Arquivo mensais:agosto 2014

Djokovic? Com certeza
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 29, 2014 às 7:22 pm

Coitado do simples e positivo ‘sim’. Está moribundo, quase esquecido. Agora tudo é ‘com certeza’. Você gosta de tênis? Com certeza. Vai ao cinema? Com certeza. Estou aguardando o dia em que o padre perguntar: é de sua livre e espontânea vontade aceitar fulana de tal como esposa? E a cerimoniosa hora do ‘sim’ transformar-se num ‘com certeza’. Aí sim (ou melhor aí com certeza) o sim estará enterrado.

Este preâmbulo é para justificar uma outra certeza: a de que Novak Djokovic está 100% focado na campanha do US Open. Depois de alguns tropeços em Toronto e Cincinnati, o tenista sérvio fez uma declaração que não foi interpretada da forma que gostaria. Disse que após o casamento suas prioridades seriam para a família. Pronto, ninguém mais apostou no futuro de Nole.

Estes dias em Nova York, Djokovic esclareceu o assunto. Disse em tom positivo que o seu foco está na conquista do US Open. E justificou que revelar que dar prioridade à família não significaria desprezar a carreira. Vai dar tudo o que pode e manter a dedicação de sempre..

Confessou também ter todo o apoio da esposa, Jelena Restic. E não poderia ser diferente para um casamento. Concluiu que tanto a família como o seu time estão na ‘mesma página’.

Djokovic segue a rotina diária de anos e anos. Uma das poucas mudanças é que em Nova York está apenas com Boris Becker, sem Marian Vajda. Mas isso já aconteceu antes em outras competições. Assim, apesar de o tenista sérvio ter adversário duro pela frente, como Sam Querrey, ele continua como um dos grandes favoritos ao título, com certeza.

O eletrizante US Open Tennis
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 26, 2014 às 9:52 pm

O US Open começou com o tom eletrizante de sempre. Afinal, se Manhattan tem a Broadway, Queens tem Flushing Meadows no alto verão novaiorquino. A atmosfera do Grand Slam americano é contagiante. Não há como não se emocionar.

Esta sensação fez Simona Halep tremer diante do gigantismo do Arthur Ashe Stadium. Ao mesmo tempo motivou ainda mais o número um do mundo do masculino, Novak Djokovic. Ele também prejudicado pela emoção – casamento, espera de um filho – não fez a preparação ideal para quem sonha com o título em Nova York. Não esteve bem em Toronto, nem mesmo em Cincinnati. Agora revelou estar com outro espírito.

Esta grande emoção é um dos mais difíceis obstáculos para os tenistas em Nova York, até mesmo aos mais experientes. A balbúrdia das arquibancadas exige um exercício extra de concentração. Lembro que o carismático Andre Agassi irritou-se com a agitação nos intervalos das partidas. Chegou a pedir para que tirassem a música. Este era, na época, um fator novo, claramente diferente do que acontecia e acontece em Wimbledon, por exemplo.

Lidar com estes artifícios faz parte da rotina dos jogadores do US Open. Inclusive as quadras secundárias apresentam fatores não vistos ou sentidos em nenhum outro torneio do Grand Slam. Só para se ter uma ideia. Se Andre Agassi reclamou do barulho da música, um brasileiro, certa vez, reclamou do cheiro dos hamburgueres. Cássio Motta, ávido à mesa como em quadra, pediu para o então supervisor do torneio não colocá-lo mais para jogar ao lado da praça de alimentação.

Na rodada desta quarta feira, outro brasileiro passa por um belo teste em Flushing Meadows. Thomaz Bellucci irá pisar pela primeira no Arthur Ashe. Ele já esteve em todas as outras centrais dos Slams, mas acredito que desta vez vai ser diferente. Espero que se contagie pelo clima eletrizante e faça disso um incentivo extra a seu bom jogo.

Nadal tem tantos êxitos como lesões
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 19, 2014 às 1:08 am

Dono de 14 títulos de troféus de Grand Slam, entre tantos outros brilhantes resultados, a carreira de Rafael Nadal revela tantos êxitos como lesões. Uma recente reportagem feita pela agência DPA, na Espanha, elabora uma lista dos diversos problemas físicos vividos pelo tenista. São dados para refletir. E pensar no que pode ser o futuro de Nadal?

Novamente abalado por uma lesão, desta vez, no punho direito, Nadal não poderá defender o título do US Open. Mas, é claro, há muitos anos vive situações semelhantes, como mostra o levantamento feito pelos espanhóis.

2003 – Neste ano uma fissura no cotovelo direito, durante treinamentos em Manacor, Nadal perde a chance de disputar o seu primeiro Roland Garros.

2004 – No torneio do Estoril sentiu uma fissura no pé esquerdo. Não jogou Roland Garros, nem Wimbledon, mas ganha em Sopot o seu primeiro título. Joga também a Olimpíada de Atenas.

2005 – Uma nova inflamação no pé esquerdo o obriga a abandonar o Masters de Paris-Bercy. Também não joga o ATP Finals em Xangai. Uma tendinite nos joelhos atrapalha mas não impede que ganhe o torneio de Madri.

2006 – Com mais uma inflamação no pé esquerdo não joga o Aberto da Austrália. Problemas nas costas o obrigam a abandonar o ATP de Queen’s durante uma partida contra Lleyton Hewitt.

2007 – Cãibras no braço esquerdo e tonturas o levam a retirar-se da partida diante de Juan Mônaco, no Masters de Cincinnati. Também apresentou problemas nos joelhos.

2008 – Uma tendinite na inserção do tendão do quadríceps o leva a abandonar o Masters de Paris-Bercy diante de Nikolay Davydenko. Neste ano ganhou Wimbledon e alcançou pela primeira vez a liderança do ranking. Mas também não jogou o ATP Finals de Xangai.

2009 – Sofre com tendinite nos dois joelhos. Em Roland Garros sofre a única derrota de sua vida no torneio francês. Não joga também em Wimbledon e perde a condição de número um do mundo.

2010 – Começa o ano abandonando um jogo contra Andy Murray, nas quartas de final do Aberto da Austrália. Ganha Roland Garros, Wimbledon e o US Open e recupera a liderança do ranking.

2011 – Passa o ano com problemas no tendão do pé esquerdo;

2012 – A já crônica lesão no tendão o afasta por sete meses das competições, depois de cair na segunda rodada do torneio de Wimbledon.

2013 – Volta ao circuito em fevereiro e ganha dez títulos na temporada para recuperar a condição de número um do mundo.

2014 – Depois de abrir a temporada com título de Doha, sente problemas nas costas durante a final do Aberto da Austrália. Perde o jogo para Stan Wawrinka.  Agora uma lesão no punho direito impede que defenda os títulos dos Masters do Canadá, Cincinnati e US Open.

NÃO CONFIE EM NINGUÉM COM MAIS DE 30 – Serena Williams está prestes a completar 33 anos. Roger Federer recentemente chegou a idade de Cristo. E como não confiar nas performances destes dois experientes tenistas, Diante do atual cenário são os que estão com maiores possibilidades de erguerem os troféus de simples do US Open.

Incrível, mas não se trata de falta de renovação, sim de genialidade. Serena andou meio perdida, só que recuperou por completo seu domínio. Roger Federer vem em grande forma. Mas terá pela frente jogos em melhor de cinco sets. Se o colocarem na sessão noturna suas chances aumentariam. Novak Djokovic não pode ser esquecido e pode-se dizer que o sérvio é o grande favorito.

Há esperanças para Nadal para o US Open
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 4, 2014 às 10:59 pm

Notícias vindas da Espanha alimentam boas esperanças de Rafael Nadal jogar o US Open, apesar da lesão no punho direito. Colegas ibéricos, com passagem marcada para Nova York, acreditam que terão trabalho em Flushing Meadows. O motivo é que o Touro Miura segue treinando bem, mesmo com uma imobilização no local, que deve manter por pelo menos duas semanas. É claro que não bate ainda o backhand, mas pode usar o forehand e vem se aplicando muito nos saques.

Treinar mesmo lesionado não é novidade no tênis. O austríaco Thomaz Muster, também coroado por um período como rei do saibro,  batia bolas sentado numa cadeira de rodas. Certa vez na véspera da final do torneio de Miami, ele foi atropelado por um taxi. É claro que não jogou no dia seguinte. Mas assim que chegou em casa, colocou a perna amarrada numa espécie de maca e pedia para seu treinador mandar bolas do outro lado da quadra. Este austríaco era mesmo meio maluco. Num ano durante um US Open pôs na cabeça de que se descansasse durante os intervalos dos games, esfriaria a musculatura e perderia a intensidade de seu jogo. Então nas viradas, no lugar de sentar e tomar água, fazia exercícios de polichinelo. Da cabine de transmissão, da Louis Amstrong, o também nada normal, John McEnroe gritava espantado com a cena.

Para Nadal com duas ou três semanas de imobilização e a ausência nos Masters de Toronto e Cincinnati sua primeira competição seria justamente o US Open. Faltaria ritmo? Talvez, mas como esquecer a incrível volta do espanhol no ano passado. Depois de sete meses afastado do torneios foi a final de Viña Del Mar, ganhou o Brasil Open, Indian Wells etc e tal.