Confiança rendeu salto a Alex De Minaur
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 12, 2018 às 7:31 pm

O australiano Alex De Minaur é um dos principais personagens deste início de temporada. Com apenas dezoito anos, o jovem jogador iniciou 2018 com uma semifinal em Brisbane e a vaga na final do ATP 250 de Sydney. Durante as diversas entrevistas coletivas que fez ao longo dessas duas semanas de torneios, o jovem jogador da casa creditou o bom momento à confiança que vem adquirindo nos últimos meses e sente que ela foi a chave para que ele iniciasse uma série de bons resultados.

Depois de subir do 354º para o 208º lugar no ranking mundial durante o ano passado, com destaque para uma vitória na chave principal do Australian Open,  um título de future em Portugal e uma final de challenger na Espanha, De Minaur vem ganhando posições de forma mais expressiva neste começo de ano. Apenas na primeira semana de 2018, ele já subiu para a 167ª colocação. E ao manter o embalo no segundo torneio que disputa, garante um salto para o grupo dos 130 melhores do mundo ao chegar à final em Sydney, podendo chegar ao 101º lugar em caso de título.

“Eu sempre soube que eu tinha o nível, mas pensava que não tinha a confiança suficiente quando eu entrava em quadra. Agora eu tenho essa crença em mim de que posso competir de igual para igual com muitos desses caras. Então, vou entrar em cada partida acreditando em mim e na minha habilidade. Acho que essa é provavelmente a maior mudança”, disse De Minaur, que já venceu seis adversários do top 50 entre Brisbane e Sydney. Seu cartel de vitórias agora tem nomes como Milos Raonic, Steve Johnson, Fernando Verdasco, Feliciano López e Benoit Paire.

“Eu vinha mostrado esse nível, mas não o sustentava. Agora eu pareço encontrar meu caminho e sustentá-lo para jogar bem em várias partidas seguidas. Então eu só quero manter meu foco e continuar fazendo o que estou fazendo”, comenta o australiano, que disputará uma final entre expoentes da nova geração contra o russo Daniil Medvedev, 84º colocado aos 21 anos.

Desempenho no playoff disputado em dezembro foi primordial para a confiança do jovem jogador

Desempenho no playoff disputado em dezembro foi primordial para a confiança do jovem jogador

Para o australiano, um fator primordial na busca por confiança foi ter vencido a forte seletiva nacional disputada em dezembro, que lhe rendeu um convite para disputar a chave principal do Australian Open pela segunda vez na carreira. Já em Sydney, após a vitória sobre Damir Dzumhur pelas oitavas de final, ele contou aos jornalistas sobre quando começou a se sentir mais confiante sobre seu potencial.

“Em Brisbane foi um grande passo para mim, porque eu senti que estava jogando em um ótimo nível. Mas na verdade, [a confiança] veio provavelmente antes disso, no playoff pelo convite para o Australian Open. Ali eu pensei que meu nível era muito bom. Mesmo no meu nível mental. Eu não diminuí a concentração durante todo o torneio e pude manter esse nível durante todo o verão australiano.

Ao longo dessas duas semanas de torneios, De Minaur contou com o apoio do ex-número 1 do mundo Lleyton Hewitt, que tem atuado como seu mentor fora de quadra. “Lleyton é uma grande influência e me ajuda muito. Sou muito grato por tudo o que ele fez por mim. É ótimo ter alguém como ele por perto, torcendo por você e te ajudando”, disse De Minaur. “Uma das primeiras coisas que ele já me disse foi acreditar em mim mesmo, porque eu tenho um jogo bom o suficiente para lutar contra esses caras”.

Filho pai uruguaio e mãe espanhola, o jovem tenista viveu em Sydney até os cinco anos e depois foi com a família para a Espanha. Sua formação no tênis foi dividida entre as duas bases. A maior parte de sua carreira juvenil foi construída em solo australiano, enquanto seus primeiros futures como profissional em 2015 foram jogados no saibro espanhol, mas a escolha por defender a Austrália é bem clara. “Eu sempre fui apaixonada pela Austrália. Isso é o que eu sempre quis fazer. Cresci vendo Lleyton jogar a Copa Davis, com muita vontade e sem desistir nunca. É lá que eu quero chegar um dia, para poder usar o verde e dourado e representar o meu país. Não há maior honra do que poder fazer isso”.

“Nós nos mudamos por causa da minha família, dos negócios da minha família. Mas estou sempre indo e voltando. Vivo em ambos os lugares. Venho para cá no começo de novembro e passo todo o verão australiano até quase março. No resto da temporada, quando há muito mais torneios na Europa, eu me baseio na Espanha. Mas eu provavelmente acabo passando mais tempo na Austrália”.

Embora sua formação tenha sido dividida entre Austrália e Espanha, De Minaur não tem dúvidas de que quer defender o país onde nasceu

Embora sua formação tenha sido dividida entre Austrália e Espanha, De Minaur não tem dúvidas de que quer defender o país onde nasceu

Também chamou atenção a prática de fechar os olhos e respirar fundo durante as viradas de lado. O gesto que já está se tornando característico do jovem australiano foi uma recomendação de um psicólogo espanhol. “Antes de cada game importante no meu saque, eu fiz questão de usar minhas técnicas de respiração, focando no que eu queria fazer. E isso me ajudou a superar esses momentos de tensão”, comentou o jovem tenista. “Esse é um trabalho que fiz com um psicólogo na Espanha. Ele sempre me disse para fazer isso e agora eu finalmente estou fazendo”, disse sorrindo. “Eu percebo o quanto o meu jogo melhora, graças a essas técnicas simples”.

De Minaur também avalia que a conexão que tem com o público ao jogar em casa também o ajuda nos momentos de maior necessidade. “Às você se sente nervoso nas partias, mas adrenalina e a intensidade do público ajudam a lidar com isso. Você tem que tentar se aproveitar disso, continuar motivado e deixar todos os nervos desaparecerem”.

Prestes a disputar o Australian Open pela segunda vez na carreira, De Minaur já sabe que terá uma estreia complicada contra o experiente tcheco Tomas Berdych, mas espera fazer o seu melhor. “Obviamente é uma partida muito difícil, mas estou ansioso por isso. Vai ser uma ótima oportunidade para mim e não posso aguardar para entrar em quadra nesse Grand Slam em casa e mostrar a todos o que eu tenho”.


Comentários
  1. henrique manoel

    alex de minaur vem me surpreendendo e entra na minha lista de surpresas para a temp tsitsipas,shapovalov,rublev e agora de minaur e se vencer vira top 100 e alem disso vai ser o unico da next gen a ter titulo de atp antes dos 19 anos e voce concorda comigo mario

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  2. Thiago

    Bom jogador, mais o grande potencial no tênis australiano está no Thanassi Kokkinakis. Sempre disse aqui, se não fosse as lesões já teria feito estrago no circuito. Jovem bom de bola e muito comprometido, acompanho a carreira dele , então falo com propriedade. Ótima oportunidade para surpreender em casa.

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