Ano na Espanha é positivo para Orlandinho e Felipe Alves
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 28, 2018 às 7:28 pm

Ao término da primeira temporada na Espanha, Orlando Luz e Felipe Meligeni Alves aprovam a experiência de treinar em Barcelona. Os jovens de 20 anos foram dois dos primeiros a usufruir da parceria firmada pela Confederação Brasileira de Tênis (CBT) e a BTT Tennis Academy e foram acompanhados pelo experiente técnico brasileiro Léo Azevedo. Ambos os jogadores conseguiram títulos profissionais de nível future, subiram bastante no ranking e estão dispostos a manter o planejamento para 2019.

Felipe Alves e Orlando Luz trabalham com Leo Azevedo em Barcelona e têm acompanhamento de nomes como Francisco Royg, um dos técnicos de Rafael Nadal. (Foto: Reprodução/Instagram)

Felipe Alves e Orlando Luz trabalham com Léo Azevedo em Barcelona e têm acompanhamento de nomes como Francisco Royg, um dos técnicos de Rafael Nadal. (Foto: Reprodução/Instagram)

Orlando Luz começou o ano como 725º do mundo e o encerra com a melhor marca de sua carreira, no 372º lugar. O gaúcho conseguiu 35 vitórias em torneios profissionais de nível future e disputou três finais, conquistando títulos em Vic na Espanha e Kassel na Alemanha, além de ter ficado com um vice-campeonato no Egito. Orlandinho também conquistou uma vitória no challenger de Buenos Aires, sua sexta na carreira neste porte e a primeira desde 2015.

“Acho que o ano foi incrível, depois de dois anos que eu não vinha jogando tão bem. Saí de casa, experimentei coisas diferentes e depois vi os resultados aparecendo”, disse Orlando Luz ao TenisBrasil, durante a Maria Esther Bueno Cup, em São Paulo. “Tive a maior conquista da minha carreira, que foi um future de US$ 25 mil + H [hospedagem] em Kassel, atingi meu melhor ranking e voltei a ganhar rodada de challenger. Claro que foi difícil deixar a família, mas ao longo do tempo a gente vai se acostumando e os resultados mostram que foi a escolha certa”.

Já Felipe Meligeni Alves venceu seu primeiro jogo de challenger na carreira em sua cidade natal, Campinas, e conquistou seu primeiro future no Egito, em duelo nacional com Orlando Luz na final. O jovem paulista venceu 24 jogos de future e disputou três finais, saltando no ranking do 950º lugar para a atual 540ª posição. Seu recorde pessoal foi alcançado há pouco mais de uma semana, quando ocupou a 534º colocação na lista da ATP.

“Foi um ano muito positivo. Quando eu cheguei foi um pouco difícil para me adaptar com o frio, com o preparo físico e com a movimentação deles em quadra. O primeiro semestre não foi bom. Eu vinha jogando bem, mas não conseguia me encaixar mentalmente e manter meu nível de concentração. Acabei perdendo muitos jogos. Depois que fiz uma boa semana de treinamento no ATP de Barcelona, bastante coisa mudou. Fui para o Egito, e na segunda semana eu consegui encaixar bem e ganhar meu primeiro título. A partir daí comecei a me organizar muito bem, taticamente e mentalmente. Minha confiança subiu muito e esse final de ano e fiz mais duas finais. Avalio como um ano bem positivo, nunca havia feito um ano tão bom assim”, comenta Felipe Alves, que sentiu que já tinha atingido um teto enquanto estava no Brasil e que precisava mudar de base para explorar mais seu potencial.

“Quando eu estava aqui no Brasil, eu senti que estava numa zona de conforto muito grande. Estava perto de casa, estava com a minha família e estava realmente muito confortável. Encarar esse desafio de ir para a Espanha, que sempre foi meu sonho, que eu sempre falei para minha mãe e para o meu tio que era o lugar onde eu realmente queria ir. Quando surgiu a oportunidade, eu fiquei chocado”, complemento o sobrinho do ex-número 25 do mundo Fernando Meligeni.

Felipe Alves levou a melhor sobre Orlando Luz no Egito e conquistou seu primeiro torneio

Os dois jovens jogadores chegaram a decidir um título de future no Egito, vencido por Felipe Alves.

Tanto Orlando quanto Felipe enalteceram o trabalho com Léo Azevedo e destacam as qualidades do treinador, que atuou por oito anos na USTA (Associação Norte-Americana de Tênis), além de já ter trabalhado na Espanha, de 2003 a 2006, na academia de Juan Carlos Ferrero. “O Léo é muito, muito bom. Como treinador entende muito de tática e muito do lado mental. Se eu não tivesse ajustado meu lado mental, eu não estaria onde estou”, afirma Felipe Alves. “Foi um bom ano de aprendizado, porque nunca tive essa experiência. O Léo me ajuda bastante e pega bastante no meu pé, porque eu sou um cara bem extrovertido e que fala bastante. Ele tenta me puxar e me deixar mais de boa”, complementa o paulista, que é corroborado pelo colega. “Acho que ajudou bastante. Ele sabe tirar muito bem o melhor de cada jogador”, afirma Orlando Luz. “Como ele viajava com a Federação Americana (USTA), eu acabava me encontrando com ele nos torneios juvenis, mas nunca tinha trabalhado com ele. A primeira experiência foi quando eu cheguei na Espanha mesmo”.

Para Orlando Luz, foi fundamental ter um ano sem lesões, depois de lidar com muitos problemas físicos na temporada passada. “Em 2017 foi meio parado. Tive lesão nas costas, no ombro, na perna e fiz uma cirurgia no olho, que foi o que me parou por mais tempo. E mesmo quando eu voltei, ainda não estava legal. E este ano, não. Joguei o ano inteiro e acho que essa foi uma das minhas maiores vitórias. Pude jogar durante a temporada sem nenhuma lesão ou dor que me impedisse de competir”.

O gaúcho de 20 anos destaca uma mudança tática em seu jogo, que o fez colocar mais primeiros serviços em quadra e ser menos vulnerável. “Esse ano eu melhorei bastante o meu saque. A gente mudou alguma coisinha ou outra. Mudei um pouco a minha mentalidade de sacar só para jogar dando ace para sacar talvez 80% e ter uma bola mais mastigada no meio da quadra para começar o ponto jogando de direita ou algo do tipo. Então não mudou tanto a técnica, mas mais a mentalidade de como usar o saque. Acho que isso foi muito importante para essa melhora”.

Orlandinho quer se firmar nos challengers em 2019 (Foto: João Pires/ Fotojump)

Orlandinho quer se firmar nos challengers em 2019 (Foto: João Pires/ Fotojump)

Diante das mudanças previstas para o circuito profissional na próxima temporada, Orlandinho espera atuar em mais torneios de nível challenger. Na reta final de 2018, o gaúcho tentou uma série de torneios neste porte no saibro sul-americano, e furou o quali em Buenos Aires já em seu último torneio na temporada do circuito. Outra meta para o ex-líder do ranking mundial juvenil é buscar maior consistência ao longo da temporada, para que os resultados venham já nas primeiras semanas das giras de torneios.

“Já aconteceu de eu acabar jogando melhor na terceira ou quarta semana da gira, como já aconteceu de jogar melhor logo na primeira, mas a gente vem fazendo um trabalho bem sólido para tentar tirar proveito em todas as semanas”, avaliou o gaúcho. “Quando a gente foi para o Egito, o resultado veio na segunda semana de uma gira de cinco torneios e depois eu ganhei em Vic, na Espanha. Ainda estava tendo altos e baixos e, na metade do ano, consegui fazer três resultados seguidos com semi, campeão e semi. A gente está buscando isso, a constância de resultados por mais tempo”.

“Meu objetivo para o ano que vem seria me firmar nos challengers, ainda mais com essa mudança de ranking. A ideia é jogar cada mais vezes os challengers e deixar os futures de lado. Mas quando precisar, eu vou jogar. Talvez no começo do ano, porque às vezes fecha muito forte, é longe e todos os lugares são muito frios na Europa. Então tem poucas opções para viajar”, comenta Orlandinho, que avalia as diferenças entre os adversários dos dois níveis de torneios. “A diferença é grande na parte mental. Os caras são muito melhores e são diferenciados do pessoal do future. Eles vão dar menos pontos de graça. Se no future, o cara joga mal em três games seguidos, no challenger eles vão jogar um e olhe lá. Eles são muito mais constantes durante o jogo, eles jogam menos pontos mal que nos futures. Acho que isso é a maior diferença e os jogos são cada vez mais fortes, na questão física também, mas isso é uma coisa treinável. Tudo é treinável”.

Felipe Alves conseguiu a maior vitória da carreira em 2018 e mira o quali de Roland Garros (Foto: João Pires/Fotojump)

Felipe Alves conseguiu a maior vitória da carreira em 2018 e mira o quali de Roland Garros (Foto: João Pires/Fotojump)

Felipe Alves teve uma reta final de 2018 um pouco diferente de seu parceiro, já que seguiu no Brasil para jogar futures e disputou duas finais, em São Carlos e Curitiba. “A princípio, a gente faria a gira da América do Sul nos challengers, mas como não sabíamos como iam fechar as listas, porque no ano passado estavam muito fortes. Acabou que eu poderia ter entrado, porque alguns fecharam com ranking 800 e até 1.000, mas gente acabou optando por jogar os futures no Brasil para baixar um pouco o ranking e aproveitei para somar, ganhar confiança. para jogar na última semana em Buenos Aires. Joguei bem em lá, mas não consegui aproveitar a chance que eu tive. Por um lado, foi bom não ter ido antes”.

O paulista também relatou a experiência de jogar em sua cidade natal e conseguir a maior vitória da carreira, diante do argentino Federico Coria no challenger de Campinas. “Eu estava muito ansioso, não tinha feito bons resultados na gira, tinha perdido em três primeiras rodadas e estava sentindo que jogava bem, mas perdia sempre no detalhe”, lembrou. “Eu estava me preparando bem e essa era a chance de me garantir para o ano que vem, depois dessa mudança de ranking. Estava nervoso, minha família inteira estava lá, mas eu soube lidar com isso desde o começo. No segundo set, dei uma caída na intensidade, ele começou a jogar melhor, mas no terceiro eu tive um pico de energia que me ajudou bastante, a galera me deu muito apoio. Quando acabou o jogo, eu chorei de tanta emoção, que foi realmente especial e tirei um peso, uma geladeira das costas, e depois daí foi bem mais tranquilo”.

Sobrinho de um semifinalista de Roland Garros, Felipe Meligeni Alves coloca estar no quali do Grand Slam francês entre suas metas para 2019. “Eu queria muito poder jogar o quali de Roland Garros. É um torneio especial, tanto pelo meu tio quanto pelo meu vô que gostava bastante. É um torneio especial”.

Os dois jovens jogadores também contam que desenvolveram uma relação fraternal ao morarem juntos na Espanha. “A gente tem uma relação de irmão. A gente mora junto, dorme no mesmo quarto e a gente faz tudo junto na Espanha. Ajudou muito, porque se eu estivesse sozinho, com certeza seria diferente. Cheguei lá no primeiro dia, com vergonha e não sabia com quem falar na casa onde eu moro. E aí quando o Orlando chegou, a gente vem se ajudando bastante e vem melhorando junto durante o ano”, explicou Felipe Alves. Atualmente os dois dividem um quarto numa casa de família, que ainda abriga outros jovens. “Tem a mulher, o marido dela e a filha, e mais uns sete ou oito moleques que ficam lá. Tem tudo na casa. É bem confortável”.


Comentários
  1. PIETER

    Sem a menor dúvida de que foi a melhor coisa que poderia ter acontecido à carreira de ambos. E que bom que souberam aproveitar a chance muito valiosa. Só espero que outros jovens tão ou mais promissores também sejam contemplados com igual oportunidade.

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  2. Fábio Almeida

    Foi realmente um grande ano para os dois… E acredito que em 2019 eles vão muito mais longe!

    Mais uma excelente matéria! Parabéns!

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