Monthly Archives: agosto 2018

O que esperar da nova geração no US Open
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 26, 2018 às 8:46 pm

Último Grand Slam do ano, o US Open dá a largada nesta segunda-feira. Entre os 256 nomes presentes nas chaves de simples, com 128 homens e 128 mulheres, vários nomes da nova geração do circuito estarão presentes em Nova York. Entretanto, os jovens jogadores têm diferentes ambições no Slam americano, entre os que buscam o título ou uma boa campanha, os que estão na rota dos favoritos e os que terão suas primeiras experiências em torneios deste tamanho.

A aposta de Zverev

Principal nome da nova geração do circuito masculino, Alexander Zverev disputará o 14º Grand Slam de sua carreira profissional e tenta se livrar de um histórico negativo. Número 4 do mundo e vencedor de nove torneios da ATP, incluindo três Masters 1000, o alemão de 21 anos tem como melhor resultado em um Major as quartas de final de Roland Garros este ano. Antes disso, só chegou às oitavas uma vez, na grama de Wimbledon no ano passado. Em Nova York, são três participações e apenas duas vitórias.

Disposto a mudar esse quadro, Zverev faz uma aposta que já deu deu certo com Andy Murray. Ele será treinado pelo ex-número 1 do mundo Ivan Lendl, que esteve presente nos três Grand Slam da carreira do britânico -sendo mais atuante nos dois primeiros, US Open de 2012 e Wimbledon em 2013. Outro que fez parte do time de Murray e agora trabalha com Zverev é o preparador físico Jez Green.

Zverev terá a parceria de Ivan Lendl no US Open (Foto: Andrew Eichenholz/ATP)

Zverev terá a parceria de Ivan Lendl no US Open (Foto: Andrew Eichenholz/ATP)

Em entrevista coletiva na última sexta-feira, Zverev foi bem claro sobre seus objetivos com Lendl. “A razão pela qual estou com ele é competir e vencer os maiores torneios do mundo. Essa é a única razão pela qual ele se juntaria também”, disse o alemão. “Ele foi vencedor como jogador e como técnico, então ele sabe o que é preciso. Ele sabe como tornar os melhores jogadores ainda melhores. É por isso que eu o trouxe”.

A estreia de Zverev no US Open será contra o canadense de 30 anos e 120° do ranking Peter Polansky, jogador que conseguiu a rara façanha de entrar como lucky loser na chave de todos os Grand Slam de 2018. Se vencer, o alemão pode enfrentar o tcheco Jiri Vesely ou o convidado francês Corentin Moutet. O cabeça de chave mais próximo é o sérvio Filip Krajinovic, 32º favorito.

Kei Nishikori e Diego Schwartzman podem pintar nas oitavas, enquanto Marin Cilic e David Goffin são possíveis adversários nas quartas. O alemão está no mesmo lado da chave de Roger Federer e Novak Djokovic, e pode enfrentá-los na semi, enquanto Rafael Nadal, Juan Martin del Potro, Andy Murray e Stan Wawrinka estão do outro lado da chave.

O duelo canadense

As duas principais promessas do tênis masculino canadense irão se enfrentar logo na primeira rodada do US Open. Depois que Felix Auger Aliassime, de 18 anos, passou pelo qualificatório e garantiu vaga em sua primeira chave principal de Grand Slam, o sorteio o colocou para enfrentar o compatriota de 19 anos Denis Shapovalov. Eles se enfrentam já nesta segunda-feira, não antes das 18h (de Brasília) na quadra Grandstand.

Felix Auger Aliassime, de 18 anos, disputará seu primeiro Grand Slam e enfrentará Denis Shapovalov (Foto: Andrew Eichenholz/ATP)

Felix Auger Aliassime, de 18 anos, disputará seu primeiro Grand Slam e enfrentará Denis Shapovalov (Foto: Andrew Eichenholz/ATP)

Será a segunda vez que os dois jovens canadenses se enfrentam no circuito profissional, sendo que Shapovalov levou a melhor no challenger de Drummondville no ano passado. Enquanto Auger-Aliassime é um estreante em Grand Slam e ocupa o 116º lugar do ranking, Shapovalov é o atual número 26 do mundo e já acumula seis vitórias e cinco derrotas nos principais torneios do calendário, com direito a uma campanha até as oitavas no ano passado.

Quem chega com moral

Com títulos, boas campanhas ou vitórias expressivas nos torneios preparatórios para o US Open, a bielorrussa Aryna Sabalenka, o grego Stefanos Tsitsipas e o russo Daniil Medvedev chegam embalados ao Grand Slam nova-iorquino e com chances de surpreender. Entretanto, Tsitsipas e Medvedev podem se enfrentar já na segunda rodada.

https://twitter.com/StefTsitsipas/status/1028873210652229633

Tsitsipas, de 20 anos, foi semifinalista em Washington e vice-campeão do Masters 1000 de Toronto. No caminho, conquistou vitórias contra David Goffin, Alexander Zverev, Dominic Thiem, Novak Djokovic e Kevin Anderson. Com isso, subiu do 32º para o 15º lugar do ranking mundial. Um ano atrás, ele aparecia apenas na 161ª posição. Já Medvedev, 22, conquistou no último sábado o segundo título de ATP na carreira em Winston Salem e debutará no top 40.

A estreia de Tsitsipas será contra o veterano espanhol de 36 anos Tommy Robredo, enquanto Medvedev terá um duelo russo contra Evgeny Donskoy. O cabeça de chave mais próximo desses dois jovens embalados é o também promissor croata de 21 anos e número 20 do mundo Borna Coric, que estreia contra o experiente alemão Florian Mayer. Quem passar por esse setor pode enfrentar Andy Murray ou Juan Martin del Potro nas oitavas.

Quem chega embalada na chave feminina é Aryna Sabalenka, bielorrussa de 20 anos, que debutará no top 20 do ranking mundial depois de ter vencido o WTA Premeir de New Haven no último sábado. Há um ano, Sabalenka não estava nem no top 100, já que ela só entraria nesse grupo no dia 16 de outubro de 2017.

Aryna Sabalenka venceu quatro jogos contra top 10 nas últimas semanas e conquistou seu primeiro WTA em New Haven (Foto: WickPhoto)

Aryna Sabalenka venceu quatro jogos contra top 10 nas últimas semanas e conquistou seu primeiro WTA em New Haven (Foto: WickPhoto)

Nas últimas três semanas, a jovem bielorrussa anotou quatro de suas cinco vitórias contra top 10 na carreira. Ela iniciou essa série vencendo Caroline Wozniacki em Montréal. Depois, no caminho para a semifinal em Cincinnati, derrotou Karolina Pliskova e Caroline Garcia. Já em New Haven, derrubou a número 9 do mundo Julia Goerges na semifinal.

Na rota dos favoritos

Entre os nomes que estão muito próximos de favoritos e podem protagonizar bons jogos na primeira semana em Nova York, destaque para o russo Karen Khachanov, o chileno Nicolas Jarry, a ucraniana Dayana Yastremska e a norte-americana Amanda Anisimova.

Jarry está com o melhor ranking da carreira, no 42º lugar, e estreia contra o alemão Peter Gojowczyk. Se vencer, pode cruzar o caminho do anfitrião e 11º favorito John Isner já na segunda rodada. Já Khachanov fez uma ótima campanha no Masters 1000 de Toronto, onde foi semifinalista e alcançou o top 30. Atual 26º do ranking, o russo de 22 anos é o cabeça de chave mais próximo de Rafael Nadal e pode enfrentar o número 1 do mundo na terceira rodada em Nova York. A estreia de Khachanov será contra o espanhol Albert Ramos e depois podem vir o italiano Lorenzo Sonego ou o luxemburguês Gilles Muller.

A ucraniana de 18 anos Dayana Yastremska será treinada por Justine Henin em NY

A ucraniana de 18 anos Dayana Yastremska será treinada por Justine Henin em NY

Primeira jogadora nascida a partir de 2000 a figurar no top 100 da WTA, a ucraniana de 18 anos e 98ª colocada Dayana Yastremska disputará seu primeiro Grand Slam em Nova York. Ela será treinada pela ex-número 1 do mundo Justine Henin, bicampeã do torneio nos anos de 2003 e 2007. A belga ainda cedeu o preparador físico Eric Houben, com quem trabalhou durante boa parte da carreira. A estreia de Yastremska será contra a tcheca de 22 anos e vinda do quali Karolina Muchova, 202ª do ranking. Caso a ucraniana consiga passar por sua primeira adversária, há chance de um duelo contra a ex-número 1 do mudo e atual 12ª colocada Garbiñe Muguruza.

Já a convidada Amanda Anisimova é uma das duas jogadoras de 16 anos na chave feminina. Atual 135ª do ranking mundial, ela disputará seu segundo Grand Slam, já que ela também esteve em Roland Garros. Ela já tem até vitória contra top 10, conquistada sobre Petra Kvitova em Indian Wells. A estreia de Anisimova será contra a norte-americana Taylor Townsend e depois pode cruzar o caminho da cabeça 10 letã Jelena Ostapenko, que tem uma estreia difícil contra a experiente alemã Andrea Petkovic.

Os mais jovens

Ao todo, trinta jogadores disputarão um Grand Slam pela primeira vez em Nova York, sendo vinte no masculino e dez no feminino. Como era esperado, os atletas mais jovens de cada chave são convidados vindos do torneio nacional juvenil da USTA, disputado no início do mês. Os convites ficaram para Whitney Osuigwe, de 16 anos, e para Jenson Brooksby, 17.

Ex-líder do ranking juvenil, Whitney Osuigwe é a mais jovem da chave feminina, com 16 anos.

Ex-líder do ranking juvenil, Whitney Osuigwe é a mais jovem da chave feminina, com 16 anos.

Nascida no dia 17 de abril de 2002, Osuigwe já liderou o ranking mundial juvenil e foi campeã de Roland Garros na categoria em 2017. Ela ocupa o 391º lugar na WTA e estreia contra a italiana Camila Giorgi, 45ª do ranking. Se vencer, certamente enfrentará uma campeã de Grand Slam na segunda rodada, vinda do duelo entre Svetlana Kuznetsova e Venus Williams.

Brooksby é bem menos conhecido. Seu melhor ranking como juvenil foi o 152º lugar em maio. Já como profissional, ocupa apenas 1.229ª posição e venceu somente cinco jogos de nível future na carreira. Seu adversário de estreia em Nova York será o australiano John Millman, 55º do mundo.

Zverev e Coric têm posições distintas sobre nova Davis
Por Mario Sérgio Cruz
agosto 20, 2018 às 7:04 pm

As mudanças recém-aprovadas na fórmula de disputa da Copa Davis, que já passam a valer em 2019, dividem opiniões da comunidade do tênis desde a votação realizada na última quarta-feira. Afinal, trata-se de uma competição com 118 anos história e se autoproclama como “a maior competição internacional anual por equipes do mundo” e seu formato atual já está consolidado desde a criação do Grupo Mundial em 1981.

Com o novo regulamento, a Davis de 2019 terá uma fase classificatória em fevereiro e depois só volta a atenção do público entre os dias 18 de 24 de novembro, quando será realizada -em sede única- uma competição com 18 equipes em seis grupos de três, com jogos em melhor de três sets. Classificam-se os líderes de cada chave e mais os dois melhores segundos colocados para as quartas de final e seguem até a definição do campeão.

Em geral, os jogadores têm se posicionado contra a radical formulação do regulamento, mas há vozes destoantes. Expoentes da nova geração do circuito, Alexander Zverev e Borna Coric tem posições distintas sobre o novo modelo de disputa. Enquanto o alemão é contrário, pensando principalmente no fato de o já longo calendário ganhar uma semana a mais de competições, o croata não chega a dar uma opinião plenamente favorável, mas se diz aberto às mudanças.

Para Zverev, disputa da Davis em novembro torna a temporada ainda mais longa (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Para Zverev, disputa da Davis em novembro torna a temporada ainda mais longa (Foto: Paul Zimmer/ITF)

“Eu não apoio isso. No final do ano, se estivéssemos eu uma final da Davis, eu jogaria com certeza. Mas se eu tiver que jogar uma fase de grupos no final do ano, depois de Londres [onde disputa o ATP Finals, na semana anterior], eu não vou querer estar lá, para ser honesto, eu vou para as Ilhas Maldivas”, disse Zverev, ao ser perguntado sobre o assunto em entrevista coletiva durante o Masters 1000 de Cincinnati.

“Nossa temporada já dura dez meses e meio. Não precisamos deixá-la ainda maior”, afirma o alemão de 21 anos e número 3 do mundo. “Eu conversei com outros jogadores top, conversei com o Roger [Federer], um pouco, e todos nós concordamos que precisamos de uma temporada mais curta e ter mais tempo de preparação para que nossos corpos estejam prontos para aguentar um novo ano”.

“Pensando a longo prazo, do jeito que minha carreira está indo, eu devo me classificar para o ATP Finals mais vezes. No ano passado, eu tive dez dias de folga e só três semanas de treinos antes de a temporada começar de novo. Não é o suficiente”, complementa Zverev, que tem quatro vitórias e quatro derrotas em jogos de simples pela Copa Davis na carreira. Este ano, ajudou a equipe alemã a vencer a Austrália em fevereiro e estava na equipe que caiu diante da Espanha nas quartas de final em abril.

Coric diz que é preciso de tempo para julgar se as mudanças são boas ou não  (Foto: Corinne Dubreuil/ITF)

Coric diz que é preciso de tempo para julgar se as mudanças são boas ou não (Foto: Corinne Dubreuil/ITF)

Por sua vez, Borna Coric utilizou as redes sociais para se manifestar. O croata de 21 anos e número 20 do mundo acredita que é preciso dar tempo para que a comunidade do tênis assimile a mudança antes de julgar se as modificações na fórmula de disputa são boas ou ruins e se mostra disposto a continuar defendendo seu país na competição.

“Alguns podem argumentar que a mudança é muito radical, mas por outro lado, o tênis é constantemente criticado pela falta de inovação. As coisas mudaram e cabe a nós decidir se aceitamos e vamos tentar ignorar”, escreveu Coric, em seu perfil no Twitter.

“Como atleta, eu penso nisso como um novo desafio e uma nova oportunidade de representar meu país ao redor do mundo e trazer alegria para os croatas”, explica o jovem jogador que tem sete vitórias e sete derrotas na competição. “Apenas o tempo poderá dizer se é uma boa ou má decisão, mas depende de nós dar uma chance para começar algo incrível. Quem sabe, daqui alguns anos, a semana da Copa Davis seja uma das melhores da temporada”.

Coric deverá ser um dos convocados para a equipe croata que disputa a semifinal deste ano contra os Estados Unidos em Zadar, entre os dias 14 e 16 de setembro. “É claro que sentirei falta dos confrontos em casa e do entusiasmo que esses jogos trazem. Fico em feliz porque em setembro, nós jogaremos diante dos melhores fãs do mundo e temos a oportunidade de chegar à final e trazer o troféu para casa”.

Outro nome da nova geração a se posicionar foi Felix Auger-Aliassime, canadense que completou 18 anos este mês e que ainda não teve a oportunidade de disputar uma Copa Davis por seu país. O jovem jogador, que nesta segunda-feira alcança o melhor ranking da carreira ao aparecer no 116º lugar, lamentou a mudança no regulamento.

https://twitter.com/felixtennis/status/1030235234430844934

“Um dos meus maiores sonhos quando criança era o de um dia jogar uma final da Copa Davis na frente da minha torcida”, disse Auger Aliassime, em seu perfil no Twitter. “Infelizmente, eu nunca vou ter a chance de experimentar a Copa Davis como eu cresci assistindo. Eu ainda esperava que tradição e história vencessem o dinheiro”.