Nova geração feminina domina o início de temporada
Por Mario Sérgio Cruz
março 18, 2019 às 9:54 pm

O título de Bianca Andreescu em Indian Wells confirma uma tendência deste início de temporada no circuito feminino. As representantes da nova geração do circuito têm conquistado os principais torneios disputados nos primeiros meses de 2019. Além disso, seis dos treze eventos do circuito já realizados na temporada foram vencidos por jogadoras com até 21 anos.

Considerando o nível de importância e os pontos distribuídos no ranking em cada competição, os três principais eventos deste início de temporada foram o Australian Open (2.000), o Premier Mandatory de Indian Wells (1.000) e o Premier 5 de Dubai (900). Atual número 1 do mundo, Naomi Osaka estava com 21 anos e dois meses quando triunfou em Melbourne e conquistou o segundo Grand Slam de sua carreira. A suíça Belinda Bencic tinha 21 anos e 11 meses em fevereiro, quando foi campeã em Dubai. Já no último domingo, a canadense de 18 anos Bianca Andreescu conquistou seu primeiro título da carreira no deserto da Califórnia.

As três jogadoras também aparecem entre as que mais venceram jogos diante de adeversárias do top 10. Bencic lidera essa estatística, com seis no total, sendo quatro delas contra rivais do top 5. Já Osaka e Andreescu acumulam três vitórias contra top 10 neste início de temporada do circuito. A única jogadora a se igualar a elas é a belga Elise Mertens, atleta de 23 anos e 14ª do ranking, que derrubou três top 10 no caminho para o título em Doha.

As três não foram as únicas jovens jogadoras a conquistar títulos neste começo de temporada. Logo na primeira semana de janeiro, a bielorrussa de 20 anos Aryna Sabalenka foi campeã na cidade chinesa de Shenzhen. Já a norte-americana Sofia Kenin, também de 20 anos, triunfou em Hobart, na Austrália, também no primeiro mês da temporada. Já em fevereiro, foi a vez de a ucraniana de 18 anos Dayana Yastremska conquistar seu segundo título de WTA da carreira em Hua Hin, na Tailândia.

Além dos títulos, a nova geração também marcou presença em finais de campeonato. A própria Andreescu começou a temporada indo desde o quali até a final em Auckland, torneio em que eliminou Caroline Wozniacki e Venus Williams antes de perder para Julia Goerges no jogo decisivo. A canhota tcheca de 19 anos Marketa Vondrousova, que fez quartas em Indian Wells e eliminou Simona Halep do torneio, disputou uma final nas quadras duras e cobertas de Budapeste. Já a norte-americana Kenin, campeã em Hobart, disputou mais uma final no ano e ficou com o vice em Acapulco.

Saltos no ranking – Todas essas jogadoras tiveram boa evolução no ranking já neste começo de temporada. Osaka saiu do quinto lugar, que ocupava na virada do ano, para o posto de número 1 do mundo. Bencic, que já foi número 7 do mundo em 2016, mas sofreu com lesões que a tiraram até do top 300, vem recuperando espaço. A suíça, que ocupava o 55º lugar em janeiro, já voltou ao top 20.

O salto de Andreescu foi impressionante. A canadense era 152ª colocada quando entrou em quadra pela primeira vez na temporada em Auckland e já aparece no 24º lugar com apenas cinco torneios disputados em 2019. Kenin subiu do 52º para o atual 34º lugar, Yastremska era 58ª colocada e já aparece no 37º posto, já Vondrousova teve uma subida discreta da 67ª para a 59ª posição.

Mais novidades a caminho – A elite do circuito conta com ainda mais caras novas que estão prontas para disputar títulos no restante da temporada. A norte-americana de 17 anos Amanda Anisimova já é 67ª do ranking, enquanto a russa de mesma idade Anastasia Potapova aparece no 72º lugar. As duas já disputaram finais de WTA na temporada passada, duas para Potapova e uma para Anisimova e ainda buscam o primeiro título de suas carreiras. Quem já conseguiu ganhar um torneio foi a sérvia Olga Danilovic, que está com 18 anos e é 115ª do ranking, mas já venceu o WTA de Moscou, em quadras de saibro, no mês de julho de 2018.

Não nos esqueçamos delas – Embora não estejam repetindo os mesmos resultados que já tiveram, é obrigatório destacar Jelena Ostapenko e Daria Kasatkina, ambas com apenas 21 anos, mas com bastante rodagem em grandes torneios. Campeã de Roland Garros em 2017 e ex-número 5 do mundo, Ostapenko aparece atualmente na 23ª posição e a tem a missão de defender 650 pontos em Miami. Em 2019, a letã venceu apenas quatro jogos e perdeu sete. Já Kasatkina, que começou a temporada no top 10, venceu apenas dois jogos este ano e aparece atualmente no 22º lugar. A falta de bons resultados até fez a jovem jogadora russa encerrar a relação profissional com o treinador belga Philippe Dehaes, com quem trabalhou por dois anos.

Semifinalista em Indian Wells, Andreescu herda fãs de Halep
Por Mario Sérgio Cruz
março 15, 2019 às 12:25 am

Semifinalista em Indian Wells e destaque da nova geração feminina no início da temporada, Bianca Andreescu acaba movimentando duas torcidas. Como seu sobrenome sugere, a canadense de 18 anos é filha de imigrantes romenos e aumentou ainda mais sua identificação com o país do leste europeu por ter passado parte da infância e frequentado a escola na terra natal de seus pais. Dessa forma, além do público canadense, já bastante empolgado com sua nova geração de tenistas, ela também conta com a forte torcida romena, que viaja o circuito para acompanhar sua principal estrela, Simona Halep. Com a eliminação precoce da número 2 do mundo, ainda nas oitavas do tradicional torneio californiano, Andreescu acabou a torcida de muitos dos fãs de Halep que compraram ingressos para as fases decisivas da competição.

“Os romenos estão por toda parte”, brincou Andresscu, em entrevista coletiva. “Eu recebi muito carinho deles e atenção da mídia romena, o que é bom. É legal ter duas bases de fãs, no Canadá e na Romênia”, conta a canadense, que enfrentará a número 6 do mundo Elina Svitolina na sexta-feira à noite, valendo vaga na final em Indian Wells.

Canadense de 18 anos e filha de imigrantes romenos começou o ano no 152º lugar do ranking e já será top 40

Canadense de 18 anos e filha de imigrantes romenos começou o ano no 152º lugar do ranking e já será top 40

Embora tenha iniciado a atual temporada na 152ª posição do ranking, Andreescu precisou de apenas quatro torneios para aparecer no atual 60º lugar. Com os 390 pontos já conquistados em Indian Wells, ela irá subir ainda mais e entrar no top 40. Só nesses três primeiros meses do ano, a canadense já derrotou nomes como Caroline Wozniacki, Venus Williams e Garbiñe Muguruza. Ela foi finalista em Auckland, furou o quali e venceu um jogo na chave principal do Australian Open, conquistou um torneio da série 125k em Newport Beach, venceu dois jogos pela Fed Cup e foi semifinalista em Acapulco antes da ótima campanha em Indian Wells. Andreescu já acumula 26 vitórias e apenas três derrotas em 2019.

É inegável que Halep seja um fonte de inspiração para Andreescu e que o título da romena em Roland Garros no ano passado tenha sido especial. “Quando ela venceu Roland Garros foi muito emocionante, especialmente para a Romênia, porque acho que somos pessoas muito apaixonadas. Ela é uma jogadora incrível e conquistou muito em sua carreira. E eu conheço muito sobre dela e a respeito muito, especialmente pela maneira como ela se apresenta”.

Perguntada sobre sua influência sobre Andreescu, Halep lembra que aconselhou a jovem jogadora durante sua transição ao profissionalismo. “Falei com ela há alguns anos no Canadá, quando treinamos juntas uma vez. Disse a ela para parar de jogar torneios juvenis. Ela queria continuar, mas eu disse que ela estava pronta para ir ao nível mais alto. E como vemos, ela está indo muito bem”, comentou a número 2 do mundo, ao site da WTA.

Depois de se destacar no circuito juvenil e de alcançar o terceiro lugar no ranking da categoria, Andreescu deu o primeiro salto como tenista profissional em 2017. Ela iniciou aquela temporada apenas no 306º lugar, chegou a ocupar a 143ª posição e terminou o ano no 189º posto. Em agosto, tornou-se a primeira jogadora nascida nos anos 2000 a derrotar uma top 20 do mundo ao superar a então 13ª colocada Kristina Mladenovic em Washington. Já em 2018, entretanto, sua evolução foi mais contida e ela sequer pôde igualar a melhor marca da carreira estabelecida no ano anterior.

“No ano passado eu joguei alguns challengers e agora eu acho que estou em tempo integral na WTA, o que é muito legal. É um sonho se tornando realidade. Ainda não tenho muita experiência como as outras jogadoras, mas estou começando a ganhar isso. É um sonho como jogar os melhores torneios contra as melhores jogadoras”, comentou a canadense, que vive ótimo momento na elite do circuito e sabe o que precisa fazer para se manter em alto nível.

“Acho que aguentar longos ralis fisicamente e mentalmente é muito importante porque as jogadoras estão hoje em uma forma física nunca vista antes. Tenho trabalhado muito nisso e estou melhorando, mas eu ainda quero melhorar ainda mais como jogadora, então eu estou aprimorando o meu saque e minhas devoluções para tomar o controle dos pontos desde o começo”, avaliou a jovem tenista.

A análise sobre o momento do circuito vai ao encontro daquilo que Andreescu disse em entrevista ao site da WTA em agosto de 2017, quando estava entrando no circuito profissional. “Acho que tive que elevar meu nível muito rápido e estou orgulhosa de todos os meus resultados. A diferença entre as juvenis e as profissionais é que, no juvenil, você pode abrir mão de alguns pontos durante a partida. Nos profissionais, você tem que ficar neles, e você tem que ficar focada, ou elas voltam para o jogo”.

Fora de quadra, Andreescu também aposta bastante na preparação emocional e tem a meditação como uma de suas atividades principais. “Minha mãe me apresentou a meditação quando eu era muito nova. Eu tinha, talvez, uns 12 anos. Desde então, tenho meditado e também faço muito yoga. Eu não trabalho apenas no meu aspecto físico. Eu também trabalho no mental, porque isso também é muito importante. Isso certamente interfere nas minhas partidas, porque eu consigo ficar focada no momento presente. Eu não gosto de me concentrar no que acabou de acontecer ou no futuro”.

Jovens saltam no ranking após ATPs no Brasil
Por Mario Sérgio Cruz
março 4, 2019 às 9:19 pm

As duas semanas de torneios da ATP em solo brasileiro foram positivas para jogadores da nova geração do circuito. Ao fim das competições no saibro do Rio de Janeiro e São Paulo, nomes como Laslo Djere, Felix Auger-Aliassime, Christian Garin, Hugo Dellien e Casper Ruud aparecem nesta segunda-feira com os melhores rankings de suas carreiras. Estive no Brasil Open, na capital paulista, durante a última semana e pude falar com esses jovens jogadores sobre o ótimo momento que vivem no circuito.

Felix Auger-Aliassime (18 anos, 58º do ranking, Canadá)

Em duas semanas, Felix Auger-Aliassime conquistou 345 pontos, com o vice-campeonato do Rio Open e a chegada às quartas de final em São Paulo e saltou do 104º para o atual 60º lugar do ranking mundial. O jovem canadense de 18 anos também ganhou muita popularidade com torcedores cariocas e paulistas, vestiu a camisa da seleção brasileira no Rio, participou de uma emocionante ação social com o garoto brasiliense Pablo, e teve torcida a favor sempre que jogou no Jockey Clube Brasileiro ou no Ginásio do Ibirapuera.

Apontado como uma das principais apostas para o futuro do circuito mundial desde que tinha 14 anos, em 2015, e começou a vencer seus primeiros jogos de nível challenger, Aliassime precisou lidar com a pressão e com as expectativas desde muito jovem e, por isso, acredita que amadureceu mais cedo que outros adolescentes de sua idade.

Felix Auger-Aliassime disputou sua primeira final de ATP no Rio e chegou às quartas em  São Paulo (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Felix Auger-Aliassime disputou sua primeira final de ATP no Rio e chegou às quartas em São Paulo (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

“Obviamente, eu amadureci mais cedo que outros jovens da minha idade. Acho que meu desenvolvimento foi bom, tive meus pais e minha equipe por perto para colocar coisas positivas ao meu redor. Ainda assim é difícil lidar com a situação de ser um jogador jovem a cada semana, mas tento me expressar da melhor maneira possível e ser a mesma pessoa”, disse Aliassime, após a vitória sobre Pablo Cuevas na rodada de estreia em São Paulo.

Os bons resultados do canadense no saibro também vão ao encontro de uma decisão tomada no meio do ano passado. Pouco depois de perder na segunda rodada do quali de Roland Garros, Aliassime abriu mão de tentar a sorte no quali de Wimbledon e ter a chance de disputar seu primeiro Grand Slam para encarar uma série de challengers no piso. Menos de um ano depois, o jovem jogador acredita ter feito a escolha certa.

“Quando eu olho para trás, sinto que foi uma boa decisão. Depois de Roland Garros eu senti que não tinha vitórias o suficiente, que não tinha feito o número de partidas que gostaria, e que jogar na grama talvez não fosse a melhor opção naquele momento. Então eu decidi continuar disputando torneios no saibro e construindo o meu jogo. Acho que os resultados estão aparecendo agora, quando eu sou capaz de jogar e vencer muitas partidas”, avaliou o vencedor de quatro challengers na carreira, três deles no saibro.

Laslo Djere (23 anos, 32º do ranking, Sérvia)

Logo em seu primeiro jogo da série de torneios no saibro brasileiro, Djere já conseguiu a façanha de eliminar o número 8 do mundo Dominic Thiem na rodada do Rio Open. A primeira vitória contra top 10 deu confiança ao jovem jogador sérvio, que começou o tonreio carioca como número 90 do mundo e saiu do Rio de Janeiro com o troféu em mãos e ocupando o 37º lugar. Em São Paulo foram mais três vitórias antes da queda na semifinal e um salto de mais cinco posições.

Quando conquistou seu primeiro título, Djere se emocionou durante a cerimônia de premiação ao falar abertamente sobre a perda precoce dos pais por câncer, a mãe há sete anos e o pai no ano passado. Depois disso, o sérvio recebeu inúmeras mensagens de apoio do público e de outros colegas do circuito, além de ver jogadores como Novak Djokovic e Nick Kyrgios divulgarem sua história de superação nas redes sociais.

Campeão no Rio e semifinalista em São Paulo, Laslo Djere emocionou a todos com sua história de vida. (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Campeão no Rio e semifinalista em São Paulo, Laslo Djere emocionou a todos com sua história de vida (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

“Recebi muitas mensagens de apoio e sou muito grato por isso, mas por outro lado, eu tento ser o mesmo cara que eu era há uma semana e continuar trabalhando”, comentou depois de sua partida de estreia no Brasil Open, contra o italiano Alessandro Giannessi. “Não esperava por nada dessa dimensão, mas acredito que é para isso que eu trabalho, para chegar ao top 50, para ser mais reconhecido pelo público e para jogar os grandes torneios”.

Embora a mudança de status após o primeiro título de ATP e o salto no ranking fossem experiências inéditas, o sérvio buscou motivação nas vezes em que conseguia bons resultados em semanas consecutivas por torneios menores para seguir avançando no torneio paulistano. “É sempre difícil jogar um novo torneio logo depois de conquistar um título, mas no passado eu já consegui fazer torneios muito bons e manter o ritmo na semana seguinte”.

Casper Ruud (20 anos, 94º do ranking, Noruega)

Ex-líder do ranking mundial juvenil, Casper Ruud enfim debutou no top 100 depois de duas boas campanhas no Brasil (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Ex-líder do ranking mundial juvenil, Casper Ruud enfim debutou no top 100 depois de duas boas campanhas no Brasil (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Destaque nas competições de base durante a carreira juvenil, chegando a ser o número 1 da categoria, Casper Ruud debutou no top 100 nesta segunda-feira. O norueguês de 20 anos chegou às quartas no Rio de Janeiro e foi semifinalista em São Paulo, saltando 41 posições, do 135º para o 94º lugar em apenas duas semanas. “É um grande passo para o início da minha carreira, mas o objetivo principal é continuar evoluindo e não apenas ser top 100. Espero continuar nessa jornada”.

Ruud já havia se destacado em solo brasileiro há dois anos, quando recebeu convite para a disputa do Rio Open e alcançou sua primeira semifinal no circuito. O jovem norueguês acredita estar hoje mais preparado para manter a regularidade em alto nível. “Estou mais estável do que era há dois anos, no Rio. Tive um grande torneio e fui muito rápido do 230º para o 120º lugar do ranking, mas tudo era muito novo para mim. Talvez eu ainda não estivesse pronto para competir em alto nível por muitas semanas seguidas. Sinto que estou mais pronto agora e tenho mais experiência”.

Christian Garin (22 anos, 72º do ranking, Chile)

Campeão juvenil de Roland Garros em 2013, Christian Garin disputou sua primeira final de ATP em São Paulo (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Campeão juvenil de Roland Garros em 2013, Christian Garin disputou sua primeira final de ATP em São Paulo (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Depois de cair ainda nas oitavas no Rio de Janeiro, Christian Garin viveu a melhor semana da carreira no Brasil Open, em São Paulo, onde venceu quatro jogos seguidos e alcançou sua primeira final de ATP, o que o fez saltar do 92º lugar para a 72ª posição. O jovem chileno já se destaca desde que foi campeão juvenil de Roland Garros em 2013, superando Borna Coric e Alexander Zverev nas duas últimas rodadas, e chegou o quarto lugar no ranking mundial da categoria.

Três dos quatro títulos de challenger de Garin foram conquistados durante a temporada passada, um deles na cidade paulista de Campinas. O chileno, que ocupava a 373ª posição em janeiro do ano passado e chegou ao top 100 já em outubro, acredita ter agora um maior comprometimento com o tênis. “Creio que cheguei a um ponto de maturidade. Comecei a perceber o quanto gostava de jogar tênis e passei a melhorar no físico, no nível tenístico e no lado mental e creio que isso foi fundamental”.

Hugo Dellien (25 anos, 87º do ranking, Bolívia)

O boliviano Hugo Dellien fez quartas no Rio e em São Paulo e está com o melhor ranking na carreira (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

O boliviano Hugo Dellien fez quartas no Rio e em São Paulo e está com o melhor ranking na carreira (Foto: Marcello Zambrana/DGW)

Aos 25 anos, Hugo Dellien não chega a ser exatamente um novato no circuito, mas evoluiu muito nos últimos meses. Ex-número 2 do ranking mundial juvenil, o boliviano debutou no top 100 no ano passado, quando conquistou seus três primeiros títulos de challenger. Ao chegar às quartas tanto no Rio quanto em São Paulo, ele subiu do então 113º para o inédito 87º lugar.

“Chegar duas vezes seguidas às quartas ratifica que estou em alto nível e estou fazendo as coisas certas. Esses resultados fazem valer a pena todo o esforço e sacrifício. Creio que para os bons resultados não há mistério. Com o passar do tempo eu fui aprendendo muitas coisas e isso me levou a um estado mental em que pude acreditar que chegaria ao top 100″.

Brasil tem só 8 vitórias entre Banana Bowl e Porto Alegre
Por Mario Sérgio Cruz
fevereiro 22, 2019 às 8:16 pm

Nas duas últimas semanas, o Sul do Brasil foi palco dos maiores e mais tradicionais torneios internacionais infanto-juvenis realizados no território nacional. O Banana Bowl teve os jogos da categoria 18 anos de sua 49ª edição disputados na cidade catarinense de Criciúma, enquanto o Campeonato Internacional de Porto Alegre (antiga Copa Gerdau) chegou ao seu 36ª ano, agora com o nome de Brasil Juniors Cup. Os eventos são de nível J1 e JA, as duas principais graduações abaixo dos Grand Slam no circuito mundial juvenil da Federação Internacional de Tênis (ITF).

Dentro de quadra, o tênis brasileiro teve pouco a comemorar. Foram apenas oito vitórias de jogadores da casa, três no Banana Bowl e mais cinco em Porto Alegre. Os triunfos aconteceram apenas nas chaves masculinas e as melhores campanhas foram até as oitavas de final. Em Criciúma, o catarinense Pedro Boscardin e o baiano Natan Rodrigues chegaram à terceira rodada, sendo que Natan era o cabeça de chave 11 e entrou direto na segunda fase. Já em Porto Alegre, apenas Boscardin conseguiu vencer dois jogos para chegar às oitavas.

É bom registrar que individualmente, Boscardin teve dois resultados positivos. O catarinense completou 16 anos em janeiro e, em tese, tem mais dois anos de circuito juvenil pela frente. Ele acumulou quatro vitórias nas duas últimas semanas só parou no espanhol Nicolas Alvarez Varona, principal cabeça de chave e posteriormente campeão do Banana Bowl, e no norte-americano Tyler Zink, sexto favorito em Porto Alegre.

Boscardin chegou às oitavas nos dois torneios e foi responsável por quatro das oito vitórias brasileiras nas duas últimas semanas (Foto Luiz Cândido/CBT)

Boscardin chegou às oitavas nos dois torneios e foi responsável por quatro das oito vitórias brasileiras nas duas últimas semanas (Foto Luiz Cândido/CBT)

Com uma rápida consulta nos arquivos da ITF, disponíveis em seu site oficial, é possível encontrar as chaves do Banana Bowl desde 1994 e da Copa Gerdau a partir de 1993. O único torneio antes dos dois realizados neste ano de 2019 sem nenhum brasileiro nas quartas de final foi a Copa Gerdau de 2001.

Até mesmo se fizermos um corte só pelo masculino, em que os brasileiros têm histórico de melhores resultados, apenas duas edições do Banana Bowl (1997 e 2012) e duas de Porto Alegre (2001 e 2006) não tinham brasileiros nas quartas de final. Ainda assim, em três desses torneios, houve ao menos uma brasileira nessa fase do feminino. Foi assim com Joana Cortez em 1997, Roxane Vaisemberg em 2006 e Laura Pigossi em 2012.

Banana Bowl
As chaves de simples do Banana Bowl contaram com 16 jovens tenistas do Brasil, dez no masculino e seis no feminino. Treze desses representantes se despediram ainda no primeiro dia do torneio, que contou com apenas uma vitória brasileira, no duelo nacional entre Boscardin e o paranaense vindo do quali Eduardo Taiguara. Mais que isso, todas derrotas para adversários estrangeiros aconteceram para adversários da casa. Taiguara, aliás, foi o único brasileiro a passar pelo quali de três rodadas na cidade catarinense.

No dia seguinte, Boscardin e Natan conseguiram as únicas vitórias da casa contra adversários estrangeiros, o catarinense diante do canadense Taha Baadi (cabeça 14) e o baiano sobre o espanhol vindo do quali Alejandro Garcia. Nas oitavas, Boscardin foi superado pelo principal favorito e Natan Rodrigues pelo cabeça 6 Tyler Zink.

No feminino, apenas a paulista Ana Luiza Cruz entrou diretamente na chave principal de simples em Criciúma. As outras cinco representantes nacionais disputaram o torneio como convidadas. Ana Luiza era cabeça 15 no Banana Bowl e vinha de um bom resultado no Paraguai, onde foi semifinalista, mas foi eliminada na segunda rodada, que foi sua estreia no torneio. Sua algoz foi a norte-americana Hina Inoue.

Brasil Juniors Cup
Em Porto Alegre, foram 28 tenistas do Brasil, sendo 15 no masculino e 13 no feminino. O torneio tem chaves de 64 jogadores (enquanto o Banana Bowl conta com 48 em cada evento) e não dá folga aos cabeças de chave na primeira rodada. O primeiro dia do torneio teve 12 brasileiros em quadra e apenas duas vitórias, vindas de Boscardin e do paulista Raí Vicente de Araújo. No dia seguinte, 16 atletas da casa atuaram pelo complemento da primeira fase e somente o paulista Gustavo Heide e o gaúcho Guilherme Toresan venceram seus jogos. Já no terceiro dia de disputas, Boscardin foi o único atleta nacional a avançar às oitavas.

Entre as oito brasileiras que disputaram a chave feminina, apenas quatro entraram diretamente por conta do ranking: Ana Luiza Cruz, Nalanda Silva, Lorena Cardoso e Isabel Oliveira. Giovanna Pereira entrou na chave como lucky-loser e outras oito representantes nacionais foram convidadas para o torneio. No masculino, sete dos 15 brasileiros foram convidados, dois entraram como lucky-losers (Gustavo Madureira e Matheus Queiroz), enquanto Boscardin, Heide e Bruno Oliveira entraram direto na chave.

Três brasileiros conseguiram passar pelo qualificatório masculino, em que necessárias duas ou três rodadas, dependendo do ranking do jogador. Luis Fernando Reis, Breno Ferreira Marques e Joaquim de Almeida conseguiram superar a fase classificatória e garantir vaga na chave principal. No feminino, além de nenhuma brasileira ter passado pelo quali, chama ainda mais atenção o fato de nenhuma representante nacional ter vencido alguma partida contra adversárias estrangeiras.

Rio Open
É importante também citar que dois dos principais juvenis brasileiros não puderam disputar o torneio mais forte do país na categoria. Natan Rodrigues (45º no ranking mundial da ITF) e Mateus Alves (54º) estavam envolvidos no quali e na chave de duplas do Rio Open, uma experiência extremamente positiva e que deve ser incentivada, até mais pela rotina de treinos em um torneio de alto nível do que necessariamente pelos resultados. Infelizmente, por conta da recente mudança no calendário do circuito juvenil da ITF, os grandes eventos no Brasil entre profissionais e juvenis acabam coincidindo datas.

Osaka salta do 72º lugar ao número 1 em um ano
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 28, 2019 às 9:36 pm

A chegada de Naomi Osaka à liderança do ranking mundial com apenas 21 anos marca o ápice de uma rápida evolução no circuito ao longo dos últimos doze meses. Vencedora dos dois últimos Grand Slam, o US Open do ano passado e o Australian Open deste ano, Osaka aparecia apenas no 72º lugar do ranking em janeiro de 2018 e teve uma incrível escalada para o topo.

“Eu sinto que nos últimos dois anos, tudo que eu realmente queria fazer era estar no top 10, porque eu pensei que é assim que você constrói o seu nome. Estar nesta posição agora é realmente surreal”, disse Osaka, em entrevista ao site da WTA após a vitória por 7/6 (7-2), 5/7 e 6/4 na final do Australian Open contra Petra Kvitova no último sábado.

Introvertida para falar em público, a japonesa expressa com simplicidade o sentimento de ser a nova número 1. “Ainda não sinto que isso tenha acontecido. Talvez no próximo torneio eu jogar e vir o número 1 ao lado do meu nome, eu sentirei algo. Mas agora, estou mais feliz poque ganhei este troféu”, falou durante a coletiva de imprensa após a final em Melbourne.

Osaka comemorou em Melbourne seu segundo título de Grand Slam (Foto Ben Solomon/Tennis Australia)

Osaka comemorou em Melbourne seu segundo título de Grand Slam (Foto Ben Solomon/Tennis Australia)

Atualmente com 7.030 pontos no ranking, Osaka acumulava apenas 871 na lista divulgada em 15 de janeiro de 2018, a última antes de chegar pela primeira vez às oitavas de final de um Grand Slam. Superada pela então número 1 do mundo Simona Halep no Australian Open do ano passado, Osaka sairia do torneio com 240 pontos (defendia apenas 70) para chegar ao 52º lugar. Aquele era apenas o segundo torneio que ela disputava com seu então novo treinador, o alemão Sascha Bajin, que durante uma década atuou como rebatedor nas equipes de Serena Williams, Victoria Azarenka e Caroline Wozniacki e fazia sua primeira experiência como técnico principal de uma jogadora.

O segundo salto no ranking aconteceria em março. A japonesa era a 44ª colocada e enfrentaria a ex-número 1 e então 41ª do mundo Maria Sharapova logo na primeira rodada do Premier de Indian Wells. Depois de eliminar a russa com uma vitória por duplo 6/4, Osaka também passou na fase seguinte por outra adversária expressiva, a polonesa Agnieszka Radwanska.

A chave abriu para a japonesa, que eliminou Sachia Vickery (100ª) e Maria Sakkari (58ª) antes de cruzar o caminho da número 5 do mundo Karolina Pliskova nas quartas. Com uma boa vitória por 6/2 e 6/3, a jovem jogadora garantiu uma revanche contra Halep e despachou a líder do ranking marcando 6/3 e 6/0. Na final, venceu um duelo da nova geração contra a favorita russa de 20 anos e 19ª do ranking Daria Kasatkina por 6/3 e 6/2 para conquistar seu primeiro título na elite do circuito, faturar mil pontos no ranking e ir parar na 22ª posição.

O que se viu nos meses seguintes ao de seu primeiro título foi uma Osaka bastante instável no circuito. Os destaques ficavam para a vitória em Miami sobre uma Serena Williams que ainda fazia seu segundo torneio desde o nascimento da filha e para uma semifinal alcançada na grama inglesa de Nottingham. Passando a lidar com o favoritismo a pressão, a japonesa desabafou nas redes sociais. Três semanas antes de conquistar seu primeiro Grand Slam, Osaka escreveu uma mensagem em que admitia que sua vida havia mudado muito, mas mas que sentia estar voltando à direção certa e que estava novamente se divertindo em jogar tênis.

https://twitter.com/Naomi_Osaka_/status/1030201441309343749

Eu não sentia muito bem a bola e isso me levou a um ponto em que eu comecei a ficar muito frustrada e deprimida durante os treinos. Tive muita pressão no começo da temporada de quadras duras, porque havia senti que havia muita expectativa sobre mim desde Indian Wells e eu não me sentia mais uma ‘zebra’, o que é totalmente novo para mim.

Se alguém acompanhou o torneio de Cincinnati deve saber que que no jogo que eu perdi eu dei um passo na direção certa. As coisas não estavam funcionando da maneira como eu queria, mas finalmente eu senti que estava me divertindo ao jogar tênis, o que eu não sentia desde Miami. Então estou muito feliz e animada por isso.

Osaka chegou ao US Open como número 18 do mundo e vinda de duas eliminações em terceiras rodadas de Grand Slam, em Roland Garros e Wimbledon. Nas duas primeiras fases em Nova York, passou por adversárias de fora do top 100, a alemã Laura Siegemund (uma ex-top 30, mas que voltava de grave lesão no joelho) e a israelense Julia Glushko antes da primeira grande vitória, um duplo 6/0 sobre a bielorrussa Aliaksandra Sasnovich, número 33 do mundo. Na fase seguinte, mais uma bielorrussa pelo caminho, a 20ª colocada Aryna Sabalenka, e o único jogo de três sets da campanha para o título. A japonesa ainda passaria por Lesia Tsurenko e Madison Keys antes de chegar à sua primeira final de Grand Slam e reencontrar Serena Williams.

A admiração de Osaka por Serena era evidente. Respondeu com um “Eu te amo” a uma pergunta feita após a vitória na semi se teria alguma algo a dizer à próxima adversária. O que se viu dois dias depois no Arthur Ashe Stadium foi um ambiente montado para celebração do 24º título de Grand Slam de Serena Williams, o primeiro depois de passar por uma gravidez de risco e se tornar mãe, que a igualaria à australiana Margaret Court como as maiores vencedoras em todos tempos.

Em sua primeira final de Slam, Osaka não se intimidou em nenhum momento da partida, nem mesmo durante e depois das ríspidas discussões entre Serena e o árbitro português Carlos Ramos. Com a vitória por 6/2 e 6/4, a japonesa conquistou Nova York e se tornou a primeira jogadora de seu país a vencer um Grand Slam, além de ser apenas a quarta atleta da nação a debutar no top 10, chegando ao sétimo lugar.

Osaka vinha de eliminações precoces antes da campanha para o título do US Open. Mas depois, chegou pelo menos às semifinais em quatro dos cinco torneios seguintes. (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Osaka vinha de eliminações precoces antes da campanha para o título do US Open. Mas depois, chegou pelo menos às semifinais em quatro dos cinco torneios seguintes. (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Depois da partida, Osaka foi às lágrimas por conta do clima hostil no estádio após a derrota da favorita da casa. A japonesa preferiu esconder o rosto durante a cerimônia de premiação. “Eu não queria que as pessoas me vissem chorando, porque isso é patético”, disse em entrevista á revista norte-americana Time, de janeiro de 2019.

Ainda assim, ela insiste que continua a admirar Serena e não mudaria nada do que aconteceu. “Em um sonho perfeito, as coisas aconteceriam exatamente do jeito que você gostaria. Mas é mais interessante que na vida real, as coisas não são exatamente como você planejou. E há certas situações que você não espera, mas elas vêm até você e criam uma base para novas experiências”, afirmou à Time. “Serena é Serena. Eu não vivi a vida dela. Não posso dizer a ela o que ela deveria fazer, porque tem coisas que só ela passou. Não tenho nada contra ela. Na verdade, eu ainda a amo muito”.

Osaka nunca escondeu sua admiração por Serena Williams

Osaka nunca escondeu sua admiração por Serena Williams

Diferente do que aconteceu com muitas jogadoras que recentemente conquistavam seus primeiros títulos de Grand Slam, mas caíam de rendimento logo depois, Osaka se manteve competitiva. Duas semanas após o título em Nova York, já disputava mais uma final, desta vez em Tóquio, onde perdeu para Karolina Pliskova. A japonesa também foi semifinalista em Pequim antes de terminar 2018 eliminada ainda na fase de grupos do WTA Finals. Ao alcançar a posição de número 4 do mundo, a jovem jogadora já havia igualado os melhores rankings da história de seu país, de Kei Nishikori e Kimiko Date. Por sua vez, o técnico Sacha Bajin foi eleito entre seus pares como o melhor da temporada. Logo no início de 2019, outra boa campanha: uma semifinal em Brisbane que a deixou muito próxima de um inédito top 3.

Osaka chegou a Melbourne como uma das onze candidatas ao topo do ranking (Foto: Tennis Australia)

Osaka chegou a Melbourne como uma das onze candidatas ao topo do ranking (Foto: Tennis Australia)

De volta a Melbourne, agora na condição de campeã de Grand Slam, e com quatro semifinais nos últimos cinco torneios que havia disputado, Osaka era também uma das onze candidatas à liderança do ranking mundial. Depois de passar pela polonesa Magda Linette e pela eslovena Tamara Zidansek nas fases iniciais, veio o primeiro teste para a japonesa no torneio. Ela perdeu o primeiro set para a taiwanesa Su-Wei Hsieh e estava bastante frustrada em quadra, mas conseguiu buscar a virada com parciais de 5/7, 6/4 e 6/1.

“Estou feliz com o quanto eu lutei. Para mim, essa é uma das maiores coisas que eu sempre achei que poderia melhorar, porque parece que antes eu aceitaria a derrota”, disse em entrevista coletiva após a partida. “Eu entrei no jogo sabendo que ela ia fazer um monte de coisas estranhas, sem ofensas (sorrindo). Mas ela estava jogando tão bem que eu fiquei impressionada. E no começo do segundo set eu tentei fazer coisas que eu sei que não são necessariamente do meu jogo, como se eu estivesse tentando acertar bolas mais altas. Eu nem treino isso”.

“Então depois de um tempo, comecei a pensar que estou em um Grand Slam. Eu não deveria estar triste, estava jogando contra uma jogadora muito boa, então eu deveria aproveitar o meu tempo e tentar colocar toda a minha energia em fazer o melhor que posso em cada ponto”, comenta a japonesa, que ainda passou por Anastasija Sevastova nas oitavas e Elina Svitolina nas quartas antes de vencer a semifinal contra Pliskova por 6/2, 4/6 e 6/4.

“Não acho necessariamente que joguei o meu melhor tênis, mas nunca desisti, e isso é algo de que eu realmente me orgulho”, avaliou a japonesa após vencer a difícil semifinal em três sets. “Em alguns momentos eu pensei ‘O jogo está ficando muito equilibrado’, mas eu não me perdoaria se eu tivesse um pequeno vacilo ou se aceitasse a derrota”, comentou a jovem jogadora. “Quando você é pequena, você assiste os Grand Slam e vê todos os grandes jogadores. Para mim, são os torneios mais importantes. Há apenas quatro deles por ano, então é claro que quero fazer o melhor que posso aqui. São os lugares onde eu acho que vale todo o treinamento”.

Já na final contra Petra Kvitova, Osaka teve a chance de definir a disputa em sets diretos, mas viu a canhota tcheca salvar três match points no saque quando perdia o segundo set por 5/3 e forçar o terceiro set, mas ainda assim pôde se manter mentalmente na disputa. “Os match points foram no saque dela, então ela deveria confirmar seu saque. Ela é uma das melhores jogadoras do mundo, então não achei que fosse um drama”, argumentou após a partida sobre como lidou com a situação. “Quero dizer, não demorou muito. Eu não tive escolha. Acho que se eu não me reagrupasse depois do segundo set, eu provavelmente teria chorado ou algo assim”.

A origem da família e a inspiração nas Williams – Filha da japonesa Tamaki Osaka e do haitiano Leonard Maxine François, Naomi Osaka é a mais filha mais nova do casal. Sua irmã, Mari Osaka, está com 22 anos e também é tenista profissional, ocupando atualmente a posição de número 332 do ranking da WTA. Os dois se conheceram quando estudavam juntos em Sapporo e se mudaram para Osaka, no sul do país, porque os pais de Tamaki não aceitavam o relacionamento da filha com um homem estrangeiro. A família migrou do Japão para os Estados Unidos quando Naomi tinha apenas três anos e se estabeleceu na Flórida a partir de 2006 para que as meninas tivessem mais oportunidades no tênis.


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A inspiração para que Naomi e Mari jogassem tênis veio após o pai assistir a uma partida entre as irmãs Venus e Serena Williams pela TV. Leonard até repetiu os passos de Richard Williams ao evitar colocar as filhas em torneios juvenis e treiná-las jogando sucessivamente uma contra a outra. Em entrevista ao New York Times em agosto do ano passado, Naomi Osaka falou sobre o desafio diário de enfrentar a irmã mais velha. “O mais importante para mim era ganhar da minha irmã. Para ela, não era uma competição, mas para mim, todo dia era uma competição. Todo dia eu dizia, ‘eu vou ganhar de você amanhã'”.

No Japão, pessoas de origem multirracial são chamadas de hafu (da palavra inglesa ‘half’, ou metade). Até por isso, Osaka encontrou algumas barreiras dentro de seu próprio país. Um exemplo disso vinha das próprias colegas de circuito, como na declaração da atual 115ª colocada Nao Hibino ao New York Times no ano passado. “Para ser honesta, nós nos sentimos um pouco distantes dela, porque ela é fisicamente diferente, cresceu em um lugar diferente e não fala muito japonês. Não é como Kei [Nishikori], que é um jogador japonês puro”.

Até por isso, o legado de Naomi Osaka pode ir além do tênis e aumentar a representatividade étnica dentro da sociedade japonesa. É o que aposta seu agente Stuart Duguid, da IMG. “Quando olho 15 anos para o futuro, vejo Naomi tendo uma ótima carreira no tênis”, falou em agosto ao New York Times. “Mas também espero que ela tenha mudado a percepção cultural sobre as pessoas multirraciais no Japão. Espero que ela tenha aberto as portas para outras pessoas seguirem, não apenas no tênis ou nos esportes, mas em toda a sociedade. Ela pode ser uma embaixadora da mudança”.

Osaka chegou a receber ofertas para defender os Estados Unidos, mas a escolha por defender o Japão e ser uma pioneira no tênis de seu país, em vez de ser apenas mais uma promissora atleta norte-americana, trouxe uma série de contratos com grandes empresas japonesas. Em recente entrevista à revista Time, a jovem jogadora mais uma vez fez o simples ao definir sua nacionalidade. “Eu realmente não sei como é se sentir japonesa, haitiana ou americana. Eu me sinto apenas como eu”.

O torneio juvenil – Chegou ao fim no último sábado o torneio juvenil do Australian Open. Como de costume, o Grand Slam australiano é o único que disponibiliza sua principal quadra para a nova geração e as duas finais foram disputadas na Rod Laver Arena.

No feminino, Clara Tauson conquistou o título ao vencer a canhota canadense Leylah Fernandez por 6/4 e 6/3. Esta foi a terceira final entre as duas jogadoras de 16 anos no circuito, que iniciaram a rivalidade com uma vitória de Fernandez no Campeonato Internacional Juvenil de Tênis de Porto Alegre do ano passado, enquanto Tauson já havia levado a melhor no torneio torneio preparatório para o Australian Open em Traralgon.

Clara Tauson assume a liderança no ranking mundial juvenil após o título em Melboune (Foto Martin Sidorjak/ITF)

Clara Tauson assume a liderança no ranking mundial juvenil após o título em Melboune (Foto Martin Sidorjak/ITF)

Tauson é a quarta jogadora dinamarquesa a conquistar um título de Grand Slam como juvenil, e a primeira desde que Caroline Wozniacki venceu Wimbledon em 2006. Ela também se torna a primeira jogadora de seu país a liderar o ranking mundial da categoria, lembrando que Wozniacki chegou a segunda posição durante as competições de base. A ITF ainda cita que Eva Dyrberg foi número de duplas, antes da Federação Internacional estabelecer um ranking unificado para os juvenis.

No masculino, o campeão foi o italiano Lorenzo Musetti, que já havia sido finalista no US Open e perdido para Thiago Wild na decisão. O jogador de 16 anos venceu uma equilibrada final contra o norte-americano Emilio Nava por 4/6, 6/2 e 7/6 (14-12) e recebeu o troféu das mãos de Ivan Lendl. Musetti sobe do quarto para o segundo lugar no ranking juvenil, atrás apenas do taiwanês Chun Hsin, atual campeão de Roland Garros e Wimbledon.

O que esperar da nova geração no Australian Open?
Por Mario Sérgio Cruz
janeiro 11, 2019 às 9:31 pm

Primeiro Grand Slam de 2019, o Australian Open começa na próxima segunda-feira (ou noite de domingo, pelo horário brasileiro). Os vários nomes da nova geração do circuito que estão nas chaves principais masculina ou feminina em Melbourne chegam com diferentes ambições. Há os que chegam com expectativa de título ou de uma campanha expressiva, mas há também aqueles que estão na rota dos favoritos e os que terão suas primeiras experiências em torneios deste tamanho.

A consolidação de Osaka

Depois de conquistar seu primeiro título de Grand Slam no US Open, Naomi Osaka mudou de patamar. Passou a ser mais conhecida do grande público, concedeu um número maior de entrevistas e foi alçada à condição de próxima estrela do esporte. Ela inclusive está na capa da edição de 21 de janeiro da revista TIME.

Em trechos já divulgados da entrevista, Osaka falou de sua idolatria por Serena Williams, a quem superou na final em Nova York, e das comparações que são feitas. Mas a jovem japonesa de 21 anos espera trilhar seu próprio caminho. “Não acho que um dia haverá outra Serena Williams. Acho que serei apenas eu mesma”.

Apesar das várias mudanças em sua vida, a jovem japonesa tem conseguido bons resultados depois do título mais importante da carreira. Foi finalista em Tóquio e semifinalista em Pequim ainda no fim de 2018, além de começar a temporada de 2019 com uma semifinal em Brisbane.

Quarta colocada no ranking, Osaka é uma das onze jogadoras que podem terminar o Grand Slam australiano como número 1 do mundo. Mesmo que a liderança ainda não venha, ela já está muito próxima de ter a melhor marca já alcançada pelo tênis japonês, considerando homens e mulheres. Basta a Osaka ganhar mais uma posição para alcançar um inédito top 3 na história de seu país.

Osaka estreia em Melbourne contra a polonesa Magda Linette, 86ª do ranking, para quem perdeu no único duelo anterior, realizado em Washington no ano passado. A cabeça de chave mais próxima é a experiente taiwanesa Su-Wei Hsieh, 28ª favorita. Qiang Wang e Anastasija Sevastova são possíveis cruzamentos nas oitavas, enquanto Madison Keys ou Elina Svitolina podem pintar nas quartas.

Os próximos passos de Zverev

Alexander Zverev terminou a temporada passada conquistando o título mais importante de sua carreira no ATP Finals, em Londres, onde derrotou Roger Federer e Novak Djokovic nas fases decisivas da competição. Número 4 do mundo e vencedor de dez títulos de ATP, incluindo três Masters 1000, o alemão de 21 anos ainda é cobrado pela falta de bons resultados em Grand Slam.

Em 14 disputas de Grand Slam na chave principal, Zverev tem como melhor resultado a chegada às quartas de final de Roland Garros no ano passado. Antes disso, a campanha de maior destaque havia sido uma até as oitavas na grama de Wimbledon em 2017. Apesar de ainda jovem, ele já fará sua quarta participação no Australian Open e parou na terceira rodada nos dois últimos anos.

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No início de 2019, Zverev disputou quatro partidas de simples e mais quatro nas duplas mistas durante a semana passada pela Copa Hopman. Vice-campeão ao lado de Angelique Kerber na competição entre países, o alemão preferiu se poupar na segunda semana do ano. Uma lesão na coxa o impediu de fazer uma exibição contra Borna Coric em Adelaide na última segunda-feira, e uma leve torção no tornozelo durante os treinos em Melbourne também preocupou durante a semana.

A estreia de Zverev no primeiro Grand Slam do ano será contra o esloveno Aljaz Bedene, 67º colocado, a quem derrotou em dois embates anteriores. Caso confirme o favoritismo, o alemão enfrentará o vencedor do duelo francês entre o veterano de 31 anos Jeremy Chardy e o novato de 20 anos Ugo Humbert. O também francês Gilles Simon pode pintar na terceira rodada, enquanto o canadense Milos Raonic é um possível adversário nas oitavas. Borna Coric e Dominic Thiem são as maiores ameaças em possíveis quartas.

Um duelo de jovens promessas

A primeira rodada em Melbourne reserva um duelo entre duas jovens promessas do circuito, a canadense de 18 anos Bianca Andreescu e a norte-americana de 16 anos Whitney Osuigwe. E quem vencer, já pode cruzar o caminho da cabeça 13 Anastasija Sevastova logo na fase seguinte.

Andreescu é uma das jogadoras em melhor fase neste início de temporada. A canadense venceu sete jogos seguidos em Auckland, incluindo duelos contra as ex-líderes do ranking Caroline Wozniacki (atual campeã do Australian Open) e Venus Williams, que a fizeram sair do 178º lugar para a melhor marca da carreira na 107ª posição. Já em Melbourne, passou por um qualificatório de três rodadas para alcançar o segundo Grand Slam de sua carreira e deverá debutar no top 100 após o Australian Open.

Osuigwe vem de um excelente ano em que saltou do 1.120º lugar para a atual 202ª posição no ranking da WTA, com direito a um título no ITF de US$ 80 mil em Tyler, no Texas, vencendo Beatriz Haddad Maia na final. Mesmo sem ter disputado nenhuma competição oficial nas duas primeiras semanas da temporada e participando apenas de exibições, a jovem norte-americana já conseguiu o melhor ranking da carreira ao ocupar o 199º lugar. Convidada para atuar na Austrália, ela também disputará seu segundo Grand Slam.

Quem chega com moral

Alguns nomes da nova geração do circuito chegam com moral para o Australian Open após bons resultados no começo do ano. São os casos de Aryna Sabalenka, Ashleigh Barty e Alex de Minaur. Também vale o destaques para quem se destacou no fim do ano passado, como Borna Coric e Karen Khachanov.

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Depois de saltar do 78º para o 11º lugar do ranking em 2018, a bielorrussa Aryna Sabalenka iniciou a temporada conquistando seu terceiro título de WTA em Shenzhen. Com estilo de jogo agressivo, a jovem de 20 anos tenta chegar às quartas de final de um Grand Slam pela primeira vez, depois de ter parado nas oitavas no US Open, e tem chances matemáticas até mesmo de encerrar o Australian Open como número 1 do mundo. Sabalenka estreia contra a russa Anna Kalinskaya e pode encarar Petra Kvitova nas oitavas.

Ashleigh Barty é uma tenista com golpes mais clássicos e que sabe variar alturas e velocidades, sabendo usar drop-shots e slices a seu favor. A australiana de 22 anos e número 15 do mundo foi bem na Copa Hopman e também é finalista do WTA de Sydney, onde já derrotou a número 1 do mundo Simona Halep e a top 10 Kiki Bertens. Barty inicia a campanha contra a tailandesa Luksika Kumkhum e está na rota de Jelena Ostapenko para a terceira rodada, e de Caroline Wozniacki ou Maria Sharapova nas oitavas.

Alex de Minaur saltou do 208º para o 31º lugar do ranking em 2018 e começou a nova temporada com quartas em Brisbane e conquistando seu primeiro título de ATP em Sydney, com vitórias na semi e na final neste sábado. Cada vez mais consolidado, o jovem australiano pode ser uma ameaça ao número 2 do mundo Rafael Nadal logo na terceira rodada em Melbourne.

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Números 11 e 12 do mundo aos 22 anos, Khachanov e Coric chegam amparados pelos feitos na reta final de 2018. O russo venceu seu primeiro Masters 1000 em Paris, enquanto o croata foi vice-campeão em Xangai. Khachanov estreia contra o alemão Peter Gojowczyk e pode encarar o atual vice-campeão Marin Cilic nas oitavas, enquanto Coric está no caminho de Dominic Thiem.

Na rota de favoritos 

Jovens tenistas aparecem também como possíveis adversários de alguns dos principais cabeças de chave. Logo na primeira rodada, o chileno de 22 anos e 86º do mundo Christian Garin desafia o belga David Goffin, ex-top 10 e atual 22º do ranking. Na fase seguinte, o francês de 19 anos e 98º colocado Ugo Humbert é um possível rival de Alexander Zverev, enquanto o convidado australiano de 19 anos e 149º colocado Alexei Popyrin é um possível adversário de Dominic Thiem.

Entre as mulheres, destaque para Sofia Kenin. Jogadora de apenas 20 anos, Kenin já começou a temporada com um título de duplas em Auckland e conquistando o WTA de Hobart. Atual 56ª do ranking, a norte-americana já chegará a Melbourne com o melhor ranking da carreira, já entre as 40 melhores do mundo.

A estreia de Kenin será contra a russa de 21 anos, vinda do qualificatório e estreante em Grand Slam Veronika Kudermetova. Em caso de vitória, a norte-americana pode cruzar o caminho da número 1 do mundo Simona Halep já na segunda rodada. Lembrando que Halep está sem vencer desde agosto, encerrou a última temporada mais cedo por conta de lesão nas costas e já tem uma estreia difícil contra a experiente estoniana de 33 anos Kaia Kanepi, sua algoz no último US Open.

Estreantes

A polonesa de 17 anos Iga Swiatek disputará o primeiro Grand Slam da carreira. Campeã juvenil de Wimbledon no ano passado, Swiatek também venceu quatro torneios profissionais da ITF e saltou da 690ª para a 175ª posição do ranking. Ela começou a temporada de 2019 parando na última rodada do quali em Auckland e furando o quali do Australian Open. Sua primeira rival será a romena Ana Bogdan.

Iga Swiatek só está disputando os Grand Slam como juvenil este ano. Ela já venceu cinco torneios profissionais

Iga Swiatek é atual campeã juvenil de Wimbledon

Já o alemão de 18 anos Rudolf Molleker saltou do 597º para o atual 198º lugar do ranking mundial ao longo do ano passado e aparece atualmente na 207ª posição. Vindo do quali em Melbourne, o jovem germâncio inicia a caminhada contra o cabeça 18 Diego Schwartzman e pode cruzar o caminho de Kyle Edmund ou Tomas Berdych na terceira rodada.

Dez jovens que podem surpreender em 2019
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 21, 2018 às 7:39 pm

Pelo segundo ano seguido, o blog apresenta dez jovens tenistas vindos de bons resultados em 2018 e que tentam dar um salto de qualidade para se firmar na elite do circuito durante a próxima temporada, que começa em pouco mais de uma semana. O critério adotado é o mesmo do ano passado, com seis nomes do feminino e quatro do masculino com menos de 20 anos e que estejam fora do top 100 dos rankings da ATP ou da WTA.

Cori Gauff (14 anos, 875ª no ranking, Estados Unidos)

Apontada como uma das principais apostas para o futuro do tênis feminino norte-americano Cori Gauff é a jogadora mais jovem do ranking da WTA, com apenas 14 anos. Vice-líder do ranking mundial juvenil e campeã de Roland Garros na categoria, Gauff já declarou que 2018 foi seu último ano nas competições de base e quer estar entre as cem melhores jogadoras profissionais do mundo já no ano que vem. Admiradora de Serena Williams, ela treina na França, na academia de Patrick Mouratoglou, mesmo técnico da vencedora de 23 títulos de Grand Slam, e sonha poder igualar ou até superar os feitos de Serena no tênis.

Jogadora mais jovem do ranking, Cori Gauff tem 14 anos e quer ser top 100 já em 2019

Jogadora mais jovem do ranking, Cori Gauff tem 14 anos e quer ser top 100 já em 2019

Nascida em março de 2004, Gauff só pôde disputar competições profissionais a partir do momento em que completou 14 anos. Por isso, tem só duas vitórias no circuito aparece no 869º lugar do ranking. O regulamento da WTA impõe um limite de no máximo oito torneios profissionais até que ela complete 15 anos. Entretanto, como terminou a temporada entre as cinco melhores juvenis do mundo, poderá disputar mais quatro torneios contra mulheres adultas.

Whitney Osuigwe (16 anos, 202ª no ranking, Estados Unidos)

Outra jovem promessa norte-americana é Whitney Osuigwe, que tem apenas 16 anos. Ela tem uma trajetória parecida com a de Gauff no circuito, já que foi número 1 do ranking mundial juvenil no ano passado e campeã de Roland Garros. Já dedicada ao circuito profissional em 2018, ela saltou do 1.120º lugar para a atual 202ª posição no ranking da WTA, com direito a um título no ITF de US$ 80 mil em Tyler, no Texas, vencendo Beatriz Haddad Maia na final. Após uma temporada profissional de 23 vitórias e 12 derrotas e do salto no ranking, ela também recebeu um convite para a disputa da chave principal do Australian Open, o primeiro Grand Slam de sua carreira.

Osuigwe tem apenas 16 anos e já aparece no 202º lugar do ranking

Osuigwe tem apenas 16 anos e já aparece no 202º lugar do ranking

Marta Kostyuk (16 anos, 119ª do ranking, Ucrânia)

Kostyuk saltou 400 posições no ranking em 2018, do 518º para o 118º lugar. Ela já começou o ano já surpreendendo ao furar o qualificatório do Australian Open e chegar à terceira rodada da chave principal, caindo diante da compatriota Elina Svitolina. A campanha em Melbourne com apenas 15 anos fez dela a jogadora mais jovem a chegar à terceira rodada de um Grand Slam desde Mirjana Lucic no US Open de 1997 e a mais nova nesta fase do torneio australiano desde Martina Hingis em 1996. Mesmo disputando poucos torneios profissionais por conta das limitações de calendário impostas pela WTA, ela está muito perto de entrar no top 100 do ranking mundial.

Kostyuk mudou a mentalidade como tenista depois de se tornar profissional (Foto: Elizabeth Bai/Tennis Australia)

Marta Kostyuk chegou à terceira rodada do Australian Open e está perto do top 100 (Foto: Elizabeth Bai/Tennis Australia)

Xiyu Wang (17 anos, 211ª do ranking, China) 

A canhota Xiyu Wang foi campeã juvenil do US Open, semifinalista em Wimbledon e chegou a liderar o ranking mundial da categoria. Entre as profissionais, a chinesa de 17 anos chegou ao 180º lugar na WTA e venceu dois títulos profissionais de nível de ITF de US$ 25 mil, mas acabou sofrendo uma lesão em uma das costelas, que encerrou sua temporada ainda em outubro. Wang  também chegou a vencer um jogo no Premier de Wuhan, onde levou a favorita russa Daria Kasatkina ao tiebreak do terceiro set na rodada seguinte. Como o calendário da elite do circuito feminino conta com muitos torneios na China, é possível que a promissora atleta local seja beneficiada por convites, a começar pelo torneio de Shenzhen na primeira semana da temporada.

Canhota chinesa de 17 anos chegou ao top 200 da WTA, mas sofreu lesão no fim do ano

Canhota chinesa de 17 anos chegou ao top 200 da WTA, mas sofreu lesão no fim do ano

Kaja Juvan (18 anos, 175ª do ranking, Eslovênia)

Na única competição em que disputou como juvenil em 2018, Kaja Juvan conquistou as medalhas de ouro em simples e duplas nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Buenos Aires. A eslovena de 18 anos fez uma temporada inteiramente dedicada ao circuito profissional e conseguiu quatro títulos e dois vice-campeonatos em torneios ITF de US$ 25 mil, que a fizeram saltar do 555º para o atual 175º lugar no ranking da WTA, a uma posição da melhor marca de sua carreira, obtida no início de novembro.

Juvan foi campeã de simples e duplas nos Jogos da Juventude e saltou quase 400 posições entre as profissionais

Juvan foi campeã de simples e duplas nos Jogos da Juventude e saltou quase 400 posições entre as profissionais

Olga Danilovic (17 anos, 108ª do ranking, Sérvia)

Jogadora de melhor ranking na lista de possíveis surpresas para a próxima temporada, Olga Danilovic já fez história em 2018 ao ser tornar a primeira jogadora nascida em 2001, e portanto no século XXI e no terceiro milênio, a conquistar um título na elite do circuito. A sérvia de 17 anos conquistou em julho o WTA International de Moscou em uma final da nova geração contra a russa de mesma idade Anastasia Potapova. Danilovic era lucky-loser no torneio e precisou disputar sete jogos em uma semana para ser campeã. A jovem sérvia começou a temporada no 465º lugar do ranking e até entrou no top 100, chegando a ocupar o 96º posto, mas aparece atualmente na 108ª colocação. Antes treinada pelo espanhol Alex Corretja, ela trabalhará na próxima temporada com seu compatriota Petar Popovic.

A sérvia de 17 anos Olga Dalilovic é a primeira jogadora nascida em 2001 a conquistar um WTA

A sérvia de 17 anos Olga Dalilovic é a primeira jogadora nascida em 2001 a conquistar um WTA

Felix Auger-Aliassime  (18 anos, 109ª do ranking, Canadá) 

Considerado uma das grandes promessas do tênis mundial, o canadense Felix Auger-Aliassime já chama atenção desde 2015, quando se tornou o jogador mais jovem a vencer um jogo de challenger com apenas 14 anos, além de ser o primeiro nascido nos anos 2000 a conseguir tal feito. Ele já estava na lista do blog no ano passado, depois de saltar do 601º para o 162º lugar do ranking e conquistar dois challengers em 2017.

Felix Auger Aliassime, de 18 anos, está bem perto de entrar no top 100 

Felix Auger Aliassime, de 18 anos, está bem perto de entrar no top 100

Na última temporada, Auger-Aliassime deu continuidade à sua franca evolução no circuito. O promissor atleta canadense venceu mais dois títulos de challenger e seus seis primeiros jogos em chaves principais de ATP, uma delas sobre o top 20 francês Lucas Pouille no Masters 1000 de Toronto. Ele também disputou o primeiro Grand Slam da carreira no US Open, onde passou por um qualificatório de três rodadas, mas precisou abandonar o duelo contra Denis Shapovalov por arritmia cardíaca. Cada vez mais perto de entrar no top 100, o canadense estabelece como meta estar entre os 50 melhores e fazer uma temporada majoritariamente voltada para os torneios de nível ATP.

Miomir Kecmanovic (19 anos, 132º do ranking, Sérvia)

Ex-líder do ranking mundial juvenil, Miomir Kecmanovic é outro que também estava na lista do ano passado. Depois de saltar do 806º para o 208º lugar na ATP em 2017, ele continuou subindo e aparece atualmente com o melhor ranking da carreira na 132ª posição. Em 2018, o sérvio venceu 38 partidas em torneios de nível challenger e terminou o ano jogando duas finais seguidas na China, com um título em Shenzhen e um vice-campeonato em Liuzhou.

Rudolf Molleker (18 anos, 198º do ranking, Alemanha)

Molleker já chama atenção do circuito desde julho do ano passado, quando furou o quali para o ATP 500 de Hamburgo com apenas 16 anos. Em 2018, o jovem alemão conquistou suas primeiras vitórias em chaves principais de ATP, diante de Jan-Lennard Struff na grama de Stuttgart e contra David Ferrer no saibro de Hamburgo. Ele também conquistou seu primeiro challenger no saibro de Heilbronn e saltou do 597º para o atual 198º lugar do ranking mundial ao longo do ano.

Rudolf Molleker venceu seus dois primeiros jogos de ATP em 2018

Rudolf Molleker venceu seus dois primeiros jogos de ATP em 2018

Alexei Popyrin (19 anos, 152º do ranking, Austrália) 

Promessa do tênis australiano, Alexei Popyrin chegou a ser número 2 do ranking mundial juvenil e campeão de Roland Garros na categoria em 2017. O jogador de 1,96m subiu do 719º para o 148º do ranking da ATP em 2018, com direito a um título de challenger na cidade chinesa de Jinan. Já na reta final de 2018, o jovem australiano furou o quali do ATP 500 da Basileia e chegou a vencer um jogo na chave principal, marcando sua primeira vitória na elite do circuito, antes de cair diante de Alexander Zverev nas oitavas de final.

JÁ ESTÃO NO TOP 100

Como foi dito no início do post, preferi não destacar jogadores que já estão no top 100 do ranking mundial. Entretanto, alguns nomes já mais consolidados têm boas chances de dar um novo salto. Um dos destaques é o francês Ugo Humbert, que conquistou três títulos de challenger em 2018 e saltou do 374º para o 84º lugar do ranking mundial, obtendo a segunda maior ascensão entre os atletas do atual top 100 no ranking da ATP em 2018.

Francês Ugo Humbert venceu três challengers em 2018 e já está no top 100

Francês Ugo Humbert venceu três challengers em 2018 e já está no top 100

A ucraniana de 18 anos Dayana Yastremska já tem título de WTA no currículo. Com 17 anos, a russa Anastasia Potapova (93ª) e a norte-americana Amanda Anisimova (97ª) disputaram finais de primeira linha no circuito em 2018. Já a também americana Sofia Kenin (20 anos, 52ª) se destacou durante a final da Fed Cup contra a República Tcheca.

PRESTANDO CONTAS: Como o blog fez um post parecido no ano passado, é mais do que justo prestar contas das apostas feitas em dezembro de 2017 a respeito da temporada.

Amanda Anisimova, de 17 anos, saltou do 192º para o 96º lugar, venceu um jogo contra a top 10 Petra Kvitova em Indian Wells e disputou a final do WTA de Hiroshima. Dayana Yastremska também se destacou. A ucraniana de 18 anos conquistou seu primeiro WTA em Hong Kong, foi semifinalista em Luxemburgo, onde chegou a derrotar Garbiñe Muguruza. Sua evolução no ranking foi do 189º para o 58º lugar. Já a chinesa de 17 anos Xinyu Wang subiu da 767ª para a 305ª colocação entre as profissionais, além de ter ocupado a vice-liderança no ranking mundial juvenil da ITF.

Dayana Yastremska termina o ano com título de WTA e perto do top 50

Dayana Yastremska termina o ano com título de WTA e perto do top 50

A canadense de 18 anos Bianca Andreescu subiu do 189º para o 152º lugar do ranking, mas não chegou a superar a 143ª posição, alcançada em agosto de 2017. A australiana de 18 anos Destanee Aiava caiu bastante no ranking, e foi do 150º para o atual 251º lugar. A norte-americana de 19 anos Kayla Day foi outra que perdeu espaço. Depois de ocupar o 122º lugar do ranking em junho do ano passado, ela aparece atualmente na 318ª posição.

No masculino, o francês de 19 anos Corentin Moutet venceu seus três primeiros jogos de ATP e alcançou o 105º lugar do ranking, mas terminou o ano na 149ª posição, apenas sete postos acima do que ocupava em 2017. Já o espanhol Nicola Kuhn, que ocupava a 241ª posição no fim do ano passado, chegou a ser 196º do mundo em abril, mas aparece atualmente apenas no 269º lugar do ranking mundial.

Nova geração vence 29 challengers no ano
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 6, 2018 às 6:37 pm

Com o fim da temporada de torneios de nível challenger, a ATP compilou as estatísticas desses eventos que servem de acesso para a elite do circuito. A tendência dos últimos anos com a nova geração vem ganhando cada vez mais espaço é novamente reforçada, mas o perfil dos vencedores mudou um pouco em relação ao ano passado. Os dados estão disponíveis no site da ATP e são públicos. A atualização é do dia 26 de novembro, após a realização dos challengers de Andria (Itália) e Pune (Índia). A relação completa de estatísticas está neste link.

Ao todo, 29 challengers foram vencidos por nomes da chamada Next Gen, que englobou este ano os jogadores nascidos a partir de 1997 e postulantes a vagas em Milão. O número de conquistas de jogadores dessa faixa etária é um pouco maior que as do ano passado, com 24 títulos. A ATP, aliás, mudou um pouco a metodologia e passou a dar o rótulo de “Next Gen” também aos atletas de fora do top 200.

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O mais jovem vencedor de challenger no ano foi o allemão Rudolf Molleker, que completou 18 anos em outubro e tinha 17 anos e seis meses quando foi campeão no saibro de Heilbronn em maio. Molleker era número 568 do mundo no dia 1º de janeiro e aparece atualmente já no 194º lugar, a duas posições da melhor marca da carreira. Além de um título de challenger, ele também já tem duas vitórias de nível ATP, em Stuttgart e Hamburgo.

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Outro número que reforça o bom momento dos jovens jogadores nos challengers diz respeito ao número de títulos por idade. Jogadores de 22 anos foram os maiores vencedores da temporada, com 17 conquistas, e são seguidos de perto pelos atletas de 21 anos, que venceram 16 torneios. Na sequência, aparecem os jogadores de 28 anos com 15 títulos, e os de 27 anos com 12 troféus. Na temporada de 2017, os jogadores de 27 anos foram os que mais venceram challengers, com 19 títulos ao todo.

Em contrapartida, caiu o número de challengers vencidos por jogadores com menos de 20 anos, classificados pela ATP como Teenages. Em 2018, apenas oito tenistas dessa faixa etária conquistaram títulos deste porte, contra 15 no ano passado, e 13 tanto em 2015 quanto em 2016. O número atual foi o menor desde 2014, quando apenas seis torneios tiveram campeões com menos de 20 anos.

Além dos oito títulos, os adolescentes (chamados assim por aqui apenas pela falta da tradução exata do termo em português) ficaram com o vice-campeonato e não houve nenhuma final entre dois jogadores com menos de 20 anos. Dessa forma, 19 finais tiveram a presença de atletas dessa idade. No ano passado, esses jogadores estiveram em 22 finais, uma delas entre Corentin Moutet (18) e Stefanos Tsitsipas (19).

teen winners
Menos títulos dos trintões, Karlovic bate recorde – Enquanto o número de títulos da nova geração aumenta, os veteranos perderam espaço. Em 2018, foram 27 títulos conquistados por jogadores com mais de 30 anos, número inferior aos das três temporadas anteriores. Os ‘trintões’ chegaram a vencer 37 challengers em 2016, com 37 conquistas em 2017 e 31 troféus em 2015.

Por outro lado, o veteraníssimo Ivo Karlovic estabeleceu um recorde. O croata se tornou o mais velho vencedor de um torneio de nível challenger ao conquistar o título em Calgary, no Canadá, aos 39 anos e sete meses. A segunda melhor marca da história também foi conquistada em 2018, com o francês Stephane Robert triunfando em Burnie, na Austrália, aos 37 anos e 8 meses.

Top 10 no juvenil, Klier começa carreira profissional do zero
Por Mario Sérgio Cruz
dezembro 3, 2018 às 5:56 pm

O ano em que um tenista completa 18 anos costuma ser marcado pela transição do circuito juvenil para o profissional. Em geral, os jogadores dessa idade disputam apenas as competições mais fortes na base e já começam a buscar importantes pontos na ATP em torneios de nível future. Mas para Gilbert Klier Júnior o ano acabou sendo majoritariamente voltado aos torneios juvenis, muito por conta de lesões que aconteceram em momentos inoportunos da temporada. Depois de ter alcançado o décimo lugar no ranking mundial juvenil da ITF, o brasiliense de 18 anos começará a carreira profissional praticamente do zero em 2019.

Ao chegar às quartas, Gilbert Klier teve o melhor resultado de um  brasileiro em dez anos

Klier se destacou nas competições juvenis em 2018, mas lesões impediram seu progresso como profissional (Foto: Arata Yamaoka/ITF)

“Vamos ter que começar do zero. Mas no profissional é como se eu começasse a jogar de novo”, disse Klier ao TenisBrasil. “Vou começar a pré-temporada no dia 15 de dezembro e com o objetivo de jogar os torneios de transição e, com certeza, vai ser um bom ano. Se Deus quiser, essa fase vai ser bem rápida”, acrescenta o brasiliense, que aparece no 1.283º lugar no ranking da ATP e acumula quatro vitórias como jogador profissional.

Como juvenil, Klier teve quatro ótimos resultados. Ainda no mês de março, ele venceu a Copa Paineiras, torneio Sul-Americano Individual disputado em São Paulo. Em julho, se destacou no torneio juvenil de Wimbledon, onde chegou às quartas de final e teve o melhor resultado de um brasileiro desde 2008. No mês seguinte, conquistou o título do ITF G1 de College Park, no piso duro de Maryland, nos Estados Unidos. Já em outubro, foi medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Buenos Aires.

“Foi um ano incrível como juvenil. Acabei parando de jogar o juvenil no top 10. Não sei quanto estou agora, devo estar como 11 ou 12, mas foi um ano muito bom”, comenta o atual 11º colocado no ranking da ITF para a categoria. “No profissional eu não joguei tantos torneios e acabei me lesionando nos poucos torneios que eu joguei, mas para mim está sendo um ano excelente”, comenta o brasiliense, que diz que a medalha olímpica terá lugar especial em casa. “Tá lá na prateleira. Minha mãe já levou para casa, separou um espaço, vai enquadrar e botar na parede”.

Brasiliense foi medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Buenos Aires (Foto: Sergio Llamera/ITF)

Brasiliense foi medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Buenos Aires (Foto: Sergio Llamera/ITF)

Por três oportunidades em 2018, Klier venceu o argentino Sebastian Baez, que chegou a liderar o ranking mundial juvenil, além de também derrotar outros jogadores bem ranqueados na categoria, casos do búlgaro Adrian Andreev (que termina o ano como número 4 do mundo) e do sérvio Marko Miladinovic, ex-número 2. “É sempre muito bom ganhar desses caras. Isso mostra onde a gente está e o nível que a gente está jogando. É claro que eu fiquei bem feliz de conseguir essas vitórias e saber que estou nesse nível é muito gratificante”.

O calendário do jovem brasiliense também foi prejudicado por lesões no joelho, que o fez começar o ano só em março, e uma no ombro esquerdo em maio, às vésperas da disputa do future de Brasília. “Naquele encontro da CBT em Floripa no ano passado, eu acabei lesionando o joelho. Por sorte eu não precisei operar. Eu ia até para a Austrália, estava na chave e não fui. Para mim foi muito difícil porque seria meu primeiro Grand Slam. E ali antes de Brasília, eu desloquei o ombro treinando. Foi um pouquinho de azar também, mas acontece com qualquer atleta”.

Diante de um início de carreira profissional com muitos custos e retorno financeiro muito pequeno, Klier consegue viajar com treinador para praticamente todos os torneios. Ele é atleta do Instituto Tennis Route, do Rio de Janeiro, e é acompanhado de perto pelos técnicos Arthur Rabelo e João Zwetsch. “Graças a Deus eu tenho a ajuda de um apoiador e eu acabo tendo que pagar muito pouco. De material eu também ganho tudo da Yonex, então para mim esse lado está muito bom”.

Klier não estabelece metas em termos de ranking ou resultados para 2019 e foca apenas na melhora do desempenho em quadra. “Nunca penso resultado, em ranking ou coisa assim. Penso em jogar meu melhor e fazer o melhor que eu posso e estar sempre no meu melhor estado físico, que eu sei que os resultados vão vir em consequência”.

Reis supera metas, sofre com inoportuna catapora, e sonha com a Davis
Por Mario Sérgio Cruz
novembro 30, 2018 às 10:33 am

Pouco mais de um ano depois de marcar seu primeiro ponto no ranking da ATP, João Lucas Reis cumpriu e até superou algumas metas que ele próprio determinava para sua temporada de transição do circuito juvenil para os torneios profissionais. O pernambucano de 18 anos pretendia disputar os Grand Slam como juvenil, vencer um torneio de nível future e terminar o ano entre 650 e 700 do mundo. A primeira conquista como profissional veio ainda em maio, no saibro de Curitiba, e ele termina a temporada com o melhor ranking da carreira, já no 554º lugar.

Reis conquistou seu primeiro future e superou suas expectativas no ranking (Foto: João Pires/Fotojump)

Reis conquistou seu primeiro future e superou suas expectativas no ranking (Foto: João Pires/Fotojump)

O jovem natural de Recife disputou três dos quatro Grand Slam do circuito mundial juvenil. Por méritos, poderia ter participado de todos, mas faltou sorte. Reis pegou catapora em momento inoportuno, a poucos dias de estrear no US Open. “Foi bem frustrante, porque eu estava muito motivado para o torneio e não consegui jogar”, disse Reis ao TenisBrasil durante a Maria Esther Cup, na semana passada, em São Paulo.

Também em 2018, Reis teve sua primeira experiência acompanhando a equipe brasileira da Copa Davis. Reserva no confronto contra a Colômbia em Barranquilla, o pernambucano aprovou a experiência, apesar do revés do time nacional. “A equipe toda me acolheu muito bem no time, pude treinar com eles a semana inteira. Pude ver como os profissionais treinam e a intensidade que eles colocam no treino”, recordou. “Eu tenho o sonho de jogar a Copa Davis, defendendo o Brasil. Acho que qualquer jogador tem o sonho de vestir a camisa e representar o país”.

Reis começou a jogar tênis aos quatro anos e a treinar desde os sete, por influência do irmão mais velho Antônio Gabriel. O jovem jogador pernambucano se mudou ainda muito jovem para o estado de São Paulo, treinando primeiro com Leandro Afini em São José dos Campos e desde 2014 é atleta do Instituto Tênis, em Barueri, onde é acompanhado pelo técnico Francisco Costa. Hoje, já sente em casa, mesmo longe da família. “Foi bem difícil ficar longe da minha família e dos meus amigos, mas consegui superar o começo, que era a parte mais difícil e fui me adaptando. Agora eu posso dizer que estou 100% adaptado”.

Confira a entrevista com João Lucas Reis.

Queria que você avaliasse um pouco sua temporada. Você até falou que queria ficar entre 650º e 700º, mas chegou a 554º do ranking, que é acima da sua meta. Como você avalia esse ano?
Acho que foi um ano muito bom. Tive alguns altos e baixos, mas achei uma temporada bem boa. Consegui meu primeiro título profissional no início do ano, fiquei bastante feliz com a evolução que eu tive no meu jogo do início do ano para agora. Tive boas experiências e pude passar dois meses na Europa, um mês nos Estados Unidos, jogando meus últimos torneios juvenis, ainda consegui jogar três Grand Slam e consegui cumprir algumas metas. Achei bem bom.

Durante a semana em que você conquistou seu primeiro título em Curitiba, o que você sente que seu jogo encaixou e em termos de confiança também?
Acho que eu consegui jogar meu melhor tênis durante a semana inteira. Consegui crescer durante o torneio, o que é o mais importante, cheguei à final jogando muito bem. E bom… Acho que ajudou a evoluir meu nível de tênis, eu consegui subir mais um nível naquela semana, e deu bastante confiança para seguir trabalhando e seguir o meu sonho.

Você acompanhou a equipe da Davis. Como que foi a experiência? Jogar a Davis é um sonho que você tem mesmo com essa mudança de formato?
Foi uma ótima semana, uma bela experiência. A equipe toda me acolheu muito bem no time, pude treinar com eles a semana inteira. Pude ver como os profissionais treinam, a intensidade que eles colocam no treino e o capricho. Treinei com Clezar, com o Monteiro, com a dupla do Melo com o Demoliner, com o Sorgi… Com todo mundo. Eu aprendi bastante na semana. Eu tenho o sonho de jogar a Copa Davis, defendendo o Brasil. Acho que qualquer jogador tem o sonho de vestir a camisa e representar o país.

Você foi contra a Colômbia ou contra República Dominicana?
Contra a Colômbia. Nós perdemos o confronto por 3 a 2, foi bem duro, mas valeu a semana da mesma forma.

Pouco antes do US Open, você pegou catapora. O quanto isso foi frustrante para você e como foi tratar a doença fora do Brasil, longe da família e longe até dos médicos que te acompanham normalmente?
Foi bem frustrante, porque antes do torneio eu estava me sentindo muito bem nos treinos. Eu estava sentindo que estava jogando muito bem na quadra rápida, estava bem confiante para o torneio, e aconteceu isso. Aí eu tive que ficar seis dias de cama, sem fazer nada. O Cristiano [Borrelli], que é o CEO do Instituto Tênis, a organização onde eu treino, ele me ajudou bastante na semana, e ficou como um enfermeiro para mim. E foi bem frustrante, porque eu estava muito motivado para o torneio e não consegui jogar. E depois eu continuei a gira, que eu não consegui jogar bem lá nos Estados Unidos.

– Era cabeça 1 nos futures, mas acabou perdendo na primeira e tal…
Sim. Nas primeiras semanas eu estava com uma energia baixa, sem ritmo, e não consegui jogar. Na terceira semana eu consegui jogar um pouquinho melhor. Mas foi um aprendizado. Mesmo nessas piores ocasiões, a gente aprende um pouco.

Mas como foi para diagnosticar? Você começou a sentir alguma coisa e já passou no médico do torneio?
Eu achei que eu estava com umas espinhas a mais, apareceram umas bolinhas, e aí eu fui no médico do torneio e eles me diagnosticaram errado. Eles falaram que eu estava com impetigo, que é um vírus que tem bastante lá nos Estados Unidos, e eu achei que eu podia jogar, porque ele falou que com aquilo eu podia jogar. Bom, eu falei: ‘Tô bem’. Mas aí um dia depois eu passei muito mal à noite, tive bastante febre, pioraram muito as bolinhas e aí eu fui de manhã num médico e eles falaram que eu estava com catapora e provavelmente não poderia jogar e tinha que ficar isolado.

E o médico era do US Open mesmo ou do torneio juvenil que você estava jogando na semana anterior?
Era o que estava no US Open juvenil, na semana do quali. Foi bem difícil. Talvez se ele falasse que eu estava com catapora e eu pudesse tratar uns três dias antes do torneio, talvez eu poderia estar um pouquinho melhor, mas ainda é difícil. Acho que, de todo jeito, não era para acontecer mesmo.

E você saiu da sua casa muito novo, com 14 anos, foi para São José [dos Campos] e depois foi para o IT (Instituto Tênis, em Barueri). Sua família continua em Recife ou se mudou para São Paulo depois?
Eu saí com 13 anos, ainda quando jogava torneios de 14, e vou bastante para Recife. Foi bem difícil ficar longe da minha família e dos meus amigos, mas consegui superar o começo, que era a parte mais difícil e fui me adaptando. E agora estou muito bem. Mantenho bastante contato com todos os meus amigos e família, tento ir bastante para lá, mas eles vêm mais para cá. Eu também tenho duas tias que moram em São Paulo, a família inteira do meu pai é daqui de São Paulo, então isso me ajuda bastante a não dar tanto valor à distância. E agora eu posso dizer que estou 100% adaptado.

A gente sabe que o circuito de futures tem um custo muito alto para o jogador e pouco retorno financeiro imediato. Como você tem feito para se manter? O IT oferece passagem e hospedagem? Vocês conseguem viajar com o técnico?
Bom, o IT me ajuda bastante nessa parte. Esse é meu primeiro ano que eu joguei future, e não joguei só future, joguei juvenil também, e eu não tenho como te dizer como é a vida dos profissionais que estão jogando já há algum tempo, mas este ano o IT me ajudou bastante. Em alguns torneios com hotéis e passagens, então eu não tive tanta necessidade quanto a isso. Eu só tenho a agradecer a eles por me dar toda essa estrutura.

Você é um cara bem tranquilo na quadra, não é muito de vibrar muito, de gritar muito. É algo que você traz de fora das quadras também e você consegue transformar isso em coisas positivas?
É, eu sou um cara bem tranquilo. Pelo menos, me falam isso, e eu também me considero. Acho que na quadra isso me ajuda a manter a concentração, mentalmente focado no que eu tenho que fazer. Em alguns momentos tenho que subir a energia, porque o tênis exige isso, fazer um pouco mais de barulho e vibrar mais. Eu também tenho a tendência de ficar um pouco apático às vezes, mas tenho que lutar contra isso todos os dias. É mais o temperamento mesmo.

Tem alguma meta para o ano que vem, não só de ranking, mas de desempenho. De repente, ganhar mais alguns futures, tentar jogar um challenger…
Acho que agora eu não tenho como falar isso, ainda não sei do meu calendário do ano que vem. Vou jogar esse torneio aqui, que vale bastante, e depois ficar de férias e pensar no meu calendário.