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Grande semana de Wild e Pedretti
Por Mario Sérgio Cruz
abril 30, 2018 às 10:41 pm

A última semana foi boa para dois nomes da nova geração do tênis brasileiro. Tenistas de 18 anos, o paranaense Thiago Wild e a paulista Thaísa Pedretti obtiveram o segundo título de suas carreiras profissionais, ele em São José do Rio Preto, ela no saibro argentino de Villa del Dique.

Wild passou outros dois jovens brasileiros durante a semana, o paulista Marcelo Zormann e o canhoto gaúcho Rafael Matos, além de também derrotar o experiente Daniel Dutra Silva na semifinal. O paranaense, que não perdeu sets durante a semana, derrotou na final o argentino de 18 anos Camilo Carabelli por 7/6 (7-5) e 6/3.

 Thiago Wild conquistou o segundo título profissional da carreira em São José do Rio Preto (João Pires/Fotojump)


Thiago Wild conquistou o segundo título profissional da carreira em São José do Rio Preto (João Pires/Fotojump)

Os dezoito pontos pelo título serão computados no dia 7 de maio e farão com que Wild tenha o melhor rankig da carreira. O paranaense aparece nesta semana no 606º lugar, mas deve se aproximar da 520ª posição na próxima segunda-feira quando terá apenas um ponto a descontar.

Wild falou ao TenisBrasil durante a última semana. O paranaense sempre foi um jogador vibrante e intenso em quadra desde os tempos de juvenil e falou sobre o trabalho psicológico que faz para transformar isso em coisas positivas. “Faço um trabalho mental com uma psicóloga esportiva. E medito praticamente todo dia para canalizar a energia e conseguir manter bem a concentração. É um problema que eu tenho. Perco a concentração muito rápido”.

Diante da mudança no ranking a partir da próxima temporada, com torneios de nível future parando de oferecer pontos, Wild quer dar um salto já no segundo semestre, priorizando competições maiores e tem uma meta ambiciosa. “Uma meta que eu estipulei no ano passado é terminar entre os 200 do mundo. Acho que é uma coisa palpável até o final do ano. Preciso de alguns resultados bons, como todo mundo que quer subir precisa, mas acho que esse é o objetivo principal”, afirmou o paranaense. “Pretendo jogar só challengers no segundo semestre, justamente para ficar fora desse ranking de transição e não precisar jogá-lo. Acho que é uma coisa bem palpável, porque estou jogando bem, venho crescendo e posso muito bem jogar só challenger a partir do segundo semestre”.

Confira a entrevista completa com Thiago Wild.

O paranaense continuará jogando em solo brasileiro nas próximas três semanas, totalizando quatro futures em território nacional. Seu próximo compromisso será no Clube Paineiras do Morumby, na capital paulista. O torneio em São Paulo ainda atrai bons nomes da nova geração brasileira como Marcelo Zormann, Rafael Matos, João Lucas Reis e Igor Gimenez. A entrada é gratuita durante toda a semana.

Campeões de duplas em Rio Preto, Rafael Matos e Marcelo Zormann jogam em São Paulo nesta semana (João Pires/Fotojump)

Campeões de duplas em Rio Preto, Rafael Matos e Marcelo Zormann jogam em São Paulo nesta semana (João Pires/Fotojump)

Já Thaísa Pedretti encerrou uma sequência de nove jogos no saibro argentino com oito vitórias e apenas uma derrota. Antes do título em Villa Del Dique, a paulista já havia sido semifinalista em Villa Dolores. Na final disputada no último sábado, ela derrotou a chilena Fernanda Brito, principal cabeça de chave do torneio e 364ª do ranking, por 6/0 e 6/4.

A paulista Thaísa Pedretti está em seu último ano como juvenil (Foto: Éric Visintainer)

Pedretti está com o melhor ranking da carreira e entrará no grupo das 500 melhores do mundo (Foto: Éric Visintainer)

Nesta segunda-feira, Pedretti ganhou 21 posições no ranking e aparece com o melhor marca da carreira ao ocupar o 546º lugar. Esse número certamente será superado na próxima segunda-feira, quando os doze pontos pelo título na Argentina forem computados. A jovem de 18 entrará no grupo das 500 melhores jogadoras do mundo pela primeira vez na carreira. Sétima brasileira mais bem colocado no ranking com 53 pontos, Pedretti irá ultrapassar Carolina Alves e Teliana Pereira na semana que vem. Com isso, ela ficará atrás apenas de Beatriz Haddad Maia, Gabriela Cé, Nathaly Kurata e Laura Pigossi.

Juvenis na Europa – Alguns juvenis brasileiros estão lutando por pontos no saibro europeu de olho na chave juvenil de Roland Garros. Destaque para Gilbert Klier Júnior, brasiliense de 17 anos, que conseguiu um título e um vice-campeonato de duplas nas últimas semanas, na cidade búlgara de Plovdiv e no saibro francês de Beaulieu Sur Mer. Nos mesmos torneios, fez quartas em simples.

O paulista Igor Gimenez foi semifinalista em Medias, na Romênia, na última semana e tem um tíulo de duplas com Klier na Búlgária. Já o baiano Natan Rodrigues teve dois vice-campeonatos de duplas na França. O primeiro em Istres, ao lado do argentino Roman Burruchaga e o segundo em Beaulieu Sur Mer com Klier. Natan parou nas oitavas dos dois torneios de simples.

Zverev quebra escrita de oito anos, Pouille já pensa em 2017
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 26, 2016 às 10:17 pm

O fim de semana da ATP foi muito positivo para dois integrantes da nova geração que comemoraram seus primeiros títulos, derrotando adversários do top 10 nas finais. Alexander Zverev foi campeão na cidade russa de São Petersburgo ao marcar 6/2, 3/6 e 7/5 diante de Stan Wawrinka na decisão. Já Lucas Pouille passou por Dominic Thiem, com 7/6 (7-5) e 6/2 na final do ATP de Metz.

Zverev é o primeiro jogador com menos de 20 anos a vencer um ATP desde Marin Cilic em 2008 (Foto: SPB Open)

Zverev é o primeiro jogador com menos de 20 anos a vencer um ATP desde Marin Cilic em 2008 (Foto: SPB Open)

Aos 19 anos, Zverev é o primeiro teenager/”adolescente” a vencer um ATP desde agosto de 2008, quando Marin Cilic foi campeão de New Haven aos 19 anos. Naquela mesma temporada, Kei Nishikori foi campeão de Delray Beach em fevereiro, com apenas 18 anos.

“Ganhar um título é um sonho que se tornou realidade agora e ser o primeiro desde 2008 a vence com tão pouca idade é ótimo, estou muito orgulhoso de mim mesmo”, disse Zverev em entrevista à ATP.

“Vencer Tomas Berdych na semifinal e Stan Wawrinka, que é o campeão do US Open, na final é algo de que eu me orgulho ainda mais”, acrescentou o alemão que saltou do 27º para o 24º lugar no ranking. Antes da última semana, ele tinha apenas uma vitória contra top 10 na carreira, obtida diante de seu ídolo Roger Federer na grama de Halle.

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Zverev tenta ser o primeiro jogador com menos de 20 anos a terminar uma temporada no top 20 desde que Novak Djokovic e Andy Murray o fizeram em 2006. Considerando apenas os resultados da atual temporada, o jovem alemão já é o 19º tenista que mais pontuou em 2016.

 

Lucas Pouille já derrotou cinco top 10 no ano, está entre os 16 melhores e já projeta o Australian Open

Lucas Pouille já derrotou cinco top 10 no ano, está entre os 16 melhores e já projeta o Australian Open

Já o francês Pouille alcançou o 16º no ranking mundial com o título em seu país. Algoz de Rafael Nadal no US Open, o jovem de 22 anos chegou à quinta vitória contra top 10 na temporada e na carreira e já saltou mais de sessenta posições em relação ao ranking que ocupava na primeira semana de 2016.

“Estou muito feliz. É uma honra ganhar meu primeiro título de ATP na França, junto da família e amigos. É ainda mais especial vencer quando eles estão aqui e poder compartilhar a felicidade com todos eles”.

Pouille passou pelos cabeças de chave 1 e 2 nas rodadas finais, David Goffin e Dominic Thiem. “Eu tive vitórias no passado contra esses dois jogadores e estava me sentindo bem física e mentalmente, então eu sabia que se desse 100%, teria chance de ganhar”.

Depois de chegar às quartas de final em dois Grand Slam, Pouille espera manter sua posição estratégica no ranking ou até mesmo melhorar já projetando a próxima temporada. “Eu adoraria terminar o ano no Top 16, para que eu possa ter uma boa posição entre os cabeças de chave no Aberto da Austrália”.

Osaka é top 50 – A japonesa de 18 anos Naomi Osaka não conseguiu título na semana, mas teve uma expressiva campanha até a final do WTA Premier de Tóquio. Ela passou pela 12ª do ranking Dominika Cibulkova nas oitavas e por Elina Svitolina, 20 do mundo, na semi antes de parar na ex-número 1 e então 28ª colocada Caroline Wozniacki, que a venceu por 7/5 e 6/3.

Osaka não sacou tão bem quanto pode na final e sofreu com algumas devoluções de segundo saque com backhand na paralela de Wozniacki. Os 32 erros não-forçados, muitas vezes na tentativa de antecipar a definição dos pontos, contra só 16 da dinamarquesa também minaram seu plano tático no jogo decisivo.

Tímida durante sua primeira premiação de torneio, Osaka tem dado poucas entrevistas, mesmo na boa campanha que fez em seu país, mas já assinou contrato com a IMG para gerenciar sua carreira. A japonesa de 1,80m tem pai haitiano e treina na Flórida. Com os 305 pontos somados em Tóquio, ela já tem o melhor ranking da carreira ao alcançar o 47º lugar. Além disso, ela passa a ser a atleta mais jovem do top 50.

Osaka tem sido mais aberta nas coletivas de imprensa, onde consegue se expressar melhor sobre as partidas. Exemplo disso está na transcrição do que ela disse após a dura derrota para Madison Keys no US Open. É uma personagem interessante para os próximos anos do circuito, tenista legal de torcer e um mito do Twitter.

https://twitter.com/NaomiOsakaWTA/status/776933066489102336

Monteiro tem melhor ranking – Finalista no challenger de Santos, Thiago Monteiro poderia ter saído do litoral paulista com seu segundo título neste porte e o posto de número 1 do Brasil, mas o argentino Renzo Olivo foi campeão com parciais de 6/4 e 7/6 (7-5). A conquista não veio, mas o canhoto de 22 anos bateu o recorde pessoal no ranking ao ocupar o 87º lugar

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Monteiro tem seu recorde pessoal no ranking ao alcançar o 87º lugar (Foto: João Pires)

Monteiro é o décimo jogador mais jovem no top 100 e vê apenas sete jogadores mais novos do que ele melhor colocados. Com apenas 52 pontos a defender até o fim do ano, dos quais apenas 32 contam para seu ranking atual, ele deverá fechar a temporada entre os cem melhores e disputar seu primeiro Grand Slam na Austrália, em 2017.

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Na semana que vem, Monteiro joga o challenger de campinas. O cearense será um dos favoritos do torneio, ao lado do dominicano Victor Estrella Burgos, do paulista Rogério Dutra Silva e dos argentinos Carlos Berlocq e Leonardo Mayer.

Menezes de volta, Orlando e Zormann na chave – Fim de semana positivo também para outros nomes da nova geração brasileira. Orlando Luz e Marcelo Zormann furaram o quali do challenger de Medellín e cada um já soma cinco pontos no ranking.

Zormann, aliás, já até conseguiu uma vitória na chave principal sobre o argentino Andrea Collarini por 6/3, 2/6 e 6/4 para chegar à sua quarta em nível challenger na carreira.

Outra novidade do torneio colombiano foi a volta de João Menezes às competições. O mineiro de 19 anos passou dez meses sem jogar e precisou de três cirurgias no joelho esquerdo. Ele chegou a avançar uma rodada no quali, antes de cair para Orlando Luz.

Chung defende título – Também na última semana, o sul-coreano Hyeon Chung defendeu o título do challenger de Kaohsiung, em Taiwan, ao derrotar o compatriota Duckhee Lee por 6/4 e 6/2. Depois de ficar quatro meses parado por lesão abdominal, o ex-número 51 do mundo aparece apenas no 132º lugar.

Foi apenas o segundo torneio desde a volta às quadras, sendo que na semana anterior ele foi finalista na cidade chinesa de Nanchang. Chung já tem seis títulos de challenger e venceu ao menos um título por ano nas últimas três temporadas.

 

Raio-X dos juvenis brasileiros em Grand Slam
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 10, 2016 às 12:44 pm

A participação brasileira nas chaves juvenis de Grand Slam na temporada termina neste sábado, quando Felipe Meligeni Alves disputa a final de duplas masculinas no US Open. O paulista de 18 anos joga ao lado do boliviano Juan Carlos Aguilar enfrenta os canadenses Felix Auger-Aliassime e Benjamin Sigouin na quadra 17 do complexo Billie Jean King em Flushing Meadows.

Em 2016, os principais resultados foram obtidos nas duplas, já que além do resultado de Meligeni, o gaúcho Orlando Luz foi vice-campeão em Roland Garros. Em simples foram apenas duas vitórias em chaves principais, exatamente com Orlando e Felipe.

Em número de jogadores, houve queda na representação. Somente quatro meninos participaram de chaves principais na temporada: Gabriel Décamps, Orlando Luz, Felipe Meligeni Alves e Rafael Wagner. Outros dois jogaram qualis: Lucas Koelle e Thiago Wild.

Infelizmente nenhuma menina conseguiu entrar em chave de Grand Slam na temporada. Quem esteve mais perto foi a paulista Marcelle Cirino, que venceu a etapa brasileira do Rendez-Vous à Roland Garros e disputou uma seletiva mundial em Paris.

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A menos que alguém suba muito no ranking, o quadro mais provável é que de novo apenas três meninos disputem os Grand Slam juvenis no ano que vem. Décamps ainda tem mais um ano na categoria, enquanto o pernambucano João Lucas Reis e o paranaense Thiago Wild estão com 16 anos e entre os 200 no ranking da ITF. O paulista Mateus Alves, de apenas 15 anos, tem potencial para ganhar terreno, mas apostaria nele mais para 2018.

No feminino, a situação está ainda mais difícil depois que as ex-top 15 Bia Haddad Maia e Luisa Stefani deixaram as competições juvenis. Nenhuma menina brasileira disputou um Grand Slam juvenil, cenário bem diferente dos quatro anos anteriores que tiveram no mínimo uma brasileira em cada torneio.

Nossas cinco primeiras jogadoras no ranking da categoria vão para o último ano de juvenil em 2017 e apenas a paulista Thaísa Pedretti está próxima do top 100 e podendo projetar um quali de Slam, a menos que alguém ganhe muitas posições. A possibilidade de mudar o quadro seria acumular bons resultados na Gira Cosat entre janeiro e fevereiro do ano que vem, além de aproveitar bastante os valiosos pontos em disputa do Campeonato Sul-Americano Individual, marcado para 20 de fevereiro do ano que vem.

ÚLTIMOS ANOS

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Australian Open – Nenhum jogador brasileiro participou da competição, que já teve o alagoano Tiago Fernandes campeão de simples há seis anos. De fato é uma viagem cara e o calendário é difícil de encaixar com uma série maior de torneios, o que afugenta alguns jogadores mesmo que eles tenham ranking para entrar diretamente. Fato é que o Brasil chegou a colocar quatro jogadores no Australian Open há dois anos e em 2016 não houve representação.

Os principais resultados nos últimos cinco anos foi a campanha do paulista Marcelo Zormann até às oitavas de final de simples em 2014, além das presenças de Thiago Monteiro e Orlando Luz nas quartas de duplas.

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ROLAND GARROS – Tradicionalmente o Grand Slam de maior sucesso brasileiro, Roland Garros teve seis representantes. Desde o ano passado, o Rendez-Vous à Roland Garros levou jogadores nacionais à seletiva de Paris. Foi assim que Rafael Wagner conseguiu uma vaga na chave principal, mas a paulista Marcelle Cirino não conseguiu avançar.

Nos últimos anos, tivemos três vice-campeonatos de duplas, dois deles com a canhota Beatriz Haddad Maia. Bia, que já está com 19 anos, ainda fez oitavas em Paris em duas ocasiões e perdeu apenas para as campeãs Annika Beck em 2012 e Belinda Bencic no ano seguinte.

A temporada de 2014 foi a mais promissora para os juvenis brasileiros nos últimos anos e teve três bons resultados em Paris, as semis de simples e duplas para Orlando Luz, as quartas de Marcelo Zormann e a semi de duplas de Luisa Stefani, que foi 10 do mundo em sua categoria.

Encerrando seu ciclo juvenil com apenas três torneios no ano, Orlando Luz encaixou o Grand Slam francês no meio de uma gira de torneios profissionais no saibro europeu. Semanas depois de ser vice-campeão de duplas em Paris, ele venceu seu primeiro título future na República Tcheca. A escolha pelo US Open agora em setembro não foi tão produtiva no calendário, já que ele vinha de uma boa semana no saibro polonês e mudou repentinamente de piso. Pode ter valer apenas pelo intercâmbio e menos para a confiança e possibilidade de pontuar na ATP.


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Wimbledon – Na grama londrina, o Brasil conseguiu seu último título de Grand Slam juvenil há dois anos com Orlando Luz e Marcelo Zormann. No mesmo ano, o canhoto gaúcho Rafael Matos e o mineiro João Menezes foram às quartas de duplas.

Em simples, novamente destaque para Bia Haddad Maia, que há três anos esteve nas oitavas. Sua algoz na ocasião foi a cabeça 2 croata Ana Konjuh, a mesma que nesta semana chegou às quartas de final na chave principal do US Open.

O ano passado foi atípico, porque os principais juvenis brasileiros foram convocados para os Jogos Pan-Americanos de Toronto, mas o tênis saiu sem medalhas do Canadá. Já neste ano, apenas Felipe Meligeni Alves e Gabriel Décamps conseguiram entrar diretamente na chave.

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US Open – Os três brasileiros que estavam na chave de simples este ano caíram ainda na rodada de estreia. Orlando Luz e Gabriel Décamps enfrentaram os cabeças 3 e 4 Ulises Blanch e  Geoffrey Blancaneaux (campeão de Roland Garros). Felipe Meligeni Alves perdeu um jogo equilibrado de três sets para o australiano Blake Ellis, em duelo entre dois top 50 separados por apenas oito posições. Ainda assim, o setor na chave era duro e teria o líder do ranking Stefanos Tsitsipas na segunda rodada.

Nas duplas, o Brasil conseguiu recentemente as duas primeiras finais juvenis de US Open na história. Primeiro, o mineiro João Menezes e o gaúcho Rafael Matos foram vice-campeões em 2014 e caíram diante do australiano Omar Jasika e do japonês Naoki Nakagawa. Já em 2016, Felipe Meligeni Alves tenta o inédito título junto do boliviano Aguilar.

TÍTULOS E FINAIS

O tênis brasileiro tem três títulos juvenis de Grand Slam. O primeiro foi conquistado por Gustavo Kuerten nas duplas em Roland Garros em 1994, ao lado do equatoriano Nicolas Lapentti. Em 2010, o alagoano Tiago Fernandes foi campeão de simples no Australian Open. Infelizmente, ele deixou o tênis em 2014 com apenas 21 anos e se dedica aos estudos de engenharia civil. Já há dois anos, Orlando Luz e Marcelo Zormann foram campeões de Wimbledon nas duplas.

Outros brasileiros já estiveram em finais de Grand Slam juvenil. No saibro de Roland Garros, Edison Mandarino em 1959, Thomaz Koch em 1962 e 1963, além de Luis Felipe Tavares em 1967 decidiram o torneio individual. Já na grama inglesa de Wimbledon, Ivo Ribeiro foi vice em 1957 e Ronald Barnes fez o mesmo dois anos depois.

Nas duplas, Guilherme Clezar foi vice de Roland Garros em 2009, tal como Bia Haddad nas temporadas de 2012 e 2013 e Orlando Luz este ano. Antes disso, em 1994 foi a vez de Ricardo Schlachter ser finalista de duplas no juvenil de Wimbledon.

 

Cinco ‘adolescentes’ já venceram challengers este ano
Por Mario Sérgio Cruz
maio 16, 2016 às 7:28 pm

Ainda estamos em maio e cinco nomes da nova geração do tênis masculino já conquistaram títulos em challenger antes de completarem 20 anos de idade. Depois de Taylor Fritz, Andrey Rublev, Blake Mott e Quentin Halys, o russo Karen Khachanov se juntou ao grupo de jovens vencedores ao ficar com o troféu em Samarkland no último sábado.

Russo Khachanov é o 5º com menos de 20 anos a vencer um challenger no ano (Foto: Barcelona Open Banc Sabadell)

Russo Khachanov é o 5º com menos de 20 anos a vencer um challenger no ano
(Foto: Barcelona Open Banc Sabadell)

Aqui cabe uma observação sobre o termo. Os americanos e demais países de língua inglesa usam teenager, para designar o jovem com menos de 20 anos. Como o tênis não trabalha com categorias “Sub-20″, a palavra que transmite melhor essa ideia quando traduzimos para o português, é “adolescente”, embora o termo seja usado com mais frequência por aqui para falar de quem tem menos de 18 anos.

Um exemplo de como a há uma geração muito boa por vir é um breve quadro comparativo com as últimas temporadas. Em 2014, apenas seis jogadores com menos de 20 anos venceram torneios de nível challenger. Já no ano passado, foram treze conquistas de atletas da mesma faixa etária (sendo oito títulos para quem tinha até 18 anos). Antes da metade do ano, os jovens já repetiram quase 40% dos ótimos números de 2015.

Entre os jovens vencedores deste início de temporada, os nomes de Taylor Fritz e Andrey Rublev são certamente os mais conhecidos. Ambos são ex-líderes do ranking mundial juvenil e foram campeões de Grand Slam na categoria de acesso. Em 2016, o americano venceu o challenger de Happy Valley, na Austrália, e o russo triunfou na cidade francesa de Quimper.

Para Fritz, até mesmo os challengers já são parte do passado, apesar da pouca idade. O atual 72º do mundo entrou no top 100 em fevereiro e foi finalista do ATP de Memphis. Ele já tem nove vitórias em ATP na carreira (sendo oito este ano) e monta um calendário já priorizando os grandes torneios. Por sua vez, Rublev subiu bastante graças aos treze(!) convites para chaves de ATP que já recebeu em apenas dois anos de circuito, mas ocupa ainda o 149º lugar. O jovem russo venceu dez partidas em ATP, mas só uma este ano.

Promessa francesa Halys ganhou convite para a chave de Roland Garros

Promessa francesa Halys ganhou convite para a chave de Roland Garros

Quentin Halys foi campeão há duas semanas em Tallahassee, nos Estados Unidos. O atual 154º colocado aos 19 anos chamou a atenção pela primeira vez em janeiro, quando fez uma boa apresentação contra Novak Djokovic no Australian Open. A promessa francesa está com seu melhor ranking na carreira e foi convidado para a chave principal de Roland Garros.

Karen Khachanov é um grandalhão de 1,98m aos 19 anos. Natural de Moscou, o russo treina em Barcelona com Galo Blanco e, por isso, ganhou convite para o quali do ATP 500 espanhol. Ele aproveitou a chance e foi até às oitavas, derrotando o top 20 Roberto Bautista Agut. O russo, que foi medalhista de prata na chave de duplas dos Jogos Olímpicos da Juventude, concilia a circuito com faculdade de Educação Física. Ele aparece com o melhor ranking ao ocupar o 109º lugar e tentará o quali em Paris.

Mott é o jogador menos conhecido entre os jovens vencedores, já que não teve resultados expressivos como juvenil e ainda está no 336º lugar da ATP. Ele chegou a engatar uma sequência de nove vitórias seguidas ao ser campeão em Launceston e depois ser vice no future de Port Pirie, ambos em seu país de origem. Por ter vencido um challenger quando era 721º do mundo, é o quinto atleta de ranking mais baixo a ganhar um torneio neste nível desde 2000.

Fortes torneios juvenis na Itália – Na semana passada, falamos sobre o início da série de principais competições juvenis no saibro europeu. O tradicional evento G1 Città Di Santa Croce, na Itália, teve título masculino para o cabeça 4 australiano Alexei Popyrin, com os americanos Brandon Holt e Vasil Kyrkov nas duplas. A chave feminina teve surpresas com as eliminações precoces das favoritas Katie Swan e Charlotte Robillard-Millette e título da espanhola Eva Guerrero Alvarez, que bateu a cabeça 6 britânica Emily Appleton na decisão.

O torneio desta semana é o 57º Trofeo Bonfiglio, em Milão, que será a principal competição preparatória para Roland Garros. São seis top 10 no masculino e outras duas no evento feminino. Os brasileiros Gabriel Décamps e Felipe Meligeni Alves estão na chave principal da competição de nível GA com 250 pontos para o vencedor, além de um bônus na pontuação a partir de oitavas de final.

Zormann vence future – Uma boa notícia para a nova geração do tênis brasileiro foi o primeiro título do ano de Marcelo Zormann. O jovem paulista de 19 anos foi campeão de simples e duplas (ao lado de João Sorgi) no saibro argentino de Villa Del Dique. Ele já tem três títulos de future em cinco em duplas.

Zormann não se deixa acomodar
Por Mario Sérgio Cruz
abril 25, 2016 às 6:47 pm

A boa carreira juvenil de Marcelo Zormann, com títulos de duplas em Wimbledon e nos Jogos Olímpicos da Juventude, ficou para trás. Em sua segunda temporada exclusivamente como tenista profissional, o paulista de 19 anos trabalha a evolução passo a passo, mas não se deixa  acomodar.

No circuito masculino, Zormann já tem dois títulos em quatro finais de future, categoria em que já soma 38 vitórias, e planeja mesclar esses eventos já com alguns challengers. Nesta segunda-feira, ele aparece com o melhor ranking da carreira ao ocupar o ainda modesto 536º lugar, depois de ter avançado uma rodada no São Paulo Challenger de Tênis. O jovem jogador falou ao TenisBrasil sobre seu trabalho de transição ao profissionalismo.

Zormann está em seu segundo ano como profissional.

Zormann está em seu segundo ano como profissional. (Foto: João Pires)

“Esse processo é um pouco mais lento”, disse Zormann. “Alguns jogadores conseguem passar por ele mais rápido, mas o mais comum é passar por isso de maneira mais lenta. O importante é não se deixar acomodar e ficar parado no mesmo ranking ou no mesmo nível”.

O paulista apresentou motivos para que alguns jovens jogadores europeus e americanos consigam resultados expressivos tão cedo, chegando ao top 200 ou até mesmo ao top 100, mas também ressalta. “Eles têm nível para estar onde estão”, disse. “O grande diferencial é a quantidade de torneios que eles jogam. Americanos e europeus têm bastante torneios perto de casa, quase toda semana. Querendo ou não, você joga mais torneios e a chance de ter bons resultados aumenta”.

Zormann treina no Itamirim Clube de Campo, na cidade catarinense de Itajaí, ao lado de outras jovens promessas como Orlando Luz, João Menezes e Rafael Matos. Ele viaja o circuito na companhia de técnicos como Luiz Peniza, Patrício Arnold e o argentino Cristian Kordasz, que já trabalhou para a Federação Canadense e acompanhou o início de carreria da ex-top 5 Eugenie Bouchard. “Um está sempre um puxando o outro nos treinos. O nível fica muito alto e mesmo que alguém deixe cair um pouco, outro consegue fazê-lo voltar. O nível é sempre o melhor possível”.

Sobre sua primeira temporada como profissional em 2015, Zormann lembrou o começo difícil, já que se recuperava de uma pubalgia que o afastou do esporte por quatro meses. Ele avalia que o término de ano foi positivo e espera manter a evolução na atual temporada.

“Eu não comecei aquele ano muito bem, estava voltando de lesão, mas aos poucos fui encaixando meu jogo”, avaliou o paulista que se machucou no fim de 2014 e teve o período de pré-temporada prejudicado. “É uma lesão delicada, mas acabei voltando até mais rápido e sem dor. Isso é muito positivo”.

“A partir do meio do ano passado, entrei num ritmo muito bom e terminei o ano jogando bem”, acrescentou o jogador, que venceu o future de Bol, na Croácia. “Este ano eu demorei um pouco para engrenar, mas acho que voltei a encontrar o mesmo ritmo do ano passado”.

Antes de jogar seu primeiro challenger no ano, o paulista disputou uma série de futures nos Estados Unidos em que precisou furar os qualis. A melhor campanha foi uma corrida de cinco vitórias até às quartas em Casablancas, na Califórnia. “Eu demorei um pouco para voltar ao nível que pretendo jogar, mas na última semana eu consegui encaixar bem. Os três jogos do quali acabaram me ajudando. Ganhei dois jogos muito bons na chave e acabei perdendo de um cara que jogou muito bem. Foi uma gira muito positiva”.

Mesmo que os Grand Slam do circuito juvenil já estejam no passado e a volta a esses placas ainda esteja distante, Zormann mantém o planejamento de jogar na Europa nesta época do ano, aproveitando a grande quantidade de torneios no saibro para somar pontos e ganhar experiência.

“A ideia é ir para a Europa porque começa o verão e os torneios no saibro que é melhor para nós jogarmos. Não vamos deixar nada definitivo, vamos olhar as listas e mesclar entre challenger e future”, disse o paulista que antes de embarcar para o Velho Continente, ainda faz curta viagem para a Argentina, onde jogará por três semanas. Há grande possibilidade de que ele e outros jovens que treinam em Itajaí possam disputar os mesmos torneios.

Em São Paulo – O jovem americano de 19 anos Ernesto Escobedo foi vice-campeão do São Paulo Challenger de Tênis. Algoz de João “Feijão” Souza nas oitavas, ele só parou na decisão diante do chileno Gonzalo Lama. Levantamento da ATP mostra que Escobedo é o sétimo jovem americano a disputar uma final de challenger desde o mês de outubro.

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Brasucas – Durante o torneio em São Paulo, os juvenis Gabriel Décamps e Felipe Meligeni Alves receberam convites para a chave principal. Já o gaúcho Orlando Luz, que tinha pontos de quartas a defender, não pôde jogar por motivo de saúde. Orlando passou por recente cirurgia para corrigir desvio de septo e melhorar capacidade respiratória.

Sul-Americano de 16 anos – Começa nesta segunda-feira o Campeonato Sul-Americano de 16 anos, que classifica para a Copa Davis Junior e Fed Cup Junior. Os jogos acontecem no Novo Rio Country Club, no Rio de Janeiro.

O time masculino formado pelo pernambucano João Lucas Reis, o paulista Mateus Alves e o paranaense Thiago Wild, acompanhados pelo capitão Luiz Peniza. Já a equipe feminina conta com a paulista Ana Luiza Cruz, a gaúcha Laura Wayerbacher e a mineira Marina Figueiredo e está sob o comando da capitã Fernanda Ferreira.

Ranking – Após duas vitórias no ATP 250 de Barcelona, o alemão Alexander Zverev entrou no top 50, ao aparecer no 49º lugar. Ao se juntar ao 40º colocado croata Borna Coric, o ranking desta segunda-feira é o primeiro desde 15 de setembro de 2008 com dois atletas com menos de 20 anos aparecendo entre os 50 melhores.