Arquivo mensais:maio 2014

Nadal avança, mas preocupa…
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 31, 2014 às 10:21 pm

Não foi aquele passeio que se esperava de Rafael Nadal diante de Leonardo Mayer. Fez o suficiente para avançar mais uma rodada. Só que um detalhe acendeu o sinal de alerta. Ao tirar a camiseta – aliás como é de seu hábito – para colocar o agasalho e seguir para a entrevista em quadra, algumas bandagens de proteção denunciaram problemas.

A princípio poderia parecer apenas precaução. Afinal, hoje em dia os jogadores desfilam em quadra com faixas coloridas. Parece até moda. A de Nadal até que estava discreta. Em Paris, a capital da moda, talvez  fosse definida como ‘nude’. Conheço como cor da pele.

Aos olhos da imprensa mundial, especializada em tênis, o detalhe não passou. Nadal teve de falar sobre o assunto. Desviou, mas admitiu que como sentiu dores nas costas teve de diminuir a velocidade de seu saque.

Passando o filme, dá para lembrar do que aconteceu na final do Aberto da Austrália. Durante praticamente um set inteiro – e que ele venceu, por sinal – sacou um pouco fraco, mas com um efeito tamanho que a bola fazoa uma curva acentuada. Diversas vezes repetiu a tática diante de Mayer.

Não há como duvidar de Nadal em Roland Garros. Mas, por enquanto, não foi assim muito exigido. Na próxima rodada terá pela frente Dusan Lajovic. Quem será que já viu ele jogar?

Vitória de Teliana é lição de vida
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 27, 2014 às 11:57 pm

Muita gente já deve estar cansada de saber. Mas nunca é demais lembrar, especialmente num momento destes em que Teliana Pereira ganhou fama e repercussão. Sua vitória em Roland Garros é uma lição de vida. Um exemplo para quem está sempre reclamando. Até mesmo aqueles que assistiram ao jogo e disparavam contra a transmissão. É melhor mostrar ou não? Ela estava na quadra cinco, sem bons recursos técnicos. Fez história e o torcedor brasileiro teve a chance de acompanhar..

Nascida em Pernambuco, com muito orgulho, o destino e a esperança de uma vida melhor levaram seu pai para Curitiba. Não vou entrar em detalhes. O momento é de olhar para frente, falar do sucesso e de coisas boas. Aprendeu a jogar tênis na academia de Didier Rayon. Um personagem gentil, interessado e que colocou não só Teliana como seus irmãos para jogar tênis. Foi o seu primeiro treinador. A ensinou os principais segredos do esporte e da vida. A levou para a Europa e a fez falar francês. Ora, onde estaria esta menina não fosse o destino e mão deste homem. A migração de seu pai e a bondade de Didier alteraram o rumo..

O tempo levou Teliana a caminhar sozinha. Mas já sabia a importância de cada detalhe. Seu tênis não é fácil. Precisa de muito treino e determinação. Mas sacrifícios são sacrifícios. Só quem os vive sabe o que significam e o quanto enobrecem.

Aos poucos Teliana vai colhendo o fruto de tanto trabalho. Seu rosto é alegre. Um sorriso sincero. Será que ela dormiu na noite depois do jogo? Um filme de longa metragem deve ter passado pela sua cabeça. As esperanças são feitas de objetivos e correr atrás deles já faz parte de sua rotina. Nada mais a cobrar, embora jamais vá se dar por vencida.

Federer dá aula, Nadal aquece e Djoko sonha
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 25, 2014 às 11:03 pm

Com toda a família em Paris, esposa e quatro filhos, Roger Federer parecia estar com pressa de voltar para casa. Fez até lembrar o antigo apelido de ‘Fedex’ tamanha a rapidez com que liquidou com Lukas Lacko, em menos de 1h30. Após o jogo o suíço era uma felicidade só. Falou com entusiasmo de sua estreia, da forma como jogou e como estava contente em ter todos ao seu lado em Paris.

Em casa não coloco dúvidas, nem poderia. Mas em quadra até quando vai durar este estágio? Sua temporada no saibro europeu não foi das melhores. Mas, também quem ousa fazer prognósticos sombrios para este gênio da raquete?

Em terras parisienses, sob a inspiração da Cidade Luz, outro artista das quadras faz ‘um aquecimento’ em sua estreia nesta segunda feira, diante do já quase aposentado Bob Ginepri. O espanhol chegou a Paris, sim é claro, como favorito. Mas não tanto como de outras vezes. Mas também quem ousa fazer prognósticos sombrios para este gênio da raquete? Ainda mais depois do episódio deste domingo à tarde. De repente, Elia Júnior, o sempre brilhante apresentador do Bandsports, avisa-me que Thomaz Bellucci está treinando com Nadal na quadra 12. Ao chegar, logo ele revela: “ele voltou… está jogando demais, batendo muito bem na bola. Sei lá… parece que a sua bola está ainda mais rápido. Talvez seja pela proximidade da quadra.”

A impressão de Elia Júnior é para ser considerada. Ele fala com o dom dos espertos. Se apostou certa vez contra, sentiu que ainda há tempo para recuperar-se.

Estas expectativas transformam Roland Garros de 2014 num dos mais interessantes dos últimos tempos, desde já nas primeiras rodadas. Novak Djokovic estreia com João Sousa, o português, e sonha com o primeiro título em Paris. Tem Federer em momento mágico, Nadal em momento para apostar. Mas quem ousa fazer prognósticos sombrios para este gênio da raquete?

O 29. Roland Garros a gente não esquece
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 20, 2014 às 1:17 pm

A alma do jornalismo está na reportagem. Entrevistas por telefone, por e mail não funcionam. Nada como estar in loco.. O cara a cara revela o ambiente, a cor local, as reações. Quem ganha com isso é o público. Recebe informação valorizada, diferente, com todos os detalhes, entonações e bastidores. Este espírito e a ousadia nos planos do meu diretor e da minha diretora (não revelo nomes para não parecer bajulação, no que, na verdade, é um reconhecimento) estão me levando a Roland Garros pela 29a. vez. A primeira foi em 1985, justamente como resultado de um prêmio de jornalismo por melhor cobertura em um torneio de tênis no Brasil. Transformei a viagem que poderia ser de lazer na cobertura do Grand Slam francês. O sucesso foi tamanho, o evento revelou-se grandioso e com grande repercussão, que não faltei mais. Apenas nos anos de 2010 e 2011 por conta da…bem é melhor deixar pra lá. Voltei em 2012 para reportagem especial com Gustavo Guga Kuerten e ano passado na transmissão exclusiva para o Brasil pelo Bandsports.

A transmissão e cobertura pelo Bandsports de Roland Garros 2013 foi revolucionária. A própria Federação Francesa de Tênis publicou em guia oficial que nem mesmo nos tempos de Guga a tevê brasileira revelava tanta qualidade na cobertura do evento. Não foram só jogos ao vivo, com narrador de comentarista em Paris, mas também reportagens, programas ao vivo e detalhes que fizeram o assinante sentir-se como se estivesse dentro do complexo do Bois de Bologne. Agora para 2014, a promessa é de ser melhor ainda.

Por sorte, a expectativa para Roland Garros este ano é enorme. Nenhum dos grandes tenistas do masculino está jogando bem. As chances de surpresas são reais. Rafael Nadal, apesar do incrível retrospecto de apenas uma derrota em nove participações, não chega a Paris este ano tão favorito como em outros tempos.

Novak Djokovic, mesmo sem mostrar o seu melhor tênis, ganhou Roma. Chega em Paris confiante na possibilidade de, enfim, conquistar o único troféu de Grand Slam que falta na prateleira de sua casa. A ameaça está na recente lesão no pulso. É um local delicado para tenistas.

Roger Federer não fez uma boa preparação. Andy Murray ainda está longe do que foi no ano passado. Será que o escocês deveria ter dispensado Ivan Lendl? Stanislas Wawrinka mantém os altos e baixos. Kei Nishikori aparece como grande ameaça aos favoritos. Mas seu estilo de jogo, em que cada ponto dura uma eternidade, pode comprometer seu físico em disputas em melhor de cinco sets.

Tudo isso coloca Roland Garros 2014 como um torneio repleto de alternativas no lado masculino. No feminino, difícil não apostar em Serena Williams. Sua maior adversária é ela mesma. Parece que só mesmo uma lesão pode tirar o troféu de suas mãos. Maria Sharapova, que certa vez falou que não sabia sequer andar no saibro, hoje apresenta retrospecto de 12 vitórias e apenas uma derrota na atual temporada europeia da chamada terra batida, incluindo os títulos de Stuttgart e Madri.. Ana Ivanovic parece que, enfim, reencontrou seu melhor tênis. Mas Roland Garros vai mostrar sua real situação. Entre as novas jogadoras, Simona Halep é um nome para chegar as finais. Mas quem pode ameaçar a força do tênis da americana? Esta e outras perguntas começam a ser respondidas a partir deste domingo.

Além da participação em comentários no Bandsports, ao lado de Oliveira Andrade e Caca Fernando, reportagens para o Ace, apresentado por Renata Saporito, com Ricardo Mello, opiniões com Elia Jr, Flávio Saretta, Renato Messias e convidados no melhor de Roland Garros, estarei com detalhes e curiosidades no twitter @chiquinholm, pelo FB Francisco Leite Moreira, ou Instagran chiquinholmoreira.. À bientôt, ou seja, até breve.

Arrivederci Roma di Roger Federer
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 14, 2014 às 6:23 pm

Papai novo, mais uma vez, Roger Federer chegou a Roma com todo o apoio de Mirka. Os jornais italianos, talvez mais acostumados aos assuntos papais do Vaticano, definiram até que o suíço desembarcou na Itália com a benção da esposa. Mas de corpo presente e cabeça ausente. Longe… lá com o pensamento em Leo e Lenny. Sem esquecer Myla e Charlene. Coisas de família. Como é importante estar ao lado da esposa em certos momentos. A vida nos ensina.

É claro que a derrota para Jeremy Chardy veio no detalhe. Não fosse o incrível match point salvo pelo francês, numa bola cruzada já quase perdida, poderia ter mudado o rumo da história. Mas será que Federer em situação normal deixaria a decisão ir para o tie break do terceiro set, depois de ter vencido o primeiro por 6 a 1?

Enfim, Federer, elegante como sempre, não deixou de dar crédito a boa atuação do francês. Um já quase veterano das quadras e conhecido por ‘soltar o braço’. O resultado, porém, não se revela na melhor preparação para Roland Garros. Um pouco mais de ritmo teria sido o ideal.

Outra consequência dessa precoce eliminação no exuberante Foro Itálico de Roma é que Roger Federer sofre a ameaça de perder a condição de número quatro do ranking. Se for o cabeça de chave número cinco iria para outro setor do sorteio do quadro. E neste caso o arrivederci pode ser traduzido como au revoir.

Madri perde para Roma na preparação para RG
Por Chiquinho Leite Moreira
maio 7, 2014 às 11:55 pm

A Caixa Mágica é um dos mais exuberantes cenários do tênis. Quando nasceu, um de seus idealizadores, o romeno Ion Tiriac, chegou inclusive a, ironicamente, tentar roubar a condição de Grand Slam de Roland Garros. Aproveitou-se de um momento difícil dos franceses, que não conseguiram aprovação da prefeitura de Paris para obras no complexo de Bois de Boulogne.

Hoje uma coincidência de fatos faz com que o Masters de Madri não seja mais a grande preparação, o grande teste para Roland Garros. Isso em função de ausências marcantes, como Novak Djokovic, Roger Federer e a eliminação de Stanislas Wawrinka.

Esta situação não poderia vir em melhor hora para Rafael Nadal. Depois de derrotas em Monte Carlo e Barcelona recuperar a confiança é tudo o que o espanhol poderia pensar de bom para este momento. Nunca é demais lembrar que o atual número um do mundo também sofreu derrota para Alexander Dolgopolov e sofreu contra Pablo Andujar, no Rio Open.

Tudo leva a crer que Roma fique com os duelos mais emocionantes desta temporada europeia de saibro que culmina com Roland Garros. Djokovic diz que já deverá estar em condições de jogo. Federer considera a ideia de jogar. Wawrinka precisa reafirmar sua condição de campeão de Monte Carlo.

E se o cenário da Caixa Mágica é exuberante, não menos imponente é o Foro Italico de Roma.