Embalada, colombiana de 16 anos sonha ser a número 1 do mundo
Por Mario Sérgio Cruz
março 9, 2018 às 4:25 pm

Com quatro títulos na temporada e uma invencibilidade que durou até a semana passada durante o Juvenil de Porto Alegre, Maria Camila Osório Serrano começou 2018 vencendo 24 jogos seguidos e conquistando os troféus das etapas do circuito mundial juvenil da ITF na Costa Rica, Paraguai, Colômbia e no Banana Bowl, em Criciúma. Sua série invicta, aliás, chegou a 26 partidas já que carregava dois jogos do fim do ano passado.

Enquanto vive um ótimo momento no circuito, a atual número 6 do ranking mundial juvenil sonha alto. Em conversa com o TenisBrasil durante a Copa Paineiras, torneio ITF GB1 disputado no clube Paineiras do Morumby em São Paulo, Osório Serrano disse com todas as letras qual é seu principal objetivo: “Quero chegar a ser a número 1 do mundo”.

Maria Camila Osório Serrano venceu 26 jogos seguidos no circuito juvenil (Foto: Heusi Action/Gabriel Heusi)

Maria Camila Osório Serrano venceu 26 jogos seguidos no circuito juvenil (Foto: Heusi Action/Gabriel Heusi)

O quanto a meta desta colombiana é ambiciosa aparece na história do tênis feminino sul-americano. Desde a criação do ranking em 1975, a melhor sul-americana foi a argentina Gabriela Sabatini que chegou ao terceiro lugar em 1989, enquanto a última top 10 foi a também argentina Paola Suarez em 2004. Na história do tênis colombiano, Fabiola Zuluaga tem a melhor marca de seu país ao ser 16ª do mundo em 2005. Não custa lembrar que Maria Esther Bueno foi nomeada a número 1 antes da criação do ranking, e tem como melhor marca na Era Aberta o 29º lugar em 1976.

Osório Serrano está ciente de que terá menos oportunidades durante a transição para o circuito profissional que outras jogadoras da mesma idade, mas de origem europeia ou norte-americana. “Uma menina dos Estados Unidos ou da Europa ganha convites para torneios importantes. Na América do Sul no máximo que dão é um convite para um torneio de 250 mil. Para elas, dão convite nos Grand Slam”, afirmou.

A jovem colombiana também já pensa nas mudanças que serão promovidas no circuito profissional a partir da próxima temporada. “Se eu ganhar um torneio de US$ 15 mil em novembro, por exemplo, em janeiro do próximo ano ele já não vai valer. Então a ideia é começar a jogar já os torneios maiores para este ano eu me meter mais entre as profissionais e começar a correr o ranking e ficar entre as 750″, comentou sobre a proposta da ITF em retirar a pontuação do ranking dos torneios com premiação mínima e estabelecer a criação de um circuito de transição.

Dotada de um jogo inteligente e cheio de recursos, como slices, drop shots e subidas à rede, a jogadora de 16 anos não esconde a idolatria por Roger Federer. “Ele me encanta. Roger é meu ídolo desde que eu tenho seis anos e comecei a jogar tênis”, ela disse. “Quando eu tinha seis anos, na primeira vez que comprei uma raquete, todas as meninas queriam a rosa da Sharapova e eu sempre escolhia a preta ou vermelha do Federer porque ele é meu ídolo e eu sempre queria jogar como ele”.

Confira a entrevista com Maria Camila Osório Serrano.

Você começou a temporada com muitas vitórias consecutivas. Foram 26, se contar as duas últimas do ano passado. Como você lidou fisicamente e mentalmente com isso, porque se você chega às finais em todas as semanas a recuperação deve ser muito complicada.
Jogar tantos dias seguidos durante quatro semanas foi muito duro para mim. Agora eu pude descansar dois ou três dias antes de voltar a jogar. Porém eu tentava pensar apenas no próximo jogo e não que eu estava cansada, nem nada. As partidas que passaram, passaram e o foco era nos jogos seguintes. Creio que isso foi chave para seguir avançando.

E como era o seu trabalho de recuperação, porque imagino que você tivesse muito pouco tempo para treinar e também para o descanso porque você jogava praticamente todos os dias.
O que eu fazia era me alongar muito, tomar muita água e isotônico para recuperar os líquidos. Também fazias muitas sessões de massagem e na banheira com gelo. Tive que fazer muitas coisas, porque eram muitos jogos e eu queria estar continuar sempre ganhando e ganhando. Acredito que isso foi a chave para eu me recuperar bem.

Você já teve algumas experiências com a equipe da Fed Cup, inclusive jogando. Conta como foi sua vivência com jogadoras profissionais, especialmente com a Mariana Duque que foi top 100 e já ganhou um WTA.
Foi uma experiência muito bonita. Faz dois anos desde a primeira vez que me convocaram e para mim é sempre um orgulho representar o meu país, representar a Colômbia. Isso trouxe muitas coisas positivas. Estive com uma jogadora que já esteve no top 100 e pude ver de perto tudo o que ela faz, o que come e como treina. Saber quando ela aquece uma hora antes ou meia hora antes de entrar em quadra, a hora de sair, de voltar e de alongar. As jogadoras lá respiram tênis e me ensinam a ser profissional.

O seu jogo tem muita variação, você usa muito slice e vai bastante à rede. Em que jogadoras você mais se inspira? Na Radwanska, por exemplo?
Roger Federer, mas gosto dela também. Roger me encanta. Ele é meu ídolo desde que eu tenho seis anos e comecei a jogar tênis. Vou te contar uma história: Quando eu tinha seis anos, na primeira vez que comprei uma raquete, todas as meninas queriam a rosa da Sharapova e eu sempre escolhia a preta ou vermelha do Federer porque ele é meu ídolo e eu sempre queria jogar como ele.

E no tênis feminino tem alguma jogadora que você se espelha?
Eu gosto muito da Halep e gostava muito da Serena Williams quando ela estava jogando.

Hoje no circuito tem muitas jogadoras altas, fortes e agressivas, como Pliskova e a Muguruza no alto nível e jovens que tentam se espelhar nelas. Como você tenta falar com sua equipe antes de enfrentar uma jogadora desse estilo?
Sempre que eu entro em quadra… Todavia, eu ainda não estou nesse nível, mas se eu chegar a ele, eu tenho que pensar em fazer o meu jogo, não? Nenhum jogador entra em quadra pensando ‘Vou jogar contra ela, tenho que mudar’, sempre entram pensando em fazer o que sabem. Se as coisas não acontecem, tenho que buscar soluções e alternativas, mas sempre tenho que entrar pensando em fazer o meu jogo.

A jovem colombiana já atuou no ITF Junior Masters no ano passado (Foto: Paul Zimmer/ITF)

A jovem colombiana já atuou no ITF Junior Masters no ano passado (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Inclusive na China, você jogou o Masters e enfrentou algumas das melhores do mundo na categoria. Algumas meninas como a Kostyuk, por exemplo, jogam nesses estilo mais agressivo. Como foi sua experiência?
Sim, a Kostyuk e a Kaja Juvan jogam assim. Eu penso que quatro meses atrás estava jogando contra elas na China e agora a Marta chega a uma terceira rodada de um Grand Slam. E ela não é a única. Também há muitas meninas que estão se destacando em alto nível como a [Amanda] Anisimova, a [Anastasia] Potapova, [Clarie] Liu e [Kayla] Day são juvenis que estão se dando muito bem.

Claro que temos que entender que elas são de outros países e têm mais oportunidades. Uma menina dos Estados Unidos ou da Europa ganha convites para torneios importantes. Na América do Sul no máximo que dão é um convite para um torneio de 250 mil (WTA International). Para elas, dão convite nos Grand Slam.

Você pode ganhar um convite para o WTA de Bogotá, talvez.
Creio que sim. Acredito que vou jogar o WTA. Eu não sei ainda, mas me parece muito bom e é algo que me motiva muito. Obviamente tenho que seguir trabalhando, lutando e dar tudo para chegar onde quero chegar.

A partir do ano que vem, o circuito profissional terá mudanças e os torneios de US$ 15 mil não darão mais pontos no ranking. Você tem conversado sobre isso com sua equipe?
Sim, você tem que estar entre as 750 para estar no ranking, senão tem que jogar o circuito de transição. Para este ano ainda não vale, mas se eu ganhar um torneio de US$ 15 mil em novembro, por exemplo, em janeiro do próximo ano ele já não vai valer. Então a ideia é começar a jogar já os torneios maiores. Eu tenho três Junior Exempt para torneios de US$ 25 mil para este ano eu me meter mais entre as profissionais e começar a subir no ranking e ficar entre as 750.

Quando você terminar a carreira juvenil, seu objetivo é seguir direto para o circuito profissional ou tentar fazer uma faculdade nos Estados Unidos antes?
Eu quero ser profissional, essa é a meta, meu sonho e tenho que focar totalmente nisso. Quero chegar a ser a número 1 do mundo.


Comentários
  1. jose alves ramos

    Boa tarde!
    Eu fico impressionado com a atitude desta colombiana. O profissionalismo, a gana de vencer, de dar a vida dentro da quadra. Tem tudo para fazer historia no tenis. Enquanto isso, nós brasileiros, que temos uma população quase cinco vezes maior que a Colombia, não temos ninguém nesse nível pra tocermos, pra nos dar alegria, nem no masculino e nem no feminino. É triste mas é verdade, aqui só se pensa em futebol, os outros esportes, principalmente individuais, nós somos verdadeiros fracassos. Falta raça, falta sangue nos olhos, é duro dizer isso, mas essa é a realidade. Parabéns pra colombiana, ela merece!

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  2. Cesar Caracio

    Boa tarde!
    Estranho o comentário do Sr. José Alves Ramos, será que ele não conhece a jogadora brasileira melhor ranqueada na WTA? Bia Haddad, 59, aos 21 anos, que com 14 venceu a primeira partida profissional e com 15 já era 746 do mundo e 582 aos 16 anos. Bem melhor que a colombiana.
    Por favor vamos parar de endeusar tenistas de outros países e valorizar nossas joias.

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  3. Pingback: TenisBrasil - Primeiro Set

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