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Os jovens destaques da temporada de grama
Por Mario Sérgio Cruz
junho 29, 2018 às 8:18 pm

Ao longo de três semanas de torneios em quadras de grama, vários nomes da nova geração do circuito se destacaram e conseguiram resultados expressivos, como títulos, boas campanhas e vitórias sobre adversários bem colocados no ranking. Com a definição das chaves masculina e feminina de Wimbledon, jovens tenistas que participarão do Grand Slam britânico conheceram nesta sexta-feira seus caminhos até os confrontos diante de favoritos na grama do All England Club.

Borna Coric (21 anos, 21º do ranking, Croácia)

Coric só tinha duas vitórias na grama antes da incrível campanha até o titulo em Halle.

Coric só tinha duas vitórias na grama antes da incrível campanha até o titulo em Halle.

Coric não chega a ser uma surpresa no circuito, mas seu desempenho na grama superou suas próprias expectativas. Campeão do ATP 500 de Halle no último domingo, o croata só tinha duas vitórias na grama como tenista profissional antes de disputar forte torneio alemão, em que venceu cinco jogos seguidos. Destaque para as vitórias sobre Alexander Zverev na primeira rodada e diante do nove vezes campeão Roger Federer na final. Durante a perfeita semana em Halle, seu saque foi bastante elogiado.

“Eu não esperava por isso. Estou feliz por ter vencido meu primeiro torneio em quadra de grama aqui e contra Roger Federer. Estou realmente surpreso, nem sonhava com isso”, disse Coric após a vitória por 7/6 (8-6), 3/6 e 6/2 na final diante de Federer. Até então ele só tinha um título de ATP, conquistado no saibro de Marrakech. “Durante toda a semana eu estava sacando muito bem. Fiquei confiante de que poderia manter isso para jogar menos pressionado”, acrescentou o jovem croata de 21 anos.

Com os 500 pontos recém conquistados, Coric saltou do 34º para o 21º lugar do ranking mundial, marca que já é a mais alta de sua carreira, e foi designado como cabeça 16 em Wimbledon. Seu adversário de estreia é o russo Daniil Medvedev, a quem derrotou no único duelo anterior. Depois podem pintar o espanhol Guillermo Garcia-Lopez ou o português Gastão Elias antes de um duelo com o francês Adrian Mannarino na terceira rodada e um possível reencontro com Federer nas oitavas.

Ashleigh Barty (22 anos, 17ª do ranking, Austrália)

Ashleigh Barty foi campeã do WTA de Nottingham há duas semanas

Ashleigh Barty foi campeã do WTA de Nottingham há duas semanas

Quem também comemorou um título durante a temporada de grama foi Ashleigh Barty, australiana de 22 anos que foi campeã do WTA de Nottingham há duas semanas. Ela derrotou as também integrantes do top 20 Naomi Osaka e Johanna Konta nas fases finais do torneio. A atual 17ª colocada está a uma posição de igualar seu melhor ranking da carreira, que foi o 16º lugar alcançado em janeiro.

Depois da conquista em Nottingham, Barty chegou às oitavas em Birmingham e às quartas em Eastbourne. A australiana é uma das jogadoras com maior variedade de recursos no circuito feminino, já que consegue usar muito bem os slices e drop shots, além de subir bem à rede. Mesmo sem ter um saque muito potente, é uma jogadora difícil de ser derrotada na grama e já foi campeã juvenil de Wimbledon em 2011.

Seu caminho em Wimbledon começa contra a 95ª colocada suíça Stefanie Voegele, a quem derrotou em dois dos três duelos anteriores, incluindo uma partida na campanha para o título em Nottingham. Depois podem pintar a convidada Gabriella Taylor ou a ex-top 5 vinda do quali Eugenie Bouchard. A russa Daria Kasatkina, cabeça 14, é uma possível adversária na terceira rodada, enquanto a número 3 do mundo e atual campeã Garbiñe Muguruza pode pintar nas oitavas.

Alex de Minaur (19 anos, 77º do ranking, Austrália)

Alex de Minaur disputou duas finais de challenger na grama e debutou no top 100

Alex de Minaur disputou duas finais de challenger na grama e debutou no top 100

A Austrália também tem um destaque da nova geração masculina na temporada de grama. Alex de Minaur venceu nove dos onze jogos que disputou no piso este ano. O jovem jogador de 19 anos fez duas finais de challengers seguidas, ficando com o vice-campeonato em Surbiton e conquistando o título em Nottingham. Com isso, saltou em duas semanas do 105º para o 78º lugar, além de ganhar mais uma posição na lista da última segunda-feira. De Minaur só não manteve o embalo no ATP 250 de Eastbourne, onde caiu ainda na estreia.

Dias depois de receber um convite para a chave principal de Wimbledon, De Minaur acabou herdando uma vaga direta por conta de algumas desistências. Sua estreia no Grand Slam britânico será contra o italiano Marco Cecchinato, cabeça 29 e semifinalista de Roland Garros. Depois, podem pintar o francês Pierre-Hugues Herbert ou o alemão Mischa Zverev antes de um possível encontro com o bicampeão do torneio e número 1 do mundo Rafael Nadal na terceira rodada.

Aryna Sabalenka (20 anos, 45ª do ranking, Belarus)

Sabalenka derrotou quatro jogadoras do top 20 na campanha até a final de Eastbourne

Sabalenka derrotou quatro jogadoras do top 20 na campanha até a final de Eastbourne

A jovem bielorrussa Aryna Sabalenka chegará embalada a Wimbledon depois de uma ótima campanha no WTA Premier de Eastbourne nesta semana, em que venceu cinco jogos e enfrentará a número 2 do mundo Caroline Wozniacki na decisão marcada para este sábado. Depois de estrear vencendo a lucky-loser norte-americana Sachia Vickery, Sabalenka buscou três vitórias contra top 20 seguidas, diante de Julia Goerges, Elise Mertens e Karolina Pliskova. Já na semifinal, bateu a experiente Agnieszka Radwanska, ex-número 2 e atual 31ª do ranking. Duas semanas atrás, também fez quartas na grama holandesa de ‘s-Hertogenbosch.

Sabalenka tem muita potência nos golpes e um estilo de jogo extremamente ofensivo, que lembra um pouco o jeito de jogar de Madison Keys. Em um dia inspirado ou numa semana em que esteja bem habituada às condições, pode fazer um estrago e seu jogo agressivo é favorecido nas rápidas quadras de grama. Atual 45ª colocada, ela certamente chegará a Wimbledon com o melhor ranking da carreira, seja ele o 32º lugar com vice em Eastbourne ou o 30º se vencer o torneio preparatório.

A estreia de Sabalenka em Wimbledon será contra a romena Mihaela Buzarnescu, cabeça de chave 29. Depois, pode enfrentar a convidada local Katie Swan ou a também romena Irina Begu. Em uma eventual terceira rodada, podem pintar as ex-líderes do ranking Victoria Azarenka ou Karolina Pliskova.

Katie Boulter (21 anos, 144ª do ranking, Grã-Bretanha)

Katie Boulter foi convidada para Wimbledon depois de bons resultados em WTA e ITF na grama

Katie Boulter foi convidada para Wimbledon depois de bons resultados em WTA e ITF na grama

Convidada para disputar a chave principal de Wimbledon pelo segundo ano seguido, Katie Boulter vem de bons resultados em quadras de grama. Na primeira semana de junho, ela fez quartas no ITF de US$ 100 mil em Surbiton, depois repetiu a campanha no WTA de Nottingham, onde derrotou nomes experientes Yanina Wickmayer e Samantha Stosur antes de cair para Ashleigh Barty nas quartas de final. Eliminada na estreia do Premier de Birmingham na semana passada, Boulter jogou mais um ITF de US$ 100 mil, desta vez em Southsea.

A atual 144ª do ranking era a 163ª colocada no início do mês e chegará a Wimbledon na inédita 122ª posição. Ela vai estrear no Grand Slam britânico contra a paraguaia Veronica Cepede Royg antes de um possível reencontro com a cabeça 18 Naomi Osaka, para quem perdeu em Birmingham e que estreia em Londres contra a romena Monica Niculescu.

Claire Liu (18 anos, 238ª do ranking, Estados Unidos)

Claire Liu, norte-americana de 18 anos, foi campeã juvenil de Wimbledon no ano passado e furou o quali do Slam britânico

Claire Liu, norte-americana de 18 anos, foi campeã juvenil de Wimbledon no ano passado e furou o quali do Slam britânico

Campeã juvenil de Wimbledon no ano passado, Claire Liu recebeu um convite para o quali em Londres e aproveitou a chance para vencer os três jogos que fez na fase classificatória. A norte-americana de apenas 18 anos disputará o segundo Grand Slam da carreira, já que também atuou no US Open do ano passado. O melhor ranking da carreira de Liu foi o 181º lugar, alcançado em abril. A estreia da norte-americana será contra a croata de 20 anos Ana Konjuh e depois pode enfrentar Angelique Kerber ou Vera Zvonareva, ambas que já foram finalistas do torneio.

Melhores rankings de Tsitsipas e Tiafoe

Tsitsipas atingiu o melhor ranking da carreira e será cabeça de chave em Wimbledon

Tsitsipas atingiu o melhor ranking da carreira e será cabeça de chave em Wimbledon

Também durante a temporada de grama, dois nomes da nova geração masculina atingiram os melhores rankings de suas carreiras. O grego de 19 anos Stefanos Tsitsipas chegou ao 35º lugar, depois de chegar às quartas no ATP 250 de ‘s-Hertogenbosch e nas oitavas do ATP 500 de Halle. Ele será cabeça 31 em Wimbledon e estreia contra o francês vindo do quali Gregoire Barrere. Já o norte-americano de 20 anos Frances Tiafoe saltou do 62º para o inédito 52º lugar depois de fazer quartas no ATP 500 de Queen’s, em Londres. Ele inicia a campanha em Wimbledon diante do cabeça 30 espanhol Fernando Verdasco.

Campeão em Paris é o novo número 1 juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
junho 12, 2018 às 11:17 pm

Após o término do torneio juvenil de Roland Garros, a atualização do ranking mundial da ITF determinou um novo número 1 na lista masculina. O taiwanês Chun Hsin Tseng assumiu a liderança do ranking dois depois de ter sido campeão em Paris com a vitória sobre o então número 1, o argentino Sebastian Baez, na final por 7/6 (7-5) e 6/2.

Chun Hsin Tseng, de 16 anos, assumiu a liderança do ranking (Foto: Amelie Laurin/FFT)

Chun Hsin Tseng, de 16 anos, assumiu a liderança do ranking (Foto: Amelie Laurin/FFT)

Tseng, que já havia sido finalista do Australian Open em janeiro, subiu do terceiro para o primeiro lugar do ranking. Antes dele o melhor jogador de seu país no ranking havia sido Yu Hsiou Hsu, que foi número 5 do mundo no ano passado depois de conquistar os títulos de duplas em Wimbledon e no US Open como juvenil.

Embora tenha apenas 16 anos e possa disputar torneios juvenis até o fim da próxima temporada, Tseng já tem alguns bons resultados como profissional. O taiwanês venceu um future no Vietnã em maio e ainda foi semifinalista de outros dois torneios. Com isso, aparece no 727º lugar na lista da ATP, chegando a ocupar a 712ª posição no mês passado.

“Sempre foi um sonho vencer aqui”, disse Tseng, que treina na França, na academia de Patrick Mouratoglou. “Ele vem me apoiando há muitos anos e quer que eu seja agressivo na linha de base. Na final, eu estava jogando muito bem na linha de base e sólido”, comentou o taiwanês, em entrevista ao site da ITF.

Gauff dá salto no ranking

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Campeã juvenil de Roland Garros, Cori Gauff ganhou dezessete posições. A norte-americana de apenas 14 anos aparece agora no terceiro lugar e cada vez mais próxima da líder Whitney Osuigwe. Gauff é mais jovem campeã do torneio parisiense desde Martina Hingis em 1993. Ela é também a quinta vencedora mais nova no juvenil de Roland Garros.

Falamos de Gauff no último post. Também vinda da academia de Mouratoglou, a norte-americana tem em Serena Williams sua principal fonte de inspiração e sonha alcançar e superar os recordes da ex-número 1 do mundo. Outro modelo na carreira de Gauff é a campeã do US Open e vice em Roland Garros Sloane Stephens, a quem ela considera uma amiga.

De Minaur entra no top 100

Destaque nas duas primeiras temporadas do circuito ao ser semifinalista do ATP 250 de Brisbane e vice-campeão em Sydney, o australiano Alex de Minaur enfim entrou no top 100 na última segunda-feira. O jovem jogador de 19 anos ganhou nove posições depois de ser finalista do challenger de Surbiton, em quadras de grama, e com isso aparece no 96º lugar.


“É incrível estar pela primeira vez no top 100. Foram sido muitos anos de trabalho duro e eu estou feliz por finalmente estar aqui”, disse De Minaur, em entrevista ao site da ATP. “Comecei o ano muito bem, jogando em um nível muito alto e sabia que, se conseguisse manter esse nível, chegaria aqui. Agora é hora de apenas manter esse nível durante todo o ano e vamos ver o que acontece”, acrescenta o australiano nascido em fevereiro de 1999 e só é mais jovem que o canadense Denis Shapovalov no atual top 100.

Molleker vence a primeira na ATP

O alemão de 17 anos Rudolf Molleker marcou a maior vitória de sua carreira na última segunda-feira, que estreou no ATP 250 de Stuttgart, em quadras de grama, derrotando o alemão Jan-Lennard Struff por 6/4, 6/7 (5-7) e 6-3. Molleker é o atual 303º do ranking e certamente terá a melhor marca da carreira depois de vncer seu primeiro jogo em nível ATP. O jovem alemão se junta ao canadense Felix Auger-Aliassime como os únicos jogadores nascidos em 2000 que venceram jogos na elite do circuito.

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“É uma sensação inacreditável ganhar a minha primeira vitória em chave principal em casa”, disse Molleker, em entrevista ao site da ATP. “Foi ótimo ter a torcida me apoiando e gostei muito de jogar na quadra central. É uma ótima experiência para mim e espero que eu possa continuar”, acrescenta o jovem alemão, que enfrenta nas oitavas o francês Lucas Pouille, 17º do ranking e atual campeão do torneio.

 

Confiança rendeu salto a Alex De Minaur
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 12, 2018 às 7:31 pm

O australiano Alex De Minaur é um dos principais personagens deste início de temporada. Com apenas dezoito anos, o jovem jogador iniciou 2018 com uma semifinal em Brisbane e a vaga na final do ATP 250 de Sydney. Durante as diversas entrevistas coletivas que fez ao longo dessas duas semanas de torneios, o jovem jogador da casa creditou o bom momento à confiança que vem adquirindo nos últimos meses e sente que ela foi a chave para que ele iniciasse uma série de bons resultados.

Depois de subir do 354º para o 208º lugar no ranking mundial durante o ano passado, com destaque para uma vitória na chave principal do Australian Open,  um título de future em Portugal e uma final de challenger na Espanha, De Minaur vem ganhando posições de forma mais expressiva neste começo de ano. Apenas na primeira semana de 2018, ele já subiu para a 167ª colocação. E ao manter o embalo no segundo torneio que disputa, garante um salto para o grupo dos 130 melhores do mundo ao chegar à final em Sydney, podendo chegar ao 101º lugar em caso de título.

“Eu sempre soube que eu tinha o nível, mas pensava que não tinha a confiança suficiente quando eu entrava em quadra. Agora eu tenho essa crença em mim de que posso competir de igual para igual com muitos desses caras. Então, vou entrar em cada partida acreditando em mim e na minha habilidade. Acho que essa é provavelmente a maior mudança”, disse De Minaur, que já venceu seis adversários do top 50 entre Brisbane e Sydney. Seu cartel de vitórias agora tem nomes como Milos Raonic, Steve Johnson, Fernando Verdasco, Feliciano López e Benoit Paire.

“Eu vinha mostrado esse nível, mas não o sustentava. Agora eu pareço encontrar meu caminho e sustentá-lo para jogar bem em várias partidas seguidas. Então eu só quero manter meu foco e continuar fazendo o que estou fazendo”, comenta o australiano, que disputará uma final entre expoentes da nova geração contra o russo Daniil Medvedev, 84º colocado aos 21 anos.

Desempenho no playoff disputado em dezembro foi primordial para a confiança do jovem jogador

Desempenho no playoff disputado em dezembro foi primordial para a confiança do jovem jogador

Para o australiano, um fator primordial na busca por confiança foi ter vencido a forte seletiva nacional disputada em dezembro, que lhe rendeu um convite para disputar a chave principal do Australian Open pela segunda vez na carreira. Já em Sydney, após a vitória sobre Damir Dzumhur pelas oitavas de final, ele contou aos jornalistas sobre quando começou a se sentir mais confiante sobre seu potencial.

“Em Brisbane foi um grande passo para mim, porque eu senti que estava jogando em um ótimo nível. Mas na verdade, [a confiança] veio provavelmente antes disso, no playoff pelo convite para o Australian Open. Ali eu pensei que meu nível era muito bom. Mesmo no meu nível mental. Eu não diminuí a concentração durante todo o torneio e pude manter esse nível durante todo o verão australiano.

Ao longo dessas duas semanas de torneios, De Minaur contou com o apoio do ex-número 1 do mundo Lleyton Hewitt, que tem atuado como seu mentor fora de quadra. “Lleyton é uma grande influência e me ajuda muito. Sou muito grato por tudo o que ele fez por mim. É ótimo ter alguém como ele por perto, torcendo por você e te ajudando”, disse De Minaur. “Uma das primeiras coisas que ele já me disse foi acreditar em mim mesmo, porque eu tenho um jogo bom o suficiente para lutar contra esses caras”.

Filho pai uruguaio e mãe espanhola, o jovem tenista viveu em Sydney até os cinco anos e depois foi com a família para a Espanha. Sua formação no tênis foi dividida entre as duas bases. A maior parte de sua carreira juvenil foi construída em solo australiano, enquanto seus primeiros futures como profissional em 2015 foram jogados no saibro espanhol, mas a escolha por defender a Austrália é bem clara. “Eu sempre fui apaixonada pela Austrália. Isso é o que eu sempre quis fazer. Cresci vendo Lleyton jogar a Copa Davis, com muita vontade e sem desistir nunca. É lá que eu quero chegar um dia, para poder usar o verde e dourado e representar o meu país. Não há maior honra do que poder fazer isso”.

“Nós nos mudamos por causa da minha família, dos negócios da minha família. Mas estou sempre indo e voltando. Vivo em ambos os lugares. Venho para cá no começo de novembro e passo todo o verão australiano até quase março. No resto da temporada, quando há muito mais torneios na Europa, eu me baseio na Espanha. Mas eu provavelmente acabo passando mais tempo na Austrália”.

Embora sua formação tenha sido dividida entre Austrália e Espanha, De Minaur não tem dúvidas de que quer defender o país onde nasceu

Embora sua formação tenha sido dividida entre Austrália e Espanha, De Minaur não tem dúvidas de que quer defender o país onde nasceu

Também chamou atenção a prática de fechar os olhos e respirar fundo durante as viradas de lado. O gesto que já está se tornando característico do jovem australiano foi uma recomendação de um psicólogo espanhol. “Antes de cada game importante no meu saque, eu fiz questão de usar minhas técnicas de respiração, focando no que eu queria fazer. E isso me ajudou a superar esses momentos de tensão”, comentou o jovem tenista. “Esse é um trabalho que fiz com um psicólogo na Espanha. Ele sempre me disse para fazer isso e agora eu finalmente estou fazendo”, disse sorrindo. “Eu percebo o quanto o meu jogo melhora, graças a essas técnicas simples”.

De Minaur também avalia que a conexão que tem com o público ao jogar em casa também o ajuda nos momentos de maior necessidade. “Às você se sente nervoso nas partias, mas adrenalina e a intensidade do público ajudam a lidar com isso. Você tem que tentar se aproveitar disso, continuar motivado e deixar todos os nervos desaparecerem”.

Prestes a disputar o Australian Open pela segunda vez na carreira, De Minaur já sabe que terá uma estreia complicada contra o experiente tcheco Tomas Berdych, mas espera fazer o seu melhor. “Obviamente é uma partida muito difícil, mas estou ansioso por isso. Vai ser uma ótima oportunidade para mim e não posso aguardar para entrar em quadra nesse Grand Slam em casa e mostrar a todos o que eu tenho”.

Duas gratas surpresas em Brisbane
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 3, 2017 às 8:59 pm

Duas jovens promessas do tênis australiano chamaram atenção do público logo na primeira semana da temporada em Brisbane. Alex De Minaur, de 17 anos, passou por duas rodadas do qualificatório e participou pela primeira vez de um ATP. Mas o principal destaque foi Destanee Aiava, que aos 16 anos, passou por uma três fases no quali e ainda venceu um jogo da chave principal.

A vitória de Aiava sobre a experiente norte-americana de 31 anos Bethanie Mattek-Sands por 2/6, 6/3 e 6/4, em jogo que começou na madrugada de segunda-feira e foi concluído só nesta terça por conta do mau tempo, fez com que a jovem australiana se tornasse a primeira jogadora nascida nos anos 2000 a vencer um jogo válido pela chave principal de um WTA.

A promessa do tênis feminino australiano vem de uma família de esportistas imigrantes de Samoa, mas de modalidades bem distantes do tênis. O pai é técnico de MMA, enquanto a mãe jogou rúgbi e precisou aprender tênis para treinar a filha, um processo parecido com o vivido por Piotr Wozniacki, ex-jogador de futebol.

“Eu tinha cinco anos e estava assistindo o Australian Open pela TV, quando eu vi a Serena e pensei ‘Eu quero me tornar número 1 do mundo. Então os meus pais só pensaram: ‘Oh! Tênis? Mas nós não sabemos nada sobre tênis'”, disse Aiava na entrevista coletiva após a vitória por duplo 6/1 sobre a 86ª colocada alemã Carina Witthoeft na última rodada do quali em 1º de janeiro. Nos dias anteriores, ela havia vencido a experiente espanhola de 34 anos María José Martinez e a americana Samantha Crawford, 114ª do mundo.

Ainda sobre sua admiração por Serena, Aiava diz que a atitude da americana americana foi o que mais despertou mais seu interesse. “Acho que foi a vibração dela. Eu não poderia senti-la pelo outro lado da TV, mas foi a energia dela me trouxe para o esporte”, comentou a atual 345ª do ranking, mas que deverá ganhar muitas posições após a grande semana em Brisbane.

A jogadora, que tem chamado atenção por seus bons saques e golpes potentes do fundo de quadra, se descreve como uma atleta agressiva e falou de suas principais virtudes.”Estou com muita confiança no meu jogo agora. Isso me deu a oportunidade de chegar onde estou agora. Acho que meu saque e meu forehand melhoraram muito e estou muito confiante com eles também”.

Seu próximo compromisso em Brisbane será o primeiro jogo contra uma top 10 na carreira. Ela enfrenta a russa Svetlana Kuznetsova, número 9 do mundo e dona de dois títulos de Grand Slam, na madrugada desta quarta-feira. “É uma loucura. Eu caminho por aqui e vejo as pessoas que assistia pela TV antes. Uau!”

Enquanto o número 1 está muito distante, Aiava estabeleceu metas interessantes a curto prazo. “Eu realmente gostaria de tentar passar da primeira rodada do Australian Open. Esse é o meu principal objetivo para depois tentar chegar o mais longe que puder no torneio”, disse a australiana, que quando perguntada pela WTA sobre seu objetivo para o ano de 2017 foi direto ao assunto. “Entrar no top 100″.

Pioneira – Aiava, que prefere ser chamada apenas por ‘Des’,  foi primeira jogadora nascida nos anos 2000 a figurar em um ranking da WTA, quando apareceu na lista de duplas, em 9 de fevereiro do ano passado e, em duas semanas, será a primeira a disputar a chave principal de um Grand Slam. Ela garantiu a vaga graças ao título da categoria 18 anos feminino do Australian Championships, torneio nacional juvenil disputado durante em dezembro no Melbourne Park. Quando furou o quali no último domingo, já seria também a primeira atleta nascida depois do ano 2000 a disputar uma chave principal de WTA.

De Minaur surpreende –  No masculino, o destaque ficou por conta de Alex De Minaur. Já falamos dele aqui no ano passado, quando foi finalista da chave juvenil de Wimbledon. Filho pai uruguaio e mãe espanhola, ele viveu em Sydney até os cinco anos e depois foi com a família para a Espanha. Sua formação no tênis foi dividida entre as duas bases.

Atual 351º colocado na ATP, De Minaur passou pelo 89º do ranking Mikhail Kukushkin logo na primeira rodada do quali e depois venceu o 108º colocado americano Frances Tiafoe, outro nome da nova geração, mas que já esteve entre os cem melhores. Já no primeiro jogo da chave principal, ele foi derrotado pelo alemão Mischa Zverev por duplo 6/3.

As boas apresentações em Brisbane chamaram a atenção do ex-número 1 do mundo Lleyton Hewitt, que acompanhou de perto as partidas do jovem australiano. “Estou feliz pelo Alex, por ele ter a oportunidade de jogar a chave principal de um ATP”, disse Hewitt, em entrevista ao site da entidade que comanda o tênis masculino.

“Que maneira de começar o ano novo! Ele é muito habilidoso e quer trabalhar duro. O treinamento que ele fez em novembro e dezembro é a principal razão pela qual eu confiava que ele poderia vencer ontem e hoje”, revelou o agora ex-jogador e agora capitão do time australiano na Copa Davis.

Canadá também tem um finalista no juvenil de Wimbledon
Por Mario Sérgio Cruz
julho 9, 2016 às 1:04 am

O Canadá não terá apenas Milos Raonic na final de Wimbledon neste final de semana. O país também terá seu representante na decisão da chave juvenil, o canhoto Denis Shapovalov. Ele assegurou lugar na final ao vencer o líder do ranking da categoria, o grego Stefanos Tsitsipas, nesta sexta-feira por 4/6, 7/6 (7-5) e 6/2 em 1h52 de jogo.

“Ele estava jogando muito melhor do que eu”, disse Shapovalov em entrevista à ITF. “Ele estava sacando muito bem, mas eu continuei forte mentalmente e no final ele caiu um pouco. Essa foi a diferença”, avaliou canhoto de 17 anos.

O canhoto Denis Shapovalov faz boa temporada também como profissional (Foto: Susan Mullane/ITF)

O canhoto Denis Shapovalov faz boa temporada também como profissional (Foto: Susan Mullane/ITF)

Shapovalov tenta ser o segundo canadense a vencer um Grand Slam juvenil na chave masculina de simples. O outro caso é recente, com Filip Peliwo que teve uma grande temporada em 2012 com títulos em Wimbledon e US Open na categoria, além dos vice-campeonatos no Australian Open e Roland Garros.

Atual 13º no ranking mundial juvenil, Shapovalov faz uma boa temporada também no circuito profissional. O jogador de 17 anos já venceu três futures nos Estados Unidos em 2016, além de ter sido semifinalista no challenger de Drummondville em seu país, inclusive derrotando Peliwo pelo caminho.

No próximo domingo, Shapovalov jogará na Quadra Número 1 do All England Club, a segunda maior do complexo e tradicional palco das finais do juvenil. O jogo provavelmente coincidirá horário com a final masculina, o que impossibilitará um pouco da torcida por Raonic.

Alex De Minaur teve sua formação dividida entre Austrália e Espanha (Foto: Susan Mullane)

Alex De Minaur teve sua formação dividida entre Austrália e Espanha (Foto: Susan Mullane/ITF)

O adversário da final será o australiano Alex De Minaur, que precisou de só 49 minutos para despachar o americano Ulises Blanch. “É bom finalmente superar essa barreira das semifinais”, disse DeMinaur, que parou na penúltima rodada do US Open-2015 e Australian Open deste ano.

“Estou curtindo cada segundo disso. Acho que nas outras semifinais eu coloquei um pouco de pressão sobre mim mesmo ao pensar ‘Oh meu Deus, estou na semifinal e faltam só duas partidas para ganhar um Grand Slam'”, revelou o jovem de 17 anos.

De Minaur é filho de pai uruguaio e mãe espanhola. Ele viveu em Sydney até os cinco anos de idade e depois foi com a família para a Espanha. Reside hoje em Alicante, mas sua formação no tênis foi dividida entre as duas bases. O atleta disputou competições juvenis de 14 e 16 anos em solo australiano, inclusive na grama de Mildura, e seguiu para os primeiros futures como profissional já na Espanha a partir de 2015.

Final feminina no sábado –  A decisão da chave juvenil feminina acontece às 9h (de Brasília) deste sábado, na Quadra Número 1, e envolve duas jogadoras bastante precoces até mesmo para a categoria, a ucraniana Dayana Yastremska e a russa Anastasia Potapova.

Yastremska, que completou 16 anos em maio, ficou conhecida do público brasileiro no início da temporada ao vencer um ITF profissional de US$ 25 mil na cidade paulista de Campinas. Com o resultado, ela acabou desistindo do Banana Bowl e seguiu direto para Porto Alegre, onde foi semifinalista do Campeonato Internacional Juvenil (antiga Copa Gerdau).

A ucraniana Dayana Yastremska já venceu um título profissional em Campinas este ano (Foto: Eddie Keogh/AELTC)

A ucraniana Dayana Yastremska já venceu um título profissional em Campinas (Foto: Eddie Keogh/AELTC)

Potapova é ainda mais jovem, nasceu em 2001 e fez 15 anos em março. Apesar da pouca idade, a russa já tem um histórico considerável em competições de base, com destaque para a recente semifinal de Roland Garros e as quartas de Wimbledon do ano passado. Ela foi campeã do Eddie Herr de 12 e 14 anos em 2013 e 2014. Já no Orange Bowl, foi finalista nos 12 anos em 2013, campeã nos 14 em 2014 e foi às quartas na categoria principal no ano passado.