Britânica com síndrome rara conquista título profissional
Por Mario Sérgio Cruz
abril 23, 2018 às 11:31 pm

Com apenas 17 anos, Francesca Jones é protagonista de uma das mais bonitas histórias de superação do tênis feminino. A jovem britânica sofre de uma doença chamada displasia ectodérmica e nasceu com apenas o polegar e mais três dedos em cada uma das mãos, além de possuir apenas sete dedos nos pés. Nada disso a impede de seguir sua carreira no circuito e até mesmo conquistar títulos como profissional.

No último sábado, Jones foi campeã do ITF de US$ 15 mil disputado no saibro argentino. O segundo troféu de sua carreira veio após uma vitória sobre a anfitriã Victoria Bosio por 4/6, 6/4 e 6/2 na decisão. A britânica ainda passou por duas brasileiras durante a semana, a paulista Carolina Meligeni Alves e a brasiliense Alice Garcia.

Francesca Jones, de 17 anos, venceu torneio no saibro argentino (Foto: Daniel Corujo)

Francesca Jones, de 17 anos, venceu torneio no saibro argentino (Foto: Daniel Corujo)

Jones, que havia conquistado seu primeiro troféu em Assunção no ano passado, está com o melhor ranking da carreira ao ocupar o 664º lugar. Ela irá subir ainda mais na próxima segunda-feira, quando os doze pontos conquistados na Argentina forem computados. Como juvenil, foi 31ª do mundo e está atualmente na 97ª posição, mas encerrou sua trajetória em Wimbledon na temporada passada.

“Minha síndrome é algo que realmente me ajudou a ser a pessoa que sou hoje”, disse Jones ao jornal The Daily Telegraph durante sua participação na chave juvenil de Wimbledon em 2016. “Até certo ponto, estou feliz por tê-la, porque me fez quem eu sou. Espero que isso me ajude a alcançar um futuro de sucesso. Eu não teria começado a jogar tênis tão competitivamente quanto agora ou ter a mesma motivação para o futuro sem ela. Isso faz uma grande diferença no lado mental”.

“Não me importo de ser definida por isso, porque é algo de que eu estou realmente orgulhosa. Não vou deixar isso me decepcionar porque não é negativo. Qualquer um que tenha algum tipo de síndrome pode tentar o seu melhor, seja o que for que estiver fazendo. Muitas pessoas já me criticaram e disseram coisas desagradáveis. Isso só me motiva mais”, complementou a jovem britânica.

Também em 2016, Jones falou ao jornal Daily Mail sobre as adaptações que teve que fazer em seu jogo. “Quando eu era mais nova, eu jogava com um grip muito fino, que precisavam raspar para que eu pudesse segurar a raquete. Quando minhas mãos ficaram maiores, eu já podia jogar com uma empunhadura mais normal. Meu forehand hoje é muito bom por causa do tanto que eu precisei trabalhar nele”.

‘Fiz três operações em doze meses no meu punho e certamente tive mais de dez operações na minha vida, provavelmente quinze. Eu estava morando em um hospital quase quando eu era jovem”, afirmou a jogadora que tinha apenas 15 anos na época das entrevistas aos jornais britânicos.

Neozelandês tem um ponto – Em setembro do ano passado, o neozelandês Alex Hunt se tornou o primeiro jogador com deficiência física permanente a marcar um ponto no ranking da ATP ao avançar uma rodada num future em Guan. A história foi internacionalmente difundida. Aqui no Brasil, foi relatada em reportagem do canal por assinatura SporTV, em matéria de Manuela Franceschini direto da Austrália. Confira no site da emissora.

Juvenil brasileira jogou em situação parecida – No início da década, a brasiliense Thalita Rodrigues se destacou no Circuito Nacional Infanto-Juvenil em condições parecidas com as de Hunt. Ela nasceu sem o antebraço esquerdo, após a mãe contrair rubéola durante a gravidez.

A brasiliense Thalita Rodrigues se destacou em competições juvenis no início da década (Foto: Cristiano Andujar/CBT)

A brasiliense Thalita Rodrigues se destacou em competições juvenis no início da década (Foto: Cristiano Andujar/CBT)

Treinada pelo pai, Oseias, Thalita chegou a estar entre as principais jogadoras do país no ranking juvenil da CBT, mas disputou poucas competições internacionais de nível ITF entre 2011 e 2012, ano em que atuou nos dois únicos torneios profissionais de sua carreira.


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