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O privilégio de ser contemporâneo de Nadal
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 29, 2018 às 6:43 pm

Não há mais elogios a se fazer para o brilhantismo de Rafael Nadal. Seria redundante reescrever todas suas conquistas, recordes etc e tal. Prefiro destacar que temos o privilégio de sermos contemporâneo de uma geração de tenistas como o espanhol, como Roger Federer e ainda Novak Djokovic.

Sem menosprezar grandes astros do passado, o que vemos atualmente no tênis é uma história escrita com letras maiúsculas. Alguém ganhar onze títulos de Monte Carlo e de Barcelona e chegar a Roland Garros como favorito para a 11a. Taça dos Mosqueteiros é algo inimaginável até mesmo nos tempos de Bjorn Borg. Não que o sueco possa se comparar em número de conquistas com Nadal ou Federer, até mesmo com Djokovic, mas ele chegou ao tênis como algo revolucionário, marcante e carismático.

A final de Barcelona nos traz também boas notícias. A classificação do jovem Stefano Tsitsipas para a decisão do título de um ATP 500 mantém a perspectiva de que a nova geração chega com força de manter o tênis em altíssimo nível competitivo.

E um detalhe curioso do chamado Next Gen é que a grande maioria destes jogadores de uma forma ou de outra são originários dos países da antiga Cortina de Ferro. Tsitsipas nasceu em Atenas, na Grécia, mas sua mãe, Yuliya Salnikova é russa. História igual tem o canadense Denis Shapovalov, com mãe, Tessa Shapovalova, também russa. Sem contar ainda com o alemão Alexander Zverev, ou Karen Khachanov e Andrey Rublev.

Enfim, a tão agradável temporada europeia de quadras de saibro ainda tem muitas histórias a nos contar.

Davis reflete nossa realidade
Por Chiquinho Leite Moreira
abril 9, 2018 às 3:10 pm

Desta vez, a equipe brasileira da Copa Davis nem sequer chegou ao playoff do Grupo Mundial. É a pior campanha desde os tempos do boicote. Mas antes de se fazer a caça as bruxas, a realidade é que este resultado diante da Colômbia nos leva a refletir sobre o atual nível do tênis brasileiro. Estamos sem nenhum jogador no masculino entre os cem primeiros da ATP, ou seja, para termos representantes nos Grand Slams, muito provavelmente iremos depender dos qualifyings.

É claro que numa situação dessas não se pode preterir de seus melhores tenistas. Mas também não sei se o resultado seria diferente com Rogerinho Dutra Silva e Thomaz Bellucci na equipe. Sinceramente não gosto e nem mesmo vejo como saudável para o tênis brasileiro viver esta situação. O capitão João Zwetsch precisa aparar as arestas e manter um bom clima entre todos os tenistas do País. E para não dizer que não falei das flores fica difícil entender o motivo pelo qual Guilherme Clezar jogou no primeiro dia e João Sorgi pegou a batata quente no último. Nada, porém, vai mudar o resultado e o momento é de reflexão.

Pelo que vi a CBT não nega apoio à equipe. Pelas imagens da TV, o banco brasileiro estava repleto. Tinha gente suficiente para cuidar de tudo. O que será que falta?

Um bom exemplo foi dado pelo duplista Marcelo Melo. No alto de sua liderança no ranking mundial, ele não colocou obstáculos para viajar a Barranquilla, jogando no cimento, no início da temporada do saibro. Ao lado de Marcelo Demoliner conquistou um ponto importante e super difícil, pois a dupla formada por Sebastian Cabal e Roberto Farah é, sem dúvida, uma das melhores do tour.

Outro exemplo veio lá de cima. Incrível o empenho e dedicação de David Ferrer, com 36 anos, lutando por quase cinco horas para levar a Espanha às semifinais do Grupo Mundial. Sem contar com a intensa participação de Rafael Nadal dentro e fora da quadra.

 

Derrotas levam Federer a recuar ao plano original
Por Chiquinho Leite Moreira
março 25, 2018 às 2:41 pm

Bastaram duas derrotas consecutivas para Roger Federer dar-se conta e lembrar que está com 36 anos. E certo de uma verdade no esporte de alto nível, de que descansar também é treino, o tenista suíço decidiu voltar ao plano original, estabelecido no início da temporada, e poupar-se na exigente temporada europeia de quadras de saibro, que culmina com Roland Garros.

Não há como deixar de reconhecer que Federer vivia um período de euforia. Afinal, tudo estava correndo tão bem que chegou ao ponto de pedir wild card em Roterdã. Precisava de uma semifinal na Holanda para recuperar a liderança do ranking, mas saiu como campeão.

Na final de Indian Wells, a derrota não doeu tanto. É que chegou a ter três match points, diante de Juan Martin Del Potro. Mas já havia recebido um sinal dos céus durante as semifinais na Califórnia. Diante de Borna Coric sofreu bem mais do que imaginava para vencer o jogo. Mas Federer baseou-se num princípio básico dos grandes tenistas. Tem dias que dá para ganhar, mesmo não jogando bem. Só que o alarme tocou alto na estreia de Miami. Diante de Thanasi Kokkinakis começou o jogo com fôlego. Aos poucos caiu de rendimento e diante de um adversário de impressionante potencial sucumbiu no tie break do terceiro set.

O resultado o fez ver a vida de uma forma realista. A euforia de Roterdã deu lugar a um plano mais consciente. Viu que precisa de tempo não só para recuperar-se, descansar e treinar, mas também passear com a família. As crianças se tornam adultas num piscar de olhos e não há como recuperar este tempo..

Não há dúvidas de que Federer vislumbrou um bom momento para buscar o segundo Troféu dos Mosqueteiros, em Roland Garros. Ele próprio declarou esta sua vontade e possibilidade. Seu jogo andava tão bem que o sonho poderia sim tornar-se realidade. Só que agora, uma ducha de água fria o fez repensar seus planos.

Curiosamente, o diretor do torneio de Roland Garros, o ex-tenista francês Guy Forget anunciou recentemente que via sim grandes perspectivas para Federer este ano em Paris. Por isso, não seria surpresa para mim, se ele deixar guardado um wild card que seria usado como curinga. O French Open fecha as inscrições cerca de 40 dias antes do início da competição. Neste período, Federer poderia recuperar o ânimo e jogar na mais famosa terra batida do planeta.

 

 

Federer sonha com o bi em Roland Garros
Por Chiquinho Leite Moreira
março 6, 2018 às 4:48 pm

O sonho de Roger Federer em conquistar o título de Roland Garros, novamente, foi revelado numa entrevista em Mônaco, durante a entrega do Laureaus Sports Awards. O assunto não ganhou a esperada repercussão. Mas faz todo o sentido. E o tenista suíço pode disputar o segundo Grand Slam da temporada, pela primeira vez desde 2015.

Federer não foi a Paris em 2016, pois ainda recuperava-se de cirurgia. Também não jogou ano passado, para poupar-se fisicamente. Agora, porém, a situação é bem diferente. E estrategicamente importante para ele manter a liderança do ranking mundial por muito mais tempo.

Para seguir como número um, Roger Federer precisa chegar as semifinais de Indian Wells. Embora defenda o título conquistado ano passado, estará beneficiado pela desistência de Rafael Nadal para os dois próximo Masters 1000.

Este cenário pode seguir por mais algumas semanas, ou meses. Como no ano passado Federer poupou-se e não disputou a temporada europeia de quadras de saibro, tudo o que fizer neste período será lucro. Já Nadal tem muitos pontos a defender. É claro que o espanhol pode sim repetir os títulos em Monte Carlo, Madri, Barcelona e Roland Garros, mas os pontos extras somados pelo suíço podem ser decisivos.

Não vejo como provável a participação de Federer em muitos torneios da temporada europeia de saibro. Deve escolher um ou outro, apenas como preparatório para Roland Garros. Possivelmente Madri, onde as condições de jogo são mais rápidas, mas não seria surpresa se for a Monte Carlo, em clima e quadras mais parecidas com as de Paris.

Federer tem um título em Roland Garros, em 2009. Na época fez a final com Robin Soderling, jogador que eliminou Rafael Nadal da competição. E se tanto o suíço, como o espanhol se mantiverem nas atuais posições, os dois só poderiam se encontrar numa eventual final em Paris. Bem, se o Federer tem um sonho… fica este outro de uma decisão entre estes dois fenomenais tenistas.

 

Brasil Open: Capital do tênis
Por Chiquinho Leite Moreira
março 1, 2018 às 5:27 pm

O Brasil Open é o mais tradicional torneio do País. Entre momentos reunindo grandes estrelas e outros com maiores dificuldades, a competição mantém viva a alma do tênis. É uma oportunidade para os amantes deste esporte curtirem a modalidade no elevado nível de um ATP. Os mais exigentes podem não dar valor a isso, mas seguir com um torneio destes é fruto de muita luta e paixão pelo tênis.

Para os mais esquecidos, o Brasil Open nasceu gigante. Em 2001, na Costa do Sauípe, no lindo litoral baiano, desfilaram por suas quadras astros do tênis, com detalhe de também contar com uma chave feminina, em evento que teve como campeã Monica Seles. No masculino, Gustavo Kuerten caiu na primeira rodada para Flávio Saretta que foi até às quartas. Fernando Meligeni chegou a final e perdeu para o tcheco Jan Vasek.

Sob a benção dos Orixás, o Brasil Open viu o nascimento de um dos maiores fenômenos do tênis. Rafael Nadal, ainda no começo de sua carreira, com cara de menino, levantou o troféu de campeão em 2005. Ele voltaria a conquistar este torneio em 2013, mas já em São Paulo, no Ginásio do Ibirapuera.

As boas histórias do Brasil Open não param por aí. Em 2002, numa emocionante final, Guga Kuerten conquistou o primeiro de seus dois títulos da competição. Venceu na final o argentino Guillermo Coria, com grande influência da torcida na Costa do Sauípe. O tricampeão de Roland Garros viria a comemorar outro troféu, em 2004, em evento que marcou a nova data e a troca de piso. Na decisão, o brasileiro teve outro argentino pela frente, Agustin Calleri.

A quadra central da Costa do Sauípe também foi palco de um dos momentos mais emocionantes do tênis brasileiro. A despedida de Guga Kuerten comoveu a todos, num marcante episódio em que o ex-número um do mundo confessou que gostaria sim de seguir nas quadras, mas estava impossibilitado pelas limitações físicas.

Além da troca de piso, do sintético para o saibro, o Brasil Open também mudou de sede. Em 2012 veio para São Paulo, no Ginásio do Ibirapuera. E no ano seguinte contou com o maior público de todos os tempos na competição, com mais de 50 mil pessoas cruzando as bilheterias durante a semana, que culminou com título de Rafael Nadal.

Por dois anos, o torneio foi para o Esporte Clube Pinheiros, mas agora volta ao Ibirapuera, consolidando o ginásio como a capital do tênis do País.

 

Rio Open: muito mais que um torneio de tênis
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 24, 2018 às 8:10 pm

Um bom torneio de tênis, de uma forma geral, reúne grandes tenistas, jogadas espetaculares, torcida fervorosa, uma atmosfera eletrizante num clima de intensa competição. Só que o Rio Open tem revelado uma grandeza maior. Entre raquetadas e trocas de bola há muito mais acontecendo nas quadras do Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro.

Apoiado por uma competente equipe, o diretor do torneio, Lui Carvalho, tem colocado neste evento ingredientes artísticos, sociais e até goumerts. É que para ele, desenvolver e fazer crescer o Rio Open significa melhorar serviços e experiências. Desde o nascimento, a competição coloca troféus desenhados pelo joalheiro Antônio Bernardes. E assim como acontece em Roland Garros, também todos os anos um artista é escolhido para criar os posters. Este ano trata-se de um verdadeiro quadro de autoria de Carlos Vergara. Outros já emprestaram seu talento como Daniel Azulay e o grafiteiro Toz. A novidade este ano é que todas as obras de arte passarão por uma espécie de leilão e tudo o que for arrecadado seguirá para obras sociais. Aliás, outras ações semelhantes fizeram parte da programação esta semana no Rio.

Para quem quer estar num bom evento esportivo, entre artistas das raquetes e dos pincéis, e também aprecia uma boa cozinha, o Rio Open resolveu seguir o exemplo de Wimbledon e ter uma sobremesa tão interessante quanto o morango com chantili do All England Club. Para isso, o chef Claude Troisgros foi convidado para compor um mousse de chocolate de forte apelo.

Na parte técnica, embora exista uma grande sincronia entre o Rio Open e o belo cenário do Jockey Club Brasileiro, não há dúvidas de que atrair ainda melhores jogadores dependeria de uma mudança de piso. Hoje, o torneio conta com três tenistas entre os dez primeiros do ranking da ATP, mas ter outras estrelas ficaria mais fácil se o calendário ajudasse.

O problema é que manter um torneio de saibro, numa época em que a maioria dos jogadores já quer jogar no cimento prejudica bastante. Só que para o Rio poder mudar de superfície dependeria do conselho da ATP. Isso faria uma forte concorrência com Dubai, nesta próxima semana, e Roterdã, realizado anteriormente. Este fato causa influência nos votos dos membros que decidem pela Europa e a chamada área internacional. O único apoio viria da turma das Américas. Além disso, há também a pressão de vários jogadores que querem um porcentual maior de competições na chamada terra batida.

Por isso, uma mudança de local para o complexo olímpico da barra, que ressuscitaria as quadras olímpicas, depende primeiro de uma possibilidade de mudança de piso. Mas enquanto isso não acontece, o Rio Open investe na receita de melhorar serviços, experiências e boas jogadas em quadra.

RF e o número 1
Por Chiquinho Leite Moreira
fevereiro 17, 2018 às 4:17 pm

É realmente intrigante o que passa pela cabeça de alguns dos gênios do esporte, como Roger Federer. Recentemente conquistou o 20. título de Grand Slam, no Aberto da Austrália. Tem um total de 96 troféus, recordista em números de semanas na liderança do ranking e, certamente, não teria mais nada a provar a ninguém. Mas ainda assim segue com enormes ambições. E nesta semana realizou mais um sonho: recuperou o número um do mundo, sendo o tenista mais velho, 36 anos, a ocupar esta posição.

E, por incrível que possa parecer, Roger Federer não está satisfeito ainda. Seu próximo objetivo é superar o recorde de títulos de Jimmy Connors. O norte-americano ganhou na carreira 109 troféus e também teve vida longa nas quadras.

É curioso que Federer segue com essas ambições num momento em que deixou transparecer que não iria se expor muito e sim selecionar os eventos, poupando-se de contusões. Só que seu plano seguiu outro caminho e o suíço foi levado para a Holanda, disputar o ATP 500 de Roterdã e na próxima segunda feira voltará a ver o seu nome no topo da lista de classificação da ATP.

O número 1 no tênis tem um fascínio impressionante. Em outros tempos chegou a ser como o Olimpo. Jogadores que venciam o líder, em qualquer torneio, ganhavam pontos de bônus no ranking. Com o tempo e dentro das diversas alterações ao longos dos anos a ATP acabou com estes pontos de bonificação.

O ranking da ATP teve sua primeira lista divulgada em 23 de agosto de 1973. O primeiro a ocupar esta posição foi o romeno Ilie Nastase. E, como curiosidade, segue a lista completa de todos os líderes: John Newcombe, Jimmy Connors, Bjorn Borg, John McEnroe, Ivan Lendl, Mats Wilander, Stefan Edberg, Boris Becker, Jim Courier, Pete Sampras, Andre Agassi, Thomas Muster, Marcelo Rios, Carlos Moya, Yevgeny Kafelnikov, Patrick Rafter, Marat Safin, Gustavo Kuerten, Lleyton Hewitt, Juan Carlos Ferrero, Andy Roddick, Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic e Andy Murray.

Federer é o Pelé do tênis
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 30, 2018 às 9:05 pm

A 20a. conquista de um torneio do Grand Slam, no Aberto da Austrália, reforça a ideia de que Roger Federer é o melhor de todos os tempos. Merece o título de “g.o.a.t.” greatest of all time”. Até mesmo Rod Laver acha isso. E o mundo do tênis empolgado com tudo já tenta colocar o suíço como o maior esportista da história.

Na euforia dos fatos, também fui contagiado pela ideia. Mas ao refletir uma conversa entre amigos vejo que devemos deixar as coisas em seus devidos lugares e respeitar outras modalidades e paixões. Um companheiro de clube – não estou autorizado a divulgar seu nome – ex-craque do São Paulo, do Vasco da Gama, Cruzeiro, entre outros, e que também defendeu a Seleção Brasileira, confessou o que nem precisava. Disse que é um amante do futebol, mas surpreendeu ao revelar que com Federer aprendeu também a gostar de tênis. E saiu-se com a seguinte frase: Roger Federer é o Pelé do tênis. É claro que usou a referência ao maior craque do futebol como sinônimo ás, conforme alguns dicionários da língua portuguesa.

A definição praticamente deu fim a discussão de quem deveria ser o melhor esportista da história. Derrubou as argumentações dos amantes do futebol, dos apaixonados pela NBA e fez-me lembrar dos bons tempos de Tiger Woods. Era, indiscutivelmente, o melhor. Hoje existe um número cada vez maior de grandes craques em suas modalidades, que são seguidos fervorosamente pelos seus fãs.

Satisfeito em ter Roger Federer como g.o.a.t. do tênis, os amantes do esporte da bolinha amarela podem ter também o orgulho de que tenista suíço trouxe admiradores de outras modalidades para as arquibancadas das quadra. E se Federer não é uma unanimidade como o maior esportista de todas as modalidades, respeitando os que idolatram outro esporte, vamos combinar… nada mal ter o título de Pelé do tênis.

 

Nadal enfrenta mais um desafio
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 24, 2018 às 5:21 pm

Enquanto Roger Federer segue voando nas quadras de Melbourne Park, Rafael Nadal já segue viagem de volta para a Espanha para enfrentar mais um desafio. Em exame de ressonância realizado ainda na Austrália confirmou-se uma lesão na perna direita. Segundo o relato de seu assessor de imprensa, Benito Barbadillo, não se trata de nada muito grave, e, provavelmente, três semanas serão suficientes para ele voltar a ação e disputar o ATP 500 de Acapulco, no México.

Não lembro de Rafael Nadal passar um ano sequer de sua carreira, sem ser prejudicado por problemas físicos. E olha que fui vê-lo jogar pela primeira vez, quando o espanhol tinha apenas 16 anos. Isso foi no Masters 1000 de Monte Carlo. E logo depois a então jovem promessa saiu de cena para tratar de uma fratura por estresse. Só fui voltar a vê-lo em Roland Garros do outro ano, quando conquistou seu primeiro título em Paris.

Por este sacrificante histórico, Nadal já deve estar acostumado com estes problemas, mas jamais conformado. Confesso que jamais tinha visto o tenista espanhol sair de quadra tão bravo. Sempre cuidadoso em seus gestos, desta vez, atirou a munhequeira com violência no chão, revelando toda sua indignação. Afinal, ele já sabia que se tratava de uma nova lesão, mais um desafio entre tantos.

Vítima de seu estilo de jogo, de muita força física, Nadal resolveu contra atacar e criticou as autoridades do esporte por um calendário cada vez mais exigente e o grande número de competições em quadras duras. Não há como não concordar com o espanhol. Mas lembro também de outros exemplos, como o de Ivan Lendl, que certa vez fez um calendário dos mais enxutos para manter-se por mais tempo em ação. Hoje, algo muito parecido está ocorrendo com Roger Federer.

Como aprendi na escola de jornalismo: perguntar não ofende. Por que então voltar em Acapulco, torneio que recentemente deixou o saibro para servir como aquecimento às quadras duras de Indian Wells e Miami?

 

Next Gen em ação; e Sandgren mostra que universitário é um bom caminho
Por Chiquinho Leite Moreira
janeiro 22, 2018 às 2:56 pm

É claro que Novak Djokovic não esteve no seu melhor e nem poderia estar, após tanto tempo afastado das competições. Mas não se pode dizer também que Hyeon Chung não deu show em quadra e deixou claro que a nova geração vem com muito talento. O campeão do Next Gen, disputado recentemente em Milão, na Itália, ganhou os corações de muitos torcedores, pelo seu jeito simpático, respostas simples e uma plasticidade de golpes, gostosa de ver.

Para Djokovic fica a esperança de que possa se recuperar prontamente. Sem entrar na discussão entre os torcedores, tenho a certeza de que é o sérvio é um personagem que faz bem ao tênis. Seu reconhecimento ao bom tênis apresentado pelo sul coreano é uma prova disso. E não ficou procurando desculpas pela derrota. Revelou-se até otimista, ao considerar que fez um bom torneio, disputando quatro partidas. Mas existe uma verdade no tênis de alto nível. Ninguém vence um Grand Slam sem estar 100%.

Chung fez o seu papel e de forma bem feita. Por ter Djokovic como um ídolo reconheceu que copiou alguns bons golpes do estilo do sérvio. E revelou-se num restaurador de arte de extrema habilidade. É curiosa também a sua história de que começou a jogar tênis por recomendação médica. A bolinha pequena e de cor forte, amarela, poderia ajudá-lo no problema visual. O golfe, com bolinha ainda menor e a distâncias maiores, e também útil para esse exercício visual. E, apenas lembrando, se Chung é o primeiro tenista de seu país a chegar as quartas de final de um Grand Slam, sul coreanos já ganharam Slams de golfe, tanto no masculino como no feminino.

A próxima rodada de Chung é considerada a mais imprevisível do Australian Open 2018. O sul coreano terá pela frente o norte-americano Tennys Sandgren. É um jogador um pouco mais velho. Tem 26 anos e este sucesso um pouco mais tarde tem uma explicação. Ele jogou pela Universidade do Tennessee, por dois anos. E agora está nas quartas de final de um Grand Slam. Espero que isso sirva de lição para alguns treinadores brasileiros que estudo e tênis não combinam e nem que o circuito universitário americano deixe de ser um boa opção. Os resultados podem demorar, mas o tempo não foi perdido. Cultura é uma boa bagagem.