Arquivo mensais:setembro 2015

O fator Davis no tênis
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 21, 2015 às 6:30 pm
Federer não quer mais

Federer não quer mais

Mjurray só pensa nisso

Murray só pensa nisso

 

Não dá para apontar culpados na derrota do Brasil para a Croácia pelo playoff do Grupo Mundial da Copa Davis. Thomaz Bellucci foi até onde deu. Sentiu um problema que já não é de hoje. Também a escolha do Santinho, em Florianópolis, não pode ser apontada pelas suas características: nível do mar, bola lenta. Ora, nestas condições os bons serviços de Bellucci e de João Souza, o Feijão, não funcionam bem. Mas o esquema estava armado para um sacador ainda mais eficiente: Marin Cilic, que vinha de verdade e desistiu nos últimos dias. Para completar, Borna Coric, com apenas 18 anos, não sentiu o peso da responsabilidade. E as longas trocas de bolas só lhe deram ainda mais confiança.

Agora é de se esperar e torcer para que o ‘fator Davis’ não atrapalhe o restante da temporada de Bellucci. Ele já manifestou pelas redes sociais sua frustração por não ter conseguido lutar até o fim. O ideal seria levantar a cabeça, porque  a vida continua.

A situação do Brasil, na verdade, não muda muito. Há tempos que ouço e concordo que a segunda divisão na Davis é a nossa realidade. Nesta quarta-feira será realizado o sorteio em Santiago do Chile. A ITF manteve a equipe brasileira como cabeça de chave. Assim, o time de João Zwetsch só entra em ação na segunda rodada, de 15 a 17 de julho, com boas perspectivas de voltar a disputar o playoff para 2017.

O fator Davis manifestou-se em duas diferentes formas neste fim de semana. De um lado, Roger Federer pode ter feito sua última participação no time suíço. Ele já declarou que deveria ter parado quando conquistou o sonhado título. Voltou para atender aos apelos do técnico Severin Luthi e fazer companhia a Stan Wawrinka. Com atuação em três jogos – inclusive duplas, na qual perdeu – o ex-número um do mundo recolocou os suíços no Grupo Mundial, mas já teve ter avisado para não ser chamado na hora de apagar outro incêndio.

Bem diferente e em ritmo de Federer há anos atrás, Andy Murray fez uma declaração das mais contundentes para a rede BBC. Afirmou que não pretende disputar o ATP Finals, caso a Bélgica anuncie na próxima semana a escolha do saibro como superfície para o confronto decisivo em novembro. O escocês já entrou para a história ao vencer Wimbledon em 2013, depois de mais de 70 anos, e agora tem a chance de levar a Grã-Bretanha a um título que não acontece desde 1936.

O ATP Finals, como se sabe, é disputado em Londres e não há dúvidas que muitos dos ingressos já comprados são para ver e torcer por Andy Murray. Mas as condições na O2 Arena não bem diferentes, com quadra rápida. E a Davis, possivelmente na terra batida, será disputada apenas uma semana depois do milionário e importante torneio em Londres.

Por essas e por outras a Davis é ao mesmo tempo uma das mais empolgantes e controvertidas competições do tênis. Pode rapidamente fazer heróis e destruir astros. Tem um lado sentimental muito grande, mas compromete a vida no circuito do tenista… é o X Factor.

Djokovic é 10; não vilão
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 14, 2015 às 1:31 pm

djokovic

Novak Djokovic conquistou o 10. troféu de Grand Slam com honra e mérito. Seu tênis foi tão convincente nesta final do US Open que sequer pode merecer o título de vilão, por ter eliminado o preferido da torcida, Roger Federer. Não só na Arthur Ashe, mas acredito que em todos os cantos do planeta, a maioria torcia pelo 18. do tenista suíço. Mas também creio que houve um total reconhecimento ao jogo do sérvio.

Com dois gigantes em quadra, a decisão do título em Nova York correspondeu às expectativas de um belo espetáculo. Assim, não só Djokovic ganhou, mas também o tênis. Afinal, se o tenista sérvio mostrou competência, Roger Federer encantou a todos com sua espetacular técnica, suas inovações e incontestável beleza.

O próprio Novak Djokovic admitiu que vê como normal a preferência por Roger Federer. Disse também que algum dia espera merecer este apoio do público. Vejo que o sérvio também tem seu carisma, mas, é claro, é preciso entender o momento do tenista suíço e a preferência da torcida, seja lá onde ele jogue.

Os 28 anos, Novak Djokovic confirma uma das mais impressionantes temporadas de sua carreira. Conquistou três Slams e apenas deixou escapar a Copa dos Mosqueteiros para um outro suíço, Stan Wawrinka. Perto dos 30 de idade, o sérvio pode, sem dúvida, alcançar vários recordes. O segredo para isso, ele revelou na entrevista coletiva após o jogo: o fato de cuidar do corpo, respeitar seus limites e a enorme dedicação.

Além da final masculina, este US Open reservou outros momentos inesquecíveis, como a derrota de Serena Williams para Roberta Vinci. E, é claro, a emocionante decisão contra Flavia Penetta e, de quebra, mais um título de Martina Hingis. Por isso, o último Grand Slam de 2015 não tem vilões, apenas novos e antigos ídolos.

Quebra-quebra em Nova York
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 8, 2015 às 1:08 pm

raquetequebrada

Alguns tenistas marcaram época, fizeram fama e até utilizaram como jogada de marketing as cenas de horror, ou melhor, momentos de fúria em que as raquetes se tornaram vítimas fatais. Destruições de equipamentos, temperamento explosivo fizeram parte memorável da carreira, por exemplo, do norte-americano John McEnroe. Ao final, inclusive, faturou com isso, como no episódio do ‘you cannot be serius’ em que a reclamação com o árbitro de cadeira em Wimbledon entrou para a história e rendeu ao jogador bons cachês em comerciais.

Na época as punições eram brandas. Só que com o tempo e a frequência apresentada por McEnroe fizeram a ATP tomar atitudes mais drásticas e até mesmo impor uma longa suspensão ao mimado tenista americano. Ao longo dos anos, diversos outros jogadores também estiveram marcados por episódios parecidos. O croata Goran Ivanisevic era um. Marat Safin, sempre muito sincero e franco, até chegou a confirmar numa entrevista que se o proibissem de quebrar raquetes pararia de jogar.

De todas as cenas uma das que mais chamaram atenção aconteceu com o cipriota Marcus Baghdatis. Parece ter sido a primeira vez em que houve uma destruição em série. Sentou-se no banco e quebrou quatro… algumas ainda dentro do plástico. E, é claro, foi vaiado…

Agora neste US Open o quebra-quebra envolveu alguns dos líderes do ranking e verdadeiros astros do esporte, como Novak Djokovic e Andy Murray. O mais curioso é que, diferentemente das vaias de Baghdatis, hoje o público em Nova York parece estar curtindo a cena. A ponto de uma raquete quebrada transformar-se em objeto de desejo, quase um troféu para o torcedor que a recebe. Onde será que isso vai parar? Afinal, é polêmico. Tem gente que curte e entende, outros vaiam e os resultados são imprevisíveis. Djokovic quebrou a raquete e ganhou. Murray fez o mesmo e perdeu.

 

US Open sempre inovador
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 2, 2015 às 2:42 pm

interview

Na foto acima a tenista CoCo Vandeweghe aparece dando entrevista para a ex-tenista americana Pam Shriver e hoje repórter de TV. Nada a se estranhar, não fosse que a cena aconteceu durante um jogo do US Open. Mais uma inovação do Grand Slam americano, que como tantas outras causa polêmica no começo e depois transforma-se em mais uma atração da vanguarda nova-iorquina.

Não é de hoje que o US Open apresenta novidades. Uma das mais marcantes foi a revolucionária mudança de sede. Saiu de uma zona sofisticada como Forest Hills e instalou-se no Queens. Foi para um reduto bem mais popular, repleto de imigrantes. Na época os mais conservadores acharam ousada demais a iniciativa. Os resultados, porém, foram incontestáveis. Afinal, não há torneio no mundo que reúna tanto público e disponha de instalações tão grandiosas.

O respeito a media – ou mídia – nos Estados Unidos vem desde a sua constituição com a “First Amendment”, que estabelece logo no primeiro artigo a liberdade de imprensa, entre outras importantes questões. Dentro disso, o US Open manteve-se por muito tempo fiel às tradições dos jornalistas do país. Os vestiários, por exemplo, como em outros esportes dentro dos Estados Unidos, era aberto. Neste tempo, costumava entrar para procurar jogadores brasileiros, falar com treinadores e até mesmo, confesso, jogar conversa fora. Tive a honra até de ao lado de Guga Kuerten e Larri Passos ser um dos primeiros a conhecer as instalações do Arthur Ashe, com lindos armários de madeiras. Só para ilustrar, aconteceu de Guga ser o primeiro tenista e treinar no novo estádio, antes da inauguração oficial. Como ele havia sido eliminado no torneio de Long Island, seu técnico resolveu leva-lo para Flushing Meadows para ele adaptar-se ao novo ambiente.

Enfim, tudo caminhava bem, com respeito de ambos os lados. Jornalistas entravam nos vestiários, mas não incomodavam os tenistas, nem avançavam linhas. Enquanto jogadores eram amistosos, entendendo os costumes americanos. Até que um idiota do Leste Europeu entrou no feminino, passou a sala de estar que antecede os chuveiros e, é claro, diversas meninas ficaram incomodadas. A USTA sugeriu então mudanças para a ITWA (International Tennis Writers’s Association) da qual faço parte. Como os não membros desta associação não poderiam ser controlados,  resolveu-se pelo impedimento de acesso aos vestiários, o que enfureceu os jornalistas americanos, com entrada somente ao players lounge.

Talvez tenha me estendido neste assunto, mas acredito que histórias de bastidores servem para definir bem como é o relacionamento com a media nos Estados Unidos. E agora surge a novidade destas entrevistas entre os sets. No caso de CoCo Vandeweghe, curiosamente ela disse que nem se lembrava das perguntas. Serena Williams comentou se considera ‘das antigas’ e espera que não se torne algo obrigatório. Roger Federer afirmou que não se preocupa. Lembrou que há algum tempo não se dava entrevista antes do jogo e agora isso é normal.

A ideia é boa, dá ainda maior dinamismo às transmissões de tevê e torna-se uma outra atração para o público presente que pode ouvir a jogadora. Tem tudo para dar certo, mas estará baseado no respeito mútuo.