Arquivo mensais:julho 2013

“Brasil Top Sem”
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 24, 2013 às 8:20 pm

O tênis brasileiro esta semana é ‘top sem’. Não estranhe a grafia. Não faz parte da reforma ortográfica, mas faz parte de uma triste realidade. Não temos mais jogadores entre os cem (agora sim com ‘c’, sem ironias) primeiros do ranking da ATP. Thomaz Bellucci, ainda o nosso número um, está em 113. O segundo melhor é Rogério Dutra Silva, 119, e o terceiro, João “Feijão” Souza, em 122. Entre as novas esperanças Guilherme Clezar está entre os 300 e Tiago Monteiro aproxima-se deste grupo.

Desde 2009, o Brasil não ficava fora do top 100 da ATP. E é importante que este fato sirva como um sinal de alerta. Difícil definir exatamente o que acontece, assim como parece impossível prever um novo cenário a curto prazo. A CBT, pelo que sei, não faltou com apoio aos tenistas profissionais. Conseguiu patrocínios, passagens e nos confrontos da Copa Davis tivemos uma estrutura de primeiro mundo, com técnicos, preparadores, médicos etc e tal.

Acredito que a melhor definição veio nas entrelinhas de uma entrevista de Bruno Soares, da modalidade de duplas que vive outra realidade. Ele deixou transparecer que vivemos uma entressafra. Seu sucesso, certamente, serve como incentivo, mas precisamos também de bons representantes no ranking de simples.

Não canso em dizer que Thomaz Bellucci tem grande potencial. Mas voltar a figurar próximo dos 20 primeiros será uma batalha pr’a lá de dura para o temperamento do nosso número um. Quase um recomeço. com diferentes condições e disposição. Subir novamente degrau por degrau é para poucos. Afinal, uma história parecida (é claro guardando as devidas proporções) ficou famosa na trajetória de Andre Agassi. O fato de Bellucci ter perdido dois Slams, Roland Garros e Wimbledon, deixando de faturar, pelo menos, 40 mil euros, não deixa dúvidas de que sua lesão foi série. Agora precisa de paciência para recuperar o ritmo, mas tem a pressão de precisar também de resultados.

Longe do grupo dos cem primeiros, o Brasil fica fora dos Grand Slams. Bellucci está dentro, pois o brasileiro tinha ranking para entrar no US Open. No feminino temos ainda uma esperança com Teliana Pereira. Mas, sei lá, será que isso é suficiente para o potencial brasileiro?

As frases, ou desculpas, de Federer
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 20, 2013 às 6:16 pm

Reparem que recentemente, coincidindo com as derrotas, Roger Federer apareceu com algumas frases inéditas em seu repertório. Algo para refletir e analisar o atual momento do genial tenista suíço, ainda respeitado como o maior de todos os tempos.

A primeira que me chamou atenção foi “não estou pior… os outros tenistas melhoraram”. Será? Não vejo uma nova geração ameaçadora. Afinal, acho que dá para contar nos dedos as novas caras no tour, com potencial de alcançar as primeiras posições no ranking mundial.

Agora, depois da eliminação em Hamburgo para o qualifyier, número 114 do ranking, o argentino Federico Delbonis, surgiram novas sintomáticas declarações: “o jogo escapou nos detalhes”, ou “os dois sets poderiam ter caído para os dois lados’. Por favor interpretem o que disse o 17 vezes campeão de Slam, que está usando um nova raquete, depois de dez anos. O velho Júlio Góes diria que uma boa tábua de bater carne resolveria o jogo diante de tamanha disparidade. Enfim, a mais plausível veio com “é decepcionante, mas derrotas assim acontecem”. É verdade… mas não devem se repetir com frequência.

 

Sharapova vai de Jimbo
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 13, 2013 às 9:41 pm

Não se pode negar que Maria Sharapova é uma vencedora. Com apenas 17 anos brilhou com o primeiro Grand Slam em Wimbledon. Para chegar lá, ela nunca mediu sacrifícios, algo que está acostumada desde a adolescência na Nick Bollettieri. Agora, a beldade russa dá mais uma prova de sua força de vontade e espírito vencedor: contratou como técnico outro vencedor, Jimmy Connors, na sua época conhecido como Jimbo.

Para quem não se lembra, Connors teve uma das mais gloriosas e longas carreiras da história. Por 16 anos esteve no grupo dos top ten. Chegou a afastar-se do circuito por um período e quando voltou, já veterano, ninguém acreditava em seu sucesso. Ele desafiou a todos com brilhantes campanhas.. São 109 títulos na carreira… nada mal hein?

Confesso: sempre que a chance me permitia não perdia um jogo de Connors. Olhava a ordem dos jogos e se tivesse o horário disponível lá estava eu na sua quadra. Seu jogo é dinâmico. Batia a bola na subida. Arrastava os pés para caminhar, meio desleixado, quase dissimulado. Mas com a bola em jogo era feroz vencedor. Não desperdiçava nenhuma oportunidade. Quase que eternizou uma raquete de metal, se não me engano a T 2000. Acho que ainda tenho uma guardada no depósito. Um equipamento para craques.

Sua técnica era ofensiva, apesar de em sua época definirem os jogadores de fundo de quadra como defensivos. Seu follow through era lá para a frente. Seu comportamento em quadra… um show. Explosivo, irônico, brigador. Casou-se com Patty McGuire, ex-coelhinha da Play Boy, mas chegou a formar o casal 20 do tênis com Chris Evert.

Com Maria Sharapova também deve formar uma boa parceria. Acredito que pode determinar uma nova era para a tenista russa. Se, pelo menos, revelar os segredos de sua devolução de saque, já será um tremendo sucesso. Acho que ele tem muito a passar a Sharapova. E agora ainda mais tenho novos motivos para acompanhar de perto os jogos da beldade russa. Afinal, se não perdia um jogo de Jimbo, por que abandoná-lo neste seu novo desafio?

E agora Federer?
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 9, 2013 às 9:38 pm

O título de Wimbledon ficou com Andy Murray. A liderança do ranking é de Novak Djokovic. Rafael Nadal não tem pontos para defender até o final da temporada. E o todo poderoso Roger Federer caiu para a quinta posição. Sua pior classificação no ranking desde 2003. E agora, que já passou dos 30?

Ano passado, praticamente nesta mesma época do ano – um pouco antes para ser mais exato – às vésperas do torneio de Wimbledon, Roger Federer era dado como acabado, à beira da aposentadoria. Só que, de repente, ganhou mais um título no All England Club, recuperou a liderança do ranking. Encerrou com autoridade todas as especulações.

O cenário atual, trouxe-me a lembrança a emocionante despedida de Pete Sampras. Nenhuma relação com o momento de Federer. Apenas uma lembrança. O norte-americano estava distante dos troféus, mas ganhou o US Open num dia clássico da história do tênis mundial.

Roger Federer revela excelente forma física. Como se diz por aí, não é o tipo de jogador que sofre com as contusões, embora a sua biografia revele que as lesões o acompanham ao longo da carreira. Pela sua genialidade, suas expectativas são sempre das melhores. Não há como duvidar de sua capacidade de reação.

Lembro, porém, de uma de suas mais marcantes declarações. Disse certa vez, com ênfase, que para ele nada mais interessa do que ser o número um. Dois, três ou quatro, e agora cinco, é a mesma coisa, ou seja, para ele pouco vale.

A briga pela liderança do ranking promete ser boa nos próximos meses. Djokovic está em larga vantagem. Murray defende dois mil pontos do US Open. Rafael Nadal vive um momento cômodo, sem pontos para defender. Um verdadeiro alívio e um handicap enorme para um jogador de sua categoria. E Roger Federer… o que esperar?

O Salvador da Pátria
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 7, 2013 às 8:52 pm

Com muitos dos grandes nomes escorregando na grama e ficando pelo caminho, a vitória de Andy Murray o transforma no ‘Salvador da Pátria” de um Wimbledon que poderia ficar conhecido como um dos piores que se tem ideia. Nada, porém, de se pensar que as coisas ficaram fáceis, sem Rafael Nadal ou Roger Federer. O campeão mostrou merecimento. E sob os olhares de Ivan Lendl, o tenista escocês virou herói nacional… que pasmem os ingleses.

Acreditem… é um momento muito mais que histórico… e sim revolucionário. Em Dunblane, cidade natal de Murray, o ‘local boy’ já recebeu homenagens marcantes, num domingo de festa para os escoceses. As gaitas de foles ganharam volume, de um povo desprendido, como diz o grito de guerra “here we… here we… fucking go”.

Esta é uma realidade. Enquanto vence, Murray sempre defendeu as cores britânicas, mas ao perder voltava a ser um simples escocês. A partir deste domingo não. As cores de sua bandeira mantém-se as mesmas em azul e branco, só que agora, mais do que nunca estão embutidas na do Reino Unido, no azul, branco e vermelho. Sinceramente estou curioso para ler nos jornais ingleses como foram as comemorações em Londres.

Murray fez história. Todos sabem que um britânico não vencia o Grand Slam inglês desde 1936 com Fred Perry, nome que se transformou em marca, onde ostenta como símbolo um louro da vitória. Nada mais significativo. Será que Murray irá se transformar em grife? Sinceramente não acredito. A Fred Perry surgiu como concorrente da francesa Lacoste. Hoje o consumo mundial é bem mais abrangente do que o eixo Paris Londres.

Mas não há dúvidas de que o impacto da conquista do escocês será enorme. Assim, como deve ser enorme a satisfação de Ivan Lendl. O tenista tcheco naturalizado norte-americano chegou certa vez a declarar que trocaria seus troféus de Grand Slam por um de Wimbledon. Esteve em duas finais, mas não sentiu a emoção de vencer na grama. Na época seu estilo de jogo não era favorável. Hoje Murray jogando ao mesmo jeito levou o título.

Não se pode dizer também que Novak Djokovic tenha jogado mal. Pelo contrário esteve bem. Mas escorregou. Não sei até que ponto o piso prejudicou a atuação do sérvio. Mas ele reconheceu o bom momento do britânico. E como foi legal os país de Djokovic irem cumprimentar a mãe de Murray ao final da partida.

Todas essas cenas salvam duas semanas de frustrações com as incríveis eliminações deste torneio. Não fosse por Murray, a gente ficaria com a lembrança de que Wimbledon deste ano teria a cara de Marion Bartoli.

Enfim boas notícias do SW-19
Por Chiquinho Leite Moreira
julho 4, 2013 às 10:14 pm

Não dá para deixar de celebrar a classificação de Marcelo Melo para a final de duplas de Wimbledon. Mas depois de tantas surpresas com as eliminações de Rafael Nadal, Roger Federer, Maria Sharapova e Serena Williams, outras boas notícias, enfim, vieram do SW-19, como os londrinos gostam de chamar o subúrbio de Wimbledon. Uma delas é a presença de.Sabine Lisicki na final.

Até então, ela era apenas conhecida como a responsável pela eliminação de Serena Williams. Agora, passa a ser a primeira alemã, desde 1996 com Steffi Graf, a alcançar a final do Grand Slam inglês. Seu sobrenome, porém, deixa clara suas origens no Leste Europeu. Aliás, desde a Perestroika e Glasnot, a imigração para a Alemanha dos países da antiga Cortina de Ferro aumentou bastante. Sem dúvida alguma marcou o início do que se chama hoje de globalização.

Lisicki já é nascida na Alemanha. As informações dão conta que ela treina na Academia de Nick Bollettieri. Suas pernas fortes e bonitas encantavam o narrador Rui Viotti, e ela mostra também uma contagiante simpatia. Mas, é claro, que tem armas mais poderosas do que o seu charme. Seu serviço é um dos mais eficientes entre as mulheres este ano em Wimbledon.

Curiosamente fiquei sabendo que na sala de imprensa do All England Club a história que mais chama atenção é de uma antiga lesão no tornozelo de Lisicki. Por conta disso ficou afastada das quadras por cinco meses… e a frase mais contundente que emocionou a todos … é que teve de reaprender a andar. Forte não?

Sua adversária na final, Marion Bartoli, também tem suas histórias. Recentemente brigou com seu pai, Walter, seu treinador desde o início da carreira. Passou a trabalhar com a ex-campeã Amelie Mauresmo, mas a francesa disse que quer ver seu pai na decisão deste sábado. Esta relação entre pai e tenista por diversas vezes criou situações constrangedoras. Quem não se lembra de histórias como as de Jelena Dokic, de Mary Pierce e até de Maria Sharapova. Mas uma coisa não se pode discutir. É incrível que uma tenista meio gordinha, de estilo típico e gestos frenéticos tenha alcançado resultados tão expressivos em sua carreira. E como dizem, numa final é 50% para cada lado.