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Nadal testa armas
Por José Nilton Dalcim
30 de agosto de 2018 às 01:00

Um adversário de bom saque mas jogo de fundo bastante impreciso, que teria como maior opção encurtar pontos e ir muito à rede. Então o número 1 do mundo usou uma receita diferente e testou novas armas: além do saque muito profundo e alternado – que só deu uma caída no meio do segundo set -, experimentou devolver de forma agressiva, muitas vezes um passo dentro da quadra, e disparar bolas mais rasantes.

Essa postura tática também teve a ver, claro, com o calor insuportável de Nova York. Evitar desgaste, correria, games e pontos longos era extremamente necessário. Então, no conjunto, Rafael Nadal teve uma exibição admirável no fechamento da rodada noturna contra Vasek Pospisil. Na sexta-feira, vai encarar o russo Karen Khachanov, a quem dominou semanas atrás em Toronto, que também joga no risco o tempo todo, embora raramente saia do fundo de quadra. E deve concluir no domingo sua tranquila primeira parte do US Open diante de Guido Pella ou Nikoloz Basilashvili. Serão então dez jogos seguidos no US Open sem enfrentar um único top 25. Não dá para reclamar da sorte.

Solto na chave por ser hoje um mero 101º do ranking, Stan Wawrinka concorre a ser a boa surpresa. Teve trabalho com o jovem canhoto Ugo Humbert por conta de alguma instabilidade e pode encarar dois grandes sacadores na sequência: agora vem Milos Raonic, sobre quem tem 4 a 1 nos duelos, e quem sabe depois John Isner. O principal nome da casa escapou da derrota para Nicolas Jarry, chileno pouco afeito ao piso duro, e se mostra um tanto pressionado por boa campanha.

Portanto, dá para sonhar com uma semifinal entre dois campeões do US Open, porque Juan Martin del Potro é amplo favorito no seu setor. Nestes dois jogos iniciais, mostrou determinação de ir à rede e encurtar pontos. Enfrenta agora o canhoto Fernando Verdasco, contra quem só sofreu uma derrota há sete anos.

O espanhol fez um belo duelo milimétrico contra Andy Murray antes de virar a polêmica do dia, ao ser acusado pelo escocês de receber instrução no intervalo de 10 minutos pela ‘regra do calor’. Errado, mas será que isso fez tanta influência assim para quem entrou em quadra com retrospecto positivo de 13 a 1?

Outra partida interessante de terceira rodada promete envolver Kevin Anderson e Denis Shapovalov. O atual vice jogou bem melhor do que na estreia, sem apresentar sinal de problemas musculares, e o canadense venceu Andreas Seppi no seu mais puro estilo: 76 erros e 55 winners. Continua no limite entre o arrojado e o inconsequente, porém não sei se isso será válido contra Anderson. Quem passar, enfrentará Dominic Thiem e Taylor Fritz. Boa chance.

A chave feminina por sua vez teve confirmado o 30º capítulo entre as irmãs Serena e Venus Williams, um molho saboroso para o US Open. É bem verdade que elas raramente fazem bons duelos, mas é a certeza de que uma irá adiante com todo o favoritismo para fazer quartas, já que o cruzamento será com Kaia Kanepi ou Rebecca Peterson.

Desde o início, ficou claro que não há uma favorita destacada para esta edição de Flushing Meadows e o perigoso vacilo de Sloane Stephens apenas confirma isso. A campeã ainda se safou, mas sua caminhada é bem dura: vem agora Vika Azarenka, que atropelou Daria Gavrilova e está num de seus torneios prediletos.

Um US Open muito especial
Por José Nilton Dalcim
26 de agosto de 2018 às 15:11

Para início de conversa, o autêntico US Open, que se chamava US National Championships até 1967, comemora seus 50 anos em 2018, tendo coroado 27 homens e 23 mulheres diferentes nessa fase ‘aberta’. Para momento tão histórico, inovações: em todas as quadras, haverá transmissão de imagens, desafio eletrônico e cronômetro para marcar os 5 minutos de aquecimento e os 25 segundos entre os pontos. Para completar, inaugura-se a nova Louis Armstrong com teto retrátil e 14.069 assentos.

Segundo evento de realização anual mais antigo do país – perde apenas para a corrida de cavalos em Kentucky – o US Open é o que reúne maior público em todo o esporte norte-americano, superando os 700 mil ingressos vendidos nos 14 dias, o que não é pouca coisa. Do recorde absoluto de US$ 53 milhões a ser distribuídos, US$ 3,8 mi irão para cada campeão de simples e os vencedores de duplas dividirão US$ 700 mil. O mero perdedor de primeira rodada ficará com US$ 54 mil.

Mas o US Open-2018 é especial também dentro da quadra. Sete campeões do torneio estarão em quadra – Nadal, Wawrinka, Djokovic, Cilic, Murray, Del Potro e Federer -, sendo que Federer pela primeira vez na carreira será o mais velho participante em um Slam, aos 37 anos. A lista não é menos espetacular entre as mulheres, também com sete campeãs de Flushing Meadows – Stephens, Kerber, Kuznetsova, Sharapova, Stosur, Serena e Venus – e no total 14 vencedoras de Slam.

Até mesmo em termos de ranking há expectativa fora do padrão, já que Federer está diante de dois acontecimentos antagônicos: poderá recuperar o número 1 em cima de Nadal (precisa do título e da queda do espanhol até as quartas) mas também é ameaçado por Del Potro e Zverev (se um deles for campeão e o suíço perder até o segundo jogo). Note-se que o Big 4 detém o top 2 do ranking seguidamente desde julho de 2005. Aliás, os quatro não competiam juntos num Slam desde Wimbledon do ano passado.

Claro que existe o tira-teima entre Federer, Nadal e Djokovic, cada um detentor de um troféu de Slam em 2018. No feminino, mais uma vez os olhares estarão sobre Serena Williams, grande heroína da casa e em nova tentativa de chegar ao 24º Slam. O circuito feminino também pode ter quatro diferentes campeãs de Slam, e isso pelo segundo ano seguido. Mais incrível ainda, é possível chegar até mesmo a ter oito distintas na soma das duas temporadas.

E mais:
– Desde que chegou ao US Open do ano passado, Nadal só perdeu cinco jogos, três deles nesta temporada (40-3).
– Não há um bicampeão no US Open há exatos 10 anos (Federer, com o penta em 2008). No feminino, foram três bi nos últimos 20 anos (Venus, Clijsters e Serena).
– Nenhum homem ganhou o torneio sem perder sets desde Neale Fraser em 1960.
– Venus jamais perdeu na estreia do US Open em 19 participações. Aos 38 anos, ela se torna a primeira e única tenista, homem ou mulher, com 80 Slam disputados.
– Feliciano López aumenta seu recorde para 67 Slam seguidos em quadra.
– As duas mais jovens nas chaves de simples têm 16 anos: as locais Whitney Osuigwe e Amanda Anisimova. Com essa idade, Martina Hingis ganhou a Austrália em 1997 e Tracy Austin o US Open de 1979.
– Dos jogos de primeira rodada, alguns clássicos: Nadal 24 x 6 Ferrer, López 5 x 4 Verdasco, Baghdatis 4 x 4 Youzhny e Dimitrov 4 x 3 Wawrinka.
– Duelos de geração também marcados: Muller x Sonego, Lorenzi x Edmund, Mischa x Fritz, Chardy x Rublev, Robredo x Tsitsipas e Garcia-López x Munar.

US Open caça surpresas
Por José Nilton Dalcim
23 de agosto de 2018 às 18:42

Os três homens que dividiram títulos de Grand Slam em 2018 vão para o tira-teima no US Open e o sorteio da chave nesta quinta-feira deu o primeiro trunfo ao atual campeão Rafael Nadal, que se livrou de cruzar com Novak Djokovic antes da final. Deixou o grande problema para Roger Federer. Mas será que não dá mesmo para haver surpresas na chave masculina de Flushing Meadows?

Nadal não poderia ter pedido um caminho mais animador até o encontro com Kevin Anderson nas quartas de final. O número 1 estreia contra o decadente David Ferrer e deve passear nas três primeiras rodadas. Para melhorar, é bem provável que cruze com Karen Khachanov e Kyle Edmund seguidamente, dois jogadores de padrão bem semelhantes.

Só então viria a reedição da final de 2017 e, caso chegue lá, Anderson precisa ser respeitado. O sul-africano será testado contra Andrey Rublev e principalmente Denis Shapovalov ainda na terceira fase e, se mantiver o favoritismo, teria oitavas bem tranquilas contra Dominic Thiem, Roberto Bautista ou quem sabe um Denis Istomin.

O segundo quadrante da parte superior ficou bem interessante, porque Juan Martin del Potro, Andy Murray, Borna Coric e Stefanos Tsitsipas se misturam. O argentino seria candidato natural às quartas, mas nunca se sabe como anda seu físico e não se descarta a hipótese de Murray herdar a vaga. O grego pode cruzar sucessivamente com outros dois novatos, Daniil Medvedev e Coric, o que dá também um sabor gostoso ao setor.
Aliás, está difícil cravar o outro quadrifinalista, porque tudo parece bem imprevisível: John Isner, Milos Raonic, Grigor Dimitrov… ou Stan Wawrinka! O suíço jogou muito bem Cincinnati e corre por fora se aguentar mesmo cinco sets.

Obviamente, o eventual reencontro entre Roger Federer e Novak Djokovic já entra em contagem regressiva, mas o suíço vê um caminho potencialmente mais espinhoso. Se é quase impensável que o sérvio tenha dificuldades contra Richard Gasquet e depois Loucas Pouille ou Pablo Carreño, há muita chance de o suíço cruzar com Nick Kyrgios ainda na terceira rodada e em seguida Fabio Fognini ou Heyon Chung. Claro que Federer é favorito em todos os casos, mas o desgaste físico e até emocional tende a ficar relevante.

Os três candidatos mais gabaritados à semi do outro lado são Alexander Zverev, Marin Cilic e Kei Nishikori. O alemão, agora com apoio inestimável de Ivan Lendl, encararia seu primeiro teste de fogo diante do próprio Nishikori em eventuais oitavas e Cilic tem como barreira mais perigosa David Goffin, que mostrou um estilo arrojado em Cincinnati. É outro setor onde pode acontecer qualquer coisa.

Se a lógica diz que Nadal x Del Potro e Djokovic x Cilic sejam as semifinais, não seria totalmente absurdo imaginar Anderson x Isner e Federer x Goffin, muito menos que a nova geração dê outro salto com Tsitsipas brilhando em cima da chave e Zverev, embaixo. Quem gosta de apostas arriscadas, vai se deliciar.

A chave feminina
No feminino, a primeira atração certamente é a possibilidade de Serena Williams rever a irmã Venus na terceira rodada e desafiar a líder do ranking Simona Halep em seguida. E há enorme chance de isso acontecer, o que já traria ebulição a Flushing Meadows.

Quem sair viva dessa briga deve ter a instável Karolina Pliskova nas quartas, o que não deixa de ser animador. A adversária da semi fica bem aberto: a defensora do título Sloane Stephens e Elina Svitolina não andam confiáveis e estão num setor onde Elise Mertens, Daria Gavrilova e Julia Goerges se mostram loucas para aprontar.

Carol Wozniacki entra de cabeça 2, porém cheia de dilemas físicos, e por isso Petra Kvitova é a principal candidata à semi, embora tenha possível confronto com Aryna Sabalenka ainda na terceira rodada.

Nada improvável um duelo de canhotas na semi, caso Angelique Kerber embale. No seu caminho, estão Dominika Cibulkova e a atual vice Madison Keys. A alemã teria também favoritismo contra Caroline Garcia, Jelena Ostapenko ou a ‘veterana’ Maria Sharapova.

Fique de olho
– Jogos imperdíveis da primeira rodada: Nadal x Ferrer, Feli Lópex x Verdasco e Wawrinka x Dimitrov, Venus x Kuznetsova, Garcia x Konta, Petkovic x Ostapenko e Stosur x Wozniacki.
– E expectativa destes duelos para a segunda: Nishikori x Monfils, Goffin x Haase, Tiafoe x De Minaur, Raonic x Simon, Tsitsipas x Medvedev, Verdasco x Murray, Anderson x Rublev, Shapovalov x Querrey, Azarenka x Gavrilova e Svitolina x Radwanska.