Ano na Espanha é positivo para Orlandinho e Felipe Alves
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 28, 2018 às 7:28 pm

Ao término da primeira temporada na Espanha, Orlando Luz e Felipe Meligeni Alves aprovam a experiência de treinar em Barcelona. Os jovens de 20 anos foram dois dos primeiros a usufruir da parceria firmada pela Confederação Brasileira de Tênis (CBT) e a BTT Tennis Academy e foram acompanhados pelo experiente técnico brasileiro Léo Azevedo. Ambos os jogadores conseguiram títulos profissionais de nível future, subiram bastante no ranking e estão dispostos a manter o planejamento para 2019.

Felipe Alves e Orlando Luz trabalham com Leo Azevedo em Barcelona e têm acompanhamento de nomes como Francisco Royg, um dos técnicos de Rafael Nadal. (Foto: Reprodução/Instagram)

Felipe Alves e Orlando Luz trabalham com Léo Azevedo em Barcelona e têm acompanhamento de nomes como Francisco Royg, um dos técnicos de Rafael Nadal. (Foto: Reprodução/Instagram)

Orlando Luz começou o ano como 725º do mundo e o encerra com a melhor marca de sua carreira, no 372º lugar. O gaúcho conseguiu 35 vitórias em torneios profissionais de nível future e disputou três finais, conquistando títulos em Vic na Espanha e Kassel na Alemanha, além de ter ficado com um vice-campeonato no Egito. Orlandinho também conquistou uma vitória no challenger de Buenos Aires, sua sexta na carreira neste porte e a primeira desde 2015.

“Acho que o ano foi incrível, depois de dois anos que eu não vinha jogando tão bem. Saí de casa, experimentei coisas diferentes e depois vi os resultados aparecendo”, disse Orlando Luz ao TenisBrasil, durante a Maria Esther Bueno Cup, em São Paulo. “Tive a maior conquista da minha carreira, que foi um future de US$ 25 mil + H [hospedagem] em Kassel, atingi meu melhor ranking e voltei a ganhar rodada de challenger. Claro que foi difícil deixar a família, mas ao longo do tempo a gente vai se acostumando e os resultados mostram que foi a escolha certa”.

Já Felipe Meligeni Alves venceu seu primeiro jogo de challenger na carreira em sua cidade natal, Campinas, e conquistou seu primeiro future no Egito, em duelo nacional com Orlando Luz na final. O jovem paulista venceu 24 jogos de future e disputou três finais, saltando no ranking do 950º lugar para a atual 540ª posição. Seu recorde pessoal foi alcançado há pouco mais de uma semana, quando ocupou a 534º colocação na lista da ATP.

“Foi um ano muito positivo. Quando eu cheguei foi um pouco difícil para me adaptar com o frio, com o preparo físico e com a movimentação deles em quadra. O primeiro semestre não foi bom. Eu vinha jogando bem, mas não conseguia me encaixar mentalmente e manter meu nível de concentração. Acabei perdendo muitos jogos. Depois que fiz uma boa semana de treinamento no ATP de Barcelona, bastante coisa mudou. Fui para o Egito, e na segunda semana eu consegui encaixar bem e ganhar meu primeiro título. A partir daí comecei a me organizar muito bem, taticamente e mentalmente. Minha confiança subiu muito e esse final de ano e fiz mais duas finais. Avalio como um ano bem positivo, nunca havia feito um ano tão bom assim”, comenta Felipe Alves, que sentiu que já tinha atingido um teto enquanto estava no Brasil e que precisava mudar de base para explorar mais seu potencial.

“Quando eu estava aqui no Brasil, eu senti que estava numa zona de conforto muito grande. Estava perto de casa, estava com a minha família e estava realmente muito confortável. Encarar esse desafio de ir para a Espanha, que sempre foi meu sonho, que eu sempre falei para minha mãe e para o meu tio que era o lugar onde eu realmente queria ir. Quando surgiu a oportunidade, eu fiquei chocado”, complemento o sobrinho do ex-número 25 do mundo Fernando Meligeni.

Felipe Alves levou a melhor sobre Orlando Luz no Egito e conquistou seu primeiro torneio

Os dois jovens jogadores chegaram a decidir um título de future no Egito, vencido por Felipe Alves.

Tanto Orlando quanto Felipe enalteceram o trabalho com Léo Azevedo e destacam as qualidades do treinador, que atuou por oito anos na USTA (Associação Norte-Americana de Tênis), além de já ter trabalhado na Espanha, de 2003 a 2006, na academia de Juan Carlos Ferrero. “O Léo é muito, muito bom. Como treinador entende muito de tática e muito do lado mental. Se eu não tivesse ajustado meu lado mental, eu não estaria onde estou”, afirma Felipe Alves. “Foi um bom ano de aprendizado, porque nunca tive essa experiência. O Léo me ajuda bastante e pega bastante no meu pé, porque eu sou um cara bem extrovertido e que fala bastante. Ele tenta me puxar e me deixar mais de boa”, complementa o paulista, que é corroborado pelo colega. “Acho que ajudou bastante. Ele sabe tirar muito bem o melhor de cada jogador”, afirma Orlando Luz. “Como ele viajava com a Federação Americana (USTA), eu acabava me encontrando com ele nos torneios juvenis, mas nunca tinha trabalhado com ele. A primeira experiência foi quando eu cheguei na Espanha mesmo”.

Para Orlando Luz, foi fundamental ter um ano sem lesões, depois de lidar com muitos problemas físicos na temporada passada. “Em 2017 foi meio parado. Tive lesão nas costas, no ombro, na perna e fiz uma cirurgia no olho, que foi o que me parou por mais tempo. E mesmo quando eu voltei, ainda não estava legal. E este ano, não. Joguei o ano inteiro e acho que essa foi uma das minhas maiores vitórias. Pude jogar durante a temporada sem nenhuma lesão ou dor que me impedisse de competir”.

O gaúcho de 20 anos destaca uma mudança tática em seu jogo, que o fez colocar mais primeiros serviços em quadra e ser menos vulnerável. “Esse ano eu melhorei bastante o meu saque. A gente mudou alguma coisinha ou outra. Mudei um pouco a minha mentalidade de sacar só para jogar dando ace para sacar talvez 80% e ter uma bola mais mastigada no meio da quadra para começar o ponto jogando de direita ou algo do tipo. Então não mudou tanto a técnica, mas mais a mentalidade de como usar o saque. Acho que isso foi muito importante para essa melhora”.

Orlandinho quer se firmar nos challengers em 2019 (Foto: João Pires/ Fotojump)

Orlandinho quer se firmar nos challengers em 2019 (Foto: João Pires/ Fotojump)

Diante das mudanças previstas para o circuito profissional na próxima temporada, Orlandinho espera atuar em mais torneios de nível challenger. Na reta final de 2018, o gaúcho tentou uma série de torneios neste porte no saibro sul-americano, e furou o quali em Buenos Aires já em seu último torneio na temporada do circuito. Outra meta para o ex-líder do ranking mundial juvenil é buscar maior consistência ao longo da temporada, para que os resultados venham já nas primeiras semanas das giras de torneios.

“Já aconteceu de eu acabar jogando melhor na terceira ou quarta semana da gira, como já aconteceu de jogar melhor logo na primeira, mas a gente vem fazendo um trabalho bem sólido para tentar tirar proveito em todas as semanas”, avaliou o gaúcho. “Quando a gente foi para o Egito, o resultado veio na segunda semana de uma gira de cinco torneios e depois eu ganhei em Vic, na Espanha. Ainda estava tendo altos e baixos e, na metade do ano, consegui fazer três resultados seguidos com semi, campeão e semi. A gente está buscando isso, a constância de resultados por mais tempo”.

“Meu objetivo para o ano que vem seria me firmar nos challengers, ainda mais com essa mudança de ranking. A ideia é jogar cada mais vezes os challengers e deixar os futures de lado. Mas quando precisar, eu vou jogar. Talvez no começo do ano, porque às vezes fecha muito forte, é longe e todos os lugares são muito frios na Europa. Então tem poucas opções para viajar”, comenta Orlandinho, que avalia as diferenças entre os adversários dos dois níveis de torneios. “A diferença é grande na parte mental. Os caras são muito melhores e são diferenciados do pessoal do future. Eles vão dar menos pontos de graça. Se no future, o cara joga mal em três games seguidos, no challenger eles vão jogar um e olhe lá. Eles são muito mais constantes durante o jogo, eles jogam menos pontos mal que nos futures. Acho que isso é a maior diferença e os jogos são cada vez mais fortes, na questão física também, mas isso é uma coisa treinável. Tudo é treinável”.

Felipe Alves conseguiu a maior vitória da carreira em 2018 e mira o quali de Roland Garros (Foto: João Pires/Fotojump)

Felipe Alves conseguiu a maior vitória da carreira em 2018 e mira o quali de Roland Garros (Foto: João Pires/Fotojump)

Felipe Alves teve uma reta final de 2018 um pouco diferente de seu parceiro, já que seguiu no Brasil para jogar futures e disputou duas finais, em São Carlos e Curitiba. “A princípio, a gente faria a gira da América do Sul nos challengers, mas como não sabíamos como iam fechar as listas, porque no ano passado estavam muito fortes. Acabou que eu poderia ter entrado, porque alguns fecharam com ranking 800 e até 1.000, mas gente acabou optando por jogar os futures no Brasil para baixar um pouco o ranking e aproveitei para somar, ganhar confiança. para jogar na última semana em Buenos Aires. Joguei bem em lá, mas não consegui aproveitar a chance que eu tive. Por um lado, foi bom não ter ido antes”.

O paulista também relatou a experiência de jogar em sua cidade natal e conseguir a maior vitória da carreira, diante do argentino Federico Coria no challenger de Campinas. “Eu estava muito ansioso, não tinha feito bons resultados na gira, tinha perdido em três primeiras rodadas e estava sentindo que jogava bem, mas perdia sempre no detalhe”, lembrou. “Eu estava me preparando bem e essa era a chance de me garantir para o ano que vem, depois dessa mudança de ranking. Estava nervoso, minha família inteira estava lá, mas eu soube lidar com isso desde o começo. No segundo set, dei uma caída na intensidade, ele começou a jogar melhor, mas no terceiro eu tive um pico de energia que me ajudou bastante, a galera me deu muito apoio. Quando acabou o jogo, eu chorei de tanta emoção, que foi realmente especial e tirei um peso, uma geladeira das costas, e depois daí foi bem mais tranquilo”.

Sobrinho de um semifinalista de Roland Garros, Felipe Meligeni Alves coloca estar no quali do Grand Slam francês entre suas metas para 2019. “Eu queria muito poder jogar o quali de Roland Garros. É um torneio especial, tanto pelo meu tio quanto pelo meu vô que gostava bastante. É um torneio especial”.

Os dois jovens jogadores também contam que desenvolveram uma relação fraternal ao morarem juntos na Espanha. “A gente tem uma relação de irmão. A gente mora junto, dorme no mesmo quarto e a gente faz tudo junto na Espanha. Ajudou muito, porque se eu estivesse sozinho, com certeza seria diferente. Cheguei lá no primeiro dia, com vergonha e não sabia com quem falar na casa onde eu moro. E aí quando o Orlando chegou, a gente vem se ajudando bastante e vem melhorando junto durante o ano”, explicou Felipe Alves. Atualmente os dois dividem um quarto numa casa de família, que ainda abriga outros jovens. “Tem a mulher, o marido dela e a filha, e mais uns sete ou oito moleques que ficam lá. Tem tudo na casa. É bem confortável”.

Wild mira torneios maiores e quer ser número 1
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 26, 2018 às 6:13 pm

Depois de encerrar sua carreira juvenil como o título do US Open e garantir sua vaga para a próxima edição do Rio Open, Thiago Wild mira a transição para os torneios maiores e quer se estabelecer na elite do circuito o mais rápido possível. Vencedor de dois títulos profissionais de nível future, o paranaense de 18 anos está disposto a seguir buscando resultados resultados nos challengers – como já fez no segundo semestre de 2018 – para tentar chegar aos eventos do circuito ATP. Em vídeo produzido pela equipe de comunicação do Rio Open, Wild reiterou que seu maior sonho no tênis é ser o número 1 do mundo.

A experiência no ATP 500 do Rio de Janeiro, que será disputado entre 16 e 24 de fevereiro de 2019, será a segunda de Wild em uma chave principal de ATP. Em fevereiro de 2018, ele recebeu convite para a disputa do Brasil Open, em São Paulo, e caiu em três sets diante do veterano argentino Carlos Berlocq, então número 131 do mundo. “Será uma entrada nos torneios maiores. Eu joguei em São Paulo, mas como convidado. Meu ranking não era tão bom e eu não estava tão preparado como estou hoje”.

Wild falou ao TenisBrasil durante a Maria Esther Bueno Cup, torneio entre oito jovens jogadores brasileiros e que valia vaga para o Rio Open do ano que vem. Campeão do evento disputado nas quadras da Sociedade Harmonia de Tênis, paranaense fez uma avaliação sobre a temporada e seu momento de transição do circuito juvenil para os torneios profissionais. Depois de ter alcançado o 406º lugar do ranking da ATP em outubro, ele aparece atualmente na 536ª posição. A recente queda, entretanto, não é motivo de preocupação, ainda mais com as mudanças previstas para o circuito profissional a partir de 2019.

Thiago Wild garantiu vaga para o Rio Open após vencer seletiva em SP (Foto: João Pires/Fotojump)

Thiago Wild garantiu vaga para o Rio Open após vencer seletiva em SP (Foto: João Pires/Fotojump)

“Para o ano que vem os futures não vão mais valer. Então eu poderia muito bem ter jogado futures de US$ 15 mil, ganhar dois torneios e subir mais no ranking. Para mim, beleza. Mas isso não ia me acrescentar nada”. disse Thiago Wild. “Então para mim é melhor estar com um ranking desse, até porque meus pontos na ATP não vão cair e vou ficar em torno de 400 baixo no ano que vem”

“Acho que o principal para o momento que estou hoje é me dar um passaporte para o circuito da ATP, para eu poder me acostumar com o circuito challenger. Se eu ficar jogando future, eu não vou conseguir chegar nos ATP”, acrescentou o paranaense, que ao longo da última semana venceu jogos contra Orlando Luz, João Lucas Reis, Gilbert Klier e Rafael Matos.

Entre os pontos altos da temporada profissional de Wild estão o título em um future em São José do Rio Preto e a chegada às quartas de final do challenger de Campinas. “Uma quartas de final em challenger, com certeza, vale muito mais que qualquer future. Eu acho que o circuito future ainda tem muito amador. Ainda é um circuito em que as pessoas ainda vão lá para ver se vão querer jogar e se vão vingar. E no circuito challenger não. Todas as pessoas lá já têm a consciência de que queriam jogar e vingaram até um certo nível para se fixarem ali. A principal diferença do challenger para o future é o comprometimento dos caras, é a decisão que eles já tomaram na vida deles. Então o nível é maior e um nível que eu já tenho que me acostumar a jogar”.

Wild ainda não tem um planejamento definido para a temporada de 2019. No entanto, ele mantém o objetivo de se garantir entre os 200 melhores jogadores do mundo para entrar diretamente nas chaves principais de challenger e não precisar dos qualificatórios, em que os jogadores precisam atualmente de três vitórias para começar a receber pontos no ranking e premiação em dinheiro. “Tenho que ver o que eu vou jogar. É uma dúvida porque a gente não sabe como vão ficar os torneios”, explicou o paranaense, antes de reforçar suas metas. “O mais rápido possível entre os 200. Mas para entrar em challenger, com 250 já dá, às vezes até 300″.

Quando venceu o torneio juvenil do US Open, Wild lembrou da semifinal alcançada no saibro de Roland Garros, em junho. Na época, ele ainda se recuperava de lesão no ombro, não atuou em seu melhor nível, e apesar de ter ficado feliz com a campanha, sentiu que ainda não estava satisfeito e buscava um coisa maior em seu último ano na categoria. “É basicamente isso, porque eu já estava machucado. Desde os futures no Brasil eu já estava com bastante dor no ombro, mas achei que era algo muscular. Era algo mais sério, com relação a articulação, com relação à parte óssea, mas eu consegui me recuperar bem. E era meu último Grand Slam, minha última chance de ganhar um e então eu falei ‘É agora ou nunca’. Ganhar um Grand Slam é o sonho de qualquer tenista juvenil”.

Como é comum com jogadores que conquistam um título juvenil de Grand Slam ou lideram o ranking mundial da categoria, Wild relata ter recebido propostas para compromissos comerciais e que estuda as melhores opções. “Na verdade, eu já tenho contrato com uma agência. Comecei um contrato com a Octagon agora em janeiro, mas com certeza surgiram mais propostas, inclusive propostas que eu estou estudando para escolher o que é melhor para mim”.

Também em 2018, Wild recebeu sua primeira convocação oficial para a equipe da Copa Davis, durante o duelo contra a República Dominicana em fevereiro, embora não tenha atuado em nenhuma das partidas na série. O paranaense também já havia acompanhado o time em outras oportunidades desde 2016 e sonha defender o Brasil na Davis, embora o novo formato da competição não o agrade. “É o desejo de todo jogador”, afirmou.

“Acho que ficar com o time da Davis é basicamente estar na Seleção Brasileira. Então a concentração é diferente, o nível de comprometimento também. É um torneio diferenciado porque você está em equipe e tem um treinador dentro de quadra e é uma coisa completamente distinta do circuito de simples”, disse Wild, que compara a Nova Davis ao Mundial de 16 anos, por ter sede única e ser disputado ao longo de apenas uma semana. “Parece com o Mundial de 16 anos. Vai ter o mesmo formato. Não tem mais o prestígio da Copa Davis. É um Mundial que eles vão para ver quem ganha e só″.

Zverev lidera sua geração nos números e atitudes
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 19, 2018 às 8:53 pm

Campeão do ATP Finals, Alexander Zverev ratificou ainda mais sua condição como o grande nome da nova geração do tênis. Em um final de semana excelente, ele superou os principais cabeças de chave e dois dos maiores vencedores na história do torneio sem perder sets. Foi assim com o hexacampeão e recordista de títulos Roger Federer na semifinal e com o dono de cinco conquistas Novak Djokovic na rodada decisiva.

Em um momento em que o circuito masculino tem sido dominado por jogadores acima dos 30 anos, que hoje ocupam sete vagas do atual top 10, o alemão de 21 anos vem conseguindo marcas que não vistas há praticamente uma década. Um exemplo é que Zverev é o mais jovem campeão do torneio desde o próprio Djokovic, que tinha a mesma idade quando triunfou na China em 2008. Além disso, desde que a ATP passou a promover seus novos nomes do circuito, há pouco mais de dois anos, o alemão vem sempre se mantendo um ou mais degraus acima de outros companheiros na mesma faixa etária.

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Integrante mais jovem do atual top 10, Zverev termina a segunda temporada seguida na quarta posição do ranking mundial e está a apenas 35 pontos do terceiro colocado Federer. Por mais que 2018 tenha sido um bom ano para jogadores jovens, nenhum dos atletas contemporâneos do alemão conseguiu romper a barreira dos dez melhores do mundo.

Ambos com 22 anos, Karen Khachanov e Borna Coric são os mais próximos de entrar no top 10, já que ocupam o 11º e o 12º lugar no ranking divulgado nesta segunda-feira. Ainda no top 20, estão o britânico de 23 anos Kyle Edmund, 14º colocado, seguido pelo grego de 20 anos Stefanos Tsitsipas seguido e pelo russo de 22 anos Daniil Medvedev. O top 30 ainda conta com o sul-coreano de 22 anos Hyeon Chung (25º) e com o canadense de 19 anos Denis Shapovalov (27º).

Entre todos esses expoentes da nova geração, Zverev é de longe o jogador com maior número de títulos. Já são dez ao todo, incluindo o Finals e três Masters 1000. Khachanov tem quatro conquistas, com destaques para o Masters de Paris, Medvedev venceu três torneios, enquanto Coric tem dois, contra um de Edmund e Tsitsipas. Chung e Shapovalov ainda não venceram um torneio da ATP.

Nas vitórias contra jogadores do top 10, Zverev lidera por 19 a 12 sobre Coric, seu perseguidor mais próximo. Khachanov venceu sete jogos na carreira contra top 10, quatro deles seguidos na campanha vitoriosa em Paris. Outro que também bateu sete nomes deste nível é Tsitipas. Edmund tem duas vitórias contra top 10, enquanto Chung, Medvedev e Shapovalov só venceram um jogo deste porte, cada um.

Em torneios Masters 1000, além dos títulos de Zverev e Khachanov, os únicos que disputaram finais foram Tsitsipas e Coric, enquanto Shapovalov já esteve em duas semis. O único feito em que alguns colegas superam o alemão é uma boa campanha em Grand Slam. Ao passo que Zverev tem como melhor resultado as quartas de final de Roland Garros, Edmund e Chung deram um passo a mais e foram semifinalistas na Austrália em janeiro.

Outros dois bons jovens jogadores rondando as primeiras posições são os australianos Alex De Minaur e Nick Kyrgios. Revelação da temporada e número 31 do mundo aos 19 anos, De Minaur já chegou a duas finais de ATP e ainda busca o primeiro título e a primeira vitória contra um top 10. Já o controverso Kyrgios tem 23 anos, já foi número 13 do ranking e hoje aparece no 36º lugar. Ele já tem quatro títulos de ATP, foi finalista no Masters 1000 de Cincinnati no ano passado e acumula 15 vitórias sobre adversários nas dez primeiras posições.

Nos confrontos diretos, Zverev leva vantagem sobre quase todos os adversários. O alemão tem 4-0 contra Medvedev e Edmund, 3-0 sobre De Minaur, 2-0 sobre Shapovalov e 2-1 diante de Khachanov. O histórico está empatado contra Tsitsipas e Kyrgios, sendo 1-1 diante do grego e 3-3 contra o australiano. Apenas Coric e Chung tem retrospecto positivo contra o alemão. O croata lidera por 3-1, enquanto o sul-coreano tem 2-1.

Por conta desses e de outros números que o colocam um nível acima, Zverev foi perguntado após o título em Londres se ele sentia como um líder da nova geração do circuito. “Eu não posso te dizer se eu serei o futuro líder do tênis, que é uma questão muito profunda no momento, e não acho que eu deveria ser o único a responder a esta pergunta, não sou qualificado para isso”, comentou após derrotar Novak Djokovic por 6/4 e 6/3 no último domingo. “Eu me sinto ótimo, mas o futuro ainda tem muitos anos pela frente e tudo pode acontecer. O que eu sei é que vou fazer o possível para estar no topo, por isso tenho que vencer os melhores nos grandes torneios”,

Zverev lembrou até mesmo do retrospecto recente de Djokovic contra os jovens jogadores para comentar o sucesso da nova geração do tênis. Durante o segundo semestre de 2018, Djokovic venceu 35 dos últimos 38 jogos que disputou e só foi parado por nomes da nova geração nesta metade do ano. Antes de Zverev, os únicos que conseguiram derrotar o sérvio nesse período foram Tsitsipas nas oitavas de em Toronto e Khachanov na decisão em Paris. “Os dados estão lá. Novak perdeu para Khachanov em Paris e para Tsitsipas em Toronto. Fico feliz em ver que a nova geração está chegando pouco a pouco”.

Líder fora de quadra – O jovem jogador de 21 anos também vem exercendo uma figura de liderança nas discussões sobre o calendário do circuito e a duração da temporada. Além de já ter se posicionado contra a mudança nas datas e formato da Copa Davis. “Eu não vou jogar a Copa Davis em novembro. Nós tempos um mês e meio entre uma temporada e outra, no final de novembro e em dezembro. Fazer um torneio no fim de novembro, quando todos nós estamos cansados é uma loucura. Nós, como jogadores top, tivemos conversas com a ATP para diminuir a temporada e não torná-la ainda mais longa”, disse ainda durante o Masters 1000 de Xangai.

“O problema não é nem a quantidade de torneios que jogamos no ano, mas quanto tempo dura a temporada. Mesmo se você não estiver jogando um torneio naquela semana, você não pode tirar essa semana de folga. Você tem que estar treinando, você tem que estar se preparando”, comentou após a fase de grupos do Finals, em Londres. “Nós não temos tempo para nos preparar fisicamente e mentalmente, e também não temos tempo para nos dar descanso. Você só pode fazer isso durante período de pré-temporada, e não quando há outros torneios em que você apenas não está jogando”

O atual número 4 do mundo também cita suas conversas com o líder do ranking mundial e presidente do Conselho de Jogadores da ATP Novak Djokovic para justificar sua posição. “Se você perguntar a Novak, ele concorda comigo. Já tivemos essa conversa. Ele tem pensado da mesma forma nos últimos 10 anos, mas nunca falou sobre isso. Agora que os jogadores estão falando sobre o assunto, ele também fala”.

Sinal de amadurecimento – Zverev nunca escondeu um lado mais explosivo, nas discussões ríspidas com árbitros ou em respostas atravessadas em entrevistas coletivas. Mas durante a semana em Londres, deu sinais de maturidade também nesse lado. Especialmente no episódio das vaias sofridas nos momentos decisivos da semifinal contra Roger Federer, vencida por 7/5 e 7/6 (7-4) no último sábado. Quando perdia o tiebreak do segundo set por 4-3, alemão parou um ponto que era dominado por Federer e o árbitro Carlos Bernardes aplicou a regra do ‘let’ para mandar voltar a jogada, depois que um dos boleiros deixou a bola correr no fundo da quadra. Na volta, o germânico encaixou um ace e foi vaiado pelo público.

Embora Zverev tenha agido dentro das regras, criou-se um ambiente seguiu hostil ao jovem jogador de 21 anos até o final do jogo e ele chegou a pedir desculpas aos torcedores. “Em primeiro lugar, quero me desculpar pela situação no tiebreak. O boleiro deixou uma bola cair e a regra diz que é preciso repetir o ponto”, disse Zverev em entrevista ainda em quadra logo após a partida. “Já pedi desculpas a Roger na rede, e ele me disse que ‘está tudo bem e que está nas regras’. E agora falo para o público, porque há muitos fãs de Roger aqui. Por tudo o que ele conseguiu, ele é quem tem mais fãs no mundo”.

https://twitter.com/TennisTV/status/1063827548273078272

Aos jornalistas, Zverev também falou sobre o incidente e não escondeu o quanto a situação o abalou emocionalmente. “Quando você é vaiado, nunca é uma sensação agradável. Eu pedi desculpas ao Roger na rede depois e ele me disse: ‘Você não tem absolutamente nada para se desculpar, não se preocupe com isso’. Mas talvez algumas pessoas do público não sabiam o que realmente aconteceu e qual era a situação”, afirmou. “As vaias se transformaram em aplausos depois, o que me ajudou. Obviamente, muitas emoções estão passando pela minha cabeça. Fiquei muito chateado no vestiário também, não vou mentir. Tive que tirar alguns minutos para mim. Eu espero que as pessoas que estavam vaiando vejam o que realmente aconteceu. Talvez apenas percebam que eu talvez não tenha feito nada de errado”.

As palavras do número 1 – Superado por Zverev na decisão do Finals, Djokovic acredita que o jovem alemão tem potencial para superar seus feitos no circuito. Apesar da decepção pela derrota e desempenho na partida de domingo, o pentacampeão do torneio fez questão de valorizar a inédita conquista de seu adversário.

“Há muitas semelhanças em termos de trajetória em relação às nossas carreiras e espero que ele possa me superar”, disse Djokovic, ao ser lembrado que Zverev é o campeão mais jovem do torneio desde o próprio sérvio em 2008. “Posso dizer que ele é uma pessoa com muita dedicação e merece tudo o que está recebendo, embora ainda tenha muito tempo pela frente. Se ele pode ganhar títulos de Grand Slam? É claro, mas já sabemos disso há muito tempo, não só a partir de hoje”.

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“Estou desapontado com meu jogo mas, ao mesmo tempo, muito feliz por ver o Alexander ganhar um título tão importante como este”, comenta o sérvio sobre o título mais importante da carreira de Zverev. “Temos um ótimo relacionamento, vivemos no mesmo lugar, somos uma grande família e compartilhamos muitas coisas, dentro e fora de quadra. Você o vê levantando o troféu e rapidamente entende o quanto isso significa para ele. Ele merece”.

Perguntado sobre a afirmação de Djokovic, Zverev respondeu com bom humor. “Novak disse que posso acabar ganhando mais títulos que ele? Jesus não! Isso é muita coisa!”, comenta o jovem campeão. “Quero dizer, eu ganhei esse torneio uma vez, ele ganhou cinco. Ele ganhou, eu não sei, uns 148 títulos mais do que eu. Eu espero que eu possa ter uma grande carreira, mas agora eu só penso em curtir as férias e relaxar um pouco”.

Conheça os jogadores e regras do Next Gen ATP Finals
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 5, 2018 às 11:50 pm

A segunda edição do Next Gen ATP Finals dá a largada nesta terça-feira em Milão. O evento destinado a jogadores de até 21 anos terá sete jovens destaques da temporada masculina, além de um convidado vindo de uma seletiva italiana. A fase de grupos será disputada até a próxima quinta-feira, com semifinais na sexta e decisão do título no sábado. Nos três primeiros dias de evento, serão quatro jogos por rodada em duas sessões às 11h e às 16h (de Brasília). No Brasil, o evento é transmitido pelo canal Bandsports.

Assim como no ano passado, o torneio irá testar algumas regras diferentes. Destaque para o formato da pontuação, com cinco sets de até quatro games. A disputa também não terá vantagens nos games com 40-iguais, e nem ‘let’ para o saques que tocam na fita. Não há a presença de árbitros de linha, já que todas essas marcações são definidas eletronicamente. Para a edição de 2018, também haverá a possibilidade de revisão por vídeo em lances subjetivos como quique duplo da bola em quadra ou toque dos jogadores na rede.

Disputas serão em cinco sets, definidos em até quatro games.

Disputas serão em cinco sets, definidos em até quatro games.

Outra novidade para o segundo ano do evento é um novo protocolo sobre as funções dos boleiros em quadra. Os jogadores terão espaço para pendurar as toalhas no fundo da quadra, fazendo com que os voluntários apenas recolham e distribuam bolas aos atletas. A discussão voltou à tona recentemente após atitudes ríspidas de Fernando Verdasco e Stefanos Tsitsipas ao exigirem mais rapidez dos boleiros na entrega de toalhas e raquetes e reavivam o debate sobre as atribuições desses auxiliares.

“Eu já fui um pegador de bola. Confiem em mim, o trabalho que eles têm que colocar para ter as coisas em ordem é duas vezes maior que nosso, dos jogadores na quadra. Eu aprecio tudo o que eles têm que passar para nos fazer sentir confortáveis e satisfeitos enquanto fazemos o nosso trabalho. Eles são uma grande ajuda!”, disse Tsitsipas, por meio de seu perfil no Twitter, em pedido de desculpas depois de um incidente uma boleira no ATP 500 da Basileia.

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Pelo segundo ano consecutivo, haverá comunicação por rádio entre jogadores e técnicos e um relógio de 25 segundos para determinar o tempo de saque. O público também terá a oportunidade de circular livremente pela arena montada no pavilhão de exposições da Fiera Milano. Normalmente, nos torneios da ATP, existe uma determinação para que os torcedores só possam andar pelas dependências dos estádios durante as viradas de lado.nextgenrules-2018-1920x1080

GRUPO A

  • Stefanos Tsitsipas: Principal cabeça de chave e número 15 do mundo, o grego de 20 anos começou a temporada no 91º lugar do ranking e logo de cara já foi do quali até as quartas em Doha. Tsitsipas disputou duas primeiras finais pela elite do circuito no ATP 500 de Barcelona e no Masters 1000 de Toronto, caindo diante de Rafael Nadal nas duas ocasiões. Já em outubro, o grego conquistou seu primeiro ATP nas quadras duras e cobertas de Estocolmo. Ao longo da temporada de 41 vitórias e 27 derrotas, Tsitsipas se tornou o primeiro jogador de seu país a entrar no top 20, a vencer um torneio ATP, a disputar uma final de Masters e a chegar às oitavas de final em um Grand Slam.
  • Frances Tiafoe: O norte-americano de 20 anos começou o ano no 79º lugar do ranking e aparece atualmente como número 40 do mundo, chegando a ocupar a 38ª posição em agosto. Ele conquistou seu primeiro ATP em fevereiro, nas quadras duras de Delray Beach, onde chegou a derrotar Juan Martin del Potro pelo caminho.
  • Hubert Hurkacz: O polonês de 21 anos saltou da 238ª para a 85ª posição do ranking e chegará a Milão embalado pela conquista do challenger francês de Brest há duas semanas. Ele também triunfou em casa, no saibro de Poznan, em junho, e foi finalista na cidade chinesa de Zhuhai em março. Na elite do circuito, furou os qualis de Roland Garros, Wimbledon e US Open, vencendo dois jogos de Grand Slam. Seu recorde pessoal no ranking foi o 79º lugar, alcançado na semana passada.
  • Jaume Munar: O jovem espanhol de 21 anos treina na Rafa Nadal Academy em Mallorca e iniciou a temporada na 184ª posição e debutou no top 100 em junho. Ele aparece nesta semana no 76º lugar do ranking, marca que é a melhor de sua carreira. Ao longo da atual temporada, Munar venceu nove jogos em nível ATP, com destaque para a semifinal alcançada no saibro de Kitzbuhel. Já nos torneios de nível challenger, conquistou títulos em Caltanissetta e Prostejov.

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GRUPO B

  • Alex de Minaur: Segundo favorito no torneio, o australiano de 19 anos e número 31 do mundo é uma das revelações da temporada. De Minaur ocupava apenas o 208º lugar do ranking no dia 1º de janeiro e, em duas semanas, saltou para o 167º lugar depois de uma semifinal em Brisbane e um vice-campeonato em Sydney. A chegada ao top 100 aconteceu em junho, após bons resultados em challengers na grama. Já em agosto, foi finalista do ATP 500 de Washington.
  • Taylor Fritz: O norte-americano de 21 anos chama atenção do circuito desde que foi número 1 do ranking mundial juvenil em 2015 e alcançou uma final de ATP em Memphis no ano seguinte. Depois de lidar com muitas lesões no joelho e resultados aquém do esperado em duas temporadas seguidas, Fritz teve o melhor ano da carreira em 2018 e enfim debutou no top 50 nesta segunda-feira, quando aparece no 47º lugar.
  • Andrey Rublev: O russo de 21 anos e 68º colocado ficou três meses sem jogar, entre abril e julho, por conta de uma lesão nas costas. Como não conseguiu defender o título do ATP 250 de Umag, conquistado no ano passado, caiu do ranking e aparece distante de seu recorde pessoal, que foi a 31ª posição alcançada em fevereiro. Seu resultado de maior destaque na temporada foi a semifinal no ATP 500 de Washington.
  • Liam Caruana: Convidado para a disputa do torneio, Caruana tem 20 anos e é apenas o número 622 do mundo. A melhor marca de sua carreira foi o 375º lugar, obtido em fevereiro. O italiano precisou vencer três jogos durante a seletiva nacional e buscou viradas contra Luca Giacomini e Raul Brancaccio nas rodadas decisivas. Caruana tem um título de future e sete vitórias em challenger na carreira.

PROGRAMAÇÃO: No primeiro dia do torneio, Tsitsipas e Munar abrem o Grupo A às 11h, seguidos pelo duelo entre Rublev e Fritz pelo Grupo B. A rodada continua às 16h30 com Tiafoe e Hurkacz pela primeira chave, enquanto De Minaur será desafiado por Caruana na sequência da programação. A programação da segunda rodada do torneio depende dos resultados do primeiro dia.

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Título do Junior Masters leva francesa ao número 1
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 29, 2018 às 11:08 pm

Campeã da quarta edição do ITF Junior Masters, a francesa de 17 anos Clara Burel teve mais uma boa notícia nesta segunda-feira ao assumir a liderança do ranking mundial juvenil da ITF. O título pôs fim à uma incômoda sequência de vice-campeonatos a Bruel, que havia perdido as finais do Australian Open, do US Open e dos Jogos Olímpicos da Juventude, há apenas duas semanas, em Buenos Aires.

Brandon Nakashima e Clara Burel venceram a quarta edição do evento em Chengdu (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Brandon Nakashima e Clara Burel venceram a quarta edição do evento em Chengdu (Foto: Paul Zimmer/ITF)

“É o meu primeiro troféu este ano. Tive algumas finais difíceis e tem sido muito doloroso para mim perder todas as vezes na final, por isso estou muito feliz por colocar as mãos neste troféu”, disse Burel após a conquista do título no último domingo, na cidade chinesa de Chengdu.

Burel ultrapassou a canhota chinesa Xiyu Wang, então líder do ranking, e que sequer pôde disputar todas as partidas da fase de grupos, por conta de lesão em uma das costelas. Embora ainda tenhta idade para disputar torneios juvenis por mais uma temporada, já que só completará 18 anos em março de 2019, o foco da francesa passa a ser subir no ranking da WTA, onde aparece nesta segunda-feira no 611º lugar. “Ganhar um título me dará muita confiança nos próximos meses e por jogar profissionalmente”.

A respeito da final, em que venceu a colombiana de 16 anos Maria Camila Osorio Serrano por 7/6 (8-6) e 6/1, a francesa comemorou o resultado e o espírito de luta, embora o desempenho não tenha agradado. “Eu não joguei meu melhor tênis. Camila estava jogando muito bem no primeiro set e eu só tinha que tentar encontrar o meu caminho e lutar por cada bola”.

Superada por Burel na decisão, Osório Serrano tentava ser a primeira sul-americana a vencer o torneio. Quarta colocada no ranking juvenil, a colombiana reiterou seu desejo de um dia se tornar a número 1 do tênis mundial, algo que já havia dito em entrevista ao TenisBrasil durante a Copa Paineiras, em março.

“Estou feliz com o que fiz esta semana, mas tenho que continuar trabalhando cada vez mais para ser a número 1 do mundo, não entre as juvenis, mas no ranking da WTA”, disse Osório Serrano, que é treinada pelo ex-top 50 Alejandro Falla.

“Estou ficando melhor. Eu estou melhorando meu saque, nos golpes e meu backhand. Talvez eu esteja me movimentando melhor também -não hoje, mas em geral- e esta semana realmente me ajudará daqui para frente. A coisa boa no tênis é que há sempre outro torneio para voltar minhas atenções e eu farei isso depois de uma semana inacreditável”, complementou a colombiana.

A liderança no ranking masculino permanece nas mãos do taiwanês Chun Hsin Tseng, que foi campeão de Roland Garros e Wimbledon este ano e repetiu a façanha de Gael Monfils em 2004. Finalista em Chengdu, Tseng não confirmou o favoritismo e perdeu por 6/2 e 6/1 o norte-americano de 17 anos Brandon Nakashima.

Primeiro norte-americano a vencer o torneio, Nakashima tinha como principal resultado na temporada juvenil até então o ITF G1 na grama de Roehampton, disputado na semana anterior a Wimbledon. Ele destacou a solidez de seu jogo e controle emocional para vencer o líder do ranking mundial da categoria.

“Eu apenas tentei me manter sólido no meu lado da rede, para ter certeza de reduzir os erros e jogar cada ponto com alta intensidade”, disse Nakashima, que salta do 13º para o quinto lugar do ranking da ITF. “Eu tento ficar o mais calmo e calmo possível durante a partida, sem demonstrar muita emoção. Eu acho que isso é um verdadeiro trunfo para mim”.

Junior Masters começa nesta quarta. Veja quem joga!
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 23, 2018 às 11:32 pm

A quarta edição do ITF Junior Masters dá a largada na madrugada desta quarta-feira. Serão cinco dias de disputa com os dezesseis melhores juvenis da temporada nas quadras duras do Sichuan International Tennis Center, na cidade chinesa de Chengdu. Os grupos da chave masculina levam os nomes de SHUAI e YONG. Já as chaves femininas se chamam LI e LIANG.

Particularmente, considerando este torneio até mais interessante que o Next Gen ATP Finals no sentido de apresentar o futuro do esporte. São jogos com formato tradicional e com jogadores tendo destaque pela primeira vez, enquanto o evento da ATP em Milão apresenta nomes que já são conhecidos do público que acompanha o circuito com mais afinco. Os problemas do evento da ITF: Ser disputado na China, não ter transmissão de TV e coincidir datas com o WTA Finals.

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GRUPO LIANG

  • Xiyu Wang: Líder do ranking munial juvenil, a canhota Xiyu Wang foi campeã juvenil do US Open e semifinalista em Wimbledon. Já com 18 anos, a chinesa aparece no 194º lugar do ranking da WTA e tem dois títulos profissionais de nível de ITF de US$ 25 mil.
  • Clara Burel: Vice-líder do ranking da ITF, Burel vem de um vice-campeonato nos Jogos Olímpicos da Juventude em Buenos Aires. A francesa de 17 anos também foi vice-campeã em dois Grand Slam, na Austrália e nos Estados Unidos. Como profissional, a francesa está no 605º lugar na WTA.
  • Maria Camila Osorio Serrano: A colombiana de 16 anos fará sua segunda participação no Junior Masters. Na temporada passada, ela não passou da fase de grupos em Chengdu. Logo no início de 2018, Osório Serrano venceu 20 jogos seguidos no saibro Sul-Americano e conquistou cinco títulos nos seis primeiros torneios que disputou. Nas últimas semanas, foi semifinalista do US Open e dos Jogos da Juventude e aparece no 723º lugar do ranking profissional.
  • Eleonora Molinaro: A luxemburguesa de 18 anos é a 14ª colocada no ranking da ITF e chegou ao oitavo lugar em junho. Ela venceu quatro títulos na temporada juvenil, com destaque para o Trofeo Bonfiglio em Milão. Vencedora de dois títulos profissionais, Liang é agora a 393ª colocada na WTA.

GRUPO LI

  • Xinyu Wang: A chinesa de 17 anos começou a temporada disputando a chave principal do Australian Open, para onde ganhou convite depois de vencer um playoff asiático. Ela venceu em agosto seu primeiro título profissional em um ITF na Tailândia e ocupa 343º lugar. Como juvenil, foi semifinalista na Austrália e em Wimbledon, onde conquistou dois títulos de duplas.
  • En Shuo Liang: A taiwanesa de 18 anos chegou a ocupar a vice-liderança no ranking da ITF e aparece atualmente na sexta posição. Logo no início da temporada, foi campeã de simples e duplas no Australian Open da categoria. Como profissional, aparece na 283ª colocação e venceu seu primeiro título de ITF.
  • Clara Tauson: Com apenas 15 anos, a dinamarquesa chega embalada pelo título da Osaka Mayor’s Cup, torneio ITF GA disputado na semana passada em solo japonês. Durante a campanha, venceu dois jogos por duplo 6/0 e aplicou sete ‘pneus’ nas adversárias. Tauson também venceu o European Junior Championships e foi finalista do Campeonato Internacional Juvenil de Porto Alegre.
  • Leylah Fernandez: Canhota de 16 anos, a canadense se destacou em solo brasileiro ao vencer o Campeonato Internacional Juvenil de Porto Alegre em março. Fernandez também foi semifinalista em Roland Garros e chegou às quartas no US Open.

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GRUPO SUAI

  • Chun Hsin Tseng: O taiwanês de 17 anos é o número 1 do ranking mundial juvenil e conquistou dois títulos de Grand Slam consecutivos, em Roland Garros e Wimbledon, façanha que não foi obtida desde Gael Monfils em 2004. Tseng também já começa a se destacar entre os profissionais, venceu três torneios de nível future e ocupa o 437º lugar do ranking mundial.
  • Adrian Andreev: Quinto colocado no ranking da ITF, o búlgaro de 17 anos. Seu principal resultado em simples foi o título do Trofeo Bonfiglio, no saibro italiano de Milão em maio. Nas duplas, foi campeão do US Open e medalhista de prata nos Jogos Olímpicos da Juventude. Como profissional, venceu um jogo por seu país na Copa Davis e foi convidado para a disputa do ATP 250 de Sófia em fevereiro.
  • Nicolas Mejia: Formado nos Estados Unidos, Mejia treina na renomada IMG Academy e fez sua última temporada como juvenil. Ele alcançou o quarto lugar do ranking em julho e aparece atualmente na oitava posição. O colombiano de 17 anos foi medalhista de prata nas duplas mistas dos Jogos Olímpicos da Juventude. Mejia também protagonizou uma batalha de 4h24 na semifinal do torneio juvenil de Wimbledon, quando foi superado pelo britânico Jack Draper por 7/6 (7-5), 6/7 (6-8) e 19/17.
  • Tao Mu: Convidado para a disputa do ITF Junior Masters, Mu será o representante da casa em Chengdu. O chinês de 18 anos aparece atualmente na 18ª colocação no ranking da ITF. Seu resultado mais expressivo foi uma semifinal alcançada na grama de Wimbledon. Embora seja o jogador com pior ranking entre os participantes, o anfitrião tenta repetir o feito do finlandês Emil Ruusuvuori, que venceu a edição passada quando era o 15º colocado.

GRUPO YONG

  • Hugo Gaston: O francês de 18 anos vem embalado pela conquista da medalha de ouro na chave nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Buenos Aires. O vice-líder do ranking mundial juvenil também tem foi campeão de duplas no Australian Open, onde também fez quartas em simples. No início de sua carreira profissional, Gaston venceu um future de duplas no saibro francês de Grasse.
  • Sebastian Baez: Promessa do tênis argentino, Baez fará sua segunda participação seguida no Junior Masters e ficou em quarto lugar na edição passada. O argentino de 17 anos se destacou no começo da temporada com títulos do Banana Bowl e do Campeonato Internacional Juvenil de Porto Alegre e chegou a vencer 15 jogos seguidos no Brasil antes de cair para Gilbert Klier na Copa Paineiras em São Paulo. Nos Grand Slam, destaque para o vice-campeonato em Roland Garros, já no início da carreira profissional, acumula três semfinais de future.
  • Lorenzo Musetti: Finalista da chave juvenil do US Open, em que perdeu para o paranaense Thiago Wild, Musetti aparece atualmente no sétimo lugar do ranking da ITF. O italiano de apenas 16 anos também chegou às quartas de final na grama de Wimbledon e ainda tem duas temporadas como juvenil pela frente. Ele só disputou dois torneios como profissional.
  • Brandon Nakashima: O norte-americano de 17 anos atingiu o décimo lugar do ranking juvenil em setembro e hoje aparece na 13ª posição. Nakashima chegou embalado a Wimbledon depois de ter vencido um ITF G1 na grama de Roehampton na semana anterior, mas não conseguiu confirmar a boa fase e não passou da segunda rodada do Grand Slam britânico.

BRASILEIROS MIRAM O PROFISSIONAL – Dois jogadores brasileiros aparecem atualmente entre os dez melhores juvenis do mundo, o paranaense Thiago Wild e o brasiliense Gilbert Klier Júnior. Embora tivessem condições de classificação para o evento, ambos já estão com 18 anos e priorizam as competições profissionais. Wild joga uma série de challengers no saibro sul-americano, enquanto Klier tenta qualis de future em solo nacional.

HISTÓRIA DO TORNEIO – O russo Andrey Rublev e a chinesa Xu Shilin foram campeões da edição inaugural em 2015. No ano seguinte, os títulos ficaram com o sul-coreano Seong Chan Hong e com a russa Anna Blinkova. Já em 2017, o finlandês Emil Ruusuvuori e a ucraniana Marta Kostyuk conquistaram a competição.

Andrey Rublev venceu a edição inaugural do torneio em 2015

Andrey Rublev venceu a edição inaugural do torneio em 2015

Rublev já 76º do mundo na ATP aos 21 anos e chegou ao 31º lugar em fevereiro, Hong também está com 21 anos e ocupou o 343º lugar, mas aparece atualmente apenas na 655ª posição. Já Ruusuvuori é o 318º do mundo aos 19 anos e está com o melhor ranking da carreira.

No feminino, destaque para a atual campeã Kostyuk, que chegou à terceira rodada do Australian Open e já é 121ª do mundo. Blinkova alcançou o top 100 na última segunda-feira, ao ocupar o 97º lugar. Por sua vez, Shilin é a 255ª colocada na WTA aos 20 anos.

TRANSMISSÃO – Nos dois primeiros anos, a ITF disponibilizava transmissão ao vivo pelo YouTube. A estratégia deve ser retomada a partir da fase final do torneio no fim de semana. Em 2017, foi feita uma parceria com o Olympic Channel, mas o site não anunciou transmissões para este ano. Já o placar ao vivo está disponível neste link.

Jogos da Juventude: Por onde andam os medalhistas?
Por Mario Sérgio Cruz
outubro 12, 2018 às 9:19 pm

As finais do tênis nos Jogos Olímpicos da Juventude estão marcadas para este fim de semana em Buenos Aires. No sábado, o público argentino terá a oportunidade de torcer pelo anfitrião Facundo Diaz Acosta, que disputa o título contra o francês Hugo Gaston. O jogo está marcado para às 9h45 (de Brasília), com transmissão do site da ITF e do Olympic Channel. A França também tem representação na final feminina, que acontece no domingo, com Clara Burel enfrentando a eslovena Kaja Juvan. A disputa do bronze será neste sábado entre a colombiana Maria Camila Osorio Serrano e a chinesa Xinyu Wang.

Nesta sexta-feira, o tênis brasileiro pôde comemorar a medalha de bronze de Gilbert Klier Júnior. Único representante nacional na competição, o brasiliense de 18 anos ficou em terceiro lugar na chave masculina de simples. Ele vencia a disputa pelo bronze contra o búlgaro Adrian Andreev por 6/4 e 3/1 quando o rival abandonou por lesão nas costas. A medalha de Klier é a terceira da história do país em competições olímpicas no tênis. As duas anteriores vieram na edição passada das Olimpíadas dos jovens, no ano de 2014 na cidade chinesa de Nanjing. Na ocasião, o gaúcho Orlando Luz foi medalhista de prata em simples e ouro nas duplas, em parceria com o paulista Marcelo Zormann.

As duas edições anteriores dos Jogos Olímpicos da Juventude foram realizadas na Ásia, primeiro em Cingapura no ano de 2010 e depois em Nanjing. Entre seus medalhistas de simples, alguns tenistas já confirmaram a condição de jovens promessas, outros ainda seguem em busca de um lugar na elite do tênis mundial, enquanto outros se perderam pelo caminho. Veja como cada um está na atualidade.

NANJING 2014

Masculino
– Ouro: Kamil Majchrzak (POL)
– Prata: Orlando Luz (BRA)
– Bronze: Andrey Rublev (RUS)

Entre os medalhistas de 2014, Rublev é quem mais se destaca na atualidade, embora Orlandinho e Majchrzak vivam o melhor momento de suas carreiras.

Entre os medalhistas de 2014, Rublev é quem mais se destaca na atualidade, embora Orlandinho e Majchrzak vivam o melhor momento de suas carreiras. (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Bronze na China, Rublev conseguiu se estabelecer primeiro entre os grandes jogadores. Atualmente com 20 anos, o jovem russo aparece no 73º lugar do ranking mundial e chegou a ocupar a 31ª posição. Ele já tem aum título de ATP 250, conquistado no saibro croata de Umag no ano passado, além de ter chegado às quartas de final do US Open de 2017.

Medalhista de Prata, o gaúcho Orlando Luz está com 20 anos. Há uma semana, o ex-líder do ranking mundial juvenil atingiu sua melhor marca como profissional, na 385ª posição. Treinando na Espanha desde o início do ano, Orlandinho aparecia apenas no 725º lugar em janeiro e já disputou três finais de future na temporada, com dois títulos. Já o polonês Kamil Majchrzak, campeão em 2014, está com 22 anos e ocupa o 178º lugar do ranking mundial, melhor marca de sua carreira, e já atingiu duas finais de challenger.

Vale destacar também a situação de Marcelo Zormann, hoje com 22 anos. Voltando a 2014, ele e Orlando Luz chegavam à China vindos do título juvenil de duplas em Wimbledon e conquistaram outro título de expressão. A final disputada em Nanjing foi contra dois russos que atualmente se destacam no circuito, o já citado Rublev e o atual 27º do ranking Karen Khachanov. Zormann tem três títulos de future, venceu quatro jogos de challenger na carreira e alcançou o 467º lugar do ranking. Atualmente na 889ª posição, o paulista de Lins decidiu fazer uma pausa na carreira para tentar superar a depressão e falou abertamente sobre seu momento pessoal em recente entrevista ao TenisBrasil.

Feminino
– Ouro: Xu Shilin (CHN)
– Prata: Iryna Shymanovich (BLR)
– Bronze: Akvile Parazinskaite (LTU)

Nenhuma das medalhistas em 2014 chegou ao top 100 da WTA e a lituana Akvile Parazinskaite já não joga mais profissionalmente

Nenhuma das medalhistas em 2014 chegou ao top 100 da WTA e a lituana Akvile Parazinskaite já não joga mais profissionalmente. (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Nenhuma das três medalhistas da chave feminina em Nanjing chegou ao top 100 no ranking da WTA. A lituana Akvile Parazinskaite, que ficou em terceiro lugar na cidade chinesa, não joga profissionalmente desde 2016, está sem ranking e teve como a melhor marca da carreira o 623º lugar.

Campeã em casa há quatro anos, a chinesa Xu Shilin chegou a liderar o ranking mundial juvenil e quase alcançou o top 200 entre as profissionais. Seu recorde pessoal foi o 202º lugar, alcançado em julho de 2016 e ela atualmente ocupa a 294ª colocação aos 20 anos. Vice em Nanjing, a bielorrussa Iryna Shymanovich está com 21 anos, ocupa o 490ª lugar na WTA e o melhor ranking de sua carreira foi o 367º lugar, alcançado ainda em 2014.

Se por um lado, nenhuma das medalhistas conseguiu vingar no circuito, a chave do torneio olímpico de Nanjing contou com duas jogadoras com evidente destaque na atualidade. A letã Jelena Ostapenko, que foi campeã de Roland Garros no ano passado e está no 18º lugar no ranking e a atual 14ª colocada russa Daria Kasatkina. A tcheca Marketa Vondrousova, atual 68ª do mundo, e a norte-americana Sofia Kenin, 50ª, também atuaram naquela competição.

CINGAPURA 2010

Feminino
– Ouro: Daria Gavrilova (RUS)
– Prata: Saisai Zheng (CHN)
– Bronze: Jana Cepelova (SVK)

Zheng está com seu melhor ranking, Gavrilova chegou ao top 20 no ano passado e Cepelova já foi top 50 e tem vitória sobre Serena Williams no currículo

Zheng está com seu melhor ranking, Gavrilova chegou ao top 20 no ano passado e Cepelova já foi top 50 e tem vitória sobre Serena Williams no currículo. (Foto: Paul Zimmer/ITF)

O pódio feminino da edição inaugural das Olimpíadas dos Jovens é o que mais confirmou as expectativas entre suas medalhistas, a começar pela campeã Daria Gavrilova. Atualmente com 24 anos e no 34º lugar do ranking, a jogadora nascida em Moscou ainda defendia a Rússia antes de assumir a nacionalidade australiana em 2015. Gavrilova conquistou o título do WTA Premier de New Haven em agosto do ano passado e chegou a figurar entre as 20 melhores tenistas do mundo.

Vice-campeã em Cingapura, Saisai Zheng vive o melhor momento da carreira aos 24 anos ao ocupar o 58º lugar do ranking. A chinesa alcançou pela primeira vez ao top 60 ainda em 2016, mas conviveu com problemas físicos. Ela ficou seis meses sem jogar por lesão no joelho direito e até saiu do top 100, mas vem recuperando posições desde julho, quando foi finalista do WTA de Nanchang.

Já a eslovaca Jana Cepelova está com 25 anos, chegou a ser top 50 e atualmente ocupa o 273º lugar do ranking. Ela tem uma expressiva vitória sobre Serena Williams, obtida na campanha até o vice-campeonato do Premier de Charleston, em 2014. A chave em Cingapura ainda tinha nomes como Elina Svitolina e Moninca Puig.

Masculino
– Ouro: Juan Sebastian Gomez (COL)
– Prata: Yuki Bhambri (IND)
– Bronze: Damir Dzumhur (BIH)

Campeão em Cingapura, o colombiano Juan Sebastian Gomez aparece atualmente apenas no 1.572º lugar do ranking da ATP

Campeão em Cingapura, o colombiano Juan Sebastian Gomez aparece atualmente apenas no 1.572º lugar do ranking da ATP. (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Campeão em Cingapura, o colombiano Juan Sebastian Gomez chegou a liderar o ranking mundial juvenil em 2010, ano em que completou 18 anos. Atualmente, ocupa a modesta posição de número 1.572 no ranking da ATP com somente dois pontos conquistados. Em sua carreira profissional, possui apenas um título de future em simples e mais sete de duplas e seu recorde pessoal no ranking foi o 496º lugar, alcançado em 2015.

O indiano Yuki Bhambri é o atual 97º do mundo e chegou à 83ª posição em abril deste ano. Já o bósnio Damir Dzumhur é quem conseguiu se manter na elite do circuito. O jogador de 26 anos já tem três títulos de ATP, aparece atualmente no 39º lugar do ranking e tem como recorde pessoal a 23ª colocação, alcançada em julho último.

Os próximos passos de Wild e o ano dos juvenis brasileiros
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 12, 2018 às 9:33 pm

Thiago Wild fez história para o tênis brasileiro ao se tornar apenas o segundo jogador nacional a ganhar um título de simples em um Grand Slam juvenil e o primeiro a fazê-lo no US Open. Apesar da euforia pela conquista inédita e a realização de um sonho, o paranaense de 18 anos se mantém fiel às convicções de que precisa fazer uma boa transição para o circuito profissional. Ele já ensaia os próximos passos na nova etapa da carreira. Dono de dois títulos profissionais de nível future, o primeiro em Antalya na Turquia no ano passado e o segundo na cidade paulista de São José do Rio Preto em abril, Wild já ocupa o 461º lugar do ranking da ATP.

Após a conquista em Nova York, Wild retornou ao Rio de Janeiro e se prepara para uma série de challengers pela América Latina até o final da temporada. Seu primeiro compromisso será em solo brasileiro, na cidade paulista de Campinas a partir de 1º de outubro. Na semana seguinte, o paranaense segue para Santo Domingo, na República Dominicana. Depois de uma semana sem competições, Wild volta ao saibro sul-americano para cinco torneios seguidos em Lima, Guayaquil, Montevidéu, Buenos Aires e o challenger do Rio de Janeiro a partir de 19 de novembro. Até por isso, não disputará o ITF Junior Masters na China, que acontece entre os dias 22 e 28 de outubro.

“É um sonho de criança que tinha vencer um Grand Slam e ter meu nome nos grandes torneios. Era minha última chance no juvenil nesse nível, agora daqui pra frente é manter os pés no chão e trabalhando com minha equipe da Tennis Route que me apoia desde meus 14 anos”, disse Wild, por meio de sua assessoria. O paranaense de Marechal Cândido Rondon treina no Rio de Janeiro com Arthur Rabelo, João Zwetsch, Duda Matos e o preparador físico Alex Matoso.

“Essa conquista não muda nada para mim, tenho que seguir na mesma linha de trabalho, seguir na mesma pegada. Pode ser que algumas portas se abram para mim como patrocínio e mídia, mas isso não vai mudar minha cabeça e meu foco que é no profissional que é onde poderei viver do tênis e atingir objetivos de ser um dos melhores do mundo”, acrescentou o jogador que completou 18 anos em março.

September 9, 2018 - 2018 US Open Junior Boy's Singles Champion Thiago Seyboth Wild.

Thiago Wild é o segundo brasileiro a vencer um título juvenil de Grand Slam (Foto: Garrett Ellwood/USTA)

Na entrevista coletiva que deu em Nova York depois de vencer a final contra o italiano Lorenzo Musetti por 6/1, 2/6 e 6/2, Wild reiterou que o período de comemoração será curto. “Ganhar um Grand Slam é o maior sonho de todo jogador juvenil. Alcançar isso na minha última chance torna ainda mais especial para mim. Mas tenho que continuar trabalhando porque agora minha carreira juvenil acabou. A transição para os profissionais é muito mais difícil do que o circuito juvenil. Acho que vou ter que me concentrar nisso a partir de agora”.

Wild também falou sobre o aprendizado que teve pela semifinal alcançada no saibro de Roland Garros, em junho, quando ainda se recuperava de lesão no ombro e não atuou em seu melhor nível. “Estar na semifinal de um Grand Slam já era uma coisa enorme a ser feita, mas eu senti que queria mais porque não estava satisfeito com aquela semifinal. Eu estava lesionado naquela partida e estava sem treino por três semanas, porque não conseguia levantar o braço. Eu não pude fazer nada. Quando cheguei aqui nesta semana, eu só me concentrei em mim e no meu tênis”.

“Acho que, independentemente da sua superfície favorita, o tênis é um esporte que você pode jogar em qualquer quadra, seja qual for a bola”, avalia o jovem jogador de 18 anos. “É basicamente um jogo mental, e se você tem um mental forte e tem a mentalidade de jogar na grama, nas quadras duras, ou no saibro, pode jogar do jeito que quiser em qualquer quadra, com qualquer outra bola e contra qualquer adversário”.

Outra experiência significativa na trajetória do paranaense é a semifinal de duplas alcançada no ano passado em Nova York. “Eu não gosto muito de jogar duplas, mas foi o que consegui no ano passado e aprendi muito com isso. Foi, tipo, ‘Ok, eu cheguei às semifinais em duplas. Por que não posso fazer isso em simples? Qual é o problema de fazer isso sozinho sem ninguém ao meu lado?’ Acho que simples e duplas são dois jogos diferentes. Você tem que aprender a jogar com alguém ao seu lado, você tem que aprender a jogar em equipe. E em simples você pode se concentrar em si mesmo e pensa: ‘Eu tenho que fazer isso’. Não há ninguém para te ajudar. Tem muito mais pressão. Mas acho que lidei muito bem com isso”.

Voltando ao mês de abril, quando conquistou o future de Rio Preto, Wild falou ao TenisBrasil sobre o que tem feito para seguir evoluindo. Um dos principais fatores é a aposta na meditação para fortalecer seu lado mental. “Faço um trabalho mental com uma psicóloga esportiva. E medito praticamente todo dia para canalizar a energia e conseguir manter bem a concentração. É um problema que eu tenho. Perco a concentração muito rápido”.

Na época, o paranaense também estabeleceu a meta de terminar o ano no top 200 do ranking da ATP. O objetivo é evitar cair no chamado circuito de transição, que irá substituir os torneios de nível future em 2019 e que não dará mais pontos no ranking. “Pretendo jogar só challengers no segundo semestre, justamente para ficar fora desse ranking de transição. Acho que é uma coisa bem palpável, porque estou jogando bem e venho crescendo”, disse Wild na época. “Uma meta que eu estipulei no ano passado é o ano terminar entre os 200 do mundo. Acho que é uma coisa palpável até o final do ano. Preciso de alguns resultados bons, como todo mundo que quer subir precisa, mas acho que esse é o objetivo principal”.

RAIO-X DOS JUVENIS BRASILEIROS

Assim como feito nas duas últimas temporadas, o blog levantou todos os resultados dos jovens atletas nacionais nos quatro principais torneios da temporada e comparou com o desempenho mostrado em anos anteriores. Estão disponíveis os links para os posts de 2016 e também de 2017

geral

Os resultados em 2018 foram bastante superiores em relação às últimas temporadas. Depois de apenas duas vitórias brasileiras em 2016 e outras cinco no ano passado, a atual temporada contou com 22 vitórias de atletas nacionais. Campeão do US Open e semifinalista de Roland Garros, Thiago Wild venceu onze jogos. O brasiliense Gilbert Klier Júnior conseguiu quatro vitórias, três delas na campanha até as quartas de final em Wimbledon. O pernambucano João Lucas Reis e os paulistas Igor Gimenez e Mateus Alves venceram dois jogos cada um. Já o paulista Matheus Pucinelli conseguiu uma vitória na Austrália. Ao todo, seis jogadores diferentes venceram partidas de Grand Slam.

Também houve aumento na participação brasileira em relação aos dois últimos anos. Ao todo, foram oito jogadores disputando os torneios juvenis de Grand Slam, sete meninos e uma menina. Em 2016, apenas quatro juvenis diferentes estiveram nas chaves principais, com apenas cinco ano passado. Entretanto, quase todos os brasileiros que atuaram em chaves juvenis de Grand Slam estavam no último ano do circuito juvenil: É o caso de Wild, Klier, Reis, Gimenez, Reyes e Ana Paula Melilo. Apenas Mateus Alves e Matheus Pucinelli, nascidos em 2001, têm mais um ano de juvenil pela frente. É possível que no próximo ano, nomes como Natan Rodrigues e João Ferreira tenham a oportunidade de disputar chaves principais de Grand Slam.

É bom destacar que Klier também teve bons resultados fora dos Grand Slam. O brasiliense de 18 anos iniciou a temporada conquistando a Copa Paineiras, torneio Sul-Americano Individual disputado em São Paulo. Já em agosto, ele venceu o ITF de College Park, em Maryland, evento de nível G1 nos Estados Unidos e preparatório para o US Open. Dessa forma, ele chegou a figurar entre dos dez melhores juvenis do mundo.

ranking meninos

No feminino, quem pode buscar uma vaga é a canhota paulista de 17 anos Ana Luiza Cruz, que está com o melhor ranking da carreira no 172º lugar. Mesmo que não consiga uma vaga direta por conta do ranking, há a possibilidade de vencer as seletivas do Roland-Garros Junior Wild Card Competition, que tem uma fase nacional e um triangular final com atletas da Índia e da China. Foi dessa forma que Ana Paula Melilo conseguiu sua vaga no Grand Slam francês.

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Australian Open

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Depois de dois anos sem representantes brasileiros  -sendo que em 2017, nenhum sul-americano disputou o torneio- o Australian Open voltou a ter jogadores nacionais na chave juvenil. O paulista Igor Gimenez teve o melhor resultado ao vencer dois jogos na chave principal e chegar às oitavas, repetindo a campanha que Marcelo Zormann fez em 2014. O Brasil tem um título em 2010 com o alagoano Tiago Fernandes, que encerrou a carreira em 2014, aos 21 anos.

Roland Garros

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Sete brasileiros disputaram o torneio juvenil de Roland Garros, um a mais que no ano passado. A representação foi a maior desde 2012. Thiago Wild se destacou com as semifinais de simples e duplas, embora ainda sofresse com uma lesão no ombro. Outro bom resultado veio com o pernambucano João Lucas Reis, que alcançou as oitavas. Mateus Alves furou o quali e ainda venceu mais um jogo na chave principal, enquanto Gilbert Klier também venceu um jogo. Apenas Mateo Reyes e Ana Paula Melilo não venceram no torneio principal, enquanto Igor Gimenez e João Ferreira caíram ainda na fase classificatória.

Nos últimos anos, o Brasil já teve representantes em três finais de duplas. Beatriz Haddad Maia foi vice-campeã nas temporadas de 2012 e 2013, enquantoo gaícho Orlando Luz repetiu a dose em 2016. O gaúcho Guilherme Clezar também já foi vice de duplas em 2009. Em simples, Thomaz Koch jogou duas finais seguidas em 1962 e 1963, Edison Mandarino foi vice em 1959, mesma campanha de Luis Felipe Tavares em 1967.

Wimbledon

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Com seis brasileiros, a equipe nacional em Wimbledon teve sua maior representação desde 2014. O brasiliense Gilbert Klier Júnior venceu três jogos antes de perder um equilibrado duelo sul-americano contra o cabeça 5 colombiano Nicolas Mejia nas quartas de final. Nas duplas, João Lucas Reis e Matheus Pucinelli também caíram nas quartas de final.

Desde 2008 que um brasileiro não chegava tão longe na chave juvenil de simples em Wimbledon. O último a conseguir tal campanha foi o canhoto Henrique Cunha. Flavio Saretta também fez quartas em 1998. O último brasileiro semifinalista foi Marcus Vinicius Barbosa, o Bocão, em 1987, enquanto as melhores campanhas nacionais foram os vice-campeonatos de Ivo Ribeiro em 1957 e Ronald Barnes em 1959. O melhor resultado recente foi o título de duplas de Orlando Luz e Marcelo Zormann em 2014.

US Open

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Em Nova York, o Brasil teve seu menor número de jogadores, mas o melhor resultado da história com o título de Thiago Wild. Apenas Gilbert Klier entrou diretamente na chave por conta do ranking, enquanto Mateus Alves furou o quali e avançou uma rodada na chave principal e Igor Gimenez perdeu ainda na fase classificatória. Wild foi o primeiro brasileiro a disputar uma final de simples em Nova York. Em toda a história o país esteve em oito finais de Grand Slam, com sete jogadores diferentes.

Antes da histórica conquista do paranaense, os melhores resultados recentes foram nas duplas. Além da semifinal alcançada pelo próprio Wild no ano passado, a parceria nacional formada pelo gaúcho Rafael Matos e o mineiro João Menezes ficou com o vice-campeonato em 2014. Já em 2016, Felipe Meligeni Alves conquistou o título junto do boliviano Juan Carlos Aguilar.

Quando voltou a sorrir, Osaka voltou a vencer
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 10, 2018 às 8:43 pm

Menos de seis de meses depois de conquistar o primeiro título da carreira em Indian Wells e de experimentar uma mudança significativa em sua vida e em sua rotina no circuito, passando a lidar com o favoritismo e a pressão, Naomi Osaka passa por mais uma nova experiência. Com apenas 20 anos, a japonesa é uma campeã de Grand Slam, a primeira da história de seu país.

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Desde a conquista na Califórnia em março, quando saltou do 44º para o 22º lugar do ranking com os 1.000 pontos obtidos, Osaka vinha obtendo poucos resultados expressivos. Destaques para a vitória em Miami sobre uma Serena Williams, que ainda fazia seu segundo torneio desde o nascimento da filha, e para uma semifinal alcançada na grama inglesa de Nottingham.

O título no US Open em uma campanha com apenas um set perdido – para a top 20 bielorrussa Aryna Sabalenka nas oitavas de final – e com uma nova e muito mais expressiva vitória sobre Serena na final coincide com o momento em que Osaka voltou a sorrir. Três semanas antes da conquista, a japonesa se expressou por meio de suas redes sociais sobre como vinha lidando mentalmente com a carreira. Osaka admitiu que sua vida havia mudado muito desde a conquista em Indian Wells, mas que sentia estar voltando à direção certa e que estava novamente se divertindo em jogar tênis.

https://twitter.com/Naomi_Osaka_/status/1030201441309343749

Olá, esse post como uma pequena atualização haha

As últimas semanas foram muito duras para mim. Eu não sentia muito bem a bola e isso me levou a um ponto em que eu comecei a ficar muito frustrada e deprimida durante os treinos. Tive muita pressão no começo da temporada de quadras duras, porque havia senti que havia muita expectativa sobre mim desde Indian Wells e eu não me sentia mais uma ‘zebra’, o que é totalmente novo para mim.

Se alguém acompanhou o torneio de Cincinnati deve saber que que no jogo que eu perdi eu dei um passo na direção certa. As coisas não estavam funcionando da maneira como eu queria, mas finalmente eu senti que estava me divertindo ao jogar tênis, oq eu não sentia desde Miami. Então estou muito feliz e animada por isso e gostaria de compartilhar meus sentimentos com vocês. Atualização terminada. Vejo vocês em Nova York.

Já com o troféu de Grand Slam em mãos, Osaka falou ao site da WTA sobre aquela postagem em suas redes sociais. “Eu postei aquilo porque eu senti que precisava compartilhar meus pensamentos, porque é para isso que serve a rede social. E eu sei que muitas pessoas poderiam estar preocupadas sobre como eu estava”.

Com suas já características timidez e naturalidade, a jovem japonesa de 20 anos comentou se está pronta para mais uma mudança de status. “Acho que uma parte de mim está, mas ao mesmo tempo, tudo o que está acontecendo é um pouco estanho. Mas acho que é mais interessante ter uma mudança na vida em vez de permanecer na mesma”, comentou. “Além disso, sinto que há muita coisa acontecendo. Tudo está acontecendo muito rápido, então eu ainda não tive a chance de processar tudo isso”.

O trabalho com Sascha

Osaka começou a temporada no 68º lugar do ranking e teve como novidade na equipe a chegada do alemão Sascha Bajin, que trabalhou durante oito anos como rebatedor de Serena Williams e ainda fez parte das equipes das também ex-líderes do ranking Victoria Azarenka e Caroline Wozniacki. O trabalho ao lado de Osaka é seu primeiro como técnico principal de uma jogadora.

Antes do início do US Open, Bajin falou ao New York Times sobre as expectativas de trabalho com Osaka. “Eu bati bola com Serena quase todos os dias durante oito anos, e as armas no jogo de Naomi são tão potentes quanto as dela”, avaliou o treinador. “Ela não tem medo das quadras grandes e é também por isso que acredito que há muita grandeza dentro dela”.

Agora número 7 do mundo e quarta colocada na corrida por uma vaga no WTA Finals, Osaka já tem 35 vitórias no ano, quase o dobro de vitórias que conquistou no ano passado. A japonesa havia vencido apenas 18 dos 40 jogos que disputou na última temporada.

Obediência tática e equilíbrio emocional fizeram a diferença

Os resultados da semifinal contra Madison Keys e da final diante de Serena Williams foram os mesmos, com parciais de 6/2 e 6/4. Nos dois jogos, o equilíbrio emocional fez a diferença a favor da japonesa. Pela penúltima rodada, Osaka enfrentou treze break points na partida e não teve o serviço quebrado, encaixando ótimos saques nos momentos mais importantes. Valeu também explorar uma característica de Keys. Sabendo que a norte-americana gosta de tentar a definição dos pontos mesmo quando pega a bola na corrida, em vez de tentar alguma bola de segurança, a japonesa ganhou muitos pontos quando utilizava boas cruzadas e via as respostas da anfitriã pararem na rede.

Dois dias depois, Osaka encarava uma Serena muito diferente da que enfrentou em Miami. A veterana de 36 anos estava a uma vitória do 24º título de Grand Slam e do sétimo US Open da carreira e vinda de ótimas apresentações nas rodadas anteriores. A japonesa fez um primeiro set impecável. Depois de sair de um 0-30 logo em seu primeiro game de serviço, a jovem jogadora soube aproveitar os momentos em que Serena não sacou tão bem e a fez jogar. Não quis encurtar ponto nenhum e esperou por suas chances, que aconteceram e renderam duas quebras. Quando já vencia por 4/1, saiu de dois break points.

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Osaka também manteve o foco na partida mesmo quando o ambiente no Arthur Ashe Stadium ficou hostil após as punições impostas a Serena pelo árbitro português Carlos Ramos: Uma advertência por coaching -cuja culpa recai muito mais ao técnico Patrick Mouratoglou que à ex-número 1 do mundo- e o point penalty por abuso de material (quebrar uma raquete) e o game penalty por ofensa verbal ao árbitro, chamado por Serena de “ladrão” e “mentiroso”. Osaka esteve com quebra atrás no segundo set e devolveu de imediato. Teve que sacar logo depois da punição com a perda de um ponto de Serena, e confirmou o serviço rapidamente. Sacou para o jogo e confirmou a vitória sem ter o serviço ameaçado no game decisivo. Uma postura admirável.

A idolatria por Serena

Ao longo de sua carreira profissional, Osaka nunca escondeu a idolatria e admiração por Serena Williams. Ainda em 2014, quando derrotou a ex-top 5 e campeã de Slam Samantha Jane Stosur em Stanford, Serena fez questão de pedir para tirar uma foto com Serena, que era número 1 do mundo e principal nome daquele torneio. E suas aspirações de se tornar a melhor jogadora possível têm Serena como modelo a seguir.

Quando venceu Keys na semifinal, a japonesa falou ainda em quadra que “ama Serena” e que uma de suas maiores fontes de motivação para vencer Keys seria a chance de enfrentar Serena na final do US Open. Como lidar mentalmente com tudo isso diante de um ídolo no jogo mais importante de sua carreira? A resposta foi simples: “Quando pisei na quadra, não era a fã da Serena – eu era apenas uma jogadora enfrentando outra jogadora. Mas quando eu a abracei na rede, me senti como uma criança novamente”.

Entender, mas não justificar

Muito se falou sobre a postura de Serena na final. Nada justifica as ofensas dirigidas ao árbitro, que apenas cumpriu as regras e não cometeu nenhum tipo de abuso de autoridade. Parte da indignação de Serena é compreensível e deve ser levada em consideração no futuro, mas não anula o julgamento correto por parte de Carlos Ramos e sua necessidade de reconhecer os erros que cometeu.

Por tudo o que a Serena já foi injustamente obrigada a ouvir ao longo da carreira, qualquer sugestão de que ela teria infrigido qualquer regra mexe demais com ela. É alguém que bate muito na tecla do “jogar limpo”, e que sempre teve que provar isso. Serena pode não ter visto o coaching, até porque nem precisa disso, e se sentir injustiçada. Mas as imagens são claras de que Mouratoglou passou instruções e ele admitiu a atitude posteriormente. Se o treinador passa instrução, ainda que o atleta sequer perceba, e isso é visto pelo árbitro, o jogador tem que ser punido.

As punições subsequentes vieram na esteira da anterior e a reincidência de Serena fez com que a situação se agravasse com a perda de um ponto e um game. A norte-americana pode ter jogado limpo com a relação a não precisar do coaching, mas a partir do momento em que houve um desvio de conduta por parte de seu treinador, não há o que fazer. O abuso de material e as ofensas verbais também são passíveis de justas punições. É válido colocar em discussão de que outros árbitros não tenham o mesmo rigor, especialmente em jogos com estrelas do circuito masculino, mas o certo é exigir que os demais façam o mesmo.

Patrick Mouratoglou treina a Serena desde 2012, depois de ela ter sido eliminada na primeira rodada de Roland Garros, na única vez em sua carreira em que perdeu na estreia de um Grand Slam. Participou de 10 dos 23 títulos de Grand Slam. Foi peça fundamental para superar a barreira dos 18 títulos. Mas este ano, atitudes e declarações têm sido desencontradas. Talvez seja hora de virar a página.

A conquista de Wild: Ainda nesta semana sai um post sobre a histórica conquista de Thiago Wild no torneio juvenil do US Open e a terceira edição com o raio-x dos juvenis brasileiros na temporada

O que esperar da nova geração no US Open
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 26, 2018 às 8:46 pm

Último Grand Slam do ano, o US Open dá a largada nesta segunda-feira. Entre os 256 nomes presentes nas chaves de simples, com 128 homens e 128 mulheres, vários nomes da nova geração do circuito estarão presentes em Nova York. Entretanto, os jovens jogadores têm diferentes ambições no Slam americano, entre os que buscam o título ou uma boa campanha, os que estão na rota dos favoritos e os que terão suas primeiras experiências em torneios deste tamanho.

A aposta de Zverev

Principal nome da nova geração do circuito masculino, Alexander Zverev disputará o 14º Grand Slam de sua carreira profissional e tenta se livrar de um histórico negativo. Número 4 do mundo e vencedor de nove torneios da ATP, incluindo três Masters 1000, o alemão de 21 anos tem como melhor resultado em um Major as quartas de final de Roland Garros este ano. Antes disso, só chegou às oitavas uma vez, na grama de Wimbledon no ano passado. Em Nova York, são três participações e apenas duas vitórias.

Disposto a mudar esse quadro, Zverev faz uma aposta que já deu deu certo com Andy Murray. Ele será treinado pelo ex-número 1 do mundo Ivan Lendl, que esteve presente nos três Grand Slam da carreira do britânico -sendo mais atuante nos dois primeiros, US Open de 2012 e Wimbledon em 2013. Outro que fez parte do time de Murray e agora trabalha com Zverev é o preparador físico Jez Green.

Zverev terá a parceria de Ivan Lendl no US Open (Foto: Andrew Eichenholz/ATP)

Zverev terá a parceria de Ivan Lendl no US Open (Foto: Andrew Eichenholz/ATP)

Em entrevista coletiva na última sexta-feira, Zverev foi bem claro sobre seus objetivos com Lendl. “A razão pela qual estou com ele é competir e vencer os maiores torneios do mundo. Essa é a única razão pela qual ele se juntaria também”, disse o alemão. “Ele foi vencedor como jogador e como técnico, então ele sabe o que é preciso. Ele sabe como tornar os melhores jogadores ainda melhores. É por isso que eu o trouxe”.

A estreia de Zverev no US Open será contra o canadense de 30 anos e 120° do ranking Peter Polansky, jogador que conseguiu a rara façanha de entrar como lucky loser na chave de todos os Grand Slam de 2018. Se vencer, o alemão pode enfrentar o tcheco Jiri Vesely ou o convidado francês Corentin Moutet. O cabeça de chave mais próximo é o sérvio Filip Krajinovic, 32º favorito.

Kei Nishikori e Diego Schwartzman podem pintar nas oitavas, enquanto Marin Cilic e David Goffin são possíveis adversários nas quartas. O alemão está no mesmo lado da chave de Roger Federer e Novak Djokovic, e pode enfrentá-los na semi, enquanto Rafael Nadal, Juan Martin del Potro, Andy Murray e Stan Wawrinka estão do outro lado da chave.

O duelo canadense

As duas principais promessas do tênis masculino canadense irão se enfrentar logo na primeira rodada do US Open. Depois que Felix Auger Aliassime, de 18 anos, passou pelo qualificatório e garantiu vaga em sua primeira chave principal de Grand Slam, o sorteio o colocou para enfrentar o compatriota de 19 anos Denis Shapovalov. Eles se enfrentam já nesta segunda-feira, não antes das 18h (de Brasília) na quadra Grandstand.

Felix Auger Aliassime, de 18 anos, disputará seu primeiro Grand Slam e enfrentará Denis Shapovalov (Foto: Andrew Eichenholz/ATP)

Felix Auger Aliassime, de 18 anos, disputará seu primeiro Grand Slam e enfrentará Denis Shapovalov (Foto: Andrew Eichenholz/ATP)

Será a segunda vez que os dois jovens canadenses se enfrentam no circuito profissional, sendo que Shapovalov levou a melhor no challenger de Drummondville no ano passado. Enquanto Auger-Aliassime é um estreante em Grand Slam e ocupa o 116º lugar do ranking, Shapovalov é o atual número 26 do mundo e já acumula seis vitórias e cinco derrotas nos principais torneios do calendário, com direito a uma campanha até as oitavas no ano passado.

Quem chega com moral

Com títulos, boas campanhas ou vitórias expressivas nos torneios preparatórios para o US Open, a bielorrussa Aryna Sabalenka, o grego Stefanos Tsitsipas e o russo Daniil Medvedev chegam embalados ao Grand Slam nova-iorquino e com chances de surpreender. Entretanto, Tsitsipas e Medvedev podem se enfrentar já na segunda rodada.

https://twitter.com/StefTsitsipas/status/1028873210652229633

Tsitsipas, de 20 anos, foi semifinalista em Washington e vice-campeão do Masters 1000 de Toronto. No caminho, conquistou vitórias contra David Goffin, Alexander Zverev, Dominic Thiem, Novak Djokovic e Kevin Anderson. Com isso, subiu do 32º para o 15º lugar do ranking mundial. Um ano atrás, ele aparecia apenas na 161ª posição. Já Medvedev, 22, conquistou no último sábado o segundo título de ATP na carreira em Winston Salem e debutará no top 40.

A estreia de Tsitsipas será contra o veterano espanhol de 36 anos Tommy Robredo, enquanto Medvedev terá um duelo russo contra Evgeny Donskoy. O cabeça de chave mais próximo desses dois jovens embalados é o também promissor croata de 21 anos e número 20 do mundo Borna Coric, que estreia contra o experiente alemão Florian Mayer. Quem passar por esse setor pode enfrentar Andy Murray ou Juan Martin del Potro nas oitavas.

Quem chega embalada na chave feminina é Aryna Sabalenka, bielorrussa de 20 anos, que debutará no top 20 do ranking mundial depois de ter vencido o WTA Premeir de New Haven no último sábado. Há um ano, Sabalenka não estava nem no top 100, já que ela só entraria nesse grupo no dia 16 de outubro de 2017.

Aryna Sabalenka venceu quatro jogos contra top 10 nas últimas semanas e conquistou seu primeiro WTA em New Haven (Foto: WickPhoto)

Aryna Sabalenka venceu quatro jogos contra top 10 nas últimas semanas e conquistou seu primeiro WTA em New Haven (Foto: WickPhoto)

Nas últimas três semanas, a jovem bielorrussa anotou quatro de suas cinco vitórias contra top 10 na carreira. Ela iniciou essa série vencendo Caroline Wozniacki em Montréal. Depois, no caminho para a semifinal em Cincinnati, derrotou Karolina Pliskova e Caroline Garcia. Já em New Haven, derrubou a número 9 do mundo Julia Goerges na semifinal.

Na rota dos favoritos

Entre os nomes que estão muito próximos de favoritos e podem protagonizar bons jogos na primeira semana em Nova York, destaque para o russo Karen Khachanov, o chileno Nicolas Jarry, a ucraniana Dayana Yastremska e a norte-americana Amanda Anisimova.

Jarry está com o melhor ranking da carreira, no 42º lugar, e estreia contra o alemão Peter Gojowczyk. Se vencer, pode cruzar o caminho do anfitrião e 11º favorito John Isner já na segunda rodada. Já Khachanov fez uma ótima campanha no Masters 1000 de Toronto, onde foi semifinalista e alcançou o top 30. Atual 26º do ranking, o russo de 22 anos é o cabeça de chave mais próximo de Rafael Nadal e pode enfrentar o número 1 do mundo na terceira rodada em Nova York. A estreia de Khachanov será contra o espanhol Albert Ramos e depois podem vir o italiano Lorenzo Sonego ou o luxemburguês Gilles Muller.

A ucraniana de 18 anos Dayana Yastremska será treinada por Justine Henin em NY

A ucraniana de 18 anos Dayana Yastremska será treinada por Justine Henin em NY

Primeira jogadora nascida a partir de 2000 a figurar no top 100 da WTA, a ucraniana de 18 anos e 98ª colocada Dayana Yastremska disputará seu primeiro Grand Slam em Nova York. Ela será treinada pela ex-número 1 do mundo Justine Henin, bicampeã do torneio nos anos de 2003 e 2007. A belga ainda cedeu o preparador físico Eric Houben, com quem trabalhou durante boa parte da carreira. A estreia de Yastremska será contra a tcheca de 22 anos e vinda do quali Karolina Muchova, 202ª do ranking. Caso a ucraniana consiga passar por sua primeira adversária, há chance de um duelo contra a ex-número 1 do mudo e atual 12ª colocada Garbiñe Muguruza.

Já a convidada Amanda Anisimova é uma das duas jogadoras de 16 anos na chave feminina. Atual 135ª do ranking mundial, ela disputará seu segundo Grand Slam, já que ela também esteve em Roland Garros. Ela já tem até vitória contra top 10, conquistada sobre Petra Kvitova em Indian Wells. A estreia de Anisimova será contra a norte-americana Taylor Townsend e depois pode cruzar o caminho da cabeça 10 letã Jelena Ostapenko, que tem uma estreia difícil contra a experiente alemã Andrea Petkovic.

Os mais jovens

Ao todo, trinta jogadores disputarão um Grand Slam pela primeira vez em Nova York, sendo vinte no masculino e dez no feminino. Como era esperado, os atletas mais jovens de cada chave são convidados vindos do torneio nacional juvenil da USTA, disputado no início do mês. Os convites ficaram para Whitney Osuigwe, de 16 anos, e para Jenson Brooksby, 17.

Ex-líder do ranking juvenil, Whitney Osuigwe é a mais jovem da chave feminina, com 16 anos.

Ex-líder do ranking juvenil, Whitney Osuigwe é a mais jovem da chave feminina, com 16 anos.

Nascida no dia 17 de abril de 2002, Osuigwe já liderou o ranking mundial juvenil e foi campeã de Roland Garros na categoria em 2017. Ela ocupa o 391º lugar na WTA e estreia contra a italiana Camila Giorgi, 45ª do ranking. Se vencer, certamente enfrentará uma campeã de Grand Slam na segunda rodada, vinda do duelo entre Svetlana Kuznetsova e Venus Williams.

Brooksby é bem menos conhecido. Seu melhor ranking como juvenil foi o 152º lugar em maio. Já como profissional, ocupa apenas 1.229ª posição e venceu somente cinco jogos de nível future na carreira. Seu adversário de estreia em Nova York será o australiano John Millman, 55º do mundo.