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O que será de Nadal?
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 21, 2016 às 9:47 pm

O que será, que será?
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza

Eis a questão para Rafael Nadal. O que será? Se o maior jogador da história no saibro não consegue mais vencer no seu terreno preferido. A letra de Chico Buarque de Hollanda merece reflexão. Afinal, há muita gente se perguntando em todos os cenários descritos no verso acima.

Será que está na natureza? Difícil dizer. O certo é que o nove vezes campeão de Roland Garros anda em busca da reabilitação. Mas qual o caminho? Prefiro entender como Carlos Moya. O espanhol também ex-número um do mundo – hoje ao lado de Milos Raonic – acha que seu compatriota está desorientado. Seria então o momento de buscar uma mudança radical.

Aparentemente esta inacreditável virada  já pode estar acontecendo. Seu tio, Toni, quase não foi visto no Rio Open. Andou discreto pelos cantos, no que pode ser um sintoma do conformismo e da aceitação de que seu ciclo chegou ao fim.

Mas será que uma mudança de treinador irá levar de volta Nadal ao seu melhor tênis? Pode ser sim o caminho. Mas o que se sussurra em versos e trovas é que o espanhol sacou a 130 km/h, que sua direita não machuca e que suas pernas não estão assim mais tão rápidas.

É preciso entender o que anda pelas cabeças do tenista e seu staff. Porque ouvir apenas o que se fala pelos botecos não vai levar a nada. Com 29 anos, ainda há muito tempo para recuperação, mesmo para um corpo já tão desgastado e sofrido.

Seja o que for, para quem goste, admire ou deteste, ou até quem atire pedras. É preciso aceitar que Nadal é um gênio. Sua situação hoje é difícil. Quem não torce por ele, que pelo menos tenha o respeito.

Nadal brilha no RioOpen 40 graus
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 19, 2016 às 3:37 am

Cheguei e não choveu… brincadeira gente. Mas tive a sorte de ter sido recebido no Rio Open com toda a pompa a circunstância. O sol brilhou forte, romanticamente bateu os 40 graus, e já no entardecer, com gostosa brisa marinha, Rafael Nadal venceu Nicolas Almagro. Confesso, o jogo não empolgou. Mas o nove vezes campeão de Roland Garros fez o público aplaudir de pé um de seus pontos. Relembrou os seus bons tempos. Interessante seu carisma… é um gênio e dever ser reverenciado mesmo nesta difícil fase.

Muito legal ver como o público torce por Nadal. Aplaude suas melhores jogadas e mantém fortes esperanças de ver o espanhol novamente brilhando com todas as cores, como já fez em outras épocas. Em entrevista, após o jogo, ele revelou que o melhor rendimento de seu jogo esta semana vem junto com a sua condição física. Em Buenos Aires sofreu com problemas estomacais. Agora, no Rio, sente aquele cheiro de vitória. Mas não se pode esquecer ou desprezar seu adversário desta sexta-feira: Alexander Dolgopolov… um perigo.

Não se trata de torcer por Nadal. Mas um evento como o Rio Open merece ter grandes astros nas finais. O Jockey Club do Rio de Janeiro revela-se cada vez mais numa sede aconchegante, charmosa e atraente. Acho difícil ver este evento indo para a Complexo Olímpico da Barra. A não ser que se transforme num 1000.

Andando pelas alamedas e quadras, o entusiasmo pelo tênis estava visível em todos os rostos. Deu até p’ra esquecer um pouco o atual momento. O brasileiro merece estes bons momentos.

Para celebrar, o sol brilhou. E muito forte nesta quinta feira. O calor e a umidade pegaram para quem jogou no meio da tarde. Foi o caso de David Ferrer. Tanto é que saiu perdendo para Albert Ramos Vinoles e suou literalmente a camisa para virar o jogo.

Não sei se estava com a cabeça quente, mas chutou o balde no mau humor. Reclamou… disse que com este calor e alto índice de umidade tudo pode acontecer… até Tiago Monteiro ganhar de Jo-Wilfried Tsonga. Ora, não sei se na Austrália as condições são melhores. Ora, a umidade e o calor no US Open, em pleno verão nova-iorquino, são arrasadores. Enfim, Ferrer veio ao Brasil por algum motivo forte… não fosse isso estaria jogando em outro lugar. Cuspiu no prato que comeu.

Melhor olhar p’ra frente. E se a chuva deixar nesta sexta feira, a rodada promete novas emoções neste Rio Open.

Partiu … #rioopen
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 14, 2016 às 9:02 pm

A participação de Rafael Nadal e cia no Rio Open abre uma grande expectativa para o Torneio Olímpico do Rio 2016. Não que o ATP jogado no saibro do belo Jockey Club seja uma preparação técnica, mas sim pelo bom ambiente criado na Cidade Maravilhosa. Se o nove vezes campeão de Roland Garros enfrentou a ameaça do zica vírus, em pleno verão carioca, é de se esperar que as grandes estrelas como Roger Federer, Novak Djokovic, Serena Williams, Maria Sharapova também devam olhar para a frente e concorrer a uma medalha em agosto.

Nadal e cia chegam ao Rio cheios de disposição e curtindo o mais prazeroso estilo de vida brasileiro. Não que o problema do aedes aegypti não seja grande. É monstruoso. Mas com os devidos cuidados, o tenista espanhol e tanto outros astros do Rio Open deixam claro que a vida continua. Oxalá ninguém tenha problemas … Todos devem estar atentos às precauções, em especial, as autoridades no combate a esta ameaça aos Jogos do Rio.

O sucesso do Rio Open servirá como mensagem ao planeta. Um evento desta grandiosidade em ano olímpico irá refletir em importantes decisões de diversas modalidades esportivas. Não tenho dúvidas de que os olhos de comitês de todo mundo estão focados no que irá acontecer nestes próximos dias.

Os desafios são muitos e o Rio Open resolbeu enfrentá-los com força e determinação. As ações promocionais não foram esquecidas. Uma das mais marcantes está na visita do grandalhão americano John Isner à favela da Rocinha e a escolinha de tênis de Fabiano de Paula. Posou para fotos, curtiu a comunidade e coloca o tênis na vida de todos.

O espelho de que se pode ter vida em meio aos problemas de segurança apareceu no passeio de Teliana Pereira ao lado de Sorana Cirstea, Chris McHale e Danka Kovinic pela praia de Ipanema. Volto a repetir, não que a preocupação não seja grande, mas é preciso tocar a vida, ainda mais nesta paisagem soberana brasileira. É importante não deixar as ameaças tomarem conta de nossas vidas. Não podemos nos render. É claro que devemos estar atentos, mas o Rio Open tem de ser disputado e a Olimpíada do Rio está aí.

Tenho um amigo – Acho que ele não vai se ofender se defini-lo assim – Rafael Navarro. Ele costuma dizer que ‘a vida é muita curta para não se morar no Rio’. Não tenho essa benção, mas como visitante recebo agora o prazer de reviver o bom clima carioca. De 1976 até a Copa da Argentina em 1978 vivi no Rio, cobrindo a Selação Brasileira de Cláudio Coutinho, que tinha assumido o lugar de Oswaldo Brandão. Enfim, deixa esta conversa para os mais velhos…. olhando pra frente o mundo olímpico também pode ter este prazer da vida carioca.

Olha como isso é fascinante. Francesca Schiavone, a dramática italiana campeã de Roland Garros, desembarcou no Rio e postou logo de cara o café da manhã.  “Muitas frutas”, dizia ela revelando uma foto com mamão, banana e outras tropicalidades.

Até mesmo o sisudo Thomaz Bellucci rendeu-se aos encantos. Levou John Isner e Jack Sock para um dos cartões postais da cidade. Isso mostra que o clima carioca é mais do que generoso… é milagroso.