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Dez horas, e o drama continua..
Por José Nilton Dalcim
13 de julho de 2018 às 20:59

A sexta-feira de Wimbledon viveu 10 horas de drama, mas as emoções ainda não terminaram. Depois da incrível partida de 6h36 e dos 50 games de quinto set entre Kevin Anderson e John Isner, o 52º capítulo de Rafael Nadal contra Novak Djokovic foi até aqui provavelmente o melhor de toda a série, com direito a ter um episódio final às 9 horas de sábado. Este Wimbledon já ficou na história.

Todo mundo sabia que os gigantões iriam fazer um duelo equilibrado e decidido nos detalhes, mas eles foram bem além disso. Jogaram os tiebreaks tradicionais até com mais lances de categoria do que o imaginado, mas reservaram para um quinto set de mais de duas horas todas as emoções. Claro que o saque determinou o ritmo das sucessivas igualdades e o sul-africano mereceu levar porque conseguiu seis break-points sem oferecer nenhum, mostrando estar mais inteirinho fisicamente.

O terceiro jogo mais longo da história, segundo entre as partidas de Grand Slam, viu a disputa de 569 pontos, dos quais 470 não tiveram mais do que quatro trocas e 247 foram winners (102 de aces). Número curioso, cometeram no total apenas 10 duplas faltas. Anderson chega a sua segunda decisão de Grand Slam em 10 meses e estica o jejum norte-americano, que completa exatos nove anos sem ao menos um finalista.

Mas a maratona rapidamente ficou em segundo plano quando Nadal e Djokovic entraram em quadra sob teto fechado, sabendo que as três horas regulamentares restantes provavelmente não seriam suficientes para definir um vencedor. Que pena, porque era um jogo que jamais deveria parar, tamanha a qualidade e o empenho que os mega-rivais demonstraram desde o primeiro game.

Djokovic foi mais sólido no começo e a devolução de saque fez diferença até Nadal tomar postura mais ofensiva a partir do segundo set, o que incluiu atacar com qualidade o saque do sérvio. Nadal veio sim com duas armas diferentes: a subida à rede atrás de bolas que deslocassem o sérvio, com voleios angulados como a grama recomenda, e as curtinhas, já tão bem utilizadas diante de Juan Martin del Potro.

Nole deu pequena caída a partir da primeira quebra que sofreu, mas a solidez de seu jogo de base mostrou o Djoko dos bons tempos, muito ágil, mudança incrível de direção sem se afastar da linha, mescla de potência e precisão. Ainda pecou por certa falta de agressividade, porém natural diante de seu processo de recuperação.

O magnifico tiebreak que encerrou o terceiro set antes da suspensão deixou clara a diferença entre Nadal forçando e Djoko segurando, com exceção a uma deixadinha arriscadíssima e perfeita do sérvio para salvar um set-point, o que lhe permitiria ainda reagir e terminar o dia na frente.

Os dois voltam à Central às 9 horas deste sábado, antes portanto da final feminina, e aí veremos se alguém ousa mudar o padrão. Vimos Marian Vajda instruir Djokovic a ir mais para a frente e talvez seja a principal mexida tática a se adotar. Nada definido. O drama continua, para nossa sorte.

Cenas do 11º dia
– Prêmio de consolo, Isner bate mais um recorde no torneio: jogador com mais aces feitos numa só edição. Ele chegou a 214, superando por dois Goran Ivanisevic, campeão em 2001. Vale lembrar que a contagem oficial começou apenas em 1992.
– Anderson foi o único tenista a quebrar serviço de Federer e de Isner no torneio.
– Daqueles 569 pontos disputados entre os dois gigantes do saque, apenas 22 tiveram pelo menos nove trocas de bola.
– Enquanto Anderson e Isner jogavam na Central, outra maratona acontecia na semi juvenil da quadra 12, em que o canhoto e esperança local Jack Draper precisou de 4h24 e dez match-points para tirar o colombiano Nicolas Mejia, o mesmo que eliminou o brasiliense Gilbert Klier. Cheio de encenações, Draper, de 16 anos, é primeiro britânico a decidir o juvenil desde 1962. Seu adversário será o líder do ranking Chun Hsin Tseng.
– Outro homem da casa na luta por título é Jamie Murray, que decide as mistas ao lado de Vika Azarenka. Os dois já venceram lá: Murray tem dois troféus nas mistas com Hingis e Jankovic e Vika ganhou a medalha de ouro olímpica em 2012 com Mirnyi.
– Serena e Kerber farão apenas segunda final entre tenistas com mais de 30 anos de toda a Era Aberta, repetindo 1977. A americana pode aumentar sua marca de mais velha campeã de um Slam, agora aos 36, e Kerber tenta ser primeira alemã a ganhar o torneio em 22 anos e a terceira da história.

Quanta notícia boa!
Por José Nilton Dalcim
2 de maio de 2018 às 19:11

Vamos falar baixinho, porque dá até medo de alguém ouvir: o tênis brasileiro engatou uma série de vitórias como há bom tempo não se tinha o prazer de observar. Bem dito seja o saibro, e o har-tru também.

Rogerinho Silva fez duas belíssimas partidas em Istambul, atropelou Viktor Troicki e tem enorme chance de passar por Taro Daniel e atingir a semifinal, o que novamente o deixaria a um passo do top 100. Thiago Monteiro por sua vez furou o quali e enfim voltou a vencer em nível ATP, o que não acontecia desde a semi de Quito três meses atrás.

Fato curioso, embora menos expressivo, Rogerinho e Thiago disputam rodada a rodada pelo número 1 nacional. Por ter menos a defender, o canhoto cearense leva vantagem, mas terá de repetir o sucesso de Rogerinho e avançar às quartasna Turquia. O adversário é perigoso: o canhoto Jiri Vesely, para quem já perdeu duas vezes.

Outro alívio foi ver Thomaz Bellucci, Guilherme Clezar e Karue Sell avançarem no har-tru norte-americano. Bellucci ainda nos fez sofrer, mas segurou a cabeça e conseguiu virada nesta quarta-feira, novamente indo às quartas. Não sabe o que é uma semi desde Houston, há mais de um ano, nem mesmo em nível challenger. Aliás, Clezar também mostrou poder de reação. Levou ‘pneu’ e viu adversário ter 6/5 no segundo set. Por fim, Sell jogou seu terceiro challenger e obteve a primeira vitória. Pouco para seus 24 anos, é verdade, porém ele ficou muito tempo fora do circuito profissional.

Como nem tudo é perfeito, Bia Haddad encarou uma adversária inspirada e parou na estreia de Praga. A canhota holandesa Mihaela Buzarnescu, 37ª do ranking, jogou um belo tênis e não há do que se queixar. Teliana Pereira só obteve uma vitória em ITF húngaro e está sofrendo para recuperar ritmo e a confiança.

E mais
– As boas notícias da semana vieram também para a antecipação de Roger Federer no retorno ao circuito, ao pedir convite para disputar Stuttgart. O suíço então fará três torneios na grama, assim como em 2017.
– Não menos animadora foi a lista de ‘s-Hertogenbosch, na mesma semana de Stuttgart, e a confirmação de Andy Murray. Espera-se que o escocês dispute um challenger sobre a grama na primeira semana de junho, possivelmente Surbiton.
– Ótimo também saber que Vika Azarenka foi liberada para viajar com o filho para a Europa. Ela poderá assim jogar Madri, Roma e Paris. Quase ao mesmo tempo, Serena Williams confirmou que só voltará em Roma, porque adiou o início do treinamento no saibro.
– Curiosa a entrevista do nutricionista suíço Jurg Hosli, reproduzida em TenisBrasil. Ele acredita que Novak Djokovic pode estar sofrendo de um tipo de anorexia, ou seja, obsessão por dieta com alimentos ‘pretensamente saudáveis’. Segundo o especialista, reduzir carboidratos e cortar totalmente o açúcar é um grande erro. Realmente, impressiona a magreza atual do sérvio.

Desafio em Miami
Por José Nilton Dalcim
28 de março de 2018 às 00:09

O funil vai apertando e as quartas de final masculinas mostram que os grandalhões ainda conseguem se dar bem no piso sintético lento de Miami. Mas não me parece que sacar à máxima força seja o suficiente para quem quiser levantar o troféu no domingo. É preciso dosar, mostrar consistência na base. E daí Juan Martin del Potro e Alexander Zverev, não por acaso os de melhor currículo entre os oito restantes, despontam como os maiores candidatos ao título.

Um jogador extremamente sólido e versátil para seus 2,03m, Kevin Anderson fincou mesmo o pé entre os top 10. No atual momento do tênis masculino, me parece bem justo, já que está longe de ser um tenista totalmente dependente do primeiro saque. Reencontra Pablo Carreño, outro que tem mostrado jogo variado sobre a quadra dura, com 4 a 0 nos duelos diretos, incluindo as recentes viradas no US Open e em Indian Wells.

Quem passar, terá pela frente a novíssima geração. Zverev de repente parece ter feito as pazes consigo mesmo e, depois de mostrar mais cabeça e golpes contra David Ferrer, dominou outra vez Nick Kyrgios, com destaque para um forehand novamente eficaz. Já Borna Coric continua em grande momento. Foi um tanto passivo diante de Denis Shapovalov, mas os 31 winners contra 10 que levou foram compensados pelos 21 erros frente a 47 do canhoto canadense. Coric ganhou os dois duelos contra Zverev, o mais recente no US Open.

A parte inferior da chave reúne três grandes sacadores contra o valente Hyeon Chung. Será interessante ver o tira-teima entre Del Potro e Milos Raonic, que estão 2 a 2 nos confrontos diretos. Sou mais Delpo, principalmente porque ele se poupou muito bem nesta terça-feira e é superior a Milos quase em tudo. Dias atrás, em Indian Wells, foi um passeio.

Por fim, Chung terá de repetir a performance de Auckland, dois meses atrás, quando teve paciência para aguentar os pesados serviços de Isner e cuidou muito bem do próprio saque. Como o jogo será à tarde, mais chances de o norte-americano disparar seus foguetes e pressionar.

Vika reage
A chave feminina, que perdeu suas três principais cabeças antes mesmo das quartas, verá Vika Azarenka buscar vaga na final contra Sloane Stephens. A bielorrussa faz campanha notável, quando lembramos o pouco que tem jogado, eliminando Keys, Sevastova, Radwanska e Karolina Pliskova. Aos poucos, pega ritmo e confiança. Se mantiver o padrão, deveremos ter uma bela pancadaria diante de Stephens.

As outras semifinalistas saem nesta quarta e trazem Elena Svitolina contra Jelena Ostapenko e o duelo entre a veteraníssima Venus Williams contra a ex-universitária Danielle Collins, que deu um incrível salto dos ITFs aos Premier em questão de semanas.

Ranking
– Fala-se com certa razão da má fase do tênis norte-americano, mas segunda-feira os EUA terão três entre os 16 primeiros do ranking. E com boa chance de Isner voltar ao top 10, caso chegue nas semifinais.
– Chung e Coric já garantiram seu recorde pessoal. O coreano tem tudo para entrar no top 20 e o croata já é 28º. Tiafoe também avançará para inédito 58º e Stefanos Tsitsipas, ao 69º.
– Zverev e Delpo lutam diretamente pelo quinto posto e podem tirar Grigor Dimitrov do quarto lugar caso atinjam a decisão de domingo.
– No feminino, Sloane Stephens enfim atinge o top 10 na carreira. Azarenka por seu lado volta à lista das 100 primeiras e um eventual título a colocará no 39º.