Jovens saltam no ranking após ATPs no Brasil
Por Mario Sérgio Cruz
março 4, 2019 às 9:19 pm

As duas semanas de torneios da ATP em solo brasileiro foram positivas para jogadores da nova geração do circuito. Ao fim das competições no saibro do Rio de Janeiro e São Paulo, nomes como Laslo Djere, Felix Auger-Aliassime, Christian Garin, Hugo Dellien e Casper Ruud aparecem nesta segunda-feira com os melhores rankings de suas carreiras. Estive no Brasil Open, na capital paulista, durante a última semana e pude falar com esses jovens jogadores sobre o ótimo momento que vivem no circuito.

Felix Auger-Aliassime (18 anos, 58º do ranking, Canadá)

Em duas semanas, Felix Auger-Aliassime conquistou 345 pontos, com o vice-campeonato do Rio Open e a chegada às quartas de final em São Paulo e saltou do 104º para o atual 60º lugar do ranking mundial. O jovem canadense de 18 anos também ganhou muita popularidade com torcedores cariocas e paulistas, vestiu a camisa da seleção brasileira no Rio, participou de uma emocionante ação social com o garoto brasiliense Pablo, e teve torcida a favor sempre que jogou no Jockey Clube Brasileiro ou no Ginásio do Ibirapuera.

Apontado como uma das principais apostas para o futuro do circuito mundial desde que tinha 14 anos, em 2015, e começou a vencer seus primeiros jogos de nível challenger, Aliassime precisou lidar com a pressão e com as expectativas desde muito jovem e, por isso, acredita que amadureceu mais cedo que outros adolescentes de sua idade.

Felix Auger-Aliassime disputou sua primeira final de ATP no Rio e chegou às quartas em  São Paulo (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Felix Auger-Aliassime disputou sua primeira final de ATP no Rio e chegou às quartas em São Paulo (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

“Obviamente, eu amadureci mais cedo que outros jovens da minha idade. Acho que meu desenvolvimento foi bom, tive meus pais e minha equipe por perto para colocar coisas positivas ao meu redor. Ainda assim é difícil lidar com a situação de ser um jogador jovem a cada semana, mas tento me expressar da melhor maneira possível e ser a mesma pessoa”, disse Aliassime, após a vitória sobre Pablo Cuevas na rodada de estreia em São Paulo.

Os bons resultados do canadense no saibro também vão ao encontro de uma decisão tomada no meio do ano passado. Pouco depois de perder na segunda rodada do quali de Roland Garros, Aliassime abriu mão de tentar a sorte no quali de Wimbledon e ter a chance de disputar seu primeiro Grand Slam para encarar uma série de challengers no piso. Menos de um ano depois, o jovem jogador acredita ter feito a escolha certa.

“Quando eu olho para trás, sinto que foi uma boa decisão. Depois de Roland Garros eu senti que não tinha vitórias o suficiente, que não tinha feito o número de partidas que gostaria, e que jogar na grama talvez não fosse a melhor opção naquele momento. Então eu decidi continuar disputando torneios no saibro e construindo o meu jogo. Acho que os resultados estão aparecendo agora, quando eu sou capaz de jogar e vencer muitas partidas”, avaliou o vencedor de quatro challengers na carreira, três deles no saibro.

Laslo Djere (23 anos, 32º do ranking, Sérvia)

Logo em seu primeiro jogo da série de torneios no saibro brasileiro, Djere já conseguiu a façanha de eliminar o número 8 do mundo Dominic Thiem na rodada do Rio Open. A primeira vitória contra top 10 deu confiança ao jovem jogador sérvio, que começou o tonreio carioca como número 90 do mundo e saiu do Rio de Janeiro com o troféu em mãos e ocupando o 37º lugar. Em São Paulo foram mais três vitórias antes da queda na semifinal e um salto de mais cinco posições.

Quando conquistou seu primeiro título, Djere se emocionou durante a cerimônia de premiação ao falar abertamente sobre a perda precoce dos pais por câncer, a mãe há sete anos e o pai no ano passado. Depois disso, o sérvio recebeu inúmeras mensagens de apoio do público e de outros colegas do circuito, além de ver jogadores como Novak Djokovic e Nick Kyrgios divulgarem sua história de superação nas redes sociais.

Campeão no Rio e semifinalista em São Paulo, Laslo Djere emocionou a todos com sua história de vida. (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Campeão no Rio e semifinalista em São Paulo, Laslo Djere emocionou a todos com sua história de vida (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

“Recebi muitas mensagens de apoio e sou muito grato por isso, mas por outro lado, eu tento ser o mesmo cara que eu era há uma semana e continuar trabalhando”, comentou depois de sua partida de estreia no Brasil Open, contra o italiano Alessandro Giannessi. “Não esperava por nada dessa dimensão, mas acredito que é para isso que eu trabalho, para chegar ao top 50, para ser mais reconhecido pelo público e para jogar os grandes torneios”.

Embora a mudança de status após o primeiro título de ATP e o salto no ranking fossem experiências inéditas, o sérvio buscou motivação nas vezes em que conseguia bons resultados em semanas consecutivas por torneios menores para seguir avançando no torneio paulistano. “É sempre difícil jogar um novo torneio logo depois de conquistar um título, mas no passado eu já consegui fazer torneios muito bons e manter o ritmo na semana seguinte”.

Casper Ruud (20 anos, 94º do ranking, Noruega)

Ex-líder do ranking mundial juvenil, Casper Ruud enfim debutou no top 100 depois de duas boas campanhas no Brasil (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Ex-líder do ranking mundial juvenil, Casper Ruud enfim debutou no top 100 depois de duas boas campanhas no Brasil (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Destaque nas competições de base durante a carreira juvenil, chegando a ser o número 1 da categoria, Casper Ruud debutou no top 100 nesta segunda-feira. O norueguês de 20 anos chegou às quartas no Rio de Janeiro e foi semifinalista em São Paulo, saltando 41 posições, do 135º para o 94º lugar em apenas duas semanas. “É um grande passo para o início da minha carreira, mas o objetivo principal é continuar evoluindo e não apenas ser top 100. Espero continuar nessa jornada”.

Ruud já havia se destacado em solo brasileiro há dois anos, quando recebeu convite para a disputa do Rio Open e alcançou sua primeira semifinal no circuito. O jovem norueguês acredita estar hoje mais preparado para manter a regularidade em alto nível. “Estou mais estável do que era há dois anos, no Rio. Tive um grande torneio e fui muito rápido do 230º para o 120º lugar do ranking, mas tudo era muito novo para mim. Talvez eu ainda não estivesse pronto para competir em alto nível por muitas semanas seguidas. Sinto que estou mais pronto agora e tenho mais experiência”.

Christian Garin (22 anos, 72º do ranking, Chile)

Campeão juvenil de Roland Garros em 2013, Christian Garin disputou sua primeira final de ATP em São Paulo (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Campeão juvenil de Roland Garros em 2013, Christian Garin disputou sua primeira final de ATP em São Paulo (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Depois de cair ainda nas oitavas no Rio de Janeiro, Christian Garin viveu a melhor semana da carreira no Brasil Open, em São Paulo, onde venceu quatro jogos seguidos e alcançou sua primeira final de ATP, o que o fez saltar do 92º lugar para a 72ª posição. O jovem chileno já se destaca desde que foi campeão juvenil de Roland Garros em 2013, superando Borna Coric e Alexander Zverev nas duas últimas rodadas, e chegou o quarto lugar no ranking mundial da categoria.

Três dos quatro títulos de challenger de Garin foram conquistados durante a temporada passada, um deles na cidade paulista de Campinas. O chileno, que ocupava a 373ª posição em janeiro do ano passado e chegou ao top 100 já em outubro, acredita ter agora um maior comprometimento com o tênis. “Creio que cheguei a um ponto de maturidade. Comecei a perceber o quanto gostava de jogar tênis e passei a melhorar no físico, no nível tenístico e no lado mental e creio que isso foi fundamental”.

Hugo Dellien (25 anos, 87º do ranking, Bolívia)

O boliviano Hugo Dellien fez quartas no Rio e em São Paulo e está com o melhor ranking na carreira (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

O boliviano Hugo Dellien fez quartas no Rio e em São Paulo e está com o melhor ranking na carreira (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Aos 25 anos, Hugo Dellien não chega a ser exatamente um novato no circuito, mas evoluiu muito nos últimos meses. Ex-número 2 do ranking mundial juvenil, o boliviano debutou no top 100 no ano passado, quando conquistou seus três primeiros títulos de challenger. Ao chegar às quartas tanto no Rio quanto em São Paulo, ele subiu do então 113º para o inédito 87º lugar.

“Chegar duas vezes seguidas às quartas ratifica que estou em alto nível e estou fazendo as coisas certas. Esses resultados fazem valer a pena todo o esforço e sacrifício. Creio que para os bons resultados não há mistério. Com o passar do tempo eu fui aprendendo muitas coisas e isso me levou a um estado mental em que pude acreditar que chegaria ao top 100″.


Comentários
  1. Joaquim Fernandes

    Mário Sérgio: seu blog está muito bom. Linguagem correta. Assuntos bem escolhidos e recheados com conteúdos expressivos e bem apresentados. Parabéns.

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  2. João Paulo

    4 torneios de nível disputados na América do Sul, varios brasileiros no quali e na chave principal, varios convites distribuídos e nenhum brasileiro se aproveita de uma situação dessa, todo ano é assim, nunca se aproveitam do fator casa/torcida, tênis brasileiro vai de mal a pior, geração de amarelões, marcada por jogos ganhos perdidos e clara falta de preparo psicológico. Triste depois de 4 torneios seguidos no saibro e na América não ter um brasileiro sequer no top 100

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  3. Orlando

    Mário Sérgio, leio sempre seu blog, sempre demonstrando muito conhecimento acerca desse apaixonante esporte. Tenho uma pergunta lhe fazer: O ginásio do Ibirapuera é climatizado?

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    1. Mario Sérgio Cruz

      Não tem climatização, mas nos últimos anos pareceu mais ameno. Às vezes as próprias promotoras dos eventos (não só o Brasil Open, mas também competições de outros esportes no ginásio) viabilizam algum sistema para diminuir esse impacto.

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