Arquivo mensais:outubro 2013

Gritos no tênis soam como trapaça
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 29, 2013 às 7:08 pm

Há muito tempo que se discute se o grito, especialmente das tenistas, trata-se de trapaça ou não passa de um simples recurso natural. A polêmica já envolveu grandes estrelas como Martina Navratilova e Monica Seles. Levou o então árbitro geral de Wimbledon, Alan Mills, a buscar um aparelho para medir decibéis e planejar coibir os grunhidos, gemindos, seja lá o que for.

Esta semana deu no USA Today que a toda poderosa dirigente da WTA, Stacey Allaster, resolveu colocar a mão na ferida. Ela quer realizar testes para coibir os abusos. Irá analisar todas as condições, como recintos fechados, grandes estádios, lugares menores. Mas que ninguém se anime. Qualquer resolução só deve aparecer no segundo semestre de 2014. Vejo, porém, com bons olhos a retomada desta polêmcia, que andou adormecida.

Tecnicamente os gritos surgem quando tenistas em estágio de aprendizado e aperfeiçoamento soltam o ar dos pulmões na hora da batida da raquete com a bolinha. Servem para adionar mais controle e força ao impacto, adquirir ritmo e contribuir para a automatização do ‘timming’. Alguns jogadores levam estes recursos para os primeiros anos da carreira profissional. O argentino Horacio de La Peña exagerava no início, mas depois acomodou-se, Outros seguem pelo resto de suas vidas, sem incomodar e como parte do jogo. O que se discute são os exageros.

Foi assim com Monica Seles. Quando ela surgiu seus gritos arrepiavam. Não parou nunca. Seus decibéis eram tão altos que Martina Navratilova tentou controlar. A tcheca naturalizada americana sentia-se perturbada, perdia a concentração. Nos dias de hoje, o sinônimo de gritos em quadra chama-se Maria Sharapova. No início da carreira, ela até faturou com isso. Seus grunhidos eram negociados como ‘toque’ de celular. Difícil que ela passe a ter esta característica sob controle.

Nos torneios juvenis que acompanhei recentemente a gritaria é geral. São provocativos e fazem parte de uma tentativa de intimidação. Curioso é que em competições até 18 anos nos Grand Slams, como Roland Garros, não se vê isso. Fica comprovado que pode, e deve, ser controlado. Exageros e trapaças abreviaram a carreira do austríaco maluco Daniel Koellerer, conhecido também como ‘Crazy Dany”. Enfim, usar este tipo de recurso para vencer um jogo, não faz parte da bonita história do tênis.

Não sei até que ponto vale tudo para vencer um jogo. O código de etiquetas surgiu para facilitar e dar condições iguais a todos. Sou do tempo em que não se aplaudia duplas faltas, só as boas jogadas mereciam o gesto. Hoje tem gente que comemora estas falhas como um gol.

Mulheres já ganham mais que os homens
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 21, 2013 às 11:35 pm

O que seria uma luta pela igualdade, transformou-se em vitória. Pelo menos no tênis atual as mulheres já ganham mais do que os homens. Esta é a nova realidade demonstrada pelo WTA Championships, torneio que reúne esta semana, as oito melhores tenistas da temporada em Istambul. E para desdenho dos marmanjões que estarão em breve em Londres, para o ATP Finals, a campeã invicta na Turquia irá embolsar um cheque de US$ 2.145 milhões, contra US$ 1,923 milhão de quem vencer de forma invicta na O2Arena.

Este fato ainda não é capaz de alterar o ranking de premiação. Este ano, o número um da ATP, Rafael Nadal recebeu só em prêmios US$ 10,8 milhões, enquanto a líder da WTA,.Serena Williams faturou US$ 9,9 milhões. A diferença torna-se ainda mais favorável aos homens se comparados os vice-líderes. Novak Djokovic embolsou até agora em 2013 US$ 8,5 milhões, enquanto Victoria Azarenka US$ 5,8 milhões.

O movimento feminino por prêmios iguais no tênis é histórico, com capítulos memoráveis e muitos outros polêmicos. Porém, jamais poderia se pensar que os ideais de Billie Jean King – a precursora na briga por prêmios iguais – pudesse superar as cifras pagas para os homens.

Tudo começou nos anos 70 de maneira humilde, simples, até transformar-se em realidade. Nos últimos anos os Grand Slams se adequaram e a este novo momento. O primeiro a aderir foi o US Open, que não criou subterfúgios. Resolveu e pagou todos com a mesma quantia. Outros Slams usaram uma linha mais sinuosa. Primeiro colocaram cheques de mesmo valor para os campeões de simples – homens e mulheres – mas o restante da chave de 128 jogadores apresentava diferenças.

Nos Grand Slams apareceram os críticos mais vorazes. Entre eles, uma lista enorme de tenistas famosos. Muitos não aceitam a batalha vencida pelas mulheres. Dizem que as mulheres só jogam partidas em melhor de três sets, enquanto homens suam a camisa em melhor de cinco. Eles ficam mais tempo em quadra do que elas. Porém, alguém me alertou nestes dias que Usain Bolt acumula fortunas em menos de dez segundos.

Parece ser uma briga sem fim. Nos primórdios da luta pela igualdade, no ano de 1971, Billie Jean King foi desafiada por Bobby Riggs, um ex-campeão de Wimbledon. O jogo ficou conhecido como a ‘Batalha dos Sexos”. O resultado da estranha exibição foi a vitória de Billie Jean, muito mais em forma na época do que seu soberbo oponente.

Na verdade, o resultado desta batalha dos sexos não refete o que acontece em quadra.  A mais forte tenista da WTA, a americana Serena Williams, não teria qualquer chance nem mesmo diante de um jogador de nível intermediário da ATP. Só que este não é o assunto em discussão. Afinal, se hoje elas estão recebendo mais é porque alguém está pagando. Ou seja, o tênis feminino está muito mais atraente, com bons patrocinadores e condições de premiar de forma condizente. Esta semana, as oito melhores da temporada de 2013 estarão em ação em Istambul dividindo uma premiação de US$ 6 milhões… em melhor de três sets.

 

A reconstrução do joelho de Nadal
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 11, 2013 às 7:27 pm

Deu no daily Mail, um dos mais sensacionais jornais britânicos, a história científica e pesquisada do que foi definido como a maior recuperação de um atleta jamais vista na história do esporte, ou seja, a reconstrução do joelho de Rafael Nadal. Esta semana, o espanhol reapareceu na liderança do ranking mundial. Revelou um retrospecto de 65 vitórias, incluindo dois títulos de Grand Slam. E o que pareceu ainda mais impressionante: sofreu diante de Novak Djokovic, na final de Pequim, a única derrota do ano numa superfície dura, o que em teoria seria o seu pior piso.

O jornal britânico coloca que é de conhecimento geral que Nadal aos 27 anos é um dos mais impressionantes jogadores de tênis da história. E seu retorno às quadras manteve esta mesma forma, também impressionante.

Pesquisas, consultas a vários especialistas, além de diversas entrevistas resultaram numa reveladora reportagem. A conclusão foi que a recuperação de Nadal esteve baseada em três importantes pontos. 1- trabalho duro; 2- máquinas especiais de última geração tecnológica; e 3 – o PRP, a terapia do Plasma Rich Platelet, uma técnica também conhecida como ‘blood spinning”.

Antes de colocar este milagroso tratamento é importante seguir todos os passos. Nada seria possível, não fosse a conhecida determinação de Rafael Nadal. Seu empenho não está restrito às quadras de todo mundo, mas especialmente na rotina de recuperação, com disciplina e rigor.

O segundo passo, que considero também dos mais interessantes, foi o uso de máquinas especiais criadas para sedimentar a recuperação. Uma delas possibilitou que Nadal fizesse exercícios aeróbicos como se estivesse com 30 quilos a menos. É isso mesmo, ele podia correr, exercitar-se sem colocar muita pressão no joelho em recuperação. Isso fez me lembrar, em contraponto, a rude recuperação de um outro monstro das quadras e da determinação: o austríaco Thomas Muster. Ele, depois de quebrar a perna ao ser atropelado por um taxista em Miami (na véspera da final do torneio) começou então a treinar numa cadeira de rodas. Muster era também impressionante. Certo ano em Flushing Meadows resolveu fazer polichinelos nos intervalos dos games para não ‘esfriar’. Estava lá e posso assegurar que, apesar de estarmos na sessão noturna, vivíamos uma calorenta noite de pleno verão no hemisfério Norte.

A terceira, e talvez mais curiosa, fase da recuperação de Nadal passou pela terapia PRP ou ‘blood spinning’. O também tenista espanhol Fernando Verdasco, que passou por várias sessões ao lado de Nadal, é quem deu maiores explicações da técnica, em entrevista durante Wimbledon. A técnica, a grosso modo, estaria em tirar o sangue, mixar e escolher a melhor parte para reinjetar nos tendões do joelho lesionado.

A prática chegou a ser proibida em 2010 pela a WADA, a agência mundial de controle anti-doping. Mas foi liberada no ano seguinte (2011) por entender que não se tratava de grandes transfusões. Apenas uma pequena porção de sangue é usada no tratamento.

A técnica atraiu o interesse de esportistas de diversas modalidades. Entre os que aderiram ao PRP está o golfista Tiger Woods, que também enfrentou sérios problemas no joelho. Mas nem só esportistas de alto nível estão recorrendo ao tratamento. Esportistas de fim de semana também experimentam os benefícios de uma rápida recuperação proporcionada pelo ‘blood spinning’.