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O milagroso remédio de Sharapova
Por Chiquinho Leite Moreira
março 8, 2016 às 6:48 pm

De olho na mídia internacional dá para pensar que os efeitos mágicos do Mildronate, como é comercializado o medicamento que contém a substância Meldonium, podem levar Maria Sharapova a viver os dias mais negros de sua brilhante história. Embora, ela tenha recebido muitas mensagens de apoio, dizendo que não teve a intenção de tirar proveito e só o fazia uso terapêutico para tratar de uma deficiência de magnésio e histórico familiar de diabetes, não há como desconhecer os efeitos benéficos a um atleta de alto nível.

Para uso comum, o Mildronate, segundo pesquisas veiculadas em jornais europeus, foi lançado para tratamento do coração, síndrome de abstinência alcoólica, entre outras indicações. Aos atletas efeitos mágicos: melhora rendimento, combate o stress, facilita recuperação após exercício, enfim, restaura o corpo rapidamente. O Meldonium é uma molécula sintética que pode ser injetável ou consumido em cápsulas.

O sucesso do medicamente levou o laboratório fabricante na Letônia a faturar mais de 150 milhões de euros anuais. Mesmo que o produto não seja vendido nos Estados Unidos e Europa Ocidental.

Em pouco tempo de proibição, apenas colocado como substância dopante pela WADA agora em janeiro, esta droga já foi responsável pela suspensão de alguns outros atletas. A UCI – União de Ciclismo Internacional – puniu o ciclista russo Eduard Vorganov, da equipe Katusha. O campeão da maratona de Tóquio em 2015, o etíope Endishaw Negresse também foi punido pelo uso da substância. Talvez, não por acaso, outros russos, como o casal de patinação artística EkaterinaBobrova e Dmitri Scloviev, bronze no campeonato europeu realizado recentemente na Bratislava, também estão suspensos.

Para mim, o fato mais curioso dessa história é o de que Maria Sharapova fez uso deste medicamento, segundo ela afirmou, por mais de dez anos… sem alardes. E o pior, como seu staff não viu que a partir deste ano a droga estava proibida? Um vacilo?

Antes de tirar qualquer conclusão, porém, é aguardar o julgamento a ser feito pela ITF. Nada como esclarecer em detalhes e deixar a situação clara e limpa.

O triste capítulo na história de Maria
Por Chiquinho Leite Moreira
março 8, 2016 às 1:37 am

Longe do glamour, da glória, da fama e fortuna Maria Sharapova teve uma vida de sacrifícios. Originária da Sibéria, ainda quando criança foi deixada na academia de Nick Bollettieri, na Flórida, assim como um recém nascido é abandonado numa cesta à porta de uma casa de família para ser criado. Cresceu, tornou-se campeã… uma vencedora. Não merecia ter este triste capítulo na sua história. E terá de enfrentar as consequências, punição, etc e tal.

No início de sua vida no tênis, Maria passou dois anos longe da família, sem sequer encontrar-se  com sua mãe. Por isso, talvez, tenha marcado o seu primeiro título de Grand Slam, em Wimbledon, com cena memorável. Um lance que para muitos não passou de marketing. Mas, acredito eu, que uma menina aos 17 anos, na celebração de um troféu histórico, pegar o celular para falar com a mãe nada mais foi do que um gesto sincero.

A decisão da família em deixar a jovem promessa russa nos Estados Unidos não deve ter sido uma nada fácil. Sharapova nos seus primeiros anos de tour relatava dificuldades de relacionamento. Diz que sofreu discriminação na academia de Bollettieri, mas jamais desistiu.

Hoje, ela enfrenta mais um impasse. Se forem verdades suas alegações, difícil entender. Mas não teve atitude correta e tem de pagar. Sharapova contou que desde 2006 fazia uso de um medicamento Mildronate, que possui em sua fórmula o Meldonium. Este ingrediente passou a fazer parte da lista de substâncias proibidas a partir deste ano. Como afirmou não ter reparado na alteração da lista distribuída em dezembro de 2015 seguiu usando o remédio que seria para reposição de magnésio e também prevenção para o histórico familiar de diabetes.

Por ora, Maria Sharapova recebe uma suspensão provisória. Assumiu a responsabilidade pelos seus atos ao anunciar que foi reprovada no teste antidoping durante o Aberto da Austrália. Foi comunicada no dia 2 deste mês e no dia 7 enfrentou a situação. Estava sozinha, aliás, como já viveu em boa parte de sua vida, também enfrentando dificuldades. Forte, revelou que não quer terminar a carreira dessa forma. Mas jamais conseguirá apagar este triste episódio de uma brilhante vida no mundo do tênis…

Só um ‘shot’ de Tequila
Por Chiquinho Leite Moreira
março 2, 2016 às 4:33 pm

Só mesmo um ‘shot’ de tequila, como fez Roger Federer no tapete vermelho do Oscar e sentir o efeito Glória Pires para entender a preparação de Rafael Nadal aos torneios de quadras duras nos Estados Unidos. Depois de decepcionar em Buenos Aires e Rio, o espanhol viajou para Cuzumel. É um lindo lugar. Endereço sonhado para os amantes do mergulho. Mas sei lá… dizer que está se preparando para Indian Wells e Miami, pois as condições são semelhantes as da Califórnia e Flórida, não passa de uma desculpa esfarrapada. É claro que ele tem de cumprir os compromissos com patrocinadores, no caso o Ibero Star. Mas seria este o melhor momento?

Todos os anos, Nadal família e cia viajam para Cozumel, que fica cerca de 60 quilômetros de Cancun, no México. O espanhol leva um grupo enorme. Mas entre tantos convidados não está, por exemplo, o seu principal patner em quadra: Francisco Roig, que foi um bom tenista e faz parte do staff do tio Toni. Bem… esperar para ver o que acontece nos Masters de IW e Miami.

Aliás, Roger Federer já anunciou que não joga na Califórnia e deve fazer o mesmo na Flórida. Seria realmente difícil esperar que o suíço resolvesse voltar de uma cirurgia no joelho, justamente nas exigentes quadras de cimento. É aconselhável que espere por uma melhor oportunidade.

E quem aproveitou bem as oportunidades dadas com wild card no Rio e em São Paulo foi o ‘Ceará’, Tiago Monteiro. Ele jogou bem nas duas semanas e, embora todo cuidado seja pouco, pelo menos no Esporte Clube Pinheiros deu ao ´público o gostinho de torcer. Mesmo eliminado em três sets para Pablo Cuevas, o tenista brasileiros saiu aplaudido de quadra. Que continue assim.

O que será de Nadal?
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 21, 2016 às 9:47 pm

O que será, que será?
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza

Eis a questão para Rafael Nadal. O que será? Se o maior jogador da história no saibro não consegue mais vencer no seu terreno preferido. A letra de Chico Buarque de Hollanda merece reflexão. Afinal, há muita gente se perguntando em todos os cenários descritos no verso acima.

Será que está na natureza? Difícil dizer. O certo é que o nove vezes campeão de Roland Garros anda em busca da reabilitação. Mas qual o caminho? Prefiro entender como Carlos Moya. O espanhol também ex-número um do mundo – hoje ao lado de Milos Raonic – acha que seu compatriota está desorientado. Seria então o momento de buscar uma mudança radical.

Aparentemente esta inacreditável virada  já pode estar acontecendo. Seu tio, Toni, quase não foi visto no Rio Open. Andou discreto pelos cantos, no que pode ser um sintoma do conformismo e da aceitação de que seu ciclo chegou ao fim.

Mas será que uma mudança de treinador irá levar de volta Nadal ao seu melhor tênis? Pode ser sim o caminho. Mas o que se sussurra em versos e trovas é que o espanhol sacou a 130 km/h, que sua direita não machuca e que suas pernas não estão assim mais tão rápidas.

É preciso entender o que anda pelas cabeças do tenista e seu staff. Porque ouvir apenas o que se fala pelos botecos não vai levar a nada. Com 29 anos, ainda há muito tempo para recuperação, mesmo para um corpo já tão desgastado e sofrido.

Seja o que for, para quem goste, admire ou deteste, ou até quem atire pedras. É preciso aceitar que Nadal é um gênio. Sua situação hoje é difícil. Quem não torce por ele, que pelo menos tenha o respeito.

Nadal brilha no RioOpen 40 graus
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 19, 2016 às 3:37 am

Cheguei e não choveu… brincadeira gente. Mas tive a sorte de ter sido recebido no Rio Open com toda a pompa a circunstância. O sol brilhou forte, romanticamente bateu os 40 graus, e já no entardecer, com gostosa brisa marinha, Rafael Nadal venceu Nicolas Almagro. Confesso, o jogo não empolgou. Mas o nove vezes campeão de Roland Garros fez o público aplaudir de pé um de seus pontos. Relembrou os seus bons tempos. Interessante seu carisma… é um gênio e dever ser reverenciado mesmo nesta difícil fase.

Muito legal ver como o público torce por Nadal. Aplaude suas melhores jogadas e mantém fortes esperanças de ver o espanhol novamente brilhando com todas as cores, como já fez em outras épocas. Em entrevista, após o jogo, ele revelou que o melhor rendimento de seu jogo esta semana vem junto com a sua condição física. Em Buenos Aires sofreu com problemas estomacais. Agora, no Rio, sente aquele cheiro de vitória. Mas não se pode esquecer ou desprezar seu adversário desta sexta-feira: Alexander Dolgopolov… um perigo.

Não se trata de torcer por Nadal. Mas um evento como o Rio Open merece ter grandes astros nas finais. O Jockey Club do Rio de Janeiro revela-se cada vez mais numa sede aconchegante, charmosa e atraente. Acho difícil ver este evento indo para a Complexo Olímpico da Barra. A não ser que se transforme num 1000.

Andando pelas alamedas e quadras, o entusiasmo pelo tênis estava visível em todos os rostos. Deu até p’ra esquecer um pouco o atual momento. O brasileiro merece estes bons momentos.

Para celebrar, o sol brilhou. E muito forte nesta quinta feira. O calor e a umidade pegaram para quem jogou no meio da tarde. Foi o caso de David Ferrer. Tanto é que saiu perdendo para Albert Ramos Vinoles e suou literalmente a camisa para virar o jogo.

Não sei se estava com a cabeça quente, mas chutou o balde no mau humor. Reclamou… disse que com este calor e alto índice de umidade tudo pode acontecer… até Tiago Monteiro ganhar de Jo-Wilfried Tsonga. Ora, não sei se na Austrália as condições são melhores. Ora, a umidade e o calor no US Open, em pleno verão nova-iorquino, são arrasadores. Enfim, Ferrer veio ao Brasil por algum motivo forte… não fosse isso estaria jogando em outro lugar. Cuspiu no prato que comeu.

Melhor olhar p’ra frente. E se a chuva deixar nesta sexta feira, a rodada promete novas emoções neste Rio Open.

Partiu … #rioopen
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 14, 2016 às 9:02 pm

A participação de Rafael Nadal e cia no Rio Open abre uma grande expectativa para o Torneio Olímpico do Rio 2016. Não que o ATP jogado no saibro do belo Jockey Club seja uma preparação técnica, mas sim pelo bom ambiente criado na Cidade Maravilhosa. Se o nove vezes campeão de Roland Garros enfrentou a ameaça do zica vírus, em pleno verão carioca, é de se esperar que as grandes estrelas como Roger Federer, Novak Djokovic, Serena Williams, Maria Sharapova também devam olhar para a frente e concorrer a uma medalha em agosto.

Nadal e cia chegam ao Rio cheios de disposição e curtindo o mais prazeroso estilo de vida brasileiro. Não que o problema do aedes aegypti não seja grande. É monstruoso. Mas com os devidos cuidados, o tenista espanhol e tanto outros astros do Rio Open deixam claro que a vida continua. Oxalá ninguém tenha problemas … Todos devem estar atentos às precauções, em especial, as autoridades no combate a esta ameaça aos Jogos do Rio.

O sucesso do Rio Open servirá como mensagem ao planeta. Um evento desta grandiosidade em ano olímpico irá refletir em importantes decisões de diversas modalidades esportivas. Não tenho dúvidas de que os olhos de comitês de todo mundo estão focados no que irá acontecer nestes próximos dias.

Os desafios são muitos e o Rio Open resolbeu enfrentá-los com força e determinação. As ações promocionais não foram esquecidas. Uma das mais marcantes está na visita do grandalhão americano John Isner à favela da Rocinha e a escolinha de tênis de Fabiano de Paula. Posou para fotos, curtiu a comunidade e coloca o tênis na vida de todos.

O espelho de que se pode ter vida em meio aos problemas de segurança apareceu no passeio de Teliana Pereira ao lado de Sorana Cirstea, Chris McHale e Danka Kovinic pela praia de Ipanema. Volto a repetir, não que a preocupação não seja grande, mas é preciso tocar a vida, ainda mais nesta paisagem soberana brasileira. É importante não deixar as ameaças tomarem conta de nossas vidas. Não podemos nos render. É claro que devemos estar atentos, mas o Rio Open tem de ser disputado e a Olimpíada do Rio está aí.

Tenho um amigo – Acho que ele não vai se ofender se defini-lo assim – Rafael Navarro. Ele costuma dizer que ‘a vida é muita curta para não se morar no Rio’. Não tenho essa benção, mas como visitante recebo agora o prazer de reviver o bom clima carioca. De 1976 até a Copa da Argentina em 1978 vivi no Rio, cobrindo a Selação Brasileira de Cláudio Coutinho, que tinha assumido o lugar de Oswaldo Brandão. Enfim, deixa esta conversa para os mais velhos…. olhando pra frente o mundo olímpico também pode ter este prazer da vida carioca.

Olha como isso é fascinante. Francesca Schiavone, a dramática italiana campeã de Roland Garros, desembarcou no Rio e postou logo de cara o café da manhã.  “Muitas frutas”, dizia ela revelando uma foto com mamão, banana e outras tropicalidades.

Até mesmo o sisudo Thomaz Bellucci rendeu-se aos encantos. Levou John Isner e Jack Sock para um dos cartões postais da cidade. Isso mostra que o clima carioca é mais do que generoso… é milagroso.

Dobradinha à mineira
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 31, 2016 às 9:19 pm

Em silêncio, ao estilo mineiro, Bruno Soares deu a volta por cima. Depois de um 2015 difícil e algumas frustrações, revela um início de temporada brilhante, de fazer história. Dois títulos de Grand Slam não acontecia para o tênis brasileiro há 50 anos. Desde Maria Esther Bueno, que nos tempos do ye, ye yé, conquistou os troféus de simples e duplas no US Open de 1966.

A virada de Bruno Soares começou no ano passado. Primeiro enfrentar a delicada decisão de trocar a parceria. Enfrentar uma forte pré-temporada e não desanimar, nunca. Pelos corredores dos torneios caminhou com humildade, até ouvir o convite de Jamie Murray. Aceitou o desafio e foi uma dádiva para o escocês.

Digo isso pelo fato de no 5 a 4 e saque para Murray, o britânico ter sentido o momento. Acontece … não se pode culpá-lo, ainda mais porque ele mesmo, em certo momento do jogo, foi quem segurou a barra. Mas, ao final, o temperamento mineiro de Bruno Soares foi decisivo. Afinal, passou-me a impressão de que assumiu a responsabilidade, tipo… pode deixar que eu cobro o pênalti e fez o jogo da vitória.

Sonho realizado, Bruno Soares voltou à quadra horas depois para fazer história. Ao lado de Elena Vesnina ganhou também o troféu de duplas mistas.

Nem só Bruno Soares ganha com estes títulos. Mas conquistas como estas fazem bem ao tênis brasileiro. Incentivam a torcida, aquecem o interesse pelo esporte. Ainda mais num ano olímpico. E fica então a expectativa de que Soares se junte a Marcelo Melo tanto no Rio Open, como no Brasil Open, o que seria uma grande atração para os dois maiores eventos do País.

Foto de Eleanor Preston.

SEIS VEZES DJOKOVIC – Já no início do Aberto da Austrália uma das perguntas era de quem seria capaz de bater Novak Djokovic. A cara de Andy Murray, na foto acima, revela que este momento não chegou para ele ainda.

Hexacampeão na Austrália, a possibilidade de um Golden Slam já toma conta dos comentários pelo mundo do tênis. Mas, Djokovic deu apenas o primeiro passo para esta façanha. E é sempre bom lembrar que Giles Simon confirma a tese de que vencer um Grand Slam não é coisa simples. Estar bem por duas semanas é pra lá de complicado e os tropeços podem acontecer. Mas se o sérvio estiver dentro de suas atuais condições, só nos resta aplaudir o melhor jogador de tênis da atualidade.

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RECONHECIMENTO DE UMA CAMPEÃ – O abraço ao final da decisão feminina, com o sincero reconhecimento da campeoníssima Serena Williams à vitória em Melbourne de Angelique Kerber foi marcante. A americana não buscou desculpas para o resultado. Limitou-se a dizer que não é ‘robô’ e que por ser humana está sujeita a ser superada em quadra.

Confesso que após a eliminação de Serena para Roberta Vinci, em Nova York, fiquei ansioso e curioso para ver a reação da americano ao término na partida. Restou uma grande emoção… coisas que fazer a gente cada vez mais se apaixonar pelo esporte tênis.

Hora de render homenagens a Djokovic
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 28, 2016 às 3:47 pm

Para muitos, Novak Djokovic apareceu como um intruso à rivalidade de Roger Federer e Rafael Nadal. Mas está longe de ser um vilão. Deve sim ser admirado por ter encontrado um outro nível de jogo. E como disse o próprio tenista sérvio, tanto o suíço como o espanhol o fizeram jogar melhor. Não sem sacrifícios, sem buscar novos recursos, preparação física, mental, técnica. Investiu e hoje colhe os resultados.

É sim hora de render homenagens a Novak Djokovic. Ele chegou a este altíssimo nível, aprendendo com Federer e Nadal sim, mas também  soube como tirar proveito de situações importantes. Sempre lembro de parte de sua biografia – não oficial – em que conta sua passagem, ainda adolescente, pelas mãos de Nici Pilic, na Alemanha.

Para quem não conhece, Nikola Pilic foi um grande tenista nascido na Croácia. Nos tempos ainda da ‘cortina de ferro’ acabou se radicando na Alemanha. Transformou-se num concorrido treinador. Responsável por alguns dos melhores anos de Boris Becker.

Em certa época de sua formação, Djokovic ganhou a chance de treinar com Pilic na Alemanha. Tinha apenas cerca de 40 minutos com o competente treinador. Então, o menino vindo da Sérvia traçou um plano. E por iniciativa própria, sem orientação de ninguém. Antes do horário marcado para a aula, ele fazia o aquecimento. Entraria assim já pronto para aproveitar os ensinamentos desde o começo. Para não perder um minuto sequer, corria para pegar as bolinhas o mais rapidamente possível e devolvê-las ao treinador.

Este foi só o começo do surgimento de um campeão. Hoje fica claro que Novak Djokovic não desperdiçou qualquer minuto de sua vida. Encarou dificuldades com firmeza e foi criativo o bastante para aproveitar todas as oportunidades que surgiram. Se um dia olhou para os ensinamentos de Niki Pilic, em outro momento viu em Federer e Nadal exemplos a serem seguidos. Humildade e inteligência fazem parte da vida deste assombroso campeão.

Vitória de # 1 de Djoko e masterclass de RF
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 24, 2016 às 1:50 pm

O Aberto da Austrália chega a segunda semana com muitas surpresas no feminino, mas ainda assim reserva uma reedição da decisão do ano passado entre Serena Williams e Maria Sharapova, já pelas quartas de final. As emoções também prometem ser grandes do lado masculino. Embora o torneio não conte com Rafael Nadal desde a primeira rodada, todos os outros grandes nomes estarão em ação.

Seguem ainda duas das maiores questões deste Aberto da Austrália: quem pode bater Novak Djokovic? E será que Roger Federer chega ao 18. troféu de Grand Slam?

Diante do esperto Giles Simon, Djokovic mostrou-se vulnerável. O clima para o jogo não estava nada amistoso. O tenista francês soube como fazer provocações e desviar as atenções do adversário para o encontro. O resultado foi que o tenista sérvio não jogou bem. Cometeu cem erros não forçados. Mas, mesmo assim venceu. Uma vitória de quem comprova ser o número um do mundo, de direito e fato.

Este reinado já foi de Roger Federer. E como quem for rei nunca perde a majestade, o tenista suíço mostra-se soberano neste Aberto da Austrália. Segue estabelecendo recordes e, na última rodada, lecionou mais uma ‘mastersclass’ diante de David Goffin. Na arquibancada, Rod Laver ficou até tarde da noite, mas não perdeu horas de sono. O australiano, que para muitos é o melhor de todos os tempos, deve também estar concordando com a atual tendência de dar este título para Federer.

No lado feminino, esta segunda semana também promete fortes emoções. Não há dúvidas de que Serena Williams segue disparada como favorita. Mas se Maria Sharapova repetir a boa atuação que teve contra Belinda Bencic, o duelo deverá ser bastante equilibrado.

Nas primeiras rodadas, a tenista russa mostrou um pouco mais de habilidade nos toques de bolas. Ela que costuma disparar raquetadas de todos os lados, revelou maior versatilidade. E diante de Bencic sacou como nunca. Aplicou 21 aces e até mesmo seu segundo serviço funcionou. Mas será que todo estes novos recursos serão suficientes para superar Serena?

Na parte debaixo da chave é de se lamentar a ausência de Garbine Muguruza no duelo com Victoria Azarenka. A espanhola perdeu para Barbora Strykova, enquanto a bielorussa ainda não se sentiu ameaçada na competição. Dá para contar nos dedos das mãos, os games que ela cedeu até agora.

Mas nesta segunda semana tudo muda. As quadras secundárias perdem um pouco da sua agitação, enquanto nos grandes palcos acentuam-se as emoções, as grandes jogadas e a verdadeira arte destes gênios da raquete.

 

Cadê a lista da BBC ?
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 20, 2016 às 3:13 pm

Já que a BBC não vai mesmo divulgar a prometida lista de 16 nomes de jogadores envolvidos na máfia das apostas, o melhor mesmo é ouvir o conselho de Novak Djokovic e seguir de olho no Aberto da Austrália. Apenas insisto num assunto. Afinal, toda esta celeuma, pelo menos, serviu para colocar em discussão uma questão ética. Será que os torneios deveriam ter acordos de patrocínios com casas de apostas?

Lembro que para combater a manipulação de resultados, uma das atitudes tomadas pelas autoridades do esporte foi a de bloquear os sites de apostas dentro dos locais de competição. Mas algo simples de escapar. Basta sair da rede oficial de wifi ou simplesmente acessar o 4G e pronto…Também duvido que esta determinação seja obedecida em torneios que contam com o patrocínio de casas de apostas.

De volta ao torneio na Austrália, a mesma BBC colocou no ar uma outra reportagem polêmica. Após a derrota de Rafael Nadal para Fernando Verdasco perguntou: será que o ex-número um do mundo está em declínio? Ora, uma primeira rodada destas, com definição no quinto set demonstra que o resultado poderia cair para qualquer um dos lados. Mas ouso fazer uma outra pergunta: será que não está faltando um jornalismo competente na grandiosa BBC? Enfim, são linhas de trabalho. Na minha escola aprendi diferente.

Dentro de quadra, as primeiras rodadas mostraram várias surpresas no feminino, como Simona Halep, Carolina Wozniacki ou Petra Kvitova. Mas prefiro colocar meus olhos em duas competentes tenistas: Victoria Azarenka e Garbine Muguruza. Uma pena que se elas seguirem com boas atuações irão se encontrar já nas oitavas de final.