Campeão em Paris é o novo número 1 juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
junho 12, 2018 às 11:17 pm

Após o término do torneio juvenil de Roland Garros, a atualização do ranking mundial da ITF determinou um novo número 1 na lista masculina. O taiwanês Chun Hsin Tseng assumiu a liderança do ranking dois depois de ter sido campeão em Paris com a vitória sobre o então número 1, o argentino Sebastian Baez, na final por 7/6 (7-5) e 6/2.

Chun Hsin Tseng, de 16 anos, assumiu a liderança do ranking (Foto: Amelie Laurin/FFT)

Chun Hsin Tseng, de 16 anos, assumiu a liderança do ranking (Foto: Amelie Laurin/FFT)

Tseng, que já havia sido finalista do Australian Open em janeiro, subiu do terceiro para o primeiro lugar do ranking. Antes dele o melhor jogador de seu país no ranking havia sido Yu Hsiou Hsu, que foi número 5 do mundo no ano passado depois de conquistar os títulos de duplas em Wimbledon e no US Open como juvenil.

Embora tenha apenas 16 anos e possa disputar torneios juvenis até o fim da próxima temporada, Tseng já tem alguns bons resultados como profissional. O taiwanês venceu um future no Vietnã em maio e ainda foi semifinalista de outros dois torneios. Com isso, aparece no 727º lugar na lista da ATP, chegando a ocupar a 712ª posição no mês passado.

“Sempre foi um sonho vencer aqui”, disse Tseng, que treina na França, na academia de Patrick Mouratoglou. “Ele vem me apoiando há muitos anos e quer que eu seja agressivo na linha de base. Na final, eu estava jogando muito bem na linha de base e sólido”, comentou o taiwanês, em entrevista ao site da ITF.

Gauff dá salto no ranking

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Campeã juvenil de Roland Garros, Cori Gauff ganhou dezessete posições. A norte-americana de apenas 14 anos aparece agora no terceiro lugar e cada vez mais próxima da líder Whitney Osuigwe. Gauff é mais jovem campeã do torneio parisiense desde Martina Hingis em 1993. Ela é também a quinta vencedora mais nova no juvenil de Roland Garros.

Falamos de Gauff no último post. Também vinda da academia de Mouratoglou, a norte-americana tem em Serena Williams sua principal fonte de inspiração e sonha alcançar e superar os recordes da ex-número 1 do mundo. Outro modelo na carreira de Gauff é a campeã do US Open e vice em Roland Garros Sloane Stephens, a quem ela considera uma amiga.

De Minaur entra no top 100

Destaque nas duas primeiras temporadas do circuito ao ser semifinalista do ATP 250 de Brisbane e vice-campeão em Sydney, o australiano Alex de Minaur enfim entrou no top 100 na última segunda-feira. O jovem jogador de 19 anos ganhou nove posições depois de ser finalista do challenger de Surbiton, em quadras de grama, e com isso aparece no 96º lugar.


“É incrível estar pela primeira vez no top 100. Foram sido muitos anos de trabalho duro e eu estou feliz por finalmente estar aqui”, disse De Minaur, em entrevista ao site da ATP. “Comecei o ano muito bem, jogando em um nível muito alto e sabia que, se conseguisse manter esse nível, chegaria aqui. Agora é hora de apenas manter esse nível durante todo o ano e vamos ver o que acontece”, acrescenta o australiano nascido em fevereiro de 1999 e só é mais jovem que o canadense Denis Shapovalov no atual top 100.

Molleker vence a primeira na ATP

O alemão de 17 anos Rudolf Molleker marcou a maior vitória de sua carreira na última segunda-feira, que estreou no ATP 250 de Stuttgart, em quadras de grama, derrotando o alemão Jan-Lennard Struff por 6/4, 6/7 (5-7) e 6-3. Molleker é o atual 303º do ranking e certamente terá a melhor marca da carreira depois de vncer seu primeiro jogo em nível ATP. O jovem alemão se junta ao canadense Felix Auger-Aliassime como os únicos jogadores nascidos em 2000 que venceram jogos na elite do circuito.

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“É uma sensação inacreditável ganhar a minha primeira vitória em chave principal em casa”, disse Molleker, em entrevista ao site da ATP. “Foi ótimo ter a torcida me apoiando e gostei muito de jogar na quadra central. É uma ótima experiência para mim e espero que eu possa continuar”, acrescenta o jovem alemão, que enfrenta nas oitavas o francês Lucas Pouille, 17º do ranking e atual campeão do torneio.

 

Com técnico de Serena, promessa americana quer ser ‘a maior da história’
Por Mario Sérgio Cruz
junho 4, 2018 às 9:20 pm

Atração do torneio juvenil de Roland Garros, a norte-americana de apenas 14 anos Cori Gauff sonha alto e tem metas ambiciosas para o futuro. Finalista no US Open da categoria no ano passado, Gauff tem uma de suas bases de treinamento na academia de Patrick Mouratoglou, técnico de Serena Williams, e tem na ex-número 1 um modelo de sucesso para seguir em frente.

“Ela é meu ídolo”, disse Gauff em entrevista ao site da ITF após seu primeiro jogo no juvenil de Roland Garros, em que venceu a polonesa Stefania Rogozinska Dzik por 6/3 e 6/0. “Eu sempre digo que quero ser como ela, realizar as coisas que ela fez e ir ainda mais longe. Até onde eu puder”, acrescenta a promissora atleta norte-americana. “Eu não quero me limitar a ela porque não sou Serena e ela também não sou eu”.

Cori Gauff tem 14 anos e sonha ser 'a maior de todos os tempos' (Foto: Susan Mullane/ITF)

Cori Gauff tem 14 anos e sonha ser ‘a maior de todos os tempos’ (Foto: Susan Mullane/ITF)

A admiração por Serena já rendeu alguns conselhos. Gauff relatou em entrevista à CNN no ano passado, que teve oportunidade de conhecer pessoalmente e conversar com a maior vencedora de Grand Slam na Era Aberta do tênis mundial. “Serena me disse para seguir em frente e continuar trabalhando duro”, disse a promessa norte-americana. “Significa muito para mim saber que alguém tão incrível ainda está encorajando as jogadoras mais jovens a serem tão boas ou até melhores que ela. E espero que um dia eu possa chegar a esse nível”.

Ainda no ano passado, durante a campanha até o vice-campeonato em Nova York, Gauff já deu declarações fortes. “Chegar à semifinal é ótimo, mas meu objetivo é vencer o torneio. Todo torneio que eu jogo, eu tento ganhar”, afirmou a jogadora, então com treze anos. “Se eu tenho um objetivo é ganhar o torneio. Não me limito a alcançar a segunda ou terceira rodada. Quero ser a maior de todos os tempos”.

Gauff é a atual 21ª colocada no ranking mundial juvenil da ITF. Nascida em março de 2004, a norte-americana só pôde disputar competições profissionais a partir do momento em que completou 14 anos. Por isso, seu único torneio foi um ITF em Osprey, na Flórida, há duas semanas. Logo de cara, a jovem americana passou por um qualificatório de três rodadas e ainda venceu um jogo na chave principal. Ela só não debutou no ranking da WTA porque as regras do circuito feminino exigem que uma jogadora pontue em três torneios ou faça dez pontos em um evento para aparecer na classificação.

Gauff já se destacou em um Grand Slam juvenil e foi finalista do US Open da categoria no ano passado (Foto: Arata Yamaoka/ITF)

Gauff já se destacou em um Grand Slam juvenil e foi finalista do US Open da categoria no ano passado (Foto: Arata Yamaoka/ITF)

Técnico de Serena desde o segundo semestre de 2012, Mouratoglou acompanhou de perto as últimas dez conquistas de Grand Slam da recordista de títulos deste porte na Era Aberta. Até por isso, o treinador francês não quer comparar Gauff à ex-número 1 “porque só existe uma Serena”, mas acredita que a jovem tem um futuro promissor.

“Ela é uma lutadora incrível e uma atleta incrível. Ela parte para a definição dos pontos e assume os riscos”, disse Mouratoglou à CNN. “É claro que ela tem muito a aprender, porque é muito jovem. Mas se ela mantiver a mesma atitude que tem agora, se mantiver a cabeça onde deve e a mesma fome pelo jogo, acho que pode ir muito longe”.

Jovens estão na rota de favoritos em Paris
Por Mario Sérgio Cruz
maio 26, 2018 às 12:25 am

Depois do sorteio da chave principal de Roland Garros na última quinta-feira e do término do qualificatório nesta sexta, todo mundo que disputará o Grand Slam francês a partir do próximo domingo já conhece seus adversários de estreia e o caminho nas rodadas seguintes em Paris.

A nova geração do tênis mundial tem candidatos ao título como a campeã do ano passado Jelena Ostapenko e o terceiro do ranking masculino Alexander Zverev, mas também tem nomes fora do radar, como convidados, atletas vindos do quali ou de bons resultados no saibro e que podem dar trabalho aos principais cabeças de chave.

 

Anett Kontaveit (22 anos, 25ª do ranking, Estonia)

Kontaveit venceu três jogos contra top 10 no saibro e pode enfrentar Kvitova na terceira rodada

Kontaveit venceu três jogos contra top 10 no saibro e pode enfrentar Kvitova na terceira rodada

Kontaveit não chega a ser uma surpresa, já que teve resultados expressivos no saibro nos últimos dois anos. A estoniana, entretanto, vive seu melhor momento no circuito durante atual temporada e a partir desta semana ocupa o ranking mais alto de sua carreira.

No saibro, Kontaveit fez duas semifinais em nível Premier nos torneios de Stuttgart e Roma, além de ter chegado às oitavas em Madri. Em três semanas, conquistou três vitórias contra top 10 (sendo duas seguidas contra Venus Williams) e um total de seis diante de adversárias do top 20. A estoniana está empatada com Elina Svitolina no terceiro lugar em vitórias contra top 10 na temporada, com quatro no total. Nesta estatística, ela só é superada por Petra Kvitova, com sete, e Daria Kasatkina, com seis.

Cabeça 25 em Roland Garros, Kontaveit estreia contra a 99ª colocada norte-americana Madison Brengle. As possíveis adversárias na segunda rodada são a experiente romena Alexandra Dulgheru e a norte-americana Christina McHale. Passando pelas duas primeiras fases, a estoniana pode reencontrar sua algoz em Madri Petra Kvitova. Há duas semanas, elas se enfrentaram nas oitavas na capital espanhola, com vitória tcheca em três sets.

Elise Mertens (22ª anos, 16ª do ranking, Bélgica)

Mertens é a líder de vitórias no saibro na temporada, com 13 no total, e pode enfrentar Halep nas oitavas

Mertens é a líder de vitórias no saibro na temporada, com 13 no total, e pode enfrentar Halep nas oitavas

Mertens é a jogadora que mais venceu jogos no saibro na atual temporada. Foram treze vitórias, todas elas seguidas. A jovem jogadora belga foi campeã de dois WTA de nível International em Lugano, na Suíça, e Rabat, no Marrcos. Antes de atuar em Madri, precisou ser hospitalizada por conta de problemas de saúde que já a incomodavam nos últimos dias do torneio marroquino. Até por isso, seu desempenho na capital espanhola foi comprometido e ela nem jogou em Roma.

Semifinalista do Australian Open em janeiro, a belga de 22 anos estreia contra a norte-americana Varvara Lepchenko. Passando pela estreia, ela pode encarar a britânica Heather Watson ou a francesa Oceane Dodin. A australina Daria Gavrilova é a principal ameaça na terceira rodada antes de um reencontro com a número 1 do mundo Simona Halep nas oitavas de final.

Daria Kasatkina (21 anos, 14ª do ranking, Rússia)

Kasatkina pode reencontrar Wozniacki, a quem já derrotou duas vezes no ano

Kasatkina pode reencontrar Wozniacki, a quem já derrotou duas vezes no ano

A temporada de saibro pode não ter sido tão boa para Kasatkina, mas uma jogadora que já venceu seis jogos contra top 10 no ano, sendo quatro diante de top 5 não pode ser descartada. Atual 14ª do ranking e finalista em Indian Wells, a jovem russa chegou às quartas em Madri (onde venceu um jogão contra Garbiñe Muguruza) e às oitavas em Roma. Perdeu para as campeãs em ambos os torneios, Petra Kvitova e Elina Svitolina.

Cabeça 14 em Paris, Kasatkina tem jogadoras experientes em seu setor como a adversária de estreia Kaia Kanepi e as possíveis rivais na segunda rodada Tatjana Maria e Kirsten Flipkens. Na terceira rodada, há chance de um grande jogo no saibro contra Carla Suárez Navarro. Caso vença a espanhola, há chance de reencontro nas oitavas com a número 2 do mundo Caroline Wozniacki, a quem derrotou duas vezes este ano.

Magdalena Frech (20 anos, 137ª do ranking, Polônia)

Frech furou o quali em Paris e pode enfrentar Stephens na segunda rodada

Frech furou o quali em Paris e pode enfrentar Stephens na segunda rodada

Vinda do qualificatório, Frech está com o melhor ranking da carreira desde a última segunda-feira. A polonesa saltou do 320º para o 166º lugar durante a temporada passada e segue em franca evolução no circuito. Ela já passou por dois qualificatórios de Grand Slam e vem de bons resultados em torneios ITF. Sua estreia na chave principal em Paris será contra a russa Ekaterina Alexandrova, depois pode cruzar o caminho da cabeça 10 norte-americana Sloane Stephens, que não teve bons resultados no saibro, caindo nas estreias em Stuttgart e Nuremberg, e nas  oitavas em Roma e Madri.

Denis Shapovalov (19 anos, 26º do ranking, Canadá)

Shapovalov foi bem nos últimos Masters e pode reencontrar Nadal nas oitavas

Shapovalov foi bem nos últimos Masters e pode reencontrar Nadal nas oitavas

Antes desta temporada, Denis Shapovalov ainda não tinha nenhuma vitória no saibro em nível ATP e só tinha vencido um jogo de challenger no saibro. O canadense de 19 anos, entretanto, foi buscar a evolução nos torneios mais fortes com semifinais no Masters 1000 de Madri e oitavas em Roma. Em duas semanas, ele saltou do 43º para o 26º lugar do ranking, melhor marca de sua carreira.

A estreia de Shapovalov pode ser complicada contra o australiano John Millman, 58º do ranking e que foi finalista no ATP de Budapeste e campeão do challenger de Aix En Provence. Passando por seu primeiro obstáculo, o cabeça 24 pode enfrentar o norte-americano Ryan Harrison ou o alemão Maximilian Marterer. Como o cabeça de chave mais próximo é Jack Sock, 14º favorito, que nunca passou da terceira rodada em Roland Garros, a expectativa é por um duelo com Rafael Nadal nas oitavas.

Stefanos Tsitsipas (19 anos, 40º do ranking, Grécia)

Tsitsipas ganhou 160 posições em um ano e pode enfrentar Thiem já na segunda rodada

Tsitsipas ganhou 160 posições em um ano e pode enfrentar Thiem já na segunda rodada

Há um ano, Tsitsipas sequer tinha vitória em nível ATP e disputava o primeiro Grand Slam da carreira. Sua evolução em doze meses é notória, do 202º lugar que ocupava em maio de 2017 para a atual 40ª colocação. O jovem grego já acumula 19 vitórias na elite do circuito, sendo 15 na atual temporada. Diante de adversários do top 10, ele já conseguiu três vitórias, duas delas em 2018. Finalista em Barcelona, onde só parou em Rafael Nadal, o grego também foi semifinalista no Estoril e foi do quali até a segunda rodada da chave principal em Roma.

A estreia de Tstistipas será contra o espanhol vindo do quali e 194º do ranking Carlos Taberner, jovem de 20 anos e que só havia vencido um jogo de ATP e mais dois em chaves principais de challenger antes de chegar a Paris. Caso confirme o favoritismo, o grego pode reencontrar o número 8 do mundo Dominic Thiem, a quem derrotou nas quartas de final em Barcelona. O austríaco, entretanto, venceu outros dois jogos contra Tsitsipas nesta temporada, nas quadras duras de Doha e Indian Wells.

Nicolas Jarry (22 anos, 59ª do ranking, Chile)

Jarry se destacou no saibro sul-americano e pode enfrentar Dimitrov na segunda rodada (Imagem: Fotojump)

Jarry se destacou no saibro sul-americano e pode enfrentar Dimitrov na segunda rodada (Imagem: Fotojump)

Jarry é uma das apostas para o ressurgimento do tênis chileno. Com estilo de jogo agressivo, bom saque e potência nos golpes, ele deve ser um dos principais nomes sul-americanos para os próximos anos do circuito. O jovem jogador de 22 anos se destacou primeiro em seu continente, com quartas de final em Quito, semi no Rio de Janeiro e final em São Paulo. Já na Europa, fez quartas no saibro português do Estoril e furou o quali na capital italiana.

A estreia de Jarry será contra o norte-americano Jared Donaldson, 57º do ranking e que só venceu um jogo no saibro este ano. Logo na sequência, há possibilidade de um duelo contra o quinto colocado Grigor Dimitrov. O búlgaro estreia contra o experiente sérvio Viktor Troicki.

‘Hábito de ganhar’ fará Orlando e Felipe crescerem, avalia Leo Azevedo
Por Mario Sérgio Cruz
maio 16, 2018 às 11:07 am

As duas últimas semanas foram bastante positivas para dois jovens jogadores brasileiros que treinam na Espanha. O gaúcho Orlando Luz e o paulista Felipe Meligeni Alves, ambos de 20 anos, disputaram uma final de future no Cairo, capital egípcia, vencida por Felipe em dois tiebreaks no último domingo. Foi o primeiro título de simples de sua carreira profissional. Orlando, por sua vez, ganhou dois troféus seguidos nas duplas, um deles com o parceiro paulista.

Jovens em transição para a carreira profissional, Orlando e Felipe foram os primeiros atletas a usufruir da pareceria firmada pela Confederação Brasileira de Tênis e a BTT Tennis Academy, que oferece estrutura de treinamento em Barcelona. Os dois estão desde janeiro e têm acompanhamento do técnico brasileiro Leo Azevedo, que é um dos coordenadores da academia.

Azevedo atuou por oito anos na USTA (Associação Norte-Americana de Tênis), além de já ter trabalhado na Espanha, de 2003 a 2006, na academia de Juan Carlos Ferrero. Em entrevista ao TenisBrasil, o treinador falou sobre os quatro primeiros meses de trabalho na Espanha e os primeiros bons resultados. O experiente técnico avalia que o início de um ‘hábito de ganhar’ fará com que os dois jovens jogadores possam evoluir ao longo da temporada.

Felipe Alves e Orlando Luz trabalham com Leo Azevedo em Barcelona e têm acompanhamento de nomes como Francisco Royg, um dos técnicos de Rafael Nadal. (Foto: Reprodução/Instagram)

Felipe Alves e Orlando Luz trabalham com Leo Azevedo em Barcelona e têm acompanhamento de nomes como Francisco Royg, um dos técnicos de Rafael Nadal. (Foto: Reprodução/Instagram)

Confira a entrevista com Leo Azevedo.

Primeiro, eu gostaria que você fizesse uma avaliação dos primeiros meses de temporada dos dois jogadores, tanto em treinamento quanto nos torneios.
Eles chegaram aqui no começo de janeiro, antes da pré-temporada e não haviam feito uma pré-temporada muito boa. Fizemos uma pré-temporada de quatro a cinco semanas. A primeira gira foi na quadra rápida. Queria que o Orlandinho voltasse a jogar um pouquinho na quadra rápida, porque fazia tempo que ele não jogava. E nos últimos dois anos ele tinha jogado muito pouco.

Não tivemos bons resultados nas duas ou três primeiras semanas, nem de resultado e nem de rendimento. Acho que ainda estava demorando para chegar a mensagem em algumas coisas que eu estava tentando passar para eles. Trabalhamos bem, os dois trabalham duro, mas às vezes a mensagem e a filosofia demoraram um pouco mais para chegar.

Na Tunísia, o Orlando já jogou melhor e fez uma semi. Depois, na Turquia, o Felipe ganhou um jogo muito bom e perdeu para o campeão na segunda tendo match point. Ali já era o final de março e comecinho de abril, e foi quando eles deram uma crescida boa e já entendiam um pouco mais o que eu estava pedindo para eles. O Orlandinho melhorou um pouco o jogo de posição dele, porque estava jogando muito atrás, e o Felipe sabia usar um pouco mais a agressividade dele sem loucura. E os dois melhoraram muito fisicamente. Agora eu posso falar que estou feliz com a performance deles, o resultado está vindo atrás disso. E acho que eles entenderam melhor a mensagem que eu estava passando para os dois e o que eu queria de um e do outro como jogador.

O que pode ser tirado dessas duas semanas no Egito, com um jogo entre eles na final e o título de duplas com eles juntos na semana anterior?
Eu sempre falo para eles que ganhar é um hábito muito bom. O Orlandinho já tinha mais o hábito de ganhar no júnior e ficou uns dois anos com resultados que não seguiram a progressão do último ano de júnior dele, quando ele também havia jogado muito bem no profissional. E o Felipe não tinha ganhado muito ainda. Ganhou um GB1 júnior na Argentina, ganhou um US Open de duplas no júnior, mas ainda não tinha aparecido muito. E ganhar dupla é bom.

Falo para eles que o hábito de ganhar ajuda em tudo. E chegar em uma final com os dois é como se desse um pouco mais de confiança em acreditar que o que eles estão fazendo está no caminho certo, que a decisão de morar fora de casa tem muitas coisas difíceis -não diria negativas, mas difíceis-  e muitos obstáculos. São muitas coisas que você não está acostumado, mas que te fazem amadurecer mais rápido que quando você está no seu país. Mas tudo isso, em algum momento, pode ser que valha a pena. Quando eles ganham a dupla e fazem uma final é um alimento a mais para eles acreditarem que estão no caminho certo.

O Felipe acabou de conquistar o primeiro título da carreira. Até então os melhores resultados haviam sido as quartas. Quais fatores o fizeram dar esse primeiro salto e o quanto isso pode trazer de confiança para ele?
O Felipe, é verdade, ainda não tinha feito nada que chamasse atenção em simples. É um jogador que fisicamente é muito, muito bom. É um jogador que tem um tênis moderno, a bola dele anda bastante, mas que por A, B ou C motivos ainda não tinha vencido. Acho que, com 20 anos, não ter feito uma final de um future já estava meio que incomodando ele. Ele tem muito potencial, mas não combinava isso com o potencial que ele tem.

Eu sempre falava para ele: ‘O dia que você ganhar, talvez você sinta um gostinho que vai te alimentar mais para você poder continuar ganhando’. Ele perdeu alguns jogos este ano que a atitude poderia estar um pouquinho melhor e alguns jogos em que ele poderia acreditar um pouquinho mais. Acho que ganhar faz você acreditar mais em si mesmo. Ganhar faz você mudar sua perspectiva sobre algumas coisas. Na final, ele salvou um monte de set points contra o Orlando. Então que a confiança é talvez o combustível mais importante do jogador. Eu espero que isso o mova pra frente e que ele consiga chegar aos objetivos que eu tracei para ele.

Acho que o fator principal do salto foi que ele amadureceu bastante nesses três ou quatro meses. Tenisticamente a gente conseguiu ordenar essa agressividade que ele tinha, entender que ele pode ser agressivo, mas ordenar um pouco mais taticamente o jogo. Ele é um jogador muito impulsivo e, às vezes, essa impulsividade fazia com que ele saísse do ponto muito rápido. Acho que esses foram os pontos principais, um pouco mais de ordem tática e o amadurecimento como pessoa desses meses morando fora.

Felipe Alves levou a melhor sobre Orlando Luz no Egito e conquistou seu primeiro torneio

Felipe Alves levou a melhor sobre Orlando Luz no Egito e conquistou seu primeiro torneio profissional em simples (Foto: Reprodução/Instagram)

O Orlando teve algumas lesões na temporada passada, a mais recente foi no ombro. Como ele está evolução física dele?
O Orlandinho fisicamente melhorou bastante. Ele chegou aqui um pouco defasado, mas é muito bom trabalhador. Trabalhou bem e, fisicamente, não tem muito o que a gente falar do Orlandinho. Essa semana que ele chegou à final, fez alguns jogos longos, aguentou bem, trabalha bem e não tem mais nenhum resquício de lesão. Está num nível muito bom fisicamente.

Ainda sobre o Orlando, ele tinha algumas dificuldades com o saque e jogava muito com o segundo serviço. O que tem sido trabalhado para que ele possa evoluir nesse sentido?
Quanto à evolução do saque do Orlandinho… Como eu tinha falado antes para algumas pessoas, eu tinha visto ele jogar bastante no júnior. Nos últimos dois anos eu fiquei um pouco sem ver ele jogar, mas vi muitos vídeos. Quando eu comecei, ele realmente sacava bastante o primeiro saque em 3/4 ou como se fosse um segundo, e eu sempre acho que um dos segredos do bom sacador é a mentalidade de sacador. O jogador tem que pensar que é bom sacador e tem que pensar que o saque é uma arma. Tecnicamente eu não mudei nada, só um ajuste pequeno no toss e no giro, que ele mudou um pouquinho, mas é mais a mentalidade de usar o saque mais como uma arma e não só como uma maneira de começar o ponto.

Jogadores como o João Menezes e o Jordan Correia também treinam na Espanha. Há algum intercâmbio com atletas de outros clubes e academias?
O Menezes está aqui em Barcelona, mas o calendário nosso ainda não coincidiu com o dele. A gente voltou e ele foi para a Nigéria, depois a gente viajou e ele voltou para cá. Então ainda não coincidiu. O Jordan está no Ferrero [na academia Equelite, em Alicante], que é um pouco longe, mas eu tenho boa relação com o pessoal de lá. O Pablo Carreño Busta está sempre aqui, porque fica umas semanas aqui e outras no Ferrero, o Roberto Carballes Baena também passa algum tempo aqui e algum tempo lá. Com esses dois a gente conseguiu treinar algumas vezes por conta dessa relação que eu tenho.

A gente também treina com o pessoal de outras academias aqui. O Pedro Cachin, que é um argentino que o [Alex] Corretja ajuda, também treina aqui com eles. A gente teve também um intercâmbio muito bom para as semanas no Egito que eles foram no Godó [Trofeo Conde de Godó, o ATP 500 de Barcelona]. Consegui credencial para os dois, eles treinaram com muita gente, inclusive com o Marcelo Melo, vivenciaram esse nível de torneio e esse ambiente. Acho que foi muito legal, então a genta tenta, na medida do possível, realizar um intercâmbio aqui, não apenas com os brasileiros.

E como foi a experiência deles no ATP?
A gente conseguiu duas credenciais para eles e eles passavam praticamente o dia todo lá. Eles fizeram o trabalho físico lá, aqueceram com o Rogerinho, com o Marcelo Melo e com muita gente. A minha ideia, mais que o lado tenístico de bater bola com os jogadores. Era vivenciar o ambiente para fazer o contraponto. Eles estavam jogando future na Tunísia e na Turquia e, de repente, vão para o ATP que foi eleito o melhor do ano passado.

De repente, isso dá uma provocada neles: ‘É aqui que eu quero estar, não no outro’. Então é importante fazer com que eles vivenciem esse ambiente, que é o sonho de qualquer jogador, e usar os torneios menores só como uma ponte, como é para qualquer outros jovens, e passar por ela o mais rápido possível para chegar nesse ambiente de ATP.

Qual o planejamento para as próximas semanas do circuito?
Nesta semana, a gente está jogando um future na academia em Valldoreix, semana que vem tem um de 15 mil em Vic, que é a 45 minutos da academia. Depois a ideia é jogar um torneio de US$ 25 mil na Romênia. E em julho, devemos mesclar um ou dois torneios de US$ 15 mil e mais alguns de US$ 25 e 50 mil. Aí a gente tem que esperar um pouquinho para ver o ranking.

E de agosto para frente, pensando nessa melhora de ranking, a ideia é só jogar torneios de US$ 25 mil mais hotel e US$ 50 mil. Até por conta dessa mudança no ranking para o ano que vem. Então, a partir de julho a ideia é jogar torneios um pouquinho maiores.

Tem falado com eles sobre essa mudança do ranking pro ano que vem já que future não vai mais dar ponto?
Sim, tenho falado. Aliás, é uma conversa normalíssima e que, quando a gente vai para os torneios todo mundo quer saber. Porque muita gente tem dúvida a respeito, a ITF e ATP estão soltando e-mails e explicando dúvidas. Então, sim, a gente tem conversado muito. Acho que está todo mundo, não sei se assustado é a palavra, mas receoso. Não só os dois, mas todo o pessoal que joga esse nível de torneio, mas estão preparados para a mudança, porque já está decidido, vai ser assim e a gente tem que adequar um pouquinho as mudanças para o ano que vem.

Grande semana de Wild e Pedretti
Por Mario Sérgio Cruz
abril 30, 2018 às 10:41 pm

A última semana foi boa para dois nomes da nova geração do tênis brasileiro. Tenistas de 18 anos, o paranaense Thiago Wild e a paulista Thaísa Pedretti obtiveram o segundo título de suas carreiras profissionais, ele em São José do Rio Preto, ela no saibro argentino de Villa del Dique.

Wild passou outros dois jovens brasileiros durante a semana, o paulista Marcelo Zormann e o canhoto gaúcho Rafael Matos, além de também derrotar o experiente Daniel Dutra Silva na semifinal. O paranaense, que não perdeu sets durante a semana, derrotou na final o argentino de 18 anos Camilo Carabelli por 7/6 (7-5) e 6/3.

 Thiago Wild conquistou o segundo título profissional da carreira em São José do Rio Preto (João Pires/Fotojump)


Thiago Wild conquistou o segundo título profissional da carreira em São José do Rio Preto (João Pires/Fotojump)

Os dezoito pontos pelo título serão computados no dia 7 de maio e farão com que Wild tenha o melhor rankig da carreira. O paranaense aparece nesta semana no 606º lugar, mas deve se aproximar da 520ª posição na próxima segunda-feira quando terá apenas um ponto a descontar.

Wild falou ao TenisBrasil durante a última semana. O paranaense sempre foi um jogador vibrante e intenso em quadra desde os tempos de juvenil e falou sobre o trabalho psicológico que faz para transformar isso em coisas positivas. “Faço um trabalho mental com uma psicóloga esportiva. E medito praticamente todo dia para canalizar a energia e conseguir manter bem a concentração. É um problema que eu tenho. Perco a concentração muito rápido”.

Diante da mudança no ranking a partir da próxima temporada, com torneios de nível future parando de oferecer pontos, Wild quer dar um salto já no segundo semestre, priorizando competições maiores e tem uma meta ambiciosa. “Uma meta que eu estipulei no ano passado é terminar entre os 200 do mundo. Acho que é uma coisa palpável até o final do ano. Preciso de alguns resultados bons, como todo mundo que quer subir precisa, mas acho que esse é o objetivo principal”, afirmou o paranaense. “Pretendo jogar só challengers no segundo semestre, justamente para ficar fora desse ranking de transição e não precisar jogá-lo. Acho que é uma coisa bem palpável, porque estou jogando bem, venho crescendo e posso muito bem jogar só challenger a partir do segundo semestre”.

Confira a entrevista completa com Thiago Wild.

O paranaense continuará jogando em solo brasileiro nas próximas três semanas, totalizando quatro futures em território nacional. Seu próximo compromisso será no Clube Paineiras do Morumby, na capital paulista. O torneio em São Paulo ainda atrai bons nomes da nova geração brasileira como Marcelo Zormann, Rafael Matos, João Lucas Reis e Igor Gimenez. A entrada é gratuita durante toda a semana.

Campeões de duplas em Rio Preto, Rafael Matos e Marcelo Zormann jogam em São Paulo nesta semana (João Pires/Fotojump)

Campeões de duplas em Rio Preto, Rafael Matos e Marcelo Zormann jogam em São Paulo nesta semana (João Pires/Fotojump)

Já Thaísa Pedretti encerrou uma sequência de nove jogos no saibro argentino com oito vitórias e apenas uma derrota. Antes do título em Villa Del Dique, a paulista já havia sido semifinalista em Villa Dolores. Na final disputada no último sábado, ela derrotou a chilena Fernanda Brito, principal cabeça de chave do torneio e 364ª do ranking, por 6/0 e 6/4.

A paulista Thaísa Pedretti está em seu último ano como juvenil (Foto: Éric Visintainer)

Pedretti está com o melhor ranking da carreira e entrará no grupo das 500 melhores do mundo (Foto: Éric Visintainer)

Nesta segunda-feira, Pedretti ganhou 21 posições no ranking e aparece com o melhor marca da carreira ao ocupar o 546º lugar. Esse número certamente será superado na próxima segunda-feira, quando os doze pontos pelo título na Argentina forem computados. A jovem de 18 entrará no grupo das 500 melhores jogadoras do mundo pela primeira vez na carreira. Sétima brasileira mais bem colocado no ranking com 53 pontos, Pedretti irá ultrapassar Carolina Alves e Teliana Pereira na semana que vem. Com isso, ela ficará atrás apenas de Beatriz Haddad Maia, Gabriela Cé, Nathaly Kurata e Laura Pigossi.

Juvenis na Europa – Alguns juvenis brasileiros estão lutando por pontos no saibro europeu de olho na chave juvenil de Roland Garros. Destaque para Gilbert Klier Júnior, brasiliense de 17 anos, que conseguiu um título e um vice-campeonato de duplas nas últimas semanas, na cidade búlgara de Plovdiv e no saibro francês de Beaulieu Sur Mer. Nos mesmos torneios, fez quartas em simples.

O paulista Igor Gimenez foi semifinalista em Medias, na Romênia, na última semana e tem um tíulo de duplas com Klier na Búlgária. Já o baiano Natan Rodrigues teve dois vice-campeonatos de duplas na França. O primeiro em Istres, ao lado do argentino Roman Burruchaga e o segundo em Beaulieu Sur Mer com Klier. Natan parou nas oitavas dos dois torneios de simples.

Britânica com síndrome rara conquista título profissional
Por Mario Sérgio Cruz
abril 23, 2018 às 11:31 pm

Com apenas 17 anos, Francesca Jones é protagonista de uma das mais bonitas histórias de superação do tênis feminino. A jovem britânica sofre de uma doença chamada displasia ectodérmica e nasceu com apenas o polegar e mais três dedos em cada uma das mãos, além de possuir apenas sete dedos nos pés. Nada disso a impede de seguir sua carreira no circuito e até mesmo conquistar títulos como profissional.

No último sábado, Jones foi campeã do ITF de US$ 15 mil disputado no saibro argentino. O segundo troféu de sua carreira veio após uma vitória sobre a anfitriã Victoria Bosio por 4/6, 6/4 e 6/2 na decisão. A britânica ainda passou por duas brasileiras durante a semana, a paulista Carolina Meligeni Alves e a brasiliense Alice Garcia.

Francesca Jones, de 17 anos, venceu torneio no saibro argentino (Foto: Daniel Corujo)

Francesca Jones, de 17 anos, venceu torneio no saibro argentino (Foto: Daniel Corujo)

Jones, que havia conquistado seu primeiro troféu em Assunção no ano passado, está com o melhor ranking da carreira ao ocupar o 664º lugar. Ela irá subir ainda mais na próxima segunda-feira, quando os doze pontos conquistados na Argentina forem computados. Como juvenil, foi 31ª do mundo e está atualmente na 97ª posição, mas encerrou sua trajetória em Wimbledon na temporada passada.

“Minha síndrome é algo que realmente me ajudou a ser a pessoa que sou hoje”, disse Jones ao jornal The Daily Telegraph durante sua participação na chave juvenil de Wimbledon em 2016. “Até certo ponto, estou feliz por tê-la, porque me fez quem eu sou. Espero que isso me ajude a alcançar um futuro de sucesso. Eu não teria começado a jogar tênis tão competitivamente quanto agora ou ter a mesma motivação para o futuro sem ela. Isso faz uma grande diferença no lado mental”.

“Não me importo de ser definida por isso, porque é algo de que eu estou realmente orgulhosa. Não vou deixar isso me decepcionar porque não é negativo. Qualquer um que tenha algum tipo de síndrome pode tentar o seu melhor, seja o que for que estiver fazendo. Muitas pessoas já me criticaram e disseram coisas desagradáveis. Isso só me motiva mais”, complementou a jovem britânica.

Também em 2016, Jones falou ao jornal Daily Mail sobre as adaptações que teve que fazer em seu jogo. “Quando eu era mais nova, eu jogava com um grip muito fino, que precisavam raspar para que eu pudesse segurar a raquete. Quando minhas mãos ficaram maiores, eu já podia jogar com uma empunhadura mais normal. Meu forehand hoje é muito bom por causa do tanto que eu precisei trabalhar nele”.

‘Fiz três operações em doze meses no meu punho e certamente tive mais de dez operações na minha vida, provavelmente quinze. Eu estava morando em um hospital quase quando eu era jovem”, afirmou a jogadora que tinha apenas 15 anos na época das entrevistas aos jornais britânicos.

Neozelandês tem um ponto – Em setembro do ano passado, o neozelandês Alex Hunt se tornou o primeiro jogador com deficiência física permanente a marcar um ponto no ranking da ATP ao avançar uma rodada num future em Guan. A história foi internacionalmente difundida. Aqui no Brasil, foi relatada em reportagem do canal por assinatura SporTV, em matéria de Manuela Franceschini direto da Austrália. Confira no site da emissora.

Juvenil brasileira jogou em situação parecida – No início da década, a brasiliense Thalita Rodrigues se destacou no Circuito Nacional Infanto-Juvenil em condições parecidas com as de Hunt. Ela nasceu sem o antebraço esquerdo, após a mãe contrair rubéola durante a gravidez.

A brasiliense Thalita Rodrigues se destacou em competições juvenis no início da década (Foto: Cristiano Andujar/CBT)

A brasiliense Thalita Rodrigues se destacou em competições juvenis no início da década (Foto: Cristiano Andujar/CBT)

Treinada pelo pai, Oseias, Thalita chegou a estar entre as principais jogadoras do país no ranking juvenil da CBT, mas disputou poucas competições internacionais de nível ITF entre 2011 e 2012, ano em que atuou nos dois únicos torneios profissionais de sua carreira.

Começam a valer as mudanças no ranking juvenil
Por Mario Sérgio Cruz
abril 4, 2018 às 6:10 pm

Começa a valer a partir desta semana a reestruturação no sistema de pontos para o ranking mundial juvenil da ITF. Anunciada em novembro do ano passado, a iniciativa da Federação Internacional é valorizar os torneios mais fortes do calendário. Para evitar distorções, a ITF postergou a mudança no ranking para o quarto mês da temporada. Dessa forma, o modelo anterior do ranking ainda serviu como base para as inscrições nos torneios dos primeiros três meses do ano.

Os Grand Slam e Jogos Olímpicos da Juventude passam a dar 1.000 pontos para o campeão e 600 para o vice, enquanto o vencedor do ITF Junior Masters receberá 750 pontos com 450 para o outro finalista. Os torneios de nível GA passam a dar 500 pontos para o campeão e não mais 250 como acontecia anteriormente. Já as competições continentais de nível GB1, GB2 e GB3 terão pontuação equivalente aos torneios G1, G2 e G3.

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Mudanças significativas – A primeira das mudanças expressivas na classificação é a mudança do número 1 no ranking masculino. Campeão do Australian Open, o norte-americano Sebastian Korda aproveitou o bônus na pontuação por seu título de Grand Slam e ultrapassou o argentino Sebastian Baez.

O norte-americano Sebastian Korda volta à liderança do ranking mundial juvenil (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

O norte-americano Sebastian Korda volta à liderança do ranking mundial juvenil (Foto: Martin Sidorjak/ITF)

Outro que saltou na tabela foi o espanhol Nicola Khun, agora 24º colocado depois de ganhar 60 posições. Kuhn completou 18 anos em março e já privilegia o circuito profissional, mas esse ganho expressivo de posições para o atual vice-campeão juvenil de Roland Garros exemplifica o que uma boa campanha um torneio grande pode significar.

No feminino, a principal mudança de pontuação também acabou beneficiando uma jogadora que já é profissional. A norte-americana de 16 anos Amanda Anisimova, 128ª no ranking da WTA. Ela subiu 23 posições na lista juvenil e aparece no 12º lugar, mesmo contabilizando só o título do US Open e as quartas de Roland Garros.

Brasileiros: Entre os sete brasileiros no top 100, apenas o paranaense Thiago Wild ganhou posições. Ele foi beneficiado pelo título do Torneo Città Di Santa Croce, ITF G1 disputado no saibro italiano no ano passado, e pelas quartas de Roland Garros. Com isso, ele sobe 15 poisções e aparece no 31º lugar.

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O brasiliense Gilbert Klier Júnior, campeão Sul-Americano, perdeu só uma posição e está no 38º lugar. Logo atrás, está o pernambucano João Lucas Reis, utrapassado por sete concorrentes. Outro que perdeu sete posições é o paulista Mateus Alves, agora 43º do ranking. O paulista Matheus Pucinelli é o 52º do mundo e perdeu só um lugar. As maiores quedas aconteceram com o paulista Igor Gimenez, que perdeu 15 postos e está no 65º lugar, e do mineiro João Ferreira, ultrapassado por 24 jogadores e agora 73º colocado.

A disciplinada Osaka e a artista Kasatkina
Por Mario Sérgio Cruz
março 18, 2018 às 12:52 am
A final feminina em Indian Wells, marcada para às 15h (de Brasília) deste domingo, coloca em lados opostos duas integrantes da nova geração do circuito e adeptas de estilo de jogo bastante distintos. Enquanto Naomi Osaka devolve muito bem saque e bate forte na bola dos dois lados, Daria Kasatkina consegue variar alturas, direções e velocidades. Em comum entre elas, além dos 20 anos de idade, está o caminho cheio de adversárias expressivas que elas precisaram superar. Juntas, Osaka e Kasatkina eliminaram cinco campeãs de Grand Slam e seis jogadoras que já estiveram ou que ocupam atualmente a primeira posição do ranking mundial.

Designada como cabeça de chave número 20, Kasatkina entrou diretamente na segunda rodada, fase em que superou a tcheca Katerina Siniakova. Depois disso, a jovem russa que ocupa o 19º lugar do ranking só passou por campeãs de Grand Slam: Ela eliminou Sloane Stephens na terceira rodada, passou por Caroline Wozniacki nas oitavas, cedeu apenas dois games a Angelique Kerber nas quartas e virou o jogo contra Venus Williams na semifinal.

Osaka, que é 44ª do mundo, estava no setor mais duro da chave. Logo na primeira rodada, teve que desafiar Maria Sharapova e venceu em dois sets. Dois dias depois, passou pela ex-número 2 do mundo Agnieszka Radwanska com apenas cinco games perdidos. A chave poderia colocá-la diante da terceira colocada Garbiñe Muguruza já na fase seguinte, mas a queda da espanhola para Sachia Vickery abriu o caminho para a japonesa, que passou pela americana vinda do quali e também pela grega Maria Sakkari. Nas quartas, duelo com a quinta do ranking Karolina Pliskova e rápida vitória por 6/3 e 6/2. Já na penúltima rodada, uma atuação ainda mais convincente e assustadores 6/3 e 6/0 contra a número 1 do mundo Simona Halep.

2018-03-17

Os estilos – Kasatkina é umas das jogadoras mais dotadas de recursos técnicos na elite do circuito. A russa faz jogar tênis parecer fácil e deve ter nascido para fazer o que bem entende com a bolinha. Com naturalidade, ela consegue fazer uma transição da defesa para o ataque, tirar um drop shot da cartola, entrar na cabeça da adversária com slices de backhand ou até mesmo bater o revés saltando ao estilo de Marat Safin e Gael Monfils. Se precisar, ela faz tudo no mesmo ponto.

Osaka é mais pragmática. A japonesa, que se destaca no circuito desde uma vitória sobre Samantha Stosur há quase quatro anos em Stanford, aposta em um jogo mais agressivo e já declarou que procura não olhar muito para quem está do outro lado da rede para não comprometer seu foco no que precisa fazer. Contra Simona Halep, a asiática conseguiu se impor e deixar a número 1 do mundo sem respirar.

Diante de Pliskova, dona de um dos melhores saques do circuito, Osaka não quis esperar as bombas da tcheca muito longe da linha de base. Pelo contrário, a japonesa agredia até mesmo o primeiro serviço da ex-número 1 do mundo. Além disso, a própria Pliskova admite sua dificuldade contra adversárias que tentam mudar muito a direção da bola fazendo com que a tcheca tenha que correr e bater desequilibrada. E foi exatamente isso o que Osaka executou. A aplicação tática da japonesa treinada por Sascha Bajin foi invejável nos dois últimos jogos.

 

 

 

 

O que disseram – Depois de vencer uma batalha de 2h48 contra Venus Williams na última sexta-feira, Kasatkina disse que para vencer um jogo tão importante seria preciso aproveitar as poucas chances que aparecessem. “Eu sabia que se eu tivesse uma chance, teria que aproveitar imediatamente”, explicou Kasatkina após a vitória por 4/6, 6/4 e 7/5. “Porque nesse nível, você pode ter poucas oportunidades por set ou por jogo. E se você não as usar, pode perder a partida depois. Então, a coisa mais importante foi perceber quando eu tinha chances e aproveitá-las”.

Apesar disso, a jovem russa também tentou aproveitar a experiência de enfrentar uma jogadora do calibre de Venus Williams em um torneio tão grande. “Às vezes eu estava sorrindo na quadra”, elaborou a russa. “Em um momento, você simplesmente começa a pensar que está na sessão noturna, com o estádio cheio, jogando contra uma lenda. Então eu começava a pensar: ‘Talvez seja o momento da minha vida’ e então eu consegui curtir esse momento”.

Quando eliminou Kerber nas quartas, destaque de novo para o equilíbrio emocional e para a capacidade de repetir durante o jogo os mesmos movimentos das quadras de treinos. “Não foi uma partida fácil, mas eu estava fazendo as coisas certas para ganhar. Tudo o que mostrei hoje, eu estava fazendo nos treinos, então eu estava jogando muito calma”, explicou após a vitória por 6/0 e 6/2 diante da ex-número 1 do mundo.

“Entendo que era uma partida realmente importante, de quartas de final, em um torneio grande e na quadra central”, comentou. “Mas eu estava tentando evitar pensar nessas coisas e simplesmente entrar na quadra sem dúvidas e sem qualquer pensamento que pudessem colocar pressão sobre mim mesma. Na verdade, minha cabeça estava bastante vazia. Essa foi a melhor coisa”.

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Tentar evitar a pressão é algo que Osaka também quis fazer. “Ganhar o torneio seria bom, mas não estou tentando me pressionar. Todas as jogadoras que enfrentei aqui sofriam com pressão sobre elas porque eram cabeças de chave, então estou tentando não fazer isso comigo mesma”, falou depois de superar Simona Halep na madrugada deste sábado.

Em seus dois últimos jogos, Osaka derrotou jogadoras para quem havia perdido anteriormente e sabe o que fez de diferente para mudar o resultado. Contra Pliskova, que a derrotou no ano passado em Toronto, era preciso ser mais agressiva. “Eu já havia enfrentado ela antes e por isso sabia o que esperar. Antes, cometi muitos erros não forçados sem ir realmente para as bolas. Desta vez me comprometi um pouco mais em ser agressiva, mas também em ficar nos ralis mais longos. Estou muito feliz com o resultado que conquistei”.

Já contra Halep, que havia levado a melhor nos três embates anteriores, era preciso errar menos. “Eu realmente tentei ser consistente. Penso que na Austrália eu cometi muitos erros, e eu meio que entreguei o jogo, então eu tentei ser um pouco irritante e colocar mais devoluções em quadra”, disse a japonesa que também reconheceu que a romena não jogou bem. “Fiquei um pouco surpresa, especialmente o início do segundo set, porque sinto que ela me deu pontos de graça, mas não tentei pensar muito sobre isso”.

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O que foi dito – O técnico de Kasatkina Philippe Dehaes falou ao site Sport 360º sobre o relacionamento com sua atleta. De uma de suas declarações surgiu a ideia para o título do post. “Eu confio nela. Tento não colocar muita informação na cabeça dela porque para mim, ela é uma artista”.
No ranking:

– Kasatkina debutará no top 15 a partir de segunda-feira. A jovem russa assumirá o 11º lugar do ranking da WTA e o número 1 de seu país com o vice-campeonato. Em caso de título, ela entra pela primeira vez no top 10 e será a nona colocada.

– O melhor ranking da carreira de Osaka era o 40º lugar. Ela certamente irá superar essa marca e já garantiu o 26º posto, o que faz dela a japonesa mais bem colocada desde Ai Sugiyama, que era 25ª colcoada em março de 2009. Se for campeã, será 22ª do mundo

Curiosidades:

– Desde 2001 que uma final de Indian Wells não tem duas jogadoras com menos de 21 anos. Na ocasião, Serena Williams foi campeã ao derrotar Kim Clijsters na decisão.

– Desde 2005, Osaka é apenas a quarta jogadora a decidir Indian Wells sem ser cabeça de chave do torneio.

– Osaka acumula US$ 1.483.053 em premiações na carreira. Caso conquiste o título, ela praticamente dobra esse valor, já que a campeã receberá US$ 1.30.860.

– Kasatkina é a sexta russa a chegar à final de Indian Wells. Maria Sharapova, Elena Vesnina e Vera Zvonareva já foram campeãs, enquanto Svetlana Kuznetsova e Elena Dementieva ficaram com o vice-campeonato.

A parceria: Antes do início do torneio Indian Wells, Kasatkina e Osaka uniram forças para uma divertida ação promovida pela WTA. A russa deu algumas dicas para a amiga japonesa poder executar um tweener (ou grand willy) com precisão. Confira o resultado!

Embalada, colombiana de 16 anos sonha ser a número 1 do mundo
Por Mario Sérgio Cruz
março 9, 2018 às 4:25 pm

Com quatro títulos na temporada e uma invencibilidade que durou até a semana passada durante o Juvenil de Porto Alegre, Maria Camila Osório Serrano começou 2018 vencendo 24 jogos seguidos e conquistando os troféus das etapas do circuito mundial juvenil da ITF na Costa Rica, Paraguai, Colômbia e no Banana Bowl, em Criciúma. Sua série invicta, aliás, chegou a 26 partidas já que carregava dois jogos do fim do ano passado.

Enquanto vive um ótimo momento no circuito, a atual número 6 do ranking mundial juvenil sonha alto. Em conversa com o TenisBrasil durante a Copa Paineiras, torneio ITF GB1 disputado no clube Paineiras do Morumby em São Paulo, Osório Serrano disse com todas as letras qual é seu principal objetivo: “Quero chegar a ser a número 1 do mundo”.

Maria Camila Osório Serrano venceu 26 jogos seguidos no circuito juvenil (Foto: Heusi Action/Gabriel Heusi)

Maria Camila Osório Serrano venceu 26 jogos seguidos no circuito juvenil (Foto: Heusi Action/Gabriel Heusi)

O quanto a meta desta colombiana é ambiciosa aparece na história do tênis feminino sul-americano. Desde a criação do ranking em 1975, a melhor sul-americana foi a argentina Gabriela Sabatini que chegou ao terceiro lugar em 1989, enquanto a última top 10 foi a também argentina Paola Suarez em 2004. Na história do tênis colombiano, Fabiola Zuluaga tem a melhor marca de seu país ao ser 16ª do mundo em 2005. Não custa lembrar que Maria Esther Bueno foi nomeada a número 1 antes da criação do ranking, e tem como melhor marca na Era Aberta o 29º lugar em 1976.

Osório Serrano está ciente de que terá menos oportunidades durante a transição para o circuito profissional que outras jogadoras da mesma idade, mas de origem europeia ou norte-americana. “Uma menina dos Estados Unidos ou da Europa ganha convites para torneios importantes. Na América do Sul no máximo que dão é um convite para um torneio de 250 mil. Para elas, dão convite nos Grand Slam”, afirmou.

A jovem colombiana também já pensa nas mudanças que serão promovidas no circuito profissional a partir da próxima temporada. “Se eu ganhar um torneio de US$ 15 mil em novembro, por exemplo, em janeiro do próximo ano ele já não vai valer. Então a ideia é começar a jogar já os torneios maiores para este ano eu me meter mais entre as profissionais e começar a correr o ranking e ficar entre as 750″, comentou sobre a proposta da ITF em retirar a pontuação do ranking dos torneios com premiação mínima e estabelecer a criação de um circuito de transição.

Dotada de um jogo inteligente e cheio de recursos, como slices, drop shots e subidas à rede, a jogadora de 16 anos não esconde a idolatria por Roger Federer. “Ele me encanta. Roger é meu ídolo desde que eu tenho seis anos e comecei a jogar tênis”, ela disse. “Quando eu tinha seis anos, na primeira vez que comprei uma raquete, todas as meninas queriam a rosa da Sharapova e eu sempre escolhia a preta ou vermelha do Federer porque ele é meu ídolo e eu sempre queria jogar como ele”.

Confira a entrevista com Maria Camila Osório Serrano.

Você começou a temporada com muitas vitórias consecutivas. Foram 26, se contar as duas últimas do ano passado. Como você lidou fisicamente e mentalmente com isso, porque se você chega às finais em todas as semanas a recuperação deve ser muito complicada.
Jogar tantos dias seguidos durante quatro semanas foi muito duro para mim. Agora eu pude descansar dois ou três dias antes de voltar a jogar. Porém eu tentava pensar apenas no próximo jogo e não que eu estava cansada, nem nada. As partidas que passaram, passaram e o foco era nos jogos seguintes. Creio que isso foi chave para seguir avançando.

E como era o seu trabalho de recuperação, porque imagino que você tivesse muito pouco tempo para treinar e também para o descanso porque você jogava praticamente todos os dias.
O que eu fazia era me alongar muito, tomar muita água e isotônico para recuperar os líquidos. Também fazias muitas sessões de massagem e na banheira com gelo. Tive que fazer muitas coisas, porque eram muitos jogos e eu queria estar continuar sempre ganhando e ganhando. Acredito que isso foi a chave para eu me recuperar bem.

Você já teve algumas experiências com a equipe da Fed Cup, inclusive jogando. Conta como foi sua vivência com jogadoras profissionais, especialmente com a Mariana Duque que foi top 100 e já ganhou um WTA.
Foi uma experiência muito bonita. Faz dois anos desde a primeira vez que me convocaram e para mim é sempre um orgulho representar o meu país, representar a Colômbia. Isso trouxe muitas coisas positivas. Estive com uma jogadora que já esteve no top 100 e pude ver de perto tudo o que ela faz, o que come e como treina. Saber quando ela aquece uma hora antes ou meia hora antes de entrar em quadra, a hora de sair, de voltar e de alongar. As jogadoras lá respiram tênis e me ensinam a ser profissional.

O seu jogo tem muita variação, você usa muito slice e vai bastante à rede. Em que jogadoras você mais se inspira? Na Radwanska, por exemplo?
Roger Federer, mas gosto dela também. Roger me encanta. Ele é meu ídolo desde que eu tenho seis anos e comecei a jogar tênis. Vou te contar uma história: Quando eu tinha seis anos, na primeira vez que comprei uma raquete, todas as meninas queriam a rosa da Sharapova e eu sempre escolhia a preta ou vermelha do Federer porque ele é meu ídolo e eu sempre queria jogar como ele.

E no tênis feminino tem alguma jogadora que você se espelha?
Eu gosto muito da Halep e gostava muito da Serena Williams quando ela estava jogando.

Hoje no circuito tem muitas jogadoras altas, fortes e agressivas, como Pliskova e a Muguruza no alto nível e jovens que tentam se espelhar nelas. Como você tenta falar com sua equipe antes de enfrentar uma jogadora desse estilo?
Sempre que eu entro em quadra… Todavia, eu ainda não estou nesse nível, mas se eu chegar a ele, eu tenho que pensar em fazer o meu jogo, não? Nenhum jogador entra em quadra pensando ‘Vou jogar contra ela, tenho que mudar’, sempre entram pensando em fazer o que sabem. Se as coisas não acontecem, tenho que buscar soluções e alternativas, mas sempre tenho que entrar pensando em fazer o meu jogo.

A jovem colombiana já atuou no ITF Junior Masters no ano passado (Foto: Paul Zimmer/ITF)

A jovem colombiana já atuou no ITF Junior Masters no ano passado (Foto: Paul Zimmer/ITF)

Inclusive na China, você jogou o Masters e enfrentou algumas das melhores do mundo na categoria. Algumas meninas como a Kostyuk, por exemplo, jogam nesses estilo mais agressivo. Como foi sua experiência?
Sim, a Kostyuk e a Kaja Juvan jogam assim. Eu penso que quatro meses atrás estava jogando contra elas na China e agora a Marta chega a uma terceira rodada de um Grand Slam. E ela não é a única. Também há muitas meninas que estão se destacando em alto nível como a [Amanda] Anisimova, a [Anastasia] Potapova, [Clarie] Liu e [Kayla] Day são juvenis que estão se dando muito bem.

Claro que temos que entender que elas são de outros países e têm mais oportunidades. Uma menina dos Estados Unidos ou da Europa ganha convites para torneios importantes. Na América do Sul no máximo que dão é um convite para um torneio de 250 mil (WTA International). Para elas, dão convite nos Grand Slam.

Você pode ganhar um convite para o WTA de Bogotá, talvez.
Creio que sim. Acredito que vou jogar o WTA. Eu não sei ainda, mas me parece muito bom e é algo que me motiva muito. Obviamente tenho que seguir trabalhando, lutando e dar tudo para chegar onde quero chegar.

A partir do ano que vem, o circuito profissional terá mudanças e os torneios de US$ 15 mil não darão mais pontos no ranking. Você tem conversado sobre isso com sua equipe?
Sim, você tem que estar entre as 750 para estar no ranking, senão tem que jogar o circuito de transição. Para este ano ainda não vale, mas se eu ganhar um torneio de US$ 15 mil em novembro, por exemplo, em janeiro do próximo ano ele já não vai valer. Então a ideia é começar a jogar já os torneios maiores. Eu tenho três Junior Exempt para torneios de US$ 25 mil para este ano eu me meter mais entre as profissionais e começar a subir no ranking e ficar entre as 750.

Quando você terminar a carreira juvenil, seu objetivo é seguir direto para o circuito profissional ou tentar fazer uma faculdade nos Estados Unidos antes?
Eu quero ser profissional, essa é a meta, meu sonho e tenho que focar totalmente nisso. Quero chegar a ser a número 1 do mundo.

Destaques nos 16 anos avaliam 1ª experiência em ITF
Por Mario Sérgio Cruz
março 8, 2018 às 8:04 pm

Jovens tenistas brasileiros que se destacaram nos torneios da categoria 16 anos durante o circuito da Confederação Sul-Americana (Cosat) ao longo da temporada tiveram nesta semana a experiência de jogar em uma categoria acima. Nomes como o mineiro João Victor Loureiro e a goiana Lorena Cardoso, que estão com 14 anos, e o catarinense de 15 anos Pedro Boscardin Dias receberam convites para a disputa da Copa Paineiras, torneio ITF GB1 no saibro do clube Paineiras do Morumby e avaliaram a oportunidade de atuar contra alguns dos melhores juvenis do continente na categoria 18 anos, valendo pontos para o ranking mundial júnior.

“As meninas de 16 jogam muito bem, mas elas ainda não têm tanta força. Aqui as meninas são mais agressivas, conseguem ficar concentradas durante mais tempo, estão mais bem preparadas, são mais experientes e mais fortes”, comentou Lorena Cardoso, que venceu duas etapas seguidas do circuito da Cosat de 16 anos, no Equador e na Colômbia. “Eu já tinha jogado três torneios de 18 anos, mas este está bem mais forte”, complementou a goiana que só havia jogado ITFs de nível G4 e G5 até a semana passada, quando disputou o Campeonato Internacional Juvenil de Tênis de Porto Alegre.

Nos dois torneios que conquistou, Lorena venceu duelos caseiros nas finais contra a também goiana Nalanda Silva, que vem de um projeto social e atualmente treina no Rio de Janeiro. “Desde pequena e ela sempre ganhou todos os jogos de mim. Ela sempre foi a melhor de Goiás e era tipo a minha ‘rivalzinha’, mas nós somos amigas fora da quadra. E nesses dois torneios eu consegui jogar bem contra ela e acabar ganhando”.

A goiana de 14 anos Lorena Cardoso deve priorizar torneios de 18 anos (Foto: Thiago Parmalat/CBT)

A goiana de 14 anos Lorena Cardoso deve priorizar torneios de 18 anos (Foto: Thiago Parmalat/CBT)

Loureiro também destacou a diferença entre as duas categorias. “Mais volume de jogo! Os caras sobem o nível de jogo nos pontos importantes”, avaliou o mineiro, que venceu quatro eventos da gira Cosat. Campeão do Banana Bowl de 16 anos, o jogador que treina em Santa Catarina também venceu a etapa paraguaia em Assunção e tem mais duas conquistas em Cali, na Colômbia, e Córdoba, na Argentina.

Em São Paulo, Loureiro manteve o embalo e marcou seus primeiros pontos no ranking mundial juvenil da ITF com as vitórias sobre o argentino Facundo Tumosa e no duelo nacional contra Gustavo Madureira antes de cair para o brasiliense Gilbert Klier Júnior nas oitavas. “Estava um pouco gripado, então ficava um pouco mais cansado que o comum após o término de alguns pontos, mas consegui manter a confiança que estou tendo desses últimos torneios para vencer. Muito feliz em marcar meus primeiros pontos no ranking mundial”.

“Foi uma gira muito boa. Comecei na Colômbia já com o título, estava confiante e consegui aproveitar o convite aqui no ITF. Ganhei duas rodadas e caí nas oitavas. Foi uma boa experiência. Agora é voltar e treinar para a gira europeia”, complementou o mineiro que completa 15 anos em março e já mede 1,85m.

O mineiro João Loureiro venceu quatro etapas do circuito sul-americano de 16 anos (Foto: Luiz Cândido/Divulgação)

O mineiro João Loureiro venceu quatro etapas do circuito sul-americano de 16 anos (Foto: Luiz Cândido/Divulgação)

“A diferença mais na força e na maturidade dos caras durante o jogo. Eles sabem melhor escolher as horas de escolher as jogadas e isso faz a diferença”, explicou Pedro Boscardin Dias, que na temporada passada disputou importantes competições de 14 anos como o Les Petits As na França e o Le Mondial Lacoste em Londres durante o ATP Finals, mesclando o calendário com torneios sul-americanos de 16 anos.

“Eu consegui jogar os principais torneios do mundo e pude ver como os meninos jogam. É importante para ver que estou no nível dos caras, não estou muito longe”, comentou o catarinense, que voltará ao velho continente para jogar em categorias acima. “A experiência no Cosat foi muito boa e consegui conquistar meu objetivo que era classificar para a gira europeia”.

Para a sequência na temporada, a prioridade é tentar os torneios de 18 anos.”Pelo que eu conversei com o Rico [Schlachter, seu técnico] a ideia é jogar mais torneios de 18 anos. Acho que tem um ou dois torneios de 16 anos na gira europeia. Foi bom conseguir esse ponto na ITF para começar a transição”, avaliou o catarinense que fez seu primeiro ponto no ranking mundial juvenil ao avançar uma rodada na chave de duplas no Paineiras.

Pedro Boscardin Dias jogou os principais torneios do mundo nos 14 anos e o circuito sul-americano de 16 anos (Foto: Miriam Jeske/Heusi Action)

Pedro Boscardin Dias jogou os principais torneios do mundo nos 14 anos e o circuito sul-americano de 16 anos (Foto: Miriam Jeske/Heusi Action)

Lorena Cardoso também deve seguir o caminho do circuito mundial juvenil apesar de sua pouca idade. As únicas competições de 16 anos deverão ser os torneios por equipes. “Acho que o Sul-americano e o Mundial vão ser os únicos que eu vou jogar de 16 este ano, porque eu vou focar no 18. Vai ser um pouco difícil no início, mas servirá para conseguir resultados bons e subir no ranking para já estar bem posicionada”, explicou a goiana que treina desde os doze anos no Instituto Tênis, em Barueri.

“Eu tava jogando um torneio de duplas com uma integrante do IT e eu tinha dez anos, mas já jogava torneio de 12 anos. Então um treinador me viu e perguntou a minha idade porque eu já era grande e forte. Perguntaram se eu queria fazer um teste no IT e treinar, mas eu ainda era muito nova e tinha dez anos, então meus pais não deixaram. Fiquei mais dois anos em Goiás ainda, e só depois fui fazer o teste, gostei e estou lá até hoje”.

A goiana que já tem 1,74m tenta ser uma jogadora agressiva e se inspira em Beatriz Haddad Maia: “Ela é alta, forte e joga bem firme”, comentou. “Eu gosto de jogar agressiva, pegando bem na bola. No 16 eu ainda conseguia ter diferença de força, mas agora não tem muita diferença para as meninas mais velhas, meio que iguala todo mundo. Sou um pouco lenta ainda por causa da altura, mas é o caminho. Sinto que minha agressividade é onde fico com energia e consigo jogar bem”.

O técnico Ricardo Schlachter acompanha os juvenis Pedro Dias e João Loureiro (Foto: Miriam Jeske/Heusi Action)

O técnico Ricardo Schlachter acompanha os juvenis Pedro Dias e João Loureiro (Foto: Miriam Jeske/Heusi Action)

O técnico Ricardo Schlachter, treinador que trabalhou com Ricardo Mello quando o campineiro conquistou o ATP 250 de Delray Beach em 2004, é quem acompanha Boscardin e Loureiro atualmente. Schlachter, que coordena um centro de treinamento de alto rendimento em Joinvlle (SC), fez uma análise sobre as diferenças entre as competições de formação e a elite do circuito juvenil.

“Acredito que existe uma diferença, mas não acredito mais ser tão grande, principalmente fisicamente. Claro que sempre tem jogadores acima da média, mas eles [Boscardin e Loureiro] conseguem competir de igual para igual na maioria das vezes. Esse é ponto principal. Que eles entrem em torneios e consigam ser competitivos”.

Schlachter também afirma que deve testar seus jovens jogadores nos torneios maiores e em competições profissionais ainda este ano. “Agora o foco vai virar para os torneios de 18 anos. A ideia era terminar a gira Cosat de 16 e agora sim focar nos 18. E esse ano ainda algumas eles terão poucas semanas para experimentar um pouco do profissional, em termos de futures ou de torneios com a premiação apenas em dinheiro, para que eles joguem com adultos que são bons jogadores e que têm muito a ensinar a eles. Mas essa é uma parcela menor do calendário que vai se basear muito nos ITFs de 18 anos”.

O treinador também avaliou o desempenho e evolução dos dois atletas e reconhece que a grande fase de Loureiro o surpreendeu. Ele treina o juvenil mineiro desde agosto de 2015, quando o jogador saiu de Belo Horizonte e mudou-se para Santa Catarina. Já com Boscardin, o acompanhamento vem desde as escolinhas ainda aos sete anos.

“Eu diria que os resultados foram acima da expectativa. É claro que a gente sempre se prepara para entrar em um torneio para ganhar, mas de oito etapas ganhar quatro, ou seja ganhar um a cada dois torneios, realmente nos surpreendeu. O que não é uma surpresa é a evolução dele. Eu que acompanho o dia a dia, vejo que ele vem se dedicando há muito tempo. Esses resultados deram a ele um dos quatro postos para a gira europeia, mas agora ele precisa correr atrás de pontos na ITF. Por isso até a gente solicitou para a CBT e eles nos concederam o wildcard para os meninos jogarem aqui”, explicou Schlachter.

“Como não existe ranking internacional nessa categoria e pelo que eu conheci na Europa, eu poderia dizer até o ano passado que o Pedro estaria entre os 15 ou 20 melhores jogadores do mundo na idade dele, até 14 anos. Isso numa avaliação minha como treinador. Agora já não deve ser mais assim entre os garotos de 15 anos, também por causa da evolução dos outros. O tênis é muito dinâmico e esses garotos evoluem muito rápido em seis meses ou um ano”, avaliou.

“E dentro da minha própria estrutura, que tenho só dois jogadores, vejo que existe uma diferença. O João Loureiro estava um pouquinho abaixo dele, hoje não só se equivaleu como já está um pouco à frente dele. E aí envolvem outras coisas, que são os amadurecimentos. É lógico que o porte físico dele também ajuda, é um jogador alto e essas coisas fazem diferença”.