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Jogos da Juventude: Por onde andam os medalhistas?
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 12, 2018 às 9:19 pm

As finais do tênis nos Jogos Olímpicos da Juventude estão marcadas para este fim de semana em Buenos Aires. No sábado, o público argentino terá a oportunidade de torcer pelo anfitrião Facundo Diaz Acosta, que disputa o título contra o francês Hugo Gaston. O jogo está marcado para às 9h45 (de Brasília), com transmissão do site da ITF e do Olympic Channel. A França também tem representação na final feminina, que acontece no domingo, com Clara Burel enfrentando a eslovena Kaja Juvan. A disputa do bronze será neste sábado entre a colombiana Maria Camila Osorio Serrano e a chinesa Xinyu Wang.

Nesta sexta-feira, o tênis brasileiro pôde comemorar a medalha de bronze de Gilbert Klier Júnior. Único representante nacional na competição, o brasiliense de 18 anos ficou em terceiro lugar na chave masculina de simples. Ele vencia a disputa pelo bronze contra o búlgaro Adrian Andreev por 6/4 e 3/1 quando o rival abandonou por lesão nas costas. A medalha de Klier é a terceira da história do país em competições olímpicas no tênis. As duas anteriores vieram na edição passada das Olimpíadas dos jovens, no ano de 2014 na cidade chinesa de Nanjing. Na ocasião, o gaúcho Orlando Luz foi medalhista de prata em simples e ouro nas duplas, em parceria com o paulista Marcelo Zormann.

As duas edições anteriores dos Jogos Olímpicos da Juventude foram realizadas na Ásia, primeiro em Cingapura no ano de 2010 e depois em Nanjing. Entre seus medalhistas de simples, alguns tenistas já confirmaram a condição de jovens promessas, outros ainda seguem em busca de um lugar na elite do tênis mundial, enquanto outros se perderam pelo caminho. Veja como cada um está na atualidade.

NANJING 2014

Masculino
– Ouro: Kamil Majchrzak (POL)
– Prata: Orlando Luz (BRA)
– Bronze: Andrey Rublev (RUS)

Entre os medalhistas de 2014, Rublev é quem mais se destaca na atualidade, embora Orlandinho e Majchrzak vivam o melhor momento de suas carreiras.

Entre os medalhistas de 2014, Rublev é quem mais se destaca na atualidade, embora Orlandinho e Majchrzak vivam o melhor momento de suas carreiras. (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Bronze na China, Rublev conseguiu se estabelecer primeiro entre os grandes jogadores. Atualmente com 20 anos, o jovem russo aparece no 73º lugar do ranking mundial e chegou a ocupar a 31ª posição. Ele já tem aum título de ATP 250, conquistado no saibro croata de Umag no ano passado, além de ter chegado às quartas de final do US Open de 2017.

Medalhista de Prata, o gaúcho Orlando Luz está com 20 anos. Há uma semana, o ex-líder do ranking mundial juvenil atingiu sua melhor marca como profissional, na 385ª posição. Treinando na Espanha desde o início do ano, Orlandinho aparecia apenas no 725º lugar em janeiro e já disputou três finais de future na temporada, com dois títulos. Já o polonês Kamil Majchrzak, campeão em 2014, está com 22 anos e ocupa o 178º lugar do ranking mundial, melhor marca de sua carreira, e já atingiu duas finais de challenger.

Vale destacar também a situação de Marcelo Zormann, hoje com 22 anos. Voltando a 2014, ele e Orlando Luz chegavam à China vindos do título juvenil de duplas em Wimbledon e conquistaram outro título de expressão. A final disputada em Nanjing foi contra dois russos que atualmente se destacam no circuito, o já citado Rublev e o atual 27º do ranking Karen Khachanov. Zormann tem três títulos de future, venceu quatro jogos de challenger na carreira e alcançou o 467º lugar do ranking. Atualmente na 889ª posição, o paulista de Lins decidiu fazer uma pausa na carreira para tentar superar a depressão e falou abertamente sobre seu momento pessoal em recente entrevista ao TenisBrasil.

Feminino
– Ouro: Xu Shilin (CHN)
– Prata: Iryna Shymanovich (BLR)
– Bronze: Akvile Parazinskaite (LTU)

Nenhuma das medalhistas em 2014 chegou ao top 100 da WTA e a lituana Akvile Parazinskaite já não joga mais profissionalmente

Nenhuma das medalhistas em 2014 chegou ao top 100 da WTA e a lituana Akvile Parazinskaite já não joga mais profissionalmente. (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Nenhuma das três medalhistas da chave feminina em Nanjing chegou ao top 100 no ranking da WTA. A lituana Akvile Parazinskaite, que ficou em terceiro lugar na cidade chinesa, não joga profissionalmente desde 2016, está sem ranking e teve como a melhor marca da carreira o 623º lugar.

Campeã em casa há quatro anos, a chinesa Xu Shilin chegou a liderar o ranking mundial juvenil e quase alcançou o top 200 entre as profissionais. Seu recorde pessoal foi o 202º lugar, alcançado em julho de 2016 e ela atualmente ocupa a 294ª colocação aos 20 anos. Vice em Nanjing, a bielorrussa Iryna Shymanovich está com 21 anos, ocupa o 490ª lugar na WTA e o melhor ranking de sua carreira foi o 367º lugar, alcançado ainda em 2014.

Se por um lado, nenhuma das medalhistas conseguiu vingar no circuito, a chave do torneio olímpico de Nanjing contou com duas jogadoras com evidente destaque na atualidade. A letã Jelena Ostapenko, que foi campeã de Roland Garros no ano passado e está no 18º lugar no ranking e a atual 14ª colocada russa Daria Kasatkina. A tcheca Marketa Vondrousova, atual 68ª do mundo, e a norte-americana Sofia Kenin, 50ª, também atuaram naquela competição.

CINGAPURA 2010

Feminino
– Ouro: Daria Gavrilova (RUS)
– Prata: Saisai Zheng (CHN)
– Bronze: Jana Cepelova (SVK)

Zheng está com seu melhor ranking, Gavrilova chegou ao top 20 no ano passado e Cepelova já foi top 50 e tem vitória sobre Serena Williams no currículo

Zheng está com seu melhor ranking, Gavrilova chegou ao top 20 no ano passado e Cepelova já foi top 50 e tem vitória sobre Serena Williams no currículo. (Foto: Paul Zimmer/ITF)

O pódio feminino da edição inaugural das Olimpíadas dos Jovens é o que mais confirmou as expectativas entre suas medalhistas, a começar pela campeã Daria Gavrilova. Atualmente com 24 anos e no 34º lugar do ranking, a jogadora nascida em Moscou ainda defendia a Rússia antes de assumir a nacionalidade australiana em 2015. Gavrilova conquistou o título do WTA Premier de New Haven em agosto do ano passado e chegou a figurar entre as 20 melhores tenistas do mundo.

Vice-campeã em Cingapura, Saisai Zheng vive o melhor momento da carreira aos 24 anos ao ocupar o 58º lugar do ranking. A chinesa alcançou pela primeira vez ao top 60 ainda em 2016, mas conviveu com problemas físicos. Ela ficou seis meses sem jogar por lesão no joelho direito e até saiu do top 100, mas vem recuperando posições desde julho, quando foi finalista do WTA de Nanchang.

Já a eslovaca Jana Cepelova está com 25 anos, chegou a ser top 50 e atualmente ocupa o 273º lugar do ranking. Ela tem uma expressiva vitória sobre Serena Williams, obtida na campanha até o vice-campeonato do Premier de Charleston, em 2014. A chave em Cingapura ainda tinha nomes como Elina Svitolina e Moninca Puig.

Masculino
– Ouro: Juan Sebastian Gomez (COL)
– Prata: Yuki Bhambri (IND)
– Bronze: Damir Dzumhur (BIH)

Campeão em Cingapura, o colombiano Juan Sebastian Gomez aparece atualmente apenas no 1.572º lugar do ranking da ATP

Campeão em Cingapura, o colombiano Juan Sebastian Gomez aparece atualmente apenas no 1.572º lugar do ranking da ATP. (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Campeão em Cingapura, o colombiano Juan Sebastian Gomez chegou a liderar o ranking mundial juvenil em 2010, ano em que completou 18 anos. Atualmente, ocupa a modesta posição de número 1.572 no ranking da ATP com somente dois pontos conquistados. Em sua carreira profissional, possui apenas um título de future em simples e mais sete de duplas e seu recorde pessoal no ranking foi o 496º lugar, alcançado em 2015.

O indiano Yuki Bhambri é o atual 97º do mundo e chegou à 83ª posição em abril deste ano. Já o bósnio Damir Dzumhur é quem conseguiu se manter na elite do circuito. O jogador de 26 anos já tem três títulos de ATP, aparece atualmente no 39º lugar do ranking e tem como recorde pessoal a 23ª colocação, alcançada em julho último.

‘Hábito de ganhar’ fará Orlando e Felipe crescerem, avalia Leo Azevedo
Por Mario Sérgio Cruz
maio 16, 2018 às 11:07 am

As duas últimas semanas foram bastante positivas para dois jovens jogadores brasileiros que treinam na Espanha. O gaúcho Orlando Luz e o paulista Felipe Meligeni Alves, ambos de 20 anos, disputaram uma final de future no Cairo, capital egípcia, vencida por Felipe em dois tiebreaks no último domingo. Foi o primeiro título de simples de sua carreira profissional. Orlando, por sua vez, ganhou dois troféus seguidos nas duplas, um deles com o parceiro paulista.

Jovens em transição para a carreira profissional, Orlando e Felipe foram os primeiros atletas a usufruir da pareceria firmada pela Confederação Brasileira de Tênis e a BTT Tennis Academy, que oferece estrutura de treinamento em Barcelona. Os dois estão desde janeiro e têm acompanhamento do técnico brasileiro Leo Azevedo, que é um dos coordenadores da academia.

Azevedo atuou por oito anos na USTA (Associação Norte-Americana de Tênis), além de já ter trabalhado na Espanha, de 2003 a 2006, na academia de Juan Carlos Ferrero. Em entrevista ao TenisBrasil, o treinador falou sobre os quatro primeiros meses de trabalho na Espanha e os primeiros bons resultados. O experiente técnico avalia que o início de um ‘hábito de ganhar’ fará com que os dois jovens jogadores possam evoluir ao longo da temporada.

Felipe Alves e Orlando Luz trabalham com Leo Azevedo em Barcelona e têm acompanhamento de nomes como Francisco Royg, um dos técnicos de Rafael Nadal. (Foto: Reprodução/Instagram)

Felipe Alves e Orlando Luz trabalham com Leo Azevedo em Barcelona e têm acompanhamento de nomes como Francisco Royg, um dos técnicos de Rafael Nadal. (Foto: Reprodução/Instagram)

Confira a entrevista com Leo Azevedo.

Primeiro, eu gostaria que você fizesse uma avaliação dos primeiros meses de temporada dos dois jogadores, tanto em treinamento quanto nos torneios.
Eles chegaram aqui no começo de janeiro, antes da pré-temporada e não haviam feito uma pré-temporada muito boa. Fizemos uma pré-temporada de quatro a cinco semanas. A primeira gira foi na quadra rápida. Queria que o Orlandinho voltasse a jogar um pouquinho na quadra rápida, porque fazia tempo que ele não jogava. E nos últimos dois anos ele tinha jogado muito pouco.

Não tivemos bons resultados nas duas ou três primeiras semanas, nem de resultado e nem de rendimento. Acho que ainda estava demorando para chegar a mensagem em algumas coisas que eu estava tentando passar para eles. Trabalhamos bem, os dois trabalham duro, mas às vezes a mensagem e a filosofia demoraram um pouco mais para chegar.

Na Tunísia, o Orlando já jogou melhor e fez uma semi. Depois, na Turquia, o Felipe ganhou um jogo muito bom e perdeu para o campeão na segunda tendo match point. Ali já era o final de março e comecinho de abril, e foi quando eles deram uma crescida boa e já entendiam um pouco mais o que eu estava pedindo para eles. O Orlandinho melhorou um pouco o jogo de posição dele, porque estava jogando muito atrás, e o Felipe sabia usar um pouco mais a agressividade dele sem loucura. E os dois melhoraram muito fisicamente. Agora eu posso falar que estou feliz com a performance deles, o resultado está vindo atrás disso. E acho que eles entenderam melhor a mensagem que eu estava passando para os dois e o que eu queria de um e do outro como jogador.

O que pode ser tirado dessas duas semanas no Egito, com um jogo entre eles na final e o título de duplas com eles juntos na semana anterior?
Eu sempre falo para eles que ganhar é um hábito muito bom. O Orlandinho já tinha mais o hábito de ganhar no júnior e ficou uns dois anos com resultados que não seguiram a progressão do último ano de júnior dele, quando ele também havia jogado muito bem no profissional. E o Felipe não tinha ganhado muito ainda. Ganhou um GB1 júnior na Argentina, ganhou um US Open de duplas no júnior, mas ainda não tinha aparecido muito. E ganhar dupla é bom.

Falo para eles que o hábito de ganhar ajuda em tudo. E chegar em uma final com os dois é como se desse um pouco mais de confiança em acreditar que o que eles estão fazendo está no caminho certo, que a decisão de morar fora de casa tem muitas coisas difíceis -não diria negativas, mas difíceis-  e muitos obstáculos. São muitas coisas que você não está acostumado, mas que te fazem amadurecer mais rápido que quando você está no seu país. Mas tudo isso, em algum momento, pode ser que valha a pena. Quando eles ganham a dupla e fazem uma final é um alimento a mais para eles acreditarem que estão no caminho certo.

O Felipe acabou de conquistar o primeiro título da carreira. Até então os melhores resultados haviam sido as quartas. Quais fatores o fizeram dar esse primeiro salto e o quanto isso pode trazer de confiança para ele?
O Felipe, é verdade, ainda não tinha feito nada que chamasse atenção em simples. É um jogador que fisicamente é muito, muito bom. É um jogador que tem um tênis moderno, a bola dele anda bastante, mas que por A, B ou C motivos ainda não tinha vencido. Acho que, com 20 anos, não ter feito uma final de um future já estava meio que incomodando ele. Ele tem muito potencial, mas não combinava isso com o potencial que ele tem.

Eu sempre falava para ele: ‘O dia que você ganhar, talvez você sinta um gostinho que vai te alimentar mais para você poder continuar ganhando’. Ele perdeu alguns jogos este ano que a atitude poderia estar um pouquinho melhor e alguns jogos em que ele poderia acreditar um pouquinho mais. Acho que ganhar faz você acreditar mais em si mesmo. Ganhar faz você mudar sua perspectiva sobre algumas coisas. Na final, ele salvou um monte de set points contra o Orlando. Então que a confiança é talvez o combustível mais importante do jogador. Eu espero que isso o mova pra frente e que ele consiga chegar aos objetivos que eu tracei para ele.

Acho que o fator principal do salto foi que ele amadureceu bastante nesses três ou quatro meses. Tenisticamente a gente conseguiu ordenar essa agressividade que ele tinha, entender que ele pode ser agressivo, mas ordenar um pouco mais taticamente o jogo. Ele é um jogador muito impulsivo e, às vezes, essa impulsividade fazia com que ele saísse do ponto muito rápido. Acho que esses foram os pontos principais, um pouco mais de ordem tática e o amadurecimento como pessoa desses meses morando fora.

Felipe Alves levou a melhor sobre Orlando Luz no Egito e conquistou seu primeiro torneio

Felipe Alves levou a melhor sobre Orlando Luz no Egito e conquistou seu primeiro torneio profissional em simples (Foto: Reprodução/Instagram)

O Orlando teve algumas lesões na temporada passada, a mais recente foi no ombro. Como ele está evolução física dele?
O Orlandinho fisicamente melhorou bastante. Ele chegou aqui um pouco defasado, mas é muito bom trabalhador. Trabalhou bem e, fisicamente, não tem muito o que a gente falar do Orlandinho. Essa semana que ele chegou à final, fez alguns jogos longos, aguentou bem, trabalha bem e não tem mais nenhum resquício de lesão. Está num nível muito bom fisicamente.

Ainda sobre o Orlando, ele tinha algumas dificuldades com o saque e jogava muito com o segundo serviço. O que tem sido trabalhado para que ele possa evoluir nesse sentido?
Quanto à evolução do saque do Orlandinho… Como eu tinha falado antes para algumas pessoas, eu tinha visto ele jogar bastante no júnior. Nos últimos dois anos eu fiquei um pouco sem ver ele jogar, mas vi muitos vídeos. Quando eu comecei, ele realmente sacava bastante o primeiro saque em 3/4 ou como se fosse um segundo, e eu sempre acho que um dos segredos do bom sacador é a mentalidade de sacador. O jogador tem que pensar que é bom sacador e tem que pensar que o saque é uma arma. Tecnicamente eu não mudei nada, só um ajuste pequeno no toss e no giro, que ele mudou um pouquinho, mas é mais a mentalidade de usar o saque mais como uma arma e não só como uma maneira de começar o ponto.

Jogadores como o João Menezes e o Jordan Correia também treinam na Espanha. Há algum intercâmbio com atletas de outros clubes e academias?
O Menezes está aqui em Barcelona, mas o calendário nosso ainda não coincidiu com o dele. A gente voltou e ele foi para a Nigéria, depois a gente viajou e ele voltou para cá. Então ainda não coincidiu. O Jordan está no Ferrero [na academia Equelite, em Alicante], que é um pouco longe, mas eu tenho boa relação com o pessoal de lá. O Pablo Carreño Busta está sempre aqui, porque fica umas semanas aqui e outras no Ferrero, o Roberto Carballes Baena também passa algum tempo aqui e algum tempo lá. Com esses dois a gente conseguiu treinar algumas vezes por conta dessa relação que eu tenho.

A gente também treina com o pessoal de outras academias aqui. O Pedro Cachin, que é um argentino que o [Alex] Corretja ajuda, também treina aqui com eles. A gente teve também um intercâmbio muito bom para as semanas no Egito que eles foram no Godó [Trofeo Conde de Godó, o ATP 500 de Barcelona]. Consegui credencial para os dois, eles treinaram com muita gente, inclusive com o Marcelo Melo, vivenciaram esse nível de torneio e esse ambiente. Acho que foi muito legal, então a genta tenta, na medida do possível, realizar um intercâmbio aqui, não apenas com os brasileiros.

E como foi a experiência deles no ATP?
A gente conseguiu duas credenciais para eles e eles passavam praticamente o dia todo lá. Eles fizeram o trabalho físico lá, aqueceram com o Rogerinho, com o Marcelo Melo e com muita gente. A minha ideia, mais que o lado tenístico de bater bola com os jogadores. Era vivenciar o ambiente para fazer o contraponto. Eles estavam jogando future na Tunísia e na Turquia e, de repente, vão para o ATP que foi eleito o melhor do ano passado.

De repente, isso dá uma provocada neles: ‘É aqui que eu quero estar, não no outro’. Então é importante fazer com que eles vivenciem esse ambiente, que é o sonho de qualquer jogador, e usar os torneios menores só como uma ponte, como é para qualquer outros jovens, e passar por ela o mais rápido possível para chegar nesse ambiente de ATP.

Qual o planejamento para as próximas semanas do circuito?
Nesta semana, a gente está jogando um future na academia em Valldoreix, semana que vem tem um de 15 mil em Vic, que é a 45 minutos da academia. Depois a ideia é jogar um torneio de US$ 25 mil na Romênia. E em julho, devemos mesclar um ou dois torneios de US$ 15 mil e mais alguns de US$ 25 e 50 mil. Aí a gente tem que esperar um pouquinho para ver o ranking.

E de agosto para frente, pensando nessa melhora de ranking, a ideia é só jogar torneios de US$ 25 mil mais hotel e US$ 50 mil. Até por conta dessa mudança no ranking para o ano que vem. Então, a partir de julho a ideia é jogar torneios um pouquinho maiores.

Tem falado com eles sobre essa mudança do ranking pro ano que vem já que future não vai mais dar ponto?
Sim, tenho falado. Aliás, é uma conversa normalíssima e que, quando a gente vai para os torneios todo mundo quer saber. Porque muita gente tem dúvida a respeito, a ITF e ATP estão soltando e-mails e explicando dúvidas. Então, sim, a gente tem conversado muito. Acho que está todo mundo, não sei se assustado é a palavra, mas receoso. Não só os dois, mas todo o pessoal que joga esse nível de torneio, mas estão preparados para a mudança, porque já está decidido, vai ser assim e a gente tem que adequar um pouquinho as mudanças para o ano que vem.

Zverev quebra escrita de oito anos, Pouille já pensa em 2017
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 26, 2016 às 10:17 pm

O fim de semana da ATP foi muito positivo para dois integrantes da nova geração que comemoraram seus primeiros títulos, derrotando adversários do top 10 nas finais. Alexander Zverev foi campeão na cidade russa de São Petersburgo ao marcar 6/2, 3/6 e 7/5 diante de Stan Wawrinka na decisão. Já Lucas Pouille passou por Dominic Thiem, com 7/6 (7-5) e 6/2 na final do ATP de Metz.

Zverev é o primeiro jogador com menos de 20 anos a vencer um ATP desde Marin Cilic em 2008 (Foto: SPB Open)

Zverev é o primeiro jogador com menos de 20 anos a vencer um ATP desde Marin Cilic em 2008 (Foto: SPB Open)

Aos 19 anos, Zverev é o primeiro teenager/”adolescente” a vencer um ATP desde agosto de 2008, quando Marin Cilic foi campeão de New Haven aos 19 anos. Naquela mesma temporada, Kei Nishikori foi campeão de Delray Beach em fevereiro, com apenas 18 anos.

“Ganhar um título é um sonho que se tornou realidade agora e ser o primeiro desde 2008 a vence com tão pouca idade é ótimo, estou muito orgulhoso de mim mesmo”, disse Zverev em entrevista à ATP.

“Vencer Tomas Berdych na semifinal e Stan Wawrinka, que é o campeão do US Open, na final é algo de que eu me orgulho ainda mais”, acrescentou o alemão que saltou do 27º para o 24º lugar no ranking. Antes da última semana, ele tinha apenas uma vitória contra top 10 na carreira, obtida diante de seu ídolo Roger Federer na grama de Halle.

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Zverev tenta ser o primeiro jogador com menos de 20 anos a terminar uma temporada no top 20 desde que Novak Djokovic e Andy Murray o fizeram em 2006. Considerando apenas os resultados da atual temporada, o jovem alemão já é o 19º tenista que mais pontuou em 2016.

 

Lucas Pouille já derrotou cinco top 10 no ano, está entre os 16 melhores e já projeta o Australian Open

Lucas Pouille já derrotou cinco top 10 no ano, está entre os 16 melhores e já projeta o Australian Open

Já o francês Pouille alcançou o 16º no ranking mundial com o título em seu país. Algoz de Rafael Nadal no US Open, o jovem de 22 anos chegou à quinta vitória contra top 10 na temporada e na carreira e já saltou mais de sessenta posições em relação ao ranking que ocupava na primeira semana de 2016.

“Estou muito feliz. É uma honra ganhar meu primeiro título de ATP na França, junto da família e amigos. É ainda mais especial vencer quando eles estão aqui e poder compartilhar a felicidade com todos eles”.

Pouille passou pelos cabeças de chave 1 e 2 nas rodadas finais, David Goffin e Dominic Thiem. “Eu tive vitórias no passado contra esses dois jogadores e estava me sentindo bem física e mentalmente, então eu sabia que se desse 100%, teria chance de ganhar”.

Depois de chegar às quartas de final em dois Grand Slam, Pouille espera manter sua posição estratégica no ranking ou até mesmo melhorar já projetando a próxima temporada. “Eu adoraria terminar o ano no Top 16, para que eu possa ter uma boa posição entre os cabeças de chave no Aberto da Austrália”.

Osaka é top 50 – A japonesa de 18 anos Naomi Osaka não conseguiu título na semana, mas teve uma expressiva campanha até a final do WTA Premier de Tóquio. Ela passou pela 12ª do ranking Dominika Cibulkova nas oitavas e por Elina Svitolina, 20 do mundo, na semi antes de parar na ex-número 1 e então 28ª colocada Caroline Wozniacki, que a venceu por 7/5 e 6/3.

Osaka não sacou tão bem quanto pode na final e sofreu com algumas devoluções de segundo saque com backhand na paralela de Wozniacki. Os 32 erros não-forçados, muitas vezes na tentativa de antecipar a definição dos pontos, contra só 16 da dinamarquesa também minaram seu plano tático no jogo decisivo.

Tímida durante sua primeira premiação de torneio, Osaka tem dado poucas entrevistas, mesmo na boa campanha que fez em seu país, mas já assinou contrato com a IMG para gerenciar sua carreira. A japonesa de 1,80m tem pai haitiano e treina na Flórida. Com os 305 pontos somados em Tóquio, ela já tem o melhor ranking da carreira ao alcançar o 47º lugar. Além disso, ela passa a ser a atleta mais jovem do top 50.

Osaka tem sido mais aberta nas coletivas de imprensa, onde consegue se expressar melhor sobre as partidas. Exemplo disso está na transcrição do que ela disse após a dura derrota para Madison Keys no US Open. É uma personagem interessante para os próximos anos do circuito, tenista legal de torcer e um mito do Twitter.

https://twitter.com/NaomiOsakaWTA/status/776933066489102336

Monteiro tem melhor ranking – Finalista no challenger de Santos, Thiago Monteiro poderia ter saído do litoral paulista com seu segundo título neste porte e o posto de número 1 do Brasil, mas o argentino Renzo Olivo foi campeão com parciais de 6/4 e 7/6 (7-5). A conquista não veio, mas o canhoto de 22 anos bateu o recorde pessoal no ranking ao ocupar o 87º lugar

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Monteiro tem seu recorde pessoal no ranking ao alcançar o 87º lugar (Foto: João Pires)

Monteiro é o décimo jogador mais jovem no top 100 e vê apenas sete jogadores mais novos do que ele melhor colocados. Com apenas 52 pontos a defender até o fim do ano, dos quais apenas 32 contam para seu ranking atual, ele deverá fechar a temporada entre os cem melhores e disputar seu primeiro Grand Slam na Austrália, em 2017.

2016-09-26

Na semana que vem, Monteiro joga o challenger de campinas. O cearense será um dos favoritos do torneio, ao lado do dominicano Victor Estrella Burgos, do paulista Rogério Dutra Silva e dos argentinos Carlos Berlocq e Leonardo Mayer.

Menezes de volta, Orlando e Zormann na chave – Fim de semana positivo também para outros nomes da nova geração brasileira. Orlando Luz e Marcelo Zormann furaram o quali do challenger de Medellín e cada um já soma cinco pontos no ranking.

Zormann, aliás, já até conseguiu uma vitória na chave principal sobre o argentino Andrea Collarini por 6/3, 2/6 e 6/4 para chegar à sua quarta em nível challenger na carreira.

Outra novidade do torneio colombiano foi a volta de João Menezes às competições. O mineiro de 19 anos passou dez meses sem jogar e precisou de três cirurgias no joelho esquerdo. Ele chegou a avançar uma rodada no quali, antes de cair para Orlando Luz.

Chung defende título – Também na última semana, o sul-coreano Hyeon Chung defendeu o título do challenger de Kaohsiung, em Taiwan, ao derrotar o compatriota Duckhee Lee por 6/4 e 6/2. Depois de ficar quatro meses parado por lesão abdominal, o ex-número 51 do mundo aparece apenas no 132º lugar.

Foi apenas o segundo torneio desde a volta às quadras, sendo que na semana anterior ele foi finalista na cidade chinesa de Nanchang. Chung já tem seis títulos de challenger e venceu ao menos um título por ano nas últimas três temporadas.

 

Raio-X dos juvenis brasileiros em Grand Slam
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 10, 2016 às 12:44 pm

A participação brasileira nas chaves juvenis de Grand Slam na temporada termina neste sábado, quando Felipe Meligeni Alves disputa a final de duplas masculinas no US Open. O paulista de 18 anos joga ao lado do boliviano Juan Carlos Aguilar enfrenta os canadenses Felix Auger-Aliassime e Benjamin Sigouin na quadra 17 do complexo Billie Jean King em Flushing Meadows.

Em 2016, os principais resultados foram obtidos nas duplas, já que além do resultado de Meligeni, o gaúcho Orlando Luz foi vice-campeão em Roland Garros. Em simples foram apenas duas vitórias em chaves principais, exatamente com Orlando e Felipe.

Em número de jogadores, houve queda na representação. Somente quatro meninos participaram de chaves principais na temporada: Gabriel Décamps, Orlando Luz, Felipe Meligeni Alves e Rafael Wagner. Outros dois jogaram qualis: Lucas Koelle e Thiago Wild.

Infelizmente nenhuma menina conseguiu entrar em chave de Grand Slam na temporada. Quem esteve mais perto foi a paulista Marcelle Cirino, que venceu a etapa brasileira do Rendez-Vous à Roland Garros e disputou uma seletiva mundial em Paris.

2016-09-09 (10)

A menos que alguém suba muito no ranking, o quadro mais provável é que de novo apenas três meninos disputem os Grand Slam juvenis no ano que vem. Décamps ainda tem mais um ano na categoria, enquanto o pernambucano João Lucas Reis e o paranaense Thiago Wild estão com 16 anos e entre os 200 no ranking da ITF. O paulista Mateus Alves, de apenas 15 anos, tem potencial para ganhar terreno, mas apostaria nele mais para 2018.

No feminino, a situação está ainda mais difícil depois que as ex-top 15 Bia Haddad Maia e Luisa Stefani deixaram as competições juvenis. Nenhuma menina brasileira disputou um Grand Slam juvenil, cenário bem diferente dos quatro anos anteriores que tiveram no mínimo uma brasileira em cada torneio.

Nossas cinco primeiras jogadoras no ranking da categoria vão para o último ano de juvenil em 2017 e apenas a paulista Thaísa Pedretti está próxima do top 100 e podendo projetar um quali de Slam, a menos que alguém ganhe muitas posições. A possibilidade de mudar o quadro seria acumular bons resultados na Gira Cosat entre janeiro e fevereiro do ano que vem, além de aproveitar bastante os valiosos pontos em disputa do Campeonato Sul-Americano Individual, marcado para 20 de fevereiro do ano que vem.

ÚLTIMOS ANOS

2016-09-09 (5)

Australian Open – Nenhum jogador brasileiro participou da competição, que já teve o alagoano Tiago Fernandes campeão de simples há seis anos. De fato é uma viagem cara e o calendário é difícil de encaixar com uma série maior de torneios, o que afugenta alguns jogadores mesmo que eles tenham ranking para entrar diretamente. Fato é que o Brasil chegou a colocar quatro jogadores no Australian Open há dois anos e em 2016 não houve representação.

Os principais resultados nos últimos cinco anos foi a campanha do paulista Marcelo Zormann até às oitavas de final de simples em 2014, além das presenças de Thiago Monteiro e Orlando Luz nas quartas de duplas.

2016-09-09 (4)

ROLAND GARROS – Tradicionalmente o Grand Slam de maior sucesso brasileiro, Roland Garros teve seis representantes. Desde o ano passado, o Rendez-Vous à Roland Garros levou jogadores nacionais à seletiva de Paris. Foi assim que Rafael Wagner conseguiu uma vaga na chave principal, mas a paulista Marcelle Cirino não conseguiu avançar.

Nos últimos anos, tivemos três vice-campeonatos de duplas, dois deles com a canhota Beatriz Haddad Maia. Bia, que já está com 19 anos, ainda fez oitavas em Paris em duas ocasiões e perdeu apenas para as campeãs Annika Beck em 2012 e Belinda Bencic no ano seguinte.

A temporada de 2014 foi a mais promissora para os juvenis brasileiros nos últimos anos e teve três bons resultados em Paris, as semis de simples e duplas para Orlando Luz, as quartas de Marcelo Zormann e a semi de duplas de Luisa Stefani, que foi 10 do mundo em sua categoria.

Encerrando seu ciclo juvenil com apenas três torneios no ano, Orlando Luz encaixou o Grand Slam francês no meio de uma gira de torneios profissionais no saibro europeu. Semanas depois de ser vice-campeão de duplas em Paris, ele venceu seu primeiro título future na República Tcheca. A escolha pelo US Open agora em setembro não foi tão produtiva no calendário, já que ele vinha de uma boa semana no saibro polonês e mudou repentinamente de piso. Pode ter valer apenas pelo intercâmbio e menos para a confiança e possibilidade de pontuar na ATP.


2016-09-09 (6)

Wimbledon – Na grama londrina, o Brasil conseguiu seu último título de Grand Slam juvenil há dois anos com Orlando Luz e Marcelo Zormann. No mesmo ano, o canhoto gaúcho Rafael Matos e o mineiro João Menezes foram às quartas de duplas.

Em simples, novamente destaque para Bia Haddad Maia, que há três anos esteve nas oitavas. Sua algoz na ocasião foi a cabeça 2 croata Ana Konjuh, a mesma que nesta semana chegou às quartas de final na chave principal do US Open.

O ano passado foi atípico, porque os principais juvenis brasileiros foram convocados para os Jogos Pan-Americanos de Toronto, mas o tênis saiu sem medalhas do Canadá. Já neste ano, apenas Felipe Meligeni Alves e Gabriel Décamps conseguiram entrar diretamente na chave.

2016-09-09 (9)

US Open – Os três brasileiros que estavam na chave de simples este ano caíram ainda na rodada de estreia. Orlando Luz e Gabriel Décamps enfrentaram os cabeças 3 e 4 Ulises Blanch e  Geoffrey Blancaneaux (campeão de Roland Garros). Felipe Meligeni Alves perdeu um jogo equilibrado de três sets para o australiano Blake Ellis, em duelo entre dois top 50 separados por apenas oito posições. Ainda assim, o setor na chave era duro e teria o líder do ranking Stefanos Tsitsipas na segunda rodada.

Nas duplas, o Brasil conseguiu recentemente as duas primeiras finais juvenis de US Open na história. Primeiro, o mineiro João Menezes e o gaúcho Rafael Matos foram vice-campeões em 2014 e caíram diante do australiano Omar Jasika e do japonês Naoki Nakagawa. Já em 2016, Felipe Meligeni Alves tenta o inédito título junto do boliviano Aguilar.

TÍTULOS E FINAIS

O tênis brasileiro tem três títulos juvenis de Grand Slam. O primeiro foi conquistado por Gustavo Kuerten nas duplas em Roland Garros em 1994, ao lado do equatoriano Nicolas Lapentti. Em 2010, o alagoano Tiago Fernandes foi campeão de simples no Australian Open. Infelizmente, ele deixou o tênis em 2014 com apenas 21 anos e se dedica aos estudos de engenharia civil. Já há dois anos, Orlando Luz e Marcelo Zormann foram campeões de Wimbledon nas duplas.

Outros brasileiros já estiveram em finais de Grand Slam juvenil. No saibro de Roland Garros, Edison Mandarino em 1959, Thomaz Koch em 1962 e 1963, além de Luis Felipe Tavares em 1967 decidiram o torneio individual. Já na grama inglesa de Wimbledon, Ivo Ribeiro foi vice em 1957 e Ronald Barnes fez o mesmo dois anos depois.

Nas duplas, Guilherme Clezar foi vice de Roland Garros em 2009, tal como Bia Haddad nas temporadas de 2012 e 2013 e Orlando Luz este ano. Antes disso, em 1994 foi a vez de Ricardo Schlachter ser finalista de duplas no juvenil de Wimbledon.

 

O que os jovens jogadores disseram em Wimbledon
Por Mario Sérgio Cruz
julho 2, 2016 às 11:22 am

Cinco dias de Wimbledon já se passaram. O que para um torneio em condições normais representaria metade das terceiras rodadas masculina e feminina já concluídas, a chuvosa edição de 2016 atrasou bastante a programação a ponto de a organização do evento realizar jogos no tradicional Middle Sunday pela quarta vez na história.

Vários jovens jogadores estiveram em quadra nos primeiros dias do britânico e disseram coisas interessantes, que muitas vezes acabam passando batidas no noticiário pela necessidade de destacar tudo o que acontece no torneio. Busquei algumas declarações de Taylor Fritz, Nick Kyrgios, Dominic Thiem, Madison Keys e Eugenie Bouchard sobre as primeiras partidas da semana na grama do All England Club.

Fritz não reclamou da sorte por enfrentar Wawrinka na estreia (Foto: Joel Marklund/AELTC)

Fritz não reclamou da sorte por enfrentar Wawrinka na estreia (Foto: Joel Marklund/AELTC)

Fritz não reclamou da sorte. Logo em sua primeira participação em Wimbledon, deu de cara com Stan Wawrinka, mas o americano de 18 anos preferiu destacar a experiência de enfrentar um grande jogador e não se intimidou por jogar em uma quadra tão grande pela primeira vez.

“É claro que você sempre quer a melhor chave possível, mas eu estava animado por ter a chance de jogar contra um dos melhores do mundo. Quando vi a chave, eu realmente não reclamei. Tentei apenas ser positivo quanto a isso”, disse o americano após a derrota por 7/6 (7-4), 6/1, 6/7 (2-7) e 6/4. “Vejo que eu não posso me dar ao luxo de me descuidar em alguns pontos e games contra esses grandes jogadores. Eles realmente tiram proveito disso e não te deixam voltar para o set depois que você faz alguns erros”.

“Foi muito bom entrar em quadra e sentir a atmosfera. Fiquei muito feliz com o fato de que isso não me incomodou. Eu não estava nervoso”, avaliou o ex-número 1 juvenil. “Isso era algo que me preocupava, mas não foi o caso. Eu estava bastante confortável e foi uma grande experiência”.

Thiem foi eliminado ainda na segunda rodada (Foto: Jed Leicester/AELTC)

Thiem foi eliminado ainda na segunda rodada (Foto: Jed Leicester/AELTC)

O precocemente eliminado Dominic Thiem, número 8 do mundo, citou a perda da quebra de vantagem que tinha no primeiro set e a postura defensiva nos três tiebreaks contra Jiri Vesely como decisivos para sua derrota na segunda rodada. “O maior erro em todo o jogo foi a quebra [sofrida] no primeiro set. Joguei muito na defensiva nos tiebreaks e cometi erros não-forçados. Tive muitos problemas com o saque dele e mesmo quando conseguia devolver a bola em quadra, joguei mal nos ralis”.

Kyrgios comentou sobre o imprevisível estilo de jogo de Dustin Brown, que foi seu adversário nesta sexta-feira pela segunda rodada e teceu muitos elogios ao show-man alemão. “Ele deu um drop-shot por entre as pernas que fez eu me sentir horrível. Tem horas que você literalmente não quer jogar, apenas guardar a raquete”.

“Ele pode bater um backhand saltando que vai parar na lona, ou então conseguir um dos melhores voleios que você já viu. Acho importante ter um cara como ele jogando. É um jogo totalmente diferente do meu, ou do Gael Monfils. É um grande atleta, muito talentoso e ótima pessoa”.

AELTC/Joel Marklund . 01 July 2016

Kyrgios e Brown fizeram duelo de cinco sets e pontos bonitos pela segunda rodada (Foto: Joel Marklund/AELTC)

Nova integrante do top 10 feminino e responsável por quebrar um incômodo jejum do tênis americano, Madison Keys já foi perguntada sobre chances de assumir a liderança do ranking. “Acho que eu posso. Estou aqui, obviamente, para trabalhar a cada dia. Não acho que vai ser fácil e nem que vá acontecer só porque as pessoas estão dizendo que vai”, comentou a jovem de 21 anos.

“É por isso que sempre que ouço isso, eu só quero ir para quadra de treino e tentar ficar melhor”, acrescentou Keys. “É uma coisa boa de se ouvir e aumenta a confiança ver que as pessoas pensam isso de mim. Mas, mais do que qualquer coisa, o que apenas realmente vai me faz chegar lá é continuar trabalhando e manter minha cabeça um pouco para baixo ainda”.

AELTC/Jon Buckle . 27 June 2016

Keys já é perguntada sobre chances de ser número 1 (Foto Jon Buckle/AELTC)

Eugenie Bouchard, 22, já foi finalista em Wimbledon e tem um fã clube em cada canto do sistema solar. Mas na segunda rodada, passou pelo teste de jogar como “visitante” diante do público britânico que empurrou bastante a anfitriã Johanna Konta. “Ela é a favorita da casa, então eu não esperava nada diferente. Ainda assim era uma grande atmosfera para jogar, mesmo com toda a torcida contra mim. Eu vejo isso como um desafio e aproveitei a atmosfera, não importa qual seja, porque os fãs estão curtindo o tênis e é isso o que importa”.

Juvenil vai começar – A chave juvenil de Wimbledon dá a largada neste sábado. Os paulistas Gabriel Décamps e Felipe Meligeni Alves serão os dois representantes brasileiros na competição. Houve apenas uma grande torneio preparatório na grama, disputado na semana passada, em Roehampton.

No masculino, o canhoto canadense Denis Shapovalov derrotou o japonês Yosuke Watanuki na decisão -não esperava ver o Watanuki tão bem na grama, aliás- e o americano Ulises Blanch teve uma grande semana com semi de simples e título de duplas ao lado de Vasil Kirkov. No feminino, final russa e título de Anastasia Potapova diante da cabeça 1 Olesya Pervushina.

Grande semana de Orlando Luz – O jovem gaúcho fez sua melhor semana do ano ao furar o quali e conquistar o future de US$ 25 mil de Pardubice, na República Tcheca. Foi o primeiro título profissional de simples na terceira vez em que disputou uma final.

Orlando chegou a vencer adversários com mais de 300 posições à frente dele no ranking nesta semana. Três desses rivais, inclusive, têm ranking melhor que o alemão Peter Torebko, adversário da final deste sábado. Os 27 pontos conquistados garantem um salto de mais de cem posições e o aproximam do melhor ranking. Ele agora segue para o saibro italiano de Nápoles.

Uma incontestável surpresa
Por Mario Sérgio Cruz
junho 6, 2016 às 8:04 pm

Não deixa de ser uma surpresa o título de Geoffrey Blancaneaux na chave juvenil masculina em Roland Garros. Ele é o primeiro anfitrião a vencer na categoria Gael Monfils em 2004. O francês de 17 anos ganhou confiança por ter vencido uma partida no qualificatório para o torneio adulto, mas chegou à competição apenas como 39º do ranking de sua categoria e teria uma chave dura pela frente.

O francês Blancaneaux não estava entre os favoritos, mas passou por chave difícil (Foto: Susan Mullane)

O francês Blancaneaux não estava entre os favoritos, mas passou por chave difícil  (Foto: Susan Mullane)

Nas duas primeiras, adversários completamente diferentes. Blancaneaux estreou eliminando o sólido japonês Yosuke Watanuki, cabeça 4 do torneio e, então, superou o bom saque e o potentes golpes do alemão Louis Wessels. Depois de uma vitória no duelo francês contra Corentin Moutet, simplesmente dizimou o último time campeão da Davis Juvenil, eliminando de forma seguida os canadenses Benjamin Sigouin, Denis Shapovalov e Felix Auger Aliassime, depois de salvar três match points na final.

O título juvenil feminino ficou com a suíça de 16 anos Rebeka Masarova, que repete feitos de Martina Hingis (1993/94) e Belinda Bencic (2013), mas maior destaque fica para a vice-campeã. Com apenas 14 anos, Amanda Anisimova vem mostrando resultados consistentes contra meninas até quatro anos mais velha. Anisimova foi semifinalista no Eddie Herr, vice na Copa Gerdau em Porto Alegre e semifinalista no torneio nacional da USTA. Ela tem nome de peso como técnico, Nick Saviano acompanha os pais da jovem promessa americana.

Orlando Luz foi vice-campeão de duplas em Roland Garros

Orlando Luz foi vice-campeão de duplas em Roland Garros

Boa semana também para Orlando Luz, que aos 18 anos já prioriza circuito profissional, mas entrou na chave juvenil em Paris. Se a campanha de simples foi curta, parando na segunda rodada, a sequência de vitórias nas duplas ao lado do sul-coreano Yunseong Chung até o vice-campeonato pode dar a confiança necessária para a sequência da temporada.O título foi para o israelense Yshai Oliel e o tcheco Patrik Rikl.

Orlando ainda teve a honra de assistir à final masculina de Roland Garros ao Gustavo Kuerten em Paris, o que sem dúvida vale muito mais para um garoto dessa idade (e que quer chegar longe) que uma eventual participação em future na mesma semana. Jogar o juvenil de Wimbledon não deve valer muito a pena para ele, principalmente pela mudança de piso, e neste caso sim é melhor optar por um torneio profissional. Seu próximo torneio é o future italiano de Bérgamo, onde estreia já na terça-feira.

O que esperar do juvenil em Roland Garros?
Por Mario Sérgio Cruz
maio 29, 2016 às 1:48 pm

A chave juvenil de Roland Garros começa neste domingo e é sempre difícil apontar favoritos em um Grand Slam na categoria. Pouco se consegue ver esses garotos jogarem durante o ano e a análise se pauta muito mais em resultados. Também é importante lembrar que uma boa posição no ranking pode ser construída por diferentes caminhos, inclusive por torneios mais fracos. E por último, porque há jogadores não tão bem colocados por já priorizarem o circuito profissional.

Entretanto, o nome do grego Stefanos Tsitsipas é destaque para além da liderança do ranking mundial da categoria e a condição de cabeça 1 do torneio. Ele vem de dezesseis vitórias seguidas, sendo campeão do Trofeo Bonfiglio em Milão há uma semana, intercalado por dois títulos de future no saibro italiano. São três semanas seguidas só de vitórias.

Blanch (esq) tem bom histórico no saibro, Tsitsipas vem de 16 vitórias

Blanch (esq) tem bom histórico no saibro, Tsitsipas vem de 16 vitórias

Há outros bons nomes na chave como o canhoto canadense Denis Shapovalov, que já venceu dois futures em 2016 e fez uma semi de challenger aos 17 anos, mas teve melhores resultados na quadra dura. O agora espanhol Nicola Kuhn (nasceu na Áustria e jogava pela Alemanha), treina na academia de Juan Carlos Ferrero há bastante tempo. Já o cabeça 3 americano Ulyses Blanch, que treina na Argentina, tem bom saque, jogo agressivo e bom histórico no saibro.

O (agora) espanhol Nicola Kuhn treinou com o staff de Raonic durante a semana.

O (agora) espanhol Nicola Kuhn treinou com o staff de Raonic durante a semana.

Chama atenção o caso de Orlando Luz, que decidiu jogar em Roland Garros pela terceira vez seguida. Não, o gaúcho não está “baixando de categoria” ou “voltando ao juvenil”. Ele apenas entrou em uma chave de Grand Slam no ano em que completou 18. A prioridade de seu calendário já são os torneios de nível future, tanto que jogou um na semana passada e jogará outro logo depois de Paris.

As oportunidades que você tem em termos de treinamento e intercâmbio num Grand Slam juvenil, ainda mais para alguém de fora do eixo Europa-Estados Unidos, são muito valiosas. É fato que ele precisa evoluir, ganhar ritmo de jogo e subir no ranking profissional. Mas future de US$ 10 mil tem o ano inteiro, inclusive na semana do Natal se ele quiser jogar, é perfeitamente compreensível encaixar um Grand Slam juvenil no calendário. Eu no lugar dele faria o mesmo.

Orlandinho optou por disputar Masters Juvenil pela segunda vez. (Foto: Susan Mullane/ITF)

Orlando Luz não está “voltando ao juvenil”, apenas entrou na chave de um Grand Slam, o que é normal.

Não é o primeiro, nem será o último jovem a fazer essa escolha. Nos últimos anos, tem sido mais comum no feminino, já que Elina Svitolina, Eugenie Bouchard e Annika Beck entraram em chaves juvenis de Slam, num momento que já eram profissionais. Thiago Monteiro fez o mesmo em 2012, quando jogou só Roland Garros e US Open. Na própria chave de Roland Garros, há exemplo do cabeça 2 húngaro Mate Valkusz que liderou o ranking juvenil por algumas semanas este ano, mas só jogou juvenil no Australian Open.

Orlando fez a lição de casa na estreia contra o francês Louis Tessa e agora irá enfrentar o canadense Felix Auger Aliassime, jogador que é dois anos mais novo, mas já tem vitórias em challenger e no ano passado liderou seu país para o título da Copa Davis Juvenil (campeonato para atletas de até 16 anos).

Entre os quatro brasileiros, Gabriel Décamps é quem tem a chave mais interessante, com possibilidade de encontrar o bom sacador americano Ulyses Blanch nas oitavas de final. Os dois chegaram a se enfrentar no Banana Bowl em março, com vitória Blanch que seria campeão do torneio. Felipe Meligeni Alves estreia já contra um cabeça de chave, o sétimo favorito Yunseong Chung, enquanto Rafael Wagner pode cruzar o caminho do cabeça 1 logo na segunda rodada.

Perigosas comparações
Por Mario Sérgio Cruz
abril 11, 2016 às 5:55 pm

Uma cena comum neste início de temporada masculina tem sido os duelos entre jovens promessas. Aconteceram nos três primeiros Masters 1000 de 2016 e também no ATP de Houston na semana passada. Neste cenário são feitas comparações com Orlando Luz, um jogador que rivalizava com muitos deles durante o circuito juvenil e chegou a liderar o ranking mundial da categoria. Comparar é um processo natural, mas perigoso.

A participação de Orlandinho no 2º ITF Junior Masters durante a última semana deu margem a alguns questionamentos. O gaúcho, que completou 18 anos em fevereiro, não disputava competições juvenis desde o US Open e venceu umas das três partidas que fez no evento, terminando em sétimo lugar.

Orlandinho optou por disputar Masters Juvenil pela segunda vez. (Foto: Susan Mullane/ITF)

Orlandinho optou por disputar Junior Masters pela segunda vez. (Foto: Susan Mullane/ITF)

Eu gosto da proposta do Masters, principalmente por aquilo que o torneio oferece aos jogadores. A ITF e os organizadores entendem que é um momento na carreira deles que pontos no ranking juvenil não são mais interessantes. Então, a premiação é oferecida em garantias de viagens (torneio juvenil não pode pagar em dinheiro) e prioridade de escolha em convites para torneios de alto nível. Campeão do ano passado, o russo Andrey Rublev já disputou 16 torneios ATP, sendo 13 por meio de convites diretamente para chaves principais.

Quando a gente vê Fritz ou Zverev no top 100, Tiafoe vencer jogo de Masters 1000 ou Tommy Paul furar quali de ATP, fica a sensação no público de que Orlando teria “ficado para trás”. Mas essa comparação não leva em consideração uma série de variáveis. Por melhores que sejam suas condições aqui no Brasil – e estamos falando de um garoto que está em um excelente centro de treinamento e que tem um contrato com a Nike desde os 16 anos – as situações de um americano ou europeu são ainda mais favoráveis para que atinjam o alto nível mais cedo. Tem o lado econômico e o fato de poderem ser mais testados em competições. O mais importante é que o próprio Orlando Luz está ciente disso e já deu declarações anteriores nesse ponto.

É muito difícil comparar esse estágio de desenvolvimento com o de um sul-americano. Thiago Monteiro foi número 2 no juvenil e começa colher os frutos só agora aos 21 anos, poderia ser um espelho, mas ele não recebeu a mesma cobrança durante a transição ao profissionalismo. Saindo do Brasil, temos o exemplo do chileno Garin, que ganhou o juvenil de Roland Garros há alguns anos e ele ainda rema nos torneios future e challenger. Os novos argentinos têm um desenvolvimento até mais rápido que brasileiros, mas também se metem no top 100 na casa dos 24 anos. É preciso de tempo.

Impressões do Masters

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Hong e Blinkova venceram o Junior Masters (Foto: Susan Mullane/ITF)

Durante o Masters, pude ver uma das três partidas de Orlando Luz e justamente a mais peculiar. Na derrota por 6/4 e 6/1 para o americano William Blumberg, o jogo começou no sábado no estádio principal, foi interrompido por chuva, e terminou no domingo na Quadra 1, que me pareceu mais rápida.

Na primeira parte do jogo, vi Orlandinho fazer quatro bons games de saque -cedeu só dois pontos no serviço até o 4/4- mas tomou uma quebra pouco antes da interrupção. Chamou atenção também seu posicionamento para devolver saques no lado da vantagem, ficando à esquerda do corredor de duplas para tentar responder saques abertos com forehand. Já na segunda parcial, em condições de quadra bem diferentes, o gaúcho teve bem mais dificuldade de lidar com o saque do adversário.

O título masculino ficou com o sul-coreano Seong Chan Hong, com vitória por 7/5 e 6/3 contra o norueguês Casper Ruud. Acompanhei duas de suas partidas e me pareceu um tenista muito sólido do fundo de quadra (um pouco parecido com Hyeon Chung, mesmo sem a mesma estrutura física, e seu modelo é Kei Nishikori) e com bom jogo de transição e contra-ataque, que funcionaram muito contra o agressivo chileno Marcelo Barrios Vera na semi. Hong está fazendo um ano muito bom já no profissional. Venceu três futures seguidos na Turquia e tem 20 vitórias e apenas uma derrota na temporada, sem contar as três vitórias no juvenil.

Quem venceu o feminino foi a russa Anna Blinkova, com 6/4, 6/7 (1-7) e 7/6 (7-4) contra a britânica Katie Swan. A russa chegou a sacar para o jogo no segundo set e viu a adversária -a meu ver, favorita- ter a mesma chance na última parcial. Resultado importante para Blinkova, que havia sofrido uma derrota muito dura na final de Wimbledon no ano passado para outra russa, Sofya Zhuk.

Rendez Vous

No Rendez Vous à Roland Garros, em São Paulo, Lucas Koelle confirmou seu favoritismo. Próximo do top 50 no ranking mundial juvenil, ele já havia ficado perto da vaga direta em Paris. Já Marcelle Cirino, campeã do feminino, teve como destaque a virada incrível na semifinal contra Georgia Gulin, em que reverteu 6/3 e 5/1 para salvar três match points e vencer onze games seguidos. Impressionante reação para a jogadora de 17 anos e que executa um raro backhand de uma mão.

Pelo mundo

Watanuki, campeão do Juvenil de Porto Alegre, já venceu dois futures seguidos

Watanuki, campeão do Juvenil de Porto Alegre, já venceu dois futures seguidos

O destaque da nova geração da semana foi o vice-campeonato de Borna Coric no ATP de Marrakech. Nos challengers, Stefan Kozlov foi vice em Guadalupe com Taylor Fritz, e Yoshihito Nishioka nas semifinais, mas o título ficou com o veterano Malek Jaziri. Já pelo circuito future, o japonês Yosuke Watanuki (campeão da Copa Gerdau) venceu o segundo torneio seguido em seu país. Dois títulos profissionais também tem agora o canhoto canadense de 16 anos Denis Shapovalov, após vencer o future de Memphis.