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Junior Masters começa nesta quarta. Veja quem joga!
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 23, 2018 às 11:32 pm

A quarta edição do ITF Junior Masters dá a largada na madrugada desta quarta-feira. Serão cinco dias de disputa com os dezesseis melhores juvenis da temporada nas quadras duras do Sichuan International Tennis Center, na cidade chinesa de Chengdu. Os grupos da chave masculina levam os nomes de SHUAI e YONG. Já as chaves femininas se chamam LI e LIANG.

Particularmente, considerando este torneio até mais interessante que o Next Gen ATP Finals no sentido de apresentar o futuro do esporte. São jogos com formato tradicional e com jogadores tendo destaque pela primeira vez, enquanto o evento da ATP em Milão apresenta nomes que já são conhecidos do público que acompanha o circuito com mais afinco. Os problemas do evento da ITF: Ser disputado na China, não ter transmissão de TV e coincidir datas com o WTA Finals.

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GRUPO LIANG

  • Xiyu Wang: Líder do ranking munial juvenil, a canhota Xiyu Wang foi campeã juvenil do US Open e semifinalista em Wimbledon. Já com 18 anos, a chinesa aparece no 194º lugar do ranking da WTA e tem dois títulos profissionais de nível de ITF de US$ 25 mil.
  • Clara Burel: Vice-líder do ranking da ITF, Burel vem de um vice-campeonato nos Jogos Olímpicos da Juventude em Buenos Aires. A francesa de 17 anos também foi vice-campeã em dois Grand Slam, na Austrália e nos Estados Unidos. Como profissional, a francesa está no 605º lugar na WTA.
  • Maria Camila Osorio Serrano: A colombiana de 16 anos fará sua segunda participação no Junior Masters. Na temporada passada, ela não passou da fase de grupos em Chengdu. Logo no início de 2018, Osório Serrano venceu 20 jogos seguidos no saibro Sul-Americano e conquistou cinco títulos nos seis primeiros torneios que disputou. Nas últimas semanas, foi semifinalista do US Open e dos Jogos da Juventude e aparece no 723º lugar do ranking profissional.
  • Eleonora Molinaro: A luxemburguesa de 18 anos é a 14ª colocada no ranking da ITF e chegou ao oitavo lugar em junho. Ela venceu quatro títulos na temporada juvenil, com destaque para o Trofeo Bonfiglio em Milão. Vencedora de dois títulos profissionais, Liang é agora a 393ª colocada na WTA.

GRUPO LI

  • Xinyu Wang: A chinesa de 17 anos começou a temporada disputando a chave principal do Australian Open, para onde ganhou convite depois de vencer um playoff asiático. Ela venceu em agosto seu primeiro título profissional em um ITF na Tailândia e ocupa 343º lugar. Como juvenil, foi semifinalista na Austrália e em Wimbledon, onde conquistou dois títulos de duplas.
  • En Shuo Liang: A taiwanesa de 18 anos chegou a ocupar a vice-liderança no ranking da ITF e aparece atualmente na sexta posição. Logo no início da temporada, foi campeã de simples e duplas no Australian Open da categoria. Como profissional, aparece na 283ª colocação e venceu seu primeiro título de ITF.
  • Clara Tauson: Com apenas 15 anos, a dinamarquesa chega embalada pelo título da Osaka Mayor’s Cup, torneio ITF GA disputado na semana passada em solo japonês. Durante a campanha, venceu dois jogos por duplo 6/0 e aplicou sete ‘pneus’ nas adversárias. Tauson também venceu o European Junior Championships e foi finalista do Campeonato Internacional Juvenil de Porto Alegre.
  • Leylah Fernandez: Canhota de 16 anos, a canadense se destacou em solo brasileiro ao vencer o Campeonato Internacional Juvenil de Porto Alegre em março. Fernandez também foi semifinalista em Roland Garros e chegou às quartas no US Open.

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GRUPO SUAI

  • Chun Hsin Tseng: O taiwanês de 17 anos é o número 1 do ranking mundial juvenil e conquistou dois títulos de Grand Slam consecutivos, em Roland Garros e Wimbledon, façanha que não foi obtida desde Gael Monfils em 2004. Tseng também já começa a se destacar entre os profissionais, venceu três torneios de nível future e ocupa o 437º lugar do ranking mundial.
  • Adrian Andreev: Quinto colocado no ranking da ITF, o búlgaro de 17 anos. Seu principal resultado em simples foi o título do Trofeo Bonfiglio, no saibro italiano de Milão em maio. Nas duplas, foi campeão do US Open e medalhista de prata nos Jogos Olímpicos da Juventude. Como profissional, venceu um jogo por seu país na Copa Davis e foi convidado para a disputa do ATP 250 de Sófia em fevereiro.
  • Nicolas Mejia: Formado nos Estados Unidos, Mejia treina na renomada IMG Academy e fez sua última temporada como juvenil. Ele alcançou o quarto lugar do ranking em julho e aparece atualmente na oitava posição. O colombiano de 17 anos foi medalhista de prata nas duplas mistas dos Jogos Olímpicos da Juventude. Mejia também protagonizou uma batalha de 4h24 na semifinal do torneio juvenil de Wimbledon, quando foi superado pelo britânico Jack Draper por 7/6 (7-5), 6/7 (6-8) e 19/17.
  • Tao Mu: Convidado para a disputa do ITF Junior Masters, Mu será o representante da casa em Chengdu. O chinês de 18 anos aparece atualmente na 18ª colocação no ranking da ITF. Seu resultado mais expressivo foi uma semifinal alcançada na grama de Wimbledon. Embora seja o jogador com pior ranking entre os participantes, o anfitrião tenta repetir o feito do finlandês Emil Ruusuvuori, que venceu a edição passada quando era o 15º colocado.

GRUPO YONG

  • Hugo Gaston: O francês de 18 anos vem embalado pela conquista da medalha de ouro na chave nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Buenos Aires. O vice-líder do ranking mundial juvenil também tem foi campeão de duplas no Australian Open, onde também fez quartas em simples. No início de sua carreira profissional, Gaston venceu um future de duplas no saibro francês de Grasse.
  • Sebastian Baez: Promessa do tênis argentino, Baez fará sua segunda participação seguida no Junior Masters e ficou em quarto lugar na edição passada. O argentino de 17 anos se destacou no começo da temporada com títulos do Banana Bowl e do Campeonato Internacional Juvenil de Porto Alegre e chegou a vencer 15 jogos seguidos no Brasil antes de cair para Gilbert Klier na Copa Paineiras em São Paulo. Nos Grand Slam, destaque para o vice-campeonato em Roland Garros, já no início da carreira profissional, acumula três semfinais de future.
  • Lorenzo Musetti: Finalista da chave juvenil do US Open, em que perdeu para o paranaense Thiago Wild, Musetti aparece atualmente no sétimo lugar do ranking da ITF. O italiano de apenas 16 anos também chegou às quartas de final na grama de Wimbledon e ainda tem duas temporadas como juvenil pela frente. Ele só disputou dois torneios como profissional.
  • Brandon Nakashima: O norte-americano de 17 anos atingiu o décimo lugar do ranking juvenil em setembro e hoje aparece na 13ª posição. Nakashima chegou embalado a Wimbledon depois de ter vencido um ITF G1 na grama de Roehampton na semana anterior, mas não conseguiu confirmar a boa fase e não passou da segunda rodada do Grand Slam britânico.

BRASILEIROS MIRAM O PROFISSIONAL – Dois jogadores brasileiros aparecem atualmente entre os dez melhores juvenis do mundo, o paranaense Thiago Wild e o brasiliense Gilbert Klier Júnior. Embora tivessem condições de classificação para o evento, ambos já estão com 18 anos e priorizam as competições profissionais. Wild joga uma série de challengers no saibro sul-americano, enquanto Klier tenta qualis de future em solo nacional.

HISTÓRIA DO TORNEIO – O russo Andrey Rublev e a chinesa Xu Shilin foram campeões da edição inaugural em 2015. No ano seguinte, os títulos ficaram com o sul-coreano Seong Chan Hong e com a russa Anna Blinkova. Já em 2017, o finlandês Emil Ruusuvuori e a ucraniana Marta Kostyuk conquistaram a competição.

Andrey Rublev venceu a edição inaugural do torneio em 2015

Andrey Rublev venceu a edição inaugural do torneio em 2015

Rublev já 76º do mundo na ATP aos 21 anos e chegou ao 31º lugar em fevereiro, Hong também está com 21 anos e ocupou o 343º lugar, mas aparece atualmente apenas na 655ª posição. Já Ruusuvuori é o 318º do mundo aos 19 anos e está com o melhor ranking da carreira.

No feminino, destaque para a atual campeã Kostyuk, que chegou à terceira rodada do Australian Open e já é 121ª do mundo. Blinkova alcançou o top 100 na última segunda-feira, ao ocupar o 97º lugar. Por sua vez, Shilin é a 255ª colocada na WTA aos 20 anos.

TRANSMISSÃO – Nos dois primeiros anos, a ITF disponibilizava transmissão ao vivo pelo YouTube. A estratégia deve ser retomada a partir da fase final do torneio no fim de semana. Em 2017, foi feita uma parceria com o Olympic Channel, mas o site não anunciou transmissões para este ano. Já o placar ao vivo está disponível neste link.

Barty mostra que é possível jogar diferente
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 12, 2018 às 9:00 pm

Em um circuito dominado por jogadoras cada vez mais altas, mais fortes e mais agressivas, a australiana Ashleigh Barty mostra que é possível atuar em alto nível jogando de maneira diferente. A australiana de 21 anos é uma das atletas mais versáteis da atualidade e suas atuais décima sexta posição no ranking de simples e décima nas duplas ratificam essa condição.

Barty tem um bom forehand, mas não compete em potência dos golpes contra nomes como Petra Kvitova, Karolina Pliskova e Garbiñe Muguruza. Nem mesmo a consistência defensiva de uma Caroline Wozniacki ou Simona Halep aparecem tanto no jogo da australiana. Suas apostas são em frequentes slices, drop shots e subidas à rede. A variação aparece também nas devoluções, que em alguns momentos apenas bloqueiam o saque das adversárias. Junte isso com tempo de resposta muito rápido para a tomada de decisões de improviso e temos uma adversária bem chata de ser enfrentada até mesmo pelas melhores do mundo.

Barty mostra a cada semana que é possível jogar em alto nível sem ter o estilo dominante do circuito

Barty mostra a cada semana que é possível jogar em alto nível sem ter o estilo dominante do circuito (Foto: SMP Images)

Com apenas 1,66m, Barty pode não ser dona de um dos saques mais velozes do circuito, mas tem um das mais eficientes. A australiana é sexta jogadora que mais fez aces neste começo de ano com 50 no total. Ela é também a nona jogadora que melhor aproveita os pontos disputados em seu serviço, com 62,2%.

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No ano passado, Barty teve o quinto melhor aproveitamento de pontos jogados no saque com 62% em 41 jogos e venceu 70% dos pontos jogados em primeiro saque, média que fez dela a oitava melhor do circuito nesse quesito. A australiana também apareceu entre as dez que mais venceram pontos com segundo saque e entre as que mais salvaram break points. Como isso é possível? Barty coloca muito bem o saque e sabe como poucas variar efeito e direção. Jogando ora aberto, ora no T, ora no corpo, ela faz tudo muito bem.

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No último fim de semana, Barty defendeu a Austrália no Grupo Mundial II da Fed Cup e responsável pelos três pontos no confronto diante da Ucrânia em quadra de grama em Camberra. Além de vencer seus dois jogos de simples, ela também marcou a vitória decisiva nas duplas, ao lado de Casey Dellacqua. A atuação mais impactante do fim de semana veio diante da promessa ucraniana de 15 anos Marta Kostyuk, uma das principais revelações deste início de temporada e adepta do estilo agressivo. Barty criou uma verdadeira armadilha para sua jovem rival e não a deixou confortável em nenhum momento. Resultado, 6/2 e 6/3 em dos jogos mais importantes do confronto.

Uma trajetória diferente –  Barty começou a chamar atenção no mundo tênis em 2011 quando foi campeã juvenil de Wimbledon e vice-líder no ranking mundial da categoria com apenas 15 anos. Pouco depois, conseguiu uma vaga na chave principal do Australian Open do ano seguinte ao vencer a forte seletiva nacional entre jogadoras profissionais tradicionalmente disputada em dezembro. Já em 2013, foi finalista de duplas em três Grand Slam, Australian Open, Wimbledon e US Open, todos ao lado de Dellacqua.

Entretanto, depois de ter alcançado o 129º lugar no ranking de simples e o 13º em duplas, Barty fez uma pausa na carreira após o US Open de 2014. Estava cansada da pressão sofrida no circuito e tentou a sorte no críquete, chegando a jogar profissionalmente em seu país. “Tudo aconteceu rápido demais”, disse Barty ao site da WTA, em fevereiro de 2016, quando voltou às quadras jogando ITFs. “Eu era uma desconhecida até ganhar o juvenil de Wimbledon e seis meses depois jogar o Australian Open. Fui vítima do meu próprio sucesso”.

Depois de jogar torneios menores e lesionar o braço direito há dois anos, a australiana só pôde efetivamente voltar ao circuito de WTA no início do ano passado. Ainda em março, conquistou seu primeiro título na elite do circuito em Kuala Lumpur, entrou no top 100 e não parou mais. Fez boas campanhas ao longo do ano, com destaque para os vice-campeonatos em Wuhan e Birmingham e venceu quatro jogos contra top 10. Ao final da temporada, a australiana havia saltado 308 posições do 325º para o 17º lugar, tendo a segunda maior evolução na elite do circuito.
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De promessa no circuito juvenil, a uma jovem jogadora estafada no início da carreira profissional à volta ao circuito em alto nível. O que mudou? Ela mesma explicou em entrevista coletiva antes do Australian Open. “Isso foi há muito tempo e para mim foi uma surpresa. Simplesmente aconteceu muito rápido e eu não estava pensando muito à frente. Acho que se você é um bom juvenil, não há garantias de que você vá se dar bem no circuito e isso foi muito difícil para mim. Mas acho que isso já passou e hoje me sinto ótima em quadra. Tenho uma equipe realmente sólida em torno de mim. São pessoas genuínas que estão me ajudando em tudo”.

A cada semana, Barty mostra que jogar diferente da maioria não é uma sentença de morte no circuito. Também serve para refutar o argumento simplista, preguiçoso (e preconceituoso, por que não?) de que não há variação no tênis feminino. Além da própria australiana, nomes como Anastasija Sevastova, Magdalena Rybarikova, Elise Mertens e a veterana Svetlana Kuznetsova aparecem hoje no top 20 e nenhuma delas é adepta de “quebrar a bola e atacar a todo custo”. O caminho pode até ser mais longo, mas ainda há espaço para quem subverta os padrões.

Na Austrália, Kostyuk desfruta do tênis pela primeira vez
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 17, 2018 às 5:06 pm

Destaque neste primeiros dias de Australian Open, a ucraniana Marta Kostyuk tem chamado atenção por diferentes razões. Com apenas 15 anos, ela passou por três rodadas do qualificatório e mais duas na chave principal. Mas além dos resultados expressivos para sua idade, e que a colocam no patamar de outros prodígios do esporte, Kostyuk também se destacou pela autenticidade de suas declarações.

Logo após a vitória diante da australiana Olivia Rogowska por 6/3 e 7/5 na Margaret Court Arena, Kostyuk participou da tradicional entrevista em quadra, realizada nos três principais estádios do Grand Slam australiano. A comemoração pela vitória foi discreta: “Estou feliz por passar de fase. Na verdade, não senti que fui bem em quadra hoje” e não se mostrou impressionada ao saber que havia se tornado a jogadora mais jovem a chegar em uma terceira rodada de Grand Slam desde Mirjana Lucic (no US Open de 1997) e a mais nova nesta fase do torneio australiano desde Martina Hingis em 1996. “Eu bato recordes ou os repito a cada ano, então eu me sinto Ok”.

De fato, novas marcas vieram a cada rodada para ela. No domingo, quando venceu a tcheca Barbora Krejcikova por 6/3, 5/7 e 6/0 pela última rodada do qualificatório, a ucraniana havia se tornado a mais jovem jogadora a passar pelo quali de um Grand Slam desde a búlgara Sesil Karatantcheva, que tinha 15 anos e 5 meses no Australian Open de 2005. Já no dia seguinte, derrotar a 27ª colocada chinesa Shuai Peng por duplo 6/2 fez dela a mais jovem a vencer.um jogo pela chave principal Melbourne em 21 anos. Faz sentido que ela encare tais números com tamanha naturalidade.

Mas a frase que mais chamou atenção foi sobre o fato de poder cobrar menos de si mesma, se comparada aos tempos de juvenil. “Isso mudou, porque você não pode ser perfeccionista no tênis. Você comete erros a cada ponto e em cada golpe, então você não pode ser assim ou você vai acabar num hospital psiquiátrico”.

Na Austrália, Kostyuk diz estar desfrutando do tênis pela primeira vez em sua vida. Em longa entrevista ao site da WTA, a jovem jogadora falou sobre sua mudança de mentalidade, motivada principalmente pelo caráter profissional do circuito e das premiações em dinheiro.

“Agora eu mudei completamente minha atitude em quadra neste torneio. Não antes. Apenas neste torneio. Eu era uma jogadora diferente no meu último torneio. Eu posso mudar assim, mas também posso mudar na direção oposta (risos). Agora eu entendo o que é administrar as emoções, não mostrá-las o tempo todo e estar sempre motivada”.

“Você sabe qual é a diferença? Agora você está nos profissionais e você começa a ganhar dinheiro e é diferente porque você está jogando e é como se você estivesse trabalhando. Você está trabalhando duro, você dá energia, mas depois disso recebe o dinheiro. Vale a pena. Eu teria perdido minhas três partidas do quali se eu me comportasse como na semana passada”.

“Eu poderia estar ganhando por 5/0 e 40-0 se eu errasse uma bola e eu jogaria minha raquete no chão e ficaria irritada. ‘Como eu pude errar essa bola?’ Eu era perfeccionista. Na escola, tudo tinha que ser bom, minhas notas tinham que ser boas. Na ginástica [esporte que também já praticou], tudo tinha que ser bom. Eu ficava sempre estressado e as pessoas ao meu redor apenas diziam: ‘Marta, aproveite'”.

Kostyuk mudou a mentalidade como tenista depois de se tornar profissional (Foto: Elizabeth Bai/Tennis Australia)

Kostyuk mudou a mentalidade como tenista depois de se tornar profissional (Foto: Elizabeth Bai/Tennis Australia)

Apesar da pouca idade e de estar apenas começando sua trajetória no circuito profissional, Kostyuk mostra uma mentalidade diferente no planejamento de sua carreira a longo prazo e na maneira como estabelece suas metas. “Eu ouço muitos jogadores dizerem que o ‘tênis é tudo para mim’, ‘o tênis é a minha vida’. Eu não quero assumir isso, porque se eu perder ou algo acontecer, isso destruiria minha vida. Quando terminar minha carreira, quero também ser boa em outras coisas, não só no tênis”.

“Conheço muitos jogadores que se aposentam e depois voltam porque dizem que não têm nada o que fazer fora do tênis. Eu não quero ser uma pessoa assim e é por isso que eu não tenho tênis tão perto de mim”, explica a ucraniana, que treina em Zagreb, na Croácia, e tem a carreira agenciada por Ivan Ljubicic.

“Eu nunca determino um super objetivo. Penso naquilo que é real. Quando eu alcanço, então eu traço outro objetivo. Eu não digo que vou ser a número 1 no final do ano, porque se eu não conseguir, alguma parte de mim nunca mais será a mesma”, comentou a jogadora, que irá saltar mais de duzentas posições no ranking da WTA depois do Grand Slam australiano, saindo do atual 521º lugar para uma posição entre as 250 melhores.

Durante a entrevista coletiva, na sala de imprensa do Melbourne Park, a ucraniana expôs um pouco mais sobre a mudança de sua relação com o tênis, já que em algumas falas anteriores ela dava a entender que não gostava tanto do esporte. “Não é como se eu não gostasse. Na verdade, eu disse que não estava aproveitando. Eu gostava de tênis e continuo amando, mas sempre queria vencer, não importa o que. Se eu perdesse, era uma tragédia e aí eu não queria mais jogar. Agora estou finalmente começando a aproveitar”.

A ideia de não se cobrar tanto também a ajuda a lidar com uma limitação de regulamento imposta pela WTA. “Como tem menos de dezesseis anos, ela só pode disputar doze torneios profissionais durante um ano. No ano passado, eu estava jogando muitos torneios juvenis e queria encerrar esse ciclo. Então, meu primeiro torneio foi há duas semanas em Brisbane foi e depois deste, ainda tenho 10 torneios, o que está bom. Mas desde o meu próximo aniversário até o ano seguinte, serão 16 torneios. Poderia jogar 16 torneios em um ano, enquanto as pessoas estão jogando 20″.

Atual campeã juvenil em Melbourne, a ucraniana já encerrou seu ciclo nas competições de base (Foto: Corinne Dubreuil/ITF)

Atual campeã juvenil em Melbourne, a ucraniana já encerrou seu ciclo nas competições de base (Foto: Corinne Dubreuil/ITF)

Rosto conhecido: Já falamos da Kostyuk aqui no blog em duas oportunidades. A primeira foi há pouco menos de um ano, quando ela conquistou o título juvenil do Australian Open aos 14 anos e sete meses, ficando muito próxima se tornar a mais jovem campeã da história do torneio. Na ocasião, também foi destacado o histórico respeitável da ucraniana em competições de base, especialmente na categoria até 14 anos.

Já em outubro, quando foi campeã da terceira edição do ITF Junior Masters, na cidade chinesa de Chengdu, foi comentado sobre seu estilo de jogo agressivo e condizente com a atual elite do circuito feminino. A ucraniana imprime muita potência nos golpes dos dois lados, mas também tem recursos para improvisação. Seu passado na ginástica também rendeu um incomum estilo de comemoração, dando um mortal para trás após o título. Já naquela ocasião, ela sinalizava que aquele teria sido seu último torneio como juvenil.

Uma campeã de trick-shots e acrobacias
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 30, 2017 às 4:26 pm

Chegou ao fim neste domingo a terceira edição do ITF Junior Masters, evento que reuniu dezesseis dos melhores jogadores da temporada do circuito mundial juvenil na cidade chinesa de Chengdu. O destaque deste ano ficou para a ucraniana Marta Kostyuk. Ela era a mais jovem da chave, com apenas 15 anos, campeã da chave feminina ao vencer todos os cinco jogos que fez durante a semana, sem perder nenhum set e conquistou a torcida com seu carisma, jogadas de efeito e comemorações acrobáticas.

Kostyuk venceu a final do último domingo contra a eslovena Kaja Juvan por 6/4 e 6/3, devolvendo a derrota sofrida na decisão do European Junior Championship, disputado em julho na Suíça. Ela também havia vencido Juvan durante a fase de grupos e liderou uma chave que ainda tinha a colombiana Maria Camila Osorio Serrano e chinesa Xin Yu Wang. Na semi, a ucraniana bateu a argentina Maria Lourdes Carle, com direito a lances de muita plasticidade.

Na final contra Juvan, vimos duas tenistas muito agressivas e com capacidade de contruir os pontos a partir de boas devoluções, estilo que tem sido comum na elite do circuito feminino. Nas rápidas condições de Chengdu, a potência dos golpes dos dois lados ficou ainda mais evidente, com pontos definidos de maneira muito rápida.

Kostyuk teve dificuldades em seus três primeiros games de saque, sofrendo duas quebras, mas aos poucos foi encontrando seu melhor ritmo. Depois de estar perdendo o set inicial por 4/2, a ucraniana conseguiu vencer os últimos quatro games. Já o segundo set teve menos alternância na liderança do placar e a ucraniana conseguiu quebras em momentos importantes e sacou bem no momento de fechar a partida.
Sobre sua característica comemoração, Kostyuk explicou: “Eu pratiquei ginástica durante sete anos e também jogava tênis. Faço isso quando a torcida me pede ou quando venço um torneio”, comentou a jogadora de apenas 15 anos, que sinalizou após a partida que este ter sido seu último torneio como juvenil

O título do Masters, aliado à conquista do Australian Open em janeiro, fazem com que Kostyuk suba do terceiro para o segundo lugar no ranking juvenil da ITF e diminua a distância para a norte-americana Whitney Osuigwe. A temporada ainda reserva dois torneios de graduação A que podem ser decisivos na disputa pelo número 1 até o fim do ano, o Aberto Juvenil Mexicano em novembro e o Orange Bowl em dezembro. Caso ela decida jogar, pode haver uma disputa interessante.

Marta Kostyuk e Emil Ruusuvuori conquistaram os títulos no Junior Masters (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Marta Kostyuk e Emil Ruusuvuori conquistaram os títulos no Junior Masters (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Finlandês campeão no masculino: O título masculino ficou com o finlandês Emil Ruusuvuori, que tem 18 anos e entrou no torneio como 15º do ranking. Ele venceu a final contra o chinês Yibing Wu, líder do ranking mundial e atual campeão do US Open, por 3/6, 6/1 e 7/6 (7-4) e fecha sua trajetória nas competições de base entre os dez melhores do mundo.

Ruusuvuori já teve a oportunidade de até jogar a Copa Davis por seu país, chegando a enfrentar o top 100 georgiano Nikoloz Basilashvili em abril, agora concentra esforços em seu início de carreira profissional. “Esse título pode ser o meu trampolim para o circuito profissional. Será um grande desafio, mas muito divertido”.

Argentinos se destacam: Legal também destacar a participação argentina, que colocou três semifinalistas. Axel Geller e Sebastian Baez avançaram no torneio masculino, enquanto Maria Lourdes Carle se classificou na chave feminina.

Baez terminou invicto a participação no Grupo Yong antes de cair na semi para o favorito e anfitrião Wu. Geller, número 2 do ranking da ITF e finalista de dois Grand Slam, veio da mesma chave de seu compatriota e perdeu a semifinal para o campeão Ruusuvuori. Geller ficou devolveu a derrota sofrida a Baez na fase de grupos e ficou com o terceiro lugar.

Já Carle terminou em segundo lugar na chave encabeçada pela norte-americana Whitney Osuigwe, líder do ranking mundial com apenas 15 anos e campeã de Roland Garros. Após a derrota para Kostyuk na semi, ela voltou a cair diante de Osuigwe e terminou na 4ª posição do torneio. Outra sul-americana no torneio, a colombiana de 15 anos Maria Camila Osorio Serrano foi a quinta colocada em Chengdu.

Para assistir: Por conta dos horários e da coincidência de datas com o WTA Finals, uma opção para ver mais dos jogos do Junior Masters é acompanhar os VTs completos no Olympic Channel. Eles disponibilizaram jogos da sexta-feira (último dia da fase de grupos), sábado (semifinais) e domingo (finais).

Conquistas em Challengers: A semana também teve dois jovens de 18 anos vencendo seus primeiros título de nível challenger, o sérvio Miomir Kecmanovic e o francês Corentin Moutet. Com isso, a temporada passa a ter 15 challenger vencidos por jogadores com menos de 20 anos. Em 2015 e 2016, foram 13 conquistas desses jovens, contra apenas seis em 2014.

O francês Corentin Moutet e sérvio Miomir Kecmanovic, ambos de apenas 18 anos, venceram os primeiros challengers neste domingo.

O francês Corentin Moutet e sérvio Miomir Kecmanovic, ambos de apenas 18 anos, venceram os primeiros challengers neste domingo.

Kecmanovic triunfou na cidade chinesa de Suzhou ao vencer a final contra o moldavo Radu Albot, 134º do ranking, por duplo 6/4. O título faz com que o sérvio salte 85 posições no ranking da ATP e se estabeleça no 209º lugar, melhor marca de sua promissora carreira. Há pouco menos de um ano, ele encerrava a última temporada como número 1 do ranking juvenil.

Já Corentin Moutet, que encerrou sua carreira juvenil apenas em agosto, venceu o challenger de Brest, em quadras duras e cobertas em seu país. A final foi contra o também promissor grego de 19 anos Stefanos Tsitsipas e terminou com parciais de 6/2 e 7/6 (10-8) e outra comemoração pouco ortodoxa (veja no vídeo abaixo). Com o título, ele salta 64 posições e fica no 160º lugar do ranking.

https://twitter.com/ATPChallenger/status/924816035487744000

 

Juniors Masters dá a largada. Veja quem joga!
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 24, 2017 às 11:10 pm

A terceira edição do ITF Junior Masters dá a largada na madrugada desta quarta-feira. Serão cinco dias de disputa com os dezesseis melhores juvenis da temporada nas quadras duras do Sichuan International Tennis Center, na cidade chinesa de Chengdu. Os grupos da chave masculina levam os nomes de SHUAI e YONG. Já as chaves femininas se chamam LI e LIANG.

GRUPO LI

  • Whitney Osuigwe: Líder do ranking mundial juvenil, a norte-americana de apenas 15 anos foi campeã de Roland Garros e um dos destaques de seu país na Fed Cup Júnior. Ela vem de um vice-campeonato em Osaka e também venceu o Banana Bowl em março.
  • Elena Rybakina: Quinta no ranking juvenil, a russa de 18 anos já é 420ª na WTA e tem dois títulos profissionais. Como juvenil, seus principais feitos foram o título do Trofeo Bonfiglio e as semifinais na Austrália e em Roland Garros.
  • Maria Lourdes Carle: A argentina de 17 anos foi semifinalista do US Open e venceu no fim do ano passado o prestigiado torneio americano Eddie Herr, além de ter chegado às quartas no Orange Bowl. Ela tembém foi semifinalista do Sul-Americano Individual.
  • Sofia Sewing: Atual 15ª do ranking juvenil aos 18 anos, Sewing foi finalista do Campeonato Internacional de Porto Alegre e chegou às quartas em Wimbledon.

GRUPO LIANG

  • Marta Kostyuk: Terceira do ranking, a ucraniana de 15 anos foi campeã do Australian Open em janeiro. Ela também se destacou no European Junior Championships, onde foi finalista de simples e campeã de duplas, além de ter vencido um torneio ITF G1 no Canadá na semana anterior à do US Open.
  • Maria Camila Osorio Serrano: A colombiana de 15 anos já jogou até Fed Cup por seu país e é 15ª no ranking juvenil. Ela foi vice no Sul-Americano Individual e semifinalista em Porto Alegre.
  • Kaja Juvan: Campeã do European Junior Championships e atual detentora do título do Orange Bowl, a eslovena de 16 anos foi top 5 em janeiro. Ela também foi campeã de duplas em Wimbledon e já se dedica ao circuito profissional, conquistando dois títulos na carreira.
  • Xin Yu Wang:Sexta do ranking, a chinesa de 16 anos vem embalada pelo título de Osaka na última semana. A maior parte de seus resultados foi conquistada na Ásia.

GRUPO SHUAI

  • Yibing Wu: O chinês de 18 anos é o líder do ranking mundial juvenil e disputará sua última competição na categoria, em que foi campeão de simples e duplas no US Open e semifinalista na Austrália. Como profissional, ele já tem um título de challenger em Xangai e um future.
  • Marko Miladinovic: Sérvio de 16 anos e décimo do ranking da ITF. Ele chegou a ser o sétimo colocado em junho. Venceu o Banana Bowl em março e se destacou no saibro italiano com semifinal no torneio Santa Croce e vice no Trofeo Bonfiglio de Milão, mas não foi bem nos Grand Slam.
  • Jurij Rodionov: O canhoto austríaco de 18 anos e nono do ranking venceu três títulos de simples na temporada, dois deles em seu próprio país. Seu melhor resultado em Grand Slam foi em Wimbledon, onde chegou às quartas de final.
  • Emil Ruusuvuori: Finlandês de 18 anos e 15º do ranking mundial juvenil. Ele foi semifinalista do US Open e também fez a mesma campanha na grama de Roehampton.

GRUPO YONG

  • Axel Geller: Argentino de 18 anos e que treina na IMG Academy. Vice-líder do ranking mundial juvenil, ele foi finalista de Wimbledon e do US Open, mas ainda não tem pontos no ranking profissional.
  • Sebastian Baez: Também argentino e 11º do ranking aos 16 anos, ele chegou às quartas de final no US Open e foi semifinalista da categoria principal do último Orange Bowl. Ele é treinado pela lenda do tênis argentino Jose Luis Clerc.
  • Trent Bryde: O norte-americano de 18 anos venceu o Campeonato Internacional Juvenil de Porto Alegre em março. O resultado na capital gaúcha é responsável por 250 de seus 751,25 pontos no ranking.
  • Yu-Hsiou Hsu: O taiwanês de 18 anos já foi top 5 em junho e atualmente é o 14º do ranking e foi campeão de duplas em Wimbledon e no US Open.

PROGRAMAÇÃO – Os jogos serão disputados a partir de meia-noite (de Brasília). A programação do estádio principal começa com a partida masculina entre Wu e Miladinovic, seguida pelo encontro entre Kostyuk e Wang. Não antes das 3h, Osuigwe e Carle se enfrentam. Já o duelo argentino entre Geller e Baez fecha a rodada.

Já na quadra 1, Rybakina e Sewing fazem o primeiro jogo do dia. Depois, acontece o duelo entre Ruusuvuori e Rodionov. A partir das 3h, Osorio Serrano enfrenta Osorio Serrano. O último jogo dia nesta quadra envolve Trent Bryde e Hsu.

TRANSMISSÃO – Nos outros dois anos, a ITF disponibilizava transmissão ao vivo pelo YouTube. Já em 2017, os links estão disponíveis a partir da fase final do torneio, em parceria com o Olympic Channel. Já o placar ao vivo está disponível neste link.

Definidos os jogadores no ITF Junior Masters
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 13, 2017 às 9:56 pm

A terceira edição do ITF Junior Masters já tem suas listas de participantes definidos. Assim como nas duas últimas temporadas, o evento acontece no Sichuan International Tennis Center, na cidade chinesa de Chengdu, entre os dias 25 e 29 de outubro.

O torneio terá oito jogadores na chave masculina e mais oito na feminina. Os tenistas serão divididos em dois grupos com quatro, tal como acontece no ATP Finals e no WTA Finals. Diferente do que aconteceu nas edições anteriores, o torneio passa a valer pontos para o ranking mundial juvenil e ajuda a determinar quem será o número 1 ao final da temporada.

Líder do ranking e campeão do US Open, o chinês Yibing Wu será a principal atração (Foto: Arata Yamaoka)

Líder do ranking e campeão do US Open, o chinês Yibing Wu será a principal atração (Foto: Arata Yamaoka)

A chave masculina é encabeçada pelo chinês Yibing Wu, líder do ranking e campeão do US Open, e pelo argentino Axel Geller, que vice de Wimbledon e também em Nova York. Outro argentino na disputa é Sebastian Baez, 11º colocado. O taiwanês Yu-Hsiou Hsu, que venceu três Grand Slam nas duplas, o austríaco Jurij Rodionov e o finlandês Emil Ruusuvuori também estão no páreo. Campeões do Banana Bowl e do Campeonato Internacional Juvenil de Porto Alegre, o sérvio Marko Miladinovic e o norte-americano Trent Bryde completam a disputa.

O torneio feminino é liderado pela norte-americana campeã de Roland Garros Whitney Osuigwe e pela ucraniana vencedora do Australian Open Marta Kostyuk. Os Estados Unidos ainda contam com Sofia Sewing. Duas sul-americanas estarão presentes no torneio, a argentina semifinalista do US Open Maria Lourdes Carle e a colombiana Maria Camila Osorio Serrano. A eslovena atual campeã do Orange Bowl Kaja Juvan, a chinesa semifinalista do US Open Xin Yu Wang, a russa campeã do Trofeo Bonfiglio Elena Rybakina fecham o grupo de participantes.

Saiba Mais – Desde a semana passada, a ITF tem disponibilizado os perfis de cada um dos participantes. Diariamente, eles apresentam um menino e uma menina que estarão presentes no torneio.

A festa dos coadjuvantes
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 4, 2017 às 5:06 am

Há uma semana, falávamos sobre a busca de Alexander Zverev pelo papel de protagonista neste US Open, especialmente após os grandes resultados nos torneios preparatórios e diante de uma chave que oferecia a possibilidade de obter seu primeiro resultado expressivo em Grand Slam. Como todos vimos, Zverev não cumpriu as expectativas e se se despediu precocemente ainda na segunda rodada. Mas se o alemão não conseguiu seu papel principal, outros jovens coadjuvantes roubaram a cena e brilharam durante a primeira semana do Grand Slam americano.

O primeiro jovem a se destacar foi Borna Coric, que foi o próprio algoz de Zverev na segunda fase. O duelo da nova geração na quadra Grandstand foi um dos melhores da chave masculina até aqui e teve uma atuação de gala do croata, que rivaliza com o alemão desde os tempos de juvenil e já venceu os dois encontros entre eles na elite do circuito.

https://twitter.com/borna_coric/status/903224202605494272

Tal como Zverev, ainda falta a Coric um grande resultado em Slam, já que ele jamais passou da terceira rodada, mas é inegável que o ex-número 33 e atual 61º do ranking já poderia ter ido muito mais longe se não fosse a lesão e cirurgia no joelho direito, realizada em setembro do ano passado. Suas seis vitórias contra top 10, sendo três delas este ano e o título do ATP de Casablanca, dão indício de que o croata de 20 anos pode e merece alçar voos mais altos.

Kasatkina venceu o duelo da nova geração contra Ostapenko

Kasatkina venceu o duelo da nova geração contra Ostapenko

Em um cenário muito parecido, Daria Kasatkina eliminou Jelena Ostapenko pela terceira rodada da chave feminina e já está nas oitavas de final. Este é o melhor resultado em Grand Slam para a russa de 20 anos e 36ª do ranking, que já chegou a ocupar o 24º lugar. Adversária da veterana Kaia Kanepi nas oitavas, Kasatkina é uma das poucas atletas restantes na chave feminina, que aposta muito mais no jogo sólido do fundo de quadra em vez de bolas mais pesadas e agressivas.

A vitória sobre Ostapenko, atual campeã de Roland Garros, reedita o resultado do último duelo anterior entre elas. As duas jogadoras nascidas em 1997 já haviam se enfrentado na final de Charleston, em abril, quando Kasatkina conquistou seu primeiro título da carreira. Na época, a russa dava sinais de evoluiria mais rápido diante de uma letã que arriscava tudo. Mas a ajuda da veterana Anabel Medina Garrigues, Ostapenko aprendeu a trabalhar melhor os pontos e se desenvolveu no piso em que tinha mais dificuldade para conquistar o Grand Slam parisiense.

 

Denis Shapovalov foi outro que brilhou durante o Grand Slam americano, com direito a mais uma expressiva vitória em sua carreira, ao eliminar o experiente francês Jo-Wilfried Tsonga numa sessão noturna do Arthur Ashe Stadium. A queda precoce de Zverev, aliás, foi um dos fatores que levou a organização do torneio marcar três jogos seguidos do carismático canadense no estádio principal.

A experiência de disputar as partidas contra Kyle Edmund e Pablo Carreño Busta foi engrandecedora para o canhoto de 18 anos que, se ainda não pode ser consider favorito em nenhum desses jogos, pôde entrar numa quadra grande com uma perspectiva diferente daquela de franco-atirador contra um grande nome. Nesses dois jogos e até mesmo diante do cabeça 8 francês, Shapovalov era a atração principal e a razão para que aquelas partidas fossem disputadas no Ashe (basta a diferença na reação do público no vídeo acima). Isso algo que ele precisa se acostumar nesse processo para se tornar uma nova estrela.

Osaka voltou ao Ashe um ano depois de frustrante derrota para Keys

Osaka voltou ao Ashe um ano depois de frustrante derrota para Keys

Outra coadjuvante a aprontar no Ashe foi a japonesa de 19 anos Naomi Osaka, que despachou a atual campeã Angelique Kerber. A vitória por 6/3 e 6/1 diante da canhota alemã foi a primeira de Osaka contra uma top 10 e marcou sua volta à maior quadra de tênis do mundo, um ano depois de ter sofrido uma incrível virada contra Madison Keys pela terceira rodada do Slam americano. Havia possibilidade de um duelo de jovens contra Kasatkina, mas a japonesa caiu para Kanepi no último sábado.
Já o russo Andrey Rublev segue vivo na chave e tenta se tornar o mais jovem jogador nas quartas do US Open desde Andy Roddick em 2001. Para isso, precisa vencer David Goffin nesta segunda-feira. O tenista de 19 anos só tinha duas vitórias em chaves principais de Slam antes de chegar a Nova York, onde já obteve três triunfos. Ele também nunca havia derrotado um top 10 em três tentativas e foi superar logo o nono colocado e cabeça 7 búlgaro Grigor Dimitrov, vindo de título do Masters 1000 de Cincinnati.

O crescimento de Rublev no ranking é expressivo. Pouco mais de três meses depois de entrar pela primeira vez no top 100, o russo começa a se estabelecer entre os cinquenta melhores. O atual 53º colocado, que deve subir para o 43º lugar, chegou a ocupar a 49ª posição por uma semana, logo após conquistar seu primeiro título do ATP, no saibro croata de Umag em julho.

Começou o juvenil

Marta Kostyuk e Marko Miladinovic venceram forte torneio canadense na última semana

Marta Kostyuk e Marko Miladinovic venceram forte torneio canadense na última semana

As chaves juvenis do US Open deram a largada no último domingo, infelizmente com as eliminações precoces de Thaísa Pedretti e Gabriel Décamps. O tênis brasileiro ainda contra com o paranaense Thiago Wild e com o paulista Matheus Pucinelli, que entrou por Special Exempt, após chegar à final do ITF G1 de Quebec na última semana.

A chave masculina é encabeçada pelo argentino Axel Geller, destaque nos torneios na grama, e pelo chinês Yibind Wu. Já o feminino tem como principais nomes a americana Whitney Osuigwe e a ucraniana Marta Kostyuk, respectivas campeãs de Roland Garros e do Australian Open.

Aconteceram dois bons torneios preparatórios nas últimas semanas: Em Maryland, o colombiano Nicolas Mejia e a australiana Jaime Fourlis (que já jogou chave principal de Roland Garros) triunfaram de simples e duplas. Já no Canadá, os títulos ficaram com a já citada Kostyuk no feminino e com o sérvio Marko Miladinovic entre os meninos, ao vencer Pucinelli na decisão.

Campeã juvenil do Australian Open tem apenas 14 anos
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 30, 2017 às 9:40 pm
O húngaro Zsombot Piros e a ucraniana Marta Kostyuk foram campeões juvenis em Melbourne (Foto: Corinne Dubreuil/ITF)

O húngaro Zsombot Piros e a ucraniana Marta Kostyuk foram campeões juvenis em Melbourne (Foto: Corinne Dubreuil/ITF)

O término da chave juvenil do Australian Open coroou uma de suas campeãs mais precoces. A ucraniana Marta Kostyuk conquistou o título aos 14 anos e sete meses depois da vitória por 7/5, 1/6 e 6/4 sobre a cabeça 1 suíça de 17 anos Rebeka Masarova no último sábado.

Por muito pouco, a jogadora é nascida em 28 de junho de 2002 não se tornou a mais jovem campeã da história do torneio. O feito cabe à russa Anastasia Pavyluchenkova, que tinha 14 anos, seis meses e 27 dias quando foi campeã juvenil em Melbourne em 2006. A russa, aliás, é uma das raras bicampeãs de um Grand Slam juvenil já que voltaria a vencer o torneio no ano seguinte.

Kostyuk teve um desempenho impressionante em competições de base. Em 2015, ela venceu a categoria 14 anos do Eddie Herr e do Orange Bowl. Já no ano passado, ela fez parte da equipe ucraniana campeã do World Junior Tennis (mundial de 14 anos por equipes na cidade tcheca de Prostejov) e já chegou às quartas da categoria principal do Eddie Herr e Orange Bowl, o que a levaram para a Austrália já em boa situação no ranking.

Fora de quadra, a jovem ucraniana tem a carreira agenciada por Ivan Ljubicic, ex-número 3 do mundo e que atua na equipe técnica de Roger Federer, outro campeão do fim de semana em Melbourne.”Eu finalmente conheci o Roger hoje” disse, sorrindo na entrevista coletiva. “Ele me cumprimentou. E tirei uma foto com ele, então fiquei muito animada”, acrescentou a jogadora que é treinada pela mãe e divide sua base entre Kiev e a cidade francesa de Cannes.

Histórico – A Ucrânia agora tem quatro títulos juvenis de Grand Slam em simples. O primeiro foi de Andrei Medvedev, no ano de 1991 em Roland Garros. Depois, triunfaram Kateryna Bondarenko em Wimbledon-2004 e Elina Svitolina em Roland Garros-2010.

O título masculino do Australian Open juvenil ficou com o húngaro  Zsombor Piros, que venceu a final contra o israelense Yshai Oliel por 4/6, 6/4 e 6/3. Piros repete o feito de Aniko Kapros, campeão em Melbourne no ano 2000. Outros três húngaros foram campeões juvenis de Grand Slam: Agnes Szavay em Roland Garros-2005, Marton Fucsovics em Wimbledon-2010 e Dalma Galfi no US Open de 2015.

Entrevistas – A quem interessar, o Australian Open disponibiliza as transcrições completas das entrevistas coletivas de Kostyuk e Piros após as finais do último sábado.

Les Petits As – Há pouco mais de um ano, Kostyuk estava na cidade francesa de Tarbes e foi campeã do tradicional torneio Les Petis As, que é considerado um mundial da categoria 14 anos. Promovido pela fornecedora de material esportivo Lacoste, o evento teve sua 35ª edição também na última semana de janeiro. Este ano, os títulos ficaram com a russa Maria Timofeeva e o italiano Luca Nardi.

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O italiano Luca Nardi e a russa Maria Timofeeva venceram um importante torneio de 14 anos na França

O Brasil teve o catarinense Pedro Boscardin Dias na chave masculina. Ele venceu o francês Sean Cenin por 6/2 e 7/5 na estreia e depois perdeu para o cabeça 5 norte-americano Toby Kodat na segunda rodada por 6/3 e 6/1.

Nos últimos anos, o Les Petits As antecipou algumas jogadoras que viriam ganhar um Grand Slam juvenil, já que além da própria Kostyuk, vale citar a russa Anastasia Potapova (vencedora do torneio em 2015 e campeã júnior de Wimbledon ano passado) e jogadoras que entrariam no top 100, casos de Jelena Ostapenko e Catherine Bellis (que triunfaram na França em 2011 e 2013, respectivamente).

O quadro de campeões do torneio francês tem nomes como Rafael Nadal, Richard Gasquet, Martina Hingis, Kim Clijsters e Timea Bacsinszky. A lista de grandes nomes que passaram pelo evento também inclui Roger Federer, Juan Martin del Potro, Novak Djokovic, Andy Murray, Agnieszka Radwanska, Caroline Wozniacki, Angelique Kerber e Justine Henin.

As corridas – Ao término do primeiro mês de competições no circuito da ATP, o russo de 20 anos Daniil Medvedev lidera a corrida para a edição inaugural do Next Gen ATP Finals, que será disputado entre os dias 7 e 11 de novembro na cidade italiana de Milão. Atual 63º do mundo, Medvedev recebeu 150 pontos quando foi finalista do ATP de Chennai e outros 10 por ter entrado diretamente na chave do Australian Open, onde perdeu na estreia.

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O segundo colocado nesta lista é o sul-coreano Hyeon Chung que havia vencido um jogo em Chennai (onde veio do quali) e outro no Australian Open. Já na última semana, ele foi campeão do challenger de Maui, no Havaí. Com apenas 20 anos, o atual 73º do mundo já acumula oito títulos de challenger.

Os nomes de Andrey Rublev, Alexander Zverev, Ernesto Escobedo, Noah Rubin, Alex De Minaur e Frances Tiafoe completam o top 8 após quatro semanas de competições. O evento terá os sete melhores jogadores de até 21 anos e um convidado. Confira o ranking completo neste link.

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Já a corrida para o ITF Junior Masters ainda é fortemente influenciada pelos resultados do fim do ano passado. Exemplo disso é a liderança do sérvio Miomir Kecmanovic, destaque nos torneios americanos de novembro e dezembro. Ainda assim, Piros já é o terceiro colocado e Kostyuk assumiu a ponta da lista feminina. A terceira edição do torneio com os oito melhores juvenis do mundo acontecerá em outubro, na cidade chinesa de Chengdu.