas que ganham mais… reclamo sim de querer ganhar mais.

Esta situação verifica-se no tênis mundial atualmente. A WTA correu atrás, fez um bom trabalho e arrumou patrocinadores que pagam prêmios milionários para o Finals. São cifras maiores até as que se verificam no Finals de Londres. Ou seja, não adiante ficar reclamando do colega. Corra atrás de seus anseios.

Vika está de volta
Por Chiquinho Leite Moreira
março 21, 2016 às 3:25 pm

O discurso emocionado de Victoria Azarenka na cerimônia de premiação em Indian Wells, com o reconhecimento à brilhante carreira de Serena Williams – uma fonte de inspiração – marcou o reaparecimento aos bons momentos desta talentosa tenista da bielo-russa. Ela, não tenho dúvidas, faz bem ao tênis. E protagonizou uma grande final na Califórnia, que soou quase como uma ironia as impropriedades ditas pelo diretor do torneio sobre o feminino. Afinal, a decisão das mulheres acabou sendo a melhor, uma vez que Milos Raonic não estave 100% diante de Novak Djokovic, que seria o favorito de qualquer maneira.

A volta de Vika ao grupo das dez primeiras é bem vinda. Seu talento é indiscutível. Sua simpatia também é contagiante. Ela se relaciona bem com a torcida, com os pegadores de bolas e distribui sorrisos e bom humor pelos bastidores dos grandes torneios.

Ano passado em Roland Garros, um episódio deixou claro para mim, e também acredito à colega de Bandsports, Thais Baffini, sua atenção e sinceridade. Como regra tínhamos apenas três perguntas para a chamada entrevista one-on-one (exclusiva). Logo que me apresentei como sendo do Brasil, ela fez uma festa. Puxou um papo tão interessado e descontraído que tratei de avisar o tour communication manager da ITF que ainda não tinha dado o start na minha cota de perguntas. Afinal, queria passar aos assinantes suas expectativas e sonhos em Paris. Por sorte – diria eu competência – os editores em São Paulo colocaram na íntegra a conversa, inclusive com as curiosidades e o interesse da bielo-russa pelo Brasil e seu plano de estar por aqui em agosto para os Jogos Olímpicos.

Não só o Rio 2016 ganha com Vika Azarenka. Ela arrebanha fãs por todos os cantos do planeta. Também revela um tênis bonito de se ver. Em Indian Weills quebrou um tabu. Não vencia Serena há tempos, ou seja, por cinco encontros. Agora, tem um retrospecto diante da número um do mundo de 17 derrotas, contra quatro vitórias. São elas: em 2009 em Miami, 2013 em Doha e Cincinnati e agora em Indian Wells.

Um detalha curioso, que pode revelar o motivo das duas raquetes quebradas por Serena. A americana não ganha um título desde agosto do ano passado. É claro que jogou pouco: semifinal no US Open, final em Melbourne e agora final em Indian Wells. Que venha Miami…

O milagroso remédio de Sharapova
Por Chiquinho Leite Moreira
março 8, 2016 às 6:48 pm

De olho na mídia internacional dá para pensar que os efeitos mágicos do Mildronate, como é comercializado o medicamento que contém a substância Meldonium, podem levar Maria Sharapova a viver os dias mais negros de sua brilhante história. Embora, ela tenha recebido muitas mensagens de apoio, dizendo que não teve a intenção de tirar proveito e só o fazia uso terapêutico para tratar de uma deficiência de magnésio e histórico familiar de diabetes, não há como desconhecer os efeitos benéficos a um atleta de alto nível.

Para uso comum, o Mildronate, segundo pesquisas veiculadas em jornais europeus, foi lançado para tratamento do coração, síndrome de abstinência alcoólica, entre outras indicações. Aos atletas efeitos mágicos: melhora rendimento, combate o stress, facilita recuperação após exercício, enfim, restaura o corpo rapidamente. O Meldonium é uma molécula sintética que pode ser injetável ou consumido em cápsulas.

O sucesso do medicamente levou o laboratório fabricante na Letônia a faturar mais de 150 milhões de euros anuais. Mesmo que o produto não seja vendido nos Estados Unidos e Europa Ocidental.

Em pouco tempo de proibição, apenas colocado como substância dopante pela WADA agora em janeiro, esta droga já foi responsável pela suspensão de alguns outros atletas. A UCI – União de Ciclismo Internacional – puniu o ciclista russo Eduard Vorganov, da equipe Katusha. O campeão da maratona de Tóquio em 2015, o etíope Endishaw Negresse também foi punido pelo uso da substância. Talvez, não por acaso, outros russos, como o casal de patinação artística EkaterinaBobrova e Dmitri Scloviev, bronze no campeonato europeu realizado recentemente na Bratislava, também estão suspensos.

Para mim, o fato mais curioso dessa história é o de que Maria Sharapova fez uso deste medicamento, segundo ela afirmou, por mais de dez anos… sem alardes. E o pior, como seu staff não viu que a partir deste ano a droga estava proibida? Um vacilo?

Antes de tirar qualquer conclusão, porém, é aguardar o julgamento a ser feito pela ITF. Nada como esclarecer em detalhes e deixar a situação clara e limpa.

O triste capítulo na história de Maria
Por Chiquinho Leite Moreira
março 8, 2016 às 1:37 am

Longe do glamour, da glória, da fama e fortuna Maria Sharapova teve uma vida de sacrifícios. Originária da Sibéria, ainda quando criança foi deixada na academia de Nick Bollettieri, na Flórida, assim como um recém nascido é abandonado numa cesta à porta de uma casa de família para ser criado. Cresceu, tornou-se campeã… uma vencedora. Não merecia ter este triste capítulo na sua história. E terá de enfrentar as consequências, punição, etc e tal.

No início de sua vida no tênis, Maria passou dois anos longe da família, sem sequer encontrar-se  com sua mãe. Por isso, talvez, tenha marcado o seu primeiro título de Grand Slam, em Wimbledon, com cena memorável. Um lance que para muitos não passou de marketing. Mas, acredito eu, que uma menina aos 17 anos, na celebração de um troféu histórico, pegar o celular para falar com a mãe nada mais foi do que um gesto sincero.

A decisão da família em deixar a jovem promessa russa nos Estados Unidos não deve ter sido uma nada fácil. Sharapova nos seus primeiros anos de tour relatava dificuldades de relacionamento. Diz que sofreu discriminação na academia de Bollettieri, mas jamais desistiu.

Hoje, ela enfrenta mais um impasse. Se forem verdades suas alegações, difícil entender. Mas não teve atitude correta e tem de pagar. Sharapova contou que desde 2006 fazia uso de um medicamento Mildronate, que possui em sua fórmula o Meldonium. Este ingrediente passou a fazer parte da lista de substâncias proibidas a partir deste ano. Como afirmou não ter reparado na alteração da lista distribuída em dezembro de 2015 seguiu usando o remédio que seria para reposição de magnésio e também prevenção para o histórico familiar de diabetes.

Por ora, Maria Sharapova recebe uma suspensão provisória. Assumiu a responsabilidade pelos seus atos ao anunciar que foi reprovada no teste antidoping durante o Aberto da Austrália. Foi comunicada no dia 2 deste mês e no dia 7 enfrentou a situação. Estava sozinha, aliás, como já viveu em boa parte de sua vida, também enfrentando dificuldades. Forte, revelou que não quer terminar a carreira dessa forma. Mas jamais conseguirá apagar este triste episódio de uma brilhante vida no mundo do tênis…

Só um ‘shot’ de Tequila
Por Chiquinho Leite Moreira
março 2, 2016 às 4:33 pm

Só mesmo um ‘shot’ de tequila, como fez Roger Federer no tapete vermelho do Oscar e sentir o efeito Glória Pires para entender a preparação de Rafael Nadal aos torneios de quadras duras nos Estados Unidos. Depois de decepcionar em Buenos Aires e Rio, o espanhol viajou para Cuzumel. É um lindo lugar. Endereço sonhado para os amantes do mergulho. Mas sei lá… dizer que está se preparando para Indian Wells e Miami, pois as condições são semelhantes as da Califórnia e Flórida, não passa de uma desculpa esfarrapada. É claro que ele tem de cumprir os compromissos com patrocinadores, no caso o Ibero Star. Mas seria este o melhor momento?

Todos os anos, Nadal família e cia viajam para Cozumel, que fica cerca de 60 quilômetros de Cancun, no México. O espanhol leva um grupo enorme. Mas entre tantos convidados não está, por exemplo, o seu principal patner em quadra: Francisco Roig, que foi um bom tenista e faz parte do staff do tio Toni. Bem… esperar para ver o que acontece nos Masters de IW e Miami.

Aliás, Roger Federer já anunciou que não joga na Califórnia e deve fazer o mesmo na Flórida. Seria realmente difícil esperar que o suíço resolvesse voltar de uma cirurgia no joelho, justamente nas exigentes quadras de cimento. É aconselhável que espere por uma melhor oportunidade.

E quem aproveitou bem as oportunidades dadas com wild card no Rio e em São Paulo foi o ‘Ceará’, Tiago Monteiro. Ele jogou bem nas duas semanas e, embora todo cuidado seja pouco, pelo menos no Esporte Clube Pinheiros deu ao ´público o gostinho de torcer. Mesmo eliminado em três sets para Pablo Cuevas, o tenista brasileiros saiu aplaudido de quadra. Que continue assim.