Monthly Archives: julho 2018

A primeira campeã do novo milênio
Por Mario Sérgio Cruz
julho 29, 2018 às 3:48 pm

Logo em sua edição inaugural, o WTA International de Moscou, torneio disputado no saibro e que oferece 280 pontos à campeã já entrou para a história do tênis feminino. Pela primeira vez, uma jogadora nascida em 2001, e portanto no século XXI e no terceiro milênio, conquista um título na elite do circuito. Em um duelo entre duas jogadoras de 17 anos, a lucky loser sérvia Olga Danilovic levou a melhor sobre a convidada russa Anastasia Potapova por 7/5, 6/7 (1-7) e 6/4 em 2h19 de partida.

A sérvia de 17 anos Olga Dalilovic é a primeira jogadora nascida em 2001 a conquistar um WTA

A sérvia de 17 anos Olga Dalilovic é a primeira jogadora nascida em 2001 a conquistar um WTA

A campanha e a vitória sobre top 10

A estreia de Danilovic no torneio russo foi há uma semana, contra a alemã número 600 do mundo Vivian Heisen, pela primeira rodada do qualificatório. Com a vitória por duplo 6/4, garantiu-se na rodada final do quali, em que perdeu por 7/6 (7-4), 4/6 e 6/3 para a espanhola de 20 anos e 172ª do ranking Paula Badosa Gibert.

Beneficiada por duas desistências, da romena Irina Begu por mudança em seu calendário e da croata Petra Martic por lesão no pé direito, Danilovic ganhou outra chance e entrou na chave principal. Na última terça-feira, recomeçou seu caminho na capital russa vencendo a 83ª colocada eslovaca Anna Schmiedlova por 6/2 e 6/4. Foi sua primeira vitória na chave principal de um WTA. No dia seguinte, outra vitória, desta vez sobre a veterana estoniana de 33 anos e 49ª do mundo Kaia Kanepi, por 7/6 (7-3) e 7/5.

Na última sexta-feira, Danilovic conseguiu a maior vitória da carreira. Diante da alemã Julia Goerges, número 10 do mundo e semifinalista de Wimbledon, venceu por duplo 6/3 em apenas 1h16 e sofrendo somente uma quebra de saque. Garantida em sua primeira semifinal de WTA, superou a cabeça 5 bielorrussa e 42ª do ranking Aliaksandra Sasnovich para ser finalista do torneio.

O duelo entre as jovens finalistas

Antes da partida, Danilovic já tinha algum favoritismo, por conta da maior potência do saque e de seus golpes e de um jogo mais moldado para o saibro com mais topspin e slices exibidos ao longo da semana. Potapova, por sua vez, batia mais reto na bola e entrava na quadra sempre que tinha a oportunidade, mas mostrava um saque bastante vulnerável.

O início de partida, entretanto, foi favorável à russa, que foi a primeira a quebrar, liderou por 4/1 e teve dois break points para ampliar a vantagem. Danilovic saiu do buraco e ganhou confiança. Além disso, não demorou muito para que a sérvia encontrasse um caminho ao explorar o segundo serviço da russa para vencer sete pontos em nove possíveis e quebrar o saque da rival três vezes seguidas.

O jogo ganhou em emoção no segundo set, com as duas jogadoras batendo forte na bola, partindo para a definição dos pontos e fazendo boas transições da defesa para o ataque. O público foi chegando aos poucos e abraçando a jogadora da casa, que parecia saber usar a torcida a seu favor.

Danilovic conseguiu quebrar no nono game, com winner de devolução com backhand na paralela sobre o segundo saque da russa. Sacando para o jogo, a sérvia perdeu um match point com uma dupla falta e acabou sendo quebrada logo depois. Nos games seguintes, ofereceu pouca resistência, fez outra dupla falta e mais quatro erros não forçados (três deles seguidos) durante o tiebreak da segunda parcial.

Cheio de alternativas, o terceiro set teve seis quebras nos primeiros oito games até o empate por 4/4. Depois de buscar a igualdade no placar, Danilovic confirmou o saque com tranquilidade para que o set tivesse sua segunda virada. Na sequência, voltou a pressionar o saque de Potapova, que ainda salvou outros dois match points, antes de enfim concluir a partida. Danilovic terminou o jogo com 47 winners e 46 erros não-forçados, contra apenas 18 bolas vencedoras e 32 erros da Potapova

https://twitter.com/WTA/status/1023555251964506112

Duas outras façanhas da jovem sérvia

Conquistar um título vinda do quali está longe de ser uma novidade, mas Danilovic é apenas a segunda lucky loser a vencer um WTA, repetindo a feito da norte-americana Andrea Jaeger em Las Vegas, no ano de 1980.

2018-07-29

Fonte: WTA Oficial Guide

Mais expressivo que isso, a sérvia de 17 anos é apenas a sétima jogadora a ser campeã logo no primeiro torneio que disputa pela elite do circuito. Nessa lista, estão duas mulheres que posteriormente se tornaram líderes do ranking mundial, Tracy Austin e Justine Henin.

2017-04-16

Fonte: WTA Oficial Guide

Dois saltos no ranking

Depois de iniciar o torneio moscovita como 187ª do ranking, Danilovic ganhará muitas posições com os 280 pontos do título e mais doze por ter vencido uma partida do quali. Ela salta para a 112ª posição e fica mais próxima de entrar no top 100. A única jogadora nascida a partir de 2000 a figurar entre as cem melhores do mundo é a ucraniana de 18 anos Dayana Yastremska, que foi 100 do mundo há duas semanas e agora está no 102º lugar. Já Potapova, que iniciou o evento na 204ª posição, ganha 180 pontos e chega ao 135º lugar.

Curiosidades

A final entre Potapova e Danilovic foi a mais jovem do circuito desde o Aberto do Japão de 2005, em Tóquio, quando a tcheca de 16 anos Nicole Vaidisova venceu a francesa de 17 anos Tatiana Golovin. Desde 2009, aconteceram apenas duas finais entre jogadoras com menos de 20 anos. Apesar da juventude das duas jogadoras. Qualquer uma que fosse a campeã estaria longe de ser mais jovem a conquistar um título. O recorde praticamente insuperável pertence a Tracy Austin.

2018-07-29 (1)

Fonte: WTA Oficial Guide

O sobrenome Danilovic é familiar para os fãs de basquete. A tenista é filha de Predrag (ou Sasha) Danilovic, medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996 defendendo a Iugoslávia. Ele também fez parte de quatro títulos europeus da equipe iugoslava em 1989, 1991, 1995 e 1997. Também jogou na NBA, onde foi draftado pelo Golden State Warriors em 1992, mas defendeu as camisas do Miami Heat e do Dallas Mavericks em meados da década de 1990.

Parceria com Corretja

Danilovic treina desde setembro. ano passado em Barcelona com o espanhol Alex Corretja, ex-número 2 do mundo e vencedor de 17 títulos de ATP. Em entrevista à agência de notícias EFE, reproduzida pelo jornal Mundo Deportivo, em novembro, Corretja sobre o potencial da jovem jogadora.

“Ela tem competitividade nos genes. É claro que ela e o pais tem vidas carreiras e são de esportes diferentes, mas é inegável que ela tem algo especial no sangue”, disse o treinador espanhol. “Ela é uma jogadora muito ambiciosa, muito completa e com muitos recursos, mas você tem que ir com muita calma e muita paciência porque só tem 16 anos (na época da entrevista). Isso não significa que você não tenha que ser exigente, mas tudo leva um processo e ela tem que passar por isso. Ela está em uma ótima forma no momento”.

Ucraniana nascida em 2000 chega ao top 100 da WTA
Por Mario Sérgio Cruz
julho 16, 2018 às 5:33 pm

Pela primeira vez uma jogadora nascida em 2000 irá fazer parte do top 100 do ranking mundial da WTA. Quem fará parte desse grupo é Dayana Yastremska, que aparece no centésimo lugar da lista divulgada nesta segunda-feira. A ucraniana, que completou 18 anos em maio, vem se destacado em torneios de nível ITF nas últimas semanas.

Yastremska será a primeira jogadora nascida em 2000 no top 100

Yastremska será a primeira jogadora nascida em 2000 no top 100

Yastremska já estava com o melhor ranking da carreira na última atualização da lista, divulgada há duas semanas, quando ocupava o 127º lugar. Depois de cair na segunda rodada do quali de Wimbledon, a ucraniana decidiu voltar ao saibro e venceu um torneio  US$ 60 mil (mais hospedagem) em Roma. Logo depois,  foi semifinalista no torneio de US$ 100 mil em Budapeste. Com isso, faturou 150 pontos no ranking.

A temporada de Yastremska teve outros dois grandes resultados em ITFs de US$ 100 mil. Ela foi finalista no saibro francês de Cagnes-Sur-Mer e na grama inglesa de Ilkley. Como juvenil, foi número 6 do mundo e finalista de Wimbledon em 2016, quando perdeu a decisão para a russa Anastasia Potapova.

Em torneios pela elite do circuito, Yastremska conseguiu duas vitórias no WTA de Istambul no ano passado, passando pela ex-top 10 alemã Andrea Petkovic e pela russa Anna Kalinskaya antes de cair para a eslovaca Jana Cepelova nas quartas de final. Este ano, a ucraniana tentou apenas os qualis de Charleston e Acapulco, mas não conseguiu avançar.

Primeiro título no Brasil 

A ucraniana também tem uma história com o Brasil, já que conquistou seu primeiro título profissional na cidade de Campinas em 2016, quando tinha 15 anos e venceu oito partidas consecutivas, sendo três pelo quali e cinco na chave principal. Um susto naquele torneio, disputado nas quadras da Sociedade Hípica, é que Yastremska sofreu um desmaio ainda no vestiário após a vitória na semifinal diante da argentina Catalina Pella.

Atendida pela equipe médica do torneio e levada de ambulância para o hospital, a ucraniana passou por diversos exames clínicos, por exigência da Federação Internacional, antes de receber autorização para entrar em quadra no dia seguinte. Recuperada, derrotou na final a francesa Alizé Lim.

Jovem espanhol vence primeiro challenger

Também durante a segunda semana do Grand Slam britânico, o jovem espanhol Pedro Martinez se destacou ao vencer um challenger no saibro de Bastad, na Suécia. Martinez, que completou 21 anos em abril, iniciou o torneio como 251º colocado e entrará no top 200 com os oitenta pontos conquistados.

https://twitter.com/ATPChallenger/status/1018355404890345472

Dessa forma, três nomes da nova geração espanhola estarão no top 200 a partir da próxima semana, já que Martínez se juntará ao atual 89º do mundo Jaume Munar e ao 185º colocado Carlos Taberner a partir da próxima semana. A lista ainda pode ganhar o reforço nos próximos meses de Nicola Kuhn, que tem apenas 18 anos e já é 230º do mundo.

Taiwanês conquista seu 2º Slam juvenil em Wimbledon
Por Mario Sérgio Cruz
julho 15, 2018 às 6:29 pm

Pela segunda vez nesta década, sendo a primeira no tênis masculino, um jogador conquistou os títulos juvenis em Roland Garros e Wimbledon. O autor da façanha é o taiwanês Chun Hsin Tseng. Líder do ranking mundial da categoria, Tseng confirmou o favoritismo ao vencer a final contra o britânico Jack Draper por 6/1, 6/7 (2-7) e 6/4.

Chun Hsin Tseng foi campeão de Roland Garros e Wimbledon, além de ser vice na Austrália

Chun Hsin Tseng foi campeão de Roland Garros e Wimbledon, além de ser vice na Austrália

O último juvenil a vencer os dois Grand Slam no saibro e na grama na mesma temporada havia entre os juvenis havia sido Gael Monfils em 2004. Antes disso, o caso anterior era o do venezuelano Nicolas Pereira em 1988. Destaque também para Ivan Lendl em 1978 e Stefan Edberg em 1983. No feminino, o caso mais recente é da suíça Belinda Bencic em 2013. Outros casos famosos são de Amelie Mauresmo em 1996 e Martina Hingis em 1994.

Tseng, que também foi finalista do Australian Open em janeiro, completa 17 anos em agosto. Embora tenha apenas dezesseis anos e possa disputar o circuito juvenil por mais uma temporada, o taiwanês já mira a transição para o circuito profissional e já tem dois títulos de nível future, aparecendo no 601º lugar do ranking da ATP.

https://twitter.com/jokelley_tennis/status/1018502002266034176

Conquista polonesa 

A final feminina foi disputada no último sábado e terminou com o título da polonesa Iga Swiatek, que derrotou a suíça Leonie Kung por 6/4 e 6/2. Esta é a quarta vez que uma jogadora da Polônia conquista o título do Grand Slam britânico como juvenil. A primeira foi Aleksandra Olsza em 1995, seguida pelas irmãs Agnieszka e Urszula Radwanska nos anos de 2005 e 2007.

Iga Swiatek só está disputando os Grand Slam como juvenil este ano. Ela já venceu cinco torneios profissionais

Iga Swiatek só está disputando os Grand Slam como juvenil este ano. Ela já venceu cinco torneios profissionais

Swiatek já vinha de um bom resultado em Roland Garros, onde foi semifinalista de simples e campeã de duplas, e entrou em Wimbledon como 76ª do ranking mundial da ITF. A jogadora de 17 anos já prioriza o circuito profissional e os únicos torneios juvenis que disputa nesta temporada são os Grand Slam. Ela já aparece no 347º lugar no ranking da WTA e conquistou cinco títulos profissionais de ITF, dois deles este ano.

Chinesas vencem nas duplas

Principais cabeças de chave nas duplas, as chinesas Xinyu Wang e Xiyu Wang conquistaram o título com vitória na final sobre as norte-americanas Caty Mcnally e Whitney Osuigwe por 6/2 e 6/1. No masculino, título para o turco Yanki Erel e para o finlandês Otto Virtanen, que derrotaram o colombiano Nicolas Mejia e o tcheco Ondrej Styler por 7/6 (7-5) e 6/4.

Melhor campanha em simples em dez anos

O brasiliense Gilbert Klier foi o destaque da participação brasileira no torneio juvenil de Wimbledon. Depois de ter vencido seus três primeiros jogos sem perder sets, ele se despediu nas quartas de final da competição em um equilibrado duelo sul-americano contra o colombiano Nicolas Mejia, cabeça 5 da competição.

Ao chegar às quartas, Gilbert Klier teve o melhor resultado de um  brasileiro em dez anos

Ao chegar às quartas, Gilbert Klier teve o melhor resultado de um brasileiro em dez anos

Desde 2008 que um brasileiro não chegava tão longe na chave juvenil de simples em Wimbledon. O último a conseguir tal campanha foi o canhoto Henrique Cunha. Flavio Saretta também fez quartas em 1998. O último brasileiro semifinalista foi Marcus Vinicius Barbosa, o Bocão, em 1987, enquanto as melhores campanhas nacionais foram os vice-campeonatos de Ivo Ribeiro em 1957 e Ronald Barnes em 1959. Lembrando que nas duplas, Orlando Luz e Marcelo Zormann foram campeões em 2014.

Nas duplas, o pernambucano João Lucas Reis e o paulista Matheus Pucinelli também caíram nas quartas de final. Reis e o paulista Mateus Alves caíram na primeira rodada de simples, Pucinelli e o paulista Gimenez chegaram à segunda rodada do quali, enquanto o mineiro João Ferreira caiu ainda na estreia da fase classificatória.

O jejum britânico

Todos se lembram da conquista de Andy Murray em 2013, que colocou fim a uma espera de 77 anos sem campeões britânicos desde o título de Fred Perry em 1936. Entre os juvenis há uma escrita parecida. O último anfitrião a vencer o torneio foi Stanley Matthews em 1962. Com a presença de Draper na final, havia a possibilidade de mais um jejum britânico cair por terra. E, pelo visto, a imprensa local parece acostumar seus jogadores com esse tipo de escrita desde a categoria de base…

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