Monthly Archives: janeiro 2018

Ineditismo cobra o preço a Chung e Edmund
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 26, 2018 às 5:39 pm

Os dois nomes da nova geração que mais se destacaram durante o Australian Open terminaram suas campanhas de forma parecida. Semifinalistas da chave masculina, o sul-coreano Hyeon Chung e o britânico Kyle Edmund encantaram o público ao longo de duas semanas e venceram adversários de peso, mas ambos chegaram para os jogos mais importantes do início de suas carreiras na elite do circuito com muitas limitações físicas.

Edmund sentiu um incômodo no quadril e precisou de atendimento durante a partida contra Marin Cilic. O britânico de 22 anos e 49º do mundo acabou oferecendo resistência ao croata apenas durante dois dos três sets da partida disputada na última quinta-feira. Por sua vez, Chung lidou com bolhas nos pé esquerdo ao longo da segunda semana do torneio e o problema se agravou antes de enfrentar Roger Federer nesta sexta-feira. A melhor solução encontrada pelo sul-coreano de 21 anos e 58º colocado foi abandonar a partida ainda no segundo set.

Não é mera coincidência que dois jogadores que chegam tão longe em Grand Slam pela primeira vez acabem sendo traídos pelo próprio corpo. Esse é um caso em que a juventude pesa mais contra que a favor. Edmund passou 14h48 em quadra nos cinco primeiros jogos do torneio, o que inclui duas partidas definidas apenas no quinto set. Chung atuou por menos tempo, 11h55, muito por conta da desistência do alemão Mischa Zverev ainda na rodada de estreia.

edmund

chungNenhum dos dois está tão habituado à uma sequência tão desgastante de jogos, ainda mais com a intensidade que as partidas de Grand Slam têm. Edmund tem apenas quatro semifinais de ATP na carreira, com somente duas para Chung (sendo uma delas no Next Gen ATP Finals com regras diferentes do habitual). As únicas vezes em que haviam disputado seis jogos em um mesmo torneio aconteceram quando vieram do qualificatório ou jogando competições de nível challenger e future.

A capacidade de lidar melhor com essa situação para chegar às fases decisivas em condições de lutar pelo título só virá com o tempo e, principalmente, com a experiência em competições de alto nível. Não há uma idade certa para que isso aconteça, mas quanto mais cedo eles se habituarem com fases rodadas finais nos torneios regulares da ATP, mais prontos para dar um novo salto nos Grand Slam eles estarão. Por ora, é comemorar a boa campanha e trabalhar para a recuperação física.

Sensações parecidas

Chung eliminou Zverev e Djokovic no caminho para sua primeira semifinal de Grand Slam (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Chung eliminou Zverev e Djokovic no caminho para sua primeira semifinal de Grand Slam (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Tanto Chung quanto Edmund lamentaram os problemas físicos em jogos tão importantes, mas preferiram enaltecer as boas campanhas que fizeram. Chung foi o algoz do hexacampeão Novak Djokovic e do número 4 do mundo Alexander Zverev, enquanto Edmund passou pelo terceiro do ranking e semifinalista do ano passado Grigor Dimitrov e pelo sul-africano Kevin Anderson que foi vice no US Open. Os dois jovens jogadores terão os melhores rankings de suas carreiras na próxima segunda-feira e aparecerão entre os 30 melhores do mundo.

“Eu aproveitei as duas semanas dentro e fora de quadra. Estou realmente feliz. Cheguei pela primeira vez às oitavas, depois às quartas e à semifinal. Joguei contra Sascha, Novak e Roger”, disse Chung após a partida contra Federer, que abandonou quando perdia por 6/1 e 5/2. “Acho que ganhei confiança, enfrentei bons jogadores e estarei mais confortável em quadra contra esses grandes nomes na próxima vez”.

Como o sul-coreano não tem tanto o domínio da língua inglesa, Stuart Duguid, seu agente na IMG, explicou aos jornalistas sobre a condição física do jogador. “Posso responder por ele”, disse Diguid. “É algo pior do que bolhas regulares. Nos últimos dias, foi se formando bolha sobre bolha. Ele raspou e agora ficou em carne viva. Ele tomou injeções para ver se aliviaria a dor, mas não funcionou. É muito pior do que uma bolha regular”.

Edmund foi responsável por eliminar o terceiro do ranking Grigor Dimitrov (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Edmund foi responsável por eliminar o terceiro do ranking Grigor Dimitrov (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Edmund adotou discurso parecido com o de Chung sobre sua boa campanha. “Este tipo de torneio só lhe dá vontade de querer mais. Depois sentir o gosto, é como se eu pensasse: ‘Sim, eu quero mais disso'”, disse o britânico de 22 anos. “É claro que estou decepcionado pela derrota, mas foram duas boas semanas. Chegar em uma semifinal de um Grand Slam definitivamente é algo de que eu posso me orgulhar e levar isso para frente. Pude também jogar algumas partidas na Rod Laver e vencer partidas difíceis contra grandes jogadores”.

Até mesmo os desgastantes jogos de cinco sets foram comemorados pelo britânico. “Não há nada melhor do que ganhar um jogo de cinco sets. Os jogos em melhor-de-cinco devem permanecer sempre no circuito masculino. É um verdadeiro teste de qualidade e prova sua resistência física e mental”.

Os quatro juvenis brasileiros 

Ausentes nos últimos dois anos, os brasileiros voltaram à chave juvenil do Australian Open. Em 2018, quatro jogadores nacionais jogadores nacionais estiveram em quadra: o paranaense Thiago Wild, o pernambucano João Lucas Reis e os paulistas Igor Gimenez e Matheus Pucinelli.

Igor Gimenez foi o brasileiro de melhor campanha, ao chegar às oitavas (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

Igor Gimenez foi o brasileiro de melhor campanha, ao chegar às oitavas (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

A melhor campanha foi de Gimenez, que venceu o holandês Lodewijk Weststrate e o uzbeque Sergey Fomin antes de cair nas oitavas para o taiwanês Chun Hsin Tseng, que aliás está na final do torneio. Wild e Pucinelli conseguiram uma vitória cada um, enquanto Reis não teve sorte com a chave e perdeu na estreia para o cabeça 2 sérvio Marko Miladinovic, que só parou na semifinal.

Se por um lado, os resultados dos brasileiros foram discretos, é legal destacar que a representação nacional no torneio é a maior desde 2014 e que quatro brasileiros não disputavam uma chave principal de um Grand Slam juvenil desde 2016 em Roland Garros. Depois de dois anos sem representantes, resta torcer para que um torneio com quatro jogadores nacionais se torne uma regra, não exceção.

Thiago Wild terá experiência inédita na Copa Davis (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

Thiago Wild treinou com Zverev e terá experiência inédita na Copa Davis (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

Wild, que já é top 10 no ranking mundial juvenil, ainda teve duas boas oportunidades. Ainda em Melbourne, ele treinou com o número 4 do mundo Alexander Zverev e recebeu a notícia da convocação para a equipe brasileira da Copa Davis, que enfrenta a República Dominicana na semana que vem.

O filho de Korda e o discípulo de Murray

Por muito pouco, a final da chave juvenil não envolveu dois nomes com DNA de peso. O norte-americano Sebastian Korda é filho do tcheco Petr Korda, ex-número 2 do mundo e campeão do Australian Open em 1998, e se garantiu na final ao derrotar o sérvio Marko Miladinovic por 7/5, 5/7 e 6/4. Vinte anos depois do título de seu pai, ele terá a oportunidade de jogar na Rod Laver Arena neste sábado, quando disputará o título contra o taiwanês Chun Hsin Tseng.

“Com certeza, é um sentimento especial”, disse Korda em entrevista ao site da ITF. “Meu pai completou 50 anos há alguns dias e disse a ele que levaria alguma coisa para seu aniversário. Espero que o troféu seja um bom presente”.

Semifinalista na chave juvenil, Aidan McHugh tem a carreira agenciada por Murray

Eliminado na chave juvenil, Aidan McHugh tem a carreira agenciada por Murray (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

Já o taiwanês Tseng foi o responsável por eliminar o britânico Aidan McHugh por 6/3, 5/7 e 6/4. Apesar da queda na semi, é legal ficar de olho na trajetória de McHugh. O escocês de 17 anos tem sua carreira acompanhada de perto e administrada por Andy Murray desde o fim do ano passado. Vale acompanhar as entrevistas de Murray e McHugh à BBC realizadas em novembro último sobre a parceria, que já começa a mostrar bons resultados.

Na Austrália, Kostyuk desfruta do tênis pela primeira vez
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 17, 2018 às 5:06 pm

Destaque neste primeiros dias de Australian Open, a ucraniana Marta Kostyuk tem chamado atenção por diferentes razões. Com apenas 15 anos, ela passou por três rodadas do qualificatório e mais duas na chave principal. Mas além dos resultados expressivos para sua idade, e que a colocam no patamar de outros prodígios do esporte, Kostyuk também se destacou pela autenticidade de suas declarações.

Logo após a vitória diante da australiana Olivia Rogowska por 6/3 e 7/5 na Margaret Court Arena, Kostyuk participou da tradicional entrevista em quadra, realizada nos três principais estádios do Grand Slam australiano. A comemoração pela vitória foi discreta: “Estou feliz por passar de fase. Na verdade, não senti que fui bem em quadra hoje” e não se mostrou impressionada ao saber que havia se tornado a jogadora mais jovem a chegar em uma terceira rodada de Grand Slam desde Mirjana Lucic (no US Open de 1997) e a mais nova nesta fase do torneio australiano desde Martina Hingis em 1996. “Eu bato recordes ou os repito a cada ano, então eu me sinto Ok”.

De fato, novas marcas vieram a cada rodada para ela. No domingo, quando venceu a tcheca Barbora Krejcikova por 6/3, 5/7 e 6/0 pela última rodada do qualificatório, a ucraniana havia se tornado a mais jovem jogadora a passar pelo quali de um Grand Slam desde a búlgara Sesil Karatantcheva, que tinha 15 anos e 5 meses no Australian Open de 2005. Já no dia seguinte, derrotar a 27ª colocada chinesa Shuai Peng por duplo 6/2 fez dela a mais jovem a vencer.um jogo pela chave principal Melbourne em 21 anos. Faz sentido que ela encare tais números com tamanha naturalidade.

Mas a frase que mais chamou atenção foi sobre o fato de poder cobrar menos de si mesma, se comparada aos tempos de juvenil. “Isso mudou, porque você não pode ser perfeccionista no tênis. Você comete erros a cada ponto e em cada golpe, então você não pode ser assim ou você vai acabar num hospital psiquiátrico”.

Na Austrália, Kostyuk diz estar desfrutando do tênis pela primeira vez em sua vida. Em longa entrevista ao site da WTA, a jovem jogadora falou sobre sua mudança de mentalidade, motivada principalmente pelo caráter profissional do circuito e das premiações em dinheiro.

“Agora eu mudei completamente minha atitude em quadra neste torneio. Não antes. Apenas neste torneio. Eu era uma jogadora diferente no meu último torneio. Eu posso mudar assim, mas também posso mudar na direção oposta (risos). Agora eu entendo o que é administrar as emoções, não mostrá-las o tempo todo e estar sempre motivada”.

“Você sabe qual é a diferença? Agora você está nos profissionais e você começa a ganhar dinheiro e é diferente porque você está jogando e é como se você estivesse trabalhando. Você está trabalhando duro, você dá energia, mas depois disso recebe o dinheiro. Vale a pena. Eu teria perdido minhas três partidas do quali se eu me comportasse como na semana passada”.

“Eu poderia estar ganhando por 5/0 e 40-0 se eu errasse uma bola e eu jogaria minha raquete no chão e ficaria irritada. ‘Como eu pude errar essa bola?’ Eu era perfeccionista. Na escola, tudo tinha que ser bom, minhas notas tinham que ser boas. Na ginástica [esporte que também já praticou], tudo tinha que ser bom. Eu ficava sempre estressado e as pessoas ao meu redor apenas diziam: ‘Marta, aproveite'”.

Kostyuk mudou a mentalidade como tenista depois de se tornar profissional (Foto: Elizabeth Bai/Tennis Australia)

Kostyuk mudou a mentalidade como tenista depois de se tornar profissional (Foto: Elizabeth Bai/Tennis Australia)

Apesar da pouca idade e de estar apenas começando sua trajetória no circuito profissional, Kostyuk mostra uma mentalidade diferente no planejamento de sua carreira a longo prazo e na maneira como estabelece suas metas. “Eu ouço muitos jogadores dizerem que o ‘tênis é tudo para mim’, ‘o tênis é a minha vida’. Eu não quero assumir isso, porque se eu perder ou algo acontecer, isso destruiria minha vida. Quando terminar minha carreira, quero também ser boa em outras coisas, não só no tênis”.

“Conheço muitos jogadores que se aposentam e depois voltam porque dizem que não têm nada o que fazer fora do tênis. Eu não quero ser uma pessoa assim e é por isso que eu não tenho tênis tão perto de mim”, explica a ucraniana, que treina em Zagreb, na Croácia, e tem a carreira agenciada por Ivan Ljubicic.

“Eu nunca determino um super objetivo. Penso naquilo que é real. Quando eu alcanço, então eu traço outro objetivo. Eu não digo que vou ser a número 1 no final do ano, porque se eu não conseguir, alguma parte de mim nunca mais será a mesma”, comentou a jogadora, que irá saltar mais de duzentas posições no ranking da WTA depois do Grand Slam australiano, saindo do atual 521º lugar para uma posição entre as 250 melhores.

Durante a entrevista coletiva, na sala de imprensa do Melbourne Park, a ucraniana expôs um pouco mais sobre a mudança de sua relação com o tênis, já que em algumas falas anteriores ela dava a entender que não gostava tanto do esporte. “Não é como se eu não gostasse. Na verdade, eu disse que não estava aproveitando. Eu gostava de tênis e continuo amando, mas sempre queria vencer, não importa o que. Se eu perdesse, era uma tragédia e aí eu não queria mais jogar. Agora estou finalmente começando a aproveitar”.

A ideia de não se cobrar tanto também a ajuda a lidar com uma limitação de regulamento imposta pela WTA. “Como tem menos de dezesseis anos, ela só pode disputar doze torneios profissionais durante um ano. No ano passado, eu estava jogando muitos torneios juvenis e queria encerrar esse ciclo. Então, meu primeiro torneio foi há duas semanas em Brisbane foi e depois deste, ainda tenho 10 torneios, o que está bom. Mas desde o meu próximo aniversário até o ano seguinte, serão 16 torneios. Poderia jogar 16 torneios em um ano, enquanto as pessoas estão jogando 20″.

Atual campeã juvenil em Melbourne, a ucraniana já encerrou seu ciclo nas competições de base (Foto: Corinne Dubreuil/ITF)

Atual campeã juvenil em Melbourne, a ucraniana já encerrou seu ciclo nas competições de base (Foto: Corinne Dubreuil/ITF)

Rosto conhecido: Já falamos da Kostyuk aqui no blog em duas oportunidades. A primeira foi há pouco menos de um ano, quando ela conquistou o título juvenil do Australian Open aos 14 anos e sete meses, ficando muito próxima se tornar a mais jovem campeã da história do torneio. Na ocasião, também foi destacado o histórico respeitável da ucraniana em competições de base, especialmente na categoria até 14 anos.

Já em outubro, quando foi campeã da terceira edição do ITF Junior Masters, na cidade chinesa de Chengdu, foi comentado sobre seu estilo de jogo agressivo e condizente com a atual elite do circuito feminino. A ucraniana imprime muita potência nos golpes dos dois lados, mas também tem recursos para improvisação. Seu passado na ginástica também rendeu um incomum estilo de comemoração, dando um mortal para trás após o título. Já naquela ocasião, ela sinalizava que aquele teria sido seu último torneio como juvenil.

Confiança rendeu salto a Alex De Minaur
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 12, 2018 às 7:31 pm

O australiano Alex De Minaur é um dos principais personagens deste início de temporada. Com apenas dezoito anos, o jovem jogador iniciou 2018 com uma semifinal em Brisbane e a vaga na final do ATP 250 de Sydney. Durante as diversas entrevistas coletivas que fez ao longo dessas duas semanas de torneios, o jovem jogador da casa creditou o bom momento à confiança que vem adquirindo nos últimos meses e sente que ela foi a chave para que ele iniciasse uma série de bons resultados.

Depois de subir do 354º para o 208º lugar no ranking mundial durante o ano passado, com destaque para uma vitória na chave principal do Australian Open,  um título de future em Portugal e uma final de challenger na Espanha, De Minaur vem ganhando posições de forma mais expressiva neste começo de ano. Apenas na primeira semana de 2018, ele já subiu para a 167ª colocação. E ao manter o embalo no segundo torneio que disputa, garante um salto para o grupo dos 130 melhores do mundo ao chegar à final em Sydney, podendo chegar ao 101º lugar em caso de título.

“Eu sempre soube que eu tinha o nível, mas pensava que não tinha a confiança suficiente quando eu entrava em quadra. Agora eu tenho essa crença em mim de que posso competir de igual para igual com muitos desses caras. Então, vou entrar em cada partida acreditando em mim e na minha habilidade. Acho que essa é provavelmente a maior mudança”, disse De Minaur, que já venceu seis adversários do top 50 entre Brisbane e Sydney. Seu cartel de vitórias agora tem nomes como Milos Raonic, Steve Johnson, Fernando Verdasco, Feliciano López e Benoit Paire.

“Eu vinha mostrado esse nível, mas não o sustentava. Agora eu pareço encontrar meu caminho e sustentá-lo para jogar bem em várias partidas seguidas. Então eu só quero manter meu foco e continuar fazendo o que estou fazendo”, comenta o australiano, que disputará uma final entre expoentes da nova geração contra o russo Daniil Medvedev, 84º colocado aos 21 anos.

Desempenho no playoff disputado em dezembro foi primordial para a confiança do jovem jogador

Desempenho no playoff disputado em dezembro foi primordial para a confiança do jovem jogador

Para o australiano, um fator primordial na busca por confiança foi ter vencido a forte seletiva nacional disputada em dezembro, que lhe rendeu um convite para disputar a chave principal do Australian Open pela segunda vez na carreira. Já em Sydney, após a vitória sobre Damir Dzumhur pelas oitavas de final, ele contou aos jornalistas sobre quando começou a se sentir mais confiante sobre seu potencial.

“Em Brisbane foi um grande passo para mim, porque eu senti que estava jogando em um ótimo nível. Mas na verdade, [a confiança] veio provavelmente antes disso, no playoff pelo convite para o Australian Open. Ali eu pensei que meu nível era muito bom. Mesmo no meu nível mental. Eu não diminuí a concentração durante todo o torneio e pude manter esse nível durante todo o verão australiano.

Ao longo dessas duas semanas de torneios, De Minaur contou com o apoio do ex-número 1 do mundo Lleyton Hewitt, que tem atuado como seu mentor fora de quadra. “Lleyton é uma grande influência e me ajuda muito. Sou muito grato por tudo o que ele fez por mim. É ótimo ter alguém como ele por perto, torcendo por você e te ajudando”, disse De Minaur. “Uma das primeiras coisas que ele já me disse foi acreditar em mim mesmo, porque eu tenho um jogo bom o suficiente para lutar contra esses caras”.

Filho pai uruguaio e mãe espanhola, o jovem tenista viveu em Sydney até os cinco anos e depois foi com a família para a Espanha. Sua formação no tênis foi dividida entre as duas bases. A maior parte de sua carreira juvenil foi construída em solo australiano, enquanto seus primeiros futures como profissional em 2015 foram jogados no saibro espanhol, mas a escolha por defender a Austrália é bem clara. “Eu sempre fui apaixonada pela Austrália. Isso é o que eu sempre quis fazer. Cresci vendo Lleyton jogar a Copa Davis, com muita vontade e sem desistir nunca. É lá que eu quero chegar um dia, para poder usar o verde e dourado e representar o meu país. Não há maior honra do que poder fazer isso”.

“Nós nos mudamos por causa da minha família, dos negócios da minha família. Mas estou sempre indo e voltando. Vivo em ambos os lugares. Venho para cá no começo de novembro e passo todo o verão australiano até quase março. No resto da temporada, quando há muito mais torneios na Europa, eu me baseio na Espanha. Mas eu provavelmente acabo passando mais tempo na Austrália”.

Embora sua formação tenha sido dividida entre Austrália e Espanha, De Minaur não tem dúvidas de que quer defender o país onde nasceu

Embora sua formação tenha sido dividida entre Austrália e Espanha, De Minaur não tem dúvidas de que quer defender o país onde nasceu

Também chamou atenção a prática de fechar os olhos e respirar fundo durante as viradas de lado. O gesto que já está se tornando característico do jovem australiano foi uma recomendação de um psicólogo espanhol. “Antes de cada game importante no meu saque, eu fiz questão de usar minhas técnicas de respiração, focando no que eu queria fazer. E isso me ajudou a superar esses momentos de tensão”, comentou o jovem tenista. “Esse é um trabalho que fiz com um psicólogo na Espanha. Ele sempre me disse para fazer isso e agora eu finalmente estou fazendo”, disse sorrindo. “Eu percebo o quanto o meu jogo melhora, graças a essas técnicas simples”.

De Minaur também avalia que a conexão que tem com o público ao jogar em casa também o ajuda nos momentos de maior necessidade. “Às você se sente nervoso nas partias, mas adrenalina e a intensidade do público ajudam a lidar com isso. Você tem que tentar se aproveitar disso, continuar motivado e deixar todos os nervos desaparecerem”.

Prestes a disputar o Australian Open pela segunda vez na carreira, De Minaur já sabe que terá uma estreia complicada contra o experiente tcheco Tomas Berdych, mas espera fazer o seu melhor. “Obviamente é uma partida muito difícil, mas estou ansioso por isso. Vai ser uma ótima oportunidade para mim e não posso aguardar para entrar em quadra nesse Grand Slam em casa e mostrar a todos o que eu tenho”.

Primeiro ano na elite do juvenil motiva Pucinelli
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 5, 2018 às 3:55 pm

Destaque no circuito juvenil na última temporada, Matheus Pucinelli será um dos quatro brasileiros no Australian Open de sua categoria. O paulista de 16 anos, que treina desde 2012 no Instituto Tênis, em Barueri, ainda tem dois anos de juvenil pela frente, mas os bons resultados na última temporada o deixam motivado para o ano de 2018. Ele também projeta bons resultados no início de sua carreira profissional, depois de ter marcado seu primeiro ponto no ranking da ATP em novembro, no future de Santos.

Matheus Pucinelli tem 16 anos e ocupa o 31º lugar do ranking juvenil (Foto João Pires/Fotojump)

Matheus Pucinelli tem 16 anos e ocupa o 31º lugar do ranking juvenil (Foto João Pires/Fotojump)

Pucinelli chegou às quartas de final do Campeonato Internacional Juvenil de Tenis de Porto Alegre (antiga Copa Gerdau), competição nível GA no circuito mundial de 18 anos e foi finalista no ITF G1 de Repentigny, no Canadá, resultado que lhe rendeu uma vaga na chave juvenil do US Open. Depois de terminar 2017 no 61º lugar do ranking mundial juvenil, ele irá iniciar a nova temporada já na 31ª posição após a profissionalização dos jogadores nascidos em 1999.

O jovem paulista viaja para a Austrália no dia 8 de janeiro e disputará seu primeiro torneio da temporada em Tralagon, a partir do dia 14. Já na semana seguinte, o paulista terá a companhia dos parceiros de treinos Igor Gimenez e João Lucas Reis e do paranaense que treina no Rio de Janeiro Thiago Wild na chave juvenil do Australian Open, em Melbourne.

Confira a entrevista com Matheus Pucinelli.

Logo no começo do ano você se destacou na Copa Gerdau, em Porto Alegre. Como foi a experiência de ir tão bem um torneio tão importante?
Acho que foi uma experiência boa. Consegui aproveitar bem um pouco da parte de estar jogando no Brasil e da torcida. Era um torneio muito bem organizado, com quadras muito boas, e pude aproveitar muito bem essa parte. Consegui me sentir tranquilo e tive um bom resultado.

Você também fez uma campanha muito boa no Canadá, pouco antes do US Open. O quanto esses resultados te motivaram ao ver que você conseguiu ser competitivo contra alguns dos melhores do mundo na sua categoria?
Acho que isso motiva muito porque a gente consegue ter a noção de que podemos estar entre os melhores da nossa categoria. Com esses resultados, finais de torneios grandes, semifinais e quartas, a gente tem a ideia de que pode estar sempre entre os melhores.

Você encerrou sua temporada depois dos futures. Quando você começou os treinamentos para o próximo ano e como está sendo a preparação para a Austrália?
Os futures foram bem legais para a gente sentir um pouco da atmosfera dos torneios profissionais e das rotinas, que são diferentes do juvenil. Depois tive duas semanas para descansar, ficar tranquilo, esquecer um pouco do tênis, e agora já voltei a treinar. Estamos na pré-temporada e trabalhando duro para chegar bem na Austrália.

Este é o último ano de juvenil de dois de seus parceiros de treino, o João Lucas e o Igor, mas você ainda pode jogar mais um ano. Como será o planejamento do calendário já os rankings de vocês são próximos?
A princípio para este ano, o meu calendário deve ser idêntico ao deles, mesclando bastante o juvenil com o profissional, em 50% de cada. Talvez em 2019 tenha uma mudança e eu jogue alguns torneios juvenis.

Aqui no Instituto a gente está sempre sendo cobrado e respondendo bem nós três juntos. A gente cria uma amizade, está sempre convivendo junto e a gente está conseguindo subir junto, todo mundo mundo melhorando a cada dia e um puxando o outro.

Quais sãos seus objetivos para a próxima temporada?
É conseguir me firmar bem no juvenil para estar nas chaves de Grand Slam e talvez conseguir um resultado bom em um deles e também conseguir resultados constantes nos futures para conseguir subir no ranking profissional.

João Lucas Reis inicia ano na Austrália e mira o 1º título
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 2, 2018 às 3:20 pm

Prestes a iniciar seu último ano no circuito mundial juvenil, o pernambucano João Lucas Reis tem objetivos claros para a temporada de 2018. O jogador de 17 anos, e que completa 18 em março, quer disputar todos os Grand Slam da categoria júnior e fazer uma boa transição para a carreira profissional visando também o primeiro título para o ano que acaba de começar.

João Lucas Reis está em seu último ano no circuito juvenil (Foto: João Pires/Fotojump)

João Lucas Reis marcou primeiro ponto na ATP em novembro e quer um título em 2018 (Foto: João Pires/Fotojump)

Natural de Recife, Reis se mudou ainda muito jovem para o estado de São Paulo, treinando primeiro com Leandro Afini em São José dos Campos e desde 2014 é atleta do Instituto Tênis, em Barueri, onde é acompanhado pelo técnico Francisco Costa. O pernambucano terminou a temporada de 2017 no 60º lugar do ranking mundial juvenil da ITF, chegando a ocupar a 51ª posição em outubro. Com a atualização desta terça-feira e que retira os jogadores nascidos em 1999, ele já saltou para o 30º lugar.

Já no circuito profissional, Reis marcou seu primeiro ponto na ATP em um future disputado na cidade de Santos em novembro. Na semana seguinte, fez uma ótima campanha na capital paulista, onde foi semifinalista. Com isso, o jovem de 17 anos está no 1.091º lugar com sete pontos conquistados.

A temporada de 2018 começa na Austrália. Reis viaja no dia 8 de janeiro para disputar um torneio ITF G1 em Tralagon, que começa no dia 14. Já a partir de 21 de janeiro, o pernambucano será um dos quatro brasileiros na chave juvenil do Australian Open, juntando-se aos paulistas Igor Gimenez e Matheus Pucinelli (seus parceiros de equipe em Barueri) e ao paranaense Thiago Wild, que treina na Tennis Route no Rio de Janeiro.

Confira a entrevista com João Lucas Reis.

Como foi seu início no tênis e como surgiu a chance para vir treinar no IT?

Eu comecei a jogar tênis com quatro anos de idade, por maior influência do meu irmão, Antônio Gabriel. Ele também jogava o circuito juvenil e eu o admirava muito, queria ser como ele. Comecei a jogar já com quatro anos e comecei a treinar aos sete, já três vezes por semana. Aos dez, fui disputar alguns torneios brasileiros e aí fui indo. Sobre a vinda para o IT, eu treinava na Afini, fiquei cinco meses lá e pedi para fazer um teste aqui, porque tinha uma ótima equipe, com estrutura muito grande, e eles me aceitaram.

E como foi sua vinda para São Paulo e a experiência de morar sozinho e ficar longe da família desde muito jovem?

No começo foi difícil. Demorei um pouco para me adaptar. Acho que exigiu muita força de vontade, ficar longe da família e dos amigos era bem difícil, mas a cada eu ano eu venho me adaptando melhor e já estou bem adaptado a isso, já carrego uma bagagem grande e agora está bem melhor.

Recentemente, nos dois futures, você não apenas marcou seus primeiros pontos na ATP como também fez uma boa campanha e chegou na semifinal. O quanto isso te motiva durante essa fase de transição?

Eu fiquei bem feliz em ter conseguido meu primeiro ponto na ATP na minha primeira chave. Foi uma motivação a mais para aquelas duas semanas. Cheguei na outra semana me sentindo que eu poderia jogar de igual para igual e isso me fez crescer nos momentos importantes e foi muito boa a gira aqui no Brasil. Isso me motiva cada vez mais a jogar mais futures também, mesclar com os juvenis e ter mais semanas como a de São Paulo.

Também em São Paulo, você teve a sensação de jogar com a torcida a favor. Foi uma situação inédita? Como você se sentiu em quadra?

Eu me senti muito bem. Já joguei com torcida a favor algumas vezes, principalmente em Recife. Quando a gente vai jogar alguns torneios lá, bastante gente torce por mim e me ajudou muito principalmente nas horas decisivas. Teve dois jogos que eu ganhei por 7/6 no terceiro que a torcida acabou me ajudando e deu uma força a mais.

Jovem pernambucano disputará um ITF em Tralagon antes do Australian Open

Jovem pernambucano disputará um ITF em Tralagon antes do Australian Open (Foto: João Pires/Fotojump)

Você encerrou sua temporada depois dos futures. Quando você começou os treinamentos para o próximo ano e como está sendo a preparação para a Austrália?

Tive duas semanas de férias para descansar um pouco. Consegui descansar bem. Tive quatro semanas de treinamento e tenho mais três. Superou um pouco das expectativas do que eu achava que iria voltar, porque eu achava que voltaria um pouco pior. Treinei muito bem e estou bem confiante para essa gira na Austrália. Espero fazer bons resultados lá.

Você já jogou com o [Denis] Shapovalov em um de seus primeiros torneios. Como foi essa experiência?

Foi uma experiência ótima. Eu joguei contra o Shapovalov no início de 2016, no quali de um future nos Estados Unidos e ele já se destacava. Estava como 20 do mundo entre os juvenis e entrando no profissional. Foi um jogo bem duro, 7/6 e 6/2, se não me engano. Tive várias chances de quebrar no primeiro set, mas ninguém acabou quebrando. Quando foi para o tiebreak ele conseguiu subir o nível. Foi bem legal sentir que estava jogando de igual para igual contra um cara desse nível. Foi uma ótima experiência.

Quais são seus objetivos para a próxima temporada?

Tenho o objetivo de jogar os quatro Grand Slam e vou mesclar com os torneios futures. Tô com o objetivo também de ganhar um torneio future, que é uma boa meta para esse início de ano de 2018.