A disciplinada Osaka e a artista Kasatkina
Por Mario Sérgio Cruz
março 18, 2018 às 12:52 am
A final feminina em Indian Wells, marcada para às 15h (de Brasília) deste domingo, coloca em lados opostos duas integrantes da nova geração do circuito e adeptas de estilo de jogo bastante distintos. Enquanto Naomi Osaka devolve muito bem saque e bate forte na bola dos dois lados, Daria Kasatkina consegue variar alturas, direções e velocidades. Em comum entre elas, além dos 20 anos de idade, está o caminho cheio de adversárias expressivas que elas precisaram superar. Juntas, Osaka e Kasatkina eliminaram cinco campeãs de Grand Slam e seis jogadoras que já estiveram ou que ocupam atualmente a primeira posição do ranking mundial.

Designada como cabeça de chave número 20, Kasatkina entrou diretamente na segunda rodada, fase em que superou a tcheca Katerina Siniakova. Depois disso, a jovem russa que ocupa o 19º lugar do ranking só passou por campeãs de Grand Slam: Ela eliminou Sloane Stephens na terceira rodada, passou por Caroline Wozniacki nas oitavas, cedeu apenas dois games a Angelique Kerber nas quartas e virou o jogo contra Venus Williams na semifinal.

Osaka, que é 44ª do mundo, estava no setor mais duro da chave. Logo na primeira rodada, teve que desafiar Maria Sharapova e venceu em dois sets. Dois dias depois, passou pela ex-número 2 do mundo Agnieszka Radwanska com apenas cinco games perdidos. A chave poderia colocá-la diante da terceira colocada Garbiñe Muguruza já na fase seguinte, mas a queda da espanhola para Sachia Vickery abriu o caminho para a japonesa, que passou pela americana vinda do quali e também pela grega Maria Sakkari. Nas quartas, duelo com a quinta do ranking Karolina Pliskova e rápida vitória por 6/3 e 6/2. Já na penúltima rodada, uma atuação ainda mais convincente e assustadores 6/3 e 6/0 contra a número 1 do mundo Simona Halep.

2018-03-17

Os estilos – Kasatkina é umas das jogadoras mais dotadas de recursos técnicos na elite do circuito. A russa faz jogar tênis parecer fácil e deve ter nascido para fazer o que bem entende com a bolinha. Com naturalidade, ela consegue fazer uma transição da defesa para o ataque, tirar um drop shot da cartola, entrar na cabeça da adversária com slices de backhand ou até mesmo bater o revés saltando ao estilo de Marat Safin e Gael Monfils. Se precisar, ela faz tudo no mesmo ponto.

Osaka é mais pragmática. A japonesa, que se destaca no circuito desde uma vitória sobre Samantha Stosur há quase quatro anos em Stanford, aposta em um jogo mais agressivo e já declarou que procura não olhar muito para quem está do outro lado da rede para não comprometer seu foco no que precisa fazer. Contra Simona Halep, a asiática conseguiu se impor e deixar a número 1 do mundo sem respirar.

Diante de Pliskova, dona de um dos melhores saques do circuito, Osaka não quis esperar as bombas da tcheca muito longe da linha de base. Pelo contrário, a japonesa agredia até mesmo o primeiro serviço da ex-número 1 do mundo. Além disso, a própria Pliskova admite sua dificuldade contra adversárias que tentam mudar muito a direção da bola fazendo com que a tcheca tenha que correr e bater desequilibrada. E foi exatamente isso o que Osaka executou. A aplicação tática da japonesa treinada por Sascha Bajin foi invejável nos dois últimos jogos.

 

 

 

 

O que disseram – Depois de vencer uma batalha de 2h48 contra Venus Williams na última sexta-feira, Kasatkina disse que para vencer um jogo tão importante seria preciso aproveitar as poucas chances que aparecessem. “Eu sabia que se eu tivesse uma chance, teria que aproveitar imediatamente”, explicou Kasatkina após a vitória por 4/6, 6/4 e 7/5. “Porque nesse nível, você pode ter poucas oportunidades por set ou por jogo. E se você não as usar, pode perder a partida depois. Então, a coisa mais importante foi perceber quando eu tinha chances e aproveitá-las”.

Apesar disso, a jovem russa também tentou aproveitar a experiência de enfrentar uma jogadora do calibre de Venus Williams em um torneio tão grande. “Às vezes eu estava sorrindo na quadra”, elaborou a russa. “Em um momento, você simplesmente começa a pensar que está na sessão noturna, com o estádio cheio, jogando contra uma lenda. Então eu começava a pensar: ‘Talvez seja o momento da minha vida’ e então eu consegui curtir esse momento”.

Quando eliminou Kerber nas quartas, destaque de novo para o equilíbrio emocional e para a capacidade de repetir durante o jogo os mesmos movimentos das quadras de treinos. “Não foi uma partida fácil, mas eu estava fazendo as coisas certas para ganhar. Tudo o que mostrei hoje, eu estava fazendo nos treinos, então eu estava jogando muito calma”, explicou após a vitória por 6/0 e 6/2 diante da ex-número 1 do mundo.

“Entendo que era uma partida realmente importante, de quartas de final, em um torneio grande e na quadra central”, comentou. “Mas eu estava tentando evitar pensar nessas coisas e simplesmente entrar na quadra sem dúvidas e sem qualquer pensamento que pudessem colocar pressão sobre mim mesma. Na verdade, minha cabeça estava bastante vazia. Essa foi a melhor coisa”.

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Tentar evitar a pressão é algo que Osaka também quis fazer. “Ganhar o torneio seria bom, mas não estou tentando me pressionar. Todas as jogadoras que enfrentei aqui sofriam com pressão sobre elas porque eram cabeças de chave, então estou tentando não fazer isso comigo mesma”, falou depois de superar Simona Halep na madrugada deste sábado.

Em seus dois últimos jogos, Osaka derrotou jogadoras para quem havia perdido anteriormente e sabe o que fez de diferente para mudar o resultado. Contra Pliskova, que a derrotou no ano passado em Toronto, era preciso ser mais agressiva. “Eu já havia enfrentado ela antes e por isso sabia o que esperar. Antes, cometi muitos erros não forçados sem ir realmente para as bolas. Desta vez me comprometi um pouco mais em ser agressiva, mas também em ficar nos ralis mais longos. Estou muito feliz com o resultado que conquistei”.

Já contra Halep, que havia levado a melhor nos três embates anteriores, era preciso errar menos. “Eu realmente tentei ser consistente. Penso que na Austrália eu cometi muitos erros, e eu meio que entreguei o jogo, então eu tentei ser um pouco irritante e colocar mais devoluções em quadra”, disse a japonesa que também reconheceu que a romena não jogou bem. “Fiquei um pouco surpresa, especialmente o início do segundo set, porque sinto que ela me deu pontos de graça, mas não tentei pensar muito sobre isso”.

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O que foi dito – O técnico de Kasatkina Philippe Dehaes falou ao site Sport 360º sobre o relacionamento com sua atleta. De uma de suas declarações surgiu a ideia para o título do post. “Eu confio nela. Tento não colocar muita informação na cabeça dela porque para mim, ela é uma artista”.
No ranking:

– Kasatkina debutará no top 15 a partir de segunda-feira. A jovem russa assumirá o 11º lugar do ranking da WTA e o número 1 de seu país com o vice-campeonato. Em caso de título, ela entra pela primeira vez no top 10 e será a nona colocada.

– O melhor ranking da carreira de Osaka era o 40º lugar. Ela certamente irá superar essa marca e já garantiu o 26º posto, o que faz dela a japonesa mais bem colocada desde Ai Sugiyama, que era 25ª colcoada em março de 2009. Se for campeã, será 22ª do mundo

Curiosidades:

– Desde 2001 que uma final de Indian Wells não tem duas jogadoras com menos de 21 anos. Na ocasião, Serena Williams foi campeã ao derrotar Kim Clijsters na decisão.

– Desde 2005, Osaka é apenas a quarta jogadora a decidir Indian Wells sem ser cabeça de chave do torneio.

– Osaka acumula US$ 1.483.053 em premiações na carreira. Caso conquiste o título, ela praticamente dobra esse valor, já que a campeã receberá US$ 1.30.860.

– Kasatkina é a sexta russa a chegar à final de Indian Wells. Maria Sharapova, Elena Vesnina e Vera Zvonareva já foram campeãs, enquanto Svetlana Kuznetsova e Elena Dementieva ficaram com o vice-campeonato.

A parceria: Antes do início do torneio Indian Wells, Kasatkina e Osaka uniram forças para uma divertida ação promovida pela WTA. A russa deu algumas dicas para a amiga japonesa poder executar um tweener (ou grand willy) com precisão. Confira o resultado!


Comentários
  1. Cynthia - Araçoiaba

    Muito bom o texto. Não conhecia muito as duas. A Osaka tem uma postura mais marrenta, meio metida, enquanto a outra é bem mais simpática. Gosto mais do jogo da russa. Vai ser um jogaço.

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    1. Mario Sérgio Cruz

      Ela é muito tímida, mais fechada. Aí às vezes acaba passando essa impressão, mas é mais por essa dificuldade de lidar com câmeras e entrevistas. Mas é uma menina bem legal também.

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    2. Cynthia - Araçoiaba

      Obrigada pela resposta!! Talvez ela seja como a Coco, americana. Gosto da Coco, mas reconheço q ela pode dar a impressão de arrogância!!! Como fã do Federer, torcerei pela russa, apesar do mau gosto dela!!! rsrsrs

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  2. Gilson Santos Ribeiro

    Kasatkina me lembra Steff Graf jogando, da forma que ela prepara o ponto, ou seja, mudando a direção e a velocidade da bola, deslocando a adversaria com muita precisão e habilidade a muito tempo não via alguém jogar assim no circuito feminino, se ela mantiver essa forma de jogar serei seu fã e ela naturalmente será a proxima número 1 e ganhará varios grand slans.

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  3. Bruno Macedo

    A russa parece mesmo muito habilidosa, uma coisa meio Federer, meio Molfils!!! Espero que continue tendo muito sucesso! Claro, vou torcer pela habilidade, então vou torcer pela russa.

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  4. Cynthia - Araçoiaba

    Cade a Kasaktina??? Até agora não vi nada do q vc descreveu!! Por enquanto é só uma fã do Nadal! rsrsrs

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    1. Mario Sérgio Cruz

      Não jogou bem na final, mas mostrou todo o potencial que teve nas vitórias contra Stephens, Wozniacki, Kerber e Venus durante essa semana. Além das vitórias sobre Muguruza e Konta em Dubai. Vale muito a pena acompanhar os jogos dela ao longo do ano.

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  5. Valestra

    Essa garota, Kasatkina, vi a semi e a final dela. Ela pode ser a “artista” (discordo mas…) que for, só irá pra frente na carreira se contratar um psicólogo/mágico.
    E ainda assim o cara vai ter trabalhar mais que o cozinheiro do Péricles! 😀

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