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Inquebrável
Por José Nilton Dalcim
6 de julho de 2018 às 19:50

Três jogos, nove sets vencidos e Roger Federer ainda não permitiu um único break-point a seus adversários em Wimbledon. Pela 16ª vez em 20 participações, ultrapassa a segunda semana e entra na reta final do título. Desde o primeiro troféu, em 2003, só ficou de fora uma vez, em 2013.

Se ainda faltava alguma coisa para seu reinado sobre a grama ficar cristalino, o suíço completou o quadro. Detém agora o recorde de vitórias (175) e títulos (18) na superfície, assim como de jogos feitos (105), triunfos (94) e troféus (8) em Wimbledon.

E o grande momento na vitória tranquila em cima do alemão Jan-Lennard Struff veio ali no terceiro set, quando ganhou um ponto com o SABR, sim, o Sneak Attack by Roger. Assustador vendo alguém devolver um saque na grama apenas um passo atrás da linha de serviço.

Duas boas notícias para o octacampeão: dois dias de descanso até as oitavas de final de segunda-feira e o reencontro com o canhoto Adrian Mannarino, sobre quem tem 4 a 0, uma delas em Wimbledon.

Seu caminho pode ter depois Gael Monfils ou Kevin Anderson. Como o acrobático francês é de lua! Quando resolve bater na bola e não se acomoda lá na base, vira um tenista muito perigoso. Claro que não deixou de fazer lances espetaculares, porém foi notável a forma com que cortou os erros: dos 13 no primeiro set, caiu para 5, depois 2 e por fim apenas 1 no set final.

Campeão juvenil em 2004, é um tanto inacreditável que Monfils vá disputar as oitavas de Wimbledon pela primeira vez. Ele, que já tirou Richard Gasquet na estreia, duela contra Kevin Anderson com chance real: só perdeu um set para o sul-africano em cinco duelos.

Outro duelo marcado é entre o sacador John Isner e o atlético Stefanos Tsitsipas. Um incrível contraste quando vemos que também fazem sua primeira presença em oitavas, com a evidente diferença que o top 10 Isner tem anos de estrada e joga seu 10º Wimbledon, enquanto o grego de 19 anos já chama a atenção com a destreza de seu backhand de uma mão sobre a grama. Patrick Mouratoglou alerta: “Esse cara é um lutador incrível, estou impressionado com sua habilidade em reagir durante os jogos”. Olho nele.

Mamães duelam
Kiki Mladenovic foi um teste real para Serena Williams. Boa duplista, a francesa se sente à vontade na grama, liderou o primeiro set e exigiu muito no outro. “Sempre contra mim, as meninas acham seu melhor tênis. É incrível”, avaliou Serena, que gostou de suas reações na partida e avisa: “Este é o segundo torneio em que realmente me sinto competitiva”.

Com as quedas da irmã Venus e de Madison Keys, ela é agora a única norte-americana nas oitavas de Wimbledon e irá enfrentar outra mãe, a russa Evgeniya Rodina, que surpreendeu Keys mesmo com apenas nove winners em 34 games. Se mantiver o favoritismo, Serena cruzará com Ekaterina Makarova ou Camila Giorgi.

Considerada a principal barreira no caminho de Serena rumo à final, a tcheca Karolina Pliskova levou um enorme susto quando Mihaela Buzarnescu abriu 6/3 e 4/1. Pliskova precisou de três sets em todos os jogos até agora. Terá de mostrar mais contra Kiki Bertens.

Cenas do quinto dia
– Sascha Zverev pensou em abandonar a partida e não entrar em quadra para a sequência do jogo contra Taylor Fritz por conta de dores abdominais. Ele mal tem se alimentado e vibrou muito com os dois sets tão fáceis que venceu na retomada. O número 4 do ranking volta à quadra já neste sábado para pegar o ex-top 10 Ernests Gulbis.
– Bertens estava incrédula pela vitória sobre Venus: “Tive de jogar de forma agressiva, o que é difícil para mim. E veio na cabeça os match-points que perdi contra Venus em Miami”.
– Rodina fala abertamente: Serena é seu ídolo. E ao enfrentá-la na segunda-feira, sonha enfim jogar na Central. A russa deu a luz a Anna seis anos atrás, quando tinha 23.
– O dia 6 de julho marcou os exatos 10 anos da primeira e histórica conquista de Nadal em Wimbledon. E em cima do então pentacampeão Federer, considerado um dos maiores jogos da Era Profissional.
– A chave de duplas masculinas já perdeu os três principais cabeças de chave: Marach/Pavic e Kontinen/Peers nem passaram da estreia, os atuais campeões Melo/Kubot caíram na segunda. A parceria do mineiro cometeu 15 duplas faltas, incluindo a do match-point!

De olho nos velhinhos
Por José Nilton Dalcim
1 de julho de 2018 às 18:15

Até que sejam surpreendidos no torneio em que detêm o domínio mais significante de suas carreiras, a atenção deste Wimbledon estará em cima dos papais Roger Federer e Serena Williams. Aos 36 anos, os dois tentam dar outra prova de sua longevidade no circuito e do estilo mais que perfeito para a quadra de grama.

Mas há evidentes diferenças. Ainda que batido em recente final de Halle, o suíço não perdeu o favoritismo porque se poupou fisicamente nos últimos meses, reservando o máximo de energia para sua grande meta da temporada, que é chegar ao nono troféu no Club. A norte-americana, ao contrário, surge como incógnita. Jogou apenas quatro torneios desde a volta da maternidade e ainda saiu contundida de Roland Garros.

Qual a chance dos velhinhos? Federer tem uma sequência exigente, principalmente com a presença de Marin Cilic, mas se o saque funcionar e as pernas estiverem em dia, será difícil perder em cinco sets. É muito provável que esteja bem mais preocupado com o que vai acontecer do outro lado chave. Será que Rafa Nadal e Novak Djokovic irão mesmo longe? Ou a nova geração vai lhe dar uma boa chance, seja com Alexander Zverev ou Nick Kyrgios? A grama, é sintomático lembrar, dá grande privilégio à experiência.

Serena ganhou condição de cabeça e, mais que isso, uma chave bem favorável. Há poucos nomes de grande gabarito na grama no seu caminho à final. Se tiver a mesma dificuldade de deslocamento que mostrou nas primeiras rodadas de Roland Garros, terá de contar com sua arma essencial: o saque. Porém, é justamente o serviço o golpe mais afetado por sua contusão em Paris, a ponto de sequer ter exercitado o golpe nas últimas semanas. Muitas dúvidas.

Esta é a 132ª edição do mais antigo torneio do calendário, o que deu origem a tudo no tênis. Com aumento geral na premiação de 7,1%, os campeões de simples receberão 2,25 milhões de libras, algo em torno de R$ 11,5 milhões. O mero perdedor de primeira rodada embolsa 39 mil libras, ou R$ 200 mil. Eis por que vale tanto ser um top 100.

O que espera Federer
– Recordista de título no masculino, suíço tenta igualar os nove troféus de Martina Navratilova. Além deles, apenas Nadal e Margaret Court chegaram a tanto num Slam (ambos com 11).
– Pode recuperar a liderança do ranking se ganhar o torneio e Nadal perder antes das oitavas.
– Tenta defender seu título pela quinta vez, algo que ninguém fez. Borg segurou o troféu por quatro (1976-80).
– Se vencer três jogos, supera marca de 174 vitórias de Jimmy Connors sobre grama.
– Amplia recorde e chega a 73 Slam disputados.
– Iguala Connors com 20 participações em Wimbledon, porém consecutivas.
– Pode vencer seu quinto Slam após os 30 anos e superar os quatro de Laver e Rosewall

Outras façanhas
– Nadal tenta se tornar o segundo tenista na história a ganhar Paris e Londres no mesmo ano por três vezes. Borg fez em 1978-79-80, Laver tem dois em 62 e 69.
– Ao entrar em quadra, Feliciano López chegará a 66 Slam consecutivos e se tornará o recordista da Era Profissional
– Djokovic soma 58 vitórias em Wimbledon e pode alcançar as 59 de McEnroe e as 63 de Sampras
– Aos 39 anos e 137 dias, Karlovic é o mais velho na chave masculina. Aos 19 e 91 dias, Shapovalov é o mais jovem.
– Venus, de 38 anos, chega a seu 79º Grand Slam, recorde absoluto na Era Profissional.
– Serena pode superar Navratilova em aproveitamento no torneio. Ela tem 89,58% contra 89,63%. Graf lidera com 91,3%.

Frustração
Andy Murray causou enorme frustração. Na primeira chance que teve de ficar de fora, manteve o nome no sorteio da chave. No dia seguinte, treinou firme e deu entrevista oficial garantindo que jogaria. E menos de 12 horas depois, avisa que está fora. É compreensível que tema o esforço de disputar cinco sets, vindo da cirurgia no quadril e apenas três jogos disputados. Mas é frustrante vê-lo mudar de ideia toda hora. Pelo menos, por ficar de fora dos cabeças, não comprometeu a chave como fez no US Open.

Domingo sem campeã, Bellucci e público
Por José Nilton Dalcim
27 de maio de 2018 às 18:18

A pressão pareceu ser demais para Jelena Ostapenko. A letã se tornou apenas a segunda campeã a ser derrotada na estreia no ano seguinte em toda a história do torneio – algo que jamais aconteceu entre os homens -, repetindo Anastasia Myskina, em 2005.

“Não joguei 20%. Acordei muito negativa”, admitiu ela, que se diz com problemas físicos desde Roma e, por isso, pediu aos organizadores para não jogar neste domingo porém foi ignorada. Fatalmente deixará o top 10.

– Um recorde negativo para Venus Williams: pela primeira vez na carreira, ela perde na estreia de dois Grand Slam consecutivos. Qiang Wang, 91ª do ranking, jogou bem, diga-se.

– Com a queda de Ostapenko, da  campeã Francesca Schiavone e das vices Venus e Sara Errani, o lado inferior da chave só tem tenistas que jamais chegaram à final de Roland Garros.

– O segundo maior favorito masculino Alexander Zverev começou fulminante, justificando a expectativa de que pode fazer um grande Roland Garros. Ele adverte: “Ser cabeça 2 não significa nada”. O próximo adversário pode dar mais trabalho: Dusan Lajovic ou Jiri Vesely.

– Mais uma vez, Thomaz Bellucci consegue juntar os melhores e piores impressões para si. Começou muito mal, reagiu aos poucos e fez um belo terceiro set, quase no nível que se espera dele. Aí, ao perder de forma amadora um break-point essencial no comecinho do quarto set, pareceu sair completamente de órbita e não jogou mais nada. Permanece a impressão de que seu problema é acima de tudo emocional.

– A nova regra de abandonos de Grand Slam parece funcionar à perfeição neste Roland Garros. Agora, o jogador que desiste antes de estrear recebe 50% do prêmio de primeira rodada – estamos falando em pelo menos 20 mil euros -, deixando a outra metade a seu substituto. Com isso, o Slam francês já colocou oito ‘lucky-losers’ na chave masculina e dois na feminina. Vale lembrar que Mischa Zverev levou US$ 45 mil de multa na Austrália por ter entrado em quadra enfermo e não completado sua partida.

– Fernando Verdasco gosta mesmo de um quinto set. Disputou neste domingo seu 45º e marcou a 24ª vitória, após 4h22 de intensa batalha contra Yoshihito Nishioka, que sofreu com cãibras. Se a estatística estiver correta, o canhoto espanhol acertou 87 winners e cometeu 101 erros nos 57 games disputados.

– Dois sustos grandes. Elina Svitolina saiu de 1/5 no primeiro set para reagir em cima de Ajla Tomljanovic, que destruiu raquete com a frustração, e David Goffin perdeu os dois primeiros sets para Robin Haase, mas depois cedeu apenas cinco games nos três seguintes. Note-se que ele fez 18 aces, sendo 13 na reta final do jogo. Na entrevista, Haase acusou o fisioterapeuta de não ter feito atendimento (no intervalo para o quinto set), alegando que ele não tinha qualquer contusão.

– Em entrevista ao The Independent, John McEnroe listou seus três nomes prediletos da nova geração: Zverev, Denis Shapovalov e Kyle Edmund.

– Pode ser que, à distância, eu esteja enganado, mas o público deste domingo em Roland Garros foi decepcionante, com muitos lugares vazios em todos os estádios. E a programação de segunda-feira, maluca: mistura os dois lados da chave e coloca em ação Rafa, Djoko, Wawrinka e Sharapova.