Arquivo mensais:fevereiro 2015

E começaram as provocações na Copa Davis
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 25, 2015 às 7:12 pm

A atmosfera de um confronto da Copa Davis é incomparável. Vale a emoção, a torcida e até a empolgação, mas em alguns cantos do planeta o clima pesa. A pouco dias do duelo entre Argentina e Brasil a chapa já está quente. Por força da profissão sigo diversos jornalistas argentinos e em meio ao ATP de Buenos Aires os comentários são acalorados, a meu ver exagerados. Difícil separar a torcida do fanatismo. E este segundo caso cega as pessoas. Sinceramente gostaria que as diferenças ficassem apenas na quadra e que vença o melhor.

A ITF – Federação Internacional – divulgou recentemente uma estatística de que 60% dos países anfitriões ganham os confrontos. Nenhuma novidade. Afinal, o time da casa tem outros privilégios além de contar com a torcida. Pode escolher a quadra do jeito que convém aos seus tenistas, também define o local, a bolinha, enfim, isso faz parte da Copa Davis. Torna a competição aberta e, muitas vezes, um país teoricamente mais fraco alcança resultados brilhantes.

A Argentina tem uma escola invejável de tênis. Nunca teve um tenista número um, embora os jornalistas argentinos tenham realizado cálculos que dariam esta condição a Guillermo Vilas, quando o líder do ranking era Jimmy Connors. O processo está em andamento, nas mãos da ATP. Hoje, porém, o time anfitrião não é dos mais fortes, especialmente pelo fato de ainda não poder contar com Juan Martin Del Potro. Terá dois estreantes, como Diego Schwartzman e Federico Delbonis, que formam o time com Leo Mayer e Carlos Berlocq. Como dizem é um adversário ganhável… mas sem dúvida nenhuma uma vitória brasileira seria uma surpresa.

Rio Open e a Copa Davis
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 23, 2015 às 2:12 pm

A ideia inicial do título seria uma espécie de trocadilho. Rio: open a homenagens. É claro que o torneio foi um sucesso, apesar da sessão coruja de Rafael Nadal, seu pedido para não ver mais Carlos Bernardes na cadeira, ou mesmo o episódio de Bruno Soares com as bolinhas.

Tudo já discutido e nada resolvido. Enfim, gostei bastante da ala das homenagens do torneio. Um culto a nossa memória e a quem se dedicou ao esporte e ao tênis brasileiro. Primeiro vi pelo FB a credencial de Maria Esther Bueno. Ela, por si só nem precisaria de uma foto pendurada no pescoço. Mas os dizeres valorizaram esta necessidade. Estava lá o número de Grand Slams que a brasileira conquistou.

Em quadra as homenagens seguiram. É claro que jamais iriam esquecer de Guga Kuerten. Até no dia da final ele ganhou uma referência do campeão David Ferrer. Agradecido, o tricampeão de Roland Garros revelou toda sua admiração e reconhecimento a Antônio Carlos de Almeida Braga, o conhecido Braguinha. Desde que fui a Roland Garros pela primeira vez lá em 1985 ele fazia com os jogadores novos ou juvenis o que fez com Guga. Dava uma ajuda, sempre falando ‘garoto isso é pra você comer direito… precisa se alimentar’. Esta atitude o aproximou de diversos atletas em Paris, como é o caso de Cassio Motta, que, se permitem, transformou-se em quase um filho de Braguinha. Lembro também que bem mais recentemente o Zé Pereira – irmão da Teliana – estranhou a aproximação do bom velhinho para sua habitual contribuição. Meio sem jeito não queria receber a doação. Mas aceitou, depois de eu lhe dizer que explicaria mais tarde do que se tratava. Ao saber da história, acho que o Zé Pereira sentiu-se homenageado ao ser tratado da mesma forma como o ídolo Guga Kuerten.

Outra lembrança das mais justas foi a de Thomaz Koch. O tenista gaúcho marcou época e influenciou toda uma geração. Inspirados no seu tênis e seu jeito nasceram muitos tenistas, mais de uma geração. É uma pessoa admirável de tremendo caráter e imenso carisma.

Não sei se perdi outras homenagens. Não estive no Rio desta vez. Mas até nas finais vi o Batata, Wilton Carvalho, todo orgulhoso pelas homenagens e o sucesso de seus filhos, em especial o Lui, diretor do Rio Open.

A NOVA DAVIS  – Com os resultados dos ATPs de São Paulo e Rio, mais o de Buenos Aires, a equipe brasileira da Copa Davis sofre uma drástica alteração. O técnico João Zwetsch deve oficializar a lista de convocados logo mais. Ninguém, porém, tem dúvidas de que João Souza, o Feijão, integrará o time, desta vez. E o mais curioso é que será o número um do Brasil. Thomaz Bellucci com a derrota na estreia na Argentina, diante de Pablo Lorenzi, terá descontado 90 pontos das semifinais do Brasil Open do ano passado, disputado em nova data. fazendo com que perca cerca de dez posições.

Como se sabe o Brasil viaja a Argentina em breve para o desafio de primeira rodada do Grupo Mundial. A Davis, já há algum tempo, prevê no primeiro dia os duelos dos números um. E no domingo o quinto jogo, que pode ser decisivo, coloca invariavelmente os números dois para definir o futuro na competição.

E neste o que seria melhor: ter Feijão ou Bellucci como número dois da equipe?

Valeu Feijão
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 14, 2015 às 7:47 pm

Sem ranking para entrar direto na chave, João Souza, o Feijão, precisou de um wild card para disputar o Brasil Open. Por pouco, muito pouco, muito pouco mesmo (como diria Geraldo José de Almeida, que empresta seu nome ao Ginásio do Ibirapuera) ele não chegou a final. É que justamente diante do surpreendente italiano Luca Vanni, o brasileiro não fez a sua melhor atuação no torneio. Pelo contrário, esteve distante de outros dias. Mas valeu… lutou para salvar os dois primeiros match points e liderou o terceiro set. Só que sentiu o desgaste de uma semana exigente, tanto no aspecto físico como emocional.

Já na primeira rodada fique feliz e satisfeito com a atuação de Feijão. Especialmente no segundo set de seu jogo de estreia com Pablo Carreno Busto. Estava numa situação difícil em que em outros tempos muito provavelmente teria falhado. Mas agora não. Mostrou maturidade e poder de reação. Sem contar que no aspecto técnico é um novo jogador. Felicitações a ele e a seu treinador o inventivo Pardal, Ricardo Acioly.

Sei lá… mas acho que Feijão soube usar a torcida – que infelizmente não foi como a dos outros anos no Ibirapuera -. Não foi exagerado e é de se levar em consideração que pela primeira vez estava no foco das atenções com duas tevês transmitindo seu jogo e carregando as esperanças de muita gente. Não entendi muito bem os patrulheiros. Ora, se Bellucci não joga com a torcida o pessoal reclama. Se o Feijão joga com ela, o pessoal reclama também.

Argentinos – jogadores e twiteiros –  falavam que Feijão mereceu perder porque não se comportou bem. Juro… quero ver Brasil e Argentina pela Davis, lá em Buenos Aires. Em Montevideu, então nem se fala. Mas para não ficar apenas entre sul americanos, lembro que em Pau, diante da França, o clima também não foi nada amistoso para com a gente. Nem mesmo na Suécia, em Helsinborg, ou ainda em Genebra, contra a Suiça, ainda antes de Federer e Wawrinka.

Por isso, acho melhor lembrar Vinicius…

Há dias que eu não sei o que me passa
Eu abro o meu Neruda e apago o sol
Misturo poesia com cachaça
E acabo discutindo futebol…

 

É hora do Brasil Open
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 9, 2015 às 7:05 pm

Para quem realmente gosta de tênis chegou a hora do Brasil Open. O torneio tem uma rica história em 15 anos de vida. Na galeria dos campeões estão nomes como Gustavo Kuerten e Rafael Nadal. Hoje, o cenário é outro. Não há uma grande estrela como tantas que a Koch Tavares trouxe aos brasileiros ao longo dos anos. Mas não se pode negar que a chave é forte.

Os jogos tendem a ser interessantes desde o início. Tommy Robredo e Nicolas Almagro podem se encontrar já na segunda rodada. Apesar de Almagro ter pela frente um tenista dos mais perigosos, como o eslovaco Blaz Rola. Em todo o quadro existem duelos que prometem ser emocionantes. E aproveitar para ver de perto estes encontros é, para mim, como andar pelas quadras secundárias de um Grand Slam, deixando um pouco de lado a Central.

Particularmente gosto mais da primeira semana dos Slams. É hora de ver de perto, praticamente debruçado na grade, o que está acontecendo no mundo do tênis. Dá para conhecer melhor os jogadores. Observar o comportamento de cada um, em jogos que tendem a ser uma guerra.

O Brasil Open sem Nadal ganhou um pouco desta característica. Exemplo é este italiano que furou o quali. Nunca ouvi falar de Luca Vanni. Não sei se vai longe, mas que tem estilo… sim ele tem. E se o assunto é curiosidade… respondam a pergunta. Por que o belga Kimmer Coppejans aparece na chave principal como wild card?

Para os brasileiros a chave de duplas também valorizou a modalidade. Bruno Soares, ano passado, caiu logo na estreia. Ele mantém Alexander Peya como parceiro e agora entra em quadra como papai. Marcelo Melo fez um 2014 excepcional. No Ibirapuera estará também com um austríaco, Julian Knowles. Espero que as duplas também mereçam um lugar na quadra principal do torneio.

 

Rafael Nadal na Sapucaí pela Viradouro
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 6, 2015 às 5:18 pm

O Rio Open revela, mais uma vez, competência na sua organização. E a coincidência de data com o Carnaval que poderia ser um problema, uma concorrência, transforma-se em mais uma atração. Esta quase tudo certo para Rafael Nadal desfilar na Sapucaí pela escola de samba Unidos do Viradouro. Assim, o principal nome do ATP 500 do Rio de Janeiro estaria também levando o tênis para a ‘avenida’.

Curiosamente Nadal não é o primeiro grande nome do tênis em atividade que é procurado por uma escola de samba. A Unidos da Tijuca tentou convencer Roger Federer a participar do desfile, cujo tema é o “O olhar suíço de Clovis Bornai”.

Ainda não há detalhes da participação de Nadal. Mas está certo que as folias de Momo não devem causar muitos danos à preparação física do tenista para o Rio Open. A organização do evento já anunciou que o espanhol só irá estrear nas quadras do Jockey Club do Rio na terça feira de Carnaval.

Interessante que o tema da Unidos do Viradouro enfoca as origens do povo brasileiro. A letra do samba enredo está repleta de tons nacionalistas. Fala dos negros trazidos do além mar, do Índio e termina com “É preciso atitude. De assumir a negritude. Pra ser muito mais Brasil.” É nas veias do Brasil. E, sem dúvida, será bastante curioso observar o espanhol Rafael Nadal com este samba enredo na ponta da língua.

Nadal na Sapucaí pela Viradouro
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 6, 2015 às 5:10 pm

O Rio Open revela, mais uma vez, competência na sua organização. E o Carnaval que poderia ser um problema, uma concorrência, transforma-se em mais uma atração. Esta quase tudo certo para Rafael Nadal desfilar na Sapucaí pela escola de samba Unidos do Viradouro. Assim, o principal nome do ATP 500 do Rio de Janeiro estaria também levando o tênis para a ‘avenida’.

Curiosamente Nadal não é o primeiro grande nome do tênis em atividade que é procurado por uma escola de samba. A Unidos da Tijuca tentou convencer Roger Federer a participar do desfile, cujo tema é o “O olhar suíço de Clovis Bornai”.

Ainda não há detalhes da participação de Nadal. Mas está certo que as folias de Momo não devem causar muitos danos à preparação física do tenista para o Rio Open. A organização do evento já anunciou que o espanhol só irá estrear nas quadras do Jockey Club do Rio na terça feira de Carnaval.

Interessante que o tema da Unidos do Viradouro enfoca as origens do povo brasileiro. A letra do samba enredo está repleta de tons nacionalistas. Fala dos negros trazidos do além mar, do Índio e termina com “É preciso atitude. De assumir a negritude. Pra ser muito mais Brasil.” É nas veias do Brasil. E, sem dúvida, será bastante curioso observar o espanhol Rafael Nadal com este samba enredo na ponta da língua.

Djokovic, um exemplo de campeão
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 1, 2015 às 9:17 pm

Um dos capítulos que mais me chamaram atenção na biografia – não autorizada – de Novak Djokovic foi o de sua determinação pelo aprendizado e esperteza em tirar o melhor do tempo. Certa vez teve a oportunidade de participar de um estágio de treinamentos na Alemanha, na academia de Niki Pilic.  Um ex-jogador da antiga Iugoslávia e também um dos pioneiros em cruzar a Cortina de Ferro para jogar tênis. Foi finalista em Roland Garros, em 1973 e ao encerrar a carreira fixou residência em Munique. Treinou nomes como Michael Stich, Goran Ivanisevic e Boris Becker. Daí, na minha opinião, a razão da atual parceria do tenista sérvio com o alemão.

Enfim, o então menino Novak tinha apenas cerca de uma hora com Pilic em quadra. Ora, como otimizar este tempo? Sem que ninguém lhe orientasse decidiu chegar para o treinamento já aquecido. Corria, fazia alongamentos e já entrava em quadra pronto e disposto a aproveitar o pouco tempo que teria para aprender importantes dicas técnicas. E não pensem que era só isso. Também corria para pegar as bolas e tirava o máximo que podia do genial treinador. Talvez isso sirva de exemplo para meninas e meninas que chegam para os treinamentos sonolentos, precisando de tempo para aquecer. Novak Djokovic dormia com a raquete debaixo do travesseiro.

Não há dúvidas de que Djokovic aprendeu todas as lições. Ouso dizer que não o vejo como um dos mais talentosos jogadores do circuito. Joga pela determinação. E assim venceu neste domingo em Melbourne e seguira vencendo em sua vida.

Esta final em Melbourne refletiu o seu estilo. Foi jogada diante da seguinte regra. A número um… correr em todas as bolas. A número dois… veja a regra número um.

Em alguns momentos, e acredito até o 3 a 3 do terceiro set, Djokovic e Murray estiveram beirando a perfeição. A ponto de suscitar um comentário do talentoso tenista brasileiro Márcio Carlsson. “Assistindo a final do Aus Open, esses dois ignoram qualquer velocidade de bola, ângulos, mudanças de direção, físico e mental. Parece que já não é o mesmo esporte que conheci… Demais.” E realmente este catarinense tem razão. Não é tênis é muito mais.

Uma pena que ao final, Murray tenha baixado a intensidade. Sentiu o golpe. Bateu sem equilíbrio e começou a deixar a bola na rede e cometer erros que não vinha apresentando. Mas, ainda assim, seria condescendente: não merecia levar um pneu.

No feminino também acho que o jogo merecia um terceiro set. Incrível como Maria Sharapova lutou e acreditou. Serena  não deixou dúvidas de ser a número um. E fiquei feliz em ouvir seu discurso. Lembrou de sua origem e chegar ao 19. troféu de Slam era algo que jamais sonharia. Revelou seu lado beneficente e, para encurtar a conversa, elogiou a rival Maria Sharapova.

As duas alimentavam uma certa rivalidade. Depois das declarações de Serena acredito que tenha ficado para trás. Grigor Dimitrov está com a russa e a americana vem vencendo com Patrick Mouratoglou. Além disso, como disse Martina Navratilova para existir uma rivalidade é preciso que as duas vençam. O que não é o caso de Sharapova. Com esta final da Austrália a russa perdeu 16 jogos seguidos para a americana. E talvez tenha chegado o momento Vitas Gerulaitis para ela.

Gerulaitis era um dos mais divertidos jogadores do circuito. E foi autor de uma frase histórica no Masters de 1980. Ao chegar no vestiário depois de vencer Jimmy Connors ele disse: “And let be a lesson to you all. Nobody beats Vitas Gerulaitis 17 times in a row”.  Ele tinha perdido 16…

Aviso aos navegantes II – Sigo com problemas com o servidor. Já consigo postar, mas ainda não dá para ver as mensagens. Peço desculpas e paciência.