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Zverev lidera sua geração nos números e atitudes
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 19, 2018 às 8:53 pm

Campeão do ATP Finals, Alexander Zverev ratificou ainda mais sua condição como o grande nome da nova geração do tênis. Em um final de semana excelente, ele superou os principais cabeças de chave e dois dos maiores vencedores na história do torneio sem perder sets. Foi assim com o hexacampeão e recordista de títulos Roger Federer na semifinal e com o dono de cinco conquistas Novak Djokovic na rodada decisiva.

Em um momento em que o circuito masculino tem sido dominado por jogadores acima dos 30 anos, que hoje ocupam sete vagas do atual top 10, o alemão de 21 anos vem conseguindo marcas que não vistas há praticamente uma década. Um exemplo é que Zverev é o mais jovem campeão do torneio desde o próprio Djokovic, que tinha a mesma idade quando triunfou na China em 2008. Além disso, desde que a ATP passou a promover seus novos nomes do circuito, há pouco mais de dois anos, o alemão vem sempre se mantendo um ou mais degraus acima de outros companheiros na mesma faixa etária.

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Integrante mais jovem do atual top 10, Zverev termina a segunda temporada seguida na quarta posição do ranking mundial e está a apenas 35 pontos do terceiro colocado Federer. Por mais que 2018 tenha sido um bom ano para jogadores jovens, nenhum dos atletas contemporâneos do alemão conseguiu romper a barreira dos dez melhores do mundo.

Ambos com 22 anos, Karen Khachanov e Borna Coric são os mais próximos de entrar no top 10, já que ocupam o 11º e o 12º lugar no ranking divulgado nesta segunda-feira. Ainda no top 20, estão o britânico de 23 anos Kyle Edmund, 14º colocado, seguido pelo grego de 20 anos Stefanos Tsitsipas seguido e pelo russo de 22 anos Daniil Medvedev. O top 30 ainda conta com o sul-coreano de 22 anos Hyeon Chung (25º) e com o canadense de 19 anos Denis Shapovalov (27º).

Entre todos esses expoentes da nova geração, Zverev é de longe o jogador com maior número de títulos. Já são dez ao todo, incluindo o Finals e três Masters 1000. Khachanov tem quatro conquistas, com destaques para o Masters de Paris, Medvedev venceu três torneios, enquanto Coric tem dois, contra um de Edmund e Tsitsipas. Chung e Shapovalov ainda não venceram um torneio da ATP.

Nas vitórias contra jogadores do top 10, Zverev lidera por 19 a 12 sobre Coric, seu perseguidor mais próximo. Khachanov venceu sete jogos na carreira contra top 10, quatro deles seguidos na campanha vitoriosa em Paris. Outro que também bateu sete nomes deste nível é Tsitipas. Edmund tem duas vitórias contra top 10, enquanto Chung, Medvedev e Shapovalov só venceram um jogo deste porte, cada um.

Em torneios Masters 1000, além dos títulos de Zverev e Khachanov, os únicos que disputaram finais foram Tsitsipas e Coric, enquanto Shapovalov já esteve em duas semis. O único feito em que alguns colegas superam o alemão é uma boa campanha em Grand Slam. Ao passo que Zverev tem como melhor resultado as quartas de final de Roland Garros, Edmund e Chung deram um passo a mais e foram semifinalistas na Austrália em janeiro.

Outros dois bons jovens jogadores rondando as primeiras posições são os australianos Alex De Minaur e Nick Kyrgios. Revelação da temporada e número 31 do mundo aos 19 anos, De Minaur já chegou a duas finais de ATP e ainda busca o primeiro título e a primeira vitória contra um top 10. Já o controverso Kyrgios tem 23 anos, já foi número 13 do ranking e hoje aparece no 36º lugar. Ele já tem quatro títulos de ATP, foi finalista no Masters 1000 de Cincinnati no ano passado e acumula 15 vitórias sobre adversários nas dez primeiras posições.

Nos confrontos diretos, Zverev leva vantagem sobre quase todos os adversários. O alemão tem 4-0 contra Medvedev e Edmund, 3-0 sobre De Minaur, 2-0 sobre Shapovalov e 2-1 diante de Khachanov. O histórico está empatado contra Tsitsipas e Kyrgios, sendo 1-1 diante do grego e 3-3 contra o australiano. Apenas Coric e Chung tem retrospecto positivo contra o alemão. O croata lidera por 3-1, enquanto o sul-coreano tem 2-1.

Por conta desses e de outros números que o colocam um nível acima, Zverev foi perguntado após o título em Londres se ele sentia como um líder da nova geração do circuito. “Eu não posso te dizer se eu serei o futuro líder do tênis, que é uma questão muito profunda no momento, e não acho que eu deveria ser o único a responder a esta pergunta, não sou qualificado para isso”, comentou após derrotar Novak Djokovic por 6/4 e 6/3 no último domingo. “Eu me sinto ótimo, mas o futuro ainda tem muitos anos pela frente e tudo pode acontecer. O que eu sei é que vou fazer o possível para estar no topo, por isso tenho que vencer os melhores nos grandes torneios”,

Zverev lembrou até mesmo do retrospecto recente de Djokovic contra os jovens jogadores para comentar o sucesso da nova geração do tênis. Durante o segundo semestre de 2018, Djokovic venceu 35 dos últimos 38 jogos que disputou e só foi parado por nomes da nova geração nesta metade do ano. Antes de Zverev, os únicos que conseguiram derrotar o sérvio nesse período foram Tsitsipas nas oitavas de em Toronto e Khachanov na decisão em Paris. “Os dados estão lá. Novak perdeu para Khachanov em Paris e para Tsitsipas em Toronto. Fico feliz em ver que a nova geração está chegando pouco a pouco”.

Líder fora de quadra – O jovem jogador de 21 anos também vem exercendo uma figura de liderança nas discussões sobre o calendário do circuito e a duração da temporada. Além de já ter se posicionado contra a mudança nas datas e formato da Copa Davis. “Eu não vou jogar a Copa Davis em novembro. Nós tempos um mês e meio entre uma temporada e outra, no final de novembro e em dezembro. Fazer um torneio no fim de novembro, quando todos nós estamos cansados é uma loucura. Nós, como jogadores top, tivemos conversas com a ATP para diminuir a temporada e não torná-la ainda mais longa”, disse ainda durante o Masters 1000 de Xangai.

“O problema não é nem a quantidade de torneios que jogamos no ano, mas quanto tempo dura a temporada. Mesmo se você não estiver jogando um torneio naquela semana, você não pode tirar essa semana de folga. Você tem que estar treinando, você tem que estar se preparando”, comentou após a fase de grupos do Finals, em Londres. “Nós não temos tempo para nos preparar fisicamente e mentalmente, e também não temos tempo para nos dar descanso. Você só pode fazer isso durante período de pré-temporada, e não quando há outros torneios em que você apenas não está jogando”

O atual número 4 do mundo também cita suas conversas com o líder do ranking mundial e presidente do Conselho de Jogadores da ATP Novak Djokovic para justificar sua posição. “Se você perguntar a Novak, ele concorda comigo. Já tivemos essa conversa. Ele tem pensado da mesma forma nos últimos 10 anos, mas nunca falou sobre isso. Agora que os jogadores estão falando sobre o assunto, ele também fala”.

Sinal de amadurecimento – Zverev nunca escondeu um lado mais explosivo, nas discussões ríspidas com árbitros ou em respostas atravessadas em entrevistas coletivas. Mas durante a semana em Londres, deu sinais de maturidade também nesse lado. Especialmente no episódio das vaias sofridas nos momentos decisivos da semifinal contra Roger Federer, vencida por 7/5 e 7/6 (7-4) no último sábado. Quando perdia o tiebreak do segundo set por 4-3, alemão parou um ponto que era dominado por Federer e o árbitro Carlos Bernardes aplicou a regra do ‘let’ para mandar voltar a jogada, depois que um dos boleiros deixou a bola correr no fundo da quadra. Na volta, o germânico encaixou um ace e foi vaiado pelo público.

Embora Zverev tenha agido dentro das regras, criou-se um ambiente seguiu hostil ao jovem jogador de 21 anos até o final do jogo e ele chegou a pedir desculpas aos torcedores. “Em primeiro lugar, quero me desculpar pela situação no tiebreak. O boleiro deixou uma bola cair e a regra diz que é preciso repetir o ponto”, disse Zverev em entrevista ainda em quadra logo após a partida. “Já pedi desculpas a Roger na rede, e ele me disse que ‘está tudo bem e que está nas regras’. E agora falo para o público, porque há muitos fãs de Roger aqui. Por tudo o que ele conseguiu, ele é quem tem mais fãs no mundo”.

https://twitter.com/TennisTV/status/1063827548273078272

Aos jornalistas, Zverev também falou sobre o incidente e não escondeu o quanto a situação o abalou emocionalmente. “Quando você é vaiado, nunca é uma sensação agradável. Eu pedi desculpas ao Roger na rede depois e ele me disse: ‘Você não tem absolutamente nada para se desculpar, não se preocupe com isso’. Mas talvez algumas pessoas do público não sabiam o que realmente aconteceu e qual era a situação”, afirmou. “As vaias se transformaram em aplausos depois, o que me ajudou. Obviamente, muitas emoções estão passando pela minha cabeça. Fiquei muito chateado no vestiário também, não vou mentir. Tive que tirar alguns minutos para mim. Eu espero que as pessoas que estavam vaiando vejam o que realmente aconteceu. Talvez apenas percebam que eu talvez não tenha feito nada de errado”.

As palavras do número 1 – Superado por Zverev na decisão do Finals, Djokovic acredita que o jovem alemão tem potencial para superar seus feitos no circuito. Apesar da decepção pela derrota e desempenho na partida de domingo, o pentacampeão do torneio fez questão de valorizar a inédita conquista de seu adversário.

“Há muitas semelhanças em termos de trajetória em relação às nossas carreiras e espero que ele possa me superar”, disse Djokovic, ao ser lembrado que Zverev é o campeão mais jovem do torneio desde o próprio sérvio em 2008. “Posso dizer que ele é uma pessoa com muita dedicação e merece tudo o que está recebendo, embora ainda tenha muito tempo pela frente. Se ele pode ganhar títulos de Grand Slam? É claro, mas já sabemos disso há muito tempo, não só a partir de hoje”.

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“Estou desapontado com meu jogo mas, ao mesmo tempo, muito feliz por ver o Alexander ganhar um título tão importante como este”, comenta o sérvio sobre o título mais importante da carreira de Zverev. “Temos um ótimo relacionamento, vivemos no mesmo lugar, somos uma grande família e compartilhamos muitas coisas, dentro e fora de quadra. Você o vê levantando o troféu e rapidamente entende o quanto isso significa para ele. Ele merece”.

Perguntado sobre a afirmação de Djokovic, Zverev respondeu com bom humor. “Novak disse que posso acabar ganhando mais títulos que ele? Jesus não! Isso é muita coisa!”, comenta o jovem campeão. “Quero dizer, eu ganhei esse torneio uma vez, ele ganhou cinco. Ele ganhou, eu não sei, uns 148 títulos mais do que eu. Eu espero que eu possa ter uma grande carreira, mas agora eu só penso em curtir as férias e relaxar um pouco”.

Aos 18 anos, Tiafoe entra no top 100
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 10, 2016 às 11:40 pm

A nova geração americana tem mais um representante no top 100. Depois de Taylor Fritz romper a barreira no início da temporada, Frances Tiafoe atingiu a façanha ao conquistar o challenger de Stockton no último domingo. O jovem de 18 anos vive uma temporada com dois títulos, cinco finais e 39 vitórias em torneios de nível challenger, além de uma vitória em ATP no Masters 1000 de Indian Wells.

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“Isso significa o mundo para mim”, disse Tiafoe ao site da ATP sobre sua chegada ao top 100. Tiafoe é o primeiro jogador nascido em 1998 a atingir essa marca. “Ver seu ranking na primeira página é aquilo que você sonha quando é criança”, acrescenta o jovem que em agosto havia vencido challenger de Granby, no Canadá.

“Mas não é aqui onde eu quero terminar. Venho de boas semanas e quero continuar enfileirando vitórias”, completou após vencer Noah Rubin na final de Stockton por 6/4 e 6/2. As rodadas finais do challenger tinham quatro jovens americanos, com Michael Mmoh e Mackenzie McDonald chegando à penúltima fase, além do vice-campeão Rubin.

Em março, durante o Banana Bowl, conversei com o técnico brasileiro Léo Azevedo que está desde 2009 na USTA e acompanhou o início da trajetória deste jovem americano. “Nunca trabalhei com o Tiafoe diariamente, mas fui o primeiro que o convidou para vir a um centro da USTA em um fim de semana que tinha clínica”.

“A gente fez um monte de ‘camps’ e começamos a acompanhar muitos desses jovens americanos desde que tinham 12 anos”, contou Azevedo, que ainda destacou a excelente condição física do jogador. “Tiafoe é um atleta formidável, mas o melhor dele ainda está por chegar. Ele vai ser um dos melhores atletas do circuito”. (A íntegra da entrevista está neste link)

Tiafoe & Fritz quebram marcas – Ao lado do atual 71º colocado Taylor Fritz, Tiafoe quebra marcas. A última vez que dois americanos de 18 anos apareceram simultaneamente no top 100 aconteceu em 6 agosto de 1990 com os então adolescentes Pete Sampras e Michael Chang. Já o último país com dois jogadores nessa idade entre os cem melhores foi a França, com Gael Monfils e Richard Gasquet em 6 junho de 2005.

Kyrgios campeão – Outro destaque da semana foi o terceiro título da carreira de Nick Kyrgios. O australiano de 21 anos foi campeão do ATP 500 de Tóquio com vitória por 4/6, 6/3 e 7/5 sobre David Goffin. Na semifinal, ele ainda conseguiu a sexta vitória contra top 10 no ano e décima na carreira ao marcar duplo 6/4 diante de Gael Monfils.

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Kyrgios conquistou seu terceiro título na temporada, bateu o melhor ranking e é o mais jovem a ganhar um ATP 500 desde 2009

Aos 21 anos, Kyrgios é o mais jovem a vencer um ATP 500 desde 2009, quando Juan Martin del Potro foi campeão em Washington. Ele também alcançou o ranking mais alto da carreira, subindo ao 14º lugar. O tênis masculino australiano não comemorava um título tão importante desde 2004, em Washington, com o ex-número 1 do mundo Lleyton Hewitt. No feminino, Samantha Jane Stosur ganhou o US Open há cinco anos.

Career High – O alemão Alexander Zverev segue cada vez mais próximo do top 20. A campanha até as quartas de final do ATP 500 de Pequim o colocou no 21º lugar. Caso derrotasse David Ferrer na última sexta-feira, ele já garantiria um lugar entre os 20 melhores.

Como não tem mais pontos a defender em 2016, além de já avançar uma rodada no Masters 1000 de Xangai é provável que Zverev seja o primeiro jogador com menos de 20 anos a terminar a temporada no top 20 desde que Novak Djokovic e Andy Murray o fizeram em 2006.

Outro jogador que atingiu sua melhor marca pessoal é o britânico Kyle Edmund, que também foi às quartas de final em Pequim e perdeu um jogo de parciais muito distintas para Murray. O jovem de 21 anos entrou no top 50 e aparece no 48º lugar do ranking.

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Votação na WTA – A duas semanas para o fim do calendário regular, a WTA abriu votação para escolher a revelação da temporada. As opções são a americana Louisa Chirico (60ª do ranking aos 20 anos), a suíça Viktorija Golubic (62ª colocada aos 23), a japonesa Naomi Osaka (42ª do mundo aos 18) e a letã Jelena Ostapenko (43ª colocada aos 19).

Entre as quatro indicações, Golubic foi a única a conquistar um título, no saibro de Gstaad. Chirico também teve como ponto alto uma campanha no saibro, chegando à semifinal de Madri. Ostapenko foi finalista em Doha lá em fevereiro, derrotou a então top 10 Petra Kvitova antes de cair para Carla Suárez Navarro, mas não vem de bons resultados. Já Osaka é a mais jovem do top 50, chegou à terceira fase no Australian Open e US Open e foi vice-campeã em Tóquio.

Grego bate na trave – Líder do ranking mundial juvenil, o grego Stefanos Tsitsipas esteve próximo de conquistar seu primeiro challenger aos 18 anos. O jogador de 1,93m foi finalista no saibro marroquino de Mohammedia, mas perdeu a decisão para o canhoto austríaco Gerald Melzer por 3/6, 6/3 e 6/2. Mesmo com o vice-campeonato, ele subiu 72 posições e aparece com seu melhor ranking profissional no 241º lugar.

O que os jovens jogadores disseram em Wimbledon
Por Mario Sérgio Cruz
julho 2, 2016 às 11:22 am

Cinco dias de Wimbledon já se passaram. O que para um torneio em condições normais representaria metade das terceiras rodadas masculina e feminina já concluídas, a chuvosa edição de 2016 atrasou bastante a programação a ponto de a organização do evento realizar jogos no tradicional Middle Sunday pela quarta vez na história.

Vários jovens jogadores estiveram em quadra nos primeiros dias do britânico e disseram coisas interessantes, que muitas vezes acabam passando batidas no noticiário pela necessidade de destacar tudo o que acontece no torneio. Busquei algumas declarações de Taylor Fritz, Nick Kyrgios, Dominic Thiem, Madison Keys e Eugenie Bouchard sobre as primeiras partidas da semana na grama do All England Club.

Fritz não reclamou da sorte por enfrentar Wawrinka na estreia (Foto: Joel Marklund/AELTC)

Fritz não reclamou da sorte por enfrentar Wawrinka na estreia (Foto: Joel Marklund/AELTC)

Fritz não reclamou da sorte. Logo em sua primeira participação em Wimbledon, deu de cara com Stan Wawrinka, mas o americano de 18 anos preferiu destacar a experiência de enfrentar um grande jogador e não se intimidou por jogar em uma quadra tão grande pela primeira vez.

“É claro que você sempre quer a melhor chave possível, mas eu estava animado por ter a chance de jogar contra um dos melhores do mundo. Quando vi a chave, eu realmente não reclamei. Tentei apenas ser positivo quanto a isso”, disse o americano após a derrota por 7/6 (7-4), 6/1, 6/7 (2-7) e 6/4. “Vejo que eu não posso me dar ao luxo de me descuidar em alguns pontos e games contra esses grandes jogadores. Eles realmente tiram proveito disso e não te deixam voltar para o set depois que você faz alguns erros”.

“Foi muito bom entrar em quadra e sentir a atmosfera. Fiquei muito feliz com o fato de que isso não me incomodou. Eu não estava nervoso”, avaliou o ex-número 1 juvenil. “Isso era algo que me preocupava, mas não foi o caso. Eu estava bastante confortável e foi uma grande experiência”.

Thiem foi eliminado ainda na segunda rodada (Foto: Jed Leicester/AELTC)

Thiem foi eliminado ainda na segunda rodada (Foto: Jed Leicester/AELTC)

O precocemente eliminado Dominic Thiem, número 8 do mundo, citou a perda da quebra de vantagem que tinha no primeiro set e a postura defensiva nos três tiebreaks contra Jiri Vesely como decisivos para sua derrota na segunda rodada. “O maior erro em todo o jogo foi a quebra [sofrida] no primeiro set. Joguei muito na defensiva nos tiebreaks e cometi erros não-forçados. Tive muitos problemas com o saque dele e mesmo quando conseguia devolver a bola em quadra, joguei mal nos ralis”.

Kyrgios comentou sobre o imprevisível estilo de jogo de Dustin Brown, que foi seu adversário nesta sexta-feira pela segunda rodada e teceu muitos elogios ao show-man alemão. “Ele deu um drop-shot por entre as pernas que fez eu me sentir horrível. Tem horas que você literalmente não quer jogar, apenas guardar a raquete”.

“Ele pode bater um backhand saltando que vai parar na lona, ou então conseguir um dos melhores voleios que você já viu. Acho importante ter um cara como ele jogando. É um jogo totalmente diferente do meu, ou do Gael Monfils. É um grande atleta, muito talentoso e ótima pessoa”.

AELTC/Joel Marklund . 01 July 2016

Kyrgios e Brown fizeram duelo de cinco sets e pontos bonitos pela segunda rodada (Foto: Joel Marklund/AELTC)

Nova integrante do top 10 feminino e responsável por quebrar um incômodo jejum do tênis americano, Madison Keys já foi perguntada sobre chances de assumir a liderança do ranking. “Acho que eu posso. Estou aqui, obviamente, para trabalhar a cada dia. Não acho que vai ser fácil e nem que vá acontecer só porque as pessoas estão dizendo que vai”, comentou a jovem de 21 anos.

“É por isso que sempre que ouço isso, eu só quero ir para quadra de treino e tentar ficar melhor”, acrescentou Keys. “É uma coisa boa de se ouvir e aumenta a confiança ver que as pessoas pensam isso de mim. Mas, mais do que qualquer coisa, o que apenas realmente vai me faz chegar lá é continuar trabalhando e manter minha cabeça um pouco para baixo ainda”.

AELTC/Jon Buckle . 27 June 2016

Keys já é perguntada sobre chances de ser número 1 (Foto Jon Buckle/AELTC)

Eugenie Bouchard, 22, já foi finalista em Wimbledon e tem um fã clube em cada canto do sistema solar. Mas na segunda rodada, passou pelo teste de jogar como “visitante” diante do público britânico que empurrou bastante a anfitriã Johanna Konta. “Ela é a favorita da casa, então eu não esperava nada diferente. Ainda assim era uma grande atmosfera para jogar, mesmo com toda a torcida contra mim. Eu vejo isso como um desafio e aproveitei a atmosfera, não importa qual seja, porque os fãs estão curtindo o tênis e é isso o que importa”.

Juvenil vai começar – A chave juvenil de Wimbledon dá a largada neste sábado. Os paulistas Gabriel Décamps e Felipe Meligeni Alves serão os dois representantes brasileiros na competição. Houve apenas uma grande torneio preparatório na grama, disputado na semana passada, em Roehampton.

No masculino, o canhoto canadense Denis Shapovalov derrotou o japonês Yosuke Watanuki na decisão -não esperava ver o Watanuki tão bem na grama, aliás- e o americano Ulises Blanch teve uma grande semana com semi de simples e título de duplas ao lado de Vasil Kirkov. No feminino, final russa e título de Anastasia Potapova diante da cabeça 1 Olesya Pervushina.

Grande semana de Orlando Luz – O jovem gaúcho fez sua melhor semana do ano ao furar o quali e conquistar o future de US$ 25 mil de Pardubice, na República Tcheca. Foi o primeiro título profissional de simples na terceira vez em que disputou uma final.

Orlando chegou a vencer adversários com mais de 300 posições à frente dele no ranking nesta semana. Três desses rivais, inclusive, têm ranking melhor que o alemão Peter Torebko, adversário da final deste sábado. Os 27 pontos conquistados garantem um salto de mais de cem posições e o aproximam do melhor ranking. Ele agora segue para o saibro italiano de Nápoles.

As jovens promessas em Roland Garros
Por Mario Sérgio Cruz
maio 20, 2016 às 11:34 pm

O sorteio que definiu as chaves de Roland Garros traçou o roteiro das jovens promessas que estarão em quadra nas próximas duas semanas no saibro parisiense. Há quatro bons duelos de novatos, sendo dois no masculino e dois no feminino. Outros nomes de destaque da badalada nova geração do circuito da ATP conheceram não apenas os primeiros rivais, como também o caminho até eventuais duelos contra rivais de renome.

Coric é favorito para duelo da nova geração com Fritz

Coric é favorito para duelo da nova geração com Fritz

Coric x Fritz – Um confronto interessante envolve Borna Coric e Taylor Fritz. Quem passar, deve pegar Bernard Tomic e entra na rota para encontrar Novak Djokovic nas oitavas. Há um contraste de estilos eles e a proposta de jogo do croata, que prolonga mais trocas e é firme do fundo de quadra, tende a prevalecer no saibro. Um ano mais velho, o 44º colocado Coric já disputou seis chaves principais de Grand Slam contra apenas uma do americano, que é 72º do mundo aos 18 anos. Nessa faixa etária é uma diferença considerável.

Chung x Halys – Outra partida que chama atenção conta com o sul-coreano de 20 anos Hyeon Chung, 112º colocado, e o convidado local de 19 anos Quentin Halys, 154º. O vencedor estará no caminho de Pablo Cuevas para a segunda fase e Tomas Berdych na terceira rodada. Chung tem um bom jogo para o saibro, mas vem em queda no ranking, depois de ter ocupado o 51º lugar. Isso se explica pelo calendário mais ousado ao priorizar ATPs e a não-defesa de challengers vencidos em 2015. Por sua vez, Halys está com o melhor ranking da carreira e ganhou seu primeiro challenger no mês passado.

Zverev estreia contra Herbert e pode rever Thiem na 3ª rodada

Zverev estreia contra Herbert e pode rever Thiem na 3ª rodada em Paris.

Finalista de ATP pela primeira vez na carreira nesta semana, Alexander Zverev também tem uma estreia interessante. Com 1,98m aos 19 anos, o jovem alemão testará a potência de seu saque e golpes contra Pierre Hugues-Herbert, que não chega a ser nenhum novato aos 25 anos, mas está em franca ascenção e desenvolveu muito seu tênis pela experiência em alto nível. Caso Zverev passe por essa difícil estreia e vença mais uma, pode até rever Dominic Thiem, adversário deste sábado na final de Nice.

O jovem com a melhor condição entre os cabeças de chave é o australiano de 21 anos Nick Kyrgios, 17º favorito em Paris. Ele vai estrear contra o italiano Marco Cecchinato e tem o quali Adrian Ungur ou lucky loser Igor Sijsling para a segunda fase. Ainda que Richard Gasquet e John Isner tenham rankings melhores, não seria nenhum absurdo ver Kyrgios dominar este setor da chave até encontrar Andy Murray nas oitavas de final.

O torneio feminino perdeu Belinda Bencic, que não jogou na temporada europeia de saibro por conta de uma rachadura no cóccix. A suíça de 19 anos e número 8 do mundo vinha reclamando de dores na região lombar desde março, durante Indian Wells e Miami. Ainda assim, a nova geração tem outros bons nomes no torneio.

A letã Ostapenko enfrentará o bom saque da também jovem Naomi Osaka

A letã Ostapenko enfrentará o bom saque da também jovem Naomi Osaka

Duas das três mais jovens integrantes do top 100, a letã de 18 anos Jelena Ostapenko e a russa de 19 anos Daria Kasatkina entraram como cabeças de chave em Paris e também enfrentam rivais promissoras. Ostapenko será desafiada pela boa sacadora japonesa Naomi Osaka, jogadora de 1,80m aos 18 anos. Já Kasatkina tem pela frenta a alemã de 22 anos Anna-Lena Friedsam, que na temporada passada tirou set de Serena Williams em Paris.

Números de Zverev impressionam
Por Mario Sérgio Cruz
abril 21, 2016 às 6:01 pm

No dia em que completa seu 19º aniversário, Alexander Zverev chegou à sua 31ª vitória em chaves principais de ATP ao eliminar Thomaz Bellucci na segunda rodada do ATP 500 de Barcelona. A expressiva marca do jovem alemão é mais uma que confirma sua posição entre os nomes mais promissores do circuito masculino.

Uma estatística divulgada nesta quarta-feira vem da equipe de comunicação e redes sociais de Wimbledon compara o ranking de Zverev com os dos atuais membros do top 5. Ocupando o 51º lugar no dia em que completa 19 anos, o alemão tem marca melhor que o 63º de Novak Djokovic na mesma idade e próximo do 46º posto de Andy Murray e do 39º lugar de Roger Federer na época. Só não dá para comparar com Rafael Nadal, que já era top 5.

Nadal foi extremamente precoce. O Touro Miúra já acumulava 44 vitórias na carreira ao fim de 2004, ainda aos 18 anos, e venceu outras 79 partidas só na temporada seguinte. Quando completou 19 anos, no meio da campanha para o primeiro título de Roland Garros, ele já havia vencido quase 90 partida em ATP. Um fenômeno que dificilmente será repetirá.

Chegar (e ultrapassar) a marca de 30 vitórias em ATP tão cedo chama atenção. Muito mais que tentar ver a que ponto da carreira outras lendas chegaram a esse número -Federer, Murray e Djokovic o fizeram na mesma idade- a comparação mais importante é com outros talentos da nova geração.

O australiano Nick Kyrgios que é 20º do mundo e está próximo de completar 21 anos já tem 50 triunfos, mas havia vencido apenas três partidas neste nível antes do 19º aniversário em abril de 2014. Até o fim da temporada passada, ele acumulava 36.

Já o agora top 15 aos 22 anos Dominic Thiem acumula 90 vitórias, sendo 26 somente na atual temproada. No entanto, os resultados positivos em ATP ficaram mais frequentes em 2014, quando completou 21 anos. Aos 19, o austríaco havia vencido só quatro partidas em primeira linha.

O único jovem com números melhores que os de Zverev é Borna Coric, que é cinco meses mais velho. Quando completou 19 anos em novembro, o croata já acumulava 33 resultados positivos e já teve ranking até melhor que o do alemão. Coric já foi 33º mundo com apenas 18 anos e hoje ocupa o 41º lugar.

Kyrgios encontra a regularidade
Por Mario Sérgio Cruz
abril 4, 2016 às 6:55 pm

Esta segunda-feira representa um marco na carreira de um dos principais nomes da nova geração do tênis masculino. Aos 20 anos, Nick Kyrgios entra pela primeira vez no grupo dos 20 melhores do mundo, sendo o mais jovem desta faixa de ranking. A chegada ao melhor momento da carreira vem logo depois de sua melhor campanha em Masters 1000, uma semifinal em Miami

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Kyrgios consegue ser mais regular, manter sequências de bons resultados em torneios diferentes, além de “apagar” mais rápido as chances perdidas em seus jogos. E mesmo quando velho e problemático Kyrgios deu às caras, e aconteceu na vitória contra o russo Andrey Kuznetsov, o descontrole foi breve e não o tirou do jogo. Tudo isso vem à tona quando o ranking atualiza.

Em Miami, Kyrgios foi beneficiado por eliminações precoces de Rafael Nadal, Stan Wawrinka e John Isner. Quando a chave ficou aberta à sua frente, o australiano aproveitou a oportunidade da melhor maneira possível, ao vencer três partidas em que era favorito em sets diretos. Contra Milos Raonic, nas quartas, quebrou logo na abertura da partida e atacou um segundo saque no tiebreak do segundo set. Acabou sendo o suficiente, porque soube fechar a porta.

Voltando a fevereiro, quando conquistou seu primeiro ATP em Marselha, Kyrgios mostrou solidez nas rodadas finais contra outros favoritos. Nas rodadas finais, ele encarou dois top 10, Richard Gasquet e Tomas Berdych, além do campeão de Grand Slam Marin Cilic no jogo decisivo. Em três dias, o australiano sequer teve o serviço quebrado, venceu as partidas em sets diretos e ainda acumulou 49 aces. A série de vitórias também foi a primeira de um jogador com 20 ou menos anos sobre dois top 10 desde 2009, quando Juan Martin Del Potro bateu Rafael Nadal e Roger Federer no US Open.

Só nos três primeiros meses de 2016, o australiano já acumula 14 vitórias em ATP e apenas quatro derrotas. O único torneio em que perdeu na estreia foi em Indian Wells, quando estava voltando de lesão nas costas e um problema de sáude que o tirou da Copa Davis. Ele já tem quatro vitórias a mais que no ano de 2014 (quando entrou no top 100) e apenas dez a menos que em toda a temporada passada. Para efeito de comparação, ele só chegou a 14 triunfos em 2015 durante Roland Garros.

A perspectiva para os próximos meses é bastante animadora, embora o saibro não seja seu melhor piso. Kyrgios está a 1075 pontos do top 10, não tem resultados a defender em abril e tem só 270 a serem descontados em maio, mês que tem mais de 2 mil em disputa. Outra vantagem vai ser entrar como cabeça de chave nos principais torneios e fugir de encontros com favoritos em rodadas iniciais, o que não acontecia no ano passado.

Além de ser o 20º melhor do mundo, o australiano é o 12º melhor da temporada a apenas 10 pontos do 11º Tomas Berdych e 150 pontos distante do oitavo melhor da temporada. Dá para sonhar…

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Promessa japonesa no top 100 feminino – No ranking feminino, destaque para a entrada de Naomi Osaka no top 100. A japonesa de 18 anos foge aos padrões de outras jogadoras de seu país, tradicionalmente mais baixas e mais magras. Osaka tem 1,80m e se destaca pelo físico. Ela saltou do 104º para o 95º lugar depois de ter chegado à terceira rodada em Miami, aproveitando o convite dos organizadores.

Osaka tem o saque como principal golpe e chegou a derrotar Sara Errani na Flórida. Ela já está no radar de quem acompanha a nova geração desde julho de 2014, quando tinha apenas 16 anos e derrotou Samantha Stosur em Stanford. Na ocasião, a japonesa já atingia velocidades próximas a 190 km/h com seu primeiro serviço.

Outro destaque fica para a russa de 18 anos Daria Kasatkina, que bateu o melhor ranking da carreira ao alcançar o 35º lugar. Em Miami, ela equilibrou as ações com Simona Halep e seu backhand com salto, inspirado em Marat Safin, ainda vai tirar muitas favoritas do sério.