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Djokovic: o incrível ser humano
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 23, 2015 às 7:27 pm

Ao perder para Roger Federer no round robin, Novak Djokovic mostrou ser humano. Ao levantar mais um título no domingo revelou ser o mais incrível jogador da atualidade. Seus números na temporada são impressionantes: 82 vitórias contra seis derrotas, três troféus de Grand Slam e seis Masters 1000. Para completar tem um físico invejável e uma força mental capaz de se superar rapidamente após a derrota para o suíço.

Suas conquistas e comportamento só ajudam o tênis. Não vejo, como muitos, que Djokovic tenha inveja de Federer, pelo fato de o suíço ser carismático, genial. Acredito que o sérvio, no seu íntimo, também seja fã de seu adversário de domingo. Para dirimir esta situação contei com uma rede de mais de 100 jornalistas ao redor do mundo, que andam pelos corredores dos torneios nos quatro cantos do planeta. Queria saber o que se fala pelos bastidores sobre essa rivalidade, que vimos em quadra, mas que poderia ter provocado reações. Nada…, ou seja, não há indicações de que o sérvio tenha outra coisa a não ser respeito pelo suíço.

Não sei muito bem, mas há sempre especulações sobre as atitudes de Djokovic fora das quadras. Primeiro àquela cômica e divertida série de imitações, que tanto fizeram a alegria da torcida durante o US Open, depois ao redor de todo o mundo. Imagens como dividir água com pegador de bolas. Fazer aquecimento com os meninos e meninas durante Roland Garros só acrescentam qualidades ao seu mais puro comportamento. Enfim, podemos dizer que ele é um campeão dentro ou fora de quadra.

No ano que vem acredito que os torcedores, amantes do tênis terão ainda novos motivos para curtir os jogos e rivalidades. Neste Finals de Londres Djokovic empatou com Federer (22 a 22) e também com Rafael Nadal (23 a 23). O suíço revelou estar em boa fase e fala em treinar mais para melhorar. O espanhol está mais competitivo a cada torneio. Duas grandes ameaças a atual soberania de Novak Djokovic. Sem contar, é claro, com outros grandes talentos que devem dar um forte tom de boa rivalidade no tênis.

 

 

 

Finals no saibro? Pq não?
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 16, 2015 às 1:33 pm

Na sua já longa história, que começou em Tóquio no ano de 1970, o hoje chamado ATP Finals jamais foi disputado numa quadra de saibro. Estanho? Não… apenas uma tendência. Afinal, como é jogado ao final da temporada, quase sempre no hemisfério norte, o frio do outono inverno levam a um ginásio coberto, onde as quadras sintéticas são as mais comuns.

A grande maioria dos torneios foi jogado numa superfície já em desuso: o carpete. O principal fabricante era o Supreme. Uma espécie de borracha que era colocada em cima do piso original dos ginásios e o jogo era rápido. Curiosamente esta foi a superfície utilizada na única edição do Finals disputada na Espanha, em 1972, em Barcelona. A grama também chegou a ser usada apenas uma vez, em 1974, em Melbourne, no antigo parque que abrigava o Australian Open.

Indignado com o império das superfícies rápidas, o rei do saibro e nove vezes campeão de Roland Garros, Rafael Nadal reclamou com a mídia britânica. Disse que não considera justo sempre ter de jogar em condições adversas. As piores para seu estilo, definiu o espanhol. E não por acaso jamais conquistou o título desta competição.

Este ano o maior ídolo do tênis britânico Andy Murray ameaçou não participar do Finals, pois queria dar prioridade aos treinamentos no saibro, visando a decisão da Copa Davis, diante da Bélgica. O título seria uma conquista história… mais uma para a já brilhante carreira do escocês. E meio sem muitas explicações, Murray decidiu jogar na O2 Arena de Londres.

Para surpresa de muitos, o então rápido piso do Finals londrino apresentou-se lento… muito lento. E pelo menos nos dois primeiros jogos não se viu um tênis de alto nível. Nem na pouco emocionante partida de Novak Djokovic sobre Kei Nishikori, muito menos de Roger Federer sobre Tomas Berdych. Neste segundo jogo, especialmente, bolas curtas e quiques altos. Enfim, acredito que tentaram favorecer Murray, que espera um jogo muito lento diante dos belgas.

Esta decisão favorece a opinião de Nadal, ao meu ver. Por que não experimentar o saibro no Finals? A ATP caiu de amores com Londres e a O2 Arena. Não por acaso, mas sim pelos altos lucros nas últimas edições. Só que neste ano a história não parece ser a mesma.

A utilização do saibro em ginásios não é comum. Mas também não é impossível. Um exemplo bem próximo é o Brasil Open, há alguns anos disputado no Ginásio do Ibirapuera. E no ano passado, particularmente, a quadra estava em excelente condição.

 

Djokovic ganha unanimidade
Por Chiquinho Leite Moreira
novembro 9, 2015 às 8:34 pm

Como diria o polêmico Nelson Rodrigues “toda unanimidade é burra”, mas como ele também dizia que “nem todas as mulheres gostam de apanhar… só as normais” vou me permitir discordar. E no maravilhoso mundo do tênis Novak Djokovic ganhou unanimidade. Conquistou respeito e reconhecimento. Até mesmo os fervorosos torcedores de Rafael Nadal ou os amantes do tênis clássico de Roger Federer devem estar contentes em ver que seus ídolos perderam, mas não para qualquer um, mas sim para um tenista do porte do atual número 1 do mundo.

Não fosse pela derrota para Stan Wawrinka na final de Roland Garros se poderia dizer que Novak Djokovic fez, até agora, uma temporada beirando a perfeição. Mas até mesmo diante desta adversidade tirou com bom humor as tristes lembranças da primavera parisiense deste ano. Agora, no outono europeu, confessou em Bercy que estava muito contente com o título do Masters 1000. Mas olhando para o presidente da FFT, Jean Gachassin, revelou que seu sonho mantém-se em Roland Garros.

Os números estatísticos de Djokovic, além dos dez títulos conquistados este ano, incluindo três dos quatro Grand Slams, não deixam dúvidas de seu atual momento. Só que ainda resta uma semana para a coroação. Em Londres, no ATP Finals, num formato contando com round robin e diante de adversários de grande categoria a perspectiva é de fortes emoções. Não precisa vencer para contemplar este incrível ano… mas seria importante.

Números 1 – Paris reuniu os dois tenistas que lideram os rankings da ATP: Djokovic e Marcelo Melo. Para o duplista ser lembrado pelo mestre de cerimônia que ele era o segundo brasileiro a liderar o ranking deve ter sido uma emoção enorme. Acredito até que o jogador mineiro tinha isso na cabeça. Mas não quis fazer a lembrança para não colocar-se no mesmo nível de Guga Kuerten. Preferiu ouvir e foi bem.

E uma outra boa informação para Marcelo Melo é que – como já disse na coluna anterior – há anos vem batalhando pela valorização de seu irmão como treinador. E desta vez, o nome de Daniel aparece no topo das opções do Prêmio Tênis 2015. Já teve o meu voto e acho que vai dar na cabeça.