Arquivo mensais:maio 2015

30 anos de Roland Garros
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 27, 2015 às 1:36 pm

#chiquinho30anosRG – Há pouco mais de uma semana desembarquei em Paris para a 30a. cobertura de Roland Garros. Foram 26 anos pelo Estadão e agora quatro pelo Grupo Bandeirantes. Um ano antes de o Bandsports comprar os direitos de transmissão, em 2012, vim para uma série de reportagens veiculadas no Ace Bandsports.

Este longo período no Grand Slam francês para alguns deveria ser parte de um livro. Mas apenas peço licença para contar um pouco desta incrível experiência, deixando de lado os grandes astros da raquete.

A primeira vez foi em 1985. Mas se a primeira vez a gente nunca esquece não aconteceu comigo. Tinha em mente que o título tinha sido conquistado por Ivan Lendl. Mas revendo a chave, o campeão foi Mats Wilander.

Na época junto a um colega do Estadão, Ney Craveiro, ganhei um prêmio de melhor cobertura jornalística de um torneio em São Paulo. Era uma viagem a Paris. Transformei em cobertura de Roland Garros. Como o Brasil não tinha a menor tradição nestes eventos, contei com a ajuda do saudoso ex-presidente da CBT, Wanderley Cecchia, e do diretor Eugênio Saller, para obter um passe especial, com direito a área de imprensa.

O torneio de Roland Garros revelou-se num evento dos mais grandiosos e atraentes. Trabalho diário para contar tudo o que acontecia pelas quadras. A ponto de o chefe do comitê de imprensa francês, Gerard de Pelou chamar-me de lado para uma conversa. Disse que jamais havia visto um jornalista brasileiro realmente focado na cobertura do torneio, do tênis. E, por isso, teria garantida a credencial de livre acesso no ano seguinte, se quisesse. Vale informar que os jornalistas que frequentavam Roland Garros naquele tempo eram muito mais ligados às colunas sociais, do que propriamente ao esporte.

O Estadão comprou a ideia, dado a enorme repercussão da primeira cobertura de Roland Garros. Deu-se então início a tradição, que hoje completa 30 anos do Grand Slam francês, resultado também em outras 20 coberturas do US Open, mais 18 de Wimbledon e cinco Australian Open.

Entusiasmada com esta marca, minha esposa, Deborah, organizou uma viagem da família para a segunda semana em Roland Garros. A ideia é viver o torneio, sentir o clima e  já até comprei ingressos para as quartas de final na Philippe Chatrier.. Aliás, Deborah veio pela primeira vez em 1997 e nem preciso dizer o que aconteceu.

Djokovic abre caminho para RG
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 18, 2015 às 2:00 pm

Se existe um ano em que Novak Djokovic pode, enfim, concretizar o sonho de conquistar o seu primeiro troféu em Roland Garros é este de 2015. O tenista sérvio está sobrando, parece um degrau acima dos outros em todos os aspectos, do físico, tático, mental e versatilidade. Além disso, o maior ganhador de todos os tempos do Grand Slam francês, Rafael Nadal,  mantém sua fase de instabilidade e mostra-se vulnerável como nunca. Só que a atmosfera de Paris pode fazer com que o espanhol se supere, no que se revela difícil em função do retrospecto.

Se a Federação Francesa de Tênis, através do Comitê do Grand Slam, seguir a tendência de basear-se no ranking para determinar os cabeças de chave haverá o risco de um choque entre Djokovic e Nadal em fase ainda um pouco distante da decisão do título.

De qualquer maneira Novak Djokovic já vem merecendo este título para completar a prateleira de sua casa com a única taça de Grand Slam que está faltando. Agora, em Roma, ele foi incisivo ao anunciar que se sente na melhor temporada de sua vida. Os números confirmam com cinco títulos importantes e 22 vitórias seguidas. Mas como ele mesmo completou nunca se sabe o que vai acontecer em Roland Garros, embora esteja muito confiante e tenha experiência de algumas finais em Paris.

FORÇA TELIANA – Esta semana Teliana Pereira estará em Paris para a disputa do qualifying de Roland Garros. Embora tenha ranking para entrar direto na chave, ao encerramento das inscrições há pouco mais de 40 dias estava numa posição que não a garantiu na fase principal da competição. Espero que o problema enfrentado na última semana, que culminou com sua desclassificação em um torneio na França não a perturbe, tire sua tranquilidade e motivação.

Aliás estou sem entender a indignação de muita gente revoltada com o que foi escrito sobre Teliana. Confesso que mesmo pesquisando bastante não li nenhuma menção em que se atacou a brasileira. Pelo contrário só vi textos destacando que tudo foi acidental, sem inteção. É claro que pagou caro. Mas é a regra, que, aliás, julgo como exigente demais. Lembro que Fernando Meligeni e Gustavo Kuerten já passaram por experiências semelhantes, ambas muito doloridas. No caso do Fino então fiquei revoltado na época. Estava no Estoril, em Portugal, mas não vi a jogada em que ele tentou jogar a bolinha na tela e bateu num torcedor. Estava na sala de imprensa acompanhando a coletiva do Guga. Mas várias testemunhas confirmaram que foi algo simples e poderia ter se transformando em tragédia. Só que diante deste episódio Fininho renovou suas forças e fez o melhor Roland Garros de sua vida, alcançando as semifinais. Oxalá, o mesmo aconteça com Teliana Pereira.

 

 

 

RG pode ignorar ranking e privilegiar Nadal
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 11, 2015 às 5:51 pm

Na 7a. colocação do ranking da ATP, o nove vezes campeão de Roland Garros e com apenas uma única derrota em toda sua trajetória no saibro de Paris, Rafael Nadal correria o risco de cruzar com Novak Djokovic ou Roger Federer ainda nas quartas de final. Poderia também duelar também com Andy Murray e Milos Raonic. Ou ainda ter Tomas Berdych ou Kei Nishikori nas oitavas de final. Mas nada impede de o comitê do Grand Slam francês ignorar o ranking da ATP e colocar o espanhol numa posição privilegiada entre os cabeças de chave.

O livro de regras da ITF (Federação Internacional de Tênis) deixa em aberta esta possibilidade. Está no artigo “Z” letras ii. Diz que a seleção dos cabeças de chave será por critério de cada um dos comitês dos Grand Slams, apesar de o ranking servir como referência, mas não a única.

E pelo que conheço dos franceses isso poderá mesmo acontecer, caso o ranking da ATP não sofra alterações drásticas nesta semana de Roma e Nadal volte a ocupar uma posição entre os quatro primeiros. Segundo contas de jornalistas espanhóis, para isso acontecer Nadal teria de ser campeão no Foro Itálico e contar com as eliminações de Berdych, Nishikori, Raonic antes das quartas de final.

Não seguir o ranking para determinar os cabeças de chave não é nenhuma novidade. O torneio de Wimbledon tem seus critérios peculiares. E analisa os resultados dos tenistas nas quadras de grama nas últimas duas temporadas. Mas nem sempre foi assim. Lá pelos anos 80 e 90 fomos surpreendidos em Londres com um boicote dos tenistas espanhóis ao Grand Slam inglês. Tudo por que dominavam a lista da ATP, mas não receberam designações condizentes com seus rankings. Nada mudou na história e os jogadores da Espanha voltaram no ano seguinte sem contestações.

Agora na França, a não utilização do ranking para determinar os principais cabeças de chave seguiria a mesma tendência. Afinal, se Londres olha para os resultados na grama, Roland Garros também poderia considerar as campanhas de Nadal no saibro parisiense.

É claro que Nadal está na 7a. posição pelos seus resultados. Mas não considerar que o espanhol possa se superar nas quadras de Roland Garros seria como ignorar a história. Afinal, quem apostaria contra Nadal em Paris, mesmo este ano? Ou melhor… será que Djokovic, Federer, Murray, Raonic, Nishikori, Berdych  também não gostariam de evitar um confronto com o espanhol muito cedo?

Enfim, uma determinação do comitê do Grand Slam francês em favor de Nadal não seria apenas conveniente para o torneio, mas para todos, torcida, jogadores…