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Os próximos passos de Wild e o ano dos juvenis brasileiros
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 12, 2018 às 9:33 pm

Thiago Wild fez história para o tênis brasileiro ao se tornar apenas o segundo jogador nacional a ganhar um título de simples em um Grand Slam juvenil e o primeiro a fazê-lo no US Open. Apesar da euforia pela conquista inédita e a realização de um sonho, o paranaense de 18 anos se mantém fiel às convicções de que precisa fazer uma boa transição para o circuito profissional. Ele já ensaia os próximos passos na nova etapa da carreira. Dono de dois títulos profissionais de nível future, o primeiro em Antalya na Turquia no ano passado e o segundo na cidade paulista de São José do Rio Preto em abril, Wild já ocupa o 461º lugar do ranking da ATP.

Após a conquista em Nova York, Wild retornou ao Rio de Janeiro e se prepara para uma série de challengers pela América Latina até o final da temporada. Seu primeiro compromisso será em solo brasileiro, na cidade paulista de Campinas a partir de 1º de outubro. Na semana seguinte, o paranaense segue para Santo Domingo, na República Dominicana. Depois de uma semana sem competições, Wild volta ao saibro sul-americano para cinco torneios seguidos em Lima, Guayaquil, Montevidéu, Buenos Aires e o challenger do Rio de Janeiro a partir de 19 de novembro. Até por isso, não disputará o ITF Junior Masters na China, que acontece entre os dias 22 e 28 de outubro.

“É um sonho de criança que tinha vencer um Grand Slam e ter meu nome nos grandes torneios. Era minha última chance no juvenil nesse nível, agora daqui pra frente é manter os pés no chão e trabalhando com minha equipe da Tennis Route que me apoia desde meus 14 anos”, disse Wild, por meio de sua assessoria. O paranaense de Marechal Cândido Rondon treina no Rio de Janeiro com Arthur Rabelo, João Zwetsch, Duda Matos e o preparador físico Alex Matoso.

“Essa conquista não muda nada para mim, tenho que seguir na mesma linha de trabalho, seguir na mesma pegada. Pode ser que algumas portas se abram para mim como patrocínio e mídia, mas isso não vai mudar minha cabeça e meu foco que é no profissional que é onde poderei viver do tênis e atingir objetivos de ser um dos melhores do mundo”, acrescentou o jogador que completou 18 anos em março.

September 9, 2018 - 2018 US Open Junior Boy's Singles Champion Thiago Seyboth Wild.

Thiago Wild é o segundo brasileiro a vencer um título juvenil de Grand Slam (Foto: Garrett Ellwood/USTA)

Na entrevista coletiva que deu em Nova York depois de vencer a final contra o italiano Lorenzo Musetti por 6/1, 2/6 e 6/2, Wild reiterou que o período de comemoração será curto. “Ganhar um Grand Slam é o maior sonho de todo jogador juvenil. Alcançar isso na minha última chance torna ainda mais especial para mim. Mas tenho que continuar trabalhando porque agora minha carreira juvenil acabou. A transição para os profissionais é muito mais difícil do que o circuito juvenil. Acho que vou ter que me concentrar nisso a partir de agora”.

Wild também falou sobre o aprendizado que teve pela semifinal alcançada no saibro de Roland Garros, em junho, quando ainda se recuperava de lesão no ombro e não atuou em seu melhor nível. “Estar na semifinal de um Grand Slam já era uma coisa enorme a ser feita, mas eu senti que queria mais porque não estava satisfeito com aquela semifinal. Eu estava lesionado naquela partida e estava sem treino por três semanas, porque não conseguia levantar o braço. Eu não pude fazer nada. Quando cheguei aqui nesta semana, eu só me concentrei em mim e no meu tênis”.

“Acho que, independentemente da sua superfície favorita, o tênis é um esporte que você pode jogar em qualquer quadra, seja qual for a bola”, avalia o jovem jogador de 18 anos. “É basicamente um jogo mental, e se você tem um mental forte e tem a mentalidade de jogar na grama, nas quadras duras, ou no saibro, pode jogar do jeito que quiser em qualquer quadra, com qualquer outra bola e contra qualquer adversário”.

Outra experiência significativa na trajetória do paranaense é a semifinal de duplas alcançada no ano passado em Nova York. “Eu não gosto muito de jogar duplas, mas foi o que consegui no ano passado e aprendi muito com isso. Foi, tipo, ‘Ok, eu cheguei às semifinais em duplas. Por que não posso fazer isso em simples? Qual é o problema de fazer isso sozinho sem ninguém ao meu lado?’ Acho que simples e duplas são dois jogos diferentes. Você tem que aprender a jogar com alguém ao seu lado, você tem que aprender a jogar em equipe. E em simples você pode se concentrar em si mesmo e pensa: ‘Eu tenho que fazer isso’. Não há ninguém para te ajudar. Tem muito mais pressão. Mas acho que lidei muito bem com isso”.

Voltando ao mês de abril, quando conquistou o future de Rio Preto, Wild falou ao TenisBrasil sobre o que tem feito para seguir evoluindo. Um dos principais fatores é a aposta na meditação para fortalecer seu lado mental. “Faço um trabalho mental com uma psicóloga esportiva. E medito praticamente todo dia para canalizar a energia e conseguir manter bem a concentração. É um problema que eu tenho. Perco a concentração muito rápido”.

Na época, o paranaense também estabeleceu a meta de terminar o ano no top 200 do ranking da ATP. O objetivo é evitar cair no chamado circuito de transição, que irá substituir os torneios de nível future em 2019 e que não dará mais pontos no ranking. “Pretendo jogar só challengers no segundo semestre, justamente para ficar fora desse ranking de transição. Acho que é uma coisa bem palpável, porque estou jogando bem e venho crescendo”, disse Wild na época. “Uma meta que eu estipulei no ano passado é o ano terminar entre os 200 do mundo. Acho que é uma coisa palpável até o final do ano. Preciso de alguns resultados bons, como todo mundo que quer subir precisa, mas acho que esse é o objetivo principal”.

RAIO-X DOS JUVENIS BRASILEIROS

Assim como feito nas duas últimas temporadas, o blog levantou todos os resultados dos jovens atletas nacionais nos quatro principais torneios da temporada e comparou com o desempenho mostrado em anos anteriores. Estão disponíveis os links para os posts de 2016 e também de 2017

geral

Os resultados em 2018 foram bastante superiores em relação às últimas temporadas. Depois de apenas duas vitórias brasileiras em 2016 e outras cinco no ano passado, a atual temporada contou com 22 vitórias de atletas nacionais. Campeão do US Open e semifinalista de Roland Garros, Thiago Wild venceu onze jogos. O brasiliense Gilbert Klier Júnior conseguiu quatro vitórias, três delas na campanha até as quartas de final em Wimbledon. O pernambucano João Lucas Reis e os paulistas Igor Gimenez e Mateus Alves venceram dois jogos cada um. Já o paulista Matheus Pucinelli conseguiu uma vitória na Austrália. Ao todo, seis jogadores diferentes venceram partidas de Grand Slam.

Também houve aumento na participação brasileira em relação aos dois últimos anos. Ao todo, foram oito jogadores disputando os torneios juvenis de Grand Slam, sete meninos e uma menina. Em 2016, apenas quatro juvenis diferentes estiveram nas chaves principais, com apenas cinco ano passado. Entretanto, quase todos os brasileiros que atuaram em chaves juvenis de Grand Slam estavam no último ano do circuito juvenil: É o caso de Wild, Klier, Reis, Gimenez, Reyes e Ana Paula Melilo. Apenas Mateus Alves e Matheus Pucinelli, nascidos em 2001, têm mais um ano de juvenil pela frente. É possível que no próximo ano, nomes como Natan Rodrigues e João Ferreira tenham a oportunidade de disputar chaves principais de Grand Slam.

É bom destacar que Klier também teve bons resultados fora dos Grand Slam. O brasiliense de 18 anos iniciou a temporada conquistando a Copa Paineiras, torneio Sul-Americano Individual disputado em São Paulo. Já em agosto, ele venceu o ITF de College Park, em Maryland, evento de nível G1 nos Estados Unidos e preparatório para o US Open. Dessa forma, ele chegou a figurar entre dos dez melhores juvenis do mundo.

ranking meninos

No feminino, quem pode buscar uma vaga é a canhota paulista de 17 anos Ana Luiza Cruz, que está com o melhor ranking da carreira no 172º lugar. Mesmo que não consiga uma vaga direta por conta do ranking, há a possibilidade de vencer as seletivas do Roland-Garros Junior Wild Card Competition, que tem uma fase nacional e um triangular final com atletas da Índia e da China. Foi dessa forma que Ana Paula Melilo conseguiu sua vaga no Grand Slam francês.

ranking meninas

Australian Open

AO

Depois de dois anos sem representantes brasileiros  -sendo que em 2017, nenhum sul-americano disputou o torneio- o Australian Open voltou a ter jogadores nacionais na chave juvenil. O paulista Igor Gimenez teve o melhor resultado ao vencer dois jogos na chave principal e chegar às oitavas, repetindo a campanha que Marcelo Zormann fez em 2014. O Brasil tem um título em 2010 com o alagoano Tiago Fernandes, que encerrou a carreira em 2014, aos 21 anos.

Roland Garros

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Sete brasileiros disputaram o torneio juvenil de Roland Garros, um a mais que no ano passado. A representação foi a maior desde 2012. Thiago Wild se destacou com as semifinais de simples e duplas, embora ainda sofresse com uma lesão no ombro. Outro bom resultado veio com o pernambucano João Lucas Reis, que alcançou as oitavas. Mateus Alves furou o quali e ainda venceu mais um jogo na chave principal, enquanto Gilbert Klier também venceu um jogo. Apenas Mateo Reyes e Ana Paula Melilo não venceram no torneio principal, enquanto Igor Gimenez e João Ferreira caíram ainda na fase classificatória.

Nos últimos anos, o Brasil já teve representantes em três finais de duplas. Beatriz Haddad Maia foi vice-campeã nas temporadas de 2012 e 2013, enquantoo gaícho Orlando Luz repetiu a dose em 2016. O gaúcho Guilherme Clezar também já foi vice de duplas em 2009. Em simples, Thomaz Koch jogou duas finais seguidas em 1962 e 1963, Edison Mandarino foi vice em 1959, mesma campanha de Luis Felipe Tavares em 1967.

Wimbledon

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Com seis brasileiros, a equipe nacional em Wimbledon teve sua maior representação desde 2014. O brasiliense Gilbert Klier Júnior venceu três jogos antes de perder um equilibrado duelo sul-americano contra o cabeça 5 colombiano Nicolas Mejia nas quartas de final. Nas duplas, João Lucas Reis e Matheus Pucinelli também caíram nas quartas de final.

Desde 2008 que um brasileiro não chegava tão longe na chave juvenil de simples em Wimbledon. O último a conseguir tal campanha foi o canhoto Henrique Cunha. Flavio Saretta também fez quartas em 1998. O último brasileiro semifinalista foi Marcus Vinicius Barbosa, o Bocão, em 1987, enquanto as melhores campanhas nacionais foram os vice-campeonatos de Ivo Ribeiro em 1957 e Ronald Barnes em 1959. O melhor resultado recente foi o título de duplas de Orlando Luz e Marcelo Zormann em 2014.

US Open

us open

Em Nova York, o Brasil teve seu menor número de jogadores, mas o melhor resultado da história com o título de Thiago Wild. Apenas Gilbert Klier entrou diretamente na chave por conta do ranking, enquanto Mateus Alves furou o quali e avançou uma rodada na chave principal e Igor Gimenez perdeu ainda na fase classificatória. Wild foi o primeiro brasileiro a disputar uma final de simples em Nova York. Em toda a história o país esteve em oito finais de Grand Slam, com sete jogadores diferentes.

Antes da histórica conquista do paranaense, os melhores resultados recentes foram nas duplas. Além da semifinal alcançada pelo próprio Wild no ano passado, a parceria nacional formada pelo gaúcho Rafael Matos e o mineiro João Menezes ficou com o vice-campeonato em 2014. Já em 2016, Felipe Meligeni Alves conquistou o título junto do boliviano Juan Carlos Aguilar.

Juvenis brasileiros priorizam futures na transição
Por Mario Sérgio Cruz
março 7, 2018 às 8:09 pm

Diante da mudança nas regras do circuito profissional no ano que vem, quando será criado um circuito de transição e os torneios de nível future de US$ 15 mil não darão mais a dar pontos no ranking da ATP, alguns dos principais jogadores juvenis brasileiros sinalizam que devem priorizar as competições profissionais já no segundo semestre deste ano. Os atletas nacionais que estão na última ou penúltima temporada das competições de base também pretendem já iniciar rapidamente o longo caminho dos futures, sem passar por uma transição no tênis universitário norte-americano que já atraiu nomes como Gabriel Décamps, Lucas Koelle e Luisa Stefani nos últimos anos.

“Por enquanto o meu foco é entrar no profissional, a começar pelos futures e seguir evoluindo. A transição é bem difícil, principalmente para nós brasileiros. A gente já teve muito juvenil top, mas a transição é um ponto mais difícil. Então acho essa etapa a mais importante a partir de agora”, disse o paulista de 17 anos Mateus Alves, treinado pelo ex-top 100 Thiago Alves.

“A gente já está conversando sobre calendário e sobre misturar os torneios juvenis com profissionais. Este ano a gente já vai montar uma programação de jogar mais futures a partir de agora e mesclar com os ITFs. Fiquei sabendo dessa mudança que vai ter para o ano que vem e a gente ainda não sabe como vai ser essa mudança, o que ela vai afetar e o que vai trazer de bom, mas espero que tudo isso seja bem feito e ajude a gente do juvenil a ir para o profissional”, complementou o jovem paulista, que ainda poderá jogar torneios juvenis em 2019.

“Meu sonho sempre foi jogar como profissional mesmo. Eu nunca fui muito atraído pela ideia de jogar pela faculdade no College, então eu vou seguir no ano que vem nos futures e challengers em busca do sonho que eu sempre tive”, comentou o brasiliense Gilbert Klier Junior, que completa 18 anos em maio e treina na Tennis Route do Rio de Janeiro.

Para o pernambucano de 17 anos João Lucas Reis e o paulista Matheus Pucinelli, um ano mais novo, que treinam juntos em Barueri, a mudança na regra pode facilitar a entrada dos jovens nos torneios profissionais já que o ranking juvenil servirá como base para incluir nomes nas chaves principais. “É bem nova essa regra e acho que ela vai ajudar um pouco os juvenis em transição, mas a gente ainda não conversou muito [com os técnicos] sobre isso. Acho que mais para o final do ano a gente vai acabar sabendo mais e jogar alguns futures também”, disse Reis, que reitera o desejo de seguir a carreira como tenista profissional. “O desejo é seguir no profissional e jogar nos torneios futures”.

João Lucas Reis vem de dois bons resultados no Banana Bowl e em Porto Alegre (Foto: Matheus Joffre/CBT)

João Lucas Reis vem de dois bons resultados no Banana Bowl e em Porto Alegre (Foto: Matheus Joffre/CBT)

Pucinelli, que ainda terá mais um ano de juvenil pela frente, deve ter um calendário parecido com o de seus parceiros de treino. Além dele e de Reis, o também paulista Igor Gimenez treina junto com eles no Instituto Tênis e todos têm ranking juvenil próximo. “Para esse ano, o calendário deve ser mais parecido. Não deve mudar tanto, mas para o ano que vem vou mesclar bastante os torneios profissionais com os juvenis com o ranking juvenil ajudando para entrar”.

Até mesmo para o catarinense Pedro Boscardin Dias, jogador que completou 15 anos em janeiro e ainda luta pelo primeiro ponto na ITF, a intenção de seguir para os torneios profissionais é prioridade. “Para mim a ideia é seguir direto para o profissional sem passar pela transição nos Estados Unidos”.

Nas entrevistas feitas durante a disputa da Copa Paineiras, torneio exclusivamente sul-americano e de nível GB1 para o circuito de 18 anos da ITF, os jovens jogadores brasileiros falaram sobre o quanto esse torneio é decisivo para a definição do calendário. Nos últimos dois anos, Felipe Meligeni Alves e Thiago Wild venceram a competição continental e, com os 180 pontos conquistados, deram um salto no ranking juvenil e puderam já antecipar as vagas nas chaves principais de Roland Garros e Wimbledon.

“Este é um G1 com bônus e dá bastante ponto e te aproxima do corte do ranking para alguns torneios. É claro que um torneio desse vai modificar bastante o meu calendário, independente se eu for bem ou se eu for mal, porque ele define para quais torneios eu vou viajar. Então se eu for bem, é um calendário, e se eu for mal é outro. Então com certeza alguns pensam nisso aqui”, avaliou Klier, que só pôde começar a temporada há duas semanas, no Banana Bowl, por conta de uma lesão no joelho.

“Seria muito importante ir bem nesse torneio para já estar com os pontos na média para conseguir jogar os Grand Slam e começar a jogar os futures. Mas independente disso, acho que este ano eu já vou fazer um bom calendário de futures no segundo semestre”, explicou o tenista brasiliense que está no último ano como juvenil.

O brasiliense Gilbert Klier Júnior teve que iniciar sua temporada mais tarde por conta de lesão (Foto: Matheus Joffre/CBT)

O brasiliense Gilbert Klier Júnior teve que iniciar sua temporada mais tarde por conta de lesão (Foto: Matheus Joffre/CBT)

“No meu caso, os torneios que eu joguei antes já me ajudaram nesse aspecto. Com os torneios que eu fiz antes acho que eu já garanti a entrada em Roland Garros e Wimbledon, mas esse GB1 só com jogadores aqui da América do Sul acaba sendo um torneio bom para pontuar, mas também é duro e requer bastante esforço”, explicou Reis, que está no 32º lugar no ranking mundial juvenil da ITF.

“Acho que o torneio é importante nessa parte da pontuação e por ser o último torneio da gira. Porque diferencia jogar o quali ou chave dos Grand Slam”, avaliou Pucinelli. “A Gerdau (Campeonato Internacional Juvenil de Porto Alegre) e o GB1 são muito importantes no calendário para a gente que é daqui do Brasil. Aqui só tem os sul-americanos e fica melhor ainda para jogar e pontuar. Sim, a gente pensa bastante nisso, mas o mais importante é entrar na quadra e fazer o trabalho bem feito”, complementou Alves.

Reis comemorou o nível técnico apresentado no início de temporada. O pernambucano disputou a chave juvenil do Australian Open e equilibrou as ações contra o segundo favorito sérvio Marko Miladinovic. Depois, engatou três bons resultados seguidos em ITFs no saibro sul-americano, com semifinal em Assunção e quartas tanto no Banana Bowl quanto no Juvenil de Porto Alegre.

“Na Austrália eu fiz um jogo bem duro com o cabeça 2, foi um bom torneio e depois desses torneios eu consegui uma boa constância nos jogos. Acho que venho jogando meu melhor tênis nesses torneios e espero continuar assim”, explicou o jogador de 17 anos que está de volta ao Paineiras, clube onde foi semifinalista de um future no ano passado. “Gosto bastante de jogar aqui, as quadras são boas. É bom que esse GB1 seja aqui no Brasil este ano. Estou bem confiante para essa semana aqui no Paineiras de novo”.

Alves não foi à Austrália e começou o ano jogando no piso duro da Costa Rica, onde foi vice-campeão. Depois, o paulista voltou ao saibro e chegou às quartas tanto no Equador quanto no Juvenil de Porto Alegre. Os resultados renderam boa evolução no ranking para o atual 34º lugar. “Acho que foi uma gira bem produtiva. Fiz ótimos torneios no começo do ano, na Costa Rica, Colômbia e Equador. Consegui uma semifinal, final e quartas. Na Costa Rica era piso duro e tinha bastante diferença de clima e condições de jogo. Consegui me adaptar bem em todos esses e isso deu uma alavancada no ranking e agora na Copa Gerdau, fiz jogos bem duros, ganhei de um cara que era 13 do mundo [o americano Drew Baird] e acabei perdendo nas quartas para o japonês [Naoki Tajima], que eu tive match point, mas mesmo assim serviu bastante de aprendizado”.

Mateus Alves treina com o ex-top 100 Thiago Alves e tenta usar de sua altura para ter um bom saque e um tênis agressivo (Foto: Srdjan Stevanovic/ITF)

Mateus Alves treina com o ex-top 100 Thiago Alves e tenta usar de sua altura para ter um bom saque e um tênis agressivo (Foto: Srdjan Stevanovic/ITF)

O jogador de 1,93m está ciente de que seu estilo de jogo pode trazer uma vantagem no futuro, já que muitos dos principais jovens destaques do circuito apostam em bons saques e estilo agressivo. Ele inclusive cita o chileno Nicolas Jarry, jogador de 22 anos e que foi semifinalista do Rio Open e vice do Brasil Open, como um de seus modelos. “Sempre fui maior que o pessoal da minha idade e isso sempre me trouxe bastante vantagem, principalmente no saque que é um ponto mais forte meu. O saque e a direita. Agora o Nicolas Jarry foi bem nos ATPs. Ele é alto como eu, tem um jogo bem agressivo e é um cara muito bom para eu me espelhar. É um cara novo, que está despontando agora e a maneira de jogo dele, indo para a frente é uma maneira que eu tenho que jogar também”.

O pupilo de Thiago Alves também comentou sobre a experiência de treinar com um jogador que terminou recentemente a carreira no circuito. “Ele é um cara que mostra bem os caminhos. Já foi bom juvenil e vivenciou toda essa careira de profissional, então ele já passou por tudo o que eu estou passando agora e sabe me orientar bastante sobre onde vou jogar e como vou jogar. Então ele tá me passando bastante experiência”.

Para Klier, apesar da lesão e da pré-temporada reduzida, o balanço dos três primeiros torneios do ano foi positivo. “Meu primeiro torneio foi o Banana, mas foi uma gira muito boa para mim. Eu ia para a Austrália, mas machuquei o joelho e não pude ir. Não tive muito bem uma pré-temporada, porque eu fiquei um mês e meio sem sair da cama, machucado, mas dentro do possível foi um bom começo de ano. Fiz duas ou três semanas intensas e fui para o Banana. Joguei super bem, ganhei de bons jogadores, mas acabei não avançando mais por causa de problemas físicos. Eu estava com muita câimbra e abandonei nas oitavas. Na Gerdau também fiz um torneio muito bom e perdi para o japonês Tajima que vinha jogando muito bem. Faltou pouco, mas agora estou bem melhor”.

Americanas ratificam domínio na Fed Cup Júnior
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 25, 2017 às 8:12 pm

O amplo domínio do tênis feminino norte-americano na temporada juvenil dos Grand Slam e, consequentemente, no ranking mundial da categoria foi ratificado no último domingo com o título da Fed Cup Júnior. As jogadoras Amanda Anisimova, Whitney Osuigwe e Caty McNally venceram o Mundial disputado no saibro de Budapeste.

Estados Unidos contaram com as campeãs de Slam Amanda Anisimova e Whitney Osuigwe, além de Caty McNally (Foto: Srdjan Stevanovic)

Estados Unidos contaram com as campeãs de Slam Amanda Anisimova e Whitney Osuigwe, além de Caty McNally (Foto: Srdjan Stevanovic)

Ainda que Davis e Fed Cup Júnior recebam atletas de até dezesseis anos, o time dos Estados Unidos teve o privilégio de contar com duas jogadoras campeãs juvenis de Grand Slam e colocadas entre as quatro melhores do juvenis do mundo (em ranking com atletas de até 18 anos). Osuigwe venceu Roland Garros, enquanto Anisimova vem de título no US Open. Na final disputada contra o Japão, McNally marcou o primeiro ponto americano ao vencer Naho Sato por 6/3 e 6/2. Na sequência, Osuigwe decretou o título ao derrotar Yuki Naito por 7/5 e 6/3.

Durante a semana, os Estados Unidos passaram por Belarus, Uruguai, Itália, Canadá e Japão. Das 14 partidas disputadas pelas americanas, foram doze vitórias e apenas duas derrotas. Em simples, elas venceram dez jogos e perderam apenas dois, com dezesseis sets vencidos e apenas quatro cedidos às adversárias. Já nas duplas, foram quatro vitórias e apenas um set perdido.

Vice-líder do ranking mundial juvenil com apenas 15 anos, Osuigwe venceu todas as oito partidas que disputou entre simples e duplas, com apenas um set perdido em dezessete realizados. McNally, 27ª colocada, venceu seis jogos de sete possíveis. Já Anisimova, número 4 como juvenil e já 194ª na WTA com apenas 16 anos, só atuou durante a fase de grupos, com uma vitória e uma derrota em simples e uma vitória na dupla.

EUA

História: Dos quatro títulos conquistados pelos Estados Unidos na Fed Cup Júnior, que é realizada desde 1985, três foram conquistados nesta década. O primeiro troféu veio em 2008 com a agora campeã do US Open Sloane Stephens tendo a companhia de Christina McHale, Kristie Ahn. O segundo título veio em 2012 com Louisa Chirico, Taylor Townsend e Gabrielle Andrews. Já a terceira conquista aconteceu há três anos, com Catherine Bellis, Sofia Kenin e Tornado Black.

Davis Júnior  

Equipe da República Tcheca venceu todas as partidas que disputou durante a semana (Foto: Srdjan Stevanovic)

Equipe da República Tcheca venceu todas as partidas que disputou durante a semana (Foto: Srdjan Stevanovic)

O título da Copa Davis Júnior ficou com a República Tcheca, que voltou a conquistar a competição depois de vinte anos. Os tchecos ainda têm um título de 1988, ainda da antiga Tchecoslováquia. O time campeão é formado por Dalibor Svrcina, 53º do ranking mundial juvenil, Jonas Forejtek, 61º, e Andrew Paulson, 93º.

O título veio após a vitória contra os Estados Unidos na final. Forejtek marcou 6/4 e 7/5 contra William Grant em 1h26 de jogo. Na sequência, Svrcina que tem apenas 15 anos, marcou duplo 6/2 em 1h12 de disputa contra Govind Nanda para consolidar uma conquista que não vinha desde 1997 com Jaroslav Levinsky e Ladislav Chramosta.

Os tchecos tiveram uma semana impecável. Terminaram em primeiro em um grupo com Japão, Peru e Canadá vencendo todas as oito partidas disputadas, com apenas dois sets perdidos. Na semifinal e final também, os confrontos contra Croácia e Estados Unidos foram vencidos também por 2 a 0. Outro destaque na competição, fica para a Argentina, terceira colocada.

TCH

Brasil termina em 11º lugar

Time brasileiro foi formado por Mateus Alves, Natan Rodrigues e João Ferreira (Foto: Srdjan Stevanovic)

Time brasileiro foi formado por Mateus Alves, Natan Rodrigues e João Ferreira (Foto: Srdjan Stevanovic)

Depois de ter começado bem na Davis Cup Júnior, o Brasil terminou a competição entre dezesseis países apenas na 11ª posição. O time brasileiro contou com o baiano Natan Rodrigues, o paulista Matheus Alves e o mineiro João Ferreira, comandados pelo capitão Roland Santos. Entretanto, apenas Alves e Ferreira entraram em quadra. Natan Rodrigues não jogou durante a semana, enquanto o paulista Matheus Pucinelli, 65º do ranking mundial da ITF, não fez parte do time.

Nas duas primeiras rodadas da fase de grupos, o Brasil havia superado Taiwan por 2 a 1 e a Bélgica por 3 a 0. Isso fez com que a equipe entrasse na última rodada na primeira posição de seu grupo e com chances de ficar entre os semifinalistas. Porém, a derrota para a Croácia por 3 a 0 derrubou o time brasileiro para o terceiro lugar no grupo e colocou o time nacional na disputa entre o 9º e o 12º lugar. Por conta da chuva no início da semana, os duelos contra Bélgica e Croácia aconteceram no mesmo dia.

davis junior

No sábado, o Brasil perdeu um duelo sul-americano para o Peru. Ferreira perdeu por 6/3 e 6/2 para Sebastian Rodriguez, enquanto Alves venceu Mateo Verau por 6/3 e 6/1. Nas duplas, os peruanos venceram por 0/6, 7/6 (10-8) e 10-6. Já no domingo, a disputa foi contra a China. Ferreira perdeu por 6/3 e 7/5 para Xiaofei Wang, ao passo que Mateus Alves derrotou Xinmu Zhou por 6/1 e 6/2. Nas duplas os chineses desistiram, dando vitória do confronto para o Brasil.

Durante a semana, o Brasil disputou dez partidas de simples, com cinco vitórias e cinco derrotas. E mais quatro partidas de duplas, também com 50% de aproveitamento. Alves venceu três jogos de simples, enquanto Ferreira venceu outros dois.

Brasil

“Encerramos nossa participação aqui na Hungria com a sensação de ter chegado tão perto de estar pelo menos entre os 4 finalistas, mas isto Infelizmente não foi possível. O que me conforta é saber que nossos garotos estão em iguais condições de seguir em uma carreira de sucesso. Esta competição reúne os melhores juvenis do mundo até 16 anos e enfrentamos nossos adversários em condições de igualdade”, afirmou o técnico Roland Santos.

Grande semana para Bia e Stefani – A semana passada foi promissora para dois nomes do tênis feminino brasileiro. Beatriz Haddad Maia teve seu melhor resultado na elite do circuito e disputou sua primeira final de WTA em Seul. Foram quatro vitórias na capital sul-corena, sobre Katarina Zavatska, Irina-Camelia Begu, Sara Sorribes Tormo e Richel Hogenkamp. A derrota só viria diante da top 10 e campeã de Roland Garros Jelena Ostapenko.

Bia venceu quatro jogos ao longo da semana em Seul

Bia venceu quatro jogos ao longo da semana em Seul (Foto: Korea Open)

Bia teve suas chances na final. Venceu o primeiro set ao contar 33 erros da letã e aprovetiou a oportunidade depois de a rival cometer uma dupla-falta quando o tiebreak estava empatado por 5-5. Mas um dos maiores problemas de enfrentar Ostapenko é que uma hora ela encontra o ritmo e para de errar. Foram só nove pontos dados de graça no segundo set e seis quebras nos últimos oito games de saque da brasileira. Ostapenko soube fazer sua condição de favorita e colocou pressão sempre que a paulista conseguia voltar para o jogo.

A grande campanha em Seul coloca Bia no inédito 58º lugar do ranking mundial. Melhor marca da carreira da jovem paulista de 21 anos. Bia é a quinta melhor brasileira na história do ranking, ficando atrás apenas de Maria Esther Bueno, Niege Dias, Teliana Pereira e Patrícia Medrado e pode se tornar a quinta top 50 na história do país. Ela agora segue para o quali de Pequim antes dos WTA de Tianjin e Luxemburgo.

Outro bom resultado para o Brasil veio com a paulista Luisa Stefani, que furou o quali e ainda avançou uma rodada no ITF de US$ 100 mil de Tampico, no México. Stefani só parou na favorita americana Louisa Chirico, então 163ª colocada e que foi top 60 no ano passado. Com vinte pontos somados, Stefani saltou mais de duzentas posições no ranking, saindo do 809º para o 605º lugar, melhor marca de sua carreira.

O despertar da Rússia
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 3, 2016 às 7:37 pm

O tênis russo está em reconstrução depois de um período adormecido, com direito à uma debandada de jogdadores para países próximos com condições mais atrativas (Olá, Cazaquistão). Só neste final de semana, a nova geração do país comemorou um título de ATP e o da Copa Davis Júnior, além de ter uma boa campanha na Fed Cup da categoria.

Não nos esqueçamos de Andrey Rublev, que foi número 1 juvenil e já ocupa o 172º lugar do ranking aos 18 anos, com 12 vitórias em ATP na carreira, e da volta ao Grupo Mundial da Copa Davis profissional depois de cinco anos, conquistada em setembro último. Pouco a pouco, os russos estão de volta.

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Karen Khachanov foi o grande nome da semana ao conquistar o ATP 250 de Chengu. O moscovita de 20 anos tem 1,98m passou por três cabeças de chave antes, João Sousa, Feliciano López e Viktor Troicki de derrotar o canhoto espanhol Albert Ramos na final por 6/7 (4-7), 7/6 (7-3) e 6/3. O resultado, o fez ganhar 46 posições no ranking e saltar para o 55º lugar.

Medalhista de prata na chave de duplas dos Jogos Olímpicos da Juventude, Khachanov treina na Espanha com Galo Blanco e por isso, ganhou convite para o quali do ATP 500 de Barcelona este ano, onde aproveitou a chance e ganhou do top 20 Roberto Bautista Agut em seu primeiro resultado expressivo como profissional. Ele já soma 15 vitórias em ATP na carreira, sendo onze na atual temporada e também possui dois títulos de nível challenger.

Timofey Skatov, Alexey Zakharov e Alen Avidzba garantiram o título inédito da Rússia (Foto: Srdjan Stevanovic/ITF)

Timofey Skatov, Alexey Zakharov e Alen Avidzba garantiram o título inédito da Rússia (Foto: Srdjan Stevanovic/ITF)

Outro grande resultado para a Rússia foi o título da Copa Davis Júnior, o Campeonato Mundial da categoria 16 anos masculino, em Budapeste, na Hungria. Foi a primeira vez que o país ganhou a competição, depois de um título da União Soviética em 1990.

O time de Timofey Skatov, Alen Avidzba e Alexey Zakharov fez uma primeira fase impecável e venceu as nove partidas (seis de simples e três de duplas) num grupo com Japão, Alemanha e Egito. No sábado, eles venceram a semifinal contra a Argentina e impediram o bicampeonato do Canadá no dia seguinte.

O Canadá, aliás, estava com equipe quase toda nova em relação ao ano passado. Exceção feita a Felix Auger-Aliassime, número 2 do ranking mundial juvenil e recém-coroado campeão do US Open. Ele foi responsável pela única derrota russa em uma partida de simples nesta Davis Júnior, marcando o único ponto canadense na final.

Menção também à Argentina, que conseguiu um terceiro lugar com Sebastian Baez (campeão de simples e duplas no Orange Bowl de 16 anos em 2015), Thiago Tirante e Tomas Descarrega. Eles venceram o forte time dos Estados Unidos na decisão do bronze. O país tentava chegar à sua terceira final de Davis Júnior, repetindo as campanhas de 2007 e 2008, sendo que o Chile foi a única nação sul-americana a vencer a competição em 2001.

Brasil de Mateus Alves, Gilbert Klier e Thiago Wild  venceu os Estados Unidos na primeira fase, mas terminou no 13º lugar.

Brasil de Mateus Alves, Gilbert Klier e Thiago Wild venceu os Estados Unidos na primeira fase, mas terminou no 13º lugar.

O Brasil teve pouco a comemorar ao terminar a Davis Júnior em 13º lugar entre as 16 nações participantes. O melhor resultado de Thiago Wild, Mateus Alves e Gilbert Klier foi a vitória por 2 a 1 contra os Estados Unidos ainda na fase de grupos. Em chave complicada com República Tcheca e Suíça, o Brasil venceu só mais um jogo e ficou em último lugar no grupo. A reabilitação veio no fim de semana, com vitórias contra Chile (2-0) e Marrocos (2-1).

Paralelamente, há a preocupante notícia da perda do patrocínio dos Correios para a Confederação Brasileira. Ao todo, 55 contratos (de atletas, técnicos e funcionários) foram cancelados. E mesmo que haja renovação posterior, o valor seria de até 15% do investimento atual. Muitos de nossos juvenis dependem do dinheiro dos Correios para custear suas despesas. Há algumas semanas, havia levantado as campanhas dos brasileiros em Grand Slam juvenil e relatei que houve queda no número de representantes nos últimos anos. Um quadro pode ficar mais grave nos próximos anos.

 

Polônia surpreendeu favoritas russas e americanas na Fed Cup Júnior (Foto: Srdjan Stevanovic/ITF)

Polônia surpreendeu favoritas russas e americanas na Fed Cup Júnior (Foto: Srdjan Stevanovic/ITF)

A surpresa em Budapeste foi a conquista da Polônia na Fed Cup Júnior, derrotando a até então invicta Rússia na semifinal e os Estados Unidos na decisão. É a segunda conquista do país, que também foi campeão em 2005 liderado pelas irmãs Agnieszka e Urszula Radwanska.

O time da Polônia contou com Iga Swiatek (12ª), Maja Chwalinska (96ª) e Stefanie Rogozinska-Dzik (171ª). Todas elas são de 2001 e podem defender o título no ano que vem. Para efeito de comparação, as russas tinham 2 e 3 do ranking mundial juvenil, Anastasia Potapova e Olesya Pervushina, e as americanas contava com a quarta e décima colocadas, Amanda Anisimova e Claire Liu.