Top 10 no juvenil, Klier começa carreira profissional do zero
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 3, 2018 às 5:56 pm

O ano em que um tenista completa 18 anos costuma ser marcado pela transição do circuito juvenil para o profissional. Em geral, os jogadores dessa idade disputam apenas as competições mais fortes na base e já começam a buscar importantes pontos na ATP em torneios de nível future. Mas para Gilbert Klier Júnior o ano acabou sendo majoritariamente voltado aos torneios juvenis, muito por conta de lesões que aconteceram em momentos inoportunos da temporada. Depois de ter alcançado o décimo lugar no ranking mundial juvenil da ITF, o brasiliense de 18 anos começará a carreira profissional praticamente do zero em 2019.

Ao chegar às quartas, Gilbert Klier teve o melhor resultado de um  brasileiro em dez anos

Klier se destacou nas competições juvenis em 2018, mas lesões impediram seu progresso como profissional (Foto: Arata Yamaoka/ITF)

“Vamos ter que começar do zero. Mas no profissional é como se eu começasse a jogar de novo”, disse Klier ao TenisBrasil. “Vou começar a pré-temporada no dia 15 de dezembro e com o objetivo de jogar os torneios de transição e, com certeza, vai ser um bom ano. Se Deus quiser, essa fase vai ser bem rápida”, acrescenta o brasiliense, que aparece no 1.283º lugar no ranking da ATP e acumula quatro vitórias como jogador profissional.

Como juvenil, Klier teve quatro ótimos resultados. Ainda no mês de março, ele venceu a Copa Paineiras, torneio Sul-Americano Individual disputado em São Paulo. Em julho, se destacou no torneio juvenil de Wimbledon, onde chegou às quartas de final e teve o melhor resultado de um brasileiro desde 2008. No mês seguinte, conquistou o título do ITF G1 de College Park, no piso duro de Maryland, nos Estados Unidos. Já em outubro, foi medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Buenos Aires.

“Foi um ano incrível como juvenil. Acabei parando de jogar o juvenil no top 10. Não sei quanto estou agora, devo estar como 11 ou 12, mas foi um ano muito bom”, comenta o atual 11º colocado no ranking da ITF para a categoria. “No profissional eu não joguei tantos torneios e acabei me lesionando nos poucos torneios que eu joguei, mas para mim está sendo um ano excelente”, comenta o brasiliense, que diz que a medalha olímpica terá lugar especial em casa. “Tá lá na prateleira. Minha mãe já levou para casa, separou um espaço, vai enquadrar e botar na parede”.

Brasiliense foi medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Buenos Aires (Foto: Sergio Llamera/ITF)

Brasiliense foi medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Buenos Aires (Foto: Sergio Llamera/ITF)

Por três oportunidades em 2018, Klier venceu o argentino Sebastian Baez, que chegou a liderar o ranking mundial juvenil, além de também derrotar outros jogadores bem ranqueados na categoria, casos do búlgaro Adrian Andreev (que termina o ano como número 4 do mundo) e do sérvio Marko Miladinovic, ex-número 2. “É sempre muito bom ganhar desses caras. Isso mostra onde a gente está e o nível que a gente está jogando. É claro que eu fiquei bem feliz de conseguir essas vitórias e saber que estou nesse nível é muito gratificante”.

O calendário do jovem brasiliense também foi prejudicado por lesões no joelho, que o fez começar o ano só em março, e uma no ombro esquerdo em maio, às vésperas da disputa do future de Brasília. “Naquele encontro da CBT em Floripa no ano passado, eu acabei lesionando o joelho. Por sorte eu não precisei operar. Eu ia até para a Austrália, estava na chave e não fui. Para mim foi muito difícil porque seria meu primeiro Grand Slam. E ali antes de Brasília, eu desloquei o ombro treinando. Foi um pouquinho de azar também, mas acontece com qualquer atleta”.

Diante de um início de carreira profissional com muitos custos e retorno financeiro muito pequeno, Klier consegue viajar com treinador para praticamente todos os torneios. Ele é atleta do Instituto Tennis Route, do Rio de Janeiro, e é acompanhado de perto pelos técnicos Arthur Rabelo e João Zwetsch. “Graças a Deus eu tenho a ajuda de um apoiador e eu acabo tendo que pagar muito pouco. De material eu também ganho tudo da Yonex, então para mim esse lado está muito bom”.

Klier não estabelece metas em termos de ranking ou resultados para 2019 e foca apenas na melhora do desempenho em quadra. “Nunca penso resultado, em ranking ou coisa assim. Penso em jogar meu melhor e fazer o melhor que eu posso e estar sempre no meu melhor estado físico, que eu sei que os resultados vão vir em consequência”.


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