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E se houvesse o ‘ranking do saibro’?
Por José Nilton Dalcim
22 de maio de 2018 às 20:28

Wimbledon escolheu livremente seus favoritos, entre os melhores tenistas do ranking, até 2001. Só então cedeu a tantas reclamações e resolveu criar uma fórmula matemática, que se habitou chamar ‘ranking da grama’, e através dela passou a determinar os 32 cabeças de chave. A conta que o Club faz é simples: pega-se o total de pontos de cada tenista na segunda-feira imediatamente anterior, soma-se 100% de todos os pontos obtidos em torneios de grama nos últimos 12 meses e, como o calendário é muito curto, adiciona-se mais 75% dos pontos do campeonato de melhor performance nos 12 meses anteriores.

Fiquei curioso para saber o que aconteceria se aplicássemos critério semelhante ao saibro. Como há muito mais torneios sobre a terra ao longo de 12 meses, não achei necessário utilizar o terceiro item (75% do principal torneio entre 13 e 24 meses anteriores).

Será que mudaria muito a lista de favoritos para Roland Garros deste ano?  Veremos que não. Todos os 11 principais cabeças obedeceriam a ordem do ranking.

Mas alguns tenistas de peso seriam valorizados. Kei Nishikori subiria de cabeça 20 para 12, entrando numa faixa bem mais favorável, e seria seguido Stan Wawrinka, com um salto bem expressivo de 24 para 13. Outro que poderia se beneficiar é Novak Djokovic, que entrará como cabeça 21 mas teria direito a ser 15º nessa hipótese. Dominic Thiem evoluiria de 7 para 5, mas isso não muda grande coisa.

Apenas como curiosidade, segue abaixo o ‘ranking do saibro’ dos 16 primeiros, onde o superfavorito Rafa Nadal tem quase a soma de pontos de Alexander Zverev e Marin Cilic.

1. Rafael Nadal – 13.450 (8770 da ATP + 4680 no saibro em 12 meses)
2. Alexander Zverev – 7.835 (5615 + 2220)
3. Marin Cilic – 5.895 (4950 + 945)
4. Grigor Dimitrov – 5.430 (4870 + 560)
5. Dominic Thiem – 5.135 (3195 + 1940)
6. Juan Martin del Potro – 4.720 (4450 + 270)
7. Kevin Anderson – 4.185 (3635 + 550)
8. David Goffin – 4.010 (3020 + 990)
9. John Isner – 3.280 (2955 + 325)
10. Pablo Carreño – 3.280 (2415 + 865)
11. Diego Schwartzman – 3.025 (2165 + 860)
12. Kei Nishikori – 2.905 (1755 + 1150)
13. Stan Wawrinka – 2.815 (1605 + 1210)
14. Roberto Bautista – 2.660 (2120 + 540)
15. Novak Djokovic – 2.520 (1665 + 855)
16. Kyle Edmund – 2.505 (1950 + 555)

Reza brava
A urucubaca em cima do tênis brasileiro parece não ter fim. Um dia depois de vermos a derrota do nosso número 1 Thiago Monteiro ainda na primeira rodada do qualificatório para Roland Garros, seguido por Guilherme Clezar que entrou de última hora, veio a triste notícia de que nossa única representante garantida nas chaves de simples desistiu de jogar em Paris.

Bia treinava em Roland Garros quando voltou a sentir a lesão nas costas, retornou para o Brasil e verá um especialista. Vale lembrar que ela já sofreu com hérnia de disco anos atrás. No começo do ano, o problema foi no punho. Como pouca desgraça é bobagem, perderá também o posto no top 100 após o Grand Slam francês. Ao menos, é muito provável que consiga entrar diretamente em Wimbledon, cuja lista de inscritas sai na próxima segunda-feira.

Resta torcer por Rogerinho Silva e Thomaz Bellucci, que precisam de mais duas vitórias no quali. Rogerinho enfrentará o eslovaco Andrej Martin, 154º, e pode decidir vaga contra o italiano Stefano Napolitano. Bellucci pegará o experiente Daniel Gimeno, 214º, e quem sabe decidirá contra o belga Ruben Bemelmans. Não é o pior dos quadros.

Oremos.

Nem sorteio de chave ajuda Djokovic
Por José Nilton Dalcim
4 de maio de 2018 às 19:45

Definitivamente, alguém lá em cima está irritado com Novak Djokovic. Atrás de uma sequência de vitórias que lhe garanta mais confiança e ritmo, o sérvio não deu sorte na formação da chave para o Masters 1000 de Madri, um saibro bem mais veloz que já lhe deu dois títulos, um deles em cima de Rafa Nadal.

A árdua tarefa de Nole começa já contra Kei Nishikori, contra quem fez semi dois anos atrás. Embora o japonês também venha de parada por contusão e mostre aquele físico incerto, está em ritmo muito melhor, recém finalista em Monte Carlo. Se passar, Djokovic precisa tomar cuidado com a juventude de Kyle Edmund ou Danill Medvedev. Daí poderão vir David Goffin e em seguida Grigor Dimitrov.

Claro que a única coisa a se comemorar foi ter ficado do lado oposto de Nadal. O dono do saibro europeu e atual campeão aguarda Gael Monfils e Diego Schwartzman, dois jogadores que estão muito inseguros no momento. É bem provável que reencontre Dominic Thiem nas quartas – embora o piso mais veloz agrade Pablo Carreño – e ficará então enorme expectativa para que cruze com Juan Martin del Potro.

Delpo já foi um grande e respeitável tenista sobre o saibro, mas sua última semifinal num Masters 1000 sobre a terra aconteceu há seis anos exatamente em Madri, mesma temporada em que foi às quartas de Roland Garros. Desde então, disputou restritos cinco Masters no piso com uma quartas em Roma. E mais nada. Ficamos com a saudável memória daquela semi em Paris diante de Roger Federer, porém isso foi em 2009, antes do seu US Open mágico e das cirurgias.

De qualquer forma, o argentino tem boa chance de ir longe. Estreia diante de Julien Benneteau ou Damir Dzumhur, pode ter Tomas Berdych ou Richard Gasquet – outro curioso duelo de primeira rodada – e por fim Kevin Anderson ou Roberto Bautista. Não tenho dúvida que esta sim seria a sequência dos sonhos para Djokovic num torneio tão forte.

Por fim, é importante ressaltar que o quadrante de Dimitrov-Goffin-Djokovic pertence ao lado de Alexander Zverev, o cabeça 2, que necessariamente pinta como favorito à vaga na final. No entanto, pode estrear contra Stefanos Tsitsipas e, se o cansaço não pesar para o semifinalista do Estoril, o saibro veloz de Madri tem tudo para virar tormento a Zverev. O italiano Fabio Fognini também precisa ser apontado como nome forte, mas ele foi decepção em Munique.

Que desastre!
Depois de um ótimo início de semana, o tênis brasileiro sofreu uma derrocada difícil de engolir em tudo que foi lugar. O mau presságio começou com a vacilada incrível de Thiago Monteiro na quinta-feira, quando teve saque e 5/3 para ir às quartas de Istambul, minutos depois de ver o cabeça 1 e possível adversário Marin Cilic ser eliminado.

Depois veio a inacreditável virada que Rogerinho Silva levou no terceiro set diante de Taro Daniel, desperdiçando 4/0 e 40-30 com saque. Já havia sido estranho levar 1/6 do japonês no segundo set. E olhem o quadro que o esperava: Chardy na semi, Jaziri ou Djere na final.

Não menos terrível foi ver Bia Haddad ser novamente eliminada por Sara Errani, que nem de longe tem sido a italiana de anos atrás. Pior de tudo é que a brasileira despencará no ranking, não apenas por 78 pontos perdidos em Praga nesta semana mas com outros 140 de Madri na próxima. E ainda tem 80 do quali de Roland Garros a defender.

Nem Marcelo Melo escapou. Ele e Lukasz Kubot, a bem da verdade, perderam o ritmo e não têm jogado bem desde fevereiro. Para fechar a sexta-feira tenebrosa, Guilherme Clezar deixou escapar quatro match-points e 6-2 no tiebreak do terceiro set e Thomaz Bellucci parou em outras quartas, sem ganhar set do 244º do ranking, depois de ter 5/3 e dois set-points com o serviço na série inicial.

E o que nos resta neste latifúndio? Futures. João Menezes em outra final na Nigéria, Jordan Correira numa semi no Cairo, Orlandinho e Felipe Alves em final de duplas também no Egito, Rafael Matos e Igor Marcondes em semi no clube Paineiras.

Mantenha-se otimista, se puder. Eu vou tentar.

Quanta notícia boa!
Por José Nilton Dalcim
2 de maio de 2018 às 19:11

Vamos falar baixinho, porque dá até medo de alguém ouvir: o tênis brasileiro engatou uma série de vitórias como há bom tempo não se tinha o prazer de observar. Bem dito seja o saibro, e o har-tru também.

Rogerinho Silva fez duas belíssimas partidas em Istambul, atropelou Viktor Troicki e tem enorme chance de passar por Taro Daniel e atingir a semifinal, o que novamente o deixaria a um passo do top 100. Thiago Monteiro por sua vez furou o quali e enfim voltou a vencer em nível ATP, o que não acontecia desde a semi de Quito três meses atrás.

Fato curioso, embora menos expressivo, Rogerinho e Thiago disputam rodada a rodada pelo número 1 nacional. Por ter menos a defender, o canhoto cearense leva vantagem, mas terá de repetir o sucesso de Rogerinho e avançar às quartasna Turquia. O adversário é perigoso: o canhoto Jiri Vesely, para quem já perdeu duas vezes.

Outro alívio foi ver Thomaz Bellucci, Guilherme Clezar e Karue Sell avançarem no har-tru norte-americano. Bellucci ainda nos fez sofrer, mas segurou a cabeça e conseguiu virada nesta quarta-feira, novamente indo às quartas. Não sabe o que é uma semi desde Houston, há mais de um ano, nem mesmo em nível challenger. Aliás, Clezar também mostrou poder de reação. Levou ‘pneu’ e viu adversário ter 6/5 no segundo set. Por fim, Sell jogou seu terceiro challenger e obteve a primeira vitória. Pouco para seus 24 anos, é verdade, porém ele ficou muito tempo fora do circuito profissional.

Como nem tudo é perfeito, Bia Haddad encarou uma adversária inspirada e parou na estreia de Praga. A canhota holandesa Mihaela Buzarnescu, 37ª do ranking, jogou um belo tênis e não há do que se queixar. Teliana Pereira só obteve uma vitória em ITF húngaro e está sofrendo para recuperar ritmo e a confiança.

E mais
– As boas notícias da semana vieram também para a antecipação de Roger Federer no retorno ao circuito, ao pedir convite para disputar Stuttgart. O suíço então fará três torneios na grama, assim como em 2017.
– Não menos animadora foi a lista de ‘s-Hertogenbosch, na mesma semana de Stuttgart, e a confirmação de Andy Murray. Espera-se que o escocês dispute um challenger sobre a grama na primeira semana de junho, possivelmente Surbiton.
– Ótimo também saber que Vika Azarenka foi liberada para viajar com o filho para a Europa. Ela poderá assim jogar Madri, Roma e Paris. Quase ao mesmo tempo, Serena Williams confirmou que só voltará em Roma, porque adiou o início do treinamento no saibro.
– Curiosa a entrevista do nutricionista suíço Jurg Hosli, reproduzida em TenisBrasil. Ele acredita que Novak Djokovic pode estar sofrendo de um tipo de anorexia, ou seja, obsessão por dieta com alimentos ‘pretensamente saudáveis’. Segundo o especialista, reduzir carboidratos e cortar totalmente o açúcar é um grande erro. Realmente, impressiona a magreza atual do sérvio.