Arquivo mensais:outubro 2014

Não esquecer os sonhos, ensina Federer
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 27, 2014 às 2:10 pm

A frase vem à lembrança em boa hora. Parte de seu livro, Roger Federer ressalta a importância de ‘não se esquecer dos sonhos’. Ele remeteu-se aos tempos de crianças de um dia vencer Wimbledon e Basileia, onde foi pegador de bolas. Conquistou ambos torneios com honra e mérito. Agora, repete a citação vendo a possibilidade de retomar a liderança do ranking, ainda neste final de 2014.

A análise técnica coloca esta possibilidade como muito difícil. Novak Djokovic ainda detém as maiores chances de encerrar a temporada como número um do mundo. E, neste aspecto, que se valoriza a ideia de jamais esquecer de seus sonhos e acreditar.

Federer vem numa fase das mais interessantes. Só nos últimos meses venceu 26 dos 28 jogos disputados. E é curioso como estas coisas acontecem com o suíço. Sempre que se cogita a sua aposentadoria, ele vem com conquistas repletas de sonhos, como um juvenil. Ele reinventa-se a cada episódio e como fênix renasce das cinzas.

Esta corrida pela liderança do ranking apimenta este final de temporada. Ainda mais porque a ATP – quando o assunto é Finals – costuma rasgar o livro de regras e antes mesmo da competição se realizar em Londres irá descontar os pontos dos jogadores, que disputaram o torneio ano passado. Assim, a luta pela liderança ganha uma maquiagem. Djokovic que hoje está com vantagem de mais de 2 mil pontos sobre Federer irá ter na próxima semana apenas 490 à frente do suíço. Este pequeno e grande detalhe coloca matematicamente a briga pela condição de número um já em jogo esta semana no Paris Bercy. Mas as grandes emoções devem ficar mesmo para Londres, onde Federer espera realizar mais um sonho.

Algo de estranho no mundo de Nadal
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 24, 2014 às 2:46 pm

Chama atenção e sempre soou estranho os anúncios feitos por Rafael Nadal e sua equipe. O espanhol não irá mesmo jogar o Masters 1000 de Paris Bercy. Já era esperado. A alegação é de ‘problemas pessoais’. Ora será que está em crise de relacionamento? Não vai estar mais com o tio Tony? Ironias à parte, o que se diz é que irá aproveitar para a cirurgia de apendicite.

Atualizando: depois do que aconteceu na Basileia, Nadal encerra a temporada de 2014 e vai para a cirurgia no dia 3 de novembro. Aliás, será que precisaria esperar pelo torneio da Suíça para tomar essa decisão?

Desde que anunciou o problema, após perder para Feliciano Lopez, não consegui ouvir de ninguém, leigos ou não, que se possa jogar tênis em crise de apendicite. Segurar a onda para disputar o ATP 500 da Basileia e pegar mais um polpudo cachê não me parece conveniente. Afinal, por que correr riscos sérios de saúde, talvez comprometer uma carreira por causa de um cheque, por maior que seja? Temos exemplos marcantes de que jogar sem condições físicas encurta a vida profissional. E neste caso com prejuízos financeiros lá na frente. Milionário como está o espanhol não vale fazer tudo por dinheiro.

Para dar mais um exemplo de como soa estranho os anúncios vindos de Nadal é que justamente na semana em que declarou estar com apendicite, sua assessoria distribuía releases e releases sobre sua atuação no pôquer. Veio até um vídeo do tenista fazendo um teatrinho, fingindo ser piloto de helicóptero. Ora, será que tratar de seu físico de sua saúde não o mais importante? Ou então, ele não tem nada de apendicite e tudo não passa de mais uma historinha.

Curioso também é que Nadal só anunciou que está fora de Bercy. Nada ainda sobre o Finals de Londres. Fica então a dúvida. O que estaria tramando o tenista espanhol? Afinal, se passar por cirurgia de apendicite não dá pra voltar em apenas uma semana. O que tem Nadal?

O campeão voltou…
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 13, 2014 às 11:58 pm

Aos 33 anos, Roger Federer reaparece agora como candidato a mais um recorde. O de transformar-se no tenista mais velho a liderar o ranking da ATP, superando os 33 anos e quatro meses do genial André Agassi, em 2003.

As contas são simples e podem colocar tanto Novak Djokovic como Roger Federer na condição de número um do mundo ao final da temporada. O que pode acontecer já se discutiu e especulou o suficiente. Djokovic precisa defender seus pontos. Tem o nascimento de seu filho para acontecer a qualquer momento. Perdeu nas semifinais de Xangai, mas ainda o considero favorito para manter a liderança.

O legal, porém, é o surgimento dessa possibilidade com Roger Federer. Seu título em Xangai não só esquentou este final de temporada, como acirrou a briga pela liderança. Senti uma inquietação geral com este cenário.

Tecnicamente as condições são favoráveis para Roger Federer. Os próximos torneios serão jogados no indoor. Lugar perfeito para o suíço aplicar seu novo e velho estilo. Ou seja, ele afirmou na China que tudo funcionou bem em seu jogo. Pela sonora que recebi, ele fala do saque e voleio, da devolução, movimentação e força mental. Gostei mesmo da parte em que cita o ‘chip and charge’.

Para quem estava saudoso destas cenas em quadra, Roger Federer vem jogando com uma mescla de tudo. E, talvez não por acaso, o ranking mundial seja liderado por um tenista de 33 anos. É o velho… novo.

A sábia decisão de Rafael Nadal
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 9, 2014 às 7:21 pm

Estava mesmo muito estranho o anúncio feito por Nadal em Xangai. Segurar a onda do apendicite com antibióticos e seguir jogando até o final do temporada. E o pior: incluir um torneio no calendário, o ATP 500 da Basileia, que não fazia parte de seus planos. Mas resolveu deixar a obsessão de lado e tomar a sábia decisão de cuidar da saúde.

Sou leigo no assunto, mas sempre ouvi falar que apendicite é coisa séria. Pode matar. Ora, diante de um sintoma tão grave marcar cirurgia para o fim do ano, parecia-me um ato de loucura. Nadal tem um nome a zelar e já não precisa provar mais nada a ninguém.

Para sorte do mundo do tênis recebi um release que tirou a pulga atrás da minha orelha. Trata-se de um comunicado de seu assessor de imprensa, o Benito Barbadillo, e que estou reproduzindo na íntegra…

Dear all,
First of all apologies for this very impersonal email.
Rafa Nadal has arrived from Shanghai to Spain earlier today. He is already at home in Mallorca.
On his way home he stopped by at the Clinica Mapfre de Medicina del Tenis in Barcelona.
The player has been visited by his Doctor Angel Ruiz Cotrro, doctor of the Royal Tennis Federation of Spain, who was accompanied by his surgeon of confidence, Dr. Segura Movellan. They made a clinical exploration and pertinent tests consisting in an analytic exploration and abdominal TAC with contrast, confirming that Rafa Nadal has suffered an appendix medical chart localised by the antibiotic treatment received in Shanghai, China.
His clinical evolution has been good and actually he is asymptomatic.
He will continue receiving the antibiotic treatment during 4-5 days and according to his evolution he will take the therapeutic decisions needed.
Many thanks to all.
Benito
Enfim, o tênis é parte da vida de um tenista como Rafael Nadal. Mas a vida é uma dádiva e cuidar dela é um dever de todos que receberam o dom de nascer.
A sábia decisão de Nadal
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 9, 2014 às 7:00 pm

Estava mesmo muito estranho o anúncio feito por Nadal em Xangai. Segurar a onda do apendicite com antibióticos e seguir jogando até o final do temporada. E o pior: incluir um torneio no calendário, o ATP 500 da Basileia, que não fazia parte de seus planos. Mas resolveu deixar a obsessão de lado e tomar a sábia decisão de cuidar da saúde.

Sou leigo no assunto, mas sempre ouvi falar que apendicite é coisa séria. Pode matar. Ora, diante de um sintoma tão grave marcar cirurgia para o fim do ano, parecia-me um ato de loucura. Nadal tem um nome a zelar e já não precisa provar mais nada a ninguém.

Para sorte do mundo do tênis recebi um release que tirou a pulga atrás da minha orelha. Trata-se de um comunicado de seu assessor de imprensa, o Benito, e que estou reproduzindo na íntegra…

Dear all,
First of all apologies for this very impersonal email.
Rafa Nadal has arrived from Shanghai to Spain earlier today. He is already at home in Mallorca.
On his way home he stopped by at the Clinica Mapfre de Medicina del Tenis in Barcelona.
The player has been visited by his Doctor Angel Ruiz Cotrro, doctor of the Royal Tennis Federation of Spain, who was accompanied by his surgeon of confidence, Dr. Segura Movellan. They made a clinical exploration and pertinent tests consisting in an analytic exploration and abdominal TAC with contrast, confirming that Rafa Nadal has suffered an appendix medical chart localised by the antibiotic treatment received in Shanghai, China.
His clinical evolution has been good and actually he is asymptomatic.
He will continue receiving the antibiotic treatment during 4-5 days and according to his evolution he will take the therapeutic decisions needed.
Many thanks to all.
Benito
Enfim, o tênis é parte da vida de um tenista como Rafael Nadal. Mas a vida é uma dádiva e cuidar dela é um dever de todos que receberam o dom de nascer.
O efeito Davis
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 1, 2014 às 9:06 pm

É interessante como a Copa Davis pode transformar a carreira de um tenista. Em alguns casos traumatiza e coloca uma sina: fulano não é jogador de Davis. Por sorte, Thomaz Bellucci soube dar a volta por cima. Estava próximo de carregar um peso. Mas a recente vitória sobre a Espanha serviu como a mais eficiente injeção de ânimo que o nosso número um poderia tomar.

Algumas marcas estavam rondando a personalidade de Bellucci. Ora, quem não se lembra das estatísticas que revelavam suas derrotas em partidas que iam para o terceiro set? Costumava também ser acusado de abandonar jogos com frequência. Sofria com o físico. E pagava com a mente.

A Davis marcou um nova era na carreira de Bellucci. Nem é preciso lembrar as vitórias heróicas no Ibirapuera. Ambas em jogos equilibrados, sob pressão e saindo de situações dificeis.

Parece que aprendeu a superar estes desafios. Tanto é que esteve em duas finais na semana passada, em Orleans, na França. Perdeu a simples, mas ganhou a de duplas. Contam que Bellucci não jogou em plenas condições físicas. Estaria febrio. Mas, pelo menos que tenha visto, não usou como justificativa para a derrota em simples.

Agora, Bellucci segue sua rota em torneios da série Challenger. Mas pela qualidade e potencial de seu jogo, não há dúvidas de que pode alcançar o mesmo sucesso na série ATP. O efeito Copa Davis deve recolocá-lo em excelente posição no ranking mundial.

Fato também interessante passou-se com João Souza, o Feijão. A não convocação para defender o Brasil na Davis diante da Espanha poderia servir como uma queda em sua motivação. Mas funcionou justamente ao contrário. Ele também atravessa excelente fase. Final no Challenger, com match point, e seguindo a rotina de vitórias esta semana. O Brasil pode sim estar ganhando o número dois que tanto precisa.