Semifinalista em Indian Wells, Andreescu herda fãs de Halep
Por Mario Sérgio Cruz
março 15, 2019 às 12:25 am

Semifinalista em Indian Wells e destaque da nova geração feminina no início da temporada, Bianca Andreescu acaba movimentando duas torcidas. Como seu sobrenome sugere, a canadense de 18 anos é filha de imigrantes romenos e aumentou ainda mais sua identificação com o país do leste europeu por ter passado parte da infância e frequentado a escola na terra natal de seus pais. Dessa forma, além do público canadense, já bastante empolgado com sua nova geração de tenistas, ela também conta com a forte torcida romena, que viaja o circuito para acompanhar sua principal estrela, Simona Halep. Com a eliminação precoce da número 2 do mundo, ainda nas oitavas do tradicional torneio californiano, Andreescu acabou a torcida de muitos dos fãs de Halep que compraram ingressos para as fases decisivas da competição.

“Os romenos estão por toda parte”, brincou Andresscu, em entrevista coletiva. “Eu recebi muito carinho deles e atenção da mídia romena, o que é bom. É legal ter duas bases de fãs, no Canadá e na Romênia”, conta a canadense, que enfrentará a número 6 do mundo Elina Svitolina na sexta-feira à noite, valendo vaga na final em Indian Wells.

Canadense de 18 anos e filha de imigrantes romenos começou o ano no 152º lugar do ranking e já será top 40

Canadense de 18 anos e filha de imigrantes romenos começou o ano no 152º lugar do ranking e já será top 40

Embora tenha iniciado a atual temporada na 152ª posição do ranking, Andreescu precisou de apenas quatro torneios para aparecer no atual 60º lugar. Com os 390 pontos já conquistados em Indian Wells, ela irá subir ainda mais e entrar no top 40. Só nesses três primeiros meses do ano, a canadense já derrotou nomes como Caroline Wozniacki, Venus Williams e Garbiñe Muguruza. Ela foi finalista em Auckland, furou o quali e venceu um jogo na chave principal do Australian Open, conquistou um torneio da série 125k em Newport Beach, venceu dois jogos pela Fed Cup e foi semifinalista em Acapulco antes da ótima campanha em Indian Wells. Andreescu já acumula 26 vitórias e apenas três derrotas em 2019.

É inegável que Halep seja um fonte de inspiração para Andreescu e que o título da romena em Roland Garros no ano passado tenha sido especial. “Quando ela venceu Roland Garros foi muito emocionante, especialmente para a Romênia, porque acho que somos pessoas muito apaixonadas. Ela é uma jogadora incrível e conquistou muito em sua carreira. E eu conheço muito sobre dela e a respeito muito, especialmente pela maneira como ela se apresenta”.

Perguntada sobre sua influência sobre Andreescu, Halep lembra que aconselhou a jovem jogadora durante sua transição ao profissionalismo. “Falei com ela há alguns anos no Canadá, quando treinamos juntas uma vez. Disse a ela para parar de jogar torneios juvenis. Ela queria continuar, mas eu disse que ela estava pronta para ir ao nível mais alto. E como vemos, ela está indo muito bem”, comentou a número 2 do mundo, ao site da WTA.

Depois de se destacar no circuito juvenil e de alcançar o terceiro lugar no ranking da categoria, Andreescu deu o primeiro salto como tenista profissional em 2017. Ela iniciou aquela temporada apenas no 306º lugar, chegou a ocupar a 143ª posição e terminou o ano no 189º posto. Em agosto, tornou-se a primeira jogadora nascida nos anos 2000 a derrotar uma top 20 do mundo ao superar a então 13ª colocada Kristina Mladenovic em Washington. Já em 2018, entretanto, sua evolução foi mais contida e ela sequer pôde igualar a melhor marca da carreira estabelecida no ano anterior.

“No ano passado eu joguei alguns challengers e agora eu acho que estou em tempo integral na WTA, o que é muito legal. É um sonho se tornando realidade. Ainda não tenho muita experiência como as outras jogadoras, mas estou começando a ganhar isso. É um sonho como jogar os melhores torneios contra as melhores jogadoras”, comentou a canadense, que vive ótimo momento na elite do circuito e sabe o que precisa fazer para se manter em alto nível.

“Acho que aguentar longos ralis fisicamente e mentalmente é muito importante porque as jogadoras estão hoje em uma forma física nunca vista antes. Tenho trabalhado muito nisso e estou melhorando, mas eu ainda quero melhorar ainda mais como jogadora, então eu estou aprimorando o meu saque e minhas devoluções para tomar o controle dos pontos desde o começo”, avaliou a jovem tenista.

A análise sobre o momento do circuito vai ao encontro daquilo que Andreescu disse em entrevista ao site da WTA em agosto de 2017, quando estava entrando no circuito profissional. “Acho que tive que elevar meu nível muito rápido e estou orgulhosa de todos os meus resultados. A diferença entre as juvenis e as profissionais é que, no juvenil, você pode abrir mão de alguns pontos durante a partida. Nos profissionais, você tem que ficar neles, e você tem que ficar focada, ou elas voltam para o jogo”.

Fora de quadra, Andreescu também aposta bastante na preparação emocional e tem a meditação como uma de suas atividades principais. “Minha mãe me apresentou a meditação quando eu era muito nova. Eu tinha, talvez, uns 12 anos. Desde então, tenho meditado e também faço muito yoga. Eu não trabalho apenas no meu aspecto físico. Eu também trabalho no mental, porque isso também é muito importante. Isso certamente interfere nas minhas partidas, porque eu consigo ficar focada no momento presente. Eu não gosto de me concentrar no que acabou de acontecer ou no futuro”.


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