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Nadal e Federer desfilam na quadra e nos recordes
Por José Nilton Dalcim
18 de janeiro de 2019 às 11:25

Como se previa, a terceira apresentação de Rafael Nadal e Roger Federer no Australian Open foi para lá de tranquila. Diante de dois novatos, aproveitaram muito bem a vasta experiência e encheram os olhos e os livros de recordes.

O espanhol cravou a 250ª vitória em Grand Slam, e assim o tênis tem hoje em atividade os três únicos a atingir esse patamar: Federer está com 342 e Novak Djokovic, 260. Ao imaginarmos que só se disputam 28 jogos de Slam por temporada, será necessária uma década para alguém da nova geração sonhar com isso.

O suíço por sua vez aumenta sua impressionante marca para 63 presenças em oitavas de final em 75 Grand Slam disputados. É quem mais fez isso em Melbourne (17 vezes em 20 participações), onde aumenta sua coleção para 97 vitórias.

Mesmo tendo apenas um título em Melbourne, Nadal já é o terceiro com mais oitavas (12ª, junto a Jimmy Connors) e mais vitórias (58). Aliás, ele iguala Jimmy Connors com 43 presenças na quarta rodada de um Slam, duas a menos que Novak Djokovic, que busca a sua classificação na madrugada.

Federer pisou pela 100ª vez no estádio Rod Laver, e o fato mais incrível é que ele tem 110 jogos feitos no torneio. Ou seja, apenas 10 vezes experimentou as outras arenas.

Os jogos
Embora a dificuldade tenha sido crescente, os três adversários australianos serviram para dar ritmo e provavelmente muita confiança para Nadal. Apesar de ter muita perna e determinação, falta potência a Alex de Minaur e assim ele precisou de um esforço gigantesco para agredir o espanhol e arrancar belos pontos. Rafa voltou a sacar muito bem – a mudança de movimento deixou mesmo o serviço mais veloz – e foi agressivo com o forehand. Serão armas muito importantes diante de Tomas Berdych, que está voando neste começo de temporada para surpresa geral. Virou com grande categoria em cima de Diego Schwartzman, sem economizar winners, aces e voleios.

Diante de outro grande sacador, Federer foi impecável com o serviço, mas também conseguiu bons bloqueios de devolução e se divertiu com pesadas trocas de bola. Taylor Fritz não tem regularidade para tanto. O atual bicampeão de 37 anos continua seu desfile diante da nova geração – ganhou de quatro em Perth – e reencontra Stefanos Tsitisipas, que o levou a dois tiebreaks na Copa Hopman. O grego só tem chance se Federer baixar o nível.

Por falar em nova geração, Frances Tiafoe reagiu duas vezes diante do ‘trintão’ Andreas Seppi e atinge seu melhor resultado num Slam. E fará um interessante duelo de estilos diante de Grigor Dimitrov, que parece animado com a nova equipe. Búlgaro tem a seu favor o piso veloz, mas todo cuidado é pouco com o jogo de fundo de Tiafoe.

Embaladíssimo, Roberto Bautista fez três sets brilhantes diante de Karen Khachanov, pegando o máximo que pôde na subida e arriscando saque. Reencontrará o croata Marin Cilic,que se salvou a duras penas diante do canhoto Fernando Verdasco, num dia muito irregular. O atual vice viu Verdasco cometer dupla falta no match-point e ai desabar mentalmente. Cilic venceu quatro de cinco duelos contra Bautista, mas a única derrota aconteceu justamente no AusOpen, em 2016..

Maria, Maria
As duas primeiras rodadas já haviam mostrado uma Maria Sharapova mais firme no saque, sólida na base e confiante para forçar nos momentos difíceis. Assim, não foi uma total surpresa a vitória em cima da campeã Caroline Wozniacki, num jogo exigente de 2h24.

As contusões têm dificultado a vida de Sharapova nas últimas temporadas. Ela ficou de fora de sete dos últimos 13 Slam, e viveu altos e baixos. Melbourne é um lugar em que geralmente seu estilo se encaixa muito bem. A adversária agora é a última esperança local, Ashely Barty, que gosta de um slice para quebrar o ritmo. Sou omais Sharapova.

A outra sensação da sexta-feira foi a juvenil norte-americana Amanda Anisimova, que não tomou conhecimento de Aryna Sabalenka, permitindo apenas cinco games à 11ª do ranking. Que exibição de força e ousadia! Primeira tenista nascida no século 21 a ir tão longe num Slam, terá um duelo de força pura diante da experiente Petra Kvitova e aí a dificuldade promete ser muito maior.

Angie Kerber continua arrasadora – cedeu apenas 10 games em três jogos -, rumo ao duelo de oitavas contra Sloane Stephens.

Federer deixa dúvidas
Por José Nilton Dalcim
16 de janeiro de 2019 às 14:26

Muito menos pelo placar exigente com dois tiebreaks, muito mais por não ter achado o ritmo ideal diante de um adversário de parco currículo, Roger Federer venceu sua segunda partida no Australian Open mas deixou dúvidas. O backhand descalibrado o forçou a usar slices com maior frequência, sobraram ‘madeiradas’ de forehand e a devolução não foi incisiva diante do jogo agressivo do britânico Daniel Evans. Com isso, o suíço precisou salvar set-point e virar o tiebreak do primeiro set, perdeu um game de serviço quando dominava no segundo e só ficou mais à vontade na última série.

Na entrevista, Federer destacou dois pontos: a bola Dunlop, que não está agradando a maioria dos jogadores, e a diferença de velocidade do piso. O suíço diz que quem joga à noite sente as coisas bem diferentes: é mais difícil dar efeito na bola e a quadra fica mais lenta. Ele estreou na rodada noturna, mas encarou Evans no final de tarde, o que pode explicar seu maior desconforto com um adversário agressivo. É bem provável que volte a jogar de tarde contra Fritz, um emérito sacador.

Rafa Nadal, pelo jeito, gostou dessa maior lentidão. Em seu primeiro jogo noturno na Rod Laver, deu um show diante de Matthews Ebden, exibindo um amplo arsenal. O australiano deu um susto no começo, mas a partir da primeira quebra ficou dominado. Nenhuma dificuldade de movimentação para o espanhol, que buscou bolas bem difíceis e disparou seus contragolpes espetaculares.

Vem agora um duelo de geração diante da esperança local Alex de Minaur, e por isso deve ser o jogo noturno da sexta-feira. O pupilo de Lleyton Hewitt tem chances? Pequenas. Precisará se manter perto das linhas para pegar na subida e encurtar o tempo do espanhol, arriscar paralelas de backhand para ter a cruzada aberta, o ponto mais vulnerável de Rafa. Tem de evitar ao máximo que o cabeça 2 use o forehand. Parece simples, mas não é fácil manter um padrão desses por quatro ou cinco sets.

Rumo a um duelo direto, Marin Cilic e Roberto Bautista sofreram além do que se esperava. O croata ficou pregado demais no fundo de quadra contra o bom Mackenzie McDonald e o espanhol fez outra partida em cinco sets, desta vez diante do local John Millman, desgaste que pode custar caro diante de Karen Khachanov. O adversário de Cilic será o velho e bom Fernando Verdasco.

Bia fez o que deu
Pode parecer pouco tirar cinco games da vice-líder do ranking, mas Bia Haddad fez o que tinha de fazer diante da solidez de Angelique Kerber: arriscou saque, bateu pesado o tempo inteiro, encurtou o tempo com subidas espertas à rede, forçou devoluções. Claro que isso também lhe custou um caminhão de erros não forçados – 39, sendo 29 no primeiro set – e a certeza de que precisa continuar trabalhando duro no seu backhand.

Com o nível que tem apresentado, Bia deve voltar rapidamente ao top 100, que é seu lugar. Está cada vez mais à vontade nas quadras duras e voltou a ter confiança no saque. Abusou dos efeitos abertos contra Kerber, uma arma importante para ver o outro lado aberto e finalizar sem ter que forçar tanto. Quem sabe, Bia consiga encerrar o jejum brasileiro contra top 10, que está próximo de atingir 30 anos nesta temporada. A última foi Dadá Vieira, em julho de 1989.

A segunda rodada de Carol Wozniacki, Sloane Stephens, Petra Kvitova e Maria Sharapova foram muito tranquilas. Fica a expectativa para o duelo direto de Wozniacki e Sharapova. Pelo que vi até agora, sou mais a dinamarquesa.

Surpresas americanas
Figura pouco destacada entre os novatos, sempre achei Frances Tiafoe com o melhor potencial entre os norte-americanos da Next Gen, já que tem um tremendo físico e golpes de base compactos. Faltava a ele um saque mais contundente e um voleio seguro, e foram exatamente esses dois componentes que o ajudaram na virada em cima de Kevin Anderson, um dos fortes postulantes à final deste Australian Open. Colocou 70% do primeiro saque, ganhou 80% desses pontos, e venceu 21 de 27 pontos na rede. Encara agora o sempre perigoso Andreas Seppi.

Entre as meninas, Amanda Anisimova, apenas 17 anos e mais jovem entre as top 100 de hoje, arrasou a cabeça 23 Lesia Tsurenko com seu estilo agressivo. Agora, fará delicioso duelo diante da bielorrussa Aryna Sabalenka, que é apenas três anos mais velha mas já 11ª do ranking.

A nova geração também avançou nesta quarta-feira com De Minaur, Khachanov, Fritz, Stefanos Tsitsitpas e a convidada Kimberly Birrell.

Destaques do dia
As vitórias de Tomas Berdych e Grigor Dimitrov valeram pela ótima qualidade técnica dos duelos. Aos 33 anos e voltando de longa parada por contusão nas costas, o tcheco se reinventou, e com sucesso. Agora, não perde qualquer oportunidade de ir à rede e tem feito voleios de grande categoria. Chances reais de passar por Diego Schwartzman. Na rodada noturna, Dimitrov e Pablo Cuevas fizeram quatro sets muito bem disputados, tirando tudo de seus backhands de uma mão. O búlgaro, agora sob supervisão de Andre Agassi, se candidata a cruzar com Nadal lá nas quartas.

Prova de fogo
Por José Nilton Dalcim
13 de abril de 2018 às 20:45

Ainda que seu favoritismo seja absoluto, Rafael Nadal não poderia contar com uma chave mais dura em sua primeira aventura sobre o saibro de 2018. O número 1 do mundo vai em busca do 11º troféu em Monte Carlo, um torneio em que venceu 63 de 67 jogos, com a provável necessidade de enfrentar uma série de nomes muito respeitáveis sobre a terra batida.

A estreia já pode ser interessante se der Aljaz Bedene, já que o esloveno saber jogar na terra. Em seguida, deve vir o canhoto Adrian Mannarino e portanto tudo indica que teremos uma fantástica terceira rodada diante de Dominic Thiem ou Novak Djokovic.

Não sabemos o que esperar da forma física e técnica tanto do austríaco como do sérvio. E os dois ainda têm testes reais pela frente: Nole pega um quali antes de Borna Coric e Thiem aguarda Andrey Rublev ou Robin Haase.

De qualquer forma, são adversários que conhecem muito bem Nadal e estarão motivados a uma surpresa. Vale lembrar que Djokovic bateu Rafa na final de 2013 e encerrou sua série de 46 vitórias no torneio de então, enquanto Thiem cruzou quatro vezes com Rafa no saibro de 2017, vencendo em Roma.

Claro que o mundo do tênis apreciaria muito rever o mais repetido duelo da era profissional, já que Nadal e Nole se cruzaram exatas 50 vezes, com apertados 26 a 24 em favor do sérvio. Eles se enfrentaram pela última vez em Madri do ano passado, com vitória tranquila do espanhol. Porém, Nole ousou derrotar Rafa até em Roland Garros. Fora tudo isso, cada um tem 30 títulos de Masters e se torce por uma luta direta por essa supremacia ao longo de 2018.

No mesmo lado da chave de Nadal, estão ainda Grigor Dimitrov, David Goffin e Albert Ramos. O saibro lento não é a praia do búlgaro, que ainda por cima pode pegar Ramos, vice do ano passado, já na terceira rodada. Goffin fez um grande torneio em 2017, porém só ganhou um game desde o acidente em Roterdã.

O outro lado da chave me parece totalmente aberto. Alexander Zverev teria o favoritismo caso não vivesse uma fase tão irregular. Para piorar, tem Fabio Fognini no caminho antes de um possível duelo com Lucas Pouille ou Diego Schwartzman. Um quadrante bem interessante e imprevisível. A outra vaga para a semi está entre Marin Cilic ou Pablo Carreño. Uma incrível primeira rodada acontece entre o vice de 2015 Tomas Berdych e Kei Nishikori.

Detalhes
– Nadal começa a temporada de saibro com a incrível marca de 391 vitórias e apenas 35 derrotas sobre o saibro ao longo da carreira, ou seja, eficiência superior a 91%.
– Se existe alguma pressão sobre o espanhol, certamente é a manutenção do número 1. Derrota em Monte Carlo já lhe tira o posto pelo menos até o final de Roma, mas muito provavelmente até o começo de junho.
– Djokovic e Pouille moram em Monte Carlo, mas não se pode dizer que jogam em casa, porque o Tênis Clube monegasco está localizado em território francês.
– Zverev tem um retrospecto muito discreto no Principado: apenas cinco jogos, com três vitórias.
– Dos tenistas em atividade, Stan Wawrinka foi o único outro campeão em Monte Carlo, além de Nadal e Djokovic. O suíço está fora desta edição e ainda tenta recuperar a forma. A previsão de volta é em Madri.
– Nunca é ruim recordar que Guga Kuerten ganhou as duas finais que disputou no Principado, em 1999 e 2001.