Banana Bowl e Porto Alegre: Brasil recebe seus principais torneios juvenis
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 20, 2018 às 8:02 pm

Nas mesmas semanas em que as duas maiores cidades do país recebem os dois torneios ATP em solo brasileiro, o Rio Open e o Brasil Open, acontecem também as duas principais competições nacionais do calendário infanto-juvenil.

A primeira disputa será a do Banana Bowl, mais tradicional competição juvenil no Brasil e que este ano chega à sua 48ª edição. Pelo segundo ano seguido, a disputa será concentrada no Sul do país, depois três edições no interior de São Paulo. O público paulista, aliás, também poderá acompanhar tênis juvenil em alto nível dentro de duas semanas, na edição inaugural da Copa Paineiras, competição sul-americana no clube Paineiras do Morumby, na Zona Sul da capital.

A cidade catarinense de Criciúma recebe a categoria 18 anos, que vale pontos no circuito mundial da ITF. Os jogos acontecem na Sociedade Recreativa Mampituba. Já os gaúchos de Caxias do Sul podem acompanhar os jogos das categorias 12 anos (nacional), 14 anos e 16 anos (que fazem parte do circuito sul-americano da COSAT), além do Tennis Kids (categorias 8, 9, 10 e 11 anos – nacional) no Recreio da Juventude.

Já na semana que vem, dois clubes da capital gaúcha recebem a 35ª edição do Campeonato Internacional Juvenil de Tênis de Porto Alegre, antigamente chamada de Copa Gerdau. A principal categoria acontece na Associação Leopoldina Juvenil, que também será palco do Tennis Kids. Já os jogos das categorias 12, 14 e 16 anos serão realizados na Sociedade de Ginástica Porto Alegre (SOGIPA).

ATRAÇÕES: Alguns dos principais juvenis do tênis brasileiro estarão presentes. É o caso do pernambucano João Lucas Reis e dos paulistas Mateus Alves, Igor Gimenez e Matheus Pucinelli, todos que aparecem no top 50 do ranking mundial juvenil da ITF. Já o paranaense Thiago Wild prioriza o circuito profissional, jogando o quali do Rio Open e a chave principal do Brasil Open como convidado.

Com experiência em ATP, o búlgaro de 16 anos Adrian Andreev jogará torneios juvenis no Brasil (Foto: DIEMA XTRA Sofia Open)

Com experiência em ATP, o búlgaro de 16 anos Adrian Andreev jogará torneios juvenis no Brasil (Foto: DIEMA XTRA Sofia Open)

Entre os estrangeiros, destaque para o búlgaro de 16 anos Adrian Andreev, que recentemente teve sua primeira experiência em nível ATP ao ser convidado para jogar a chave principal em Sófia. Argentina e Colômbia contam com os principais nomes no masculino e feminino: Sebastian Baez, Nicolas Mejia, Maria Camila Osorio Serrano e Maria Lourdes Carlé.

CAMPEÕES ILUSTRES: A lista de campeões na categoria principal do Banana Bowl tem nomes como Andy Roddick, John McEnroe (em final contra Ivan Lendl!), Thomas Muster, Fernando Meligeni, Fernando Gonzalez e Sevetlana Kuznetsova. Nos 16 anos, Juan Martin del Potro já foi finalista perdendo a final para o brasileiro Raony Carvalho em 2003.

Já o principal campeão da Copa Gerdau é Gustavo Kuerten, que venceu em simples e duplas na categoria principal de 1994. Nomes de destaque do tênis brasileiro como Flavio Saretta, Marcos Daniel e Thiago Monteiro também já foram campeões. No feminino, destaque para duas atletas que atingiram o top 10 da WTA: A canadense Eugenie Bouchard e a francesa Kristina Mladenovic.

TÍTULOS RECENTES: As últimas conquistas nacionais vieram com o gaúcho Orlando Luz, biampeão do Banana Bowl e também em Porto Alegre nos anos de 2014 e 2015. Já entre as meninas acontecem dois jejums. Roberta Burzagli foi a última brasileira a vencer o Banana Bowl ainda em 1991, enquanto Miriam D’Agostini venceu a Gerdau pela última vez em 1996. Entre as últimas finalistas, Roxane Vaisemberg foi vice do Banana em 2006 e Bia Haddad Maia jogou duas decisões na Gerdau em 2012 e 2013.

QUEM JÁ JOGOU: Além da galeria de campeões, os torneios juvenis no Brasil já trouxeram outros nomes que se destacaram na sequência da carreira. Só em edições recentes, podemos nos lembrar de Marion Bartoli, Sabine Lisicki, Alizé Cornet, Dominika Cibulkova, Kei Nishikori e Denis Shapovalov.

Denis Shapovalov jogou o Banana Bowl de 2015 em São José dos Campos (Foto: Marcelo Zambrana/DGW)

Denis Shapovalov jogou o Banana Bowl de 2015 em São José dos Campos (Foto: Marcelo Zambrana/DGW)

CLUBES: Essas competições costumam ser abertas ao público e ter entrada franca, mas é legal entrar em contato com os próprios clubes sobre eventuais protocolos de entrada, especialmente para quem não é associado.

Sociedade Recreativa Mampituba
Rodovia SC 446, 4, São Simão
CEP: 88811-400
Criciúma/SC
Telefone: (47) 3431-3000
www.mampituba.com.br

Recreio da Juventude
Avenida Atilio Andreazza, 3525, Sagrada Família
CEP: 95052-070
Caxias do Sul/RS
Telefone: (54) 3028-3555
www.recreiodajuventude.com.br

Associação Leopoldina Juvenil (ALJ)
Rua Marques do Herval, 280 – Porto Alegre/RS
CEP: 90570-140
Telefone: (51) 3323-4300
www.juvenil.com.br

Sociedade de Ginástica Porto Alegre (SOGIPA)
Rua Américo Vespucio, 580
CEP: 90540-020
Porto Alegre/RS
Telefone: (51) 3325-7200
www.sogipa.com.br

Barty mostra que é possível jogar diferente
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 12, 2018 às 9:00 pm

Em um circuito dominado por jogadoras cada vez mais altas, mais fortes e mais agressivas, a australiana Ashleigh Barty mostra que é possível atuar em alto nível jogando de maneira diferente. A australiana de 21 anos é uma das atletas mais versáteis da atualidade e suas atuais décima sexta posição no ranking de simples e décima nas duplas ratificam essa condição.

Barty tem um bom forehand, mas não compete em potência dos golpes contra nomes como Petra Kvitova, Karolina Pliskova e Garbiñe Muguruza. Nem mesmo a consistência defensiva de uma Caroline Wozniacki ou Simona Halep aparecem tanto no jogo da australiana. Suas apostas são em frequentes slices, drop shots e subidas à rede. A variação aparece também nas devoluções, que em alguns momentos apenas bloqueiam o saque das adversárias. Junte isso com tempo de resposta muito rápido para a tomada de decisões de improviso e temos uma adversária bem chata de ser enfrentada até mesmo pelas melhores do mundo.

Barty mostra a cada semana que é possível jogar em alto nível sem ter o estilo dominante do circuito

Barty mostra a cada semana que é possível jogar em alto nível sem ter o estilo dominante do circuito (Foto: SMP Images)

Com apenas 1,66m, Barty pode não ser dona de um dos saques mais velozes do circuito, mas tem um das mais eficientes. A australiana é sexta jogadora que mais fez aces neste começo de ano com 50 no total. Ela é também a nona jogadora que melhor aproveita os pontos disputados em seu serviço, com 62,2%.

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No ano passado, Barty teve o quinto melhor aproveitamento de pontos jogados no saque com 62% em 41 jogos e venceu 70% dos pontos jogados em primeiro saque, média que fez dela a oitava melhor do circuito nesse quesito. A australiana também apareceu entre as dez que mais venceram pontos com segundo saque e entre as que mais salvaram break points. Como isso é possível? Barty coloca muito bem o saque e sabe como poucas variar efeito e direção. Jogando ora aberto, ora no T, ora no corpo, ela faz tudo muito bem.

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No último fim de semana, Barty defendeu a Austrália no Grupo Mundial II da Fed Cup e responsável pelos três pontos no confronto diante da Ucrânia em quadra de grama em Camberra. Além de vencer seus dois jogos de simples, ela também marcou a vitória decisiva nas duplas, ao lado de Casey Dellacqua. A atuação mais impactante do fim de semana veio diante da promessa ucraniana de 15 anos Marta Kostyuk, uma das principais revelações deste início de temporada e adepta do estilo agressivo. Barty criou uma verdadeira armadilha para sua jovem rival e não a deixou confortável em nenhum momento. Resultado, 6/2 e 6/3 em dos jogos mais importantes do confronto.

Uma trajetória diferente –  Barty começou a chamar atenção no mundo tênis em 2011 quando foi campeã juvenil de Wimbledon e vice-líder no ranking mundial da categoria com apenas 15 anos. Pouco depois, conseguiu uma vaga na chave principal do Australian Open do ano seguinte ao vencer a forte seletiva nacional entre jogadoras profissionais tradicionalmente disputada em dezembro. Já em 2013, foi finalista de duplas em três Grand Slam, Australian Open, Wimbledon e US Open, todos ao lado de Dellacqua.

Entretanto, depois de ter alcançado o 129º lugar no ranking de simples e o 13º em duplas, Barty fez uma pausa na carreira após o US Open de 2014. Estava cansada da pressão sofrida no circuito e tentou a sorte no críquete, chegando a jogar profissionalmente em seu país. “Tudo aconteceu rápido demais”, disse Barty ao site da WTA, em fevereiro de 2016, quando voltou às quadras jogando ITFs. “Eu era uma desconhecida até ganhar o juvenil de Wimbledon e seis meses depois jogar o Australian Open. Fui vítima do meu próprio sucesso”.

Depois de jogar torneios menores e lesionar o braço direito há dois anos, a australiana só pôde efetivamente voltar ao circuito de WTA no início do ano passado. Ainda em março, conquistou seu primeiro título na elite do circuito em Kuala Lumpur, entrou no top 100 e não parou mais. Fez boas campanhas ao longo do ano, com destaque para os vice-campeonatos em Wuhan e Birmingham e venceu quatro jogos contra top 10. Ao final da temporada, a australiana havia saltado 308 posições do 325º para o 17º lugar, tendo a segunda maior evolução na elite do circuito.
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De promessa no circuito juvenil, a uma jovem jogadora estafada no início da carreira profissional à volta ao circuito em alto nível. O que mudou? Ela mesma explicou em entrevista coletiva antes do Australian Open. “Isso foi há muito tempo e para mim foi uma surpresa. Simplesmente aconteceu muito rápido e eu não estava pensando muito à frente. Acho que se você é um bom juvenil, não há garantias de que você vá se dar bem no circuito e isso foi muito difícil para mim. Mas acho que isso já passou e hoje me sinto ótima em quadra. Tenho uma equipe realmente sólida em torno de mim. São pessoas genuínas que estão me ajudando em tudo”.

A cada semana, Barty mostra que jogar diferente da maioria não é uma sentença de morte no circuito. Também serve para refutar o argumento simplista, preguiçoso (e preconceituoso, por que não?) de que não há variação no tênis feminino. Além da própria australiana, nomes como Anastasija Sevastova, Magdalena Rybarikova, Elise Mertens e a veterana Svetlana Kuznetsova aparecem hoje no top 20 e nenhuma delas é adepta de “quebrar a bola e atacar a todo custo”. O caminho pode até ser mais longo, mas ainda há espaço para quem subverta os padrões.

Ineditismo cobra o preço a Chung e Edmund
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 26, 2018 às 5:39 pm

Os dois nomes da nova geração que mais se destacaram durante o Australian Open terminaram suas campanhas de forma parecida. Semifinalistas da chave masculina, o sul-coreano Hyeon Chung e o britânico Kyle Edmund encantaram o público ao longo de duas semanas e venceram adversários de peso, mas ambos chegaram para os jogos mais importantes do início de suas carreiras na elite do circuito com muitas limitações físicas.

Edmund sentiu um incômodo no quadril e precisou de atendimento durante a partida contra Marin Cilic. O britânico de 22 anos e 49º do mundo acabou oferecendo resistência ao croata apenas durante dois dos três sets da partida disputada na última quinta-feira. Por sua vez, Chung lidou com bolhas nos pé esquerdo ao longo da segunda semana do torneio e o problema se agravou antes de enfrentar Roger Federer nesta sexta-feira. A melhor solução encontrada pelo sul-coreano de 21 anos e 58º colocado foi abandonar a partida ainda no segundo set.

Não é mera coincidência que dois jogadores que chegam tão longe em Grand Slam pela primeira vez acabem sendo traídos pelo próprio corpo. Esse é um caso em que a juventude pesa mais contra que a favor. Edmund passou 14h48 em quadra nos cinco primeiros jogos do torneio, o que inclui duas partidas definidas apenas no quinto set. Chung atuou por menos tempo, 11h55, muito por conta da desistência do alemão Mischa Zverev ainda na rodada de estreia.

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chungNenhum dos dois está tão habituado à uma sequência tão desgastante de jogos, ainda mais com a intensidade que as partidas de Grand Slam têm. Edmund tem apenas quatro semifinais de ATP na carreira, com somente duas para Chung (sendo uma delas no Next Gen ATP Finals com regras diferentes do habitual). As únicas vezes em que haviam disputado seis jogos em um mesmo torneio aconteceram quando vieram do qualificatório ou jogando competições de nível challenger e future.

A capacidade de lidar melhor com essa situação para chegar às fases decisivas em condições de lutar pelo título só virá com o tempo e, principalmente, com a experiência em competições de alto nível. Não há uma idade certa para que isso aconteça, mas quanto mais cedo eles se habituarem com fases rodadas finais nos torneios regulares da ATP, mais prontos para dar um novo salto nos Grand Slam eles estarão. Por ora, é comemorar a boa campanha e trabalhar para a recuperação física.

Sensações parecidas

Chung eliminou Zverev e Djokovic no caminho para sua primeira semifinal de Grand Slam (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Chung eliminou Zverev e Djokovic no caminho para sua primeira semifinal de Grand Slam (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Tanto Chung quanto Edmund lamentaram os problemas físicos em jogos tão importantes, mas preferiram enaltecer as boas campanhas que fizeram. Chung foi o algoz do hexacampeão Novak Djokovic e do número 4 do mundo Alexander Zverev, enquanto Edmund passou pelo terceiro do ranking e semifinalista do ano passado Grigor Dimitrov e pelo sul-africano Kevin Anderson que foi vice no US Open. Os dois jovens jogadores terão os melhores rankings de suas carreiras na próxima segunda-feira e aparecerão entre os 30 melhores do mundo.

“Eu aproveitei as duas semanas dentro e fora de quadra. Estou realmente feliz. Cheguei pela primeira vez às oitavas, depois às quartas e à semifinal. Joguei contra Sascha, Novak e Roger”, disse Chung após a partida contra Federer, que abandonou quando perdia por 6/1 e 5/2. “Acho que ganhei confiança, enfrentei bons jogadores e estarei mais confortável em quadra contra esses grandes nomes na próxima vez”.

Como o sul-coreano não tem tanto o domínio da língua inglesa, Stuart Duguid, seu agente na IMG, explicou aos jornalistas sobre a condição física do jogador. “Posso responder por ele”, disse Diguid. “É algo pior do que bolhas regulares. Nos últimos dias, foi se formando bolha sobre bolha. Ele raspou e agora ficou em carne viva. Ele tomou injeções para ver se aliviaria a dor, mas não funcionou. É muito pior do que uma bolha regular”.

Edmund foi responsável por eliminar o terceiro do ranking Grigor Dimitrov (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Edmund foi responsável por eliminar o terceiro do ranking Grigor Dimitrov (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Edmund adotou discurso parecido com o de Chung sobre sua boa campanha. “Este tipo de torneio só lhe dá vontade de querer mais. Depois sentir o gosto, é como se eu pensasse: ‘Sim, eu quero mais disso'”, disse o britânico de 22 anos. “É claro que estou decepcionado pela derrota, mas foram duas boas semanas. Chegar em uma semifinal de um Grand Slam definitivamente é algo de que eu posso me orgulhar e levar isso para frente. Pude também jogar algumas partidas na Rod Laver e vencer partidas difíceis contra grandes jogadores”.

Até mesmo os desgastantes jogos de cinco sets foram comemorados pelo britânico. “Não há nada melhor do que ganhar um jogo de cinco sets. Os jogos em melhor-de-cinco devem permanecer sempre no circuito masculino. É um verdadeiro teste de qualidade e prova sua resistência física e mental”.

Os quatro juvenis brasileiros 

Ausentes nos últimos dois anos, os brasileiros voltaram à chave juvenil do Australian Open. Em 2018, quatro jogadores nacionais jogadores nacionais estiveram em quadra: o paranaense Thiago Wild, o pernambucano João Lucas Reis e os paulistas Igor Gimenez e Matheus Pucinelli.

Igor Gimenez foi o brasileiro de melhor campanha, ao chegar às oitavas (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

Igor Gimenez foi o brasileiro de melhor campanha, ao chegar às oitavas (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

A melhor campanha foi de Gimenez, que venceu o holandês Lodewijk Weststrate e o uzbeque Sergey Fomin antes de cair nas oitavas para o taiwanês Chun Hsin Tseng, que aliás está na final do torneio. Wild e Pucinelli conseguiram uma vitória cada um, enquanto Reis não teve sorte com a chave e perdeu na estreia para o cabeça 2 sérvio Marko Miladinovic, que só parou na semifinal.

Se por um lado, os resultados dos brasileiros foram discretos, é legal destacar que a representação nacional no torneio é a maior desde 2014 e que quatro brasileiros não disputavam uma chave principal de um Grand Slam juvenil desde 2016 em Roland Garros. Depois de dois anos sem representantes, resta torcer para que um torneio com quatro jogadores nacionais se torne uma regra, não exceção.

Thiago Wild terá experiência inédita na Copa Davis (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

Thiago Wild treinou com Zverev e terá experiência inédita na Copa Davis (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

Wild, que já é top 10 no ranking mundial juvenil, ainda teve duas boas oportunidades. Ainda em Melbourne, ele treinou com o número 4 do mundo Alexander Zverev e recebeu a notícia da convocação para a equipe brasileira da Copa Davis, que enfrenta a República Dominicana na semana que vem.

O filho de Korda e o discípulo de Murray

Por muito pouco, a final da chave juvenil não envolveu dois nomes com DNA de peso. O norte-americano Sebastian Korda é filho do tcheco Petr Korda, ex-número 2 do mundo e campeão do Australian Open em 1998, e se garantiu na final ao derrotar o sérvio Marko Miladinovic por 7/5, 5/7 e 6/4. Vinte anos depois do título de seu pai, ele terá a oportunidade de jogar na Rod Laver Arena neste sábado, quando disputará o título contra o taiwanês Chun Hsin Tseng.

“Com certeza, é um sentimento especial”, disse Korda em entrevista ao site da ITF. “Meu pai completou 50 anos há alguns dias e disse a ele que levaria alguma coisa para seu aniversário. Espero que o troféu seja um bom presente”.

Semifinalista na chave juvenil, Aidan McHugh tem a carreira agenciada por Murray

Eliminado na chave juvenil, Aidan McHugh tem a carreira agenciada por Murray (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

Já o taiwanês Tseng foi o responsável por eliminar o britânico Aidan McHugh por 6/3, 5/7 e 6/4. Apesar da queda na semi, é legal ficar de olho na trajetória de McHugh. O escocês de 17 anos tem sua carreira acompanhada de perto e administrada por Andy Murray desde o fim do ano passado. Vale acompanhar as entrevistas de Murray e McHugh à BBC realizadas em novembro último sobre a parceria, que já começa a mostrar bons resultados.

Na Austrália, Kostyuk desfruta do tênis pela primeira vez
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 17, 2018 às 5:06 pm

Destaque neste primeiros dias de Australian Open, a ucraniana Marta Kostyuk tem chamado atenção por diferentes razões. Com apenas 15 anos, ela passou por três rodadas do qualificatório e mais duas na chave principal. Mas além dos resultados expressivos para sua idade, e que a colocam no patamar de outros prodígios do esporte, Kostyuk também se destacou pela autenticidade de suas declarações.

Logo após a vitória diante da australiana Olivia Rogowska por 6/3 e 7/5 na Margaret Court Arena, Kostyuk participou da tradicional entrevista em quadra, realizada nos três principais estádios do Grand Slam australiano. A comemoração pela vitória foi discreta: “Estou feliz por passar de fase. Na verdade, não senti que fui bem em quadra hoje” e não se mostrou impressionada ao saber que havia se tornado a jogadora mais jovem a chegar em uma terceira rodada de Grand Slam desde Mirjana Lucic (no US Open de 1997) e a mais nova nesta fase do torneio australiano desde Martina Hingis em 1996. “Eu bato recordes ou os repito a cada ano, então eu me sinto Ok”.

De fato, novas marcas vieram a cada rodada para ela. No domingo, quando venceu a tcheca Barbora Krejcikova por 6/3, 5/7 e 6/0 pela última rodada do qualificatório, a ucraniana havia se tornado a mais jovem jogadora a passar pelo quali de um Grand Slam desde a búlgara Sesil Karatantcheva, que tinha 15 anos e 5 meses no Australian Open de 2005. Já no dia seguinte, derrotar a 27ª colocada chinesa Shuai Peng por duplo 6/2 fez dela a mais jovem a vencer.um jogo pela chave principal Melbourne em 21 anos. Faz sentido que ela encare tais números com tamanha naturalidade.

Mas a frase que mais chamou atenção foi sobre o fato de poder cobrar menos de si mesma, se comparada aos tempos de juvenil. “Isso mudou, porque você não pode ser perfeccionista no tênis. Você comete erros a cada ponto e em cada golpe, então você não pode ser assim ou você vai acabar num hospital psiquiátrico”.

Na Austrália, Kostyuk diz estar desfrutando do tênis pela primeira vez em sua vida. Em longa entrevista ao site da WTA, a jovem jogadora falou sobre sua mudança de mentalidade, motivada principalmente pelo caráter profissional do circuito e das premiações em dinheiro.

“Agora eu mudei completamente minha atitude em quadra neste torneio. Não antes. Apenas neste torneio. Eu era uma jogadora diferente no meu último torneio. Eu posso mudar assim, mas também posso mudar na direção oposta (risos). Agora eu entendo o que é administrar as emoções, não mostrá-las o tempo todo e estar sempre motivada”.

“Você sabe qual é a diferença? Agora você está nos profissionais e você começa a ganhar dinheiro e é diferente porque você está jogando e é como se você estivesse trabalhando. Você está trabalhando duro, você dá energia, mas depois disso recebe o dinheiro. Vale a pena. Eu teria perdido minhas três partidas do quali se eu me comportasse como na semana passada”.

“Eu poderia estar ganhando por 5/0 e 40-0 se eu errasse uma bola e eu jogaria minha raquete no chão e ficaria irritada. ‘Como eu pude errar essa bola?’ Eu era perfeccionista. Na escola, tudo tinha que ser bom, minhas notas tinham que ser boas. Na ginástica [esporte que também já praticou], tudo tinha que ser bom. Eu ficava sempre estressado e as pessoas ao meu redor apenas diziam: ‘Marta, aproveite'”.

Kostyuk mudou a mentalidade como tenista depois de se tornar profissional (Foto: Elizabeth Bai/Tennis Australia)

Kostyuk mudou a mentalidade como tenista depois de se tornar profissional (Foto: Elizabeth Bai/Tennis Australia)

Apesar da pouca idade e de estar apenas começando sua trajetória no circuito profissional, Kostyuk mostra uma mentalidade diferente no planejamento de sua carreira a longo prazo e na maneira como estabelece suas metas. “Eu ouço muitos jogadores dizerem que o ‘tênis é tudo para mim’, ‘o tênis é a minha vida’. Eu não quero assumir isso, porque se eu perder ou algo acontecer, isso destruiria minha vida. Quando terminar minha carreira, quero também ser boa em outras coisas, não só no tênis”.

“Conheço muitos jogadores que se aposentam e depois voltam porque dizem que não têm nada o que fazer fora do tênis. Eu não quero ser uma pessoa assim e é por isso que eu não tenho tênis tão perto de mim”, explica a ucraniana, que treina em Zagreb, na Croácia, e tem a carreira agenciada por Ivan Ljubicic.

“Eu nunca determino um super objetivo. Penso naquilo que é real. Quando eu alcanço, então eu traço outro objetivo. Eu não digo que vou ser a número 1 no final do ano, porque se eu não conseguir, alguma parte de mim nunca mais será a mesma”, comentou a jogadora, que irá saltar mais de duzentas posições no ranking da WTA depois do Grand Slam australiano, saindo do atual 521º lugar para uma posição entre as 250 melhores.

Durante a entrevista coletiva, na sala de imprensa do Melbourne Park, a ucraniana expôs um pouco mais sobre a mudança de sua relação com o tênis, já que em algumas falas anteriores ela dava a entender que não gostava tanto do esporte. “Não é como se eu não gostasse. Na verdade, eu disse que não estava aproveitando. Eu gostava de tênis e continuo amando, mas sempre queria vencer, não importa o que. Se eu perdesse, era uma tragédia e aí eu não queria mais jogar. Agora estou finalmente começando a aproveitar”.

A ideia de não se cobrar tanto também a ajuda a lidar com uma limitação de regulamento imposta pela WTA. “Como tem menos de dezesseis anos, ela só pode disputar doze torneios profissionais durante um ano. No ano passado, eu estava jogando muitos torneios juvenis e queria encerrar esse ciclo. Então, meu primeiro torneio foi há duas semanas em Brisbane foi e depois deste, ainda tenho 10 torneios, o que está bom. Mas desde o meu próximo aniversário até o ano seguinte, serão 16 torneios. Poderia jogar 16 torneios em um ano, enquanto as pessoas estão jogando 20″.

Atual campeã juvenil em Melbourne, a ucraniana já encerrou seu ciclo nas competições de base (Foto: Corinne Dubreuil/ITF)

Atual campeã juvenil em Melbourne, a ucraniana já encerrou seu ciclo nas competições de base (Foto: Corinne Dubreuil/ITF)

Rosto conhecido: Já falamos da Kostyuk aqui no blog em duas oportunidades. A primeira foi há pouco menos de um ano, quando ela conquistou o título juvenil do Australian Open aos 14 anos e sete meses, ficando muito próxima se tornar a mais jovem campeã da história do torneio. Na ocasião, também foi destacado o histórico respeitável da ucraniana em competições de base, especialmente na categoria até 14 anos.

Já em outubro, quando foi campeã da terceira edição do ITF Junior Masters, na cidade chinesa de Chengdu, foi comentado sobre seu estilo de jogo agressivo e condizente com a atual elite do circuito feminino. A ucraniana imprime muita potência nos golpes dos dois lados, mas também tem recursos para improvisação. Seu passado na ginástica também rendeu um incomum estilo de comemoração, dando um mortal para trás após o título. Já naquela ocasião, ela sinalizava que aquele teria sido seu último torneio como juvenil.

Confiança rendeu salto a Alex De Minaur
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 12, 2018 às 7:31 pm

O australiano Alex De Minaur é um dos principais personagens deste início de temporada. Com apenas dezoito anos, o jovem jogador iniciou 2018 com uma semifinal em Brisbane e a vaga na final do ATP 250 de Sydney. Durante as diversas entrevistas coletivas que fez ao longo dessas duas semanas de torneios, o jovem jogador da casa creditou o bom momento à confiança que vem adquirindo nos últimos meses e sente que ela foi a chave para que ele iniciasse uma série de bons resultados.

Depois de subir do 354º para o 208º lugar no ranking mundial durante o ano passado, com destaque para uma vitória na chave principal do Australian Open,  um título de future em Portugal e uma final de challenger na Espanha, De Minaur vem ganhando posições de forma mais expressiva neste começo de ano. Apenas na primeira semana de 2018, ele já subiu para a 167ª colocação. E ao manter o embalo no segundo torneio que disputa, garante um salto para o grupo dos 130 melhores do mundo ao chegar à final em Sydney, podendo chegar ao 101º lugar em caso de título.

“Eu sempre soube que eu tinha o nível, mas pensava que não tinha a confiança suficiente quando eu entrava em quadra. Agora eu tenho essa crença em mim de que posso competir de igual para igual com muitos desses caras. Então, vou entrar em cada partida acreditando em mim e na minha habilidade. Acho que essa é provavelmente a maior mudança”, disse De Minaur, que já venceu seis adversários do top 50 entre Brisbane e Sydney. Seu cartel de vitórias agora tem nomes como Milos Raonic, Steve Johnson, Fernando Verdasco, Feliciano López e Benoit Paire.

“Eu vinha mostrado esse nível, mas não o sustentava. Agora eu pareço encontrar meu caminho e sustentá-lo para jogar bem em várias partidas seguidas. Então eu só quero manter meu foco e continuar fazendo o que estou fazendo”, comenta o australiano, que disputará uma final entre expoentes da nova geração contra o russo Daniil Medvedev, 84º colocado aos 21 anos.

Desempenho no playoff disputado em dezembro foi primordial para a confiança do jovem jogador

Desempenho no playoff disputado em dezembro foi primordial para a confiança do jovem jogador

Para o australiano, um fator primordial na busca por confiança foi ter vencido a forte seletiva nacional disputada em dezembro, que lhe rendeu um convite para disputar a chave principal do Australian Open pela segunda vez na carreira. Já em Sydney, após a vitória sobre Damir Dzumhur pelas oitavas de final, ele contou aos jornalistas sobre quando começou a se sentir mais confiante sobre seu potencial.

“Em Brisbane foi um grande passo para mim, porque eu senti que estava jogando em um ótimo nível. Mas na verdade, [a confiança] veio provavelmente antes disso, no playoff pelo convite para o Australian Open. Ali eu pensei que meu nível era muito bom. Mesmo no meu nível mental. Eu não diminuí a concentração durante todo o torneio e pude manter esse nível durante todo o verão australiano.

Ao longo dessas duas semanas de torneios, De Minaur contou com o apoio do ex-número 1 do mundo Lleyton Hewitt, que tem atuado como seu mentor fora de quadra. “Lleyton é uma grande influência e me ajuda muito. Sou muito grato por tudo o que ele fez por mim. É ótimo ter alguém como ele por perto, torcendo por você e te ajudando”, disse De Minaur. “Uma das primeiras coisas que ele já me disse foi acreditar em mim mesmo, porque eu tenho um jogo bom o suficiente para lutar contra esses caras”.

Filho pai uruguaio e mãe espanhola, o jovem tenista viveu em Sydney até os cinco anos e depois foi com a família para a Espanha. Sua formação no tênis foi dividida entre as duas bases. A maior parte de sua carreira juvenil foi construída em solo australiano, enquanto seus primeiros futures como profissional em 2015 foram jogados no saibro espanhol, mas a escolha por defender a Austrália é bem clara. “Eu sempre fui apaixonada pela Austrália. Isso é o que eu sempre quis fazer. Cresci vendo Lleyton jogar a Copa Davis, com muita vontade e sem desistir nunca. É lá que eu quero chegar um dia, para poder usar o verde e dourado e representar o meu país. Não há maior honra do que poder fazer isso”.

“Nós nos mudamos por causa da minha família, dos negócios da minha família. Mas estou sempre indo e voltando. Vivo em ambos os lugares. Venho para cá no começo de novembro e passo todo o verão australiano até quase março. No resto da temporada, quando há muito mais torneios na Europa, eu me baseio na Espanha. Mas eu provavelmente acabo passando mais tempo na Austrália”.

Embora sua formação tenha sido dividida entre Austrália e Espanha, De Minaur não tem dúvidas de que quer defender o país onde nasceu

Embora sua formação tenha sido dividida entre Austrália e Espanha, De Minaur não tem dúvidas de que quer defender o país onde nasceu

Também chamou atenção a prática de fechar os olhos e respirar fundo durante as viradas de lado. O gesto que já está se tornando característico do jovem australiano foi uma recomendação de um psicólogo espanhol. “Antes de cada game importante no meu saque, eu fiz questão de usar minhas técnicas de respiração, focando no que eu queria fazer. E isso me ajudou a superar esses momentos de tensão”, comentou o jovem tenista. “Esse é um trabalho que fiz com um psicólogo na Espanha. Ele sempre me disse para fazer isso e agora eu finalmente estou fazendo”, disse sorrindo. “Eu percebo o quanto o meu jogo melhora, graças a essas técnicas simples”.

De Minaur também avalia que a conexão que tem com o público ao jogar em casa também o ajuda nos momentos de maior necessidade. “Às você se sente nervoso nas partias, mas adrenalina e a intensidade do público ajudam a lidar com isso. Você tem que tentar se aproveitar disso, continuar motivado e deixar todos os nervos desaparecerem”.

Prestes a disputar o Australian Open pela segunda vez na carreira, De Minaur já sabe que terá uma estreia complicada contra o experiente tcheco Tomas Berdych, mas espera fazer o seu melhor. “Obviamente é uma partida muito difícil, mas estou ansioso por isso. Vai ser uma ótima oportunidade para mim e não posso aguardar para entrar em quadra nesse Grand Slam em casa e mostrar a todos o que eu tenho”.

Primeiro ano na elite do juvenil motiva Pucinelli
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 5, 2018 às 3:55 pm

Destaque no circuito juvenil na última temporada, Matheus Pucinelli será um dos quatro brasileiros no Australian Open de sua categoria. O paulista de 16 anos, que treina desde 2012 no Instituto Tênis, em Barueri, ainda tem dois anos de juvenil pela frente, mas os bons resultados na última temporada o deixam motivado para o ano de 2018. Ele também projeta bons resultados no início de sua carreira profissional, depois de ter marcado seu primeiro ponto no ranking da ATP em novembro, no future de Santos.

Matheus Pucinelli tem 16 anos e ocupa o 31º lugar do ranking juvenil (Foto João Pires/Fotojump)

Matheus Pucinelli tem 16 anos e ocupa o 31º lugar do ranking juvenil (Foto João Pires/Fotojump)

Pucinelli chegou às quartas de final do Campeonato Internacional Juvenil de Tenis de Porto Alegre (antiga Copa Gerdau), competição nível GA no circuito mundial de 18 anos e foi finalista no ITF G1 de Repentigny, no Canadá, resultado que lhe rendeu uma vaga na chave juvenil do US Open. Depois de terminar 2017 no 61º lugar do ranking mundial juvenil, ele irá iniciar a nova temporada já na 31ª posição após a profissionalização dos jogadores nascidos em 1999.

O jovem paulista viaja para a Austrália no dia 8 de janeiro e disputará seu primeiro torneio da temporada em Tralagon, a partir do dia 14. Já na semana seguinte, o paulista terá a companhia dos parceiros de treinos Igor Gimenez e João Lucas Reis e do paranaense que treina no Rio de Janeiro Thiago Wild na chave juvenil do Australian Open, em Melbourne.

Confira a entrevista com Matheus Pucinelli.

Logo no começo do ano você se destacou na Copa Gerdau, em Porto Alegre. Como foi a experiência de ir tão bem um torneio tão importante?
Acho que foi uma experiência boa. Consegui aproveitar bem um pouco da parte de estar jogando no Brasil e da torcida. Era um torneio muito bem organizado, com quadras muito boas, e pude aproveitar muito bem essa parte. Consegui me sentir tranquilo e tive um bom resultado.

Você também fez uma campanha muito boa no Canadá, pouco antes do US Open. O quanto esses resultados te motivaram ao ver que você conseguiu ser competitivo contra alguns dos melhores do mundo na sua categoria?
Acho que isso motiva muito porque a gente consegue ter a noção de que podemos estar entre os melhores da nossa categoria. Com esses resultados, finais de torneios grandes, semifinais e quartas, a gente tem a ideia de que pode estar sempre entre os melhores.

Você encerrou sua temporada depois dos futures. Quando você começou os treinamentos para o próximo ano e como está sendo a preparação para a Austrália?
Os futures foram bem legais para a gente sentir um pouco da atmosfera dos torneios profissionais e das rotinas, que são diferentes do juvenil. Depois tive duas semanas para descansar, ficar tranquilo, esquecer um pouco do tênis, e agora já voltei a treinar. Estamos na pré-temporada e trabalhando duro para chegar bem na Austrália.

Este é o último ano de juvenil de dois de seus parceiros de treino, o João Lucas e o Igor, mas você ainda pode jogar mais um ano. Como será o planejamento do calendário já os rankings de vocês são próximos?
A princípio para este ano, o meu calendário deve ser idêntico ao deles, mesclando bastante o juvenil com o profissional, em 50% de cada. Talvez em 2019 tenha uma mudança e eu jogue alguns torneios juvenis.

Aqui no Instituto a gente está sempre sendo cobrado e respondendo bem nós três juntos. A gente cria uma amizade, está sempre convivendo junto e a gente está conseguindo subir junto, todo mundo mundo melhorando a cada dia e um puxando o outro.

Quais sãos seus objetivos para a próxima temporada?
É conseguir me firmar bem no juvenil para estar nas chaves de Grand Slam e talvez conseguir um resultado bom em um deles e também conseguir resultados constantes nos futures para conseguir subir no ranking profissional.

João Lucas Reis inicia ano na Austrália e mira o 1º título
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 2, 2018 às 3:20 pm

Prestes a iniciar seu último ano no circuito mundial juvenil, o pernambucano João Lucas Reis tem objetivos claros para a temporada de 2018. O jogador de 17 anos, e que completa 18 em março, quer disputar todos os Grand Slam da categoria júnior e fazer uma boa transição para a carreira profissional visando também o primeiro título para o ano que acaba de começar.

João Lucas Reis está em seu último ano no circuito juvenil (Foto: João Pires/Fotojump)

João Lucas Reis marcou primeiro ponto na ATP em novembro e quer um título em 2018 (Foto: João Pires/Fotojump)

Natural de Recife, Reis se mudou ainda muito jovem para o estado de São Paulo, treinando primeiro com Leandro Afini em São José dos Campos e desde 2014 é atleta do Instituto Tênis, em Barueri, onde é acompanhado pelo técnico Francisco Costa. O pernambucano terminou a temporada de 2017 no 60º lugar do ranking mundial juvenil da ITF, chegando a ocupar a 51ª posição em outubro. Com a atualização desta terça-feira e que retira os jogadores nascidos em 1999, ele já saltou para o 30º lugar.

Já no circuito profissional, Reis marcou seu primeiro ponto na ATP em um future disputado na cidade de Santos em novembro. Na semana seguinte, fez uma ótima campanha na capital paulista, onde foi semifinalista. Com isso, o jovem de 17 anos está no 1.091º lugar com sete pontos conquistados.

A temporada de 2018 começa na Austrália. Reis viaja no dia 8 de janeiro para disputar um torneio ITF G1 em Tralagon, que começa no dia 14. Já a partir de 21 de janeiro, o pernambucano será um dos quatro brasileiros na chave juvenil do Australian Open, juntando-se aos paulistas Igor Gimenez e Matheus Pucinelli (seus parceiros de equipe em Barueri) e ao paranaense Thiago Wild, que treina na Tennis Route no Rio de Janeiro.

Confira a entrevista com João Lucas Reis.

Como foi seu início no tênis e como surgiu a chance para vir treinar no IT?

Eu comecei a jogar tênis com quatro anos de idade, por maior influência do meu irmão, Antônio Gabriel. Ele também jogava o circuito juvenil e eu o admirava muito, queria ser como ele. Comecei a jogar já com quatro anos e comecei a treinar aos sete, já três vezes por semana. Aos dez, fui disputar alguns torneios brasileiros e aí fui indo. Sobre a vinda para o IT, eu treinava na Afini, fiquei cinco meses lá e pedi para fazer um teste aqui, porque tinha uma ótima equipe, com estrutura muito grande, e eles me aceitaram.

E como foi sua vinda para São Paulo e a experiência de morar sozinho e ficar longe da família desde muito jovem?

No começo foi difícil. Demorei um pouco para me adaptar. Acho que exigiu muita força de vontade, ficar longe da família e dos amigos era bem difícil, mas a cada eu ano eu venho me adaptando melhor e já estou bem adaptado a isso, já carrego uma bagagem grande e agora está bem melhor.

Recentemente, nos dois futures, você não apenas marcou seus primeiros pontos na ATP como também fez uma boa campanha e chegou na semifinal. O quanto isso te motiva durante essa fase de transição?

Eu fiquei bem feliz em ter conseguido meu primeiro ponto na ATP na minha primeira chave. Foi uma motivação a mais para aquelas duas semanas. Cheguei na outra semana me sentindo que eu poderia jogar de igual para igual e isso me fez crescer nos momentos importantes e foi muito boa a gira aqui no Brasil. Isso me motiva cada vez mais a jogar mais futures também, mesclar com os juvenis e ter mais semanas como a de São Paulo.

Também em São Paulo, você teve a sensação de jogar com a torcida a favor. Foi uma situação inédita? Como você se sentiu em quadra?

Eu me senti muito bem. Já joguei com torcida a favor algumas vezes, principalmente em Recife. Quando a gente vai jogar alguns torneios lá, bastante gente torce por mim e me ajudou muito principalmente nas horas decisivas. Teve dois jogos que eu ganhei por 7/6 no terceiro que a torcida acabou me ajudando e deu uma força a mais.

Jovem pernambucano disputará um ITF em Tralagon antes do Australian Open

Jovem pernambucano disputará um ITF em Tralagon antes do Australian Open (Foto: João Pires/Fotojump)

Você encerrou sua temporada depois dos futures. Quando você começou os treinamentos para o próximo ano e como está sendo a preparação para a Austrália?

Tive duas semanas de férias para descansar um pouco. Consegui descansar bem. Tive quatro semanas de treinamento e tenho mais três. Superou um pouco das expectativas do que eu achava que iria voltar, porque eu achava que voltaria um pouco pior. Treinei muito bem e estou bem confiante para essa gira na Austrália. Espero fazer bons resultados lá.

Você já jogou com o [Denis] Shapovalov em um de seus primeiros torneios. Como foi essa experiência?

Foi uma experiência ótima. Eu joguei contra o Shapovalov no início de 2016, no quali de um future nos Estados Unidos e ele já se destacava. Estava como 20 do mundo entre os juvenis e entrando no profissional. Foi um jogo bem duro, 7/6 e 6/2, se não me engano. Tive várias chances de quebrar no primeiro set, mas ninguém acabou quebrando. Quando foi para o tiebreak ele conseguiu subir o nível. Foi bem legal sentir que estava jogando de igual para igual contra um cara desse nível. Foi uma ótima experiência.

Quais são seus objetivos para a próxima temporada?

Tenho o objetivo de jogar os quatro Grand Slam e vou mesclar com os torneios futures. Tô com o objetivo também de ganhar um torneio future, que é uma boa meta para esse início de ano de 2018.

Dez jovens que podem surpreender em 2018
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 20, 2017 às 7:10 pm

A temporada 2018 do tênis começa em menos de duas semanas e muitos expoentes da nova geração estão dispostos a dar um salto de qualidade e se firmar na elite do circuito. Hoje apresento no blog dez nomes com menos de 20 anos e fora do top 100 da ATP ou da WTA. São tenistas que já vem de bons resultados em seu primeiro ou segundo ano como profissionais e começam a aparecer nas chaves de grandes torneios e que terão presença cada vez mais constante nas principais competições do circuito.

Amanda Anisimova: A americana de apenas 16 anos subiu do 761º para o 192º lugar do ranking em 2017, chegando a ocupar a 183ª posição em 28 de agosto. Ela encerrou a carreira juvenil com 15 vitórias e apenas uma derrota durante a temporada, com destaque para o título do US Open da categoria.

Anisimova foi campeã juvenil do Australian Open e saltou mais de 500 posições na WTA

Anisimova foi campeã juvenil do Australian Open e saltou mais de 500 posições na WTA

Já como profissional, foram 22 vitórias e três finais de ITF, com um título em Sacramento. Além disso, Anisimova acabou recebendo convite para jogar Roland Garros por meio do acordo entre as federações nacionais de França e Estados Unidos. Anisimova esteve no Brasil e jogou um ITF profissional em Curitiba, além de ter vencido o Campeonato Internacional Juvenil de Porto Alegre, antiga Copa Gerdau.

Bianca Andreescu: A canadense de 17 anos e 189ª do ranking iniciou a temporada apenas no 306º lugar e teve como melhor ranking a 143ª posição, alcançada em agosto. Andreescu se tornou a primeira jogadora nascida nos anos 2000 a derrotar uma top 20 do mundo ao superar a então 13ª colocada Kristina Mladenovic em Washington.

Depois de saltar no ranking, furar o quali de Wimbledon e derrotar uma top 20 em Washington, Andreescu foi eleita a melhor jogadora do Canadá

Depois de saltar no ranking, furar o quali de Wimbledon e derrotar uma top 20 em Washington, Andreescu foi eleita a melhor jogadora do Canadá

Além de ter chegado às quartas de final do WTA disputado na capital norte-americana, a canadense treinada pela ex-número 3 do mundo Nathalie Tauziat também furou o quali de Wimbledon e venceu dois ITFs. O salto no ranking e bons resultados fizeram com que ela fosse eleita pela federação de seu país como a melhor tenista canadense de 2017, desbancando a ex-top 5 e atual 83ª do ranking Eugenie Bouchard.

Dayana Yastremska: A ucraniana de 17 anos também já esteve diante do público brasileiro, quando conquistou seu primeiro título profissional no ano passado em Campinas. Em 2017, Yastremska saltou do 342º para o 188º lugar do ranking mundial e venceu um ITF. Ela chegou às quartas em dois torneios da WTA, a primeira no saibro de Istambul e depois nas quadras duras e cobertas de Moscou, que é um evento de nível Premier.

Destanee Aiava: Primeira jogadora nascida nos anos 2000 a vencer um jogo de WTA, este ano em Brisbane, Aiava tem apenas 17 anos e já irá disputar seu segundo Australian Open em janeiro de 2018. Ela subiu do 384º para o 154º lugar no ranking mundial durante a última temporada e chegou a conqusitar dois títulos de ITF.

Destanee Aiava, de 17 anos foi a primeira jogadora nascida nos anos 2000 a vencer um jogo de WTA

Destanee Aiava, de 17 anos foi a primeira jogadora nascida nos anos 2000 a vencer um jogo de WTA

Kayla Day: Depois de saltar do 988º para o 195º lugar em 2016, a jovem norte-americana teve uma nova ascensão no ranking e aparece atualmente na 152ª posição. Day completou 18 anos em setembro, três meses depois de ter alcançado a 122ª colocação no ranking. Convidada para jogar em Indian Wells, Day avançou duas rodadas e só parou na então sétima colocada Garbiñe Muguruza em duelo de três sets. Já no mês de agosto, ela entrou diretamente na chave do Premier de Stanford e avançou uma rodada antes de novamente só cair diante de Muguruza.

Xinyu Wang: Com apenas 16 anos e número 5 do ranking mundial juvenil, Xinyu Wang disputou apenas oito partidas válidas pelo circuito profissional em 2017 e conseguiu cinco vitórias. Até por isso, ela aparece apenas no modesto 767º lugar do ranking mundial. Entretanto, a jovem chinesa terminou o ano conquistando uma vaga na chave principal do Australian Open ao vencer a seletiva entre jogadores profissionais da Ásia e do Pacífico, chegando a vencer a ex-top 30 japonesa Misaki Doi na semifinal.

Chinesa de 16 anos e top 5 no ranking mundial juvenil irá disputar o Australian Open

Chinesa de 16 anos e top 5 no ranking mundial juvenil irá disputar o Australian Open

Felix Auger-Aliassime: O canadense de 17 anos já chama atenção desde 2015, quando se tornou o jogador mais jovem a vencer um jogo de challenger com apenas 14 anos, além de ser o primeiro nascido nos anos 2000 a conseguir tal feito.

O canadense é o mais jovem a vencer um jogo de challenger e o primeiro nascido em 2000 a ter um título deste porte

O canadense é o mais jovem a vencer um jogo de challenger e o primeiro nascido em 2000 a ter um título deste porte

Em 2017, Auger-Aliassime deu um salto no ranking, saindo do 601º para o 162º lugar, impulsionado por seus dois primeiros títulos de challenger, em Lyon e Sevilha. Ele poderia ter feito sua estreia em nível ATP no mês de agosto, durante o Masters 1000 de Montréal, mas teve que abrir mão do convite por conta de uma lesão no punho esquerdo.

Miomir Kecmanovic: Há um ano, Kecmanovic era o número 1 do ranking mundial juvenil e apenas o 806º colocado no ranking da ATP. Depois de conseguir 43 vitórias no circuito profissional em 2017, com três títulos de future e um challenger, o sérvio de 18 anos bate na porta do top 200 e aparece na 208ª posição.

Corentin Moutet: O canhoto francês de 18 anos venceu 44 jogos como profissional em 2017, acumulando três títulos de future e um challenger nas quadras duras e cobertas de Brest no fim do ano. Com a boa campanha, ele subiu do 519º para o 156º lugar. Além disso, como a França recebe muitos torneios ATP 250 durante a temporada, é bem provável que ele apareça em algum quali ou receba alguns convites no próximo ano. O primeiro deles será já para o Australian Open, pelo acordo de reciprocidade com as federações nacionais.

Moutet tem 18 anos e ganhou mais de 300 posições no ranking. Ele deverá receber convites no próximo ano

Moutet tem 18 anos e ganhou mais de 300 posições no ranking. Ele deverá receber convites no próximo ano

Nicola Kuhn: Nascido na cidade austríaca de Innsbruck, Khun é filho de pai alemão e mãe russa e optou por defender a Espanha aos 15 anos, já que treina na Equelite Sport Academy de Juan Carlos Ferrero. Em julho foi conquistou seu primeiro título de challenger no saibro alemão de Braunschweig, sendo que aquele era apenas o segundo torneio deste porte que ele disputou. Na temporada, ele subiu do 789º para o 241º lugar do ranking.

JÁ ESTÃO NO TOP 100

A tcheca Marketa Vondrousova já 67ª no ranking mundial aos 18 anos e tem um título de WTA

A tcheca Marketa Vondrousova já 67ª no ranking mundial aos 18 anos e tem um título de WTA

Como foi dito no início do post, preferi não destacar jogadores que já estão no top 100 do ranking mundial. Entretanto, três nomes que podem também dar um salto de qualidade. No circuito feminino, a canhota tcheca Marketa Vondrousova é 67ª do mundo com 18 anos e já tem até título de WTA, enquanto a bielorrusa de 19 anos Aryna Sabalenka aparece na 73ª posição e foi importante na campanha de seu país até a final da Fed Cup. Já no masculino, destaque para o grego Stefanos Tsitsipas, 91º do ranking mundial e dono de um título de challenger e quatro vitórias em nível ATP, uma delas sobre o top 10 David Goffin.

Adolescentes vencem 15 challengers em 2017
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 29, 2017 às 9:00 pm

A temporada dos torneios de nível challenger chegou ao fim na última semana após o término das disputas em Hua Hin, Bangalore, Andria e Rio de Janeiro. Como de costume, a ATP costuma compilar os dados desses torneios que servem de acesso para a elite do circuito. Seguindo a tendência dos últimos anos, a nova geração vem ganhando cada vez mais espaço.

Quinze challengers foram vencidos por jogadores com menos de 20 anos. A ATP classifica os jogadores dessa faixa etária como Teenages, que serão chamados aqui de Adolescentes apenas pela falta da tradução exata do termo em português. Linguagem à parte, o número de títulos é um pouco maior que as treze conquistas de 2016 e outras treze do ano anterior, mas supera de longe os seis títulos de 2014. Além disso, a turma com menos de 20 anos disputou 23 finais em 2017.

teens
Os dados são parecidos com os títulos da chamada Next Gen, que engloba jogadores nascidos a partir de 1996 e que estejam no top 200 do ranking mundial. Foram 17 títulos, mesmo número obtido na temporada passada.

next gen
Final entre adolescentes: A final mais jovem do circuito aconteceu já no final de outubro, na cidade francesa de Brest. O anfitrião de apenas 18 anos Corentin Moutet venceu o grego Stefanos Tsitsipas, um ano mais velho, para conquistar seu primeiro título deste porte. Aquela foi a única decisão entre dois adolescentes na temporada.

https://twitter.com/ATPChallenger/status/924816035487744000

Em 2016, foram duas finais entre jogadores com menos de 20 anos. Em Casablanca, com o francês Maxime Janvier (19) vencendo o próprio Tsitsipas (18) e em Tallahassee, onde o também francês Quentin Halys (19) levou a melhor contra o norte-americano Frances Tiafoe (18). Já em 2015 foram duas finais entre jovens americanos, uma vez que Taylor Fritz (17) venceu Jared Donaldson (19) em Sacramento, enquanto Noah Rubin (19) derrotou Tommy Paul (18) em Charlottesville.

Primeiro título: Entre os 33 jogadores que venceram o primeiro challenger este ano, nove conseguiram o feito antes do 20º aniversário. O mais precoce foi o canadense Felix Auger-Aliassime, que venceu em Lyon aos 16 anos. Seu compatriota Denis Shapovalov se junta ao chinês Yibing Wu e ao alemão Nicola Kuhn que foram campeões pela primeira vez aos 17 anos.

Na turma dos 18 anos estão o francês Corentin Moutet e o sérvio Miomir Kecmanovic. Já o cazaque Alexander Bublik, o australiano Omar Jasika e o grego Stefanos Tsitsipas conquistaram o primeiro título de challenger da carreira aos 19 anos durante a última temporada.

https://twitter.com/ATPChallenger/status/935328176808648704

A temporada ainda teve três jogadores que entraram no grupo dos campeões aos 20 anos, o espanhol Jaume Munar, o australiano Akira Santillan e o indiano Sumit Nagal, que no último domingo foi campeão em Bangalore. Outros três atletas conseguiram o priemiro troféu aos 21 anos: Matteo Berrettini, Nicolas Jarry e Cameron Norrie.

Mais um recorde para Auger-Aliassime: O título conquistado no saibro francês de Lyon fez de Felix Auger-Aliassime o primeiro jogador nascido nos anos 2000 a vencer um torneio deste tamanho. Ele também já havia sido o primeiro nascido em 2000 a conseguir uma vitória, aos 14 anos e 11 meses, em Granby em 2015, quando se tornou o mais jovem a vencer um jogo de challenger. O promissor canadense já havia sido o mais jovem a passar pelo quali e entrar na chave principal, aos 14 anos e 7 meses em Drummondville-15.

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Auger-Aliassime é o sétimo mais jovem vencedor de torneios de nível challenger e já acumula dois troféus neste porte. Atual 162º do ranking, o canadense completará 18 anos em agosto e pode correr atrás de duas marcas que pertencem ao francês Richard Gasquet, que venceu cinco títulos antes do 18º aniversário e sete antes de completar 19 anos. Mas essa busca pode ser abortada caso ele consiga uma grande campanha em um torneio importante e se estabeleça rapidamente entre os cem melhores do mundo, como aconteceu com Denis Shapovalov.

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Mais curiosidades: Os jogadores de 27 anos foram os que mais venceram challengers este ano, com 19 títulos ao todo. Na sequência estão as 15 conquistas com atletas com 25 e também com 26 anos. Já entre os ‘tritões’ foram 33 títulos, quatro a menos que no ano passado e dois a mais que em 2015. O mais velho a vencer um challenger na temporada foi o francês Stephane Robert, que aos vencer o título no torneio japonês de Kobe aos 37 anos e 5 meses, tornou-se o terceiro mais experiente campeão da história do circuito.

Os dados estão disponíveis no site da ATP e são públicos. A atualização é do dia 20 de novembro, ainda sem computar os resultados da última semana, mas para os números deste post já fiz os ajustes necessários.

Erros e acertos do Next Gen Finals
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 14, 2017 às 4:35 pm

Muito se falou ao longo da última semana do Next Gen ATP Finals a respeito das várias regras que foram testadas, como o set até quatro games, a comunicação entre atletas e jogadores em quadra, o relógio de 25 segundos para marcar o tempo entre os saques e a ausência dos juízes de linha. Em português, recomendo o ótimo post do blog Saque e Voleio e a matéria do site da ATP reproduzida pelo TenisBrasil com as opiniões do técnicos sobre as mudanças.

Mas como qualquer edição inaugural, o torneio que acabou no último sábado com o título do sul-coreano Hyeon Chung teve erros e acertos. É praticamente unânime que a forma como foi conduzida o sorteio, que foi discutida na semana passada, não agradou e deve ser revista para o ano que vem. Então listei alguns pontos positivos e negativos do evento que reuniu sete jogadores classificados com até 21 anos e o convidado local Gianluigi Quinzi, vencedor de um playoff preparatório.

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A Data: O maior acerto da ATP e dos organizadores. O torneio ocupou uma semana praticamente “morta”, prévia à disputa do ATP Finals e das finais da Fed Cup. Não houve nenhum outro evento que concorresse com o de Milão e o torneio da nova geração e suas regras diferentes praticamente dominaram o assunto entre os fãs de tênis. Nem mesmo os horários dos jogos coincidiram com o sorteio do Finals ou com a disputa feminina em Minsk.

A duração do evento: É praticamente um complemento do tópico anterior. A ideia de resolver a fase de grupos em três dias e dividir as sessões com dois jogos na sessão diurna e outros dois na noturna não deixou o torneio tão cansativo de acompanhar. Para o campeão e o vice pode ter ficado um pouco cansativo jogar em cinco dias seguidos, mas desmembrar demais a primeira fase poderia causar um desgaste prematuro do público com a fórmula.

Zverev: Principal estrela da nova geração do tênis, Alexander Zverev foi “vendido” desde o ano passado como um nome a ser visto em Milão. Mas a espetacular temporada do alemão de 20 anos, que alcançou o terceiro lugar do ranking e se classificou para o ATP Finals, o fez desistir do evento italiano. Ainda assim, foi viabilizada uma exibição dele contra o grego Stefanos Tsitsipas entre as sessões diurna e noturna da última terça-feira, premiando os donos de ingressos do primeiro dia. Zverev ainda entrou na brincadeira das novas regras e chamou o amigo Marcelo Melo para participar da conversa entre jogador e técnico.

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Equipe de estatísticas da ATP: Em torneio com jogos em melhor-de-cinco e regras diferentes, não seria fácil calcular as possibilidades de classificação e critérios de desempate. Antes dos jogos da última quinta-feira, o Grupo B tinha TREZE cenários diferentes de combinações de resultados para a definição dos classificados. Que bom que a ATP viabilizou isso com antecedência.

Faltou juntar o grupo: Um tópico que já foi abordado no último post. A foto oficial do torneio foi feita um dia antes dos jogos, na quadra que seria utilizada e com os jogadores em uniforme de treino. Foi uma oportunidade perdida de fazer o sorteio ou alguma ação promocional com os oito jogadores em local público. Como a própria ATP fez com o Finals.

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A decisão do terceiro lugar: Estava prevista para o último sábado uma partida entre Borna Coric e Daniil Medvedev pelo terceiro lugar, mas o croata abdicou da disputa. Foi marcada então uma exibição entre Medvedev e o canadense Denis Shapovalov, que também abriu mão de jogar. A solução encontrada foi trazer o diretor do torneio Ross Hutchins para um bate-bola com Medvedev e os boleiros que trabalharam durante a semana em Milão.

Em torneio que não oferece pontos no ranking -e nem poderia, por conta da limitação por idade- a realização da decisão de 3º e 4º lugar dificilmente seria atrativa para o jogador. Se os organizadores não queriam deixar a sessão do último dia com apenas uma partida, poderia ser planejada com antecedência uma exibição entre veteranos ou de tênis feminino em parceria com a WTA -Só lembrar que a Schiavone não pôde jogar em Roma este ano-. Se a quadra tivesse marcação de duplas, seria uma outra opção também.

Comunicação e respeito aos horários: No primeiro dia de disputas, tanto a sessão diurna quanto a noturna sofreram atrasos. Durante o dia, os jogos começaram aproximadamente 30 minutos depois do horário previsto. Já à noite, o atraso passou de uma hora. Além disso, não houve uma comunicação mais clara sobre os motivos que causaram as mudanças de horário. Lembrando que a exibição entre Zverev e Tsitsipas terminou antes do horário previsto para o início os jogos da noite.