Wild mira torneios maiores e quer ser número 1
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 26, 2018 às 6:13 pm

Depois de encerrar sua carreira juvenil como o título do US Open e garantir sua vaga para a próxima edição do Rio Open, Thiago Wild mira a transição para os torneios maiores e quer se estabelecer na elite do circuito o mais rápido possível. Vencedor de dois títulos profissionais de nível future, o paranaense de 18 anos está disposto a seguir buscando resultados resultados nos challengers – como já fez no segundo semestre de 2018 – para tentar chegar aos eventos do circuito ATP. Em vídeo produzido pela equipe de comunicação do Rio Open, Wild reiterou que seu maior sonho no tênis é ser o número 1 do mundo.

A experiência no ATP 500 do Rio de Janeiro, que será disputado entre 16 e 24 de fevereiro de 2019, será a segunda de Wild em uma chave principal de ATP. Em fevereiro de 2018, ele recebeu convite para a disputa do Brasil Open, em São Paulo, e caiu em três sets diante do veterano argentino Carlos Berlocq, então número 131 do mundo. “Será uma entrada nos torneios maiores. Eu joguei em São Paulo, mas como convidado. Meu ranking não era tão bom e eu não estava tão preparado como estou hoje”.

Wild falou ao TenisBrasil durante a Maria Esther Bueno Cup, torneio entre oito jovens jogadores brasileiros e que valia vaga para o Rio Open do ano que vem. Campeão do evento disputado nas quadras da Sociedade Harmonia de Tênis, paranaense fez uma avaliação sobre a temporada e seu momento de transição do circuito juvenil para os torneios profissionais. Depois de ter alcançado o 406º lugar do ranking da ATP em outubro, ele aparece atualmente na 536ª posição. A recente queda, entretanto, não é motivo de preocupação, ainda mais com as mudanças previstas para o circuito profissional a partir de 2019.

Thiago Wild garantiu vaga para o Rio Open após vencer seletiva em SP (Foto: João Pires/Fotojump)

Thiago Wild garantiu vaga para o Rio Open após vencer seletiva em SP (Foto: João Pires/Fotojump)

“Para o ano que vem os futures não vão mais valer. Então eu poderia muito bem ter jogado futures de US$ 15 mil, ganhar dois torneios e subir mais no ranking. Para mim, beleza. Mas isso não ia me acrescentar nada”. disse Thiago Wild. “Então para mim é melhor estar com um ranking desse, até porque meus pontos na ATP não vão cair e vou ficar em torno de 400 baixo no ano que vem”

“Acho que o principal para o momento que estou hoje é me dar um passaporte para o circuito da ATP, para eu poder me acostumar com o circuito challenger. Se eu ficar jogando future, eu não vou conseguir chegar nos ATP”, acrescentou o paranaense, que ao longo da última semana venceu jogos contra Orlando Luz, João Lucas Reis, Gilbert Klier e Rafael Matos.

Entre os pontos altos da temporada profissional de Wild estão o título em um future em São José do Rio Preto e a chegada às quartas de final do challenger de Campinas. “Uma quartas de final em challenger, com certeza, vale muito mais que qualquer future. Eu acho que o circuito future ainda tem muito amador. Ainda é um circuito em que as pessoas ainda vão lá para ver se vão querer jogar e se vão vingar. E no circuito challenger não. Todas as pessoas lá já têm a consciência de que queriam jogar e vingaram até um certo nível para se fixarem ali. A principal diferença do challenger para o future é o comprometimento dos caras, é a decisão que eles já tomaram na vida deles. Então o nível é maior e um nível que eu já tenho que me acostumar a jogar”.

Wild ainda não tem um planejamento definido para a temporada de 2019. No entanto, ele mantém o objetivo de se garantir entre os 200 melhores jogadores do mundo para entrar diretamente nas chaves principais de challenger e não precisar dos qualificatórios, em que os jogadores precisam atualmente de três vitórias para começar a receber pontos no ranking e premiação em dinheiro. “Tenho que ver o que eu vou jogar. É uma dúvida porque a gente não sabe como vão ficar os torneios”, explicou o paranaense, antes de reforçar suas metas. “O mais rápido possível entre os 200. Mas para entrar em challenger, com 250 já dá, às vezes até 300″.

Quando venceu o torneio juvenil do US Open, Wild lembrou da semifinal alcançada no saibro de Roland Garros, em junho. Na época, ele ainda se recuperava de lesão no ombro, não atuou em seu melhor nível, e apesar de ter ficado feliz com a campanha, sentiu que ainda não estava satisfeito e buscava um coisa maior em seu último ano na categoria. “É basicamente isso, porque eu já estava machucado. Desde os futures no Brasil eu já estava com bastante dor no ombro, mas achei que era algo muscular. Era algo mais sério, com relação a articulação, com relação à parte óssea, mas eu consegui me recuperar bem. E era meu último Grand Slam, minha última chance de ganhar um e então eu falei ‘É agora ou nunca’. Ganhar um Grand Slam é o sonho de qualquer tenista juvenil”.

Como é comum com jogadores que conquistam um título juvenil de Grand Slam ou lideram o ranking mundial da categoria, Wild relata ter recebido propostas para compromissos comerciais e que estuda as melhores opções. “Na verdade, eu já tenho contrato com uma agência. Comecei um contrato com a Octagon agora em janeiro, mas com certeza surgiram mais propostas, inclusive propostas que eu estou estudando para escolher o que é melhor para mim”.

Também em 2018, Wild recebeu sua primeira convocação oficial para a equipe da Copa Davis, durante o duelo contra a República Dominicana em fevereiro, embora não tenha atuado em nenhuma das partidas na série. O paranaense também já havia acompanhado o time em outras oportunidades desde 2016 e sonha defender o Brasil na Davis, embora o novo formato da competição não o agrade. “É o desejo de todo jogador”, afirmou.

“Acho que ficar com o time da Davis é basicamente estar na Seleção Brasileira. Então a concentração é diferente, o nível de comprometimento também. É um torneio diferenciado porque você está em equipe e tem um treinador dentro de quadra e é uma coisa completamente distinta do circuito de simples”, disse Wild, que compara a Nova Davis ao Mundial de 16 anos, por ter sede única e ser disputado ao longo de apenas uma semana. “Parece com o Mundial de 16 anos. Vai ter o mesmo formato. Não tem mais o prestígio da Copa Davis. É um Mundial que eles vão para ver quem ganha e só″.


Comentários
  1. Bernardo

    a partir de 2019 os challengers não terão mais qualifying de 3 rodadas, as chaves terão 48 jogadores e os qualis apenas 4…

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    1. Mario Sérgio Cruz

      Essa é provavelmente uma das melhores mudanças para o circuito do ano que vem. A maneira como os qualis de challenger fazem com que os jogadores precisem vencer três partidas para começar a ganhar pontos e premiação é insustentável.

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