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Federer ganha mais um e concorre aos melhores do ano
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 16, 2017 às 7:37 pm

A gente percebe que o ano está acabando quando começam a chegar as pesquisas dos melhores do ano. Nesta segunda-feira encerraram-se os prazos de votação tanto da ATP, como da WTA. Entre os homens, Roger Federer concorre em duas das três categorias. Uma do jogador que apresentou a melhor volta às quadras na temporada e a outra no prêmio de esportividade batizado de Stefan Edberg,

Na primeira indicação da ATP, (melhor volta) Federer concorre com jogadores como Kevin Anderson, Filip Krajinovic, Cedrik-Marcel Stebe e Janko Tipsarevic. Com todo respeito, nomes não muito conhecidos. Já no prêmio de esportividade disputa com tenistas de peso, como Rafael Nadal, Juan Martin Del Potro, David Goffin e David Ferrer, entre outros. Mas a não ser por um ano em que a imprensa britânica fez enorme campanha para Andy Murray, não lembro de o suíço ter perdido este troféu.

Não há nessa premiação da ATP uma indicação específica para “o melhor do ano”. Mas neste aspecto deixo para análise uma mensagem que recebi de um amigo jornalista suíço Renne Staufer. Ele tuitou uma declaração de Federer falando em suíço alemão (e, é claro, traduzida para o inglês) em que o tenista diz: “depois de vencer cinco vezes seguidas Rafael Nadal, acho que posso me aposentar.”

Xangai revelou esta atual superioridade de Federer na temporada. O suíço venceu em dois sets. Jogou bem. E recebeu todos os elogios de seu adversário. Nadal foi tão enfático que preferiu não comentar uma possível contusão no joelho direito. Atuou com uma proteção local, mas não quis comentar o assunto. Disse apenas que teve boas semanas no circuito asiático.

De volta aos prêmios, a boa surpresa para os brasileiros é que Bia Haddad Maia concorre com prêmio de revelação da temporada. É claro que teve o meu voto.

 

 

Xangai a espera de um clássico salvador
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 9, 2017 às 1:30 pm
Duelo FeDal é a única garantia de uma boa final

Duelo Federer vs Nadal é a única garantia de final emocionante 

O Masters 1000 de Xangai poderá ter melhor sorte do que o US Open e vislumbra um clássico na final, com a potencial decisão entre o número 1, Rafael Nadal, contra o número 2, Roger Federer. Se isso vier mesmo a acontecer será o 38. encontro entre estes megastars do tênis mundial, com vantagem até agora do espanhol de 23 a 14.

É claro que ainda há muito pela frente e o torneio chinês conta com outros excelentes jogadores. Mas a questão é até que ponto as novas estrelas podem garantir jogos dignos de uma final. Basta lembrar o que aconteceu no estádio Arthur Ashe na decisão do US Open 2017 e, mais recentemente, em Pequim.

Nadal, com 31 anos, e Federer, com 36 ainda são garantia de emoção. Ambos têm caminhos longos e difíceis pela frente em Xangai. O espanhol poderá cruzar com Dimitrov, Cilic, Anderson ou Kyrgios, enquanto o suíço com Goffin, Baustista, Alexander Zverev ou Thiem. Mas, não há dúvidas, que a decisão dos sonhos ainda está nas mãos destes dois já veteranos. E até quando o tênis irá depender deles? Especialmente agora em que outros grandes nomes estão afastados das competições. Enfim, Xangai e outros eventos desta temporada, incluindo o Finals revelam algo em comum: o mesmo sonho os dois megastars nas decisões.

Ásia investe alto nos torneios de tênis
Por Chiquinho Leite Moreira
outubro 3, 2017 às 6:37 pm
Nadal perde o sapato e a raquete, mas ganha o jogo

Nadal perde o sapato e a raquete, mas ganha o jogo

Quem sabe com a mesma inspiração de Vinicius de Moraes na poesia Rosto de Maria Lúcia “Teu rosto é como um tempo/ Voltado para o Oriente/ Remoto como nunca/ Eterno como sempre” as associações de classes do tênis também vislumbraram um bonito cenário na Ásia. Há alguns bons anos, a WTA e a ATP viram uma alternativa interessante para a entediada temporada de outono e inverno na Europa. E assim o circuito abriu uma asa no Oriente. Hoje, a modalidade visita cidades conhecidas como Tóquio, Xangai ou Pequim e outras nem tanto como Guanzhou, Wuhan, Shenzhen, entre outras.

A ousadia de tirar torneios da Europa e colocar na Ásia transformou-se num tremendo desafio. A começar pelos horários de transmissão dos jogos. Também passou pela falta de tradição e ausência de público. Mas nada assustou os organizadores e nem estremeceu as bases da Federação Asiática de Tênis. Aliás, pelo contrário. O continente tem hoje, entre vários outros benefícios, wild cards para o primeiro Grand Slam do ano, o Australian Open.

Uma lição foi a de utilizar o complexo olímpico chinês para ser sede de um dos principais eventos da temporada asiática de tênis. Todos os torneios revelam instalações grandiosas e impecáveis.

A falta de tradição e a distância forçou a novos investimentos. Como levar grandes estrelas? Com exceção do Masters 1000, as outras competições acertam garantias com os principais jogadores para ganhar o reconhecimento internacional e força nas transmissões dos jogos pelas redes de tevê.

Esta semana Rafael Nadal lidera a lista dos inscritos em Pequim. Já na primeira rodada garantiu fortes emoções ao salvar dois match points e fazer de tudo em quadra para superar Lucas Pouille. O torneio também tem nomes como Juan Martin Del Potro e Alexander Zverev.

Situação semelhante revela o feminino. Garbine Muguruza enfrentou problemas de saúde em Pequim. Perdeu na primeira rodada para Barbora Strycova e a Ásia poderá ver o surgimento de uma nova número um da WTA.

Enfim, para desenvolver qualquer modalidade esportiva é preciso investimento e capacidade de gestão. Não se trata apenas de acreditar em ídolos locais, mas valorizar os grandes nomes internacionais e garantir bons espetáculos.

 

Bia boa de bola brilha no top 60
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 25, 2017 às 9:33 pm

Enfim, uma boa notícia para o tênis brasileiro. Depois dos fatos não muito agradáveis na Copa Davis, chegou a boa nova com a excelente campanha de Bia Haddad Maia no torneio de Seoul. O vice-campeonato deve sim ser comemorado, mas sem euforia. Não há dúvidas de que ela é boa de bola. Mostrou isso desde os tempos de juvenil. Só que a vida já lhe impôs advertências, com uma sequência de contusões que atrapalharam o seu ritmo. Por sorte, não tirou seu entusiasmo, nem a dedicação necessária para uma carreira tão difícil e concorrida como a de tenista profissional.

O vice-campeonato em Seoul abre belas perspectivas. Pela primeira vez na carreira ocupa um lugar no top 60, exatamente na 58a. colocação. Com esta classificação Bia pode jogar praticamente todos os grandes eventos, sem precisar passar pelo qualifying. Além disso, ganha enorme respeito no circuito. Suas adversárias entrarão em quadra com a informação de que terão uma jogadora e tanto pela frente, que foi capaz de tirar um set da campeã de Roland Roland Garros, Jelena Ostapenko, na final de Seoul.

Ainda há um caminho árduo e difícil pela frente. Surgirão as cobranças. E neste aspecto é que peço, quase suplico, por muita atenção e sobretudo paciência. O circuito profissional de tênis é de uma acirrada concorrência, um funil muito apertado. Difícil corresponder sempre as esperanças da torcida, ainda mais num momento como este que enfrentamos no Brasil. Mas, sem dúvida, ela pode ir longe, deixando que os resultados aconteçam naturalmente.

MUITO ALÉM DA RIVALIDADE – Os torcedores de Roger Federer e Rafael Nadal amam se odiar. Só que os próprios jogadores deram uma lição de pura amizade e unidade de propósito. Como sabem que um é importante para o outro, eles construíram, ao meu ver, a mais venerada rivalidade da história do tênis. Nem Pete Sampras e Andre Agassi conseguiram tal façanha, pois nem sempre eram amistosos. Borg e McEnroe também seguiram passos semelhantes, assim como revelou diversos outros duelos no tênis mundial.

A Laver Cup deixou imagens marcantes. Federer comemorando a vitória sobre Nick Kyergios, com seu arqui-rival pulando para abraçá-lo pelo título conquistado pelo grupo da Europa contra o resto do mundo.

Sem dúvida, esta amizade, inclusive com a formação de uma dupla Federer e Nadal, deixou torcedores de todo planeta contentes. E que este clima impere para sempre, dentro e fora das quadras.

 

 

Davis: faltou dignidade
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 18, 2017 às 9:13 pm

Ganhar ou perder faz parte do jogo. Só que ao mesmo tempo em que se vangloria e orgulha-se de uma vitória, deve-se saber perder com dignidade. E faltou isso ao Brasil neste confronto do playoff da Copa Davis diante do Japão. Nosso tênis esteve envolvido em atitude antidesportiva, com repercussão internacional, sem contar a inconveniente brincadeira de mau gosto com um ídolo japonês, como Kei Nishikori. E o resultado de tudo isso apareceu em quadra.

Tudo começou com o equívoco na convocação da equipe pelo capitão João Zwetsch. Ele preteriu na primeira lista o lutador Rogério Dutra e Silva e quando se viu em maus lençóis já era tarde. Rogerinho poderia até não vencer. Afinal, ganhar ou perder faz parte do jogo. Mas, certamente, exibiria o espírito de Copa Davis, com luta e raça, e não conformismo de um time numeroso (vi uma foto com 14 integrantes) que não vibravam no banco, nem em quadra.

Copa Davis é coisa séria. A equipe veste as cores do Brasil e exibe uma imagem para todo o mundo. Se durante qualquer torneio um tenista resolve não se empenhar, dar de ombros para o resultado, jogar sem atitude, desrespeitar o adversário, ninguém tem nada a ver com isso, a não ser lamentar. Mas numa competição por países, o compromisso deve ser outro. São soldados na nação.

O comando também me pareceu relaxado. Muita descontração e pouca disciplina. Mas antes de iniciar a caça as bruxas, pedir cabeças, o melhor seria esperar que o grupo aprenda as lições de tudo o que aconteceu no Japão.

O Brasil volta agora ao zonal americano. Foi designado como cabeça de chave número dois e foge assim de um confronto com a Argentina. Mas ainda assim terá adversários perigosos pela frente. É o momento de se fazer uma reflexão e encarar a Copa Davis com maior seriedade. E deixar as brincadeiras de lado, as atitudes antidesportivas e concentrar no que realmente interessa.

 

 

 

US Open: milhões em prêmios e decepções
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 11, 2017 às 3:58 pm

O US Open deste ano pagou o prêmio recorde de US$ 3,7 milhões aos campeões de simples. Aliás, desde 1973 homens e mulheres recebem cheques iguais no Grand Slam americano. Foi pioneiro no “equal prize money” seguido vários anos depois pelo Australian Open, Roland Garros e, por último, Wimbledon.

Só que, apesar das boas emoções ao longo das duas semanas de jogos, ficou um gostinho de ‘quero mais’ para ambas as decisões. No feminino, após um pouco vibrante 63 e 60 sobre Madison Keys a simpática Sloane Stephens pareceu até de certa forma envergonhada em receber um cheque tão polpudo, depois de uma vitória facilitada pela atuação da adversária.

No lado masculino a expectativa de poucas emoções na final já era uma tragédia anunciada. Afinal, desde a saída de Andy Murray, depois de o sorteio da chave, apenas o quadro superior reservou bons momentos. E o torneio poderia ter sim terminado nas semifinais.

Rafael Nadal não tem culpa nenhuma. Tratou de fazer o seu papel e celebra uma volta por cima em mais um ano de superação. Como disse o próprio espanhol, a surpresa foi chegar a final do Aberto da Austrália, mas as conquistas de Roland Garros e do US Open foram consequências naturais de seu desempenho.

A sequência dos torneios do Grand Slam termina com os títulos divididos entre Roger Federer e Rafael Nadal. E estes dois tradicionais rivais devem segurar a modalidade pelo restante da temporada. Afinal, Novak Djokovic, Andy Murray e Stan Wawrinka estão fora de combate. A nova geração pode acrescentar bons ingredientes de emoção, mas quem vai manter o interesse?

O feminino confirma a fase de estar aberto em todas as disputas. Exemplo foi uma final inédita entre Stephens e Keys, em Nova York. A briga pela liderança do ranking promete sim ser boa. Garbine Muguruza apareceu nesta segunda feira no topo da lista da WTA pela primeira vez e o desafio é saber se conseguirá se segurar como número um até o final da temporada.

 

Del Potro: herói ou vilão?
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 7, 2017 às 3:16 pm

Juan Martin Del Potro foi celebrado como herói nacional na épica partida em que superou match points e derrotou o austríaco Dominic Thiem. Sua façanha rendeu o reconhecimento de todos, inclusive com a própria organização do US Open rendendo homenagens ao tenista argentino e, é lógico, à fervorosa torcida, que estava na GrandStand. Só que, de repente, ele se transformou numa espécie de vilão ao acabar com o sonho de todo mundo em ter, enfim, um duelo entre Roger Federer e Rafael Nadal, em Nova York.

Ironias a parte, Del Potro revela uma bela história de superação. Afinal, esteve próximo de uma aposentadoria precoce em função de sérios problemas no punho. Passou por cirurgias, jogou por um período praticamente sem back hand, mas agora já está à altura de vencer um Roger Federer na Arthur Ashe.

É claro que o tenista suíço teve suas chances e as desperdiçou. Mas, o próprio Federer teve a elegância de reconhecer que não perdeu o jogo, mas sim Del Potro foi quem ganhou.

Um novo grande duelo é esperado nas semifinais, num lado da chave em que se concentraram praticamente todos os grandes astros. Aliás, respondendo a diversas questões sobre o assunto. Pelas regras do comitê dos Grand Slams, se um dos quatro principais cabeças de chave deixar a competição depois do sorteio do quadro, isso incide em uma série de alterações. A saída de Andy Murray resultou em diversas mudanças, entre elas, a de se colocar o cabeça cinco, Marin Cilic, como dois. É claro que mais lógico seria colocar o segundo do ranking, Federer, como dois, mas são regulamentos exclusivos dos Slams.

Por isso, é que do outro lado da chave, ou seja, a outra semifinal não há muitos atrativos, embora o jogo seja de altíssima importância.

Será que, enfim, teremos um Fedal no US Open?
Por Chiquinho Leite Moreira
setembro 3, 2017 às 10:30 pm

IMG_3749O US Open chegou a segunda semana com uma certeza: haverá um finalista inédito no torneio masculino. Na parte debaixo da chave nenhum dos jogadores que restaram na competição jamais chegou tão longe num Grand Slam. O que não se sabe ainda é se, enfim, teremos um duelo entre Roger Federer e Rafael Nadal no maior palco do tênis mundial, o contagiante estádio Arthur Ashe.

Aos trancos e barrancos, Federer e Nadal alcançaram as oitavas de final. Venceram porque são grandes campeões. Caso contrário poderiam ter sido eliminados. Só que numa partida de tênis é quase como uma frase de William Shakespeare, ou seja, “há mais mistérios entre o céu e a terra do que a vã filosofia dos homens possa imaginar.”

Pode parecer exagero, mas jogadores como Federer e Nadal parecem ter recursos misteriosos, quase sobrenaturais. Mire-se no exemplo do espanhol diante de Leonardo Mayer. O jogo estava duro. O argentino jogava um tênis de primeira, com potência e precisão em seus golpes. Só que o atual número um do mundo segurou a pressão com inigualável qualidade. Chamou a torcida para seu lado, vibrou, se impôs até romper a barreira argentina e abrir caminho para a vitória.

Diante de Feliciano Lopez, em apenas um momento Federer pareceu-se com um ser humano. No terceiro set, logo depois de quebrar o serviço do espanhol, o suíço cedeu o seu. Neste momento, seu semblante, com uma expressão pesada, levando a mão ao rosto, revelou que ele é feito de carne e osso.

Ambos seguem em rota de colisão. Só que os obstáculos são grandes pela frente. Mas nestes momentos sempre lembro de uma frase de Gustavo Kuerten. Derrotar os grandes numa segunda semana de Slam não é tão simples assim. Ainda mais em se falando de sobrenaturais como Federer e Nadal. Os próximos dias prometem ser ainda mais emocionantes.

O ADEUS DE SHARAPOVA – A volta de Maria aos torneios do Grand Slam demonstrou ser produtiva para o tênis feminino. Gerou polêmica, proporcionou alegrias e emoções em quadra. Só que a tenista russa confirmou não ter um plano B. Ela realmente, como diria Nick Bolettieri, ‘fecha o olho e bate na bola’. Foi vítima de seus erros, mas sempre foi assim. Dessa forma ganhou títulos importantes e também perdeu partidas bobas.

 

 

A volta por cima de Sharapova
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 29, 2017 às 6:26 pm

IMG_3734Não poderia ser mesmo diferente. A volta de Maria Sharapova aos torneios do Grand Slam foi em grande estilo. Recorde de público, muita emoção, brilho e elegância. Para a noite de gala, a tenista russa vestiu um ‘pretinho nada básico’. O modelo foi recriado pelo designer italiano Riccardo Tisci e inspirado em Audrey Hepburns no filme ‘Breakfast at Tiffany’s, aliás um dos preferidos da tenista.

Todo esse cenário revelou uma atmosfera eletrizante, uma das mais marcantes características da sessão noturna do US Open. Em 2h44 de partida, Sharapova desfilou seu estilo. Usou e abusou dos winners e proporcionou novas emoções com os 64 erros não forçados. A russa não tem plano B. Ela vai para a linha e seja lá o que Deus quiser. Não se pode dizer que não tenha coragem.

Este estilo faz parte de seu instinto matador. Ainda este ano, em um de seus poucos jogos após a suspensão, seu treinador entrou em quadra e pediu encarecidamente a sua pupila : “não vá para as linhas”. Enquanto ela ouviu a orientação ganhou seis pontos seguidos. Mas logo deixou cair no esquecimento e voltou para os winners e erros não forçados.

Como sempre respeito todas as opiniões. Mas sem entrar no mérito se merecia ou não o wild card concedido pela USTA, não tenho dúvidas de que Maria Sharapova é importante para o tênis. Algumas de suas colegas a evitam no vestiário, mas a russa já está acostuma a isso. Desde que foi, ainda criança, para a academia de Nick Bolettieri conviveu com atos desse tipo e com a força de uma campeã superou a tudo e a todos.

20 ANOS DO MAIOR DO MUNDO – Um twitter da Diana Gabanyi remeteu-me a boas lembranças. Aliás fiquei até um pouco surpreso – talvez assustado – ao me dar conta que já se passaram 20 anos da inauguração do maior palco do tênis mundial, o estádio Arthur Ashe.

Lembro que Gustavo Guga Kuerten foi o primeiro tenista a treinar no então novo estádio. Inesquecível a imagem de quando entramos no vestiário, o campeão de Roland Garros daquele ano vislumbrou um lindo armário reservado a ele. Seus olhos brilharam quando viu a plaquinha com seu nome, no vestiário novinho em folha.

Na época andava atrás do Guga. Desde que havia vencido em Paris não o abandonava em nenhum torneio, com exceção do ATP de Bologna, na semana seguinte a Roland Garros, pois tive de voltar ao Brasil por alguns dias. Fomos para Nottingham, Wimbledon, Gstaad, Kitzbuehel, Stuttgart, Montreal, Cincinnati, até cairmos no simpático ATP de Long Island.

Esse percurso vale até um parêntese. Certa vez contei em entrevista ao Alexandre Cossenza que por um período deixei de cobrir propriamente o tênis para seguir o Guga. Era imperativo. A editoria do Estadão queria tudo sobre o campeão de Roland Garros, na rádio Transamérica tênis era sinônimo de Guga. Lembro até que em 1997 em Roland Garros, o espaço destinado para a campeã do feminino Iva Majoli foi de umas dez linhas no máximo. Isso causou certo desconforto no meio do tênis brasileiro. Só que aprendi com alguns dos excelentes editores que tive no jornalismo é que somos vendedores de notícias. Temos de entregar o que o público quer comprar. Não se trata, porém, de falta de reconhecimento ao trabalho e as conquistas de outros.

De volta a Long Island, Guga e Larri Passos – por que não também eu? – estávamos naquela fase de adaptação aos novos tempos. O catarinense sempre gostou das coisas simples e foi hospedar-se em uma casa de família. Assim que chegamos ao aeroporto John Kennedy, o pessoal de Long Island estava nos esperando e seguimos de carro até nossos destinos. Aliás, agradeço a carona he he he. No trajeto até a casa onde Guga e Larri ficariam – depois me levaram a um hotel – perguntei o nome do cara que estava dirigindo. O engraçadinho do tenista falou ao meu ouvido: Jeff… Jeff.

Nos dias em que se seguiram em Long Island convivemos bastante com Jeff, que, na realidade, se chamava Robert. Guga estava zoando comigo. E o resultado é que naquele ano e por muitos outros, sempre em que me encontrava este pessoal – incluindo uma senhora miss May – todos seguiram zoando me chamando de Jeff… Jeff, com aquele conhecido sorriso irônico.

Mesmo neste clima descontraído, Larri Passos não deixava de lado a seriedade ao trabalho. O torneio de Long Island era jogado num condomínio conhecido por Hamptoms. Muito próximo a Flushing Meadows. Foi aí que o treinador teve a ideia de aproveitar um dia sem jogos para ir treinar no novo estádio do US Open. Avisou o pessoal da USTA e lá fomos nos. Embora estivesse vazio, com apenas alguns operários nos retoques finais, a experiência foi importante para relaxar o campeão de Roland Garros, que em poucos dias estaria jogando no maior palco do tênis, que comemorou os 20 anos de existência com uma linda festa e show de Shania Twain.

 

Nada ameaça o brilho do US Open
Por Chiquinho Leite Moreira
agosto 26, 2017 às 4:54 pm

O US Open é o mais divertido e popular dos torneios do Grand Slams. Nada parece ser capaz de ameaçar o seu brilho. Nem mesmo, ausências marcantes como Novak Djokovic, ou do campeão do ano passado, Stan Wawrinka. Os americanos sabem promover um evento, dar um tom festivo, organizado e envolvente.

O clima em Flushing Meadows é dos mais eletrizantes. Sob o sol do verão novaiorquino, a atmosfera é descontraída. Nada do charme dos ‘panamás’ de Roland Garros, ou os elegantes ternos e vestidos de Wimbledon. Bermudão e cachorro quente na mão.

Flushing Meadwos fica num bairro popular: em Queens. Apesar de um histórico antigo, hoje em dia, não é necessário preocupar-se excessivamente com as questões de segurança. Aliás, dá até para sair da sessão noturna, p’ra lá de meia noite, e pegar o metro no Shea Stadiun com destino a Manhattan.

A característica de popularidade do US Open abre a perspectiva de diversão para todos. É claro que um bom lugar na Arthur Ashe, na sessão noturna, é um sonho de consumo. Mas um ingresso ground também abre a possibilidade de muitas emoções. Especialmente na primeira semana, as chamadas quadras secundárias proporcionam grandes espetáculos, não só no aspecto técnico de bons tenistas, como de um clima agradável nas arquibancadas.

Este ano, o quarto e último Slam da temporada leva para a quadra um ingrediente a mais de emoção. Tanto na chave masculina, como na feminina existe uma acirrada disputa pela liderança do ranking. Entre os homens estão na luta Rafael Nadal, Andy Murray e Roger Federer. O mais legal é que não há necessidade de combinações de resultados. Qualquer um destes três que for campeão sairá de Nova York no topo da lista de classificação da ATP. No feminino, olha só, oito jogadoras têm possibilidade de liderar a tabela da WTA.

Um fato curioso, e que juro por Deus sempre vou dar uma conferida no head to head dos dois jogadores para checar se é verdade, trata-se do fato de Federer e Nadal jamais terem se enfrentado no US Open. Por isso, acredito que este ano o ingresso das semifinais masculina pode valer até mais do que o da decisão do título.

Mas até lá há muita coisa para acontecer. E não se pode dizer que as primeiras rodadas não serão atraentes. Mesmo porque logo na estreia Simona Halep desafia Maria Sharapova, em duelo que já valeu título de Grand Slam. Aliás, gostei da decisão da USTA que ”deu de ombros” para os torneios que se recusaram a conceder wild card à russa e colocou mais lenha na fogueira.

É isso aí… o tênis promete mesmo pegar fogo, a partir desta segunda feira com o início do excitante US Open…