Keys se prepara para ser a próxima estrela
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 9, 2017 às 7:56 pm

Cada vez mais preparada para assumir o papel de próxima estrela do tênis feminino, Madison Keys disputa seu jogo mais importante neste sábado. Não haveria palco melhor para sua primeira final de Grand Slam que o Arthur Ashe Stadium, maior estádio do mundo e quadra principal do US Open. Ela decide o título em Nova York em uma final exclusivamente americana contra Sloane Stephens, uma de suas melhores amigas no circuito.

Keys fez cinco de seus seis jogos no caminho para a final em horário nobre

Keys fez cinco de seus seis jogos no caminho para a final em horário nobre

Em um ano atípico para o US Open por conta da ausência de Serena Williams, além de o fato de chave masculina não contar com três campeões recentes (Stan Wawrinka, Novak Djokovic e Andy Murray), a organização do torneio teve que se desdobrar para encaixar nomes atrativos nas principais sessões para o público e televisão. Na maioria das vezes, Keys acabou sendo a escolhida como o carro-chefe na chave feminina, mesmo com várias americanas se destacando e colocando quatro nomes nas semifinais.

De seus seis jogos disputados até a semifinal, cinco foram na sessão noturna do Arthur Ashe Stadium: A estreia diante da belga Elise Mertens, a terceira fase contra Elena Vesnina, as oitavas diante de Elina Svitolina, as quartas contra Kaia Kanepi, além da semifinal americana contra CoCo Vandeweghe. Somente a segunda rodada conta Tatjana Maria foi no Louis Armstrong Stadium.

Keys jogou no horário nobre até mesmo no dia em que a também americana Vandeweghe desafiava a número 1 do mundo Karolina Pliskova pelas quartas de final. Também teve a preferência no segundo dia do torneio em relação à atual campeã Angelique Kerber, que acabaria perdendo na estreia. Quem esteve presente no estádio relata que, durante a entrada das jogadoras em quadra, seu nome era anunciado como “The future of American Tennis”.

Ao longo de duas semanas, a esperança americana atuou diante dos holofotes e só não era favorita quando desafiou Svitolina. Ela sempre contou com o apoio do público mesmo quando seu jogo contra Elena Vesnina terminou à 1h45 da manhã (horário local), ficando a apenas três minutos do jogo feminino que terminou mais tarde pelo US Open.

“O público é incrível, porque não importa o que aconteça, elas ainda estão torcendo por você. Não importava qual era o placar, eles definitivamente estavam comigo e me ajudaram você a aumentar meu nível”, disse em entrevista coletiva depois de ter vencido Svitolina de virada, em outro que também acabou muito tarde.

“É um pouco insano. Ir dormir às 4 da manhã todas as noites e acordar às 11, não é totalmente natural e normal. Mas agora eu tenho um pouco de medo de jogar no sol, porque eu não fiz isso em duas semanas. Mas estou bem em jogar de noite”, explicou a americana de 22 anos, que é a mais jovem jogadora de seu país numa final desde 2003, quando Serena Williams decidiu Wimbledon aos 21.

Primeira vitória de Keys em um Grand Slam foi em 2011, quando tinha apenas 16 anos

Primeira vitória de Keys em um Grand Slam foi em 2011, quando tinha apenas 16 anos

Keys tem uma carreira precoce, tanto que parou de jogar torneios juvenis com 16 anos recém-completados em 2011. Naquela temporada, ela já havia vencido um jogo na chave principal do US Open, depois de ter recebido um convite. Filha de um casal de avogados, Rick and Christine, ela teve condições de sair muito cedo de Rock Island, no estado de Illinois para ir treinar na Flórida

“Meus pais me mudaram das Quad Cities quando eu tinha 10 anos porque eu tinha manifestado interesse em me tornar um jogadora profissional de tênis. Eles sabiam que não conseguiria fazer isso lá. Felizmente, isso funcionou. Sempre foi um sonho meu. Eu nunca quis jogar tênis universitário ou algo assim. Mudei-me para a Flórida e fiz tudo o que pude para chegar a esse nível”, comentou após a estreia no US Open.

Mas como tem duas irmãs mais novas, chamadas Sydney, Montana e Hunter, Keys sempre teve que ser modelo para todas elas e amadureceu muito cedo. Assumindo o papel protetor de irmã mais velha e decidiu expandir suas ações. Ela é uma das jogadoras mais combativas quanto às denúncias de racismo e assédio virtual dentro do circuito e, desde o ano passado, é embaixadora da organização Fearlessly Girl, que visa desenvolver lideranças jovens entre as meninas em suas escolas e comunidades, realizando palestras e rodas de debates em colégios americanos. “Vou às escolas e converso com as adolescentes sobre o mundo delas e os problemas que elas enfrentam”, disse em entrevista ao Tennis Channel.

Como falei num post de abril, o engajamento de Keys junto às adolescentes e seus comentários pertinentes sobre temas como bullying, assédio virtual e racismo podem fazer dela uma atleta extremamente representativa para para uma comunidade, tal como as irmãs Williams foram e são até hoje para as mulheres negras americanas, e ser a próxima atleta a transcender o esporte. Um eventual título do US Open potencializa tudo isso.

Dentro de quadra, Keys trabalhou com diversos técnicos sem nunca ter mudado o jeito de jogar. Assim, um processo que para a maioria das pessoas é caótico, não afetou sua evolução no circuito. Formada pela academia de Chris Evert, na Flórida, Keys trabalhou anteriormente com dois técnicos da USTA Juan Todero e Jay Gooding.

A americana passou a temporada de 2015 ao lado da ex-número 1 do mundo Lindsay Davenport, com quem saltou do 31º para o 18º lugar, e chegou ao top 10 no ano passado sob comando do renomado sueco Thomas Hogstedt, depois de também ter tido breves colaborações do recém-aposentado Jesse Levine e do sueco Mats Wilander. Na atual temporada, ela voltou a treinar com Davenport e explica que a relação de proximidade é muito diferente das demais.

“A melhor coisa com Lindsay é que ela sempre me ajudou nos grandes momentos apenas, porque ela esteve nessas situações e as entende. Então ter sua perspectiva no que ela fez para lidar com essas situações foi realmente benéfico para mim”, falou após a vitória sobre Tatjana Maria pela segunda rodada.

“Acho que estamos extremamente próximas e é provavelmente o mais próximo que já estive com um treinador. Eu realmente amo o simples fato de estar ao seu redor”, acrescentou também após seu segundo jogo no torneio.  “Dentro de quadra, ela sempre me disse para fazer meu jogo e tomar a iniciativa dos pontos, porque é assim que eu vou ganhar. Essa foi a sua maior mensagem, especialmente com os saques. Tenho que ser uma grande sacadora, acreditar nos meus saques e jogar confiante. Acho que ter essa mentalidade em quadra me ajuda em todos os aspectos”.

Caso conquiste o US Open, Keys voltará ao top 10 e coroa a grande recuperação que teve na temporada. Depois de ter terminado o ano passado na oitava posição, a americana precisou operar o punho esquerdo e não jogou o Australian Open e chegou a fazer uma segunda cirurgia depois de Roland Garros para jogar sem dor. Em seus últimos treze jogos, foram doze vitórias, incluindo o título de Stanford e sua única derrota foi para Garbiñe Muguruza no tiebreak do terceiro set em Cincinnati.

Vai ser interessante ver o ambiente da primeira final entre duas americanas desde o duelo entre as irmãs Venus e Serena Williams em 2002. Novamente, será uma final entre duas mulheres negras, o que é extremamente representativo diante de tantas portas abertas pelas Williams nos últimos vinte anos. Que seja um grande jogo.

Stephens e o Brasil – Demos ontem no TenisBrasil uma matéria sobre a curiosa relação de Sloane Stephens com o Brasil. Afinal, seus primeiros pontos no ranking foram conquistados nas cidades paulistas de Itu e Serra Negra. Vale a pena ler e conferir também sua história de superação ao longo da temporada.


Comentários
  1. Henderson

    Com certeza, essa final vai entrar para história. Sempre vejo a Key como talentosa e chegou a fazer vários jogos duríssimo contra Serena em vários torneios. A Stephens também não fica atrás. São duas jogadoras batalhadoras que chegaram na final para fazer história.
    Talento não está na raça, mas na oportunidade que cada um vai tendo…

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  2. Marcelo Reis

    Nossa, que decepção! A Keys não jogou nada. Aparentemente, estava machucada com aquela faixa na perna, aí a confiança caiu e o jogo não fluiu. Uma pena! Se ela tivesse jogado como na semi, teríamos um jogo de altíssimo nível. Fica para uma outra ocasião! Essas meninas têm grande talento. :)

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