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Os próximos passos de Wild e o ano dos juvenis brasileiros
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 12, 2018 às 9:33 pm

Thiago Wild fez história para o tênis brasileiro ao se tornar apenas o segundo jogador nacional a ganhar um título de simples em um Grand Slam juvenil e o primeiro a fazê-lo no US Open. Apesar da euforia pela conquista inédita e a realização de um sonho, o paranaense de 18 anos se mantém fiel às convicções de que precisa fazer uma boa transição para o circuito profissional. Ele já ensaia os próximos passos na nova etapa da carreira. Dono de dois títulos profissionais de nível future, o primeiro em Antalya na Turquia no ano passado e o segundo na cidade paulista de São José do Rio Preto em abril, Wild já ocupa o 461º lugar do ranking da ATP.

Após a conquista em Nova York, Wild retornou ao Rio de Janeiro e se prepara para uma série de challengers pela América Latina até o final da temporada. Seu primeiro compromisso será em solo brasileiro, na cidade paulista de Campinas a partir de 1º de outubro. Na semana seguinte, o paranaense segue para Santo Domingo, na República Dominicana. Depois de uma semana sem competições, Wild volta ao saibro sul-americano para cinco torneios seguidos em Lima, Guayaquil, Montevidéu, Buenos Aires e o challenger do Rio de Janeiro a partir de 19 de novembro. Até por isso, não disputará o ITF Junior Masters na China, que acontece entre os dias 22 e 28 de outubro.

“É um sonho de criança que tinha vencer um Grand Slam e ter meu nome nos grandes torneios. Era minha última chance no juvenil nesse nível, agora daqui pra frente é manter os pés no chão e trabalhando com minha equipe da Tennis Route que me apoia desde meus 14 anos”, disse Wild, por meio de sua assessoria. O paranaense de Marechal Cândido Rondon treina no Rio de Janeiro com Arthur Rabelo, João Zwetsch, Duda Matos e o preparador físico Alex Matoso.

“Essa conquista não muda nada para mim, tenho que seguir na mesma linha de trabalho, seguir na mesma pegada. Pode ser que algumas portas se abram para mim como patrocínio e mídia, mas isso não vai mudar minha cabeça e meu foco que é no profissional que é onde poderei viver do tênis e atingir objetivos de ser um dos melhores do mundo”, acrescentou o jogador que completou 18 anos em março.

September 9, 2018 - 2018 US Open Junior Boy's Singles Champion Thiago Seyboth Wild.

Thiago Wild é o segundo brasileiro a vencer um título juvenil de Grand Slam (Foto: Garrett Ellwood/USTA)

Na entrevista coletiva que deu em Nova York depois de vencer a final contra o italiano Lorenzo Musetti por 6/1, 2/6 e 6/2, Wild reiterou que o período de comemoração será curto. “Ganhar um Grand Slam é o maior sonho de todo jogador juvenil. Alcançar isso na minha última chance torna ainda mais especial para mim. Mas tenho que continuar trabalhando porque agora minha carreira juvenil acabou. A transição para os profissionais é muito mais difícil do que o circuito juvenil. Acho que vou ter que me concentrar nisso a partir de agora”.

Wild também falou sobre o aprendizado que teve pela semifinal alcançada no saibro de Roland Garros, em junho, quando ainda se recuperava de lesão no ombro e não atuou em seu melhor nível. “Estar na semifinal de um Grand Slam já era uma coisa enorme a ser feita, mas eu senti que queria mais porque não estava satisfeito com aquela semifinal. Eu estava lesionado naquela partida e estava sem treino por três semanas, porque não conseguia levantar o braço. Eu não pude fazer nada. Quando cheguei aqui nesta semana, eu só me concentrei em mim e no meu tênis”.

“Acho que, independentemente da sua superfície favorita, o tênis é um esporte que você pode jogar em qualquer quadra, seja qual for a bola”, avalia o jovem jogador de 18 anos. “É basicamente um jogo mental, e se você tem um mental forte e tem a mentalidade de jogar na grama, nas quadras duras, ou no saibro, pode jogar do jeito que quiser em qualquer quadra, com qualquer outra bola e contra qualquer adversário”.

Outra experiência significativa na trajetória do paranaense é a semifinal de duplas alcançada no ano passado em Nova York. “Eu não gosto muito de jogar duplas, mas foi o que consegui no ano passado e aprendi muito com isso. Foi, tipo, ‘Ok, eu cheguei às semifinais em duplas. Por que não posso fazer isso em simples? Qual é o problema de fazer isso sozinho sem ninguém ao meu lado?’ Acho que simples e duplas são dois jogos diferentes. Você tem que aprender a jogar com alguém ao seu lado, você tem que aprender a jogar em equipe. E em simples você pode se concentrar em si mesmo e pensa: ‘Eu tenho que fazer isso’. Não há ninguém para te ajudar. Tem muito mais pressão. Mas acho que lidei muito bem com isso”.

Voltando ao mês de abril, quando conquistou o future de Rio Preto, Wild falou ao TenisBrasil sobre o que tem feito para seguir evoluindo. Um dos principais fatores é a aposta na meditação para fortalecer seu lado mental. “Faço um trabalho mental com uma psicóloga esportiva. E medito praticamente todo dia para canalizar a energia e conseguir manter bem a concentração. É um problema que eu tenho. Perco a concentração muito rápido”.

Na época, o paranaense também estabeleceu a meta de terminar o ano no top 200 do ranking da ATP. O objetivo é evitar cair no chamado circuito de transição, que irá substituir os torneios de nível future em 2019 e que não dará mais pontos no ranking. “Pretendo jogar só challengers no segundo semestre, justamente para ficar fora desse ranking de transição. Acho que é uma coisa bem palpável, porque estou jogando bem e venho crescendo”, disse Wild na época. “Uma meta que eu estipulei no ano passado é o ano terminar entre os 200 do mundo. Acho que é uma coisa palpável até o final do ano. Preciso de alguns resultados bons, como todo mundo que quer subir precisa, mas acho que esse é o objetivo principal”.

RAIO-X DOS JUVENIS BRASILEIROS

Assim como feito nas duas últimas temporadas, o blog levantou todos os resultados dos jovens atletas nacionais nos quatro principais torneios da temporada e comparou com o desempenho mostrado em anos anteriores. Estão disponíveis os links para os posts de 2016 e também de 2017

geral

Os resultados em 2018 foram bastante superiores em relação às últimas temporadas. Depois de apenas duas vitórias brasileiras em 2016 e outras cinco no ano passado, a atual temporada contou com 22 vitórias de atletas nacionais. Campeão do US Open e semifinalista de Roland Garros, Thiago Wild venceu onze jogos. O brasiliense Gilbert Klier Júnior conseguiu quatro vitórias, três delas na campanha até as quartas de final em Wimbledon. O pernambucano João Lucas Reis e os paulistas Igor Gimenez e Mateus Alves venceram dois jogos cada um. Já o paulista Matheus Pucinelli conseguiu uma vitória na Austrália. Ao todo, seis jogadores diferentes venceram partidas de Grand Slam.

Também houve aumento na participação brasileira em relação aos dois últimos anos. Ao todo, foram oito jogadores disputando os torneios juvenis de Grand Slam, sete meninos e uma menina. Em 2016, apenas quatro juvenis diferentes estiveram nas chaves principais, com apenas cinco ano passado. Entretanto, quase todos os brasileiros que atuaram em chaves juvenis de Grand Slam estavam no último ano do circuito juvenil: É o caso de Wild, Klier, Reis, Gimenez, Reyes e Ana Paula Melilo. Apenas Mateus Alves e Matheus Pucinelli, nascidos em 2001, têm mais um ano de juvenil pela frente. É possível que no próximo ano, nomes como Natan Rodrigues e João Ferreira tenham a oportunidade de disputar chaves principais de Grand Slam.

É bom destacar que Klier também teve bons resultados fora dos Grand Slam. O brasiliense de 18 anos iniciou a temporada conquistando a Copa Paineiras, torneio Sul-Americano Individual disputado em São Paulo. Já em agosto, ele venceu o ITF de College Park, em Maryland, evento de nível G1 nos Estados Unidos e preparatório para o US Open. Dessa forma, ele chegou a figurar entre dos dez melhores juvenis do mundo.

ranking meninos

No feminino, quem pode buscar uma vaga é a canhota paulista de 17 anos Ana Luiza Cruz, que está com o melhor ranking da carreira no 172º lugar. Mesmo que não consiga uma vaga direta por conta do ranking, há a possibilidade de vencer as seletivas do Roland-Garros Junior Wild Card Competition, que tem uma fase nacional e um triangular final com atletas da Índia e da China. Foi dessa forma que Ana Paula Melilo conseguiu sua vaga no Grand Slam francês.

ranking meninas

Australian Open

AO

Depois de dois anos sem representantes brasileiros  -sendo que em 2017, nenhum sul-americano disputou o torneio- o Australian Open voltou a ter jogadores nacionais na chave juvenil. O paulista Igor Gimenez teve o melhor resultado ao vencer dois jogos na chave principal e chegar às oitavas, repetindo a campanha que Marcelo Zormann fez em 2014. O Brasil tem um título em 2010 com o alagoano Tiago Fernandes, que encerrou a carreira em 2014, aos 21 anos.

Roland Garros

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Sete brasileiros disputaram o torneio juvenil de Roland Garros, um a mais que no ano passado. A representação foi a maior desde 2012. Thiago Wild se destacou com as semifinais de simples e duplas, embora ainda sofresse com uma lesão no ombro. Outro bom resultado veio com o pernambucano João Lucas Reis, que alcançou as oitavas. Mateus Alves furou o quali e ainda venceu mais um jogo na chave principal, enquanto Gilbert Klier também venceu um jogo. Apenas Mateo Reyes e Ana Paula Melilo não venceram no torneio principal, enquanto Igor Gimenez e João Ferreira caíram ainda na fase classificatória.

Nos últimos anos, o Brasil já teve representantes em três finais de duplas. Beatriz Haddad Maia foi vice-campeã nas temporadas de 2012 e 2013, enquantoo gaícho Orlando Luz repetiu a dose em 2016. O gaúcho Guilherme Clezar também já foi vice de duplas em 2009. Em simples, Thomaz Koch jogou duas finais seguidas em 1962 e 1963, Edison Mandarino foi vice em 1959, mesma campanha de Luis Felipe Tavares em 1967.

Wimbledon

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Com seis brasileiros, a equipe nacional em Wimbledon teve sua maior representação desde 2014. O brasiliense Gilbert Klier Júnior venceu três jogos antes de perder um equilibrado duelo sul-americano contra o cabeça 5 colombiano Nicolas Mejia nas quartas de final. Nas duplas, João Lucas Reis e Matheus Pucinelli também caíram nas quartas de final.

Desde 2008 que um brasileiro não chegava tão longe na chave juvenil de simples em Wimbledon. O último a conseguir tal campanha foi o canhoto Henrique Cunha. Flavio Saretta também fez quartas em 1998. O último brasileiro semifinalista foi Marcus Vinicius Barbosa, o Bocão, em 1987, enquanto as melhores campanhas nacionais foram os vice-campeonatos de Ivo Ribeiro em 1957 e Ronald Barnes em 1959. O melhor resultado recente foi o título de duplas de Orlando Luz e Marcelo Zormann em 2014.

US Open

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Em Nova York, o Brasil teve seu menor número de jogadores, mas o melhor resultado da história com o título de Thiago Wild. Apenas Gilbert Klier entrou diretamente na chave por conta do ranking, enquanto Mateus Alves furou o quali e avançou uma rodada na chave principal e Igor Gimenez perdeu ainda na fase classificatória. Wild foi o primeiro brasileiro a disputar uma final de simples em Nova York. Em toda a história o país esteve em oito finais de Grand Slam, com sete jogadores diferentes.

Antes da histórica conquista do paranaense, os melhores resultados recentes foram nas duplas. Além da semifinal alcançada pelo próprio Wild no ano passado, a parceria nacional formada pelo gaúcho Rafael Matos e o mineiro João Menezes ficou com o vice-campeonato em 2014. Já em 2016, Felipe Meligeni Alves conquistou o título junto do boliviano Juan Carlos Aguilar.

Quando voltou a sorrir, Osaka voltou a vencer
Por Mario Sérgio Cruz
setembro 10, 2018 às 8:43 pm

Menos de seis de meses depois de conquistar o primeiro título da carreira em Indian Wells e de experimentar uma mudança significativa em sua vida e em sua rotina no circuito, passando a lidar com o favoritismo e a pressão, Naomi Osaka passa por mais uma nova experiência. Com apenas 20 anos, a japonesa é uma campeã de Grand Slam, a primeira da história de seu país.

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Desde a conquista na Califórnia em março, quando saltou do 44º para o 22º lugar do ranking com os 1.000 pontos obtidos, Osaka vinha obtendo poucos resultados expressivos. Destaques para a vitória em Miami sobre uma Serena Williams, que ainda fazia seu segundo torneio desde o nascimento da filha, e para uma semifinal alcançada na grama inglesa de Nottingham.

O título no US Open em uma campanha com apenas um set perdido – para a top 20 bielorrussa Aryna Sabalenka nas oitavas de final – e com uma nova e muito mais expressiva vitória sobre Serena na final coincide com o momento em que Osaka voltou a sorrir. Três semanas antes da conquista, a japonesa se expressou por meio de suas redes sociais sobre como vinha lidando mentalmente com a carreira. Osaka admitiu que sua vida havia mudado muito desde a conquista em Indian Wells, mas que sentia estar voltando à direção certa e que estava novamente se divertindo em jogar tênis.

https://twitter.com/Naomi_Osaka_/status/1030201441309343749

Olá, esse post como uma pequena atualização haha

As últimas semanas foram muito duras para mim. Eu não sentia muito bem a bola e isso me levou a um ponto em que eu comecei a ficar muito frustrada e deprimida durante os treinos. Tive muita pressão no começo da temporada de quadras duras, porque havia senti que havia muita expectativa sobre mim desde Indian Wells e eu não me sentia mais uma ‘zebra’, o que é totalmente novo para mim.

Se alguém acompanhou o torneio de Cincinnati deve saber que que no jogo que eu perdi eu dei um passo na direção certa. As coisas não estavam funcionando da maneira como eu queria, mas finalmente eu senti que estava me divertindo ao jogar tênis, oq eu não sentia desde Miami. Então estou muito feliz e animada por isso e gostaria de compartilhar meus sentimentos com vocês. Atualização terminada. Vejo vocês em Nova York.

Já com o troféu de Grand Slam em mãos, Osaka falou ao site da WTA sobre aquela postagem em suas redes sociais. “Eu postei aquilo porque eu senti que precisava compartilhar meus pensamentos, porque é para isso que serve a rede social. E eu sei que muitas pessoas poderiam estar preocupadas sobre como eu estava”.

Com suas já características timidez e naturalidade, a jovem japonesa de 20 anos comentou se está pronta para mais uma mudança de status. “Acho que uma parte de mim está, mas ao mesmo tempo, tudo o que está acontecendo é um pouco estanho. Mas acho que é mais interessante ter uma mudança na vida em vez de permanecer na mesma”, comentou. “Além disso, sinto que há muita coisa acontecendo. Tudo está acontecendo muito rápido, então eu ainda não tive a chance de processar tudo isso”.

O trabalho com Sascha

Osaka começou a temporada no 68º lugar do ranking e teve como novidade na equipe a chegada do alemão Sascha Bajin, que trabalhou durante oito anos como rebatedor de Serena Williams e ainda fez parte das equipes das também ex-líderes do ranking Victoria Azarenka e Caroline Wozniacki. O trabalho ao lado de Osaka é seu primeiro como técnico principal de uma jogadora.

Antes do início do US Open, Bajin falou ao New York Times sobre as expectativas de trabalho com Osaka. “Eu bati bola com Serena quase todos os dias durante oito anos, e as armas no jogo de Naomi são tão potentes quanto as dela”, avaliou o treinador. “Ela não tem medo das quadras grandes e é também por isso que acredito que há muita grandeza dentro dela”.

Agora número 7 do mundo e quarta colocada na corrida por uma vaga no WTA Finals, Osaka já tem 35 vitórias no ano, quase o dobro de vitórias que conquistou no ano passado. A japonesa havia vencido apenas 18 dos 40 jogos que disputou na última temporada.

Obediência tática e equilíbrio emocional fizeram a diferença

Os resultados da semifinal contra Madison Keys e da final diante de Serena Williams foram os mesmos, com parciais de 6/2 e 6/4. Nos dois jogos, o equilíbrio emocional fez a diferença a favor da japonesa. Pela penúltima rodada, Osaka enfrentou treze break points na partida e não teve o serviço quebrado, encaixando ótimos saques nos momentos mais importantes. Valeu também explorar uma característica de Keys. Sabendo que a norte-americana gosta de tentar a definição dos pontos mesmo quando pega a bola na corrida, em vez de tentar alguma bola de segurança, a japonesa ganhou muitos pontos quando utilizava boas cruzadas e via as respostas da anfitriã pararem na rede.

Dois dias depois, Osaka encarava uma Serena muito diferente da que enfrentou em Miami. A veterana de 36 anos estava a uma vitória do 24º título de Grand Slam e do sétimo US Open da carreira e vinda de ótimas apresentações nas rodadas anteriores. A japonesa fez um primeiro set impecável. Depois de sair de um 0-30 logo em seu primeiro game de serviço, a jovem jogadora soube aproveitar os momentos em que Serena não sacou tão bem e a fez jogar. Não quis encurtar ponto nenhum e esperou por suas chances, que aconteceram e renderam duas quebras. Quando já vencia por 4/1, saiu de dois break points.

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Osaka também manteve o foco na partida mesmo quando o ambiente no Arthur Ashe Stadium ficou hostil após as punições impostas a Serena pelo árbitro português Carlos Ramos: Uma advertência por coaching -cuja culpa recai muito mais ao técnico Patrick Mouratoglou que à ex-número 1 do mundo- e o point penalty por abuso de material (quebrar uma raquete) e o game penalty por ofensa verbal ao árbitro, chamado por Serena de “ladrão” e “mentiroso”. Osaka esteve com quebra atrás no segundo set e devolveu de imediato. Teve que sacar logo depois da punição com a perda de um ponto de Serena, e confirmou o serviço rapidamente. Sacou para o jogo e confirmou a vitória sem ter o serviço ameaçado no game decisivo. Uma postura admirável.

A idolatria por Serena

Ao longo de sua carreira profissional, Osaka nunca escondeu a idolatria e admiração por Serena Williams. Ainda em 2014, quando derrotou a ex-top 5 e campeã de Slam Samantha Jane Stosur em Stanford, Serena fez questão de pedir para tirar uma foto com Serena, que era número 1 do mundo e principal nome daquele torneio. E suas aspirações de se tornar a melhor jogadora possível têm Serena como modelo a seguir.

Quando venceu Keys na semifinal, a japonesa falou ainda em quadra que “ama Serena” e que uma de suas maiores fontes de motivação para vencer Keys seria a chance de enfrentar Serena na final do US Open. Como lidar mentalmente com tudo isso diante de um ídolo no jogo mais importante de sua carreira? A resposta foi simples: “Quando pisei na quadra, não era a fã da Serena – eu era apenas uma jogadora enfrentando outra jogadora. Mas quando eu a abracei na rede, me senti como uma criança novamente”.

Entender, mas não justificar

Muito se falou sobre a postura de Serena na final. Nada justifica as ofensas dirigidas ao árbitro, que apenas cumpriu as regras e não cometeu nenhum tipo de abuso de autoridade. Parte da indignação de Serena é compreensível e deve ser levada em consideração no futuro, mas não anula o julgamento correto por parte de Carlos Ramos e sua necessidade de reconhecer os erros que cometeu.

Por tudo o que a Serena já foi injustamente obrigada a ouvir ao longo da carreira, qualquer sugestão de que ela teria infrigido qualquer regra mexe demais com ela. É alguém que bate muito na tecla do “jogar limpo”, e que sempre teve que provar isso. Serena pode não ter visto o coaching, até porque nem precisa disso, e se sentir injustiçada. Mas as imagens são claras de que Mouratoglou passou instruções e ele admitiu a atitude posteriormente. Se o treinador passa instrução, ainda que o atleta sequer perceba, e isso é visto pelo árbitro, o jogador tem que ser punido.

As punições subsequentes vieram na esteira da anterior e a reincidência de Serena fez com que a situação se agravasse com a perda de um ponto e um game. A norte-americana pode ter jogado limpo com a relação a não precisar do coaching, mas a partir do momento em que houve um desvio de conduta por parte de seu treinador, não há o que fazer. O abuso de material e as ofensas verbais também são passíveis de justas punições. É válido colocar em discussão de que outros árbitros não tenham o mesmo rigor, especialmente em jogos com estrelas do circuito masculino, mas o certo é exigir que os demais façam o mesmo.

Patrick Mouratoglou treina a Serena desde 2012, depois de ela ter sido eliminada na primeira rodada de Roland Garros, na única vez em sua carreira em que perdeu na estreia de um Grand Slam. Participou de 10 dos 23 títulos de Grand Slam. Foi peça fundamental para superar a barreira dos 18 títulos. Mas este ano, atitudes e declarações têm sido desencontradas. Talvez seja hora de virar a página.

A conquista de Wild: Ainda nesta semana sai um post sobre a histórica conquista de Thiago Wild no torneio juvenil do US Open e a terceira edição com o raio-x dos juvenis brasileiros na temporada