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Wimbledon longe de uma nova era
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 30, 2013 às 3:31 pm

Depois de uma semana de muitos escorregões em Wimbledon, com as quedas de Rafael Nadal e Roger Federer, e outros literais que tiraram 13 jogadores de combate, muito se falou sobre o aparecimento de uma nova era. Entendo que este novo momento estaria sim determinado se os protagonistas das surpresas estivessem nesta segunda semana. Steve Darcis não conseguiu jogar na rodada seguinte a eliminação do espanhol. Também não é uma estrela nascente. O linguarudo ucraniano Sergy Stakhovsky viu que seu estilo deu certo uma vez, mas resultou na sua eliminação do torneio.

Não dá também para dizer que Federer esteja acabado. Mas existe uma verdade. O suíço não vem jogando bem. Nada de dizer que os outros melhoraram, mas sim enxergar que seu tênis revelou uma queda de rendimento.

Não dá também para dizer que Nadal esteja derrotado. Apenas que seu jogo na grama fica comprometido com o problema no joelho. A superfície exige pernas flexionadas o tempo todo e isso, por ora, é fatal para o espanhol. Mas sejamos francos, a temporada de grama ocupa apenas quatro semanas no calendário e não fosse Wimbledon nem existiria mais.

A grama era uma superfície dominante nos primórdios, mas não cabe mais ao tênis moderno. Austrália e Estados Unidos viram isso há muito tempo. Só que o consevardorismo britânico jamais vai admitir uma mudança. Para quem não sabe, o torneio que exige o branco como cor predominante, foi a última competição do tênis a usar as bolinhas amarelas. Isso num tempo em que no mundo todo já era difícil encontrar as brancas. Pelo que lembro, no Brasil tinha ainda uma caixinha azul de seis da Mercur… e só.

As coisas mudam e uma nova era é determinada por novas caras. Um dado interessante coloca este fato em contraponto. Em Wimbledon 2013 nove classificados para as oitavas de final estão com mais de 30 anos: Lucas Kubot, Tommy Haas, Julger Melzer, David Ferrer, Mikhail Youzhny e no feminino Serena Williams, Li Na, Flávia Penetta e Roberta Vinci.

É claro que há novos nomes nesta segunda semana, como o francês Kenny de Schapper. Mas das novas promessas ficou apenas Jerzy Janowicz, pois Grigor Dimitrov foi embora. E para quem ele perdeu? Acho que ninguém lembra, mas ninguém esquece que sua namorada estava ali. Novos tempos… nova era?

O que fazer na traiçoeira grama
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 23, 2013 às 4:03 pm

No começo, a grama dominava os Slams. Era a superfície do Aberto da Austrália, do US Open e, é claro, de Wimbledon, em que permanece até hoje. Apesar do amplo domínio de outros tempos, atualmente a temporada está reduzida a apenas quatro semanas. Sendo que duas delas estão no All England Club. Portanto, quem não consegue vaga entre os 128 classificados, volta ao saibro ou  dá início às competições no cimento.

Não há quadras de grama espalhadas pelo planeta. No Brasil tinha uma no hotel do Frade, local em que Gabriela Sabatini escolheu certa vez para treinar para Wimbledon. Por isso, muitos jogadores chegam para o Grand Slam inglês sem a mesma preparação de outras competições.

Além das poucas quadras de grama, as dificuldades são muitas para se treinar. Não é preciso nem dizer que chove muito, nesta época do ano, na Inglaterra. Em Wimbledon, por exemplo, ninguém faz o chamado treino de reconhecimento, tão comum em todos os outros torneios. A venerada quadra central, chamada de Tempo Sagrado do Tênis, só abre mesmo nesta segunda-feira para receber o campeão do ano passado.

Onde treinar então? No All England Club existe um canto, onde fica do Aorangi Park. São quadras coladas uma nas outras, em que costumam estar em ação quatro tenistas. Não, não se trata de duplistas, mas sim jogadores de simples que são obrigados a dividir o espaço. É necessário entrosamento. E a parte ‘mais emocionante’ fica para quando decidem treinar cruzadas. São bolas passando de um lado para o outro, lembrando àquelas máquinas de pipocas dos cinemas.

Rafael Nadal esteve sábado batendo bola do Aorangi Park. Conseguiu uma quadra só para ele. Privilégio que não teve Roger Federer, que bateu bola com Lleyton Hewitt, ou mesmo Andy Murray que precisou ter Ivan Lendl ao seu lado e não à sua frente, como algumas vezes é importante.

Lembro que certa vez chovia tanto em Londres que Guga estreou no torneio sem ter jogado uma vez sequer na grama. Batia bola numa quadra coberta de carpete. Ainda assim chegou as quartas-de-final, quando caiu diante de Andre Agassi. Kuerten tinha muita facilidade para o jogo. A primeira vez que entrou direto na chave principal de um torneio profissional na grama precisou de apenas um set para pegar algumas malícias. Estava em Nottingham, em 1997. À sua frente o canadense britânico Greg Rusedski, um especialista na superfície. No primeiro set, o brasileiro não viu a cor da bola. No segundo teve set point e perdeu por 7 a 5.

A grama é uma superfície traiçoeira. Tem peculiaridades. O piso tem suas irregularidades, apesar de ser bem cuidado, com uma grama chamada perennial ryegrass, ideal para o jogo moderno, por ser mais resistente. Afinal, hoje as trocas de bolas são bem mais constantes, comparado aos tempos de Goran Ivanisevic ou Pat Rafter, Pete Sampras, John McEnroe. Para isso, basta observar que a grama fica desgastada na linha de base apenas, enquanto em outros tempos formava um triângulo até a rede.

Esta nova grama que é usada desde 2001, segundo os jardineiros de Wimbledon, não afeta a velocidade do jogo. Apenas torna a bola mais pesada e lenta nos dias de frio e céu encoberto e ao contrário nos dias secos e quentes.

Enfim, a grama exigiria uma preparação muito mais ampla do que se tem observado. Mas não se pode dizer que a qualidade do jogo cai durante Wimbledon. E, por isso, como será que entram em ação os principais favoritos?

Nadal e Novak Djokovic não fizeram parte de torneios preparatórios. Roger Federer e Andy Murray jogaram para ganharem adaptação. Ambos foram campeões. O suíço em Halle e o escocês em Queen’s. Mas, sinceramente, nenhum dos dois jogou assim tão bem para se dizer que estão melhor preparados do que Nadal e Djokovic.

O jeito é esperar pelo início da competição. As portas se abrem para um rodada e tanto. Afinal, começa pela parte mais forte da chave, com Federer, Nadal e Murray em ação

Nadal confessa a maior emoção em RG
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 9, 2013 às 6:22 pm

Nem a histórica conquista do 8.o Roland Garros, o colocando como o tenista que mais vezes venceu um mesmo Slam, superando nomes como Roger Federer e Pete Sampras – sete vezes campeões de Wimbledon- comoveu Rafael Nadal. Para o espanhol, este título de 2013 foi o mais emocionante de sua vida, pelo fato de ter significado um renascimento. Como o mito de Fênix saiu das cinzas ainda mais forte.

O calvário de sete meses fora das quadras marcaram Nadal. As dúvidas sobre o seu futuro levaram o espanhol a mudar seus valores. As perguntas eram muitas, como a de será que conseguiria voltar a ser competitivo outra vez? Será que poderia seguir jogando?

Para chegar ao título neste domingo em Paris, Nadal teve de cumprir metas. Subiu degrau por degrau, sem medir esforços. Voltou a disputar torneios menores, superando gradativamente  os obstáculo desde um 250, para um 500,  ou um 1000 até o seu Grand Slam favorito.

Por isso, esta vitória em Paris teve um significado especial para Rafael Nadal. O espanhol revelou-se agradecido a todos. Desde a família, sua equipe, amigos e até mesmo as inúmeras mensagens nas mídias sociais. Garantiu que cada uma delas foi especial. Todos os incentivos foram importantes na conquista deste título. Que, na realidade, não começou há duas semanas, mas sim em Viña Del Mar, passando por São Paulo, Acapulco e todas as outras competições que disputou até a oitava consagração em Roland Garros.

Serena hors concours
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 8, 2013 às 5:58 pm

A influência francesa acentuou a ideia. Não dá mais para Serena Williams jogar o tour na mesma categoria das demais tenistas. Terá de ser dado a norte-americana o status de hors concours. Diante de uma adversária que esteve bem, jogou no seu máximo, como Maria Sharapova, ela venceu por duplo 64. Comemorou o seu segundo troféu em Roland Garros e aos 31 anos está num nível acima das demais jogadoras.

O tênis feminino já contou com destaques marcantes, como Steffi Graf, com 22 títulos de Grand Slam. Martina Navratilova chegou também a ser considerada com um padrão acima das demais. Mas, a tcheca naturalizada norte-americana perdia para a número dois, três, quatro e outras.

Agora a situação está irreal. A número um não perde para a número dois. Serena mostrou que o tênis feminino precisa melhorar em todos os aspectos. Por exemplo, enquanto ela saca a 195 km/h, as outras não chegam nem perto. Nas semifinais, então, a diferença de nivel esteve gritante. A italiana Sara Errani venceu apenas um game. Ora, isto é comum acontecer nas primeiras rodadas da chave feminina de um Grand Slam, mas numa semifinal não deveria ser normal. Mas foi.

Serena Williams conquistou em Paris o seu 16. trofeu do Grand Slam e se continuar jogando neste nivel poderá chegar aos 22 de Steffi. Apenas como adversária terá ela mesma, como as contusões ou coisa parecida.

 

Quem pode parar Nadal
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 7, 2013 às 7:35 pm

Logo depois da Batalha de Roland Garros apareceu no FB de uma federista das mais fanáticas a frase: quem pode parar Nadal. Novak Djokovic bem que tentou e teve a chance. Não aproveitou e vai ter de esperar por, pelo menos, mais um ano para fechar o seu carreer Grand Slam. Ainda não foi desta vez que a Copa dos Mosqueteiros vai enfeitar a prateleira de sua casa.

Méritos para Rafael Nadal. Esteve mais forte tanto fisicamente, como no aspecto psicológico. No quarto set, ao sacar para o jogo e não fechar a partida manteve sua intensidade. Embora, como sempre acontece com o jogador que vem de placar abaixo levou a decisão para o quinto set. Djokovic saiu com um break. Não manteve e ao final viu Nadal comemorar sua classificação para sua oitava decisão de Roland Garros. O espanhol pode tornar-se no tenista com maior número de torneios num mesmo Slam, superando os sete títulos de Pete Sampras e Roger Federer em Wimbledon.

Nadal confessou que chegar a final de Roland Garros 2013, parecia ser um sonho impossível há quatro meses. Sua volta ao circuito esteve marcada por incertezas, apesar do enorme sucesso. Confessou que tinha de pensar apenas no dia a dia. Em São Paulo, no Brasil Open, falou que não vinha a sua cabeça qualquer pensamento do próximo torneio em Acapulco. Mas no México festejou a melhor atuação desde sua volta, justamente com uma convincente vitória sobre seu adversário de domingo, David Ferrer. É lógico, que o resultado diante de Djokovic, supera em todos os aspectos as melhores atuações do ano do espanhol. Foi um jogo que o fez lembrar da decisão do Australian Open, também diante do sérvio.

O inesperado fez parte deste incrível volta de Nadal às quadras. Sua campanha em Indian Wells, num torneio que não fazia parte de seu calendário apagou dúvidas e deu confiança ao tenista para chegar a temporada euorpeia de quadras de saibro com nível capaz de conseguir os resultados esperados. Perdeu em Monte Carlo, mas não desanimou.

Por isso, é bom repetir uma frase de Rafael Nadal para definir este seu retorno às quadras e a decisão de Roland Garros: “melhor impossível”.

 

Djoko e Nadal fizeram 4as. parecerem fáceis
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 5, 2013 às 7:06 pm

O sol finalmente brilhou forte na primavera parisiense. Num dia de calor, Novak Djokovic e Rafael Nadal transformaram as quartas de final em jogos fáceis, sem sofrimentos ou muito suor. Talvez até tenham tido menos trabalho para vencer, do que enfrentaram na rodada anterior.

Os dois chegam onde todos esperavam, depois do que o sistema eletrônico de sorteio das chaves determinou: um duelo nas semifinais. Não vejo como apontar um favorito. Números, head to head, análises de estilos… acho que nada disso funciona. Ao meu ver, só o coração pode falar.

Djokovic tem seus motivos. Busca o primeiro Roland Garros. No início da semana atribuiu à morte de sua primeira treinadora, Jelena Goncic, um motivo a mais para ganhar o título. Nadal não é e nunca foi de ‘entregar o osso’. Se vencer Roland Garros pela oitava vez, passará a ser o tenista com maior número de títulos num mesmo Slam. Supera nomes como Roger Federer ou Pete Sampras. Mais do que o suficiente para levar o espanhol à vitória.

 

Muhammad Ali nocauteia Federer
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 4, 2013 às 5:38 pm

Na primeira vez que Jo-Wilfried Tsonga fez sucesso em Paris, ganhou o apelido de Muhammad Ali, em razão de sua incrível semelhança com o ex-pugilista norte-americano. Hoje, quase ninguém mais lembra disso. Mas, de repente, suas direitas me pareceram verdadeiros diretos. Um golpe capaz de levar a nocaute o suíço Roger Federer.

Tsonga é um jogador estilo pesadão. Só que está incrivelmente leve na terra batida. Sua direita vem causando estragos. Pega este golpe do mesmo jeito de Nadal (é claro que o espanhol pelo outro lado, por ser canhoto) e é a melhor arma da atualidade para o saibro.

Com esta vitória Tsonga mantém o sonho francês de ter um campeão no masculino, depois de 30 anos. A última conquista veio com Yannick Noah, em 1983, com vitória sobre o sueco Mats Wilander.

Sem tirar os méritos do tenista francês, ficou claro também que Roger Federer esteve abaixo de seu padrão. Cometeu erros incríveis e perdeu o jogo.

Situação semelhante viveu a norte-americana Serena Williams. Depois de um primeiro set tranquilo, por pouco não deixou escapar sua classificação para as semifinais, jogando com a russa Svetlana Kuztensova. A diferença é que Serena venceu, mesmo jogando mal. E isso é característica das grandes campeãs.

 

O termômetro para Federer
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 2, 2013 às 8:32 pm

Um pouco antes de o jogo de Roger Federer e Giles Simon começar, o mestre Thomaz Koch avisou-me: “depois de três rodadas tranquilas, esta partida será um termômetro para o suíço”.

Sinceramente não sei dizer se o termômetro subiu ou desceu. Se o jogo do Federer esquentou ou esfriou. Ele ganhou e, é claro, que a ideia fica pelo lado positivo. Passou um duro teste e caminha rumo as finais. Alcançou a incrível marca de chegar pela 36a. vez consecutiva às quartas de final de um Grand Slam. Sem contar a celebração de sua vitória de número 900 no tour.

Não dá para reclamar. Mas entre o frio e o displicente fiquei na dúvida em qual das duas condições colocar o suíço. Após vencer o primeiro set, ele entrou num longo período de erros não forçados. Parecia mesmo que iria embora. Não só pelo bom momento de Giles Simon, mas especialmente pela linguagem corporal que revelava..

Ameaçado de dizer adeus ao torneio, ainda nas oitavas de final, o que não acontecia num Grand Slam desde sua derrota para Gustavo Kuerten em 2004, Roger Federer voltou a vibrar. E assim recuperou seu nível, seu padrão de jogo. Venceu no quinto set para agora desafiar o francês Jo-Wildried Tsonga. A tendência é a Philippe Chatrier voltar a viver um clima eletrizante. Mas, será que se Federer tivesse passado por estes momentos de instabilidade diante de Rafael Nadal ou Novak Djokovic ele ainda estaria no torneio? Acredito que o termômetro dele iria ferver.

Um duro golpe para Djokovic, após a 500a. vitória
Por Chiquinho Leite Moreira
junho 1, 2013 às 8:34 pm

O dia seria de celebração para Novak Djokovic. Ele jogou um bolão. Vingou-se da derrota em Madri ao bater o búlgaro Grigor Dimitrov em três sets. Comemorou a vitória de número 500 em sua carreira. E manteve o sonho de conquistar Roland Garros, pela primeira vez.

Só que depois do jogo – e propositalmente neste momento – ele soube da morte de Jelena Gencic, aos 77 anos, em Belgrado. Ela teve um papel importante na sua formação como jogador. Ao seis anos, o colocou no tênis e ao longo da vida manteve-se como uma influente conselheira.

A vida de Novak Djokovic esteve marcada por contrastes. Alegrias e sofrimentos. Sacrifícios e conquistas. Já sabia por outras fontes. Mas, há alguns meses, tive a oportunidade de fazer a adaptação técnica de seu livro, recentemente lançado no Brasil. Não tive tempo e ver o produto final, mas conferi os diversos momentos da vida do tenista relatados em muitas páginas.

O Leste Europeu é marcado por revoluções, guerras. Mas a da antiga Iugoslávia não tenho dúvidas de que foi uma das mais violentas e desumanas da história da humanidade.

É difícil saber como Novak Djokovic irá reagir no torneio. Pelo que mostrou diante de Dimitrov não vejo dúvidas de que está na lista dos mais fortes candidatos, ao lado de Rafael Nadal. Talvez, um título em Roland Garros apage toda sua tristeza, com uma enorme dose de alegria, o que acho que só a Copa dos Mosqueteiros nesta hora pode proporcionar.